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minha cabeça é só você, você e você.

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Se Xie Lian fosse ser totalmente sincero, ele não achava que usar a jaqueta de time de Hua Cheng ia se tornar um hábito na primeira vez que a pegou emprestada. Foi ocasional, apenas isso. Ele não esperava que desenvolveria tanto apego por uma peça de roupa preta e cheia de detalhes em prateado – os desenhos de borboleta ou simples rabiscos por toda a roupa e as costuras – e vermelho – o nome e número atrás, além dos botões na frente.

 

Naquele dia ele havia dormido na casa de Hua Cheng, ambos voltaram de um encontro um pouco alterados (quer dizer, Xie Lian estava tão mal que dormiu no meio dos beijos que davam no sofá, quando acordou na manhã seguinte já estava na cama do namorado somente com uma cueca do Bob Esponja que ele tinha certeza que deveria ter feito Hua Cheng dar gargalhadas) que acabou ficando por ali mesmo, sem condições de ir embora. Como suas roupas da noite anterior estavam sujas, pegou roupas limpas que anteriormente deixou na casa dele, guardadas na gaveta em que o capitão do time de basquete deixava só com pertences dele.

 

Só tinha um pequeno detalhe: era um dia frio e ele não possuía uma roupa mais pesada ali para aquecê-lo.

 

E Hua Cheng percebeu isso quando os dois estavam saindo para ir para a faculdade, já haviam até mesmo chamado o elevador e trancado a porta.

 

“Por que você tá sem casaco, mocinho lindo?” Perguntou o mais alto, curvando-se dentro do pequeno cômodo de metal para encostar sua testa na dele. Os cabelos negros de Hua Cheng somente iam até seus ombros, então caíram sobre o rosto delicado de Xie Lian, fazendo sentir cócegas pelas pontas. 

 

“Eu… Não tenho. Não trouxe nenhum para a sua casa ainda…” Falou, olhando pra baixo, o rosto rosado de admitir que ele estava, de fato, trazendo suas roupas para a casa do cara que gostava. 

 

Para a surpresa de Xie Lian, o namorado se endireitou e começou a tirar o próprio moletom, passando-o pelos ombros de Xie Lian e o agasalhando, dobrando a gola e depois deslizando as mãos pelas aberturas da roupa. 

 

“Pronto”, sorriu para ele, segurando num ponto específico e puxando-o para deixar um selar em seus lábios. “Quentinho e protegido do frio.”

 

“Mas… Você não vai passar frio, San Lang?” Perguntou, esfregando os narizes de leve. O cabelo de Xie Lian era curto atrás, mas sua franja grande o fazia balançar a cabeça para tirar os fios da frente de seus olhos. “É seu moletom…”

 

“Eu sou mais resistente a frio que você, e também…” Ele parou, mordendo o lábio inferior enquanto tentava esconder o sorriso – impossível, até os olhos com heterocromia foram afetados pelo sorriso num adorável eye smile que apertava o coração descompassado do garoto de cabelos castanhos. “Eu quero que todos saibam que você é meu namorado, que você é o único no mundo que pode usar minhas coisas e desfilar por aí dizendo que eu sou domado, porque eu sou mesmo…” riu, fazendo Xie Lian rir consigo mesmo que fosse uma pimentinha naquele momento, vermelho da ponta das orelhas até os pés. 

 

“Ouch, por que você é tão besta?” Sorriu, dando mais um selar nele e pegando uma das mãos de Hua Cheng nas suas, já que estavam próximos do térreo. 

 

“Porque sou completamente apaixonado por você, gege .” Naquele momento, as portas abriram e os dois se afastaram, caminhando para fora do elevador e, em seguida, do prédio. Como o apartamento era perto do campus da faculdade, não andaram mais que cinco minutos até chegarem também. 

 

Atualmente, o bendito moletom já era… Bem, já era praticamente dele. Hua Cheng frequentemente oferecia a peça para o garoto que recebia de bom grado, parecendo genuinamente contente de passear por aí com a peça de roupa com o nome e número no time do namorado. E mesmo que fosse oferecido ter a peça para si de vez, ele negava — nunca diria em voz alta, mas se fosse dele, então não teria mais o cheiro de Hua Cheng impregnado nele, então qual seria o propósito? 

 

“Acho tão bonito como você usa o moletom do seu namorado…” Mu Qing comentou enquanto estavam sentados na arquibancada, assistindo os meninos praticarem, tirando Xie Lian da divagação de como os músculos dos braços de Hua Cheng estavam chamando a atenção dele naquela regata. “O que você acha, He Xuan?”

 

“Que deve feder a mauricinho rico, basicamente o cheiro do Hua Cheng”, deu de ombros, fazendo o garoto com mechas brancas rir. He Xuan era, na verdade, alguém que fazia Mu Qing rir com frequência pelos comentários “ácidos”. Era mais alta que Xie Lian, os cabelos lisos, negros e longos sempre paravam no meio de suas costas, além de tudo era bailarina. Apesar dos amigos usarem os pronomes femininos, todos sabiam que ela era agênero. 

 

“Não falem mal do meu namorado” Xie Lian fez um biquinho, mesmo que He Xuan fosse a melhor amiga do cara em questão. Logo, ela virou para Mu Qing e moveu os próprios lábios murmurando “ burguesia fede!

 

“Não se preocupe, o meu também “fede”…” Yushi Huang brincou, fazendo aspas com as mãos para pronunciar a última palavra, e depois levando-as até as costas dele. “Além dele ser rico, ele também acha que é muito sexy… Eu sinto vergonha… Das coisas que ele fala...” Todos caíram na gargalhada. Mesmo Yushi sendo uma pessoa muito sincera no dia a dia, era engraçado ver como ela detonava Pei Ming sem querer, com comentários inocentes. 

 

“Vem, Mu Qing, começou a hora de sofrer pelo namorado rico, vamos embora!” He Xuan brincou, pegando na mão dele e levantando, dramaticamente. 

 

“Um dia eu serei o namorado rico, me aguarde!” Brincou o garoto, colocando o punho fechado em cima do próprio coração. 

 

“Pensei que você era marxista”, Xie Lian arqueou uma sobrancelha para ele, rindo do drama que encenavam.

 

“Isso não me impede de querer ter muito dinheiro, A-Lian!” Mostrou a língua, sentando novamente com He Xuan ao seu lado, apoiada em seu ombro. 

