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Inflexão

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O Tsukuyomi foi lançado, toda a Aliança Shinobi estava presa à árvore e apenas os Edo-Tensei e seu time debaixo do susano'o de Sasuke não foram afetados.

 

 

Sakura viu quando a deusa emergiu, aquela luta parecia que estava perdida. Como a ninja que era, ela se esforçava para não ser tomada pelo medo.  Desejou ter a visão positiva de mundo que considerava, muitas vezes, tão ingênua em Naruto. Ingênuo, talvez... fraco não.

 

 

O corpo do ninja que assolou as nações foi expelido pela entidade, Kaguya... assim Zetsu negro a chamou. O perigo manifestado à sua frente era grande o suficiente para que qualquer shinobi experiente não desviasse sua atenção para o que acontecia em sua visão periférica.

 

 

Mas, Sakura prestou atenção, atenção demais. Pela primeira vez ela não se importava de deixar Sasuke e Naruto cuidando das coisas. Ela interviria quando sentisse ser realmente necessário.

 

 

O que estava ocorrendo no plano de fundo era algo que ela sentia que precisava ver, apesar de não saber de onde vinha esse sentimento estranho de... ‘dor’. A dor de perder alguém da família. Era assim que ela sentia-se. Estranho.

 

 

Uchiha Madara estava derrotado e seu corpo foi descartado no chão, expelido como se fosse algo desprezível. Desprezível sim, mas não no sentido de antes.

 

 

Kaguya, a deusa não o tratou dessa forma pelo mal que ele causou ou pelos métodos que utilizou. Ela o desprezou como algo imprestável e que não servia, uma excreção no sentido mais sujo e pejorativo possível.

 

 

Como alguém como Ele deveria sentir-se ao ser insultado assim? Seu ego foi completamente espezinhado.

 

 

Foi muito rápido, o Shodai Hashirama passou como num flash pelo canto de seus olhos. Ele dirigia-se ao Uchiha e ela não pode evitar o impulso, desviou os olhos da deusa, novamente, para acompanhar o Primeiro Hokage.

 

 

O homem ajoelhou-se ao lado de Madara, ambos em silêncio e dor. Com auxílio do chakras que direcionou aos seus ouvidos, Sakura pode ouvir a conversa sussurrada entre os dois.

 

 

Duas versões de Naruto e Sasuke estavam quebradas ali. Um fim tão dolorido embora terno devido à reconciliação dos antigos rivais. A ninja nunca odiou tanto ser médica, pois sentiu quando o coração de Madara parou. Então, o inimigo a frente dela investiu mais forte contra eles e sua luta começou.

 

 

Tudo parecia impossível. A cada passo, a cada conquista que pareciam ter, eles eram contra atacados pela deusa com maior força. Ainda sim, seu time estava conseguindo.

 

 

[...]

 

 

O time 7 está lutando contra Kaguya. Ela trocava de dimensões quando bem entendia. Então uma dimensão de lava e Kakashi-sensei e Sakura caíam. Algo precisava ser feito e rápido.

 

 

Kakashi a segurou firme e ambos ficaram pendurados ao corpo de Obito por um pergaminho. O material se rompia, mas a deusa os envia de volta a sua dimensão original. ‘Por quê?’ Sakura pensou.

 

 


 

“Tenho a sensação de que vamos nos arrepender de deixá-lo jogar”. Um homem de voz forte falou, depois de sentar-se com um bufo parecendo realmente arrependido.

 

 

“Eu estou curioso”. Um outro de feições pálidas revelou.

 

 

“Vocês são irresponsáveis”. A mulher, de longos cabelos ruivos, cruzou os braços exasperada.

 

 

“Até que enfim alguém mais ousado!” O ser chamejante gargalhou enquanto pensava ‘Desta vez as coisas poderão ser realmente interessantes’.

 

 

“E você? O que acha disso?” A mulher de cabelos negros e olhos perolados perguntou para aquele que estava em pé próximo ao lago.

 

 

Ela sabia que ele prestava atenção a como as coisas corriam, mesmo que não aparentasse.

 

 

Nenhuma resposta lhe foi dada, o homem apenas deu as costas a todos e afastou-se para ainda mais longe do que já estava. Seus cabelos negros arrastavam no chão, mesmo que grande parte estivesse presa.

 

 


 

 

O impacto com o chão era iminente, mas braços firmes a encontraram e impediram que a moça caísse.

 

 

Ela apenas viu um flash de cabelo prateado e sentiu quando Senju Tobirama pousou levemente. Sakura olhou para o lado e viu Kakashi amparando o corpo de Obito em suas costas enquanto era ajudado a pousar por seu Sandaime.

 

 

No chão, eles eram aguardados por Minato que pelo semblante sentiu mais do que nunca a ausência de seus braços. Ela sabia, ele tinha um aluno ferido e outro morto e não podia abraçar nenhum.

 

 

Sakura desvencilhou-se dos braços do Nidaime e curvou levemente a cabeça em agradecimento. Então, voltou seu olhar para o pai de Naruto e seu sensei.

 

 

Minato acenou para ela em reconhecimento e em seguida para o Senju atrás dela. Ela pensou ter visto eles trocarem um olhar conhecedor.

 

 

O que eles estariam planejando?

 

 

“Precisamos voltar. Sasuke e Naruto estão sozinhos para enfrentar a deusa!” Ela gritou para Kakashi que deitava o corpo de Obito no chão. Ele acenou para ela e abria a boca para mencionar seus próximos passos quando uma voz atrás dela falou firme.

 

 

“Seu sensei vai. Seus Hokages tem uma missão para você, kunoichi”. Ela virou-se em busca do dono da voz. Era Tobirama Senju quem falava. Firme, confiante, impassível.

 

 

A shinobi entendia, estava recebendo ordens diretas de seus superiores. Mas, deixar Sasuke, Naruto e Kakashi sozinhos?

 

 

“Quem quebra as regras é lixo, é verdade. Mas, quem abandona seus amigos é pior do que lixo.” O pensamento passou num flash por sua mente.

 

 

Ela argumentaria, outro teria de cumprir a missão, se deixar seus amigos enfrentar a deusa sozinhos fosse um dos requisitos. A ninja abria a boca em resposta ao Nidaime, quando Kakashi a interrompeu.

 

 

“Eu sei o que está pensando, Sakura. Mas, ouça o que eles têm a dizer primeiro. Mais uma coisa, esta é uma grande chance de você mostrar seus talentos. Eu vou em socorro aos meninos e você abre mais uma frente de batalha onde quer que o Nidaime e o Yondaime necessitem... Você fará uma missão como se fosse um Jonnin, Sakura.”

 

 

‘Jonnin? Eu?... Ser a outra frente de batalha?... Apenas eu?...’ Seu corpo estremeceu concluindo de si que não estava preparada para tanta responsabilidade. Kakashi a olhava esperando que ela absorvesse a informação. A Haruno via que ele confiava nela.

 

 

“Sim, é muita responsabilidade, porém, eu não disse que você era minha melhor aluna por nada”. Kakashi levantou-se e sorriu acenando com a cabeça para ela, como quem dizia ‘vá!’ e ela assentiu respondendo com um firme “Certo!”.

 

 

Seu sensei baixou a cabeça olhando mais uma vez para o corpo de Obito no chão e então acenou para os Kages a sua volta e por último para ela.

 

 

Tobirama apareceu atrás dele tocando-o nos ombros e desapareceu com Kakashi. O Hokage utilizou seu jutso de transporte para devolver seu sensei para a dimensão do fogo tendo como ponto de referência sua marca Hiraishin em Sasuke.

 

 

Sakura piscava, ainda olhando para o lugar onde ambos estavam a poucos segundos, quando o Senju retornou para junto de Minato.

 

 

“Você pode levantar-se, kunoichi? Está bem fisicamente?” Tobirama perguntou. Sakura apenas meneou a cabeça em confirmação, pondo-se em pé imediatamente.

 

 

O Sandaime colocou-se ao seu lado. “Mesmo se vencêssemos esta guerra, ainda assim nós perderíamos. Pois muitas famílias foram dizimadas, em apenas dois dias”.

 

 

“Não há garantias sólidas de que seus amigos vencerão a deusa e o menino Uchiha carrega dor e ódio demais em seu coração. Você pode não querer pensar nisso agora, mas sabe que terão de lidar com ele mais cedo ou mais tarde e mais sangue será derramado”. O homem de cabelos prateados apontou.

 

 

“E mesmo que perdão aconteça entre vocês, não precisa ser assim. Não precisam carregar as memórias e as consequências de tanto sofrimento... tantos erros. Nós queriamos concertar o que quebramos, mas morremos antes de podermos fazê-lo. Deixamos uma missão incompleta e aqui estamos novamente sendo açoitados pela vergonha de nossos erros passados e por sobrecarregar as gerações futuras com suas consequências. Mesmo a missão que reverterá esta situação acaba por cair nos ombros dos mais jovens. Nós precisamos que você a cumpra, menina Sakura.” Hiruzen colocou uma mão em seus ombros.

 

 

“Eu aceito, seja lá o que for. Mas, porque eu? Se é algo assim tão importante quanto parece ser, porque não um dos outros Kages? Eles são infinitamente mais qualificados”.

 

 

“Ninguém se enquadra tão bem nos requisitos para essa missão quanto você, kunoichi. Na verdade, apenas o seu cabelo é um ponto negativo, devido à cor chamativa. Você poderá ter de usar um henge muitas vezes”. O Nidaime apontou com o queixo.

 

 

Por puro reflexo, Sakura passou as mãos ao longo de suas mechas “Eu entendo.”

 

 

“Não podemos mandar a princesa Tsunade por razões obvias de que ela não poderá entrar na aldeia já que seu outro eu estava fora. Duas dela provocaria desconfiança e Zetsu ficaria sabendo da comoção em Konoha. Tsunade já era muito conhecida naquela época. Ao contrário de você.” Minato completou.

 

 

“Mandar... Época?... O senhor não está sugerindo o que penso que está, está?”

 

 

“Estou. Viagem no tempo.” Minato sorriu após responder e a boca de Sakura abriu-se em formato de O.

 

 

Tobirama a tirou de seu torpor ao iniciar sua explanação com um cruzar de braços. “Esta guerra fez coisas nunca pensadas acontecerem. Uma delas é dois usuários de ninjutso espaço tempo e estudiosos das artes de selamento encontrarem-se, isso e todo o conhecimento e poder dos outros Kages ressuscitados. Pode não ser um fato muito chamativo perto de tudo o que já ocorreu e nosso trabalho nem será percebido pelos outros Shinobi. Mas, nós faremos a diferença porque você se apresentou como oportunidade. Não poderíamos mandar um kage que não fosse de Konoha. Outros Shinobi que não Tsunade e você também não resistiriam ao processo. A Uzumaki talvez, mas ela não é de confiança e suas habilidades de estratégia são questionáveis. Além de que, mesmo que as considerássemos aptas, elas estão sob o Tsukuyomi. Em suma seu selo e seu conhecimento da aldeia da folha são cruciais para a viagem e para a infiltração. Enquanto suas habilidades, força e cognição farão com que a missão seja completa”

 

 

O Sandaime ao seu lado continuou a reflexão do Segundo. “Enviaremos você a um ponto do tempo em que poderá fazer muito mais do que apenas evitar esta guerra. Haruno Sakura, você poderá mudar o destino de Sasuke e Naruto, do clã Uchiha, de Obito, Rin, Meu, de Minato e Kuchina e de Kakashi. Kakashi está intimamente ligado a tudo o que citei agora, mas há algo mais que me fez escolher este ponto no tempo em específico... Kami, como sou grato por poder fazê-lo!... Qualquer outra época antes de Obito ser recrutado serviria para salvar todos os citados, mas meus companheiros Kages me permitiram ser egoísta e você poderá voltar no mês em que Hatake Sakumo retorna de sua última missão” Sarutobi apoiou-se em seu bastão, olhando para o céu com um sorriso. “Deuses, eu jamais esqueci aquela data, tenho me culpado desde então!”

 

 

‘Sim, claro. Kakashi-sensei está diretamente ligado a todos nós e se podemos, por que não lhe dar seu pai? Quem sabe eu não esteja chegando em uma época em que poderei ajudar mais gente?! Preciso pensar em quem mais pode ser afetado... Salvar a todos?’ Todos esses pensamentos passaram por ela rapidamente. Inner estava igualmente emocionada.

 

 

“Vocês estão me dando a oportunidade de ser o shinobi que salva sua família, minha família a de Sasuke-kun e a de Kakashi-sensei... Eu jamais pensei em tantos destinos nas minhas mãos!... Isso é... eu não sei descrever...” os olhos de Sakura encheram-se de água e ela os reverenciou a meio corpo. “É uma grande honra. Eu sou grata!”

 

 

“E nós em nome de toda a Aliança, mesmo que eles não venham a saber o que você fez caso a missão seja completa... Podemos começar?!” Minato sorriu quebrando a tensão.  

 

 

“Sarutobi-sensei, por favor. Infunda seu chakra no selo que Nidaime-sama está desenhando e grave a data na palma da mão da menina Sakura, esta é a referência temporal... Como a Princesa Tsunade, é a única de nós que pertenceu aquela época e está viva, então precisamos utilizar seu sangue como referência física. Sensei, por favor, colete o sangue dela no casulo e espalhe-o sobre a data na palma da menina. Tobirama-sama, por favor, coloque o selo de ligação no ombro dela.”

 

 

Sakura sentiu seu ombro queimar. O selo aos seus pés e a data em suas mãos brilharam vermelhos.

 

 

“O selo está desenhado e as referências fixadas. Agora, precisamos esclarecer a etapa mais difícil dessa missão. Mais uma que mostra o porquê de você e não outro ninja ter sido solicitado”. O Nidaime falou e Sakura ficou curiosa com o aparente agravamento em seu tom. Ela não gostou da tensão nele.

 

 

“Que seria?” Ela indagou-os olhando para Minato, percebeu que o Yondaime pareceu enrijecer.

 

 

“Você deve encontrar Madara no cemitério sob as montanhas e eliminá-lo”. Senju Tobirama comandou.

 

 

“No entanto, eu gostaria de te pedir que você tentasse dissuadi-lo de seus planos” Sakura ouviu a voz tristemente baixa do Shodai Hokage em suas costas e sentiu quando seu chakra verde e poderoso roçou o seu ao passar ao seu lado dirigindo-se para o lado de seu irmão albino.

 

 

“Anija, você não deve pedir isso à kunoichi, não quando é de Madara que estamos falando”. O irmão mais novo atirou para o Shodai com os dentes cerrados.

 

 

“Você quer dizer que preciso ganhar sua confiança e tentar dissuadi-lo? Eu precisarei ser muito convincente e mesmo que ele acredite em mim, quem garante que desistirá? Ele pode apenas mudar o curso de suas ações e tramar algo pior e desta vez com o conhecimento do futuro ao seu dispor” Sakura se engasgou com o pensamento de dar essa arma ao homem.

 

 

“Eu estou dizendo, esqueça isso, anija... Você, apenas mate-o! Tente ser silenciosa e discreta, mas se não puder e pensar que poderá pôr tudo a perder, mobilize as forças Anbu, o Flash Amarelo e aqueles a quem chamam de Sábio dos Sapos e Presa Branca. Madara deve morrer!” Tobirama falava alto, seu olhar parecia kunais apontadas para ela. Ela entendeu de onde sua shishou aprendeu a ser assustadora.

 

 

Hashirama pareceu ter sua determinação renovada e ela viu na autoridade que exalava dele o porquê de ele ter sido o Primeiro Hokage. “Absolutamente não! Ele merece uma chance. Você viu, ele acaba de se arrepender de seus caminhos. A menina Sakura mostrará a ele. Tenho certeza de que isso será o suficiente. Madara saberá que ainda o considero amigo”. Apesar de um shinobi temível, o seu bom coração lhe traía. Foi o que pareceu para a ninja.

 

 

“Você está dando uma chance de ele obter êxito e subjugar a todos. Destruir tudo pelo que se morreu aqui”. O Senju mais jovem falou baixo e então silenciou inconformado.

 

 

Minato caminhou em sua direção e olhou no fundo de seus olhos. “Se Kuchina estivesse aqui ela apenas diria para você seguir seu coração. Faça isso, menina Sakura. Quanto a como fará, você terá tempo para decidir, uma vez que estamos te mandando muito antes de Obito ser recrutado. Pense sobre e procure-me junto a Sarutobi-sensei, nós a ajudaremos com a estratégia e a apoiaremos com nossos ninjas, caso for necessário. Como este selo em suas costas está baseado em minha marca de teletransporte apenas queime seu chakra tocando-o e virei até você. Me explique tudo. Eu provavelmente a levarei ao Sandaime e lá você deve pedir por um Yamanaka para que possamos ver e ouvir tudo o que aqui se passou. Então, te ajudaremos.”

 

 

“Entendido”

 

 

“Mais uma coisa. Aquela aberração negra, você não deve se aproximar dela levianamente. Somente vá de encontro a Madara depois que tivermos criado um selo para ela. Infelizmente não tivemos tempo para criar tal selo agora. Todavia, os caminhos para isso estão nos manuscritos do Nidaime. Mencione para o meu Eu naquela época que devemos recorrer aos pergaminhos que mencionei e basear nosso trabalho no selo da Nove Caudas essa é a forma mais rápida.” Sakura assentiu e ele continuou.

 

 

“A outra seria você conseguir o Rinnegan, mas só considere isso se o selo não funcionar.” Minato se afastou dela voltando para o lado de Tobirama e Hashirama. “Você tem alguma pergunta?”.

 

 

A médica pareceu pensar um pouco. “Como eu volto?”

 

 

'Muito sagaz...' Minato pensou.

 

 

“Essa é outra questão que, devido ao tempo escasso, não conseguimos solucionar como queríamos. Este selo é apenas de ida. Mas, o Shodai sugeriu que seu contrato com a invocação de Tsunade poderá ajudá-la. Chame-a aqui para verificarmos essa possibilidade.” Ele respondeu.

 

 

Sakura não perdeu tempo e logo uma pequena parte de Lady Katsuyu aparecia entre eles, com um pequeno pof.

 

 

“Sakura-sama, Hokages-samas... o que posso fazer por vocês?” A lesma os reverenciou formalmente. Mas, foi Hashirama quem deu um passo à frente e respondeu à invocação antes de Sakura.

 

 

“Katsuyu-san” Ele acenou com um sorriso para a lesma. Seus orbes negros do Edo-Tensei mostravam um calor fraterno.

 

 

“Shodai-sama, menino Hashi você se tornou um grande homem. Sentimos muito a sua morte. Mesmo que nessa situação, é bom revê-lo. O que posso fazer para lhe servir?” Katsuyu falou carinhosamente.

 

 

“Eu me lembro que o tempo na floresta era diferente. Uma outra dimensão ao que parece. Você podia me invocar e invocou Mito uma vez. Você pode levar quem quiser para lá e quando quiser. Então eu pergunto, se a menina Sakura voltar no tempo ela perde o contrato com você? E independentemente de como ela chegar lá você pode invocá-la através do tempo?”

 

 

“Sobre a validade do contrato nem mesmo eu sei. Nunca tive um mestre que voltou no tempo. Mesmo se tentássemos comparar, a sua situação de morte não seria a mesma. Você pode me invocar agora se quiser, menino. O Edo-Tensei permite, mas a questão de volta no tempo é obscura para mim. Se posso teorizar, imagino que como o sangue dela é o mesmo independente da época para onde ela for deslocada, o contrato que temos na floresta continuará valendo porque não se deslocou. No entanto, também nunca me desloquei no tempo, então pode ser que eu não consiga regressar à floresta ou que haja duas de mim, dois contratos (uma assinado e outro não), que ela perca a assinatura no contrato existente aqui e eu e/ou a outra não a reconheça como mestre; que Tsunade não lhe deixe assinar o contrato novamente... Muitas coisas podem ocorrer.” A pequena fração de Katsuyu murchou e Hashirama pareceu desanimar também.

 

 

Todavia, o Nidaime não se abalou e veio logo com uma sugestão e uma opinião claras e muito diretas. “Quando sua missão estiver completa, você e o Yondaime terão de trabalhar num jutso para voltar caso a invocação não possa ajudá-la. Ou você precisará viver numa outra época...” Ele fez uma pequena pausa.

 

 

Senju Tobirama não era mesmo um homem de rodeios e parecia colocar a missão acima dos próprios sentimentos. Mesmo assim, Sakura teve a impressão de que ele se importava com ela mais do que o normal. Ela queria saber por quê.

 

 

A Haruno refletiu sobre isso muito rapidamente e voltou sua atenção para ele quando viu que o Nidaime continuava seu raciocínio, provando que ela estava mesmo certa em suas impressões sobre o shinobi.

 

 

“A Konoha de antes poderá não lhe parecer mais sua casa porque seus amigos não estarão mais lá, pelo menos não os mesmos ou na forma que os conhece. Por mais que não queiramos que assim fosse, precisamos lhe dizer que salvar a todos e concertar nossos erros pode tirar tudo o que você ainda tem e mudar tudo o que teve. Você terá de começar do zero. Possivelmente já se considerando velha demais para poder amar quem ama. Esta pode ser uma missão que tornará você uma espécie de mártir por Konoha, Sakura”.

 

 

A médica se surpreendeu com as palavras do Hokage que ela mais admirava. Ela não pensou que ele notou sua afeição por Sasuke.

 

 

Eles perceberam que Sakura havia baixado a cabeça durante o discurso. Parecia reflexiva e triste com o entendimento das implicações caso não fosse possível voltar para sua época.

 

 

Tobirama, mesmo enquanto falava, e os outros Hokages amaldiçoavam-se internamente pelo que estavam tendo de propor a jovem e delicada flor rosada a sua frente.

 

 

Eles entenderiam se ela escolhesse viver e amar aqui nessa época. Já haviam tirado muito dela, não poderiam pedir que sacrificasse seu coração, sua identidade e sua existência também.

 

 

Era isso... um ser sem o que lhe construiu perderia sua identidade não perderia?

 

 

Ela seria feliz vendo a felicidade dos outros mesmo que a Konoha antiga não lhe trouxesse um novo amor ou novos amigos?

 

 

Os kages queriam desistir, mas não podiam. Doía-lhes o coração pensar naquela jovem sofrendo. Principalmente o de Hashirama, ele já preparava-se para ordenar aos outros que pensassem em outra solução.

 

 

Talvez ele, como Edo-Tensei, pudesse voltar e cuidar de Madara.... Ele pensou em falar isso, mas Sakura ergueu a cabeça novamente e os fitou com um brilho de esperança e fogo no olhar.

 

 

“Serei como vocês, então?...  Terei a honra de ser um Kage por minha vila?! Eu quero ver assim, se vocês me permitirem”.

 

 

Hashirama ficou espantado com as palavras da menina, por dentro seu coração se aqueceu e ele se alegrou.

 

 

Ele olhou para seu irmão e para o Yondaime. O Flash Amarelo sorriu abaixando a cabeça com um “Ahh” e o Nidaime sorriu largamente.

 

 

O irmão mais velho Senju não se lembrava de ver Tobirama tão orgulhoso de alguém antes. Seu irmão mais jovem parecia olhar para a menina como a irmã mais nova que nunca tiveram.

 

 

“Hiruzen, você infundiu nessa criança a mais crepitante Vontade do Fogo, não é? Essa folha pequena arde como uma floresta incendiada no verão. Os deuses me abençoaram por poder ver isso!... Nunca pensei que te agradeceria, Tobi, por ter inventado esse jutso de reanimação”. O Primeiro falou e seu irmão, que antes sorria, logo voltou seu rosto para ele, como quem dizia ‘Anija!’.

 

 

“Vamos a isso então, Hokages-samas?” Ela os indagou, sorrindo.

 

 

Todos voltaram a concentrar-se e o Yondaime falou. “Shodai-sama transferirá seu chakra para preencher o selo e estabilizar as reservas normais de Sakura”. Minato fez uma pausa e continuou desta vez advertindo Sakura. “Assim que você sentir que está transbordando acima do que conseguirá suportar libere seu selo Yin e suas reservas ao mesmo tempo. Tente envolver seu corpo com um manto de chakra vindo de suas reservas. Essa será uma proteção extra. Nos avise quando sentir que poderá exercer a liberação, assim nós daremos início a nossa parte. E mantenha a liberação controlada desse chakra ao máximo sem falhar pelo maior tempo possível menina”.

 

 

Hashirama aproximou-se dela tocando seu ombro. Imediatamente ela o olhou nos olhos e tratou de falar sobre a ideia que vinha tendo. “Antes de iniciarmos a etapa final... Shodai-sama, o senhor me permite olhar para suas memórias para ver o momento de sua despedida com o Uchiha para que eu tenha algo mais consistente para mostrar?”

 

 

Hashirama e todos os hokages pareceram espantados com as palavras dela. Silêncio se fez no campo de batalha dormente pelo Tsukuyomi até que o Shodai saiu de seu espanto. “Como você pretende fazer isso menina? Você não é Uchiha ou Yamanaka.”

 

 

Sakura sorriu. “Eu sei um truque ou dois. Sou civil, não nasci num clã com habilidades sobre a mente, mas sou de uma linhagem de mercadores. Yamanaka Ino a atual chefe de seu clã fez os exames chunnin ao mesmo tempo que eu. Nossa missão era roubar informações naquela etapa. Qualquer outra pessoa teria sido roubada por ela, mas minha Inner a enxotou de minha mente facilmente. Porém eu também precisava ajudar meus companheiros de time então barganhei com ela, minhas respostas em troca dela me ensinar o jutso de transferência de mente”.

 

 

Todos os hokages riram. “Engenhosa, eu percebi!” Tobirama comentou e dirigiu-se para amparar seu irmão já sabendo como o trabalho dos Yamanaka funcionava. “Uh..., faça então!” Hashirama respondeu.

 

 

Sakura meneou a cabeça e executou os selos ensinados por Ino, Hashirama caiu sendo amparado por seu irmão enquanto a ninja foi amparada pelo Sandaime.

 

 

Ela passeou com um pouco de dificuldade nas memórias de Hashirama e mesmo não sendo seu objetivo ela viu dois meninos jogando pedras em um rio. Conversas alegres e tristes, ela podia sentir. Depois eles crescidos batalhando. Dor. Então um outro parecido com Sasuke à beira da morte sendo amparado por um jovem Madara. Dor. Depois um aperto de mãos e uma vila formada. Esperança. Por último Hashirama em algum lugar dentro da água chorando bêbado sua esposa o tirando dali e então ele matando seu melhor amigo. Dor e desamparo.

 

 

A ninja balançou a cabeça mentalmente, ela precisava focar na última conversa dos dois de momentos atrás. Onde tudo foi abandonado e Madara arrependeu-se.

 

 

As imagens e os sentimentos a invadiram como um soco e suas lágrimas surgiram sem permissão quando ela voltou ao seu corpo. Tristeza, dor, desamparo, alegria e saudade. Tudo ao mesmo tempo apertando sua garganta e seu coração.

 

 

“Você sabe o que eu sei, você sente o que eu sinto e embora este corpo não me permita chorar, você chora no meu lugar. Procure compreender Madara e você será bem sucedida, menina flor”. Hashirama tocou seu braço novamente e começou a lhe infundir seu chakra.

 

 

“Eu tentarei, por vocês dois, Hashirama-sama”. A médica sorriu limpando as lágrimas de seus olhos. Hashirama fez que sim com a cabeça e olhou para Katsuyu.

 

 

“Katsuyu-San se tudo der certo e ela conseguir convocá-la, peço que a ensine nas artes do Senjutso e revele a ela nosso projeto interrompido. Tenho certeza de que ela está apta a utilizar e defender nosso segredo”.

 

 

“Menino Hashi... ele .... isso o senhor acha que...” Katsuyu surpreendeu-se não sabendo o que dizer.

