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Crusade: Livro 1 - Os 4 Cavaleiros do Apocalipse

Chapter Text

"Me encontrei novamente nesse mesmo lugar, preso, sem saída, com chamas ao meu redor. Tudo pegava fogo, sem chance de escapar. O oxigênio que restava era o combustível para essas labaredas queimarem mais intensamente, estava tudo acabado. Eu já havia desistido, encostado na parede que queimava as minhas costas. O ambiente ao meu redor estava escurecendo por conta das chamas, porém quando estava prestes a fechar meus olhos, pude ver uma luz. A luz irradiou tudo e fez as chamas, a casa queimando simplesmente sumir."

Ao acordar Elliot deparou-se com várias pessoas ao seu redor. Ele estava deitado de bruços com a cara no asfalto da West 33th Street de frente ao Empire State Building de Nova York. Ao levantar-se foi recobrando a consciência aos poucos, assim que de fato começou a levantar percebeu uma mulher que lhe chamou a atenção. Ela tinha longos cabelos castanhos e uma franja curta que ressaltava seu rosto angelical. De todas as pessoas que estavam próximas dele ela era a que estava mais perto. Assim que ela percebeu que Elliot despertou aproximou-se, pôs a mão em sua bochecha e perguntou com uma voz doce e terna.

– Está sentindo alguma dor? – perguntou a misteriosa mulher de aparência angelical. Seus olhos castanhos refletiam as luzes artificiais da noite iluminada de Nova York. Sua íris parecia um céu estrelado por si só. – Você está bem? Consegue se lembrar de algo?

– Eu... quem... quem é você? – perguntou Elliot. A mulher continuou o encarando com aquele olhar gentil como se ele não houvesse acabado de falar com ela. Elliot sentiu que devia dar uma resposta. – Me chamo Elliot, Elliot Green. Eu... não estou machucado, apesar de tudo.

– Entendi, foi o que pensei – disse a mulher. Ela sorriu e estendeu a mão para ajudar Elliot a se levantar. Quando a mulher puxou Elliot ele sentiu sua força, a pegada dela não era de uma pessoa qualquer, ele pode sentir brevemente uma fração da força dela e ficou espantado. – Meu nome é Kira, Kira Steelheart. Sou uma Crusader General de Combate e portadora anterior do Yang. Sei que isso é muito repentino, mas você foi escolhido como o próximo Yang.

– Como assim? O próximo Yang? Por quê? – Elliot estava muito confuso, era muita informação para processar ao mesmo tempo. Kira sorriu demonstrando empatia com seu estado de espanto e explicou tudo.

– O escolhido como Yang é designado para manter o equilíbrio do mundo, essa será sua missão de agora em diante. Nunca ouviu falar do Yin Yang?

– Sim, mas o que tudo isso significa? Por que logo eu? E se eu não quiser ser esse "Portador do Yin Yang"? E o meu lado dessa história? – perguntou Elliot desesperado. Ele estava tremendo de nervosismo e ansiedade, mas, mesmo assim, ela se aproximou e colocou a mão em seu ombro, sorriu e continuou.

– É um pouco tarde para isso pois você já foi escolhido. Eu não posso nem imaginar o estresse que você está passando agora Elliot, porém posso te ajudar e te dar todas as respostas que busca. Apenas venha comigo conversar, tem um Starbucks aberto aqui perto, podemos discu... – antes que Kira pudesse terminar de falar Elliot surtou e correu. A cabeça dele estava à mil. Mesmo depois de se jogar de um prédio ele continuou vivo, no momento ele não entendia o porquê disso, apenas tinha certeza de que algo extraordinário estava acontecendo. – Realmente não tinha pensado no quão complicado isso poderia ser – disse Kira. Logo depois deu um suspiro e começou a andar na direção em que Elliot estava fugindo. – "Consegui gravar a leitura de calor dele quando apertei sua mão, ele não sumirá da minha vista tão fácil" – pensou Kira, então começou a seguir Elliot. O garoto de 19 anos de idade corria por entre a multidão na noite de Nova York, assustado e esbarrando em mais pessoas do que ele gostaria. Para Kira isso estava longe de sequer ser um problema. A posição de Elliot era óbvia, ele nunca iria a despistar desse jeito. Dando a volta pelo Empire State Building pelo lado da 5ª avenida ele entrou no primeiro Starbucks que viu. "Aí está você garoto, não vai escapar agora". Andando naturalmente, graciosamente e com uma postura impecável, Kira desviou da multidão que a admirava enquanto passava pela calçada. "Espero que a minha irmã não tenha tanto trabalho assim", ela deu a volta na West 34th Street e entrou no mesmo Starbucks em que Elliot havia entrado.