 

Naquele momento o som da buzina da quadra tocou, indicando que alguém havia marcado sexta, todos se viraram para a gritaria. 

 

Feng Xin estava no chão, dramático do jeito que era, fazendo uma cena, Shi Qingxuan fazia carinho em suas costas e o consolava. Pei Ming provocava Shi Wudu, seu melhor amigo, por seu time estar “ganhando”, era uma cena completamente vergonhosa tendo em vista que ele dizia “quem é o gostosão? Eu sou!” e batia na própria bunda na frente dele. Yizhen pulava de um lado para o outro com Qi Rong, que xingava e fazia uma festa pela cesta, enquanto Yin Yu revirava os olhos aos dois, ignorando-os pularem ao seu redor como se estivessem cultuando algo enquanto ele se alongava. 

 

Hua Cheng, por sua vez, escalou a grade da arquibancada, Xie Lian logo foi até a ponta para encontrá-lo, colocando a mão direita em sua bochecha e o acariciando quando já estavam frente a frente. 

 

A quantidade de pontos que eu marcar em jogos de campeonato a partir de hoje serão beijos que eu darei em você, todas as vezes ”, disse sorrindo, se equilibrando para colocar uma mão livre no rosto do namorado e o puxar, colando os lábios para se beijarem. 

 

“Hua Cheng, sai daí!” He Xuan gritou, fingindo que vomitava pelo melhor amigo ser grudento e chato com Xie Lian. 

 

“Pelo amor de deus, a gente ainda tá jogando, Hua Cheng!” Feng Xin gritou da quadra, dessa vez estava em pé, mas indignado. Toda vez uma nova gayzisse do homem. 

 

“Eles estão… Trocando ar? Saliva?” Yizhen perguntou, confuso e não mais pulando, e Yin Yu apenas o abraçou e o virou de costas, dizendo “deixa quieto, vamos focar em outra coisa, como foram suas aulas de Matemática, tá melhorando?”.

 

“Hua Cheng, seu desgramado, pare de devorar meu primo!” Esse grito foi de Qi Rong, ele também havia deixado de pular e agora apontava um dedo para eles. Sua cara mostrava apenas indignação, os cabelos anteriormente presos num coque haviam caído e o faziam ter a aparência de um louco.

 

“Hohoho, esse é meu garoto!” Pei Ming comemorou, logo recebendo olhares furiosos de Feng Xin e Qi Rong por isso. Mesmo assim, ele não ligava, adorava ver como os dois eram fofos. 

 

Quando o casal finalmente se afastou, Xie Lian estava uma vermelhidão sem fim. O jogador de basquete deixou um beijo na bochecha dele antes de pular da grade, voltando ao treinamento, ignorando os xingamentos de Qi Rong sobre ele estar desvirtuando o primo exemplar dele. 

 

“He Xuan, segura ele porque eu acho que ele vai cair!” Yushi Huang comentou, gentilmente, fazendo os outros dois ali sentados rirem e gentilmente segurarem Xie Lian para guiá-lo a se sentar no mesmo lugar de antes. 

 

“Eu nem sei se ele tá respirando”, He Xuan comentou, rindo e fazendo a outra garota presente rir também do estado catatônico do dito cujo. 

 

“Hua Cheng tirou o ar dos pulmões dele” Mu Qing respondeu, também rindo.

 

“Eu… Fiquem quietos!” Xie Lian reclamou, fazendo um biquinho para tentar esconder o sorriso, agarrando-se mais ainda na jaqueta, seu rosto era uma imensidão de tons vermelhos de vergonha. 

 

De dentro para fora, Xie Lian era uma bagunça. Uma bagunça carinhosamente assinada por Hua Cheng, e ele não se arrependia nem um pouco do que fazia porque as coisas que ele sentia pelo garoto alto e de bom coração eram indescritíveis até para ele mesmo. 

 

(...)

 

Depois de semanas de treino, o tão esperado dia da final do campeonato havia chegado. O jogo era contra um time de outra faculdade e estava sendo tenso. A cada cesta do time da casa, o adversário marcava também. O placar atual era 87 à 83, Xie Lian estava quase se descabelando vendo o próprio time estar tão sufocado. Pelas contas dele, o time teria que marcar mais duas cestas para vencer sem chance de virada repentina possível, o jogo faltando 20 minutos para acabar. 

 

Os times estavam num pequeno intervalo porque Pei Ming havia sido machucado e estava sendo substituído por Qi Rong. Yushi Huang e Xie Lian desceram correndo para os bancos do time, uma para seguir o namorado machucado à enfermaria e o outro para dar apoio ao seu amor. 

 

“Ei, como você tá?” Perguntou Xie Lian.

 

“Frustrado… Eles são muito bons.” A feição no rosto do jogador era de pura raiva, mas parecia relaxar com os toques suaves do namorado. 

 

“E vocês tão bons quanto! Estão vencendo, San Lang, é só vocês marcarem mais duas cestas!” Falou, animado, tentando melhorar o humor do garoto de cabelos pretos que parecia estar nublado pelos próprios sentimentos negativos. 

 

“Eu sei, mas é tão… ARGH!” Revirou os olhos, contudo Xie Lian prontamente segurou em seu pescoço e se colocou nas pontas dos pés para sussurrar no pé do ouvido dele. 

 

“Ei… Lembra do que você me disse? Os pontos que você marcar se tornarão beijos.” Começou a falar, baixinho, num momento que repentinamente parecia muito mais íntimo, como se estivessem na própria dimensão. “E eu mal posso esperar pra saber como vão ser esses trinta e seis beijos que você tem que me dar…” O tom continuou baixo, todavia ele parecia estar mais envergonhado pelo que dizia e não era nada despercebido pelo Capitão do time. “Por exemplo, eu não sei se eles serão na minha clavícula, se terá algum nos meus mamilos como você gosta de fazer… Se algum beijo vai chegar até a minha virilha, ou se até mesmo vai chegar até a –” a fala dele foi interrompida pelas mãos de Hua Cheng apertando sua cintura com força por saber exatamente o que ele estava tentando fazer.

 

“Já. Entendi.” Respondeu, pausadamente. Até sua respiração parecia pesada. “Marcar cestas. Ganhar o jogo. Beijar você.”