 

 

“Não importa para quem ela utilizará o conhecimento. O objetivo é que ela se fortaleça sirva à Konoha com meu legado. E se ela julgar que mais alguém deve ser beneficiado... Meu coração se alegra com a perspectiva de que esse alguém se tornou digno também”. Hashirama respondeu Katsuyu, sabendo que devido a seu estado a kunoichi não teria a compreensão do que ele estava falando.

 

 

Tobirama, um pouco mais afastado e atrás dele, não gostou nada do que seu irmão pareceu tramar... se ele entendeu bem.

 

 

Todavia, o Nidaime sabia que não adiantava discutir a esta altura. O plano não era de todo ruim, a rosada merecia ficar mais forte. Restava-lhe apenas torcer para que ela não fosse enredada pelas artimanhas daquele homem abominável.

 

 

Alguns minutos se passaram, Sakura sentia-se tomada por aquele chakra gigantesco e refrescante. Seu selo estava repleto e acendia em verde luminescente.

 

 

Ela sentiu seus caminhos de chakra pulsarem freneticamente. Em breve ela não poderia suportar mais. Estava chegando a hora.

 

 

A ninja viu quando os outros hokages se postaram a sua volta um em cada kanji elemental (Água, fogo, Vento) ela estava postada no raio bem ao centro este selo era baseado em raiton então?

 

 

Ela não sabia dizer fuiinjutsu nunca foi algo que ela teve tempo hábil para explorar, apesar de querer.

 

 

Terra provavelmente iria ser preenchido pelo Shodai. O Terceiro estava em fogo, o Nidaime em Água (óbvio ela pensou) e o Flash Amarelo em Vento ‘Então é daí que veio a afinidade de Naruto por Futton’.

 

 

“Temos 30 segundos para que eu comece a transbordar e mais 10 para que meu sistema colapse antes da liberação, Hokages-samas!” Sakura gritou não podendo mais controlar-se com tanto poder girando em sua cabeça.

 

 

Eles acenaram com a cabeça e colocaram suas mãos em posição.

 

 

Seu controle de chakra se provou ser muito interessante com a menção feita por ela, Minato pensou e então concentrou-se ao máximo já que precisaria executar aquela etapa sem a ajuda dos selos.

 

 

Assim como o Rasengan, esse seria um jutso sem selos e de alta complexidade. Ele não teria outra chance para acertar. Um disparo apenas, se o Yondaime errasse a kunoichi literalmente explodiria.

 

 

Os 30 segundos chegaram e 5 do pré-colapso passaram quando ela sentiu Hashirama afastar-se dela e seu fluxo de chakra para ela ser interrompido. “Libere seu selo!” ele gritou para ela.

 

 

Sakura teceu os sinais de mão necessários e as linhas pretas surgiram de sua testa imediatamente esmaecendo para o verde fluorescente.

 

 

Ela ouviu quando Tobirama deu o sinal para que os seus companheiros o seguissem nos selos. O chão acendeu verde com chakra que transbordante dela e rompeu-se com a força. O Selo, contudo, permaneceu intacto e projetou-se flutuando e girando a sua volta. Foi quase mítico Sakura poderia dizer.

 

 

Os últimos segundos pré-colapso vieram e tudo a sua volta escureceu, suas costas e a palma de suas mãos queimavam, uma forte tempestade de chakra a açoitava, o selo a sua volta girando freneticamente.

 

 

Então, uma voz do nada gritou para ela.

 

 

Era a voz do Shodai. “A velocidade em que o selo gira é a sua base. Mantenha seu fluxo de chakra de forma que o selo gire assim até o fim de sua viagem. Você poderá desmaiar, mas mantenha até onde puder!...

 

... Boa sorte, menina flor!

 

Chapter Text

 

Desfazendo os selos de mão o albino imediatamente virou-se como os dentes trincados em direção ao seu irmão mais velho. “Anija, o que você estava tentando fazer?!”

 

 

“Uh... eu? Porque você sempre acha que eu estou fazendo algo errado, Tobi?”. Hashirama falou, mostrando grandes olhos brilhantes e um beicinho proeminente.

 

 

“Tsc”

 

 


 

Gotas geladas atingem seu rosto com força. Está dolorido, mas ela só acorda quando seu rosto começa a ficar encharcado e a água entra em seus olhos. Ela os abre e a primeira coisa que ela consegue ver é que acima de si está uma grande árvore. Obviamente é um dia chuvoso, mas a claridade indica que pode estar em alguma hora do meio da tarde.

 

 

Sakura apalpa abaixo de si e sente o chão lamacento e uma grama rala. Ela tenta mexer o tronco, mas sente-se dolorida como se tivesse sido espancada por sua sensei num dos treinos mais pesados que já tivera.

 

 

‘Acho bom não me movimentar demais, por enquanto. Preciso diagnosticar meu corpo e meus caminhos de chakra para me certificar de que não houve dano ou haverá efeitos colaterais desse jutso de transporte’.

 

 

Então, ainda estirada no chão, ela resolve olhar para os lados para poder analisar os arredores para saber se estava num lugar seguro e se teria tempo para seu exame e cura.

 

 

Seus ouvidos, providos de chakra, estão afiados para captar qualquer coisa, mesmo através do barulho ruidoso da chuva que está engrossando na floresta.

 

 

Tão diferente do clima de Konoha... seria esta Amegakure?... Quão longe ela foi lançada? É preciso investigar.

 

 

Ela percebe que está à beira de uma trilha e não consegue identificar mais nada do ambiente porque, ao longe, vozes misturadas estão se aproximando. Ela precisa mover-se.

 

 

Com grande esforço e com todos os seus músculos gritando ela salta para a copa da grande árvore, escondendo-se entre as folhas e mascarando seu chakra. Ela pensa mais um pouco e resolve adicionar sobre si um genjutso de duas camadas.

 

 

“Esqueça isso, Tsuna. Já desviamos muito do nosso caminho. Estamos procurando a meia hora e nada. Vamos voltar para nossa base.”

 

 

“Cala a boca, Jiraya! Eu já disse que preciso verificar isso. Eu sei bem o que senti...”

 

 

Não pode ser. De cima da árvore, ela estremeceu com as vozes e os nomes naquela conversa.

 

 

Eles vieram caminhando devagar. Sua sishou abrindo caminho pela vegetação baixa até que pararam bem a baixo dela. Orochimaro também.

 

 

Como eram jovens... Sakura reconheceu os uniformes de batalha. ‘Inacreditável! Os Sannins juntos... Kami, quão longe fui jogada no tempo? Isso deve ser ... o quê? ... durante a 2ª Grande Guerra?'

 

 

“Deuses, meus belíssimos cabelos vão demorar uma era para secar. Você terá de fazer isso por mim como retribuição hein, Tsuna.”

 

 

Sakura mau mantendo-se em cima de seu galho teve que segurar uma risada em seu peito. Fazendo suas costelas doloridas inflarem. Ela apertou bastante a boca e fechou os olhos por um instante. Eles eram muito engraçados em seu tempo.

 

 

“Se pelo menos você usasse aquela porcaria de modo sábio pra algo útil, Jiraiya!”

 

 

‘Merda!’ Ela quase se desequilibrou com a ideia de sua mestra. Jiraiya pareceu pensar na possibilidade e Sakura se viu encurralada.

 

 

‘O Modo Sábio tem alcance de quilômetros. Este meu genjutso não será nada e estou incapacitada para fugir. Kami não permita!’. Ela orou baixinho, escondendo-se.

 

 

“Eu não acho que seja realmente preciso gastar meu chakra sábio para encontrarmos uma irmã de Konoha ferida. Afinal, porque ela se esconderia de nós não é, Tsuna?! Orochimaru?!”

 

 

Sakura que agora segurava um dos braços dormentes, congelou ao ouvir a frase e quando piscou os olhos mais uma vez, viu-se com três kunais apontadas para sua jugular. Jiraiya diretamente a sua frente, Orochimaru acima dela do lado direito e Tsunade ao seu lado esquerdo um pouco abaixo. Os três fitando-a sérios.

 

 

A ninja ficou pasma, tudo aconteceu num piscar de olhos. Ela não tinha palavras e sua boca se abriu um pouco. Seus olhos piscando encarando Jiraiya que de sério passou a abrir um sorriso em alguns segundos para ela. No entanto, nenhum deles afrouxou o aperto das armas em sua garganta.

 

 

“Ora, veja Tsuna como toda a garota com bom senso cai de amores e fica sem palavras para Jiraiya!... O ninja mais bonito e esplêndido de Konoha!”

 

 

Tsunade revirou os olhos com isso. “Identifique-se!” Orochimaru sibilou em seus ouvidos, como a cobra que era.

 

 

Sakura piscou os olhos e fechou a boca. Deu um profundo suspiro buscando ar para clarear suas vistas e sua mente que ficou nebulosa de espanto.

 

 

Porém, isso não evitou que seu coração acelerasse. O que ela diria? Droga seu primeiro objetivo que era a discrição já estava indo miseravelmente pelos ralos.

 

 

Ter que convencer esses três a acreditar nela parecia tão improvável quanto convencer Madara. ‘Kami, a sorte do time 7 me seguiu através do tempo’.

 

 

Ela não pode evitar tremular sua voz ao responder e a dor por todo o seu corpo não colaborou muito também. “Eu... Eu... sou Sakura”.

 

 

Jiraiya sorriu. “Ora, você pode fazer melhor que isso, querida. Fale mais sobre você!”

 

 

“Hmph! Ela não vai sair com você, Jiraiya! Seu tarado!” Tsunade riu alto.

 

 

“Esqueça eles. Olhe para mim, garota. Agora, Identificação completa!” Orochimaru chamou sua atenção.

 

 

Com as batidas cardíacas rítmicas novamente, Sakura formulou sua única estratégia possível.

 

 

“Sou Haruno Sakura, Orochimaru-sama. Ninja médica de Konoha de um tempo muito a frente ao seu...”. Talvez o respeito funcione? Esse homem ainda lhe causava arrepios.

 

 

Ela fez uma pausa esperando que ele suavizasse suas feições, mas sua demonstração de respeito pareceu não surtir nenhum efeito com ele. A ninja deviria saber, era Orochimaru, afinal. Então, relutantemente, ela decidiu acrescentar “... Eu posso provar”.

 

 

O ninja não teve chance de responder, pois foi imediatamente interrompido pela voz feminina mais intimidante que ela conhecia. “Não é necessário.” A kunai de Tsunade foi abaixada e a de Jiraiya afrouxou em sua garganta.

 

 

A kunai de Orochimaru, por outro lado, permaneceu firme. “Tsunade, não seja ingênua.” Ele disse sem tirar os olhos de Sakura por um segundo sequer.

 

 

 “Você disse que pode provar, Sakura. Como?” Jiraiya cantarolou para ela.

 

 

“Me pergunte qualquer coisa, Jiraiya-sama!” 

 

 

Jiraiya percebeu a firmeza em seu olhar e em sua voz. O sábio pareceu refletir por algum tempo. “Muito bem, quem sucederá o velho Hiruzen como Hokage?

 

 

‘Merda’ Sakura pensou ‘Tinha que ser logo isso? E agora? Não posso sair dessa sem causar desavença entre eles e mais uma vez dificultar minha missão’.

 

 

A kunoichi médica não mudou em seu olhar, pelo contrário, colocou o máximo de determinação que pode nele para mudar de assunto “Pergunte outra coisa.”

 

 

Jiraiya olhou curioso para ela e Orochimaru estreitou seu olhar, desconfiado do motivo de sua evasão. A pergunta era apenas um devaneio produto da rivalidade infantil de Jiraiya por ele. Sendo assim, praticamente um bônus destinado unicamente a libertá-la ao saciar sua curiosidade. Claro, estrategicamente, baixando sua guarda e abrindo passagem para mais perguntas depois.

 

 

A resposta era basicamente irrelevante para o futuro já que todos sabiam que Orochimaru ou Jiraiya eram os candidatos considerados. A moça apenas teria de justificar os motivos do Sandaime para sua escolha e tudo estaria bem se ela fosse convincente.

 

 

Então, que mal haveria em respondê-la? A menos que essa informação fosse um ponto sensível na linha do tempo. Essa possibilidade deixou o invocador de serpentes intrigado.

 

 

Tsunade, porém, não vacilou em sua posição, mas olhava para Sakura por entre os cílios aparentando algum tipo de reconhecimento de sua motivação para mudar de assunto. Ela suspirou e então decidiu interferir.

 

 

“Eu disse que não era necessário você provar, mas para eles (pelo menos para Orochimaru), você precisará. Que tal explicar a eles como se tornou minha discípula, Sakura”.

 

 

Parece que por essa ninguém esperava, tanto Sakura quanto Jiraiya e Orochimaru estavam espantados com o que Tsunade disse. A Princesa Lesma sorriu brilhantemente para ela, tocando seu próprio selo yin.

 

 

‘Oh! É isso, então, meu selo!’ Sakura sorriu em retribuição para ela pegando a dica que a ajudaria a se safar no último momento. ‘Porque não pensei nisso antes?’.

 

 

 “Respeitosamente, preciso salientar que meu selo yin seria prova mais que suficiente da minha ligação com minha shishou, atualmente sua parceira de equipe. Esse jutso pertence só a ela como vocês sabem. Mas, vou satisfazer a curiosidade de vocês dois senhores respondendo à pergunta de Tsunade-sama. Ela me aceitou como sua discípula depois que foi empossada Godaime Hokage de nossa aldeia. Meu time genin precisava de mim e eu não queria ser mais um fardo para eles. Tsunade-sama viu minha determinação e por isso aceitou treinar-me tornando-me uma das melhores médicas de combate de nosso tempo”.

 

 

A kunai de Jiraiya imediatamente baixou de seu pescoço e ele virou para Tsunade sorrindo brilhantemente. “Godaime Hokage... Eu não esperava menos de você, Tsuna. A essa altura já teremos o que?... uns três menininhos? Quem sabe mais uma menininha... o que você acha!”

 

 

Tsunade estava perplexa com as palavras de Sakura assim como Orochimaru. “Você claramente recorreu a bajulações para encobrir suas mentiras. Vou matá-la aqui mesmo” A língua de cobra de Orochimaru estava saindo de sua boca por entre as presas ameaçadoramente.

 

 

“Não ouse tocar em minha pupila Orochimaru” Tsunade apontou sua kunai na direção da serpente.

 

 

“Chega disso, a menina está ferida. Vamos para nosso abrigo para que você possa curá-la, Tsuna. E depois vamos começar a planejar os detalhes da nossa lua de mel. Vai ser quente, você pode acreditar, meu amorzinho” Jiraiya piscou para Tsunade e em seguida voltou-se apertando o braço de Orochimaru para força-lo retrair-se da garganta de Sakura.

 

 

Orochimaru soltou uma espécie de silvo descontente e saltou da árvore. Jiraiya virava-se para fazer o mesmo quando Tsunade o acertou na nuca com um tapa jogando-o do alto para o chão. Um baque que pareceu quebrar alguns ossos foi ouvido por Sakura.

 

 

“Idiota!” Tsunade gritou de cima do galho para o ninja contorcendo-se no chão com gemidos doloridos. “Vamos, Sakura. Você precisa de cura e descanso, depois explicará o que o chakra do meu avô está fazendo em você”

 

 

“De que jeito a senhora descobriu?”

 

 

“Eu sei. Foi assim que te localizei. Não me esconda nada. Isso é importante para mim e para aldeia também. Vou te proteger, você tem minha palavra.”

 

 

“Eu prometo, shishou!”

 

 

Tsunade lhe deu as costas “Ótimo! Então, vamos suba, vou carregá-la. Não posso deixar aqueles dois sozinhos por muito tempo... quem sabe se não queimarão nosso esconderijo desta vez?”

 

 

“Shishou!”

 

 

Tsunade virou-se lhe fitando. “Sim?”

 

 

“Eu preciso conversar com a senhora em particular e com cada membro de seu grupo. Mas, precisarei que me ajude a pensar em como abordar Orochimaru-sama. Na verdade, não me sinto segura de fazer isso sozinha, talvez se a senhora estiver ao meu lado seria melhor... por favor?!”

 

 

“A questão com Orochimaru é assim tão sensível que alguém com o seu espírito se acovarda?”

 

 

Sakura acenou em confirmação.

 

 

Tsunade suspirou em decepção e fez-lhe sinal para que subisse em suas costas. “Então minhas intuições sobre ele estavam certas, afinal”.  Sakura subiu e elas começaram andar. No passo normal para poderem alongar a conversa.

 

 

“Infelizmente, shishou”.

 

 

“Jiraiya nós podemos afastar facilmente, mas Orochimaru é muito astuto. Nos arranjar tempo de fato sozinhas será muito difícil... e há muitos ninjas desonestos e inimigos a solta... Eu vou pensar em algo. Por hora mantenha-se perto de mim ou de Jiraiya” Tsunade pareceu imersa em pensamentos enquanto Sakura avistava os dois homens andando mais a frente.

 

 

Orochimaru tinha uma porção de seu perfil virada sutilmente para trás, enquanto fingia prestar atenção ao que Jiraiya falava. Contudo, nada mais foi dito pelo caminho, que ele pudesse ouvir.

 

 

Sakura imaginou que Tsunade também percebeu que estavam sendo ouvidas.

 

 

Sim, a cobra estava atenta aos seus passos, Sakura concluiu. Mas, uma ideia lhe surgiu que poderia ajudá-la a matar dois coelhos com apenas um golpe. Assim que a serpente infame pareceu desviar a atenção delas, ela decidiu sugerir a sua sensei para que invocasse Katsuyu assim que possível.

 

 

Dessa forma elas poderiam verificar o status de seu contrato e pedirem para serem invocadas no Shikkotsu. Lá elas poderiam de fato estar sozinhas sem Orochimaru para lhes vigiar. Tsunade gostou da ideia e prometeu que encontraria o momento oportuno.

 

 

[...]

 

 

Quando finalmente chegaram à base da equipe, Sakura percebeu que o abrigo dos Sannins se constituía de uma caverna oculta por uma espécie vegetal que a médica não conhecia, mas que Tsunade afirmou não possuir nenhuma propriedade relevante nas artes curativas. Uma vez lá dentro, a Princesa das Lesmas a recostou na parede sentada no chão da caverna e iniciou seu diagnóstico e cura.

 

 

Orochimaru encarava Sakura com visível suspeita e animosidade. Jiraiya olhou de um para o outro e coçando a cabeça mencionou que aproveitaria que a chuva cessou parcialmente e desceria para o rio próximo para tomar banho e trocar as roupas molhadas. Depois as ‘damas’ poderiam fazer o mesmo e que ele não se importaria, de forma alguma, em guardá-las enquanto se banhavam.

 

 

É claro que Tsunade lhe deu um olhar raivoso e ameaçou bater-lhe novamente se sequer saísse da caverna enquanto elas se banhavam. Orochimaru pareceu não estar prestando atenção em nada e apenas iniciou uma fogueira já retirando os utensílios e ingredientes para o que pareceu uma sopa generosamente nutritiva e pouco calórica.

 

 

Algum tempo de silêncio se passou entre eles, mas o clima com Orochimaru permaneceu visivelmente gélido e tenso. Jiraya voltava de seu banho e a sopa que o futuro nukenin cuidava começou a cheirar muito bem.

 

 

A sessão de cura de Tsunade já tinha aliviado grande parte das dores da discípula de Tsunade e sua mestra mencionou que seu ‘chakra especial’ não teria dificuldades em concertar o resto. Orochimaru estreitou os olhos sem que elas tivessem visto e saiu da caverna em direção ao rio, pedindo antes a Tsunade que terminasse a refeição que comeriam em breve.

 

 

Alguns minutos se passaram e Sakura encontrava-se ainda recostada a parede com os olhos fechados enquanto Tsunade a sua frente mexia o delicioso cozido. Foi então que Jiraya interrompeu as suas divagações também recostando-se a parede em sua frente, exatamente no lugar onde a serpente estivera anteriormente. Abaixo dele havia agora um futon já desenrolado. Sakura desejou muito poder deitar-se nele de tão fofo que lhe pareceu. Mas seu descanso estava longe de ser possível se dependesse do Sábio dos Sapos. “Então, Sakura... viagem no tempo hein!?... Você deve ser mesmo um gênio para tal. E por esse chakra girando aí suspeito que muito poderosa também, estou correto?” Ele falou distraidamente.

 

 

Os olhos de Sakura ainda fechados tremeram sutilmente e ela ajeitou sua postura. ‘Ele está me testando. Será que não acredita em mim ou é apenas curiosidade?’ Ela abriu os olhos já na direção de Tsunade em uma espera muda de aprovação para falar e Tsunade encolheu os ombros sinalizando que a decisão era dela em falar ou não sobre.

 

 

“Não sou nenhum gênio Jiraiya-sensei, nem muito menos cogitei que uma viagem no tempo fosse de fato possível. Mas gênios são os que me enviaram para cá e isso responde sobre o chakra do qual falas. Esse é o chakra de Shodai Hokage...” Ela fez uma pausa acenando em confirmação para Jiraya que pareceu pasmo. “Sim, eu sei ele é do passado, mas será forçado a participação em nosso futuro caso não mudemos alguns fatos agora. Não só ele, mas o senhor Segundo, o Terceiro e o Quarto também.”

 

 

“De quantos anos a frente você é, Sakura?”

 

 

“Estimo em torno de 40 anos... talvez mais, talvez menos, senhor”.

 

 

Jiraiya pareceu entristecer. “Então, você está dizendo que em menos de 40 anos não só Sarutobi-Sensei, mas o futuro Yondaime já terão morrido?” Tsunade deixou cair a longa colher que utilizava para agitar o caldo.

 

 

“Sim, Jiraiya-sama. Na minha época Tsunade-shishou, como eu disse, já era Hokage a alguns anos”.

 

 

“Por Quê? Eu não me vejo aceitando um cargo como esse e tenho certeza de que muitos outros ninjas seriam mais qualificados. Quanto ao Yondaime, o que aconteceu com ele? Não me diga que Dan ou Jiraiya?...” A preocupação tornou-se visível no rosto de Tsunade.

 

 

“Interessante ela não citou Orochimaru, será mesmo que ela já desconfia dele?” Inner inquiriu com um dedo em sue queixo. Sakura não a respondeu, mas fez uma nota mental para essa observação de sua outra personalidade. ‘Quem diria, você pode ser útil quando quer!’. “Eu sou sempre útil, meu bem!” Exteriormente a médica rosa suspirou sabendo que não conseguiria evitar essa conversa com Tsunade e Jiraya, por mais que tentasse. Pelo menos a serpente não estava ali... Ou assim ela pensou. “Eu evitaria a todo custo o contato com vocês se pudesse, justamente pelo que está acontecendo agora.”

 

 

“Agora você entende todas aquelas histórias sobre viagens no tempo. Essa curiosidade pelo futuro pode ser de fato prejudicial a sanidade!” Inner soprou em seu ouvido. ‘Há! Alguém que tem uma dupla personalidade soprando em seus ouvidos não pode exatamente falar sobre o que é sanidade’. Sakura deu-lhe as costas. ‘Vou ter que abrir o jogo com eles. O mal já está feito.’

 

 

“Não há uma forma melhor de dizer o que preciso dizer. Mas por favor não se abalem, fui enviada para mudar as coisas e imagino que poderei contar com sua ajuda. Então por favor lembrem-se que nada disso aconteceu ainda. Portanto, temos esperança!” “Nossa, até Naruto seria mais persuasivo que você agora. Estou decepcionada, Sakura”. ‘Cala boca Inner! Estou fazendo o melhor que posso. Não vê que não pude me preparar para isso? Eu não deveria ter contato com eles... Eu nem fui mandada para a época certa. Que diabos! Se não vai ajudar, ao menos pare de me criticar!’. “Ok, desculpe!”

 

 

“A rosinha está certa. Fique calma, Tsunade. Veja, no meu caso, eu posso morrer no futuro, mas não há hipótese em que eu aceitaria ser Hokage isso não é para mim!”

 

 

“Sim, mas e Dan? O que acontece com ele, Sakura? Ele ao menos realizará seu sonho de ser Hokage?”

 

 

“Na minha linha do tempo, não, Tsunade-sama. Mas eu sei como as coisas vão acontecer então podemos salvá-lo. Juntas nós demos suporte a pelo menos 3 mil ninjas ao mesmo tempo executando o nosso selo e isso enquanto batalhamos. Não há como perdermos Dan! E sobre o Yondaime ele será discípulo de Jiraya-Sama, seu nome é Namikaze Minato, ele morreu salvando Konoha de um ataque da Nove Caudas orquestrado por um ninja que dizia ser Uchiha Madara.”

 

 

“Kami! É muito para um único dia” O Sábio dos Sapos apertou a ponta do nariz com uma das mãos. A preocupação tornou-se visível pela tensão em seus ombros e nas linhas endurecidas de sua face.

 

 

“Nós o salvaremos também, Jiraiya-sama!... E você verá o menino da profecia nascer!” Sakura tentou confortá-los, mas uma ponta de insegurança a machucou no íntimo. E a próxima frase do Ero-Sennin foi a pedra que derrubou seu entusiasmo.

 

 

 “Você falou em profecia. Elas existem por uma razão. Destino é destino. O tempo não é algo que os seres humanos possam manipular sem consequências, menina”. Jiraiya levantou-se em seguida saindo da caverna. “Eu preciso pensar”.

 

 

Chapter Text

 

Jiraiya havia saído e aparentemente o clima tenso com ele. Tsunade ficou em silêncio pouco tempo, iniciando momentos depois uma conversa sobre os avanços na medicina e o quanto essa guerra era inútil. A ninja do time 7 sentiu como se uma tonelada tivesse sido removida de seus ombros.

 

 

Por outro lado, começou a questionar-se o que os Sannins estariam verdadeiramente pensando e sentindo de tudo isso. Ela precisava ser cautelosa. Será mesmo que a Senju já desconfiava de Orochimaro? ‘Ela não teve um tipo de atração por ele quando era jovem?... Kami, eu posso estar caindo em uma armadilha e nem tenho como saber... Isso é tão problemático!’

 

 

Mesmo que ela tivesse uma história muito detalhada e convincente, Sakura era uma estranha e estava prestes a ter que revelar coisas terríveis sobre um dos companheiros da equipe deles e de um dos atuais conselheiros de sua aldeia.

 

 

‘Eles não estão prontos para tanto. Jiraiya-Sama foi cético quanto a parte boa de tudo, será que eles acreditariam que seu companheiro de time fazia experiências com crianças, que ele era um traidor e que mataria seu amado sensei... o Hokage de todas as pessoas? E quanto a Danzo, quem crerá que ele ordenou o massacre do Uchiha e provocou indiretamente o nascimento da organização mais temida do mundo ninja?’ Ela suspirou pesadamente.

 

 

'Sem um Yamanaka para mostrar a eles eu só tenho palavras.’ Continuar falando poderia estragar tudo. Por outro lado, não falar resultará no mesmo. A ninja médica se viu em um impasse.

 

 

Inner havia lhe dito que todas essas dúvidas eram meramente produtos de sua insegurança. Sakura tinha noção de que era muito insegura, mas eles também eram shinobi extremamente poderosos e inteligentes. Confiança sega não fazia o estilo de gente como eles e certamente não poderia ser o dela. Melhor manter-se atenta, ela decidiu. Inner então sugeriu que os testasse de uma vez quando pudesse... e assim ela faria.

 

 

Tsunade a interrompeu de suas reflexões guiando-a para o rio onde banharam-se. Não intencionalmente, sua sensei foi certeira em lembrar o quanto os seios da rosada eram humildes quando lhe emprestou uma de suas yukatas. Uma quantidade ridícula de pano sobrou para ser ajustado com um obi.  Quando ambas retornaram, tudo pareceu normal novamente entre ela e os outros dois Sannins. Jiraiya com suas piadas e cantadas criativas e sua sensei com suas reações ácidas.