A loja estava moderadamente vazia, Elliot escolheu sentar-se no fundo da loja longe dos demais. Ele ainda estava tendo uma crise de ansiedade após tudo que aconteceu. Sua perna direita não parava de balançar, ele não conseguia parar de morder os lábios. Ao ver Kira passando por fora da loja Elliot congelou. Do momento em que ela entrou na visão dele até ela entrar na loja, Kira não olhou diretamente para Elliot por um momento sequer. Ela friamente entrou na fila, esperou sua vez, fez seu pedido e foi sentar-se a frente de Elliot. Ele não conseguiu entender como que ela o encontrou sendo que, ele claramente havia saído do campo de visão dela.

– Você deve estar se perguntando como eu fui te achar aqui, não é mesmo? – Elliot ainda surpreso fez que sim com sua cabeça. – Eu apenas rastreei seu calor, Crusaders que desenvolvem afinidade com o elemento Fogo podem fazer isso mais facilmente. Você nunca teve chance de me despistar em momento algum Elliot – disse Kira sorrindo. Por mais que Elliot estivesse no meio de uma crise de ansiedade o sorriso de Kira o acalmou. – Eu gostaria de conversar com você, está se sentindo melhor agora? – perguntou Kira da forma mais gentil possível.

– Sim, estou – disse Elliot. Ao responder Kira ele evitou olhar diretamente nos olhos dela.

– Pois bem, como eu estava dizendo você foi escolhido pelo Yang para ser o meu sucessor. Eu acredito que foi isso que te salvou da queda – ao terminar de dizer isso Kira percebeu Elliot ficando reflexivo e encarando o nada fixamente por um momento. – Eu não acho que foi sorte sua, os escolhidos pelo Yin ou Yang não são apenas escolhidos pelo acaso.

– Mas porque ele me escolheria? Eu não sou forte, ou ágil, ou...

– Você pode não ser agora, mas pode se tornar. O que me diz? – Elliot encarou Kira com olhos úmidos, olhos que uma vez haviam desistido e que agora viam alguma esperança.

– Kira! Elliot! – gritou a barista que estava distribuindo as bebidas.

– Com licença Elliot, vou pegar nossas bebidas – Kira levantou-se e foi até o balcão pegar seu pedido. "Nossas bebidas?" pensou Elliot. Kira voltou para a mesa e sentou-se novamente. – Aqui está, um chocolate quente para você e um frappuccino de caramelo para mim.

– Como você sabia que a minha bebida favorita daqui era o chocolate quente? – perguntou Elliot enquanto bebericava seu chocolate quente. Kira deu um gole de seu frappuccino e sorriu.

– Eu não sabia, mas quem não gosta de um bom chocolate quente? – disse Kira antes de dar outro gole.

– Obrigado Kira – disse Elliot em um tom tímido, mas agora olhando em seus olhos. Kira parou de beber seu frappuccino de caramelo e começou a encarar o copo. – Algo de errado com o seu frappuccino?

– "Quyrah" – após ler seu nome escrito errado virou o copo para Elliot e começou a rir.