 

“Isso!” Xie Lian ficou animado. “Marcar cestas e relaxar à noite… Encher de beijos, me amar enquanto eu amo você… Né?” Perguntou, tímido demais para olhar em seus olhos. Mesmo assim, sentiu os leves acenos que Hua Cheng deu. “Boa sorte, vença esse jogo por mim.” Afastou-se e tomou coragem para deixar um selar em seus lábios antes de voltar ao seu lugar na arquibancada, as bochechas levemente rosadas que Mu Qing resolveu não comentar para não envergonhá-lo. 

 

“Você vai ser a minha morte, meu coração não vai aguentar.” Hua Cheng falou, praticamente sozinho e pra ninguém em particular, sentido os batimentos completamente irregulares no peito. Não importa, ele venceria, por ele

 

Voltou ao campo com a maior sede de vitória. Realmente, do jeito que Hua Cheng estava bruto, ele marcou duas cestas e ainda ajudou Yizhen a marcar uma última, vencendo o jogo de verdade. No final, Hua Cheng ainda teria 41 beijos para dar à ele. 

 

Depois que o time tomou banho e Pei Ming voltou do ambulatório com o braço engessado e limpo (ele queria morrer por dentro de assumir que Yushi teve que ajudá-lo a tomar banho, como um senhor de idade), todos se dirigiram ao McDonalds perto da faculdade para comemorarem e comerem. Já haviam pego seus lanches e estavam sentados juntos numa longa bancada quando Feng Xin chamou a atenção deles. 

 

“Eu trouxe isso”, começou, levantando a coroa prateada com detalhes em flores que eles coroavam algum jogador no final de todos os jogos para declará- lo o melhor da partida. O garoto andou e parou atrás de Pei Ming, que ficou animado achando que ganharia. “Como todos sabem, nossa tradição é batizar o melhor jogador. Eu tenho a coroa por ter sido o último coroado” voltou a andar, rodeando a mesa. “É por isso que, mesmo que me doa admitir…” parou atrás de Hua Cheng. “Que devemos dar a coroa aquele que foi essencial para a vitória, aquele cujo as palavras motivam qualquer um e poderiam até mesmo convencer um exército a invadir Roma. Xie Lian!” Virou-se, colocando a coroa na cabeça. “Hoje, esse é você. Seja lá o que você falou, você deu uma sede de sangue pra esse mané que fez ele marcar duas cestas em sete minutos. Incrível.” Todos bateram palmas, Qi Rong até mesmo assobiou. 

 

Xie Lian estava completamente vermelho e seu namorado segurava o riso. E obviamente o motivo era o mesmo: as palavras proferidas pelo garoto com a jaqueta do time que o deixaram daquele jeito.

 

“Hm… Obrigado! Mas eu não sou do time…” Tentou, envergonhado.

 

“Você usa tanto a jaqueta que você é mais do time do que o Capitão Hua já”, comentou Yizhen, rindo. “E se você convence ele, então você é o verdadeiro merecedor dos méritos dele, ele não escuta nenhum de nós!” Reclamou, inflando as bochechas como uma criança. Logo, Yin Yu as apertou levemente, rindo e deixando um beijo leve na ponta do nariz do menino cacheado.

 

Pouco depois da conversa dispersar, Mu Qing e He Xuan vieram conversar com eles, cada um abraçado nas costas do melhor amigo em questão. 

 

“Vocês precisam de uma desculpa para saírem? Vocês parecem ansiosos…” He Xuan perguntou, bagunçando o cabelo de Hua Cheng. 

 

“Nós estamos b…” Xie Lian começou e garoto de cabelos pretos o interrompeu. 

 

“Precisamos sim. Vocês ajudariam?” 

 

“Claro!” Mu Qing respondeu, dando um beijo no topo da cabeça do melhor amigo. “Aproveitem o momento para sair de fininho. A-Xuan, presta atenção para ver se todo mundo tá me observando e esqueceu deles para você terminar de distrair.” Instruiu, soltando o Xie. “Ei, Feng Xin!” 

 

Todos sabiam que os dois meninos viviam brigando em público, então logo prestaram atenção. Feng Xin virou o rosto devagar, olhando pra ele com cara de tédio. Mu Qing começou a andar em sua direção, a tensão se espalhou pela mesa enquanto os dois namorados, que já haviam acabado de comer, pegavam suas coisas e iam para a saída. He Xuan teve que incentivar Yizhen, Yin Yu e Qi Rong a conversarem para não chamarem o casal de volta pra mesa. 

 

Mu Qing finalmente parou frente a frente com Feng Xin — este por sua vez arqueou uma sobrancelha para ele e cruzou os próprios braços. O garoto de mechas brancas agarrou as pontas da jaqueta dele e o beijou, sem nenhum medo, contudo suas bochechas e as pontas de suas orelhas estavam carmesim. 

 

“Não, espera aí, eles não vivem brigando?” Qingxuan perguntou, inocentemente.

 

“O amor anda lado a lado com ódio, às vezes seu sentimento de ódio não é nada além de amor” Pei Ming comentou, sorrindo para a cara amedrontada do irmão mais novo de seu melhor amigo. 

 

“Sim, você mesmo vivia reclamando da Yushi antes de se aproximarem…” Shi Wudu o provocou, fazendo a garota rir da cara indignada dele. 

 

“É diferente!”

 

“Como? Você tinha raiva de mim por tomar seu lugar como representante de sala, depois ficou bravo porque um menino queria sair comigo e simplesmente arrumou um compromisso com você no dia! Só aí você me chamou pra sair!” Ela respondeu, ainda rindo. 

 

“A-Huang! Nós namoramos, você deveria me defender!” Bufou, indignado. 

 

“Eu deveria mesmo?” Ela perguntou, fazendo todos que estavam perto rir. Os olhos de Qingxuan pararam numa pessoa específica, essa mesma pessoa percebeu e virou o rosto, mesmo que participasse de outra conversa naquele momento. 

 

Feng Xin e Mu Qing, por sua vez, finalmente se afastaram um pouco para buscarem ar.

 

“Você… Por que fez isso?” Perguntou o garoto com a pele graciosamente beijada pelo sol, num tom de voz tão baixo que mais ninguém na mesa conseguiria entender o que estavam falando. 

 

“Eu simplesmente tive vontade”, começou o outro, no mesmo tom. Logo percebeu que não ia colar e continuou. “Eu te vi jogando e pensei no quanto você é bonito fazendo isso. Vejo Xie Lian passeando com a jaqueta de Hua Cheng e fico pensando que acho muito legal e gostaria de fazer isso com a sua também. E acho um tédio ver todas aquelas meninas gritando seu nome, fico querendo vomitar.”