 

 

Somente Orochimaro parecia mais distante que de seu feitio, mas quando fitou a rosada ela pode sentir a mesma sensação do desdém e animosidade gélidos dele. Então deveria estar tudo certo, ela concluiu. Quando terminaram a sopa, Tsunade e Jiraiya abriram uma garrafa de sakê (que em poucos minutos a loira esvaziou).

 

 

Jiraiya desistiu de tirar as garrafas seguintes do monopólio da Senju e apenas iniciou conversas aleatórias com Sakura e Orochimaru. Tsunade lhe jogou um futon reserva e um cobertor e eles conversaram mais um pouco, desta vez sobre alguns jutsos que Sakura viu outros ninjas usarem em sua época no time 7.

 

 

 Ela não revelou nada de seus meninos e de seu sensei, somente dos ninjas inimigos, mesmo assim a serpente pareceu ter ficado muito curiosa. Mais amenidades foram trocadas até quando resolveram que era hora do descanso, pois a noite avançava, e eles costumavam acordar com os primeiros raios de sol. A guerra os fizera assim.

 

 

[...]

 

 

O dia amanheceu e Sakura percebeu que tinha adormecido muito rápido (e pesadamente), apesar de tentar evitar baixar a guarda perto do invocador de serpentes. Ela esteve, de fato, muito cansada. Refletindo bem sobre isso, a ninja estranhou que não tivesse desmaiado por dias a fio como normalmente aconteceria a alguém que apresentou sintomas severos de esgotamento dos chakras.

 

 

...E o chakra do Shodaime ainda estava ali... girando, girando e ... ‘Crescendo?... Naah!’ Ela descartou essa possibilidade, afinal os chakras deles eram da mesma natureza. Provavelmente misturavam-se à medida que o dela era produzido, mesmo que lentamente.

 

 

Talvez tenha sido por isso que ela não entrou no famigerado estado parcial de coma por esgotamento... A essência curativa do Primeiro a estava ajudando. Seu sistema estaria vazio não fosse por isso. A única coisa que mantinha suas bobinas ativas era a energia dele. Sakura franziu a testa ao perceber que, se não fosse assim, talvez não teria resistido a viagem.

 

 

‘Será possível conservar esse chakra para emergências?’ Ela fitava o teto da caverna, ainda deitada no futon reserva que lhe fora cedido na noite anterior. ‘Mas, como fazer isso?’ A outra pergunta surgiu e ela continuou suas ruminações até ser interrompida pelo bocejo de Jiraiya que despertou próximo da outra parede.

 

 

“Uh, Ohayōgozaimasu!” Ele falou como se para todos e para ninguém em especial, ao mesmo tempo que se espreguiçava. Orochimaru, ao fundo da caverna (o mais afastado possível pelo que ela percebeu), também despertou e já estava em pé guardando seu futon e seu cobertor.

 

 

‘Nunca pensei que fosse possível ele parecer mais mal humorado do que já aparenta ser normalmente’. Sakura o observava curiosamente. "Se eu fosse apostar, diria que o bom humor do Sapo Tarado ali tem tudo a ver com isso.” Inner comentou e em seguida bocejou “Uh... bom dia também aliás!” 

 

 

'O que você faz acordada tão cedo? Devo me preparar para um ataque inimigo? Por que isso é inédito da sua parte, não pode ser sinal de boa sorte... Está vendo? Acho até que senti um arrepio.’ Inner torceu seu rosto em uma careta “Você deveria estar feliz porque sou bem humorada. Já pensou se eu fosse como aquela serpente? Com cara de quem chupou um limão todas as manhãs?”

 

 

‘Hn, vendo por esse lado até que você tem razão’.  Sakura sentou-se recostando-se a sua familiar parede e olhou para a futura Godaime que ainda dormia levemente, próximo ao que restou da fogueira do dia anterior. O sakê que a loira tomara na noite anterior devia estar fazendo efeito ainda... Aquela seria uma bela ressaca!

 

 

A Haruno desviou sua atenção para a entrada da caverna que começava a iluminar-se com os feixes da luz do Sol nascente. Eles se intervinham por entre os ramos da planta que cobria a entrada como uma cortina vegetal. A chuva não dera trégua desde o cair da noite do dia anterior até a madrugada desse novo. Mas, agora a manhã chegava e o ar parecia, mais... leve?

 

 

“Ei! Olha só que coisa fofa aquele sapo rechonchudo entrando no nosso esconderijo! E ele é verdinho! Parece até a bolsa que Naruto usava para guardar suas economias, não é?!” Inner a cutucou mentalmente e a mente de Sakura foi transportada para as memórias das tardes de rámen que passava no Ichiraku com seu amigo e seu Sensei. “Aquilo não é um mensageiro será?”. ‘Não sei, parece um sapo normal para mim’.

 

 

O Sapo parado na entrada do esconderijo olhou em volta procurando alguma coisa e então saltitou em direção a Jiraiya, abriu a boca e revelou um pergaminho enrolado em sua língua. “Eca! É um mensageiro sim.” Inner enrugou o rosto demonstrando nojo.

 

 

“Obrigado, amigo.” Jiraiya recebeu o pequeno pergaminho, dispensando o sapo em seguida. Ele inspecionou o selo por fora do pequeno objeto e o jogou para cima fazendo-o rodopiar no ar duas vezes e cair em sua mão novamente para então ser guardado em um dos bolsos de seu haori. O homem de cabelos brancos caminhou até sua companheira de equipe e tocando suavemente em seus ombros a acordou. “Ei Tsuna! Acorde meu amor, acho que já temos uma missão para após o dejejum”.

 

 

Tsunade virou-se com o antebraço sobre os olhos para bloquear a luz que os fazia arder. “Mas, o que há com aqueles velhos que acham que podem escravizar a neta do Primeiro Hokage!?” A pergunta era retórica, então ninguém respondeu. Em seguida a loira grunhiu. “Urgh!... Minha cabeça dói!”

 

 

“Shishou, a senhora ainda não descobriu como queimar o álcool em sua corrente sanguínea e evitar a ressaca?” Sakura perguntou e Tsunade rapidamente tirou o braço de seu rosto e virou-se fitando-a, genuinamente interessada. Sakura riu da expressão de curiosidade dela.

 

 

De volta ao seu futon, Jiraiya sorriu divertido apoiando seu rosto em uma das mãos enquanto estava sentado com os braços sobre os joelhos. ‘É agora que Tsuna falirá todas as casas de bebidas de Konoha’. Com as palavras de sua discípula, Tsunade despertou de imediato euforicamente. “Vamos, mexa-se! O dia acaba de ficar melhor! Desceremos ao rio para os cuidados matinais e você terá de me mostrar essa técnica, Sakura. Sinto que precisaremos praticar muito!”. Jiraiya e Sakura riram e elas seguiram para a nova rotina.

 

 

Passado algum tempo, os quatro ninjas já terminavam o dejejum quando Jiraiya retirou o pergaminho de seu bolso. Nesse momento a atenção dos outros três se voltou em sua direção, silenciosamente aguardando o que viria dali. O Sábio rompeu o selo oficial e invocou a mensagem que o objeto trazia e a leu esboçando diversas expressões, que a rosada não sabia o que significavam, e um pequeno sorriso ao final.

 

 

Jiraiya olhou para os companheiros e iniciou a leitura da mensagem:

 

 

 

“Prezados,

 

Espero encontrá-los bem. Em Suna, Sakumo cravou a alcunha de ‘Presa Branca de Konoha’ definitivamente. Os irmãos Honoráveis, Lady Chiyo e Ebizō retiraram-se do confronto após Hatake matar seu filho/sobrinho e a esposa dele. Rumores apontam que o casal deixou um órfão de cerca de 4 anos de idade e esse seria o motivo dos irmãos retrocederem.

 

 

Nossos irmãos naquela frente estão em polvorosa, o alto escalão de Suna aconselhou o atual Kasekage a render-se e suas fileiras já iniciaram uma retirada estratégica. Tanto Suna quanto Ame ofertaram rendição e iniciaram as negociações de Paz. A proposta de Hanzō já foi aceita, portanto vocês já não são mais necessários aí.

 

 

Uma das condições é que Konoha e aliados levantem acampamento de suas terras. Nas palavras de Hanzō: ‘Os problemas de Ame são problemas do povo de Ame’. Sunagakure, ofereceu juntar-se a nós no embate com Iwa. Mas recusamos sob o pretexto de que Konoha deseja que seus ninjas se recuperem de suas feridas e que assim sinalizamos nossa intenção e boa fé em uma aliança futura. A verdade  é que ainda não confiamos nas intenções do Kasekage. Contudo, estamos retirando, lentamente, parte de nossos shinobi das fronteiras do Vento.

 

 

Na fronteira com Iwa o regimento norte teve baixas consideráveis na última campanha. O superior imediato de Dan faleceu em combate e ele assumiu seu lugar como oficial comandante Jōnin até a chegada de Hatake.

 

 

Como seu sensei, me orgulho muito de vocês. Como seu superior, informo que seu Sandaime e seu conselho parabenizam ‘os notáveis Sannins Lendários’ por suas conquistas e merecida alcunha.

 

 

Voltando as questões com Iwa, a pedido de Dan, os convidamos a prestar apoio aos esquadrões Alfa, Bravo, Delta e a sua recém criada unidade de rastreio e extermínio, Yūrei. Vocês têm minha autorização para tal e devem dirigir-se para lá o mais rápido possível. Existem questões diplomáticas a serem resolvidas envolvendo membros do Uchiha nas quais Dan precisará de seu auxílio também.

 

 

Cuidem-se.

 

Sarutobi Hiruzen, Sandaime Hokage de Konohagakure no Sato.”

 

 

 

“Sasori... que pena.”

 

 

Todos olharam para ela. Então Sakura percebeu que pensou alto.

 

 

"Quem?" Jiraiya a indagou primeiro.

 

 

“Akasuna no Sasori, o netinho de Lady Chiyo, ele cresceu solitário e triste. Mesmo assim será uma lenda em nossa época, um titereiro magnífico. O mestre deles se você quer saber.” Sakura cuidou com suas palavras e seu tom. Ela teve certeza de não demonstrar nenhuma preocupação ou insegurança em sua voz e postura.

 

 

Mas, por dentro, seus pensamentos dispararam. ‘Eu não sabia que a 2ª Grande Guerra já estava no fim..., mas pelo conteúdo dessa carta, a principal cadeia de eventos drásticos que leva a derrocada da 3ª e da 4ª Guerras Shinobi acaba de ter início. Agora entendo por que eles não montaram guarda durante a noite. Konoha e Ame estão em armistício’.

 

 

Tsunade a respondeu. “Hn. A velha Chiyo é marionetista também, nos enfrentamos nas fronteiras do Vento e mais algumas vezes aqui em Ame. Pude ver que é uma Kunoichi admirável e umas das poucas médicas especialistas da sua época... e por que não, da nossa também?... apesar de ela não ir com a minha cara, tenho que admitir, ela é muito boa no que faz. Soube que deu trabalho para Hanzō, até um antidoto para o veneno da sua invocação ela criou!” A Senju riu divertidamente.

 

 

“O ego daquele homem deve estar no chão depois que duas médicas chutaram a bunda dele!... E digo mais! Não fosse estarmos em lados contrários nessa maldita guerra, discutiríamos os venenos de Suna. Quem sabe ela não me deixasse levar algumas amostras?!” Tsunade ergueu sua garrafa de sakê como num brinde. “...Sem falar no sakê que eles produzem, é dos deuses!"

 

 

“Tsunade, você disse que estava com dor de cabeça” Orochimaru falou pela primeira vez naquela manhã. A loira revirou os olhos. “É por isso que bebo Orochimaro! Dizem que só se cura uma ressaca com outra!” Sakura quis rir da expressão vazia no rosto dele. Ele pareceu formular alguma resposta, mas desistiu e levantou-se para terminar de guardar seus pertences.

 

 

“Bom, temos mesmo o que comemorar, esta guerra está terminando! Com nossas forças se reunindo contra Iwa e seus poucos aliados a vitória é inevitável. Poderemos voltar para casa, finalmente!” O Sábio dos Sapos também se dirigiu para recolher seus pertences. “Vamos senhoritas, recolham seus pertences e vamos embora. Quanto antes sairmos, menor a chance das chuvas vespertinas de Ame nos encharcarem no caminho. Quem sabe se formos rápidos o suficiente, ultrapassaremos a fronteira antes do final do dia?!”  

 

 

Sakura acenou em confirmação e se colocou de pé oferecendo-se para ajudar com as coisas de sua sensei, já que ela não possuía nada seu mesmo. Enquanto os Sannins terminaram de arrumar suas as coisas, ela limpou o lugar onde a fogueira estivera (para não deixar vestígio da passagem deles ali, assim como fora ensinada).

 

 

A médica rosa continuou suas reflexões, desta vez sobre o conteúdo da carta do Hokage. O pai de Kakashi deveria ser incrível. Que idade teria? Seria ele tão belo quanto seu sensei? E Lady Chiyo... como seria bom se ela pudesse vê-la. Quanta saudade. A kunoichi do Vento era uma pessoa muito gentil.

 

 

“Tá ligada que é nessa época que eles encontram o Pain?” Inner cruzou os braços impaciente. ‘Sim eu estou. Precisamos pensar rápido em uma solução para interromper essa sucessão de eventos o quanto antes. Mas não tenho como estar em dois lugares ao mesmo tempo, se estiver em Ame não posso salvar Dan como prometi a sensei... Oh Kami!” Sakura começou a desesperar-se.

 

 

“Não têm jeito! Precisaremos da ajuda deles. Você tem de resolver a questão de confiança entre nós e os Sannins depressa! Pois querendo ou não, somos obrigadas a viajar com eles agora. Melhor os ter como aliados... Também precisamos tirar essa serpente do nosso encalço, não se esqueça”. A rosada acenou em confirmação e se pôs a pensar em como resolver um problema de cada vez. Com sentiu sua ansiedade diminuir.

 

 

 

[...]

 

 

 

Os quatro shinobi locomoviam-se rapidamente. Talvez mais seis horas de corrida ninja e atravessariam a fronteira deixando a triste Amegakure para trás. Era tudo que todos queriam, que qualquer um poderia querer. No entanto, a Haruno não poderia permitir que o trajeto continuasse, então ela começou a diminuir seu ritmo de corrida, ofegando as vezes para aparentar cansaço.

 

 

Todo shinobi sabe que o que ela faria a seguir era muito comum acontecer com ninjas cansados. Ficar desatenta. O cenário era propício, sua encenação foi convincente até aquele momento, a julgar pelas ofertas de Jiraiya e Tsunade para pararem e descansar. Era agora ou nunca. Sakura propositalmente pisou em falso em um galho podre e imediatamente caiu de uma altura de 10 m.

 

 

Os Sannins, muito à frente, não a alcançaram em tempo. Evidentemente, como uma shinobi treinada e uma médica de todas as coisas, Sakura soube agir para amortecer sua queda. Ela provavelmente desmaiaria por um ou dois dias no pior dos cenários... Tsunade teria de convocar Katsuyu e levá-la ao Shikkotsu já que não tinham um hospital em milhas. Elas ficariam sozinhas de um jeito ou de outro. E nenhuma serpente as poderia seguir.

 

 

 

[...]

 

 

 

Foi o que aconteceu. Quando ela acordou em um quarto com móveis todos de madeira, incluindo uma grande cama, ela sentiu que atmosfera era completamente diferente da de Amegakure e, com certeza, aquilo não era um hospital.

 

 

Não demorou muito para que Tsunade invadisse o quarto sendo seguida por Jiraiya (esse tinha sido um bônus). A rosada começou a enviar seu chakra em fios no intuito de verificar se a serpente viera também, quando Tsunade a interrompeu furiosa.

 

 

“Não é preciso fazer isso. Você conseguiu o que queria mocinha, Orochimaro ficou em Ame. Somos só nós aqui. Agora me explique: Com que objetivo você tentou nos atrasar?!”

 

 

“Vocês vão encontrar três órfãos quando pararem para descansar perto da fronteira, Yahiko, Konan e Nagato. Orochimaro-Sama oferecerá matá-los e Jiraiya-Sama decidirá ficar um tempo para treiná-los. Vocês não podem deixá-las em Ame, precisam levá-las para Konoha e protegê-las. Nagato possui olhos extremamente poderosos. O Rinnegan. Orochimaru-sama não pode saber disso, ninguém mais pode!”

 

 

Jiraiya cruzou os braços ao lado de Tsunade e olhou para Sakura. “O menino da profecia?”

 

 

“Eu diria que, de certa forma, um deles Jiraiya-Sama.”

 

 

Jiraiya arregalou os olhos em espanto, mas logo educou suas feições. “O mestre não disse que eram dois, está dizendo que ele se enganou, Sakura?”

 

 

“De forma alguma, a criança é apenas uma. Mas olhe melhor. Ele disse que o senhor treinaria um discípulo que seria responsável por uma grande revolução no mundo ninja. Suas ações determinariam se para grande destruição ou para a salvação, certo?”

 

 

Jiraiya acenou em confirmação, então ela continuou. “Seus discípulos farão grandes coisas Jiraiya-Sama, todas pela paz, mas nem tão boas assim. Um deles trará a salvação e um deles trouxe destruição.” A boca do Sannin abriu-se e ele congelou.

 

 

“Por isso fiz o que fiz, sei que seu companheiro de equipe tem me vigiado o tempo todo, esse era o único jeito de falar com vocês a sós de verdade. Nagato tem de permanecer sob sua tutela até que entidade que manipula os acontecimentos seja selada.”

 

 

Jiraiya assentiu. “Qual deles Nagato é, Sakura?” A médica abaixou a cabeça reflexivamente durante alguns segundos, então o olhou solenemente. “Nagato é uma vítima, Jiraiya-Sama.” A médica não precisou dizer mais. Jiraya entendeu que a jornada do menino provavelmente teria sido dura em sua época.

 

 

O Sannin suspirou e sorriu para ela. “Eu acredito em você, Sakura...” Os olhos dela brilharam e o canto de sua boca levantou-se sutilmente em um pequeno sorriso. “... Ninguém mais conhece essa profecia além de Tsuna, Orochimaru, Sarutobi-Sensei e os sapos do Myōboku.” Ele suspirou. “O risco em que você se colocou para salvar essas crianças demonstra mais do que tudo a seriedade das suas palavras”.

 

 

A Haruno escancarou de vez o seu sorriso e Tsunade sorriu também. “Não precisa nos temer Sakura, estamos do seu lado. Só entenda que cada palavra sua é um choque para nós dois. Não espere reagirmos bem a tudo que nos conta. Você deve entender que receber a notícia de que alguém querido para nós morrerá tragicamente não é exatamente fácil, por mais que uma ‘salvadora’ afirme que evitará tudo”.

 

 

“Algo ambicioso demais, diga-se de passagem”. Jiraiya completou.

 

 

A loira continuou. “Isso também. Queremos que tire esse complexo de salvador da sua cabeça, menina. A menos, que planeje enlouquecer! Tenho certeza de que fará de tudo para que as coisas não se repitam. Mas há coisas que simplesmente tem que acontecer e não podemos evitar. Talvez encontremos algumas delas e não quero que você saia machucada de tudo isso.”

 

 

“Não foram vocês que os quatro maiores shinobi já conhecidos cercaram e pressionaram. Nosso cérebro vai virar polpa de tanto pensar naquelas palavras”. Inner bufou na paisagem mental de Sakura. A garota, no entanto, apenas acenou confirmando que compreendeu o que os dois queriam que ela entendesse e fingiu relaxar. “Mas, vocês devem concordar que ainda precisamos esconder os olhos de Nagato, pelo menos enquanto ele não for forte o suficiente para se defender e a seus amigos.”

 

 

Sua Shishou olhou para Jiraiya. O homem olhou para ela e então para Sakura novamente. “O Rinnegan, você disse?” A menina fez que sim e ele colocou a mão em seu queixo pensativamente “Hn”. Mais alguns segundos se passaram. “Porque não podemos simplesmente dizer a ele que mantenha desativado?”

 

 

Sakura suspirou. “Esse é o problema, ele não pode. Os olhos não são originalmente seus, são de Uchiha Madara.”

 

 

“Está bem, não vou nem perguntar como isso aconteceu. Tenho certeza de que é uma longa história. Mais tarde você nos conta tudo. Bem, sendo assim um genjutso não servirá, mesmo que o melhor. Orochimaro ainda sentirá o fluxo de chakra nos olhos dele. Pelo menos é assim nos usuários de sharingan, costuma ser muito intenso quando ativo. O que nos deixa duas opções, a remoção dos olhos ou o selamento dos seus caminhos de chakra”.

 

 

Tsunade o fitou espantada “Mas isso... nesse estágio, pode atrofiá-lo! Ele é muito jovem seus caminhos ainda estão em desenvolvimento, sua vida como shinobi estará acabada. Como médica não permitirei Jiraiya.”

 

 

“Então a remoção”

 

 

A Senju levou a mão a testa exasperada. “E você considera que eticamente autorizarei a remoção de um órgão saudável, idiota?!” Ele encolheu os ombros para ela sem resposta. “Não precisa responder! Apesar de toda a burocracia e segredo que envolvem o doujutsu Uchiha, pesquisas do meu tio-avô mencionam que desertores do clã deles eram incapacitados de ativar o sharingan quando o fluxo de chakra era redirecionado. A técnica foi muito utilizada na Era dos Estados Combatentes, mas o princípio está aí. Redirecionamento.”

 

 

“A senhora diz, como o que fazemos com Byakugou?” Sakura ajeitou-se melhor em seu travesseiro.

 

 

“Apenas no princípio, pois na prática não possuímos tempo hábil ensinar o garoto. Há outra diferença também. O selo dele terá de atrair o chakra em excesso de forma autônoma (quase como na técnica de circulação extracorpórea, só que com chakra) para que não haja risco de os olhos dele ficarem ativos inadvertidamente.”

 

 

“Um selo assim precisaria ser físico para conter tanto chakra durante tanto tempo e ainda em fluxo constante. Na verdade, teria de ser de um material extremamente resistente”. Jiraiya descruzou os braços e afastou-se para sentar-se em uma almofada recostado a parede do quarto dela.

 

 

“Se é assim, como os Jinchuuriki suportam quantidades massivas de chakra?” Sakura questionou.

 

 

“A resposta é seu próprio chakra, por isso Konoha sempre escolherá Uzumakis. A quantidade de chakra fluindo neles é tão grande que pode ser comparada a de uma besta de cauda dependendo do indivíduo. Seu corpo é naturalmente adaptado para tal. Isso vale para os Senju também. Veja, a história relata que o avô de Tsuna enfrentou a própria Nove Caudas e o Uchiha e venceu. A resistência e poder desses clãs são lendárias.”

 

 

“Nagato é um Uzumaki, Jiraiya-Sama”. Sakura revelou, em voz baixa.

 

 

Tsunade e Jiraiya entreolharam-se, então a loira sentou-se aos pés da cama de Sakura. “Esplêndido! Precisamos criar um selo capaz de beber rios de chakra Uzumaki. O quê mais precisamos saber Sakura?”

 

 

Sakura encolheu-se envergonhada. “Não podemos assustá-lo.”

 

 

“Porque situações de risco desencadeiam a capacidade de invocação da Estátua Demoníaca. Um ser de fúria e dimensões gigantescas”. Inner completou mentalmente. ‘Silêncio, não queremos piorar as coisas’.

 

 

Tsunade cerrou os dentes. “Mas é claro que não. Afinal aquele bastardo Uchiha não poderia deixar uma herança inofensiva, não é?! Olhos demoníacos, de um demônio... As vezes sou obrigada a concordar com meu tio-avô.”

 

 

“Eu tenho uma ideia, descanse garota. Seu complexo de salvador será saciado em breve.” Jiraiya levantou-se de um salto e dirigiu-se a porta. Parando, ele olhou para Tsunade. “Amor, vou preparar nosso almoço!” A médica mal registrou o que ouvira e o homem saiu correndo. “Comportem-se garotas!” Ele gritou já longe.

 

 

 

Chapter Text

 

 

“Ei, Ei, Ei! Porque está chorando, Tsuna?”

 

 

Jiraiya correu para a loira quando a viu, escorada num dos pilares sobre os degraus do engawa (aos fundos da casa).

 

 

Ele decidira acessar seu quarto por aquele lado da residência para que pudesse entrar e conversar com Sakura sem ser visto.

 

 

O ninja precisava de algumas respostas e queria algumas dicas. Os deuses não o puniriam por usar o que lhe foi dado de bom grado, não é? Saber o que não fazer era um bom começo para um homem apaixonado. Regra número 1 do manual do conquistador.

 

 

Porém, ao ver os dourados olhos cor de mel vermelhos e inchados..., bem ele não esperava por isso.

 

 

Sem tempo para vestir seu personagem, o Ero-Sennin brincalhão estilhaçou-se em milhares de pedacinhos aos pés daquela que chorava. Quem correu para a Senju foi o ninja desajeitado de 12 anos, alma desnuda no corpo de um homem forte, não o Sannin Lendário (ou Tarado Lendário da maioria das vezes), o Sábio dos Sapos.

 

 

A loira ergueu a cabeça e o avistando balbuciou fracamente “Ji-raiya”. A voz dela falhou.

 

 

A passos rápidos, de repente ele viu-se cara a cara com ela. Tsunade o fitou profundamente e uma lágrima escorreu. As maçãs de seu rosto subiram e o choro repuxou seus lábios com força. Suas vistas embaçaram e as pernas fraquejaram.

 

 

Ele deu um passo a frente, um imã a puxou para ele. Os braços dele rodearam suas costas e as mãos dela alcançaram seu peito. Ao sentir o calor dele as lágrimas da Senju desceram livremente. Tsunade não era mais Tsunade, ela nem existia naquele momento.

 

 

Quando a Senju deitou sua cabeça no peito dele, apenas havia o som de um coração batendo em seus ouvidos e reverberando dentro de si. Imediatamente ela pensou ter sentido o seu assumir o mesmo ritmo.

 

 

Uma mão desenhava círculos calmantes em suas costas e um queixo amparava-se no alto de sua cabeça. Um “Shhh” calmante chiava continuamente em seus ouvidos e ela sentiu-se acalentada. Os olhos Tsunade tinham se fechado e ela não sabia quando.

 

 

Então, eles ficaram assim. Naquele abraço, o mundo a volta dos dois desapareceu.

 

 

 

 

Quanto tempo passara?

 

 

 

 

 

A eternidade?

 

 

 

 

 

... ou tempo nenhum?

 

 

 

 

Era como se a mulher estivesse no mundo sonhos, lá onde a pequena garotinha assustada corria para os braços de seu pai e ali encontrava segurança.

 

 

 

“Melhor agora?”

 

 

 

Ela gostou da sensação do trovejar da voz de Jiraiya, quando ele falou. Tsunade quis abrir os olhos, mas aquele estrondo abafado lhe pareceu ser sua imaginação, então voltou a descansar, mergulhada no conforto e no calor daquele abraço.

 

 

Quando ela não respondeu o homem desfez o abraço e a afastou, somente o suficiente para poder olhar em seus olhos. Quando foi despertada, ela por reflexo, apoiou suas mãos nos braços dele.

 

 

Ele? Ele estava preocupado. Mas, ao mesmo tempo, quando seus olhos se encontraram, longa e profundamente, um relâmpago gelado percorreu seu peito e seus braços (que imediatamente amoleceram) e o Sábio quase, quase a soltou.

 

 

Não o fez porque, por outro lado, algo selvagem e desesperado gritou do fundo de seu âmago exigindo que a trouxesse para seu peito novamente. Que a escondesse em seu aperto.

 

 

Porém, o Sannin sentiu que seria ousado demais puxá-la de volta, então apenas a olhava. Fitou-a de volta até não poder mais sustentar seu olhar e seus olhos se desviaram dos dela para o chão. A Senju fez o mesmo em seguida e os dois se afastaram.