– "Hellyot" – mesmo no atual estado mental Elliot não aguentou e começou a rir junto de Kira. Ele virou o copo e ela arregalou os olhos. – Sério?

– Acho que tivemos o Starbucks experience completo. Torrei 20 dólares, gritaram meu nome e escreveram ele errado no copo.

– Não fui poupado.

– Dano colateral, você está bem Elliot? – perguntou Kira em um tom brincalhão. Elliot sorriu e respondeu.

– Estou melhor agora – disse Elliot rindo. Kira sorriu de volta com seu sorriso doce e terno.

– Que bom meu anjo.

Perspectiva de Kara

Ao sentar-se, Kara colocou seu almoço na mesa. Ela tirou seu burrito de sua embalagem de plástico e papel-alumínio para dar-lhe uma bela mordida. Seu chá-preto em lata está refrescante do jeito que gosta. "Essa deve ser a sensação, esses garotos de faculdade não sabem o que têm", pensou Kara. "Poder ter seus estudos bancados assim, carros caros. É um luxo de poucos".

Terminando de almoçar Kara levantou-se e começou a passear pelo campus. Ela almoçou em um Chipotle próximo à Universidade de Maryland, Kara precisava de uma comida de conforto depois de passar semanas comendo comida de hospital. Sentir algum sabor que excitasse o paladar melhorou bastante seu humor. Era uma tarde ensolarada de sábado, Kara estava usando uma roupa leve e discreta, olhando sem saber ninguém adivinharia que ela é uma Crusader.

"Como teria sido minha vida se eu tivesse escolhido a Universidade no lugar da Academia?", pensou Kara. Deu mais um gole no seu chá gelado e seguiu em frente. "Agora não é hora de pensar nisso". Caminhando pelo campus encontrou a área esportiva da Universidade, tinham várias pessoas em volta da pista de corrida. Aproximando-se Kara percebeu que estava ocorrendo a disputa de corrida universitária da costa Leste do país. Essa corrida vale uma posição classificatória para as três primeiras colocadas. Várias concorrentes estavam alongando-se antes da corrida, mulheres de 18 a 26 anos estavam participando da final feminina. O trecho era de 100 metros rasos na pista de corrida da Universidade.

Após as corredoras se prepararem o juiz deu o sinal para se posicionarem na pista e começar a corrida. Bebericando seu chá Kara percebeu que uma corredora se distinguia das outras, era uma mulher magra e de altura média, tinha um cabelo loiro quase platinado que parecia ser natural. Kara virou-se e falou com a primeira pessoa a sua esquerda, parecia ser a mãe de uma das corredoras. Ela estava vestindo uma roupa de caminhada e estava com o cabelo preso, aparentava estar com cerca de 50 anos de idade.

– Boa tarde senhora, você sabe me dizer quem é aquela corredora? – Kara apontou para a mulher de cabelo platinado. A senhora voltou sua atenção para Kara, abriu um sorriso e respondeu.

– Boa tarde! Ela é melhor amiga da minha filha, o nome dela é Emma e ela faz Direito aqui na Universidade de Maryland. Minha filha está assistindo de perto a corrida, ela só sabia falar disso essa semana.

– Entendi, muito obrigada senhora tenha uma boa tarde – despediu-se Kara.

O juiz ergueu sua mão com a pistola de largada, ordenou todas as corredoras a se prepararem, fez a contagem e deu o tiro de largada. Durante os vinte primeiros metros Emma manteve-se junto da liderança. A cada gole que Kara dava em seu chá mais Emma chegava perto do primeiro lugar. Mesmo não conhecendo essa corredora e nem sendo uma entusiasta de corrida a cada segundo Kara ficava mais tensa e segurava mais forte seu copo de chá, ela só queria vê-la cruzando a linha de chegada em primeiro lugar. Ao alcançar a marca dos sessenta metros Emma deu um leve tropeço em uma pedra, mas isso foi o suficiente para separar ela da liderança. Agora a diferença entre ela e a testa era de três metros, porém três metros de diferença quase no final de uma corrida de 100 metros rasos é uma diferença gigante. "Não!", pensou Kara. "Não perca!". Na marca dos setenta e cinco metros Emma conseguiu se recuperar e voltar para a testa, não só isso como começou a liderar a corrida. Todos começaram a aplaudir e torcer por Emma. Chegando na marca dos oitenta metros ela já havia aberto um metro de diferença da testa e nenhuma outra corredora tinha fôlego para alcançá-la.