 

Não tinha um pingo de mentira nas palavras dele, eram todas completamente genuínas. Todavia, Feng Xin já havia vivido outros contextos com Mu Qing antes e não confiava mais nele. 

 

“Eu nunca sei quando você vai dizer que se arrepende de novo. Não é fácil identificar quando você mente e quando você tá expondo tudo aquilo que esconde. Eu não consigo confiar em você.” Concluiu, tirando as mãos pálidas de sua jaqueta e se afastando. “Eu vou embora. Depois disso, eu não sei mais se quero ficar perto de você porque toda vez que eu estou, eu me machuco mais um pouco.”

 

Feng Xin realmente pegou sua mochila e saiu, deixando Mu Qing ali, soltando um suspiro tão fundo que pareceu soltar junto os próprios sentimentos tão bem escondidos por tanto tempo. He Xuan rapidamente caminhou até ele e o puxou para o canto. 

 

“Você não vai atrás dele? O que ele te disse?” Perguntou, curiosa. 

 

“Eu acho que ele se cansou…” respondeu, triste. 

 

“De um lance casual?” Pareceu confusa. 

 

“De mim…” O biquinho em seus lábios seria a coisa mais fofa do mundo se não fosse a tristeza que ele emanava naquele momento. “De nós, da minha bagunça na vida dele.”

 

“Oh, A-Qing…” Abraçou o garoto, afagando seus cabelos. “Se você correr atrás dele, você não consegue resolver?”

 

“Mas tem o que resolver? Eu e ele nunca iremos ter um relacionamento sério, eu nunca vou poder ser o namorado dos sonhos que ele quer…” Bufou, chateado. 

 

“Oh, amorzinho…” A garota continuou o abraçando, por fim decidiu que dormiria na casa dele para que pudessem ver todos os filmes de ‘De Volta Para o Futuro’ juntos enquanto comiam torta doce e sorvete. 

 

Quando voltou à mesa rapidamente passou por Qingxuan e sussurrou “Feng Xin, rápido”, pois os dois faziam o melhor trabalho de cupido do mundo. Após entender o recado, o garoto rapidamente se levantou e se despediu, seguindo atrás do furacão que era o Co-Capitão do time de basquete quando estava bravo com sua paixonite complicada. 

 

Xie Lian e Hua Cheng demoraram intencionalmente no caminho ao apartamento, andando lado a lado de mãos dadas, com toda a calma do mundo, até porque internamente o garoto mais velho estava derretendo de tão ansioso. 

 

“Como meu gege acha que meu desempenho foi no jogo?” Hua Cheng puxou assunto, virando-se para olhá-lo.

 

“Foi muito bom, você fez incrivelmente bem, San Lang! Estou orgulhoso de você!” Sorriu para ele. Depois levou a mão à coroa em sua cabeça e a colocou na dele. “Para o melhor jogador, o único que tem meu coração para ele.” 

 

“Eu tenho seu coração?” Perguntou, mesmo que soubesse a resposta, olhando para Xie Lian e vendo seu rosto ficar cada vez mais vermelho.

 

“Eu acabei de dizer isso, não?” Riu, apressando o passo para chegar no apartamento logo, fazendo o namorado rir e apressar o passo também. 

 

“Por que você tá correndo, gege ?” Provocou.

 

“Mas eu não estou!”

 

“Eu posso jurar que estávamos lado a lado até eu perguntar se tenho seu coração, haha.”

 

“San Lang!” Falou, virando-se e trombando com o corpo de Hua Cheng. Olhou para o rosto dele, as bochechas infladas. “Fique quieto! Quero chegar no seu apartamento logo, você me deve algo e eu prefiro quando –” Interrompeu-se, respirando fundo antes de soltar o que queria dizer em tons mais baixos, quase num sussurro, fazendo suas bochechas atingirem o auge do carmesim. “Eu prefiro quando sua boca tá ocupada me beijando do que quando você fala as coisas justamente para me constranger…” seus olhos miraram o chão quando ele deu um passo para trás, afastando-se. 

 

Alguns segundos se passaram enquanto Xie Lian fitava o chão, receoso. Quando finalmente olhou para o rosto do outro, assistiu-o passar um braço por baixo de seus joelhos e o outro segurar suas costas. Deu-se por si quando percebeu que estava no colo sendo carregado até o apartamento como uma noiva. 

 

“O que você tá fazendo?” Perguntou, mais curioso do que qualquer coisa. O passo estava tão mais rápido que parecia que dois minutos seriam tempo o suficiente para estarem passando o portão do prédio.

 

“Minha paciência esgotou. Você está me deixando louco desde cedo, gege ! Estou desesperado para chegar no apartamento porque parece que a minha cabeça só pensa em você, você e mais você !” Hua Cheng resmungou. “Ah, e por favor, interfona para a portaria pra mim”, pediu gentilmente.

 

Xie Lian fez o que foi indicado, abrindo o portão para eles enquanto Hua Cheng parecia um vulto, andando muito rápido mesmo. Após entrarem no elevador, tentou descer, contudo o outro não deixou, negando com a cabeça. A expressão fechadíssima, deixando o mais velho intimidado e intrigado. Quando finalmente estavam dentro do apartamento, pulou do colo do namorado e deixou os sapatos jogados na entrada enquanto ele trancava a porta e tirava os próprios calçados com toda a calma do mundo. Saiu correndo para dentro do quarto, escondendo-se atrás da porta.

 

Ouviu os passos calmos de seu amado San Lang, parando antes de entrar no quarto. “Você está se escondendo? O que é isso? Temos cinco anos?” Assim que entrou, Xie Lian pulou em suas costas, beijando sua bochecha e rindo, fazendo a feição do jogador de basquete suavizar após ele soltar uma risada fraca. 

 

“Mn-mn”, negou. “Você parecia assustador! Queria ver essa feição manhosa que você tem quando está comigo de novo!” Desceu do colo dele, andando devagarinho até sua frente e colocando a mão direita em sua bochecha, deixando um leve e longo selar em seus lábios. “Agora eu quero meus beijos, Huahua ” continuou, sorrindo. “Com todo o carinho e delicadeza que eu mereço.”