 

 

Nenhum deles viu quando o outro corou.

 

 

“E- Eu- estou b-bem, ... obrigada...” A loira acenou para ele, a voz instável pelo choro anterior e ao mesmo tempo envergonhada pelo momento que acabaram de passar. “Eu realmente deveria tê-lo ouvido e não ter procurado saber sobre o futuro”.

 

 

“Esqueça isso”.

 

 

“Acho que não poderei, mesmo que eu queira”.

 

 

“Ele não vai te deixar, Tsunade. Garantirei que Dan viva, nem que seja a última coisa que eu faça. Não me importo com o mundo, dou minha vida para que você seja feliz. Esse é o meu Nindō”.

 

 

“Não!” Ela reagiu instintivamente. Então, percebeu que transparecera muita preocupação e resolveu emendar. Jiraiya não poderia saber por quem ela realmente chorava. “Ninguém morrerá por mim. Eu é que sou a Godaime, esse é MEU Nindō, não o seu!”

 

 

Jiraiya desviou os olhos dela para o interior da casa e subiu os degraus para entrar, porém, parou antes de fazê-lo.

 

 

Quando sentiu que o homem parara atrás de si, a Senju olhou por sobre os ombros para os cabelos brancos. Jiraiya, contudo, permaneceu de costas para ela, e sua voz saiu grave e em tom sério.

 

 

“Cada um determina seu Nindō... e você ainda não é o Hokage, Tsuna.”

 

 

O ninja se foi e a médica recostou-se, pensativa mente, novamente à madeira do engawa.

 

 

“Shishou! Então, a senhora tem sentimentos por ele!?”

 

“Eu não sei. Convivemos a tanto tempo que o vejo como parte de mim. Não parecia necessário saber o que sinto por ele. Ele sempre está ali, tão perto que parece que sempre seria assim... Ou eu pensava que seria.”

 

 

‘Eu não sei... Eu... não sei’

 

 

“Não me importo com o mundo. Dou minha vida para que você seja feliz. Esse é o meu Nindō”. As palavras dele ecoaram em sua mente.

 

 

“Jiraiya, o que eu faço com você?”

 

 

 

 


 

 

 

 

De sua cama, a médica de cabelos róseos olhava através da janela para fora. Muito pouco podia ser visto, mesmo assim as árvores gigantes não poderiam passar despercebidas. Muito menos as cores de seus frutos.

 

 

Quem diria que uma fruta poderia ser dourada? Ou que folhas poderiam ser azuis? Ela precisava melhorar e sair para ver o resto. A kunoichi bufou, não era possível que estivesse naquele estado, AINDA!

 

 

O ar da floresta estava sendo revigorante, mas isso não a ajudou a colocar-se em pé. Ela tinha a cabeça ainda enfaixada, uma cicatriz ficaria para ser escondida por seus cabelos. Contudo, isso era o de menos para alguém que passara por uma hemorragia intracraniana.

 

 

Mesmo com suas medidas para o amortecimento da queda ela sofreu com uma contusão pulmonar e ruptura dos brônquios. Por muito pouco não fraturou gravemente a coluna, mas, no abdômen conseguiu uma lesão nas junções de porções móveis, sobretudo no intestino. A ninja encontrou inúmeras outras escoriações pelo corpo, o punho quebrado e uma luxação em um dos pés.

 

 

A Haruno entendeu então, o que o Ero-Sennin quis dizer com “O risco em que você se colocou para salvar essas crianças demonstra, mais do que tudo, a seriedade das suas palavras”. Não era sem razão que Tsunade estava furiosa com ela.

 

 

Quando ficou sabendo que sua escassez de chakra somado ao recente acontecimento a derrubou por cinco dias e cinco noites inteiras, Sakura quis bater em si mesma.

 

 

‘Tudo bem, mais três dias e meu sistema de chakra estará recuperado... só mais três dias e posso sair desse quarto’. Inner colocou as mãos na cintura, os braços em forma de asa de xícara, e inclinou-se para encará-la. “Eu te disse que isso era loucura. Uh, por que não me ouviu?... Pelo menos, você conseguiu”.

 

 

A ninja não conseguia parar de admirar a beleza daquele lugar mágico, tudo parecia tirado de um conto de fadas. O melhor de tudo é que agora ela podia dar-se ao luxo de descansar.

 

 

 

 

Flashback on

 

 

 

A dois dias atrás ela relatou tudo o que sabia para Tsunade e Jiraiya. Ela decidira começar pela parte menos difícil (se é que existia uma) que era contar sobre a Quarta Grande Guerra e seu plano para impedi-la.

 

 

A Haruno também comentou que estava imensamente incomodada com a parte do plano que envolvia o contato com Madara Uchiha. Obviamente, ambos os shinobi espantaram-se em saber que o Uchiha ainda estava vivo atualmente.

 

 

Quando perguntaram à ela sobre o selo que a trouxera à época deles, Sakura suspirou profundamente e explicou-lhes que, pelo que pode inferir, o jutso de viagem no tempo não foi totalmente preciso e aparentemente lhe enviou muito mais para trás no tempo do que o planejado pelos Hokages. A julgar que os Sannin ainda combatiam juntos e as informações da carta do Sandaime.

 

 

Os três não souberam dizer o que poderia ter dado errado. Para completar, Katsuyu não a reconhecera quando ela chegou. (Foi engraçado ter de apresentar-se novamente à lesma, algum tempo depois).

 

 

A aprendiz deu voz à todas as suas preocupações com relação ao membro ausente da equipe deles, mas ao final os informou que ele assumiu o lado da Aliança. Jiraiya e a Senju alegraram-se genuinamente, mas exigiram que ela contasse tudo para que pudessem entender o que o fizera mudar de trajetória.

 

 

Os três concordaram que poderia haver chance de mudar Orochimaru sem que tudo isso tivesse que acontecer. No entanto, ninguém tinha ideia do que fazer, então, por enquanto ele permanecia perigoso.

 

 

Muitos pontos da conversa foram pulados porque os ninjas concordaram que saber sobre seus destinos não seria inteligente no momento. Sakura ficou aliviada com essa decisão, mas odiou quando Tsunade entrou em seu quarto um dia depois decidida a saber de tudo.

 

 

Falar da morte de Dan e do futuro de Jiraiya, fora a experiência mais torturante pela qual ela passou. Quando os olhos da Senju começaram a brilhar com lágrimas sendo seguradas, a aprendiz decidiu que, se pudesse, teria se atirado daquele galho novamente só para não precisar ter essa conversa.

 

 

Sakurs se esforçou apenas quando Inner disse que sabendo de tudo, desta vez, a Godaime não o deixaria ir. A médica de 16 anos contou tudo o que sabia até o confronto com Pain. A loira derramava lágrimas doloridamente e escondeu o rosto com as mãos muitas vezes durante a conversa, mas prestou atenção a tudo.

 

 

A menina quis abraçá-la, mas em vez disso a Senju levantou-se do lugar que ocupava na ponta de sua cama e saiu a passos rápidos dali dizendo apenas “Eu volto”. A ninja do time 7 enxugou seus próprios olhos e se recompôs, aguardando pacientemente que até que a loira se acalmasse.

 

 

A Senju retornou minutos depois recomposta também, mas seus olhos ainda vermelhos gritavam a dor que ela tentou abafar antes de voltar do cômodo ao lado.

 

 

Na esperança de alegrá-la, a jovem médica começou a falar sobre as travessuras do Sábio dos Sapos, arrancando risadas e sorrisos acompanhados de olhos cor de mel brilhantes. Olhando bem no fundo deles Sakura viu que as velhas barreiras da experiente Senju Godaime Hokage de Konohagakure no Sato ainda não existiam.

 

 

Ali estava uma jovem mulher esperançosa e apaixonada. Um coração tão cheio de amor por todos que, aparentemente, não era capaz de entender o que sentia, o quanto sentia e por quem sentia.

 

 

Sakura teve certeza. Tsunade amava Jiraiya e Dan ao mesmo tempo.

 

 

As duas riram muito das histórias sobre o treinamento de Naruto. Foi assim que moça de cabelos róseos se lembrou de perguntar se Jiraya já havia espionado a neta de Hashirama nas termais. Ambas riram sonoramente e as lágrimas de tristeza já não existiam sendo trocadas pelas de felicidade.

 

 

Tsunade tendo comentado que isso ainda não acontecera, juntas elas teorizaram que esse episódio poderia ser adiantado já que desta vez Jiraiya seguiria com eles para Iwa.

 

 

O Sábio era muito previsível, ele faria de tudo para desviá-los do trajeto levando-os para o País das Fontes Termais ‘para recuperar e equilibrar as energias antes de retornarem ao campo de batalha’.

 

 

Nesse momento, nem mesmo Orochimaru se oporia a isso totalmente já que o trio combinara (antes da chegada de Sakura) de fazer uma parada para descanso e comemoração, tão logo tivessem um bom motivo. E de fato a vitória sobre Suna e Ame era o caso.

 

 

“Desculpe a curiosidade... A senhora não precisa responder se não quiser. Eu não quero parecer intrometida ou insensível... Você já sente algo por ele, shishou?... por menor que seja?”

 

 

Tsunade, que voltara a ter algumas lágrimas não derramadas, sorriu em um misto de tristeza e rubor que Sakura achou incrivelmente romântico e fofos.

 

 

“40 anos e aquele idiota não desistiu de mim?”

 

 

“Há! Ele era um pervertido, mas nós víamos como ele a amava. Secretamente todos torcemos por vocês. Foi ele, junto com Naruto, quem a trouxe de volta para que a senhora fosse Hokage. Ele havia rejeitado o cargo pela terceira vez e afirmou que ninguém era mais bem qualificada do que a senhora para tal... Quando se foi, ele a deixou bêbada e em um banco, chorando. Vocês haviam apostado e...”

 

 

“E eu ganhei a aposta de que ele não retornaria, não é?” Tsunade falou em voz chorosa.

 

 

“Sim, Tsunade-sama” Sakura também não pode segurar as lágrimas.

 

 

“Isso não será assim. Eu não perderei mais nenhum de meus camaradas!” A Senju fechou as mãos em punho sobre a coxa e então riu timidamente limpando as lágrimas de sua bochecha. “Hum... talvez eu lhe desse os três menininhos e a menina, se eu não tivesse me apaixonado por Dan”.

 

 

“A senhora prestou atenção então?!” Sakura riu colocando as mãos em frente a boca.

 

 

“Não posso negar que estremeci quando ele disse que nossa lua de mel seria quente”. As duas ruborizaram, sentindo-se como adolescentes falando sobre meninos.

 

 

“Por isso a senhora o acertou com aquele tapa?!”

 

 

“Aquele idiota sabe ser constrangedor e sedutor ao mesmo tempo quando quer” Tsunade desviou o olhar.

 

 

“Shishou! Então a senhora tem sentimentos por ele!?”

 

 

“Eu não sei. Convivemos a tanto tempo que o vejo como parte de mim. Não parecia necessário saber o que sinto por ele. Ele sempre está ali, tão perto que parece que sempre seria assim... Ou eu pensava que seria.”

 

 

“Compreendo, acho que o tempo lhe dirá”.

 

 

 

 

Flashback off

 

 

 

[...]

 

 

 

“Só mais amanhã, mais um dia e poderei sair dessa cama”. Ela murmurou ainda de olhos fechados, após despertar. Sakura de repente achou ter ouvido pessoas correndo do lado de fora de seu quarto, então resolveu abrir os olhos.

 

 

‘Seja lá quem for, já está longe lá fora’ pensou e então mexeu-se para recostar-se em seus travesseiros. Quando trazia as mãos para se amparar e pegar impulso sentiu que amassara algo feito de papel e com pontas. Sem olhar aquilo, ela fechou o punho e trouxe o objeto para seu campo de visão.

 

 

Seus olhos se arregalaram quando viu que alguém deixou uma rosa de papel do seu lado em sua cama. De imediato, madeixas azuis e olhos âmbar lhe vieram a mente, com um nome. ‘Konan’.

 

 

‘Eles estão aqui!’ A moça de cabelos rosados imediatamente cintilou seu chakra para avisar que estava acordada. Ela ansiava que sua sensei e o sábio viessem lhe apresentar seus novos hóspedes. Mas, foi com grande surpresa que os sons de corrida infantis foram ouvidos novamente, desta vez para dentro da casa. Minutos depois, a porta de seu quarto foi aberta cautelosamente, revelando uma cabeleira laranjada.

 

 

Olhos infantis a fitaram maravilhados. “Foi a senhora que fez isso, ninja-sama?”

 

 

“Você, sentiu?”

 

 

Ele acenou balançando a cabeça vagarosa e inocentemente “Nagato também”. Sakura admirou-se. ‘Dois sensores’. “Vocês são talentosos Yahiko-san. Venha, pode entrar!”

 

 

A porta abriu-se mais e ele começou a andar timidamente em sua direção revelando em seguida uma cabeleira azulada e uma tão vermelha quanto o aço sendo forjado. A rosada sorriu para eles. “A propósito, podem me chamar de Sakura. Sem o honorífico, só Sakura”.

 

 

“Podemos te chamar de Sakura-chan?” Konan perguntou timidamente e Nagato e Yahiko olharam dela para Sakura em expectativa.

 

“É claro que sim!” Três grandes sorrisos desenharam-se instantaneamente em seus rostos. “Ah! Muito obrigada pela flor Konan. Desculpe, eu amassei sem querer quando acordei. Você faria outra para mim?”

 

“Sim!”

 

Sakura sorriu em retribuição para ela e ia agradecer quando foi interrompida bruscamente por um Nagato ainda mais tímido do que Hinata. “Como você sabe os nomes de todos nós, se quando chegamos estava dormindo?”

 

 

“Eu sei muitas coisas, querido.”

 

 

“É verdade que você caiu e bateu com a cabeça enquanto corria pelas árvores, só para poder nos trazer aqui?” Konan chamou sua atenção.

 

 

“Hn. Quem te contou isso?”

 

 

“Jiraiya-san explicou para a gente e disse que deveríamos vir ver como você estava”. Yahiko respondeu por ela.

 

 

“É mesmo verdade?” Nagato refez a pergunta e pela primeira vez o Rinnegan não lhe pareceu assustador, apenas... esperançoso.

 

 

“Sim, é verdade. Quero cuidar de vocês. Nós três queremos”.

 

 

Sakura tomou um susto quando Konan pulou em seus braços, seguida por Yahiko e Nagato todos com um sorriso. Os dois últimos timidamente, é claro.

 

 

“Me ensina a ser uma grande ninja como você e a sua sensei, Sakura-chan?!” Konan a olhou de seu abraço com âmbares brilhantes.

 

 

“Kami, eu sou mãe!” Inner colocou uma mão sobre o coração. “Se você quiser, Konan-chan.”

 

 

[...]

 

 

“Vejo que vocês já fizeram uma amiga” Jiraiya falou interrompendo a sessão de perguntas das crianças sobre ‘coisas ninja’. O Sannin achou incrível a forma como as três estavam comportadamente sentadas em linha sobre almofadas, ao lado da cama de Sakura. Ele percebera que eram muito mais maduras se comparadas as da mesma idade nascidas em Konoha, mas que a inocência era maior. Ou talvez fosse a esperança?

 

 

Todas olharam para ele e acenaram com a cabeça, sorridentes. “Vocês podem sair, por um momento para que eu e Tsunade falemos com a Sakura-san?” O alaranjado relutou um pouco, visivelmente desconfiado, mesmo assim foi o primeiro a levantar-se chamando os outros dois para segui-lo.

 

 

A Senju entrou logo que as crianças se foram e sentou-se ao lado de Jiraiya ao lado da cama da rosada. Sakura observou que eles não olhavam um para outro, mas estranhamente pareciam mais próximos. O que andou acontecendo no período em que estivera desacordada e enquanto apodrecia em sua cama?

 

 

Ela estava louca ou realmente viu Tsunade espiando-o com o canto dos olhos e ele fez o mesmo, momentos depois? “Iiiih... que climão! Que será que esses dois aprontaram, hein?” Inner cantarolou inclinada por cima de seus ombros.

 

 

Jiraiya iniciou a conversa. “Sakura, meus sapos encontram as crianças e nós as trouxemos para cá para podermos aplicar o selo em Nagato e porque, obviamente, não o levaríamos para Orochimaru em Ame...” Ela acenou em compreensão e ele continuou.

 

 

“Enquanto você esteve desacordada, conversamos muito sobre a ideia que me surgiu aquele dia e, somente a liberação de cristal (que não está acessível a nenhum clã de Konoha), poderia suportar as quantidades de chakra produzidas por Nagato.”

 

 

“Mas, vocês têm outra alternativa eu vejo.”

 

 

“Sim, diríamos que por um golpe de sorte. Ou seria... por uma queda de sorte?”. Jiraiya pareceu divertido.

 

 

Tsunade revirou os olhos e então o repreendeu. Sem fitá-lo, no entanto. “Foco, Jiraiya! Ou terei que explicar a sua parte também?”. O homem, sorriu um sorriso de canto de lábios divertido. “Kami!” Inner gritou nos ouvidos de Sakura e então falou pausadamente. “O – que – foi - isso?!” ‘Eu não sei, estou tão perdida quanto você’.

 

*

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[O trecho ocultado dessa conversa aparecerá em um flashback no capítulo 'A Cobaia Rosada']

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*

 

Tsunade foi quem a respondeu. “Nossa ideia é que você forme uma joia semelhante a que está com Dan agora. Três na verdade. Em seguida Jiraiya gravará em cada uma delas os selos que consegui com Mito-obaachan”.

 

 

 

[...]

 

 

 

O tempo passou, Sakura já estava melhor e as crianças cada vez mais felizes com a nova vida na floresta. Jiraiya-san e Tsunade-chan já haviam lhes informado que sua estadia ali terminaria assim que Sakura-chan estivesse curada e pudesse fazer o que eles pediram a ela.

 

 

Esse dia chegou rápido e agora as três crianças tinham uma decisão para tomar. Yahiko como o líder do grupo os puxou para o engawa nos fundos da residência para que pudessem discutir a proposta dos três adultos.

 

 

Os três sentados no chão, tinham os queixos quase tocando seus joelhos pelo tanto que estavam encolhidos. Um ao lado do outro, Nagato, a cabeça de cabeleira vermelha entre os dois, levantou a altura de seus olhos um cordão com três pingentes de jade cristal pintados com estranhos símbolos e palavras desconhecidas. Segurando o cordão apenas com as pontas dos dedos, os pingentes giravam refletindo a luz em todas as direções. Olhos roxos com Rinnegan estudavam os três prismas esverdeados com indecisão e curiosidade.

 

 

Seus dois companheiros olharam para ele após terem passado um tempo de silêncio com olhos fixos nas joias. “Não aceitaremos se você não quiser, Nagato”. Yahiko falou por primeiro.

 

 

“Sakura-chan e Tsunade-chan disseram que não há perigo. Eu confio nelas”. Konan acrescentou baixinho.

 

 

“Eu também confio, mas a decisão não é nossa. É do Nagato, Konan” Yahiko olhou dela para ele aguardando a resposta.

 

 

O menino, que não havia desviado os olhos das joias por um minuto sequer até aquele momento, quebrou seu contato visual com as pedras e girou a cabeça olhando de um companheiro para o outro. “Eles são bons para vocês, então vou confiar neles”. O ruivo segurou o colar com as duas mãos e o colocou. Os três pingentes descansaram sobre seu peito sendo ocultados sob suas roupas em seguida.

 

 

Konan levantou-se de um salto, Yahiko e Nagato se levantaram mais calmamente em seguida. Os três dirigiram-se até os adultos, que os esperavam na frente da residência acompanhados da invocação a qual Yahiko referia-se como 'gosmenta' (esta era Katsuyu).

 

 

Minutos depois eles viram-se novamente em Ame, desta vez próximos ao que Jiraiya disse ser o seu abrigo para a noite.

 

 

Orochimaru pareceu sentir a presença do grupo e saiu para vê-los. Jiraiya logo entrou com eles. Tsunade e Sakura faziam o mesmo, após cumprimentarem o sannin que ficara em Ame. Este não se moveu desde que eles se encontraram, também havia respondido aos cumprimentos friamente. Ele não fez esforço algum em esconder a sua indignação com a presença das crianças e com Sakura.

 

 

A rosada passava por ele, seguindo a Senju para dentro do esconderijo, quando ele a segurou com força pelo braço e olhando-a, de uma forma que ela só podia descrever como aterrorizante, sussurrou entre silvos uma ameaça. “Descobrirei o que você está tramando e lembre-se, você não terá Jiraiya e Tsunade como babás para sempre.”

 

 

Sakura quando foi segurada pelo braço imediatamente preparou-se para revidar qualquer ataque da serpente. Como nada veio dele senão palavras ela decidiu escutá-lo e fez o seu melhor para não desviar os olhos dele segurando seu olhar raivoso. Ela construiu sua pose mais altiva e calma. Mas, seu interior se remexeu com a vontade de jogá-lo no chão e esmagar seus ossos com seu melhor soco. A med-nin deu tudo de si para controlar-se, respondendo apenas. “Não me subestime. Será seu último erro”.

 

 

Chapter Text

 

 

“Vou perguntar apenas uma vez, então prestem atenção: Qual de vocês têm o Rinnegan?”

 

 

Os dois meninos não responderam. Mas, olharam em desespero para Sakura ao seu lado. A médica estendeu o braço na frente deles, sinalizando que não deveriam se pronunciar. “O que é isso? Do que está falando? Porque ameaça inocentes Orochimaru-sama?”

 

 

Ele bufou sarcástico com a declaração dela. “Vocês me tomam por tolo. Muito bem, sinto que não fui claro o suficiente. Vamos ver se agora me entendem!” O shinobi ergueu a kunai e tomou impulso para golpear a menina de madeixas azuis no coração.

 

 

“Não!” Nagato gritou desvencilhando-se das mãos de Sakura e dando um passo a frente.

 

 

O homem freou a mão que segurava a kunai. “Muito bem, fale... se quiser que eu tenha piedade.”

 

 

“Sou eu... Sou eu quem você quer”. Retirou o colar com os três pingentes jade e imediatamente seus olhos esmaeceram do preto ônix atuais para os costumeiros anéis roxos ondulados do Rinnegan. Para enfatizar sua prova, o menino afastou com uma das mãos as madeixas vermelhas fogo da frente de seu rosto. “Está vendo?... Deixe-a e eu vou com você”.

 

 

Ao ver os olhos do menino, a serpente pareceu curiosa e espantada inicialmente. Mas, logo suas feições tornaram-se perversas. ‘Não é apenas uma lenda, afinal’. Ele concluiu. Sempre fora muito bom em ligar os pontos. Bastou uma única palavra sussurrada pela menina azulada durante seu genjutso.

 

 

Tinha sido um enorme trabalho, configurar uma ilusão e lançá-la sobre seu sono na primeira noite em que os três chegaram. Tudo isso, sem que os níveis de chakra no ambiente se alterassem a ponto de Tsunade notá-los. Oh sim! Orochimaru percebeu rapidamente que a Senju e os outros dois ninjas se revezavam para velar o sono dos órfãos e ironicamente foi isso o que lhe despertou a curiosidade por elas.

 

 

Sakura arregalou os olhos. “Nagato, não! Fique parado não vá até ele. Ele está mentindo. Deixe-me resolver isso. Eu prometo, não perderemos Konan!” O menino baixou a mão que segurava seus cabelos e balançou a cabeça em negativa para Sakura, todavia, mantendo os olhos na garota de madeixas azuladas.

 

 

O invocador de cobras a interrompeu com um silvo e em voz calma e maliciosa deu sua resposta. “É uma boa troca, comece a andar para cá rapaz”.

 

 

Orochimaru afastou um pouco a kunai da garganta de Konan e Nagato se pôs a andar na direção deles. Quando o avermelhado se colocou ao seu lado, o Sannin desvencilhou-se da menina jogando-a para frente. Ela caiu nos braços de Yahiko que estava ao lado de Sakura. O laranjado recebeu a menina, imediatamente a puxando para trás de si para escondê-la do inimigo.

 

 

“Achou mesmo que esconderia algo assim, por tanto tempo?”. O ninja puxou Nagato para frente de si apertando a Kunai em sua jugular, assim como fizera com Konan.

 

 

“Eu precisava tentar”. Sakura cruzou os braços, fingindo calma.

 

 

“Você é patética”

 

 

“Eu posso ser, mesmo assim você não o terá em suas mãos”. Ela cuspiu de volta.

 

 

O Sannin olhou para o menino em seu domínio e parecendo divertido silvou novamente mostrando sua língua bipartida para ela. “Me parece que você chegou um pouco tarde para salvar seu primeiro protegido em nossa época..., mas me diga: O que alguém como você planeja fazer?... se jogar de outra árvore? Sinto muito, eu não faço o tipo de coração mole, garota.”

 

 

Sakura sorriu largamente para ele. “Eu não preciso, com você ilusões são mais eficazes. Boa sorte tentando no encontrar”. A forma alaranjada de Yahiko pulverizou-se com uma fumaça branca revelando ser um clone de Sakura. O mesmo aconteceu em seguida com Konan e Nagato e ela mesma. Todos eram clones da médica.

 

 

 

Flashback on

 

 

 

Após o retorno de Jiraiya e da Senju com Sakura e mais três crianças a reboque, o grupo decidiu que deveriam dirigir-se para Konoha, antes de tudo. Deixariam as crianças sob a tutela de Mito-obaachan em seguida relatariam e mostrariam tudo ao Hokage para daí então voltar com Sakura para combater Iwa.  Com essa ideia discutida e aprovada eles retomaram a sua jornada, apenas com um curso diferente: Casa.

 

 

Orochimaru passou a desconfiar cada vez mais das crianças e da rosada. Durante todo o período de viagem, após a ameaça que Sakura recebeu, as coisas entre eles poderiam se comparar ao mar durante uma tempestade. Na superfície as ondas eram extremamente agitadas, já no profundo as águas eram calmas e passavam a sensação de normalidade. A garota juntamente aos outros dois Sannins estavam nas águas profundas... contudo, sentiam o conflito se aproximando.

 

 

Embora, na maior parte do tempo, essas sensações e impressões quanto as intenções da serpente fossem como os relâmpagos. Isto é, tão logo faiscavam eram instantânea e habilmente disfarçadas, sufocadas, reprimidas e extinguidas pelo preferido de Danzō.

 

 

A de cabelos róseos sentiu que jamais saberia quando seriam atingidos. Semelhante a situação antes da chegada de seus protegidos, ela não conseguia tempo a sós com Jiraiya e Tsunade. Apesar disso, tudo ainda era administrável.

 

 

Era o quarto dia de sua viagem, eles estavam a poucos quilômetros do centro mercantil de Tanzaku e a penúltima parada dos ninjas foi feita. Jiraiya, Sakura e Tsunade sempre se revezavam em vigia às crianças durante as duas madrugadas em que pararam para descansar nas poucas cavernas em seu trajeto... e nesta não seria diferente.

 

 

O início da madrugada estava mortalmente silencioso no turno de Jiraiya. À volta dele todos dormiam, não havia nada, nem sequer um inseto caminhando ou voando nas redondezas. Já abaixo da terra, as coisas eram completamente o oposto. Dezenas de minúsculas serpentes se esgueiravam para perto de cada habitante daquela caverna. Seus sinais de chakra praticamente indetectáveis, mesmo para o melhor dos sensores.

 

 

Felizmente, Sakura e seus dois aliados tinham um sinal para acionar seu plano durante a viagem discretamente. O sinal já havia sido dado no segundo dia de viagem, no momento do jantar. A kunoichi rosada errou propositalmente a medida de sal ao preparar o jantar deles e sua sensei a repreendeu, afinal ninguém desejaria sofrer de ‘pressão alta’. A rosada respondeu afirmando que, devido a sua inexperiência na cozinha, precisaria da ajuda da loira para ‘ajustar as medidas da próxima vez’ que preparasse aquele prato.