– A primeira corredora a cruzar a linha de chegada é a #05! Emma Ivanov! – gritou o juiz de frente pra linha de chegada. Todos vibraram com a vitória inesperada da corredora que se atrapalhou no meio do percurso. A família de Emma foi correndo a receber na linha de chegada, a abraçaram e entregaram uma toalha e uma garrafa esportiva cheia de água gelada.

Quando a excitação se dissolveu, Kara voltou a pensar na corrida e lembrou-se de um detalhe que havia ignorado antes no calor da disputa. Logo depois de Emma tropeçar seu cabelo ficou preto por um momento, no início não sabia se era apenas um efeito de sombra e luz, mas começou a considerar a possibilidade de o motivo ter sido outro. A campeã e sua família já estavam dirigindo-se ao estacionamento para voltar para casa. Kara não podia deixar ela entrar no carro e ir embora sem ao menos conversar com ela. A família de Emma estava acompanhando-a até o carro, todos sorrindo e conversando com ela sobre a corrida. Seu pai sorria para a filha enquanto destrancava a porta do carro. Ela acelerou o passo para alcançá-los antes de irem embora. Emma notou sua presença e sua intenção enquanto Kara aproximava-se dela.

– Boa tarde! Você deve ser Emma certo? A campeã da corrida de hoje, prazer, me chamo Kara – Kara a cumprimentou com um pouco de pressa e Emma pode notar isso. – Posso conversar contigo?

– Estamos sem pressa Emma, mas não demore muito – disse o pai de Emma sorrindo. Kara levou Emma até um canto do estacionamento mais vazio para conversarem melhor.

– Eu te conheço por acaso? – perguntou Emma confusa.

– Não, vou me introduzir de novo. Me chamo Kara Steelheart e sou uma Crusader, eu vim falar contigo por conta de algo que aconteceu na corrida, como que eu posso explicar...

– Espera, você está me acusando de trapaça? Todas as corredoras foram submetidas a um teste previamente a corrida e não apresentei nenhuma irregularidade.

– Emma esse não é o ponto, o que aconteceu é algo bem mais complicado que isso. Deixe-me explicar...

– Então o Yin me escolheu como sucessora no meio da corrida e isso que me deu aquele pique milagroso de energia para voltar à liderança? – em choque Emma sentou-se no meio-fio e abraçou suas pernas. – Quer dizer que eu não ganhei a corrida sozinha? Eu não mereço esse troféu – disse Emma desacreditando em sua vitória.

– Você venceu essa corrida, não tenha dúvidas disso. Foram as suas pernas que te levaram até a linha de chegada, o Yin te escolher ou não é algo fora do seu controle não se torture por isso.

– Tudo bem, mas e agora? Eu vou ser obrigada a virar uma Crusader? Eu estou no meu quarto semestre de direito aqui na Universidade de Maryland, eu não posso simplesmente desistir disso. Meus pais estão investindo pesado em mim para que eu vire uma advogada e trabalhe no escritório deles.

– Então seu sonho é ser advogada e trabalhar com seus pais pelo resto da vida? – perguntou Kara. Ao ouvir a resposta de Kara, Emma parou por um instante para pensar, desviou o olhar e ficou pensativa.

– Bem eu não tenho outra escolha...