 

Os braços magrelos e fortes de Hua Cheng foram para a cintura dele, abraçando-o e o jogando na cama – talvez pareça algo bruto, mas não teve nada violento para eles, Xie Lian até gostava de quando ele o tirava do chão.  Em seguida, seu San Lang apoiou os joelhos na beirada da cama, ficando de frente para ele. Levou uma de suas mãos até seu rosto, puxando-o delicadamente para perto. 

 

Deixou um pequeno selar em sua testa, “Um.”

 

Então um em cada pálpebra dele, “Dois, três.”

 

Em cada lado de suas bochechas, “Quatro, cinco.”

 

Na ponta do nariz, “Seis.”

 

Um lento e demorado nos lábios rosados e pequenos, “Sete.”

 

No queixo, “Oito.”

 

Em seu pomo de adão, “Nove.”

 

Falava os números após deixar os selares, o tom calmo e delicado que o fazia querer se remexer em ansiedade na cama o tempo todo. As mãos foram levadas até a jaqueta que ele usava, removendo-a. Calmamente ele também tirou a blusa larga que Xie Lian usava, logo depois levando as mãos até o fecho do binder que ele vestia, soltando todos os ganchos das casinhas e deslizando o tecido pelos braços dele. Mesmo que já tivessem feito isso várias vezes, sempre sentia o corpo tendo arrepios da cabeça aos pés quando as mãos de Hua Cheng o tocavam de forma tão delicada, como se tivesse medo de que desmontasse. Os polegares dele roçaram levemente pelos mamilos expostos, mas o foco do jogador de basquete era manter a promessa, logo continuando o que estava fazendo.

 

Em cada lado de suas clavículas, “Dez, onze.”

 

Em seus ombros, “Doze, treze.”

 

No começo do peitoral dele, “Catorze, quinze”.

 

Nos mamilos que anteriormente acariciou, saindo um pouco mais molhado do que deveria, fazendo Xie Lian arfar, “Dezesseis, dezessete.”

 

Nos braços definidos e musculosos, “Dezoito, Dezenove.”

 

Nos antebraços finos, “Vinte, vinte e um.”

 

Nas mãos bonitas longas, “Vinte e dois, vinte e três.”

 

A respiração de Xie Lian parecia cada vez mais pesada, todavia logo Hua Cheng o deitou na cama, ficando por cima dele. Demorou um pequeno tempo antes de voltar a beijá-lo, pois o capitão gostava de observá-lo e elogiá-lo, de todas as formas que conseguia. Ainda assim, naquele instante tinha outras prioridades. 

 

Nos oito gominhos do abdômen bem definidos, “Vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta, trinta e um.”

 

Suas mãos nunca haviam saído de Xie Lian, mas seguiram até a barra da calça jeans cheia de rasgos que ele usava, os dedos gelados esbarravam com a com a pele quente da cintura exposta até finalmente encontrarem o botão e o tiraram da casinha, descendo o zíper. Os olhos do mais velho observavam ansiosamente as mãos do mais novo, este por sua vez não havia tirado os olhos do rosto do outro, então puxou com força para se livrar da peça de roupa, chamando a atenção de Xie Lian para o rosto feroz mais uma vez. 

 

“Seus beijos estão acabando” disse o garoto seminu, a voz baixa como se estivesse contando um segredo. 

 

“Eu tenho beijos o suficiente para o que eu quero fazer.”

 

Hua Cheng não parecia tão delicado naquele momento. Ele estava sentado sobre as próprias coxas, seus dígitos deslizavam devagarinho pela parte lateral das coxas de Xie Lian, parando em cima de seus joelhos, que não estavam afastados, mas também não estavam grudados, empurrando suas pernas para que pudesse ter total mobilidade para o que queria fazer. O cômodo ficou num silêncio que carregava muita tensão, o homem deitado nem sequer conseguia respirar direito com medo de chamar muita atenção. 

 

O jogador de basquete abaixou o tronco aos poucos, direcionando sua boca até a parte interna da coxa direita do namorado, deixando um pequeno selar e uma leve mordida. Em seguida, dirigiu-se ao lado oposto e repetiu os mesmos movimentos, por fim terminando sentado de novo.

 

Xie Lian arfava de forma pesada, seu peito descia e subia com um intervalo longo até o ponto em que ele sentia que não se aguentava mais e levou sua mão esquerda até a bochecha de seu San Lang, chamando toda a sua atenção, “Mais.”

 

“Como?” perguntou. Ele havia escutado, só queria ouvir a voz baixa mais uma vez pedindo. “Não te entendi.”

 

“Mais beijos. Nos mesmos lugares. Do mesmo jeito. Por favor.” As pausas eram resultados do quanto parecia difícil para ele falar e respirar na bagunça que sentia.

 

Hua Cheng assentiu lentamente, fazendo mais uma vez o que seu namorado pediu, “Desse jeito?”

 

“S-sim!” Xie Lian pareceu ficar mais vermelho ainda com isso, então seu San Lang apenas apertou a carne em suas mãos com força o suficiente para parecer uma provocação, mas ainda o prendendo no lugar. 

 

O garoto mais velho usava uma peça larga de renda branca. Era praticamente transparente, mas também era confortável pelo formato. Os olhos de Hua Cheng permaneceram ali um pouco antes dele se abaixar mais uma vez, agora seus lábios rumavam às virilhas delicadamente expostas, deixando um beijo de cada lado mais uma vez. A respiração quente naquela área o deixava quase delirando. 

 

Hua Cheng subiu de novo, beijando o espaço abaixo do umbigo exposto, “Trinta e oito”.

 

E abaixou mais uma vez, era uma descida perigosa para o que quer que Xie Lian disse descrever que sentia, “Trinta e nove”.

 

O hálito quente estava a ponto de fazê-lo passar mal, seu coração batia tão forte que qualquer um que fosse medir seu pulso diria que estava com taquicardia. 

 

Hua Cheng desceu pela última vez, a brincadeira deles estava a ponto de acabar de vez. Xie Lian sentia que podia explodir quando sentiu os lábios que ele tanto amava beijarem seu clítoris por cima do tecido, “Quarenta.”

 

E seu último beijo deu à ele a sensação de explodir. Xie Lian poderia jurar que via estrelas quando sentiu os lábios dele encostarem o lugar onde ele mais queria ser tocado naquele momento, o tecido o atrapalhava muito. Hua Cheng não parecia preocupado quando levantou o próprio tronco e deslizou um dedo roçando por ali, com toda a sutileza do mundo e apoiou o antebraço esquerdo ao lado da cabeça do namorado, sorrindo quando dizia por fim, “Quarenta e um”.