 

 

A partir desse dia, as crianças não estiveram mais na presença de Orochimaru durante a noite, apenas kage bushins de Sakura ou de Jiraiya transformados com um henge. Substitutos para cada uma delas. Cada um possuía dois selos, um selava o chakra original (do criador) e o outro liberava a essência da criança representada no henge. Um plano simples, entretanto, poderosamente eficaz de acordo com o maior mestre em Fūinjutsu vivo do mundo shinobi, Uzumaki Mito.

 

 

A kunoichi rosada e dois clones (de Jiraiya ou Tsunade) pernoitavam com as crianças reais em afastados do abrigo oficial e de dia trocavam com os impostores no momento do banho. O local escolhido nessa noite situava-se a 5 Km distante da caverna em que os Sannins se abrigavam.

 

 

Então, quando as memórias do clone espião de Sakura a atingiram tirando-a de seu sono, ela despertou já com doses altíssimas de adrenalina em sua corrente sanguínea. Pois soube que seus dois aliados haviam sido imobilizados por um veneno e que Orochimaru descobrira sobre o Rinnegan.

 

 

Para sua sorte, durante a estadia na floresta das lesmas Sakura, Tsunade e o Sábio dos Sapos tinham se precavido imaginando todo tipo de situações de risco envolvendo Orochimaru, bem como soluções para as tais.

 

 

Sendo assim, seus bushins disfarçados de crianças e dela mesma tentaram ganhar tempo para que ela fugisse com seus protegidos.  O substituto de Konan, deixou-se até ser feito refém pela serpente! Sakura queria ser tão boa em atuação quanto seus clones e isso era hilário porque eles deveriam ser suas réplicas, portanto como poderiam ser melhores do que ela em alguma coisa?

 

“Eles não assim tão bons. Na verdade, acho que nos causaram mais problemas. Foi uma enorme burrice mostrar a Orochimaru que é Nagato quem possui Rinnegan” Inner se manifestou. ‘Ele já sabia da existência dos olhos. O que eles deveriam ter feito? Salvado Nagato e mentido que os olhos eram de Konan? Os três são igualmente indefesos, não faz diferença quem ele iria perseguir. Pelo menos os outros dois estão mais seguros’.

 

 

Inner levou a mão a testa exasperada. “Exterior, você perdeu metade dos seus miolos quando bateu com a cabeça? Os bushins poderiam ter fingido que era você quem tinha o Rinnegan e nenhum dos órfãos seria perseguido agora!”

 

 

A Haruno murchou. ‘Você tem razão..., mas, mesmo assim ele não acreditaria que os olhos são meus. Pois nunca usei selos para desativá-los. Cheguei aqui só com as roupas do corpo. Quando descobrisse Orochimaru os perseguiria do mesmo jeito.’ “É verdade, mas até lá eles estariam bem longe, talvez a salvo em Konoha já. E para isso ele precisaria passar por você primeiro Exterior”. A rosada ergueu as sobrancelhas zombeteira. ‘O que não é um desafio para alguém como ele’.

 

 

“Não se subestime, você enfrentou Madara e Kaguya”

 

 

‘Tive ajuda’.

 

 

“Você está sozinha, mas têm uma carta na manga ainda... um coringa... você vai conseguir. Levanta esse ânimo!”

 

 

‘Obrigada Inner’

 

 

Em total estado de alerta, ela iniciou o plano de fuga combinado e repassado intensivamente no Shikkotsu: Convocou um clone para ajudar os Sannins que ficariam na caverna e mais dois partiram com a Konan e o Yahiko verdadeiros. Sakura garantiu que as duas crianças estivessem com seu chakra selado para ocultação em caso de rastreadores. Os clones que os levaram tomaram caminhos diferentes, porém, com o mesmo destino: Konoha. O perigo para eles menor agora, já que o alvo estava nas costas do ruivo.

 

 

Outros vários clones seus usaram henges disfarçando-se como o trio infantil, desta vez com os selos de liberação do chakra deles para confundir a percepção sensorial do Sannin. Cópias exatas de Sakura e dos órfãos espalham-se para todas as direções. Algumas indo cada vez mais para o interior do País do Fogo, para a Aldeia da Grama, Aldeia da Cachoeira ou de volta a Amegakure.

 

 

 

Flashback off

 

 

 

 

“Moça ingênua. Acha que com truques baratos me manterá longe dos meus objetivos”.

 

 

O Sannin convocou de suas serpentes brancas e ordenou “Encontrem qual delas é a verdadeira e se puderem, lhe entreguem meu presente...”. Fez uma pausa reflexiva, acrescentando em seguida “E ao garoto também”.  Quando as invocações se foram ele sorriu internamente ao pensar. ‘Apesar de que... eu adorarei caso tenha de entregá-lo pessoalmente...’

 

 

Fitou em seguida, seus dois companheiros de equipe adormecidos. Fora ridiculamente fácil, inocular em ambos o veneno da salamandra pelas presas de suas serpentes. Para ninjas, eles eram demasiadamente ingênuos. Orochimaru sempre os avisou disso. Agora, pagavam o preço de sua confiança gratuita. Quando acordassem teriam suas memórias moldadas por suas ilusões. Realidade e delírio se misturariam para então a sua versão dos fatos aparecerem como as ‘memórias mais consistentes, logo as mais críveis’.

 

 

Ao adicionar um genjutso de cinco camadas sobre seus camaradas, o shinobi, conseguiria encobrir seus passos. Em todas as camadas, a história seria cada vez mais perfeitamente arraigada na mente de seus alvos:

 

 

Os três ninjas percebiam-se envenenados (inclusive o próprio) por seguidores de Hanzō...Sakura, a pupila brilhante de Tsunade, conseguia libertar-se do veneno e lutar com os ninjas inimigos. O líder do ataque tomaria Konan como refém e Nagato revelaria o segredo de seus olhos para salvá-la. A garota de cabelo rosa investiria contra o tal libertando Konan... e as crianças fugiriam com clones de Sakura para direções diferentes. Por fim, Orochimaru seria o próximo a libertar-se da paralisia, em seguida checando o estado de seus dois camaradas e avisando-os de que tentaria perseguir os ninjas de Hanzō e salvar Sakura e as crianças.

 

 

Um genjutso tão poderoso somado a um veneno paralisante tão lendário quanto o da Salamandra Negra do líder de Amegakure, certamente entorpeceria e confundiria os sentidos de qualquer ninja. ‘Mesmo se eu for descoberto por um deles, ou pelos dois, que seja... quem acreditará em dois shinobi dopados?... Sou tão digno de confiança quanto eles... não... com certeza mais do que eles’.

 

 

Ele de fato soube aproveitar a ausência de seu time para conseguir o antidoto de Lady Chiyo (que Tsunade mencionara) e modificá-lo. Agora o veneno da salamandra circulava nas veias e artérias de Orochimaru também, como prova de sua inocência, mas sem os efeitos colaterais. A alquimia era uma ciência deveras fabulosa... o veneno estava ali ainda, entretanto, inerte no seu corpo.

 

 

Mas, como medida de prevenção ele se certificaria de fazer vítimas por onde passasse. Esses seriam os ‘inimigos’ que ele e Sakura mataram por serem ‘seguidores’ de Hanzō. O líder poderia negar tudo e negaria obviamente. Todavia, bastaria apenas que os indivíduos mortos fossem culpados pelo ataque no lugar do Sannin das cobras.

 

 

Ah, as crianças? Essas infelizmente nunca mais seriam encontradas. Sakura? Ela nem sequer existia no tempo deles, Konoha não procuraria por elas. Jiraiya e Tsunade pensariam que ela provavelmente se foi com as crianças, se foi para o nada de onde saíra ou que os enviados de Hanzō as mataram.

 

 

A serpente construiu um álibe perfeito para si.

 

 

 

 

[...]

 

 

 

 

‘Quanto falta para amanhecer? Não deve ser quatro e meia ainda’. Enquanto corria com o Uzumaki a reboque a kunoichi se questionava tentando olhar o céu por entre as copas das árvores.

 

 

Duas horas saltando velozmente várias árvores de uma única vez em meio a densa floresta e eles ainda estavam muito distantes de Konoha. Infelizmente ela nunca teve o fôlego ou a agilidade de um shinobi experiente, aliás nem mesmo de um cão ninja como Akamaru.

 

 

‘Diabos, tenho apenas 16 anos, acabei de me recuperar de um acidente e estou carregando uma criança em minhas costas’. A rosada amaldiçoou seu estado e teve que parar. Ao menos ela não conseguia detectar a presença de seu perseguidor.

 

 

Essa era uma falsa sensação de segurança. Por que não percebeu que as coisas estavam quietas de mais? Uma floresta densa como aquela deveria ser tudo, menos silenciosa.

 

 

EA médica mal se recostou ao tronco de uma árvore com o menino ao seu lado e serpentes brancas começaram a despencar dos galhos sobre eles. Juntaram-se no formato de uma silhueta conhecida e extremamente indesejada.

 

 

“Como nos encontrou?” Sakura disse entre dentes cerrados e firmando seu aperto sobre Nagato, que agora estava acolhido entre seus braços.

 

 

“Ah! Isso? Não foi nada! Obviamente a verdadeira estaria protegendo o original. Questão de lógica”.

 

 

Sakura soltou Nagato e fez mais um clone das sombras mandando-o retirar-se junto do menino imediatamente. “Vá Nagato, meu clone irá com você e assim que puder, te encontrarei... Não pare!” Ela gritou, avançando contra o Sannin em seguida. A delicada mão em punho fechado carregada de chakra suficiente para abalar a área em quilômetros. Rosto jovem enraivecido e olhos verdes berilo fulminantes, ela saltou para seu oponente.

 

 

O bushin puxou o menino para suas costas e saltou para as árvores em uma corrida ninja desenfreada embalada por uma sinfonia de diversos sons que iam de rochas sendo esmigalhadas a árvores sendo arrancadas e arremessadas. Mais distantes, os dois puderam ouvir os estrondos da terra estremecendo e se partindo, não por um terremoto ou um vulcão, mas por socos infundidos com chakra e muita raiva.

 

 

 

 

[...]

 

 

 

O combate com o Sannin foi de longe o mais difícil que a cereja já teve. Enfrentar Sasori não tinha sido nada se comparado ao que ela estava passando nesse momento. A ninja médica usou uma árvore para dissipar seis clones de serpentes. Essas enxamearam a sua volta tentando picá-la e ela precisou continuamente saltar para um novo lugar.

 

 

O problema era que quando aterrissava, shurikens já a esperavam para que as desviasse com sua kunai. Socar a terra também já não adiantava depois que ele a transformou em puro lodo. Chegar perto dele para um soco bem dado estava cada vez mais difícil.

 

 

Sakura era notavelmente veloz e ela sabia disso por Tsunade, então não era surpreendente conseguir desviar-se de muitos dos jutsos lançados sobre si. Entretanto, foi com lisonja que ela constatou que o ninja procurava evitar o melhor que podia, a proximidade com ela em razão dos seus socos.

 

 

Todavia para seu azar, ela logo constatou que a serpente era tão hábil ou melhor que sua sensei em esquivar-se de suas investidas. O nível na luta subiu ainda mais e ela descobriu que não enfrentava alguém capaz de usar tantos elementos desde quando enfrentou Madara na guerra. Infelizmente para ela, Orochimaru demonstrou ser tão bom quanto Jiraiya e isso ainda era muito ruim.

 

 

O enfrentamento deles já durava uma hora e meia quando ela se viu empalada pela lendária espada Kusanagi. Uma das inúmeras convocações de serpentes a arremessou direto para seu ventre. Aconteceu quando Sakura desviava de mais um dos bushins criados recentemente pelo Sannin, evidentemente como forma de distração.

 

 

A rosada retirava a espada do ventre quando foi atacada pela retaguarda. Foi terrível, ver em suas memórias uma cena semelhante. ‘Kami, não!’ A médica levou suas mãos até a ferida infligida pela serpente e pode constatar a impressão ensanguentada de dois caninos peçonhentos.

 

 

Sakura acabara de ter seu pescoço perfurado pelas presas do Sannin. Ele cravou fundo seus dentes nela e se afastou recolhendo sua cabeça para cima de seus ombros novamente. Desde os exames chūnin que aquela cena jamais deixou de ser horrenda e nojenta para Sakura ao recordar o ataque a Sasuke.

 

 

Os dois ainda se encaravam quando uma sombra caiu sobre o corpo do Sannin prendendo-o com o rosto colado ao chão. O homem agora tinha uma kunai em sua garganta e seu braço esquerdo em suas costas com o punho torcido em uma direção dolorosamente nada normal. No silêncio da floresta a voz feminina firme de Senju Tsunade soou inflexivelmente “Eu te avisei para não tocar em minha pupila Orochimaru!”

 

 

Mesmo subjugado o homem zombou dela. “Você vai se arrepender de ficar do lado dela Tsuna... sempre tão ingênua. Acha que vai me vencer?”

 

 

“Veremos”. A Senju firmou um pé sobre a cabeça de seu companheiro de equipe, afundando-o ainda mais no lodo que ele criara anteriormente. Sakura achou a imagem docemente satisfatória.

 

 

“Fuja Sakura, mandei mensagem para Konoha, eles te encontrarão no caminho com Nagato. Este aqui é problema meu”.

 

 

A aprendiz, agora mais confiante, acenou em confirmação. “E Jiraiya-sama? Ele virá ajudá-la shishou?”

 

 

“Não, as doses inoculadas nele foram mais fortes. Jiraiya permanecerá imobilizado por um tempo ainda, mas ficará bem. Felizmente, meu parceiro aqui continua a me subestimar em força e em inteligência. Com o auxílio do seu bushin não demorei a extrair o veneno e quebrar o genjutso. Você pode deixar Orochimaru comigo. O Uzumaki não pode ficar sozinho, há muitos outros que adorariam colocar as suas mãos naquele poder. Agora, vá!”

 

 

Aparentando indecisão, sua aluna não se moveu. A loira, que fazia força em sua perna para segurar o ninja no chão, rosnou para ela. “Vá logo Sakura, você me desonra se acha que não posso lidar com meu companheiro de time. Que tipo de Hokage eu seria?!”

 

 

“Por favor se cuide shishou, ele é traiçoeiro!”. A jovem médica respondeu e desapareceu na floresta, saltando várias árvores de uma vez, em razão da pressa.

 

 

“Agora somos apenas nós e as nossas diferenças para acertar”. A futura Godaime puxou o braço que tinha sob seu domínio e o invocador de serpentes cerrou os dentes com o automático repuxar doloroso de seus músculos.

 

 

“Eu não tenho nada contra você, meus negócios são com ela. Saia do meu caminho Tsunade, ou sofrerá as consequências”.

   

 

“Bom, parece que alguém precisa te ensinar uma lição de humildade. E pensar que...” Ela sacudiu a cabeça com uma careta. “Nada. Isso é passado”. Então, desviou os olhos dele em direção a mata devastação causada pelo confronto dele com sua pupila. “Você caiu tão baixo Orochimaru”.

 

 

“Solte-me e vamos resolver isso logo”.

 

 

 

 

[...]

 

 

 

 

A med-nin agachou-se com as mãos tocando o chão para enviar seu chakra sensorial na intenção de rastrear o menino e seu bushin, quando percebeu que os problemas, de fato, sempre vêm acompanhados.

 

 

Perplexa, ela constatou que ao menos uma centena de inimigos poucos quilômetros a frente dirigiam-se a Konoha. Não era preciso pensar muito para saber quais suas intenções. Ela estendeu mais abrangência de seu chakra e constatou que por causa disso, seu bushin e o Uzumaki foram forçados a desviar seu trajeto para não serem detectados pelos shinobi estrangeiros.

 

 

Se trilhados até o fim, aqueles novos caminhos levariam ambos à Vila da Grama. ‘Tudo bem, eles apenas terão de procurar um atalho e rumar novamente para Konoha’. Tentou se confortar. Naquela altura os ANBU da aldeia, provavelmente já haviam sido acionados pelo Sandaime e encontrariam Nagato.

 

 

Tinham que encontrar.

 

 

A maior prioridade da rosada agora tornou-se frear a investida surpresa de Iwa. Pois isso ameaçava a toda a todos, inclusive seu pequeno protegido de cabelos cor de fogo. Com isso em mente, a ninja do time 7 levantou-se e correu para interceptar seus mais novos inimigos.

 

Antes, porém, forçou-se a liberar suas novas reservas de chakra e seu selo yin. Afinal, o presente das presas de Orochimaru já mostrava seus primeiros efeitos prejudiciais, espasmos e calafrios. Sem contar que propondo-se ao embate com dois regimentos shinobi de elite, ela não duraria 10 min com seus estoques normais de chakra. Infelizmente, era preciso aceitar que mesmo com suas novas reservas aquilo ainda significava suicídio.

 

 

Os heróis de Konoha deveriam ser mesmo Kamis. Pois enquanto corria ela não conseguia pensar apenas na honra que residia em morrer por sua vila. Seu espírito estava muito mais focado no terror de trilhar o caminho para a morte.

 

 

Em sua paisagem mental, Inner olho-a no fundo de seus olhos e pôs ambas as mãos sobre seus ombros. “Lembre-se do sacrifício dele. Sakura meneou a cabeça assentindo solenemente. “Asuma-sensei”.

 

 

 

 

 

Não, não era por honra que ela corria. Mas, para salvar ‘seu rei’.

 

 

 

 

[...]

 

 

 

 

Cabelos de algodão-doce lutaram arduamente contra o regimento de ataque Iwa. Uma terça parte já caíra por suas mãos quando a moça conseguiu tempo para enviar seu chakra e verificar novamente a localização de Nagato.

 

 

Seu coração palpitou e ela gelou... o equivalente ao dobro dos que ela enfrentava no momento estava agora vindo em direção ao órfão. Os patifes Iwa enviaram dois regimentos para atacar sua vila vindo de lados diferentes, não apenas um. Reforços, a merda de um regimento sobressalente e Nagato estava indo ao seu encontro e nada de ANBUs.

 

 

A rosada correu para encontrá-los, mesmo com toda a corja sobrevivente do primeiro regimento seguindo em suas canelas. Enfrentaria todos juntos, desde que o Uzumaki vivesse.

 

 

 

 

[...]

 

 

 

 

Encontrou o ruivo escondido em um cubículo de rocha maciça criado por seu bushin. Por sorte os ninjas inimigos ainda não haviam detectado a existência do menino, porém estavam perigosamente próximos. Ela seguiu para eles.

 

 

Os malditos ninjas Iwa, atacariam Konoha de surpresa se passassem por ela. A rosada não poderia deixar sua casa sofrer esse ataque, ela sabia que sua aldeia não possuía contingente suficiente para proteger os civis e revidar o ataque de dois regimentos inteiros ao mesmo tempo. Os melhores ninjas de Konoha estavam lutando nas fronteiras. O estranho é que ela não se lembrava de ter lido sobre tal ataque em seus livros na Academia. 

 

 

Talvez, fosse isso o que ela foi, de fato, destinada a fazer: Salvar uma única vida. A vida de alguém que se guiado pelo bom caminho poderia vir a ser o salvador, tal qual seu Naruto. Nagato viveria... e junto com Jiraiya e sua sensei cumpririam a missão dos Hokages.

 

 

Ela os enfrentou ferozmente. Contudo, tanto esforço cobrou seu preço acelerando a metabolização da toxina liberada pelo protótipo de selo que Orochimaru lhe aplicou com a mordida a horas atrás. O dia já amanhecia e seu corpo já tinha as extremidades arroxeadas e de vez em quando espasmos a faziam fraquejar o aperto quando segurava uma kunai ou lançava uma shuriken.

 

 

Felizmente, sua nova condição (descoberta no Shikkotsu) forneceu acesso a um estoque ilimitado de chakra e ela usou disso perfeitamente para obter vantagem. A única desvantagem é que não tivera tempo para treinar e aprender ninjutsus dignos de tanta energia.

 

 

Ela queria ter visto mais do Shodai, seria espetacular poder aprender com ele também. Ao liberar suas novas reservas, a kunoichi do time 7 sentiu que poderia lutar por horas a fio e não se cansaria. ‘Será que o Kami dos Shinobi se sentiu assim em sua primeira batalha?’

 

 

Pensamentos que não importavam mais, já que ela experimentava essa sensação pela primeira e última vez em sua vida, graças ao selo de Orochimaru.

 

 

Sua condição de saúde vulnerável não foi notada, entretanto, os estoques de chakra acessíveis para ela, sim. Os shinobi Iwa, finalmente, constataram que precisavam mudar de estratégia para vencê-la.

 

 

Quando quatro pelotões dispersaram a sua volta, em diferentes direções, ela temeu pelo tesouro escondido junto ao seu clone. Por causa disso a médica foi forçada a abandonar a sua linha de batalha novamente e correr atrás do pelotão que seguia na direção do pequeno Uzumaki.

 

 

Déjà Vu era definitivamente a palavra de sua vida...

 

 

 

Ou de sua morte...

 

 

 

A mudança de tática da Konoha-nin foi notada com muito interesse pelos inimigos. Obviamente, naquela direção existia algo a ser protegido por ela. Algo que, certamente, poderia lhes dar a vantagem na luta e derrubar sua resistência. É assim que eles concluíram que abririam caminho para Konohagakure e finalmente lançariam seu ataque surpresa ao Hokage.

 

 

Sakura perseguia, a alta velocidade, o pelotão que ia na direção de Nagato e atrás de si vieram todos os 110 Iwa restantes dos embates travados durante a madrugada. Os traiçoeiros foram realmente muito estratégicos ao se dispersarem. Um golpe de sorte, ela diria. Pois se estivesse sozinha não os perseguiria.

 

 

Entretanto, como tinha um amigo para defender, a médica precisou debandar. Não havia opções para ela. Se deixasse que os estrangeiros seguissem, o pelotão encontraria Nagato e o faria refém... assim como Orochimaru tentara com seu clone disfarçado de Konan... a médica não permitiria isso.

 

 

Sakura os alcançou próximo de um penhasco. O bunker de rocha que seu clone erguera para proteger Nagato quase desmoronara completamente e o menino estava acuado no que restara da construção. Os inimigos não hesitando em lançar sobre os dois poderosos jutsos baseados em suiton, doton e katon.

 

 

Até o Suiryudan no Jutsu (Técnica de projétil do dragão da água) do Nidaime e o Hōsenka (Técnica da Fênix Sábia de Fogo) de Sasuke eles usaram para investir contra o bunker quase despedaçado e seu clone.

 

 

 

 

[...]

 

 

 

Mais 2 h de confronto e mesmo com suas enormes reservas de chakra, a rosada agora não passava de um pequeno empecilho para o objetivo inicial de seus oponentes. De que adiantava ter o poder de uma besta de cauda e não saber ser experiente com ninjutso elemental de ataque?

 

 

Ou tremer as pernas quando ficava muito tempo parada? Sim, os Iwa acabavam de perceber os efeitos do selo de Orochimaru sobre ela. Tinha de haver algo errado, antes ela derrubou uma centena, agora nem mais um único dos 110 shinobi inimigo caiu depois que Sakura fugiu pela última vez para alcançar o órfão.

 

 

A terceira hora de confronto chegou e o bunker finalmente se despedaçou completamente. O bushin da med-nin então salta na frente do ruivo no intuito de protegê-lo de uma última rajada de katon. Ele fez isso levantando uma parede de água com uma técnica básica de suiton.

 

 

Se sobrevivesse ao selo de Orochimaru e aos ninjas Iwa, ela faria de sua segunda missão de vida aprender ninjutsu elemental com suas novas reservas.

 

 

A cópia de Sakura se desfez, mas com seu jutso estilo água obteve tempo suficiente para que o pequenino escapasse.  

 

 

O ruivo correu para mais perto da borda do precipício, ficando sem saída. Sakura o seguiu atingindo todos os ninjas que tentavam alcançá-lo.

 

 

Seus olhos já estavam irremediavelmente prejudicados, ela já não visão clara do ambiente. Ninjutso médico já não eram eficientes para aliviar os efeitos do selo sobre seus músculos e órgãos. A Haruno teve certeza de que se parasse de se mover, por um segundo sequer, ela desmaiaria tendo convulsões.

 

 

Seu corpo movia-se mecanicamente, por puro instinto protetor. Mesmo letárgica, a kunoichi rosada conseguiu alcançar o Uzumaki bem a tempo de o cobrir com seu corpo e evitar uma nova rajada de katon e shurikens.

 

 

Talvez, ela devesse ter pedido a ele que retirasse aquele colar, permitindo ao Rinnegan aflorar e pelos efeitos de seu medo invocar Gedō Mazō?

 

 

Não. Nagato não era uma arma e ela não era Obito ou Madara. Não o usaria. Ela veio para protegê-lo, não importava o custo. Além do que, já era tarde demais, ao menos para ela.

 

 

Quando a aprendiz de Tsunade se jogou sobre o corpo do Uzumaki, ela pensou ter ouvido os mesmos sons de quando retorcia e estalava as árvores para arrancá-las do chão. A médica esforçou sua audição para poder discernir aqueles sons, entretanto, um zumbido ensurdecedor inundou sua mente e ela caiu de sobre o menino.

 

 

Estirada no chão, apenas viu entre olhos semicerrados a pequena sombra do ruivo curvar-se sobre ela, amedrontada. Ela pensou ter visto, a boca de Nagato abrir-se em um grito. Por que tudo escureceu em suas vistas? Era mesmo madeira que ela ouviu antes? Talvez ela nunca saiba, pois não havia nada audível ou visível agora, apenas aquele maldito zumbido estridente dentro de sua cabeça e breu em seus olhos...

 

 

 

Por fim, a pupila da Senju se foi.

 

 

[continua...]

 

Chapter Text

 

 

Sua consciência pareceu retornar. A kunoichi sentiu como se estivesse despertando de uma noite de sono leve e revigorante. Contudo, ainda sentia como se estivesse no mundo dos sonhos.

 

Então, veio ao fundo de sua mente aquele mesmo zumbido de antes, porém, muito mais baixo e menos agressivo. Estava se afastando cada vez mais até que parou e de repente o silêncio, como se seus ouvidos tivessem sido tampados. A sensação não durou muito, pois, logo uma voz infantil suave e preocupada chamou-a para a realidade.

 

 

“Sakura-chan! Sakura-chan!”

 

 

Essas palavras ecoaram em seus ouvidos e ela sentiu duas mãos em seus ombros e cabelos roçando em suas bochechas. O aperto em seus ombros aumentou e suas costas esfregaram com o chão. Ela estava sendo sacudida?

 

 

A voz voltou mais abafada. “Sakura-chan! Sakura-chan! Acorde!... Você precisa acordar... por favor!”

 

 

‘Nagato?’ Sua consciência pareceu dissolver-se e ela não conseguia mais raciocinar para saber se tinha sido mesmo a voz dele que ouvira.

 

 

Voltou à inconsciência.

 

 

Não sabia quanto tempo depois, mas seus olhos entreabriram-se e ela teve a sensação de que estava debaixo de galhos de árvores sem folhas. Galhos nus entrelaçados como se fossem um cesto, Sakura pode discernir inclusive que formavam uma estrutura arredondada.

 

 

Ela e Nagato estavam dentro de uma espécie de cúpula formada por galhos emaranhados. Quase teve certeza de que era noite pelo tanto que o interior daquele ‘abrigo’ era escuro. Mal discernia a silhueta do pequeno Uzumaki.

 

 

Mas, então a sua visão foi iluminada por uma luz laranja-avermelhada crepitante. Ou melhor, chamejante. Por entre os galhos emaranhados, a rosada pode ver rajadas poderosas de fogo sendo expelidas, ao que parecia de cima de seu abrigo de galhos.

 

 

Várias rajadas, imensas e avassaladoras rajadas de katon eram cuspidas por uma sombra que se movimentava calmamente sobre ela e Nagato. Sakura constatou que de fato havia uma pessoa, ou melhor, um shinobi postado em pé do lado de fora sobre a cúpula de galhos e esse shinobi cuspia fogo como um vulcão cuspia lava.