– Tem certeza? – Kara disse com um sorriso amigável para Emma. Elas se encararam um pouco, mas não disseram nada uma para a outra. – Bom, se mudar de ideia meu número é esse aqui – Kara entregou seu cartão de contato com seu número de celular profissional e ramal de trabalho e foi embora. Emma olhou para a sua família e seu pai já estava sem paciência, ela se levantou e entrou no carro em direção a sua casa. Antes de sair do estacionamento Emma virou seu pescoço procurando por Kara, mas ela não estava mais lá.

Perspectiva de Kira

Já haviam se passado dois dias desde que Elliot encontrou Kira no chão da West 33th Street, após tomarem suas bebidas Kira explicou a situação para Elliot e ele entendeu melhor o que havia acontecido. Nesse dia ele foi pra casa pensar sobre a proposta de ingressar na Academia de Crusaders de Nova York no início do próximo semestre. Ela insistiu em treina-lo para que pudesse cumprir sua missão como Yang, então sugeriu outro encontro entre os dois em uma pizzaria que já conhecia perto da casa de Elliot. Era inverno e estava nevando, Kira quis usar seu sobretudo marrom claro junto de uma blusa gola alta, um cachecol antigo e seu par de botas favorito. Suas calças de couro não a deixavam sentir frio e ainda eram muito confortáveis, assim que Kira chegou no restaurante ela notou que Elliot ainda não havia chegado. Sentou-se em uma mesa para duas pessoas e decidiu pedir um vinho para passar o tempo.

– Boa noite madame, novamente por aqui? – perguntou o garçom. Ele entregou o cardápio e a carta de vinhos da casa assim que ele se aproximou da mesa.

– É bom estar de volta – disse Kira rindo em um tom alegre. – Vou me encontrar com um amigo em breve e enquanto isso gostaria de beber um vinho tinto seco, qual o senhor me recomenda?

– Para uma mulher sofisticada como a você eu recomendo nosso Cabernet Sauvignon, ele é de 2014 e acompanha qualquer massa da casa muito bem – recomendou o garçom.

– Gostaria de levar a garrafa dele e que me trouxesse dois pratos do chefe de hoje, o gnocchi ao pesto com parmesão gratinado por favor. Um vai ser para mim e o outro para um amigo que está vindo.

– A madame gostaria de alguma entrada? Se a senhora estiver com fome servimos breadsticks acompanhados de molho marinara ou a porção individual de focaccia da casa.

– Vou querer a focaccia por favor, isso é tudo muito obrigada.

– Com licença – ao se retirar o garçom dirigiu-se imediatamente para a adega buscar o vinho de Kira.

Ela havia combinado de se encontrar com Elliot às 20h00 nesse restaurante e já eram 20h17. Kira lembrou que trocou contatos com ele antes de se despedirem no Starbucks. Quando abriu o aplicativo de mensagens instantâneas em seu celular ela já podia ver Elliot digitando.

"O metrô quebrou já estou a caminho em um Uber, me desculpe pela demora Kira" 20:17

"Sem problemas, você gosta de vinho? Comprei um para nós dividirmos" 20:17

"Eu gosto sim! Nossa você é demais! Estou a três ruas daí já já eu chego" 20:18

"Te esperando ;)" 20:18

Ao bloquear a tela do celular e o guardar o garçom que estava a atendendo chegou com o vinho e a focaccia. Em uma mão carregava a taça e a garrafa na bandeja de aço junto com sua entrada e na outra um guardanapo de pano para Kira pôr em seu colo. Após servir Kira ele retirou-se e ela começou a saborear seu Cabernet Sauvignon. Após tomar metade de sua taça chegou um rapaz com um casaco de capuz cinza coberto de pontinhos brancos de neve, um cachecol de aparência vintage e uma calça jeans. Ele estava se enrolando um pouco ao explicar a sua situação para a hostess do salão do restaurante. Kira chamou o garçom e pediu para trazê-lo e acompanhá-lo para a mesa, ao chegar ela notou que Elliot ainda estava tremendo por conta do frio de inverno que estava lá fora. O ambiente do restaurante era climatizado e chegava até a fazer algumas pessoas sentirem calor, porém ele ainda estava se tremendo.