 

O garoto mais velho soltou um suspiro longo, parecia exausto. Olhava profundamente nos olhos do namorado, parecia ter muitas coisas passando pela cabeça de ambos naquele momento. O mais alto abaixou o corpo levemente, deixando um selinho na boca dele. 

 

“Você está bem?” Perguntou, focado nas orbes castanhas, tão bonitas que o lembravam Mel. 

 

“Mn-mn…” Confirmou, balançando a cabeça. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, querendo chorar de tão desesperado por mais toques. 

 

“O que você quer de mim agora, gege ?” Perguntou mais uma vez, levando a mão livre para o cabelo sedoso de Xie Lian, mas antes que pudesse fazer muito começou a ser empurrado pelas mãos bonitas do namorado, jogando-o na cama de vez. O responsável por isso levantou rapidamente, pegando a jaqueta do chão e a vestindo, ficando então com duas peças de roupa. Depois voltou para a cama, sentando em cima do quadril alheio. 

 

“Você é maldoso!” Fez um biquinho, mexendo na jaqueta para abraçá-la no próprio corpo.

 

“Eu sou?” 

 

“Uhum! Um demônio!” Inclinou-se para perto e soltou a jaqueta, o tecido frouxo abriu e deixou a mostra os pequenos seios que estavam muito próximos do rosto de Hua Cheng. “Você me maltrata!”

 

O homem deitado levou a mão direita à lateral do corpo dele, por dentro da roupa, subindo delicadamente enquanto acariciava sua pele, terminando por passar o polegar no mamilo próximo, ouvindo Xie Lian suspirar pela centésima vez na noite. A mão seguiu se mexendo e terminou nas costas dele, delicadamente o puxando para mais perto, o suficiente para que pudesse capturar um de seus mamilos com a boca. 

 

Normalmente, o jogador de basquete odiava seus caninos tão chamativos, contudo, em momentos como este, Xie Lian ficava muito excitado de senti-los passando sobre sua pele, era seu próprio paraíso. Os dentes do namorado mordiscaram a pele ao redor, puxando-a levemente até prender o bico de forma sutil para não machucar. Depois, ainda com os lábios entreabertos, passou a língua devagar algumas vezes, chupando aquela pontinha avermelhada e durinha. 

 

“Ainda estou te machucando e sendo mal?” Hua Cheng brincou, levando as mãos vagarosamente à bunda de Xie Lian, dando espaço para que pudesse se mexer e olhá-lo nos olhos novamente. Apertou a carne macia com força. 

 

“Está me tratando melhor…” Sorriu, todavia puxou-o para sentar-se, ficando frente a frente. Agarrou a barra da camisa com as mãos, brincando com ela enquanto olhava para o pedaço de pano e logo Hua Cheng já havia tirado-na do corpo, mostrando apenas algo parecido com um cinto preso em sua cintura e desaparecendo nas calças, posteriormente levantando o queixo fino alheio com o indicador e o médio para fazê-lo olhar em seus olhos. 

 

“Eu já te disse muitas vezes, você não precisa ter vergonha, eu te acho o homem mais bonito do mundo. Pare de desviar…” Interrompeu a própria frase para deixar um beijo na bochecha dele. “Olhe para mim, nos olhos. Você é a única pessoa no mundo com quem eu quero estar…” Interrompeu novamente, fazendo o mesmo gesto do outro lado do rosto alheio. “E eu verdadeiramente amo você desse jeitinho.” 

 

“Por que você é assim?” Sorriu timidamente Xie Lian, olhando em seus olhos com as bochechas totalmente coradas e cruzando os próprios braços em cima do peito. 

 

“Assim como?” Riu levemente. 

 

“Assim! Você me trata como se eu fosse a única coisa no mundo que importa pra você!” Fez um biquinho adorável.

 

“Você é. Eu serei para sempre o seu maior admirador.” Hua Cheng procurou os lábios de Xie Lian, levando uma mão até sua nuca para fazer um leve cafuné ali, do jeito que ele sabia que o outro gostava e como se derretia em seus braços. 

 

Pouco depois, os beijos que estavam trocando já não eram mais fofos e carinhosos, eram quentes e até desesperados, pareciam já não ter mais tanto controle. O mais velho remexia o quadril timidamente em seu colo, sentindo a fricção com os tecidos melhorarem a sensação de urgência que tinha. Afastaram-se um pouco pois Xie Lian parecia estar lutando muito para respirar. 

 

“D-deita.” Pediu e seu San Lang prontamente obedeceu, deitando-se na cama mais uma vez enquanto observava os movimentos envergonhados do namorado. Este, por sua vez, levou as mãos para a calça Jeans que o outro usava, tirando o botão da casinha e abaixando o zíper. Saiu de cima das coxas alheias e ficou de joelhos entre as pernas dele, puxando a peça de roupa fora. 

 

Xie Lian sempre tinha muita expectativa quando seu namorado tirava a roupa, contudo dessa vez era algo totalmente novo para ele. Agora ele podia ver melhor o que era aquele “cinto”: um tipo de suspensório. Ele rodeava a cintura e descia em tiras cruzadas, prendendo no tecido leve que cobria seu membro, em cada lado de seu quadril tinha um pequeno fecho juntando os tecidos, logo descendo em tiras mais uma vez e terminando presos numa versão menor do cinto que terminava em suas coxas.  

 

“Onde você arrumou isso?” Riu, olhando para os tecidos delicados, majestosos e vendo o rosto relaxado do namorado. 

 

“Por aí? Achei que você ia achar legal e se divertir me vendo assim, então eu trouxe…” Sorriu, enganchando o dedo numa das tiras de elásticos e puxando, fazendo um barulho alto ressoar no quarto. De novo, Xie Lian estava se sentando nas coxas dele, sentindo como se precisasse de mais contato logo. 

 

“Eu… gostei. Quando você colocou?”

 

“No vestiário, quando tava me arrumando…”

 

“E ninguém viu?” Arregalou os olhos, incrédulo. Seria uma confusão para explicar se fosse com ele.

 

“Feng Xin, mas ele não reparou, então talvez não?” Não era uma dúvida para o Xie responder. 