 

 

Se era homem ou mulher não dava para enxergar, mas ela pensou ter visto uma silhueta conhecida. Delírio provavelmente.

 

 

A rosada tentou movimentar-se, todavia, nenhum de seus músculos respondeu. Mau respirava. Se lembrou então de Nagato e escaneou o que pode com seus olhos encontrando o menino quase fora de sua visão periférica. O Uzumaki estava sentado no chão próximo à parede da ‘cúpula de galhos’ com os braços rodeando os joelhos. A cabeça, contudo, não estava abaixada, nem ele parecia assustado, mas... deslumbrado?

 

 

A Haruno seguiu curiosa a direção do olhar dele para descobrir o que o atraía e viu que os olhos de Rinnegan estavam deslumbrados com o show de luzes acima dele. De fato, um espetáculo de pirotecnia.

 

 

Voltou seus olhos para o menino novamente e tentou forçar palavras a saírem de sua garganta, suas cordas vocais também não obedeceram. Mau entreabriu os lábios, sua boca por sinal estava extremamente seca. Desejou a água desesperadamente.

 

 

Concluiu que perdera todos os sentidos novamente, até o tato recuperado durante seus poucos minutos de consciência anteriores. Ao menos ainda tinha visão.

 

 

O show de chamas não parou um segundo sequer. Seus pensamentos foram levados ao shinobi que estava de pé sobre o abrigo deles por causa disso. ‘Quem será?’ Indagou-se.

 

  

Não pode pensar na resposta porque sua audição retornou bruscamente com um estampido. De imediato o rugir das chamas lançadas por ele invadiu seus ouvidos.

 

 

Coisas metálicas, que a kunoichi pensou serem kunais e shurikens, colidiam continuamente com a estrutura de madeira. A maioria delas apenas caia das mãos do shinobi defensor, que com aparente destreza e monumental velocidade as repelia.

 

 

Aqueles modestos pedaços de metal choviam a volta dele e tocavam os galhos de seu abrigo de madeira. Mas, nunca caíam pelas frestas abertas. Será que, mesmo ocupado com sua luta, o shinobi estava cuidando para que não atingissem Sakura e Nagato?

 

 

A próxima coisa que ela percebeu, foram gritos... Muitos gritos. Gritos de ordem, gritos de ódio, gritos de todas as naturezas, mas principalmente gritos de homens apavorados. Ninjas Iwa apavorados.

 

 

Mesmo assim, as chamas rugiam ininterruptamente.

 

 

Até que...

 

 

“Katon: Gouka Mekkyaku”

 

 

Uma última onda de chamas rugiu longamente. O estrondo do fogo varrendo e consumindo tudo que tocava foi aterrador.

 

 

Então os gritos pararam.

 

 

Silêncio, nada menos do que mortal se fez por alguns milissegundos até que uma melodia começou a embalar seu espanto, o som da floresta ardendo em chamas.

 

 

Então... novamente aquela voz. “Suiton: Suishōha” (Colisão da Onda de Água).

 

 

Era um homem. Pela voz grave trovejante, era definitivamente um homem.

 

 

Um único homem lançou um tsunami de fogo incendiando todos os seus inimigos de uma só vez e tudo a sua volta. Esse mesmo homem, em seguida apagou tudo com a técnica que talvez seja o mais poderoso jutso de suiton já criado no mundo shinobi. Um jutso que pouquíssimos ninjas de elite poderiam utilizar além do próprio criador... ninguém mais ninguém menos que o Nidaime Hokage, Tobirama Senju.

 

 

Independentemente de quem era. A ninja cor de rosa concluiu que seu salvador deveria ser um shinobi de poder sem precedentes. Algo a ser visto, admirado e muito provavelmente... temido.

 

 

Sakura tinha afundado em seus pensamentos quando percebeu que o dito ninja saltava de cima de sua plataforma, vulgo “ninho de galhos invertido”. O pouso dele no chão foi tão magistralmente leve que nenhum som pode ser ouvido, nem o solo vibrou com sua aterrissagem. Um shinobi de elite treinado e hábil em batalha.

 

 

Mas quem era?

 

 

Do lado de fora, o shinobi olhou a sua volta. O fogo de seu último jutso foi completamente apagado e o que restou da floresta estava limpo dos corpos de seus oponentes.

 

 

‘Desperdício de chakra. Ao menos a terra foi limpa de sua existência miserável’. Pensou dando uma última olhada o mais fundo na floresta que podia e então captou uma presença. Duas na verdade, pois a primeira estava sendo seguida.

 

 

O primeiro indivíduo locomovia-se rapidamente e possuía uma energia maliciosa fluindo. ‘Nojento’. O shinobi pensou e então voltou suas habilidades sensoriais para analisar o segundo, o perseguidor. Este possuía uma essência muito familiar, nada de maléfico ou malicioso, mas inegavelmente raivoso e... verde.

 

 

O ninja cruzou os braços e suspirando virou-se para a cúpula de madeira que estivera protegendo até minutos atrás. Analisou a estrutura calmamente. Quanto mais via, mais sua curiosidade se intensificou. Até que não pode evitar descruzar os braços em curiosidade e arrastar a ponta dos dedos da mão direita sentindo as rugosidades da madeira. “Isso é muito primitivo e voraz, mas inegavelmente é a sua essência”. Refletiu em voz baixa e contemplativa. Seus olhos também tinham uma sombra de tristeza e saudade, mas logo tornaram-se duros. Isso foi quando olhou a sua esquerda para o chão.

 

Uma figura emergiu lentamente do solo, ao seu lado. “Você disse que ele está aqui dentro. Por que quase não sinto sua presença? Foi ferido?”

 

 

A figura balançou a cabeça em negativa. “Ele foi selado, meu senhor”.

 

 

‘Interessante’. “Hn”. Respondeu simplesmente e voltou seu olhar para a construção concava. ‘Vamos ver então’. Retirou suas luvas e tocou a madeira bem no alto da cúpula. Imediatamente os galhos começaram a retrair-se voltando para o solo e desemaranhando-se.

 

 

Mais da metade da cúpula havia se desfeito quando ele pode ver claramente seu interior iluminado pela luz da manhã. Fitou imediatamente olhos ônix infantis maravilhados e ao mesmo tempo temerosos... e ao seu lado, estirado ao chão um corpo esbelto feminino de uma ninja claramente inconsciente. Olhos cerrados, não revelavam sua cor. Mas, também não precisavam, não para ele.

 

 

Os olhos do homem foram imediatamente levados a um passeio pelo buquê de flores de cerejeira desfiado. Ele suspirou. “Rosa, mas é claro que é”. Estavam mais curtos do que se lembrava, mas ainda presos ao rosto angelicalmente delineado e infernalmente enrustido de fraqueza e ingenuidade. Fraqueza e ingenuidade são adjetivos jamais atribuídos por ele a ela.

 

 

“Desculpe interromper seus pensamentos, mas eles estão se aproximando, meu senhor. O que desejas fazer?”

 

 

O shinobi olhou para ele e então saltou para dentro cúpula assustando o Uzumaki. Ele colocou-se em pé ao lado do corpo da mulher e olhou para a figura de seu subordinado. “Aguardarei meu adversário aqui. Não machuque a mulher, apenas a segure”. Disse isso e tocou novamente a estrutura de galhos, esta começou a alongar-se e emaranhar-se, voltando a forma concava original.

 

  

A escuridão no interior da estrutura se fez novamente e ele ativou seus olhos fitando o garoto. “Permaneça em silêncio até que eu diga que se manifeste. Silêncio. Entende o que quero?”.

 

 

“Sim, ninja-sama”.

 

 

“Hn. Não me faça ter que te calar caso tente gritar, não gostará se eu o fizer garoto”.

 

 

No escuro do abrigo, o menino arregalou os olhos em espanto para o homem de olhos vermelhos. “Não gritarei, ninja-sama”.

 

 

“Ela é sua guardiã?”

 

 

“Sim, ninja-sama”

 

 

“Bom.” ‘Era de se esperar, não mudaste nada’ refletiu sorrindo internamente. “A partir de agora silêncio, não se mexa... muito menos fale ou grite.” O menino assentiu em meio a escuridão. Mas, por seus olhos o homem viu a confirmação do Uzumaki, então olhou para baixo, mais uma vez fitando a kunoichi.

 

 

O shinobi de cabelos negros não esperava, mas ela naquele exato momento inspirou longamente retomando parcialmente a consciência e abrindo os olhos entrecerrados em sua direção.

 

 

Sakura sentiu novamente a sensação do solo gelado abaixo dela. Sua consciência retornando como se flutuasse no vazio. Tentou mexer a mão e seus dedos se retraíram fracamente arranhando a terra abaixo de si. A necessidade de ar a invadiu e ela inspirou desesperadamente o que podia de ar. Então finalmente, seus olhos criaram força para entreabrir-se. Desta vez não foi apenas a escuridão de seu ninho de madeira que ela viu.

 

 

Seu coração errou uma batida quando dois rubis sangue a fitaram. Com o pouco de consciência e calma que conseguiu reunir, ela forçou suas vistas para enxergar mais nitidamente e poder contar os três tão desejados tomoes sharingan. A médica quis sorrir, mas sentiu sua testa queimar febril, seus músculos e sua cabeça inteiros doeram. Sua consciência estava fugindo novamente. Mesmo assim, nos últimos segundos conseguiu balbuciar fracamente em voz entrecortada para ele. “Sa-su-ke?”

 

 

Mesmo se tivesse sido respondida a médica não ouviria a resposta do outro, pois, desmaiou novamente assim que pronunciou o nome de seu companheiro de time.

 

O dono dos rubis sharingan não esboçou reação alguma, apenas desviou seus olhos dela para o teto da cúpula de madeira. “Mangekyo Sharingan”. Pronunciou e seus olhos mudaram preguiçosamente para seu novo arranjo. Então, cruzou os braços e se pôs a esperar calmamente por sua presa.

 

 

Não esperou muito porque cinco minutos depois o abrigo de galhos foi atingido por uma técnica de shurikenjutso no estilo moinho de vento demoníaco, sem efeito porém. O ninja do lado de fora mudou de tática e retornou atingindo o abrigo com projéteis de terra e de água, criados por jutsos dos estilos suiton e doton, estes sem efeito também. Por último, o shinobi do lado de dentro teve a impressão de que o ser do lado de fora tentava incessantemente golpear os galhos com uma espada.

 

 

O de olhos rubi sangue sorriu divertido ao escutar o outro ofegar e soltar ameaças para a kunoichi rosada e o garoto. Se ele pudesse sentir o chakra de quem o aguardava do lado de dentro, desejaria nunca ter tocado nesses galhos.

 

 

Por fim, o homem do lado externo saltou para o alto da cúpula e postando-se bem ao centro da abóbada e com as próprias mãos infundidas de chakra começou a desentrelaçar os galhos e abrir passagem para dentro.  Na certa, ele sabia que a garota já estaria desmaiada e o garoto só. De outra forma jamais planejaria acessar o abrigo justamente pelo topo, o ponto de maior exposição. O que quer dizer que fora ele o causador do sofrimento da garota.

 

 

‘Fraco’, era isso que o shinobi de olhos vermelhos pensava de todos que precisavam envenenar suas vítimas para poderem se sobressair. Patifes como esse o enojavam.

 

Quando, finalmente, o invasor projetou seu rosto com uma língua bipartida saindo de sua boca para dentro do abrigo, ele arregalou os olhos e engoliu seu silvar ao encarar dois magekyos sharigans girando furiosos. Então, uma única palavra soou na escuridão.

 

 

“Tsukuyomi”    

 

Chapter Text

 

Relato por Orochimaru

 

Eu revivi meus piores pesadelos milhares de vezes seguidas, até constatar que não haviam se passado dois dias completos depois que vi aqueles olhos vermelhos. Acho eram um tipo de sharingan. Seriam os olhos das lendas? Aqueles que somente os prodígios do clã Uchiha eram capazes de despertar? Será que vi o temido Mangekyou Sharingan?

 

 

“Ahhhhhh, ahhhhhhhhh, Argh maldito!”

 

 

Agora me encontrava esticado sobre uma mesa. Mãos e pés atados. A minha volta dezenas de clones daquele Uchiha de cabelos compridos e cada um deles com uma kunai em suas mãos. Olhei para seus rostos e todos eles sorriam sadicamente. O que viria a seguir? Será que novamente me fariam a mesma pergunta? Aquela que ouvi milhares de vezes naqueles dois dias?

 

 

“O que você quer com ela?”

 

 

Sim. Todos os clones me fizeram a mesma pergunta em uníssono. Não vou dar o braço a torcer. Pensarei em alguma coisa, me libertarei desse maldito genjutsu.

 

 

“Você ainda acha que está num genjutsu?” Um dos clones me indagou sorridente e os outros, não menos divertidos, me fitaram aguardando minha resposta.

 

 

“É claro que estou...” Nem terminei de falar e todas as cópias infames desataram a rir.

 

Riram por um longo tempo, troçavam da minha situação e da minha ‘ignorância’. Eu entendi seus objetivos, queriam me humilhar também. “Não será assim tão fácil. É preciso muito mais do que uma ilusão para abalar minha mente. Não sou fraco como meus companheiros de time”. Falei firmemente.

 

 

Quando me ouviram, eles pararam. A sala ficou quieta por um segundo, então os vi cruzar os braços, todos ao mesmo tempo... como se fossem imagens espelhadas. De repente aquele que parecia o líder deles falou. 

 

 

“Odeio todos os Senju, mas até eu preciso admitir que a mulher Senju é mais digna que uma escória como você... Muito bem, está na hora de começarmos nosso tempo juntos”.

 

 

Começar? Há! Ele pensa que me assusta com essas expressões clichês.

 

 

“O que você quer com ela?”

 

 

Não responderei. Não entro em seu jogo.

 

 

Eu sorria internamente, quando num piscar de olhos a sala escureceu. Não consegui ver mais nada, acho que aquela escuridão foi a coisa mais próxima de breu, a definição mais precisa de vazio que já presenciei. Até meus pensamentos pareceram sem forma. Minha mente completamente escura.

 

 

Então, metal gelado tocou minha pele. Arranhou levemente... uma kunai. Depois outra, novamente outra, outra e outra... Estremeci, quando todas foram posicionadas com as pontas contra minha pele. Uma fração de segundo se passou e a luz voltou. Pude ver a expressão triunfante em todos os clones e mais do que isso, vi a ansiedade em antecipação ao que se seguiria. Eles divertiam-se com meu medo e claramente se divertiriam ainda mais com a minha dor.

 

 

Me concentrei, não perderia o foco. Aquilo não era real, era apenas uma ilusão. Na realidade não senti o metal, portanto não poderia ser cortado por ele. Sem dor então.

 

 

“O que você quer com ela?” Aquela maldita pergunta novamente. Jurei a todos os deuses que o farei engolir um pergaminho, do tamanho do que Jiraiya carrega, com essa pergunta escrita nele. Não o respondi. Apenas fitei o teto ignorando os clones. A luz se apagou.

 

 

Senti um de meus dedos da mão direita ser puxado para projetar-se mais longe dos demais. Novamente a sensação do metal frio, então a kunai começou a correr o fio pela pele vagarosamente, cada vez mais pressionada... até que a pele começou a ceder. Senti a dor correr eletrizante por todos os meus músculos e medula espinhal. Ele continuou serrando, serrando e serrando... até que o senti chegar em meu osso. Lentamente, lentamente serrando, serrando... Serrou até que a arma passou rente ao que restou da base do meu dedo... esse era apenas o menor dos dedos da minha mão.

 

 

“O que você quer com ela?”

 

 

Não responderei. Mediante meu silêncio, em meio a escuridão, senti todos os meus dedos serem segurados. Todos os dedos, das mãos e dos pés, senti todos começarem a serem serrados ao mesmo tempo. A dor me fez repuxar os tendões, e os músculos das pernas e dos braços. Cerrei os dentes e os olhos. Não pude evitar lacrimejar.

 

 

Aquilo não era real. Não era real.

 

 

“O que você quer com ela?”

 

“Vou matá-la!”

 

 

“Felizmente, estamos aqui para ajudá-lo a repensar sua decisão” Um dos clones falou próximo a minha cabeça. “... E você verá que somos insistentes” outro que serrava os dedos dos meus pés, falou. “... Apesar de que, mudando ou não de opinião, você não terá mãos para poder matá-la”. Outro que cerrava um dedo da minha mão esquerda falou. Senti que meu braço direito for erguido e em seguida a minha perna esquerda. “Acho que nem braços... ou pernas...”

 

 

“Vá à merda! Quando sair desse genjutsu eu matarei vocês dois!”

 

 

Senti que toda a extensão do meu corpo tinha uma porção de pele puxada e as kunais reposicionadas com o fio rente a ela, preparadas para o corte.

 

 

“Vamos provar a você que isto não é um genjutsu... desejará estar em um”.

 

 

Quando a frase terminou de ser dita, cada porção de pele começou a ser aberto. Minha carne estava sendo dilacerada. A dor era excruciante.

 

 

Genjutsu, genjutsu... apenas um genjutsu!

 

 

Lentamente, passada a passada minha carne foi arrancada. Me senti um coelho sendo esfolado. Todo meu corpo ardia, queimava. Milhares de fisgadas... se aquilo fosse verdade eu já teria desmaiado. Era um genjutsu, só poderia ser!

 

 

Então, a luz clareou a sala. De onde vinha luz? E todos os clones estavam posicionados como anteriormente. Olhei para as kunais e estavam limpas, não havia sangue. Ergui o que pude da minha cabeça e vi os dedos das minhas mãos, intactos.

 

 

“Bom, vamos começar nosso tempo juntos? Me responda o que você quer com ela?”

 

 

“Vou matá-la! Vou estraçalhá-la!” Exclamei ferozmente.

 

 

Um clone sorriu sadicamente. “Você parece muito obstinado para alguém que está prestes a ser dilacerado... felizmente, estamos aqui para ajudar a repensar sua decisão”. Novamente senti meus dedos sendo serrados. Minha pele sendo aberta.

 

 

Tudo começou de novo, de novo e de novo, de novo e de novo. Não sabia quantos dias haviam se passado. A luz apenas acendia para que eu pudesse ver um dos clones sorrir e me perguntar “O que você quer com ela?”

 

 

“Quantos dias? Quantos dias se passaram desde que estou aqui?” Gritei, se de ódio ou desespero, não sei dizer.

 

 

“Dias? Uh! Você está aqui a apenas 5 minutos! Fique tranquilo, estamos apenas começando nosso tempo juntos, pequeno verme... Há tanto para fazer!... Para começar, apenas me diga: O que você quer com ela?”

 

 

Não respondi, então, um dos Uchihas continuou. “Já que você não tem nada a dizer... vamos começar”.

 

 

Reparei que não havia armas em suas mãos, nem nenhum deles se aproximou. Devem ter notado minha expressão porque logo fui inquirido novamente. “O que procura, pequeno verme?”

 

 

“Onde estão as kunais?” indaguei espantado.

 

 

“Kunais?” uma das cópias papagueou parecendo curiosa.

 

 

“Sim, as kunais com que me deceparam os dedos na ilusão anterior”.

 

 

“Você está alucinando. Isso não é uma ilusão, pequeno verme. Além do mais, acabamos de começar... mas, talvez utilizemos essa sua ideia mais tarde. Agora, apenas nos diga: O que você quer com ela?”

 

 

Deixei minha cabeça tombar na mesa em que fui preso. Já não me incomodava com o quanto meu corpo estava banhado em suor, nem o quanto sentia a dor fantasma da minha pele charqueada e meus dedos decepados.

 

 

A sala escureceu novamente e pude ouvir o silvar característicos das minhas serpentes, as minhas próprias serpentes... as senti rastejando por sobre o meu corpo. A sala iluminou-se novamente e eu ergui a cabeça para poder verificar se não estava delirando. Foi então que com horror, vi todas investirem contra mim com suas presas. Centenas de serpentes peçonhentas enchiam a sala e rastejavam por cima da minha carne que agora sangrava dilacerada.

 

 

A luz se apagou e a escuridão retornou. Apenas o barulho das centenas de guizos preenchia a sala e sinalizavam bote após bote das víboras contra meu ser. Cada investida das serpentes perfurando vorazmente minha carne, então recuavam dilacerando-a. Milhares de vezes, centenas de milhares de vezes. Então, voltou a sensação do metal frio por todos os pontos do meu corpo... eram as kunais.

 

 

A sala iluminou-se e pude ver os clones, armados, em meio as víboras.

 

 

“Vamos começar? ... O que você quer com ela?”

 

 

A pergunta soou e mau tive tempo de responder porque imediatamente a luz se apagou e as trevas voltaram.

 

 

“Nãoooooooooooooooooooo” O horror preencheu meus olhos, minha mente, meu peito, minha garganta, então esmoreci. Contudo, toda a dor continuou. Kunais, dilaceração, mordidas, perfuração, carne arrancada... tudo ao mesmo tempo. Então, as risadas, o escarnio e aquelas vozes repetindo incansavelmente:

 

 

“O que você quer com ela?... O que você quer com ela?... O que você quer com ela?”

 

 

“Não, não, não, não, nãoooooooo!” Eu estava enlouquecendo aos poucos.

 

 

“Ora pequeno verme, estamos apenas começando... antes que pergunte, está aqui a apenas 10 min... Agora, nos responda: O que você quer com ela?” A voz do Uchiha cantarolou perversamente.

 

 

“Nada!... Eu... não quero nada... Pare com isso... Deixe-me sair daqui... por favor!” Gritei tentando abafar as vozes deles na minha cabeça.

 

 

“Você desiste muito rápido para quem acredita que está em um genjutsu. Vamos lá, pequeno verme, lute! Aproveite nosso momento juntos!”

 

 

“Sádico miserável!”

 

 

 

“O que você quer com ela, pequeno verme?”

 

 

 

“Vou torturá-la, vou estraçalhá-la, vou dizimar até o último átomo daquela vadia!”

 

 

 

Não houve resposta à minha declaração, pelo menos não em palavras. As luzes voltaram a se apagar e as víboras e as kunais voltaram a me dilacerar. Minha cabeça girava, eu suava frio e já não aguentava mais gritar. Aquilo se repetiu e se repetiu até que... acho que... fiquei inconsciente.

 

 

A escuridão em minha mente foi dissipada por uma luz muito forte, luz essa que me forçou a abrir os olhos. Não sei como aconteceu, porém me encontrei caído de bruços em um chão lamacento. Forcei meus braços elevando meu tronco e encontrei uma kunai abaixo de mim. Não suportei meu próprio peso muito tempo, então chafurdei naquela lama como um porco miserável. Tentei esquecer a humilhação e reuni forças. Quando levantei o rosto do solo e escaneei todas as direções percebi que tinha sido jogado em campo aberto. Que lugar era esse? Será que havia sido liberado do genjutsu?

 

 

Me levantei erguendo junto a kunai, pois precisava de defesa. Não sabia se era um genjutsu, mas se não fosse poderia encontrar o maldito Uchiha a qualquer momento. Segurei o punho da arma próximo ao peito, com todas as forças que me restavam. Minhas pernas fraquejaram, no entanto, me esforcei para firmá-las, até que a terra começou a tremer e caí novamente.

 

 

Tornei a tentar levantar-me, desta vez usando mãos e joelhos para me estabilizar no terreno enlameado. Mas, parei naquela posição como se fosse um quadrupede quando ergui a cabeça e avistei, ao longe, a fonte dos tremores de terra.

 

 

Gigantes espectrais azulados com asas, semelhantes a tengus, caminhavam a passos lentos em minha direção. Cada passo fazia com que as enormes rochas a minha volta se desprendessem do chão e saltassem como se fossem folhas de pergaminho amassadas. Aquelas, eram rochas de algumas toneladas...

 

 

Instavelmente, consegui me colocar em pé e fitar as criaturas ao longe. Eram 5, 5 titãs azulados e alados. Sei que era bobagem correr, mas corri. Corri o mais que um ninja do meu nível poderia correr... mas, para minha infelicidade, em direção a um penhasco.

 

 

As criaturas gigantescas estavam chegando e eu lhes dei as costas olhando do alto penhasco para o seu fundo. Não havia um rio, não. Apenas rochas escarpadas. Me imaginei pulando e concluí que não alcançaria o outro lado. As rochas eram lisas demais para grudar usando chakra. Chakra? Que chakra? Eu estava completamente vazio e só tinha duas opções, morrer empalado nas escarpas ou esmagado pelos pés daqueles titãs.

 

 

A raiva e o horror me fizeram apertar firme o cabo da minha única arma.

 

 

Arma...

 

 

 

Quando me dei conta do que tinha em minhas mãos me senti desprezível, inferiorizado e encurralado. Eu tinha mais uma opção e foi o Uchiha quem a me deu.

 

 

Os cinco gigantes pararam a 10 m de minha pessoa e com isso os tremores cessaram. Vi um deles arquear seu corpo para fitar-me muito mais próximo. Olhando para cima consegui distinguir claramente uma das cópias de meu algoz no interior do monstro espectral azulado. Ele abriu a boca e como num estrondo sua voz soou.

 

 

“O que você quer com ela?”

 

 

Soltei a arma que segurava e levei as mãos para tampar os ouvidos. Os cinco tornaram a repetir e repetir a pergunta. Cada vez mais. Eu que tinha fechado os olhos e tampado os ouvidos, me senti enlouquecer, e não suportando mais aquilo me virei para o precipício.

 

 

Olhei para as agudas rochas escarpadas e imaginei meu sangue escorrendo por elas. Achei que não teria coragem, por isso dei as costas imediatamente para o penhasco e para a ideia de atirar-me. Então, olhei para os pés dos gigantes e me imaginei esmagado por eles. Meus ossos rangendo e se esmigalhando sob toneladas de chakra maciço, como uma uva moída sob os pés de um camponês para extrair a polpa sangrenta. Me chamem de covarde se quiserem, mas me lembrei de algo que parecia menos aterrorizante. Eu estava amedrontado e não vi melhor opção.

 

 

Juntei o aço moldado para defender os shinobi e o atravessei em meu estômago.

 

 

O sangue correu do buraco aberto para minhas mãos e derramou-se no chão. Aguardei, minha vida se esvair, mas o fim nunca chegou. O desespero me consumia. Apenas me senti engasgar com meu próprio sangue.

 

 

Novamente me vi na sala escura e ouvi os guizos, senti as kunais e as presas das serpentes me dilacerando. Tudo novamente... mais uma vez... mais uma vez...e eu já havia perdido as contas de qual vez era. Fui dilacerado continuamente... e a luz se acendeu para que a pergunta fosse refeita... continuamente.

 

 

 “O que você quer com ela?” Essas palavras ecoavam na minha mente, nem sei dizer se os clones ainda falavam ou se era a minha mente que repetia a pergunta em seu lugar.

 

 

Acho que a esta altura, eu mesmo já me torturava. Talvez, esse era um dos objetivos do Uchiha. Afinal, de quem ele falava?

 

 

Fui jogado naquele campo lamacento com os tengus azulados centenas de vezes, me suicidei centenas de vezes.

 

 

Em várias dessas ocasiões, até mesmo me jogando contra as rochas escarpadas. Fui empalado pelas escarpas até que a exaustão física e a insanidade mental me levaram a não me importar em ser esmagado e reduzido a nada debaixo dos pés dos gigantes azuis.

 

 

Não era só a dor excruciante e repetida, nem mesmo o fato de não poder morrer para pará-la..., mas sim porque eu não suportava mais ouvir aquela pergunta dentro da minha cabeça.