– Boa noite Elliot, pegou muito trânsito? – perguntou Kira. Após perguntar, Kira usou sua afinidade com fogo para esquentar Elliot e deixá-lo em uma temperatura confortável mais rápido.

– Me desculpe Kira, eu demorei para me arrumar e só vi que o metrô estava fechado quando cheguei na estação – enquanto estava se explicando para Kira, Elliot sentiu a mudança de temperatura e parou de tremer imediatamente. Em alguns segundos ele começou a sentir calor e preferiu tirar seu casaco, revelando o suéter verde-musgo que estava usando. Após se sentir confortável e aconchegante no restaurante ao lado de Kira sua expressão mudou completamente.

– Não precisa se desculpar Elliot. Aproveite o vinho, ele está uma delícia! – Elliot provou o vinho e sentiu-se encantado pelo seu sabor e aroma. – Eu pedi o prato do dia que é um gnocchi ao pesto e nossos breadsticks já devem estar vindo.

– Eu amo breadsticks! Fazia muito tempo que eu não comia – Kira sorriu ao saber que acertou no pedido. – Então, sobre o que exatamente você queria conversar comigo Kira? – perguntou Elliot curioso. Ao terminar de falar o garçom que estava atendendo Kira chegou com a porção de breadsticks. Os olhos de Elliot brilharam ao ver a fumaça saindo dos palitos de pão quentes recheados de queijo parmesão e lascas de calabresa com um delicioso molho marinara para acompanhar.

– Os breadsticks estão servidos, em torno de quinze minutos trarei o prato principal. Bom apetite.

– Podemos conversar depois do jantar Elliot, aproveite a comida – disse Kira enquanto mergulhava um breadstick no molho marinara.

A neve já havia passado e as ruas estavam brancas nessa calma noite de quarta-feira. Os dois caminhavam em direção a praça mais próxima para conversar melhor sobre o futuro de Elliot. Chegando na praça se sentaram no primeiro banco que viram. Kira percebia que Elliot ainda estava tímido perto dela ao ver que ele decidiu sentar-se na ponta do banco em vez de sentar-se diretamente ao seu lado. Ela deu dois tapinhas do seu lado no banco para convidar Elliot a se aproximar. Ele arrastou-se para perto de Kira e sorriu.

– Você deve estar se perguntando o porquê de tudo isso, de você ter que começar o próximo semestre na Academia e se tornar um Crusader. Eu só posso imaginar o quão louco isso tudo deve estar sendo – disse Kira observando as estrelas entre as nuvens no céu.

– Pra ser bem sincero eu realmente ainda não entendo. Porque que eu tenho que virar um Crusader? Eu não posso apenas continuar vivendo a minha vida em paz e passar o Yang para outra pessoa?

– Sendo bem sincera eu não sei nem se isso seria possível, não conheço as propriedades exatas do Yang muito menos do Ying. O conceito de encarnar esse poder ainda é algo muito nebuloso até para mim. Eu só tenho certeza que você corre perigo – Elliot assustou-se e começou a se sentir ansioso, sua perna direita começou a balançar mais e ele começou a respirar mais rápido. – Você gostando ou não é detentor de um grande poder que pode ser usado tanto pro bem quanto pro mal, pessoas ruins irão atrás de você para te trazer para o lado delas ou te neutralizar. – Elliot ficou paralisado ao ouvir o que ela tinha para dizer, deu um grande suspiro e virou seu rosto para Kira olhando em seus olhos.

– Já que é assim seria melhor se eu arrumasse as minhas coisas, certo?

– Infelizmente sim – respondeu Kira com um grande pesar vendo o semblante triste e vulnerável de Elliot. – Me desculpe.