 

“Você realmente é a pessoa que mais me surpreende no mundo!” Riu, imitando o gesto que ele havia feito de puxar uma tira, mas dessa vez foi tão forte que ouviu um gemido sair de Hua Cheng e rapidamente voltou a olhar em seus olhos. “Me desculpa!”

 

“Você é tão pequeno e tão forte. Eu fico incrédulo no quanto parece que você pode me quebrar no meio!” Respondeu, brincando. “Só uma sentada e você vai me quebrar de vez.”

 

Xie Lian estava sorrindo para ele, sentia-se feliz, mas lembrou do porquê estavam ali, dos desejos que tinha naquele momento, endireitou a postura e forçou para parecer sério. “Menos falatório, Capitão Hua, nós temos assuntos a resolver.” O sorriso no rosto do próprio namorado era uma coisa completamente indescritível de tão satisfatória. 

 

Estavam quase desnudos, então Xie Lian reuniu toda a coragem guardada para engatinhar pela cama, sentando em cima do peitoral do namorado, um joelho de cada lado da cabeça dele. 

 

“Sabe o que tem que fazer, capitão?” Falou, autoritário, brincando com ele.

 

“Sim, Vossa Alteza!” Respondeu, imitando o tom de um verdadeiro soldado.

 

“Tudo bem, porém eu vou repetir para você ter certeza de que se você não fizer bem o seu trabalho, existirão consequências!” Instruiu.

 

“Eu sempre faço bem…” As mãos de Xie Lian prenderam sua mandíbula. 

 

“Você deve fazer um bom trabalho com a boca, eu não ligo se você acha que já está bom, eu faço as regras, e você tem que fazer isso muito bem… Faça-me o favor de me lembrar o porquê você é classificado como o melhor de cama entre todos os garotos do time, sim?” Pediu, sorrindo. Hua Cheng logo assentiu e Xie Lian se posicionou como disse que iria fazer. As mãos de Hua Cheng agarraram as coxas dele, puxando-o para muito perto, sendo possível até mesmo sentir o ar da respiração alheia por cima do tecido. Ansiosos, sentiam-se ansiosos.

 

Ele sentiu a língua alheia tocar pelas laterais do pano brincando com os “lábios” que ali existiam, beijando-os e roçando a língua, empurrando-a na pequena cavidade ali apenas para provocá-lo. Depois voltou a mexê-lo para trás, dando toda atenção que podia ao clítoris e a região, deixando pequenos selares e às vezes roçando os dentes de leve para provocá-lo pela expectativa. Todas aquelas sensações o deixavam desesperado por dentro. Quando percebeu, sua voz já tinha saído. 

 

“San Lang, San Lang…! Rasgue o tecido, eu não quero mais saber disso, só quero mais.”

 

As mãos do namorado foram para a costura, puxando-a com tanta força que a peça fez o barulho do rasgo e se dividiu em duas. Pelo menos, agora estava livre.

 

E Hua Cheng reconhecia esse desespero, fez o que lhe era pedido de forma silenciosa, seus lábios leves perto do clítoris passeando pela região enquanto a sugava, brincando por ali. Xie Lian só sabia pedir por mais, gemer e quase pular em seu rosto de tanto que se mexia. 

 

O capitão do time levou uma de suas mãos para próximo do rosto do namorado, oferecendo seu indicador e o dedo médio para que ele chupasse, que foram recebidos de bom grado.

 

Xie Lian era uma bagunça de gemidos descontrolados misturados com os barulhos que a boca de Hua Cheng fazia em si. Sua língua entrava e saía da cavidade, seus lábios faziam barulho sugando-o e o mais velho tentava se concentrar em deixar os dois dedos em sua boca molhados. Quando finalmente foram tirados pelo dono da mão e rumaram para entre suas pernas, os olhos do Xie escorriam lágrimas de excitação. 

 

Hua Cheng o colocou para trás um pouco para que pudesse falar. “O que você quer de mim agora, amor?”

 

A voz dele em resposta pareceu mais um choro do que qualquer outra coisa. “Eu-eu… Você sabe o que eu quero! Pare de me fazer falar!” E se moveu para a frente sozinho, “sentando” novamente em seu rosto. O dedo médio fazendo a vontade de Xie Lian e sendo-o colocado dentro de sua cavidade molhada, entrando e saindo, enquanto a boca dele continuava o chupando. Logo um segundo dedo foi adicionado nos movimentos e os gemidos que saiam de sua boca podiam ser ouvidos até do lado de fora do apartamento, chamando por San Lang, fazendo a cama ranger. O ar condicionado não parecia ser mais suficiente porque ambos escorriam de suor. 

 

Hua Cheng só saiu debaixo dele quando sentiu-o gozar em seus dedos, “limpando-o” com a boca e a língua, logo depois se sentando na cama para oferecer seus dedos para Xie Lian, que prontamente os colocou na boca, sentindo seu próprio gosto e os limpando com calma e gosto enquanto seu namorado sorria para ele, parecendo encantado consigo. 

 

“O que foi?” Perguntou assim que tirou a boca dos dedos dele, entrelaçando sua mão na dele.

 

“Você nunca falha em me mostrar como você é a pessoa mais sensual que eu poderia conhecer. Eu acho que nunca mais vou conseguir me sentir tão atraído por alguém romanticamente ou sexualmente igual eu me sinto por você.” As bochechas de Xie Lian coraram fervorosamente. “Mas eu não posso falar isso agora se não você fica bravo que eu te tirei do seu momento de prazer, então me diga, Vossa Alteza, o que você espera do seu maior admirador?”

 

“Eu quero…” Moveu-se para frente. “Que você me arruine, faça uma bagunça, você pode me fazer até gritar que eu não me importo.” Afastou-se novamente para olhá-lo nos olhos, suas sobrancelhas franzidas e suas bochechas tão coradas que parecia ter pego muito sol. “Eu só quero você, não importa se você vai me fazer subir pelas paredes ou ver estrelas de tanto prazer, eu só quero que você faça. Agora.”

 

Hua Cheng nem sequer respondeu, seu sorriso parecia tão pecaminoso que não era necessário, apenas virou o namorado na cama. Xie Lian levou as mãos delicadas para desenganchar os fechos da peça de roupa no jogador de basquete, deixando seu membro duro descoberto. Estava tão molhado que nem sequer precisava de lubrificante ou qualquer auxílio, apenas deixou seu namorado direcionar-se na pequena cavidade e empurrar-se para dentro aos poucos, tentando não ser bruto para não machucar e ao mesmo tempo não sendo tão lento pois já haviam feito o mesmo em outros momentos. 