 

 

As cópias do desgraçado Uchiha me disseram que chegamos ao final do primeiro dia, quando pela primeira vez meu corpo sobre a mesa foi incendiado com um fogo negro. Aquelas chamas jamais cessavam, simplesmente não se apagavam. Meu ritual de tortura teve mais uma etapa adicionada à sua liturgia... Agora eram chamas, kunais, víboras, esmagamento, queda, empalamento, humilhação, suicídio, insanidade e... a pergunta. A pergunta era repetida, a luz acendia e apagava-se. Depois, a escuridão reinava e meu corpo era incendiado pelo fogo negro.

 

 

No campo lamacento fui esmagado. Me suicidei de todas as formas possíveis, mas a morte nunca chegou... e como a desejei.

 

 

“Mate-me, por favor!... por favor... me mate... por favor”

 

 

Quando encontrei forças, junto a um pequeno resquício de sanidade, para fazer esse pedido em voz alta pela primeira vez, eles me disseram que haviam se passado 5 dias e novamente nosso tempo juntos só estava começando. Orgulho nenhum sobrou para me impedir de suplicar desesperadamente por minha morte, nem dignidade também.

 

 

Todavia, súplica nenhuma adiantou. Nem palavras diferentes vieram dos Uchihas de cabelos longos.

 

 

Em meio a escuridão ou em meio a lama, apenas uma resposta soou:

 

 

 

 

“O que você quer com ela?”

 

 

Chapter Text

 

 

Yume entreabriu a porta de papel shoji minimamente e com cuidado para não fazer nenhum som. A passos leves caminhou até seu o amante de cabelos acinzentados que estava sentado em uma almofada parecendo concentrado e abraçou-o pelas costas entrelaçando os braços a volta de seu pescoço.  “E eu me perguntando onde você poderia estar”. Ela amparou a cabeça no ombro direito dele e finalmente olhou para o que ele estava fazendo.

 

 

O cinzento soltou a mão direita dos objetos que segurava e a levou para acariciar as mãos dela. A deusa reconhecendo os fios de seda avermelhados que ele segurava, ficou levemente indignada. Mas, falou amorosamente e divertida porque já previa essa cena e as intenções dele. “Eu já te disse para não tocar na minha seda Jashin!”

 

 

“Ah você me pegou!”

 

 

“Essa já é a segunda vez que te pego mexendo no meu trabalho”. Ela saiu detrás dele e colocou-se sentada entre suas pernas para que ele a abraçasse por trás.

 

 

“Aquilo foi a... sei lá! 800 anos humanos? Nem conta mais!”. Ele tendo a abraçado puxou-a contra seu peito e beijou seu pescoço com selinhos rápidos e brincalhões em meio a sorrisos e risadas. “Humm vamos, diz que estou certo. Aqueles dois estão insuportáveis separados... este lugar está insuportável! Alguém têm que fazer alguma coisa!”

 

 

Ela não respondeu nada, tendo se tornado séria e pensativa. Então, ele disparou a fazer cócegas embaixo de seus braços e em seu ventre, tudo isso entremeio a selinhos em suas bochechas e sua boca. A ruiva não pode segurar a expressão e desatou a rir.

 

 

“Hn? O que há? Eu não eu ouvi sua resposta! Você sabe que estou certo. Não sabe?” Ele sorriu para ela em espera, até que ela pudesse se recompor da sensação das cócegas que ainda corriam por seu corpo.

 

 

“Shin... você sabe que dá última vez que fizemos isso ela foi quem mais perdeu. Acha mesmo que repetir nossas ações é a melhor forma de ajudá-la?” Yume o indagou olhando-o com profundidade tentando demonstrar que o assunto era sério.

 

 

“Nós não fizemos nada de errado. Não temos culpa se eram são compatíveis”. Levou uma das mãos aos cabelos dela e começou a enrolar uma das longas e sedosas mechas avermelhadas em seus dedos.

 

 

“A última irmã dela se foi por causa de Indra. Nossas ações levaram a isso”.

 

 

“As ações de Yami e a ambição de Indra levaram a isso.”

 

 

“Não importa, sabe que pelas regras a nossa seda e a dos mortais não se misturará mais. Nem entre nós mesmos os fios se tocarão. Aquilo jamais deveria ter acontecido.”

 

 

“Antagônico”

 

 

“O que é antagônico?”

 

 

“A divindade responsável por guardar o destino, trabalhando contra ele”.

 

 

“Não estou trabalhando contra ele, apenas deixei de interferir e permito que aconteça longe dos meus olhos.”

 

 

“Você permite que aquele tabuleiro interfira na forma que os fios se entrelaçam. Você permite que aqueles que deveriam estar juntos sejam separados... que os que deveriam viver, morram”

 

 

“O tabuleiro não me pertence mais e foi por nossa última ação que o perdi”.

 

 

“O tabuleiro não, mas os fios sim”.

 

 

“Ah você é insuportável como um vinho barato”.

 

 

Ele sorriu maliciosamente “Há uma musa que adora embriagar-se com ele”

 

 

Quase gargalhando ela bufou sem resposta, fingindo birra.

 

 

“Que isso?! Vamos lá! Você sabe que estou fazendo certo. Veja, até o casal jogatina bebedeiraperversão e sacrifício eu estou conseguindo juntar!... Aquele escritor tarado me agradeceria se soubesse”.

 

 

“Você não está fazendo certo. Da forma como o tabuleiro se dispôs agora, tragédias maiores acontecerão. Está brincando com as vidas deles”.

 

 

“Eu sou o deus do Mal, é o que eu faço”. A ruiva o fitou de seu abraço com um olhar fulminante. Ele sorriu nem um pouco abalado. “Mas, desta vez, eu estou fazendo o que posso naquele tabuleiro. Jogo sério. Quem brinca com a vida dos mortais são os nossos irmãos e aqueles dois ainda permitem!... Vê, voltamos ao mesmo ponto, a situação está insuportável. O sofrimento dos mortais na Terra é apenas uma das consequências e só nós estamos acreditamos que algo pode ser feito para consertar essa situação. Yami acha tudo divertido e Mirai é medrosa de mais para contrariar as regras... os outros, nem se fala então”.

 

 

“Antagônico” A ruiva, vestida com esvoaçantes sedas de diferentes tons de azul, respondeu simplesmente.

 

 

Ele estranhou que ela repetisse suas palavras. “O que é antagônico?”

 

 

“O deus do Mal... querendo fazer o bem”. Ela cantarolou dando ênfase à ironia na frase.

 

 

Ele soltou-a de seu abraço e trazendo os braços para trás de seu corpo recostou-se sobre as mãos no chão, jogou a cabeça para trás fitando o teto do quarto dela e imediatamente desatou a rir. “Ser o deus do Mal não quer dizer que não posso ser bom... de vez em quando”.

 

 

“Fui eu que fiz isso com você, não foi?”

 

 

A divindade, vestida como de costume com as roupas que trajava abaixo de sua armadura samurai negra, voltou a sua postura anterior aconchegando-a novamente em seus braços. “Se eu disser que sim, você me ajudará?”

 

 

A deusa levou uma das mãos para acariciar os cachos cinzentos de seu cabelo. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Shin...” Ela fez uma pausa, então tentou mudar de assunto. “...Onde jogou sua armadura?”

 

 

“Está... em algum canto da sua casa.” Ele gargalhou. “Agora, pare de tentar me distrair, querida. Você sabe que tem a ver...” O deus fez uma breve pausa e beijou a testa dela.

 

 

“...Mesmo contra todas as regras, você deixou nossas sedas próximas e permitiu que se entrelaçassem. Conhece o poder que isso surtiu em nós!... Por que nega que pode abalar as defesas dela? Se a reencarnação for afetada poderemos conseguir que ele volte a lutar... Poderemos conseguir que todos voltem a sentir. Basta da hipocrisia dessas relações gélidas e pragmáticas que ela força todos aqui a viverem... Não quero mais que tenhamos de descontar nossas frustrações nas vidas dos mortais por meio daquele tabuleiro patético... Merda! Faz eras que não descemos à Terra...  e ter que reverter o último grande Tsukuyomi não foi divertido o suficiente”.

 

 

“Uma missão para que o deus da esperança volte a ter esperança” Ela falou apreciativa e reflexivamente. Então sacudiu-se de um arrepio. “Odeio clichês, são cafonas... Infelizmente o destino tem muito disso”.

 

 

“Clichês são cafonas, eu concordo, mas só são clichês porque todos gostam deles... não só o destino, nós também”.

 

 

“Eu amo você... muito. Mas, seja sincero, acha que ela é capaz também?... Queria tanto que meu irmão voltasse a ser o mesmo. Ele a ama tanto”.

 

 

“É claro que sim... ela já o ama, mas é covarde demais para se permitir. Por isso se esconde atrás da crueldade... aquela megera quer roubar meu cargo!”

 

 

Yume sorriu com a indignação de seu amante. “Quando ela perceber o que estamos fazendo com seu homólogo na Terra, virá sobre nós com toda a sua ira... e ele provavelmente não interferirá... como sempre faz em tudo que ela se envolve”.

 

 

“Então, precisamos trazer Mirai para o nosso lado, fazer mais aliados... bons aliados, e eu consigo isso facilmente”.

 

 

“E... quanto ao Yami?”

 

 

“Yami, não tem por que interferir.  Não há nada que o interesse nisso, fique tranquila. Quem percebeu o que planejamos não se manifestará e quando ela perceber já teremos ido muito longe para que possa interferir... A menos que infrinja as regras dele e isso os levará a ter que interagir novamente, possivelmente colaborar juntos”.

 

 

“E os mortais? Se ela se enraivecer eles é que pagarão! Na realidade... essa configuração no tabuleiro será desastrosa para todos eles, mesmo que ela não interfira a tempo”.

 

 

Ele não permitirá”.

 

 

“E se permitir?”

 

 

“Eu tenho tudo planejado, mesmo que o pior aconteça... e você sabe que sou muito bom em imaginar o pior, afinal...”

 

 

“Você é Jashin. Eu sei.” Yume cantarolou sorridente. “Eu te ajudarei, Shin... só... espero que esse seu plano seja bom porque se formos descobertos poderemos ser banidos, ou ainda pior, separados e jogados na roda de reencarnação”.

 

 

“Yume, nós conseguiremos!... Agora, deixe-me explicar o que farei: Movimentarei as peças no tabuleiro quando chegar minha vez novamente e você fará o mesmo, porém precisamos cuidar para sermos discretos com nossos objetivos. Pelo bem do nosso disfarce, só poderemos fazer mais dois movimentos com as peças alvo, além dos dois últimos que fiz ilegalmente a pouco”.

 

 

“Quer dizer que você está fazendo a mortal sonhar enquanto está desmaiada?! Ela já encontrou Madara?”

 

 

“Sim e não fiz só isso. Também usei um fio de cabelo seu para unir o fio de Madara e Sakura. O problema é que o dele está praticamente destruído. Então, para ele consegui somente quatro momentos (quatro visões), suficientes apenas para arranhar a superfície”.

 

 

“Nossa...” A ruiva se encolheu, estremecendo. “... quando ela souber tentará acabar com esses dois. Você sabe!”

 

 

Confiante e tranquilizador, o cinzento cantarolou suavemente reafirmou sua convicção para sua musa. “Já disse que tenho tudo planejado”.

 

 

Aquecendo-se internamente, a de cabelos cor de fogo levantou as mãos em rendição parecendo divertida. “Tudo bem, prometo não duvidar mais de você... Oh grande e temível Jashin!...”

 

 

A deusa, de pele clara e olhos amendoados rubros, voltou a parecer séria. “Quanto ao fio dele...” A mulher se soltou completamente dos braços dele e levou a mão à sua longa cabeleira avermelhada; com sua tesoura dourada cortou uma longa mecha dos preciosos fios, impossivelmente lisos e alinhados “Tecerei um totalmente novo e usarei o dela junto. Em todo universo uma união como tal jamais foi rompida...” Porém, de repente ela ficou pensativa. “Espere, você disse que conseguiu unir o fio dele ao dela apenas usando um fio de cabelo meu? Simples assim?”

 

 

Ele meneou a cabeça em confirmação. “Sim. Não é assim que você faz, amor?”

 

 

“Não com aqueles que acabaram de se descobrir compatíveis. Será que essa mortal...”

 

 

“Hum? Você está pensando que...” Ela acenou com os olhos brilhando para ele que abriu um sorriso em reconhecimento e então continuou. “Quer dizer que sem querer encontrei um peão premiado?!”

 

 

“Não. Acho que você pode ter encontrado o peão. Aquele que ninguém jamais localizou! Pode ser que o destino esteja cooperando novamente conosco. Precisaremos apenas ser cuidadosos com ela e com Yami”.

 

 

“Agora que sabemos que Yami pode ter algo em que se interessar terei de reajustar o plano. Mas, com o que podemos ter descoberto agora, não temos como não interferir... com ou sem chance de sucesso. Não há outra opção”.

 

 

“Eu sei, por causa dessa mortal, agora não temos como sair disso... Começarei a tecer e você faça seus movimentos!”

 

 

“Mas, e o garoto Uchiha? Ele também compartilha o fio com ela.”

 

 

“O coração da mortal decidirá. Nisso, não podemos interferir. Apenas a sugestionamos... É o destino e o tabuleiro quem reinam no final”.

 

 

 


 

 

 

Assim como ordenado, o servo do ninja defensor segurou a mulher Senju... com notável dificuldade, devido a força monstruosa dela, mas segurou. Ele precisou manter seu jutso estilo madeira renovando-se continuamente para prendê-la a uma árvore com seus galhos.

 

 

Ela esmigalhou todos até ser finalmente dominada pela exaustão de chakras. A mulher tinha parecido quase incansável para ele. Tanto que se não fosse as ordens de seu ‘senhor’, teria a ferido para no mínimo desacordá-la. A loira ficou retida a menos de cinco metros de distância de seus protegidos, o Uzumaki e a rosada, e bem a frente da árvore onde seu adversário (o invocador de serpentes) era torturado pelo senhor da criatura que a prendera. Assim, Tsunade (que tentava repor suas energias) pode assistir a tudo que aconteceu a seguir com grande espanto.

 

 

Em meio a névoa de suas vistas, Sakura pode distinguir nitidamente apenas dois olhos. Olhos muito vermelhos. Olhos muito incomuns... ao menos na época de onde ela vinha.

 

 

Sharingans a fitavam intensamente enquanto estava estirada no chão sem poder mover-se. Tudo o mais estava obscurecido (inclusive o resto do rosto de seu salvador) mas, aqueles orbes vermelhos brilhavam como duas joias...

 

 

A intensidade daqueles rubis sangue era tão grande e lhe passavam um calor e ternura tais que ela não conseguiu deixar de analisá-los profundamente também. A médica não conseguiu desviar os olhos do olhar dele e se não fosse pela febre e tremor ocasionados por seu estado de saúde, ela jurava que estaria corando.

 

 

A Haruno não sabia, mas olhava apenas para um clone daquele que ela julgava ser Sasuke. A alguns metros dela e de Nagato, o verdadeiro dono dos tomoes sangrentos prensava Orochimaru contra o tronco de uma árvore.

 

 

O ninja que mantinha Orochimaru (recém liberado do Tsukuyomi) suspenso pela garganta e pressionado contra uma grande árvore, pareceu sentir a intensidade do olhar dela direcionada aos olhos de seu clone. Ele piscou algumas vezes, seu coração quis se alegrar, mas se lembrou que não era para ele que ela olhava. Era para o dono daquele nome. O nome que ela repetiu nos quatro curtos momentos em que se viram.

 

 

Sasuke’... Era sempre ele. Sempre Sasuke. Ela nunca o enxergou. Por que faria justo agora?

 

 

O shinobi de vestes azuis e orgulhoso Fã Uchiha gravado nas costas piscou algumas vezes para espantar seus devaneios, esquecer que a ouvia delirar ao seu lado, chamando o mesmo nome novamente, e se concentrar no que precisava fazer a seguir. Mesmo assim, não evitou a vontade de ouvir a voz dela dirigida a ele.

 

 

“Diga-me kunoichi, sabe quem eu sou?” O guerreiro perguntou, desviando a atenção de seu prisioneiro.

 

 

Ela arqueou as sobrancelhas para seu clone (que encontrava-se arqueado pairando sobre ela). A ninja claramente não enxergava direito... na realidade, nenhum de seus sentidos funcionavam corretamente. Pois, se funcionassem, a rosada perceberia que não era o clone quem lhe questionou e não teria respondido o que respondeu a seguir.

 

 

“É claro que eu sem quem você é, Sasuke.” A rosada sorriu, falando letárgicamente e com dificuldade... visivelmente ‘dopada’ e quase delirante. Fazia pouco tempo que o clone de seu defensor e o ‘servo’ dele tinham conseguido estabilizar, minimamente, a situação da Haruno.

 

 

O garoto, sentado ao lado da médica delirante, não soltou a mão dela por um segundo sequer. O ruivo fazia isso em alguns momentos na tentativa de confortá-la com sua presença e em outros porque estava amedrontado com os gritos de Orochimaru sob o domínio do genjutso de seu ‘defensor’.

 

 

“Não é o bastante. Quem eu sou?” O Homem Uchiha retornou suavemente.

 

 

A discípula de Tsunade, em meio as lembranças confusas de suas últimas visões, se esforçou para raciocinar e ser convincente. “Meu companheiro no time 7. Uchiha Sasuke, o último dos Uchihas”.

 

 

Imediatamente o shinobi questionou sombrio. “O Último dos Uchihas?... É assim em nosso tempo?”

 

 

“Sim”

 

 

“O que aconteceu à minha família?”

 

 

“Massacre”

 

 

‘Está vendo, maldito Shodai Hokage!... Era disso que eu falava’ Ele suspirou tentando manter a calma. “E o que você é minha, além de companheira de time, kunoichi?”

 

 

“Amiga”. Sakura respondeu rapidamente e firme. Embora, em seu íntimo, sentindo-se desonesta com a resposta... desejava ser... mais.

 

 

“Preciso saber que não está delirando. Qual o seu nome?”

 

 

“Eu não estou delirando”. Ela bufou fitando aqueles olhos vermelhos em meio a névoa escura de suas vistas.

 

 

“Responda à pergunta kunoichi!” O homem rosnou a fazendo estranhar não só a forma que a tratava, mas aquela voz amadurecida e intimidante... embora ela tenha gostado de como lhe soou irresistivelmente máscula também.

 

 

 “Haruno Sakura”

 

 

“Você me ama, Sakura?”

 

 

Ela se assustou com o rumo da conversa. Então, tanto por espanto quanto pela seriedade questão, ela fechou os olhos parecendo pensativa. Ele, esperou pacientemente pela resposta.

 

 

“De todo o meu coração”

 

 

Ninguém, nem Tsunade, muito menos Sakura souberam o quanto o ‘defensor Uchiha’ entristeceu-se internamente com aquela resposta. Mas a Senju percebeu que os ombros dele caíram minimamente. Ela percebeu que era tristeza, mesmo não conhecendo a profundidade desse sentimento nele.

 

Porém, como ele lembrou-se de que estava em público, a visão do descontentamento dele durou pouco. Logo a dureza da realidade e experiência o fizeram retomar sua postura imponente e inabalável e mudar de assunto. “Porque este ser te perseguia?”

 

 

“Pelos olhos de Nagato... cuidado Sasuke... ele ainda é um dos Sannins Lendários”.

 

 

“Tsc” ele baixou a cabeça divertidamente. ‘Para a sua geração qualquer coisa é lendária hoje em dia querida Yūrei”. Ele pareceu nostalgicamente reflexivo por alguns minutos então voltou seus olhos vermelhos sangue para Orochimaru. “O matarei então.” Sentenciou calmamente.

 

 

Ao ouvir essas palavras a serpente arregalou os olhos e, com o que restava de suas forças, tentou forçar os braços do homem para longe de si desesperadamente. Esperneando, agarrou sofregamente uma kunai escondida em sua roupa e tentou golpeá-lo no rosto.

 

 

Não tendo conseguido alcançar o ninja Uchiha, a serpente desferiu inúmeros golpes em seus braços abrindo-lhe rasgos que sangraram profusamente. Já o outro não deu o menor sinal de recuo e aparentou continuar divertido com o medo do dele.

 

 

O Sannin teve certeza de que seu carrasco não se abalou nem um pouco com seus ferimentos, quando as feridas abertas por ele começaram a fechar-se com um chiar de chakra curativo. Orochimaru pararia para admirar tamanho poder, se não estivesse sendo esganado lentamente. Ele começava a perder a consciência por falta de ar, quando ouviu a voz do Uchiha e o aperto dele afrouxou novamente.

 

 

“Pensando bem...” O shinobi de cabelos negros sorriu com aparente realização em suas feições. “Seria generosidade demais da minha parte...”. O homem trouxe uma de suas mãos para seu queixo e começou a refletir sorrindo perversamente para seu prisioneiro. Este último ainda suspenso quase dois metros do chão apenas por uma mão do Uchiha em seu pescoço.

 

 

O tempo reflexivo do shinobi cessou alguns minutos depois e ele voltou a apertar pescoço do Sannin. Incapacitada de fazer alguma coisa, Tsunade apenas assistia a tudo em um misto de espanto, pena e sede de vingança saciada. Gemidos sôfregos seguidos de sons característicos de uma vítima de asfixia buscando o ar em desespero, puderam ser ouvidos por ela no que restava da mata incendiada anteriormente.

 

 

Como se fosse possível, o Uchiha alargou ainda mais o sorriso e intensificou seu olhar sobre sua presa, aparentando ainda mais perverso do que já parecia... quase como um maníaco psicopata.

 

 

Sua voz saiu baixa, suave e praticamente cantarolando. “Você pensou ter experimentado o poder de amaterasu ou a força de meus clones e susanoo’s durante meu genjutso, pequeno verme... Mas, aquilo não é nada se comparado ao privilégio de viver essas experiências no mundo real. Dito isso... sofra e morra!... Amater...”

 

 

“Não, Sasuke! Não faça isso!”

 

 

O shinobi de cabelos longos foi interrompido, o som daquela voz gritando freou-o imediatamente. Havia até se esquecido momentaneamente da presença dela, ali... tão perto e por tanto tempo.

 

 

Ah como o homem de olhos vermelhos desejava a oportunidade de vê-la novamente. Lutou contra esse desejo a vida toda, mas sucumbiu a ele internamente. Quando aceitou o que sentia esperou por ela e ela nunca mais apareceu.

 

 

Agora, ao ouvi-la gritar, ele se lembrou que perdia seu precioso tempo juntos por causa daquela escória imunda em suas mãos. Constatando esse fato, o ninja decidiu que tinha que acabar com seu adversário rapidamente.

 

 

“Amatera...” Não pode terminar, pois novamente ela o interrompeu. “Por favor, pare!”

 

 

Exasperado e em indignação, ele direcionou seu olhar para ela e seu clone. Não entendia como a moça podia ser tão benevolente. “Por que devo parar flor?” Também não conseguiu evitar trocar seu verdadeiro nome por flor. Pois, fora tanto tempo chamando-a assim, que sabia que dificilmente perderia o costume de chamá-la pelo apelido. Mesmo que seu verdadeiro nome não fosse nada menos que a descrição perfeita dela.

 

 

Sim... Sakura era a sua mais bela flor.

 

 

“Ele merece uma segunda chance”.

 

 

Inflexível, ele bufou em escrutínio. “Patifes como esse não mudam”.

 

 

“Ele não pode morrer”.

 

 

“Me dê um bom motivo para mantê-lo vivo... Ele machucou você!”

 

 

“Todos merecem uma segunda chance”.

 

 

“Até traidores e assassinos? Até esse tipo de gente?! É isso que você está me dizendo?”

 

 

Ela ficou em silêncio. Então, de seu lugar, ele gritou assustando-a no chão. “Responda Sakura!”

 

 

Quando viu que ela tremia (não pelo selo amaldiçoado da serpente) como das últimas vezes em que se viram... não foi uma boa lembrança. Então, forçou sua voz a baixar e retomou a calma. Afinal, ela não tinha culpa se ele sentia-se culpado. “Você perdoaria gente como ele? Perdoaria alguém capaz de matar milhares de pessoas?”

 

 

A médica o respondeu, aparentando sentir-se acuada. “Eu voltei no tempo para que não precisem de perdão. Para que possam viver uma vida diferente, Sasuke”.

 

 

“E se eu me tornar assim, você ainda me amará?... ou terei apenas a sua piedade?”

 

 

Ouvindo o diálogo dos dois shinobi, a criatura bicolor franziu a testa internamente com isso (Tsunade também). Qual era a relação de seu ‘senhor’ com a ninja rosa? Ele jamais encontrou nada sobre ela enquanto esquadrinhava os confins de sua mente. De onde vinha essa aparente afeição? Isso poderia ser mau para seus planos. O ‘servo’ decidiu que cuidará dela pessoalmente se for necessário.

 

 

A resposta de Sakura demorou, mas veio, firme e apologética, mesmo em meio a sua condição de envenenamento. “Você jamais será assim. Mas, mesmo que seja... terá sempre o meu amor, Sasuke”.

 

 

Internamente, o homem sorriu tristemente. ‘Sasuke, é um homem de sorte’. Exteriormente, ele endureceu suas feições e seu olhar. “Muito bem, por isso você viverá...” fez uma pausa refletindo internamente. ‘Meu descendente precisa de alguém como você’. Então, continuou. “Mas, este aqui deve morrer. Ele é um perigo para você” ‘e para meus objetivos também’.

 

 

“Não... Você pode ajudá-lo Sasuke.”

 

 

‘Kami, não sabia que era tão teimosa flor’. Internamente, ele quis sorrir e rosnar ao mesmo tempo. “Hn. Eu não quero... Mesmo se eu quisesse, o que eu faria?...” Ele riu alto. “Usar Izanami nele?” Ele cuspiu divertido e apertou mais a única mão que segurava Orochimaru suspenso pela garganta. Olhou-o no fundo de seus olhos e falou desdenhosamente. “Essa escória não vale um dos meus olhos... nem sequer os olhos de um Hyuuga. Vê? Não há como ajudá-lo... então, que morra!”

 

 

“Eu te imploro, senão por mim, por Konoha. Precisamos que ele viva!”

 

 

‘Você vale muito mais’. “Tenho certeza de que, tanto você quanto Konoha estarão melhores sem vermes como ele”.

 

 

“Sasuke, por favor!”

 

 

Ele suspirou desistindo, mas inconformado. Em seguida olhou para o Sannin. “Mostre-me os sinais para desfazer o selo amaldiçoado que colocaste sobre ela...”. Reforçou o aperto na garganta dele. “... Saberei se estiver tentando me enganar. Mude um único sinal da sequência ou tente qualquer outra manobra e você morrerá da forma mais dolorosa e lenta possível já imaginada... e não importará o quanto ela proteste. Vamos, comece a tecer a sequência de selos”.

 

 

Com braços, pernas e mãos excessivamente tremulantes o preferido de Danzō teceu lentamente, sinal a sinal, 34 selos de mão ao todo. Nenhum deles repetidos e todos pouco comuns. O Uchiha sabia que para um shinobi sem o sharingan seria praticamente impossível aprender todos os sinais para ter de executá-los rapidamente e sem erros em seguida. Na certa, a kunoichi agonizaria até a morte se ela não fosse quem era e se ele não tivesse chegado a tempo.

 

 

Contudo, a quantidade de selos ou aparente complexidade do jutso de liberação não o assustava. Pois, o Uchiha era perfeitamente capaz e hábil para liberá-la da maldição sem sequer necessitar da ajuda do lançador. Por isso o teria matado se a rosada não tivesse intercedido pelo verme.

 

 

Então, quando o Sannin teceu o último selo, o Uchiha falou zombeteiramente o advertindo. “Não preciso disso, mesmo assim já gravei com meu sharingan. Permitirei que viva. Contudo, garantirei que esteja morto no segundo seguinte em que aparentar pensar algo mal contra ela. Você estará sob a vigilância dos meus olhos permanentemente. Colocarei um selo em seu musculo cardíaco e um em sua memória. É claro que você nunca se lembrará dessa informação, mas lembrará perfeitamente de minhas palavras de advertência e de tudo o que viveu naqueles dois meses de Tsukuyomi”.