 

Mas o garoto baixinho não parecia lidar com dor alguma, ele remexeu buscando contato, pedindo em sussurros, “mais, San Lang…” da forma manhosa como já estava fazendo — e que enlouquecia completamente o juízo de seu próprio namorado. 

 

“Você tem certeza? Não tá te machucando?” Perguntou, conferindo.

 

“Não, mas…” Soltou o ar que nem sabia que estava prendendo, levando as mãos ao rosto dele e o puxando para perto. “Se for um pouco mais bruto, eu não vou me incomodar nem um pouco.” 

 

Xie Lian puxou-o para beijá-lo, sentindo o sorriso em seu rosto pelo contato, e abriu levemente a boca. Hua Cheng começou a fazer investidas contra o corpo dele, segurando suas coxas ao redor do próprio corpo, e abriu seus lábios para que pudesse acompanhar os movimentos que a boca ansiosa do Xie fazia com a sua. Seu ritmo aumentava gradativamente, cada vez mais forte, e assim os gemidos de Xie Lian voltaram a ser audíveis, preenchendo o quarto e ecoando pela casa.

 

Afastaram-se as bocas, ligados por um fio de saliva, e o capitão começou a descer com beijos para seu pescoço, terminando por deixar selares de leve na clavícula dele até escolher o ponto onde quis deixar uma pequena mordida, chupando levemente a região depois — sabia que seu namorado morreria de vergonha com uma marca muito chamativa. 

 

Quando ouviu ser chamado, tudo parecia um sonho. “San Lang, faz de novo. Pode ser com mais força.”

 

Repetiu o movimento e fez como foi pedido, puxando a pele com mais força, deixando uma área vermelha que agora era provável de ganhar cor, ainda assim mantendo o movimento dos quadris. “Assim?”

 

“Uhum, mais…”

 

Começou a trilhar um caminho pelo peitoral dele, chegando nos pequenos seios expostos, quase nada cobertos pela jaqueta que ele usava, e repetir ali os gestos, mais vezes, com mais força. Xie Lian começou a arranhar as costas dele com as unhas curtas, logo prendendo as mãos em seu cabelo e o puxando novamente para beijá-lo mais. 

 

“Mais. Forte.” Disse quando as bocas se desencontraram, rebolando em sua direção enquanto seu namorado investia fortemente contra ele, levando os cotovelos para perto da cabeça dele, tentando se apoiar na cama.

 

“Quando foi que você ficou resistente assim? Pedindo mais e mais?” Brincou.

 

“Quando foi que você começou a questionar tanto o que eu peço?” Xie Lian riu, empurrando-o para rodar na cama, saindo de dentro dele, todavia logo colocou os joelhos ao redor do quadril dele, posicionando-se e descendo, procurando as mãos de Hua Cheng para segurá-las acima da cabeça dele na cama. 

 

“Você consegue ficar por cima de mim?” Respondeu, o tom era levemente debochado e carinhoso ao mesmo tempo.

 

“Por que eu não conseguiria? Eu sou forte e nem um pouco fraco!” Argumentou, fingindo estar ofendido. 

 

“Eu nunca tive dúvidas disso.” Xie Lian começou a subir e descer no colo dele, lentamente, provocando-o. “Mas nem  uma mãozinha? Eu não posso nem te ajudar pra ficar mais fácil?” Fez um biquinho. 

 

“O máximo que suas mãos podem fazer é segurar na minha cintura ou no meu rosto.” Ditou, soltando-as. 

 

Hua Cheng rapidamente levou-as à cintura dele, acompanhando os movimentos (agora mais fortes e rápidos) do namorado e tentando não interferir, apenas apertando o lugar. As mãos livres de Xie Lian foram espalmadas em seu peito, dando apoio para os movimentos que ele fazia.

 

Os gemidos de Xie Lian preenchiam o quarto junto com o barulho das peles tocando e da cama rangendo. Os movimentos dele só acalmaram depois do gemido cansado do namorado, vindo junto com a sensação do novo líquido dentro dele. Ele estava cansado, respirando fundo para acalmar o próprio coração, apoiando-se no peito do homem abaixo dele, olhando para ele com um sorriso sincero no rosto e a expressão mais apaixonada que tinha.

 

“Por que você me olha assim?” o mais novo perguntou, acariciando a cintura dele com a mão direita.

 

“Assim como?” 

 

“Desse jeito, gege , igual agora…” Levou sua mão esquerda ao rosto dele, acariciando sua bochecha. “Como se eu merecesse o quanto você é incrível…”

 

“Mas você merece…” Xie Lian abaixou o próprio tronco, ainda com Hua Cheng dentro dele, abraçando-o. “Você me ama de um jeito que eu nunca achei que alguém conseguiria. Isso faz de você a pessoa mais merecedora do meu amor no mundo.” 

 

Hua Cheng levou as mãos ao cabelo dele, acariciando-o, fazendo cafuné, do jeito que ele sabia que logo, logo faria Xie Lian dormir. “Você tá muito cansado, gege ?”

 

“Mn, um pouco…” resmungou. 

 

“Você não quer tomar um banho antes de dormir?” perguntou, ainda mantendo as carícias. 

 

“Não quero sair daqui, você é meu travesseiro confortável…” falou baixinho. 

 

“Você tá nojento, gege, todo melado e sujo.” Brincou.

 

“Mn, tá bom” sussurrou, caindo no sono pouco a pouco em cima dele, agarrado como um pequeno coala. 

 

Hua Cheng esperou um pouco antes de tirá-lo de cima de si, indo para o banheiro e enchendo a banheira, colocando sabonete com cheirinho de framboesa, como ele sabia que o homem adormecido gostava para dar banho nele. 

 

Mais tarde, quando Xie Lian já estava devidamente banhado e vestido, assim como o próprio Hua Cheng, o capitão do time terminou de guardar as coisas que havia deixado jogado pela própria casa (como roupas, mochilas e afins), jogou as roupas sujas pelo chão do quarto no próprio cesto e se deitou. Seu namorado só de sentir a pressão na cama, o cheiro alheio e o calor de seu corpo já se aproximava, alinhando-se para abraçá-lo. 

 

Porque de todas as coisas, o que a cabeça de Hua Cheng pensava era sempre sobre ele, para ele e a falta que sentia de estar com ele quando ficavam dias ocupados.