 

 

A voz da metade branca de seu servo soou infantilmente. “Mas, senhor, pelos cálculos do meu maninho aqui foram apenas 30 dias!”

 

 

“Correto, mas serão 60 com os novos 30 que lhe darei enquanto liberto a kunoichi guardiã do menino e certifico-me de que ela viva para voltar aquela aldeia”.

 

 

A metade negra da figura bicolor sorriu maliciosamente em compreensão, então sugeriu. “Senhor, se me permite uma sugestão, por que não lhe dá doze meses então?”

 

 

O ninja de olhos rubi sangue não pode responder porque a metade branca da figura manifestou-se efusivamente fazendo com que a metade negra também batesse palmas e saltitasse. “Isso! Isso! 12 é um número tão bonito! Eu gosto desse número! 12, senhor por favor! 12! 12! 12! 12!”

 

 

O shinobi permitiu-se sorrir minimamente e ignorou a ousadia da interrupção da parte branca do ‘servo’. “Seria muito satisfatório, todavia, a mente fraca dessa escória não resistirá a mais de 30 dias seguidos de tortura em meu Tsukuyomi, por mais brando que eu tenha sido. 31 dias e ele se tornará um vegetal... Não que seja melhor que isso agora... Além disso, infelizmente, prometi à kunoichi que o deixaria vivo e Uchiha Madara ainda cumpre suas promessas”. ‘Ao menos a maioria delas’. Pensou ao lembrar-se da promessa feita ao antigo rival Senju. “Tsukuyomi”.

 

 

Tendo colocado o Sannin em seu genjutso pela segunda vez, o ninja de longos e revoltos cabelos negros teceu inúmeros sinais de mão complexos tocando o local onde o coração de sua vítima se localizava. Repetiu uma sequência diferente e tocou-o pela segunda vez, nas têmporas. Por fim, agindo asperamente, levantou a cabeça dele e olhando-o em seus olhos usou seu Mangekyou para apagar todas as lembranças da serpente relativas à moça de cabelos róseos e ao Uzumaki.

 

 

Quando terminou de manipular as memórias de Orochimaru, o Uchiha o largou encostado no tronco da árvore contra a qual o havia encurralado. Por não ter forças para aguentar-se em pé (devido a todo o sofrimento da tortura) e por ainda estar sob o efeito da prisão do Tsukuyomi, o homem imediatamente se amontoou no chão aos pés de seu carcereiro como se fosse um saco de ossos e carne gelatinosos.

 

 

Sem esboçar reação alguma frente a isso, o homem dirigiu-se para a Konoha-nin estirada no chão ao lado do Uzumaki e de seu clone. Febril, ela ainda soava muito, estava pálida e com todas as extremidades do corpo arroxeadas.

 

 

Verificando o estado dela novamente, o Uchiha sentiu seu coração se encher de ódio. Num ímpeto, ele quase não conseguiu controlar a vontade dê se voltar para o verme preso em seu genjutso e esmagar um por um de seus ossos. Espalharia o sangue dele no chão para os cães lamberem. Usaria izanagi na serpente só para a trazer de volta e encontrar uma forma diferente de matá-la novamente... e seria, sempre, uma forma ainda mais lenta e dolorosa do que a anterior.

 

 

Ele inspirou profunda e longamente, conseguindo se acalmar ajoelhou-se ao lado do corpo dela. Virando-se para seu bushin, que estava do outro lado do corpo da kunoichi junto ao ruivo, ordenou “vire-a de lado para que eu tenha acesso ao selo”. O clone obedeceu imediatamente e o Uchiha tirou suas luvas.

 

 

Com cuidado, o Uchiha real afastou o cabelo rosado da kunoichi que ocultava as marcas já cicatrizadas das presas da serpente. Rapidamente o homem notou logo entre elas a inscrição amaldiçoada do selo daquele verme. O shinobi levantou a mão direita e a fitando começou a reunir seu chakra na ponta de seus dedos. Fez isso durante dois minutos até que seus dedos acendiam em vermelho sangue.

 

 

Vendo que reunira energia mais que suficiente para sua intenção, ele com apenas aquela mão teceu quatro selos simples. O primeiro selo para a técnica de katon, o segundo para o selamento com kanji do fogo e os outros dois eram uma adaptação da técnica de cura de seu antigo rival (sim, pois se Hashirama podia curar-se em campo ele não ficaria atrás).

 

 

Quando o kanji de fogo se gravou em todas as pontas dos seus dedos, ele movimentou brevemente sua energia para verificar sua fluidez e temperatura. O guerreiro não gostava de pensar que teria de queimar a pele dela, mas era a forma mais segura. Jamais que arriscaria confiar nas palavras daquele patife com a vida da moça em xeque.

 

 

Confortou-se lembrando que o seu estado deplorável não permitiria que ela sentisse mais dor do que já sentia agora e que sua essência curativa regeneraria a pele queimada imediatamente. No que dependesse dele, aquela pele tão alva jamais carregaria nenhuma cicatriz que não representasse a honra de uma batalha vitoriosa contra um oponente digno.

 

 

Quando ele tocou o local do pulso dela em seu pescoço, seus olhos gravaram a expressão perdida dos olhos dela em trevas. Onde estaria sua mente naquele momento? Estaria ela tendo alucinações?

 

 

Durante todo o período em que ele estivera lutando com os Iwa e depois torturando o verme de konoha ele nunca deixou de ouvi-la chamando o nome do tal Uchiha Sasuke. Mesmo quando ela acordou parcialmente, ela ainda o chamava. Onde estaria esse Uchiha que permitiu que ela vagasse através dos tempos solitária chamando por ele?

 

 

Este shinobi líder de clã fez de tudo para persegui-la e nunca a encontrou. Procurou em todas as terras e durante todas as suas duas vidas. Mas, ela provou que de fato poderia ser o que a lenda dizia que ela era, um fantasma... seu Yūrei.

 

 

Agora que ele era um homem velho e seu coração estava inexoravelmente atormentado ela apareceu. Não como em uma visão, mas em carne e osso... e por tempo suficiente para que eles pudessem conversar e ele soubesse seu seu nome.

 

 

 

Os deuses o odiavam.

 

 

 

 

Os deuses odiavam Uchiha Madara.

 

 

 

Queimou profundamente o selo no pulso dela e mesmo enquanto queimava, ele acompanhou a pele se regenerando e seu chakra investindo contra o dele para expulsá-lo. Sua capacidade de cura era espantosa. Mesmo um século depois, ele ainda se maravilhava. Quando terminou, com cuidado e carinho disfarçados, trouxe os cabelos dela de volta ao lugar e a deitou no chão de costas novamente. Antes de levantar desviou os olhos dela para Zetsu e verificou que a criatura acompanhava tudo com muito interesse.

 

 

“Vá verificar a outra mulher. Ajude-a a se curar se for preciso e pergunte se precisará de ajuda para levar a kunoichi e o garoto para um lugar seguro”. Uma desculpa para ficar a sós com ela novamente.

 

 

“Sim, senhor”.

 

 

Assim que seu ‘servo’ se afastou, ele levou seus olhos para a ninja. Com uma das mãos ele fechou os olhos dela e em seguida tocou-a em um de seus pontos nervosos e com uma corrente de chakra a fez desmaiar completamente. ‘É extraordinário como sua beleza permanece eternizada.’ Pensou contemplativamente esboçando um sorriso sútil.

 

 

Levou alguns segundos admirando-a em seu sono, então se recompôs e sussurrou o mais baixo que pode em seus ouvidos. “Adeus, minha flor”.

 

 

Levantou-se, em seguida olhando estoicamente para o Uzumaki que estava visivelmente mais calmo e satisfeito por sua guardiã ter sido salva. “Você não ouviu a última frase”.

 

 

“Sim, ninja-sama” O menino respondeu obediente, como sempre.

 

 

“Permaneça com ela... e se achar que qualquer coisa é um perigo para suas vidas, procure o cemitério sob as montanhas. Estarei lá. Não esqueça desse nome, não hesite em me procurar e por último, não fale sobre isso com mais ninguém”.

 

 

“Sim, ninja-sama”.

 

 

Ouvindo a confirmação do Uzumaki o homem virou-se e voltou para seu prisioneiro. O agarrou pela garganta novamente o suspendendo do chão. Fitou seus olhos com ambos os Mangekyou Sharingans ativados e despertou-o de seu genjutsu. Então, começou a repetir, pela última vez, a pergunta com que torturara sua vítima no mundo dos pesadelos. “O que você quer com ela?”

 

 

Em desespero, o homem imediatamente começou a tremer, mas temendo o que sempre vinha quando não respondia as indagações de seu algoz ele respondeu amedrontado. “Eu não quero nada. Não tenho nada a ver com ela. Nem nunca terei”.

 

 

Satisfeito, o Uchiha continuou “Quem é ela?”

 

 

“Eu não sei”.

 

 

“E o que você quer com o garoto?”

 

 

“Nada. O garoto não me interessa e não tem nada de especial”.

 

 

“E o que acontece se você os ameaçar ou tentar prejudicá-los?”

 

 

“Será melhor estar morto do que pensar em fazer qualquer uma dessas coisas”.

 

 

“Mas, se o fizer?”

 

 

“Uchiha Madara me achará”.

 

 

“E o que mais você deve fazer?”

 

 

“Jamais mencionar esse nome para ninguém”.

 

 

“Muito bem, agora volte para terminar seus novos 30 dias de sonho. Tsukuyomi”.

 

 

Tsunade viu quando o Uchiha de cabelos longos e revoltos, largou seu companheiro de time no chão pela terceira vez, como se fosse um saco de batatas. O homem virou-se fitando a loira rapidamente e em seguida direcionou seu olhar para Sakura. Observou a garota por um longo minuto então suspirou voltando-se para a futura Godaime. “Vocês Senju parecem realmente dar em árvores. Tal qual seu Hokage idiota, seus descendentes não me deixam em paz, são como baratas perseguidoras”.

 

 

A Senju franziu a testa não compreendendo completamente o que o Uchiha dissera. Mesmo assim, a loira enfureceu-se ao ser comparada a uma barata. “Solte-me daqui e te farei engolir todos os seus dentes Uchiha bastardo! Quem você acha que é?!”

 

 

“Você tremeria se soubesse”. O homem sorriu de lado e então, velozmente, saltou para as árvores sumindo.

 

 

Seu ‘servo’, caminhou até a frente da Senju. “A kunoichi ficará bem, precisa apenas descansar. É seu dever cuidar do menino. Meu senhor confiou-o à ela”. Dizendo isso a criatura girou a cabeça para a direita desviando o olhar dela. Olhando ao longe, pareceu pensar um pouco. De repente fitou Tsunade com o canto dos olhos. “Parece que sua ajuda está chegando”. A loira espantou-se olhando para a direção em que ele olhava e no mesmo instante a criatura submergiu no solo a frente dela.

 

 

Tsunade mal sentiu o aperto da madeira que a prendia começar a afrouxar e imediatamente desferiu um soco na estrutura rachando-a ao meio e libertando-se de seu domínio. Saltou caindo ao lado de Sakura e Nagato e ajoelhou-se já iniciando o diagnóstico da rosada inconsciente. Constatou que a garota realmente estava apenas dormindo e que ficaria bem. Olhou para Nagato e viu que o garoto também estava bem. 

 

 

A loira levantou-se já com a Haruno em suas costas e fez sinal para que Nagato viesse com ela. Depositou com cuidado o corpo da garota ao lado de um Orochimaru, também inconsciente. Ainda extremamente indignada com o homem, verificou seu estado superficialmente apenas para ter certeza de que ele viveria.

 

 

Não se importou nenhum pouco com os gemidos e tremores de dor que saiam dele continuamente, nem muito menos ao vê-lo soar frio com expressões de terror em sua face. Apenas por cuidado com Nagato (que parecia assustado novamente com a dor de seu perseguidor) ela tratou de tampar a boca do Sannin com um bolo de ataduras médicas e cobrir seu rosto com sua jaqueta shinobi padrão de Konoha.

 

 

Sentou-se recostada a árvore onde seu companheiro fora torturado. “Melhor agora?” Ela sorriu para o ruivo que assentiu timidamente. A loira então abriu seus braços e fez sinal para que ele viesse e se aninhasse. “Sei que está cansada, criança. Pode dormir, se quiser. Logo nossa ajuda chegará”.

 

 

O garoto adormeceu pesadamente em seus braços. Tsunade olhou para o céu vendo que já se aproximava do meio-dia quando pode sentir a presença da ‘ajuda’ mencionada pela figura bicolor. Não demorou mais de meia hora para que um esquadrão ANBU caísse rapidamente na frente de seus olhos e anunciasse que Jiraiya interceptara Dan, com o regimento do azulado a reboque, vindo para o mesmo lugar que o Sannin. Coincidentemente, o Jōnin e seus soldados rastreavam os vestígios dos ninjas Iwa que tentaram atacar Konoha, quando foram interceptados por Jiraiya.

 

 

Tsunade suspirou, seria um longo interrogatório e um grande porre ter de explicar como ela e Sakura saíram vivas daquilo tudo. Mesmo, feliz por ver seu namorado e seu amigo bem (e trazendo auxílio ainda por cima), a Senju não conseguiu sorrir. Apenas pensava em transformar aquela maldita criatura preta e branca em gelatina bicolor, assim que a visse novamente. Sem falar em Orochimaru, esperaria que ele se recuperasse do genjutsu só para mandá-lo para o hospital novamente.

 

 

Quando um dos soldados de Dan perguntou quem era a kunoichi rosada, Tsunade fitou Jiraiya e Dan em um olhar de compreensão e então respondeu “Está é Uzumaki Sakura, shinobi nível ANBU de Konoha a serviço apenas do Hokage e irmã de Uzumaki Nagato”.

 

Chapter Text

 

 

Tempos Atuais – Segunda Grande Guerra Shinobi, após deixar Sakura e Nagato a salvo com Tsunade

 

 

Após salvar sua flor, o homem Uchiha retornou ao seu esconderijo. Quando deixou seu henge desfazer-se, Madara olhou para suas mãos enrugadas e não pode evitar lembrar-se de seu amigo atrevido e suas perguntas atrevidas.

 

 

Yoshi foi o garoto, o amigo, que lhe fez pensar pela primeira vez em uma rosinha que vira quando ainda era criança. Mau sabia ele que Yoshi, cujo nome significa bom, era o homólogo de Jashin na Terra e que por meio do garoto o deus começou a pôr em prática seus planos de influenciá-lo.

 

 

 

Flashback on

No passado de Madara (5 anos antes da morte de Izuna)

 

Acampamento secundário Uchiha - Campo de treinamentos central – Noite antes da batalha contra o clã Hyuuga

 

 

 

Após um longo dia de descontração, todos os homens encontravam-se bêbados ou levemente alterados pelo álcool que regou os momentos de disputas amigáveis entre clãs aliados nas batalhas. Sendo este um território amigo, Uchihas e Hagoromos misturavam-se e igualmente festejavam as vitórias que viriam.

 

 

O acampamento secundário dos Uchiha servia de alojamento e estava sob os cuidados do clã Hagoromo. Mas, em épocas de batalhas contra os Hyuuga os Uchiha tomavam a posse das instalações principais como lhes era de direito.

 

 

O sol já havia se posto quando de baixo de inúmeras árvores espalhadas pela floresta, mulheres Hagoromo beijavam homens Uchiha e insinuavam-se. As fêmeas Uchihas não se faziam presentes porque moravam no assentamento oficial do clã e não acompanhavam os homens nos deslocamentos para a batalha. Já as Hagoromo viviam no acampamento cedido pelos Uchiha com suas famílias. O qual era visitado no momento.

 

 

Estranhamente, ou não, nenhum dos homens Hagoromo fez questão de companhia feminina naquela noite. Apenas bebiam como se não houvesse outro dia e fingiam não perceber a postura das componentes femininas de seu clã.

 

 

Uma coisa não saia como os Hagoromo planejaram. Dois dos mais importantes oficiais Uchiha não cederam aos encantos das mulheres. Porém, pelo menos pareciam não notar o plano em curso. Uchiha Madara e Uchiha Yoshi apenas bebiam ávida e silenciosamente.

 

 

A noite avançou e aqueles dois jovens meio cambaleantes adentravam um dos aposentos dos alojamentos destinados aos oficiais Uchiha. Sem muita cerimônia, retiraram suas botas e armaduras e jogaram-se cada um em seu futon. De tão cansados e pelo avançar da hora, ninguém se dispôs a banho.

 

 

Ambos os rapazes tinham feições, porte e modos típicos de Uchihas: Cabelos negros, olhos negros, pele clara, traços masculinos marcantes e atraentes, andar marcial e trajavam armaduras escarlates, como os olhos que as vezes se acendiam rubros na batalha. Não havia nada muito diferente disso que pudesse distinguir o mais jovem (16 anos) de todos os outros do clã. Exceto por ser muito falante e porque ainda não havia despertado seu sharingan, o dounjutso de assinatura Uchiha (ou era isso que ele queria que pensassem). Uchiha Yoshi, esse era seu nome.

 

 

Quanto ao mais velho, ele tinha todas as características de um Uchiha e possuía coisas que levaram seu pai, seu clã e as nações a reconhecerem que este era de fato um guerreiro perfeito, um Uchiha genuíno. Ele não podia ser comparado a ninguém porque como ele nunca houvera outro. Não, não havia shinobi vivo mais imponente, de tez mais dura, poder e genialidade na guerra maiores do que ele.

 

 

Bem, em poder e genialidade havia sim quem lhe fizesse frente, os irmãos Senju Hashirama e Senju Tobirama eram muito admirados por isso. Mas, este que comemoraria seus 17 anos com uma batalha para extermínio de um clã, era inigualavelmente mais temível e sombrio.

 

 

Uchiha Madara era a imagem da guerra, do poder e da morte personificados em um homem. O ódio parecia tomar conta do guerreiro de longa juba negra. Fingindo não conseguir dormir, Yoshi virou sua cabeça lentamente na direção de seu companheiro. Aquele se que se encontrava deitado no futon ao lado e insistentemente contemplava o teto como sempre.

 

 

Yoshi decidiu que era hora de instar o Uchiha reflexivo mais a fundo. O menino precisava de mais algumas respostas para decidir sobre o que estava por vir.

 

 

 "Não sentes tais desejos, Madara?"

 

 

‘Ele deve estar falando a respeito do acontecido com as Hagoromo, eu suponho’ Madara nem sequer o fitou, por isso não percebeu que a curiosidade do jovem ao seu lado era maior do que ele pensaria ser normal.

 

 

Alienado, o herdeiro apenas abriu a boca em resposta, permanecendo com a expressão demonstrativa de alguém que estava com a cabeça longe dali. Em outra dimensão até.

 

 

"Meus pensamentos somente são para a guerra desde que meu primeiro irmão faleceu e isso aconteceu quando eu nem ainda sabia manejar uma kunai direito".

 

 

Nisso, Madara em parte havia falado a verdade. De fato, seus pensamentos só se ocupavam com a guerra desde então.

 

 

No entanto, uma única vez pegou-se refletindo profundamente sobre 'sentimentos'. Lembrou-se ele, de quando seu pai o chamou para lhe passar ensinamentos sobre os costumes originais de matrimônio em seu clã.

 

 

Ao ouvir sobre suas tradições, o jovem Madara se questionou se de fato um dia teria condições de amar alguém além de seu último irmão. Ele sabia que a guerra não lhe deixaria nada. Então, tudo o que adolescente menos queria era mais alguém para lhe ser arrancado.

 

 

Se algum dia ele se casasse, mas perdesse seu irmão, a vida perderia o sentido de ser. Não seria qualquer estranha com pedaços de pele a mostra que o faria acender a lanterna na profunda escuridão que se tornaria seu coração.

 

 

O tempo passou e ele envelheceu, em suma, a única ideia de amor que o Uchiha experimentara era a de amor fraternal.

 

 

Yoshi, ainda mais intrigado com a resposta do amigo, resolveu tentar outra pergunta. Porém, ele sabia que já estava ultrapassando os limites da paciência do mais velho, que não era de muita conversa.

 

 

Todavia, o rapaz sentia que aquele momento era propício. Talvez fosse pelo efeito do saquê que parecia deixar o outro mais falante.

 

 

Então, sentando-se em seu futon, o jovem virou-se em direção ao amigo e com as pernas cruzadas (como quando se medita), espalmou as mãos cobrindo cada um de seus joelhos. Juntou as sobrancelhas em uma expressão enrugada de espanto/admiração em seu rosto.

 

 

"Sério, Marada-san?! Nunca amaste ninguém?"

 

 

Sim, ele se atreveu. Mesmo sabendo que estava literalmente “cutucando uma onça com vara curta” ... e neste caso estava mais para um gigantesco leão.

 

 

Pois é, Yoshi sabia que o temível Uchiha Madara odiava intromissões em sua vida privada (aliás parece que ele odiava tudo, afinal). Ele estava ciente de que tudo o que dizia respeito aos seus sentimentos do seu superior era sensível,  já que seu coração estava enegrecido pelo luto e ódio eternos. Mesmo assim, se atreveu.

 

 

Saindo de seus devaneios, Madara finalmente percebeu a curiosidade daquele que sem amor à própria vida lhe interpelava acerca de seu íntimo. Com calma admirável (para ele) e após um longo suspiro, respondeu:

 

 

"Não. Mulheres não significam nada para mim. São seres fracos e tediosos – Madara não sabia, mas Yoshi conhecia a verdadeira razão do porquê aquele homem sempre andava sozinho".

 

 

Um longo silêncio se seguiu, nisso Madara continuava suas reflexões. Desta vez, forçado pelo momento a pensar sobre mulheres.

 

 

O Uchiha lembrava-se de que fora sua mãe, que havia falecido, a única mulher com quem ele tivera contato foi uma certa pequenina menina de cabelos rosados (dar ordens a servas e pedir conselhos a Yume-baa-chan não contava para ele).

 

 

Foi difícil, mas ele admitiu para si mesmo ‘Eu poderia admirá-la também’.

 

 

Nostalgia o inundava e um pequeno sorriso se ensaiou em seus lábios quando a tristeza repentinamente o atingiu.

 

 

‘A guerra já a deve ter levado... tanta inocência não pode sobreviver a esse mundo desgraçado’. Suas feições eram uma carranca dura agora.

 

 

‘Poder... Ódio... Guerra... Dor... É para isso que homens como eu foram forjados. Amor, talvez só pode descrever o que sinto por minha família e meu clã’.

 

 

"Eu acho que posso te entender... Talvez..." Yoshi quebra o silêncio novamente. E segue afoito, derramando várias dúvidas de uma vez só:

 

 

"Mas... mesmo dentre as moças do nosso clã, não achaste nenhuma digna para tornar-se sua hime? Que características tão especiais procuras?..."

 

 

"...Sabes que agora que estas próximo dos 18 anos completos, certamente teu pai e o conselho irão pressionar-te para escolheres a futura matriarca?! Afinal, não é dado a tua linhagem privar nosso clã de herdeiros".

 

 

Ao expor suas dúvidas Yoshi não evitou descortinar toda a curiosidade que tinha em sua expressão. O jovem viu em seguida o rosto de Madara empalidecer-se, um longo silêncio se seguiu acompanhado de um ar que se tornava cada vez mais denso.

 

 

Sabendo bem o que significava isto, o garoto resolveu pedir desculpas na tentativa de abrandar qualquer efeito negativo causado em seu companheiro por sua ousadia. Ele precisava ter calma. Já havia conseguido muito em uma única noite.

 

 

Baixando a cabeça e mudando sua expressão, antes curiosa agora para uma solene e servil, o garoto ajoelhou-se ao lado do futon do outro e com a testa colada ao chão iniciou seu pedido de desculpas.

 

 

"Madara-sama, por favor, me perdoe pela intromissão. Peço sinceramente que não me leve a mal, sei que não possuímos intimidade suficiente para que eu me dirigisse ao senhor nesse tom e ainda por cima falando sobre coisas tão intimas. Por favor, eu imploro que aceite minhas desculpas!" Para o mais velho, o menino pareceu estar de fato arrependido.

 

 

Madara, percebendo a constrição do rapaz, viu-se em um dos raros momentos em que não estava a fim de punir ninguém. Ainda mais alguém que claramente se arrependera de sua petulância.

 

 

Lembrou-se ele de que o garoto tinha gradual e incansavelmente conseguido fazer Izuna esquecer-se de suas perdas e voltar a guerra como o guerreiro que era.

 

 

Além de que, seu irmão já o via como um amigo verdadeiro. Yoshi ajudará Izuna a superar muitas das tragédias em sua vida, simplesmente por ouvi-lo, quando Madara não estava presente.

 

 

Neste momento, o Uchiha sem dúvida não puniria Yoshi por tão pouco, nem mesmo com a mais leve das punições.

 

 

O futuro líder de clã tinha mesmo que admitir, o garoto era uma boa pessoa. Madara confiava nele e gostava de ouvi-lo, apesar de fingir lhe ser indiferente todo o tempo.

 

 

O herdeiro Uchiha, que ainda fingia contemplar o teto do alojamento, virou-se dando as costas para o garoto. Yoshi permaneceu ajoelhado parecendo um tanto temeroso ao seu lado, até que seu senhor decidiu se pronunciar, em seu tom sério costumeiro:

 

 

"Você fala de mais, Yoshi. Vá dormir, porque se amanhã estiveres desatento durante a batalha pelos efeitos do álcool e falta de sono, te deixarei morrer".

 

 

'Hn...É como pensei!' Jashin exclamou satisfeito na mente de Yoshi. Ambos tinham um enorme sorriso estampado em suas feições, o do rapaz Uchiha estava visível, quando ele voltou ao seu futon.

 

 

'Boa atuação, Yoshi!'

 

 

'Eu disse que não decepcionaria, Jashin-sama!'

 

 

'Hn, a partir de agora teremos muito mais trabalho. Espero que continue assim'

 

 

'Hai!' O rapaz exclamou, já sonolento.

 

 

As noites de Madara se tornariam mais intrigantes a partir daquele dia, pois o ‘menino’ se certificaria de que seu amigo começasse a sonhar com as lembranças de seus encontros com uma mulher de cabelos rosáceos.

 

 

Chapter Text

 

 

"Madara, eu preciso ir. Não posso chegar muito tarde ou meu pai poderá mandar Tobi me procurar. Da próxima vez que nos virmos poderíamos treinar o estilo katon, eu não sou muito bom nele, o que você acha?"

 

 

O menino de cabelos espetados ficou meio sem graça internamente, por não poder revelar que pertencia a um clã proficiente naquele estilo e que poderia ensinar o amigo se ele quisesse. Teria de mentir, mais uma vez e ele não se sentia bem com isso... a muito tempo.

 

 

"Katon será interessante, embora eu quisesse te dar mais uma surra no Taijutsu". Ele sorriu ao ver o outro com a familiar sombra depressiva pairando em todo o seu rosto. Então, ainda divertido, continuou. "Eu entendo, também não posso demorar. Meu pai também pode querer mandar Izuna me procurar".

 

 

"Será katon, então!... e da próxima vez, eu te deixo vencer no Taijutso só para você não ficar emburrado desse jeito! Até lá, Madara!"

 

 

O garoto, de vestes azuis e obi roxo, ferveu de raiva com o desdém divertido do outro de cabelos castanhos.

 

 

"Até parece que sou eu o chorão aqui..." O amigo, de olhos castanhos, sorriu radiantemente para ele.

 

 

"Vai embora logo, baka!" Madara esbravejou.

 

 

O garoto Senju deu-lhe as costas e antes de saltar para as árvores,  mas antes de ir embora disse em tom apreciativo e amigável:

 

 

"Você não muda, Madara... se irrita tão facilmente!"

 

 

O garoto Uchiha, tendo ficado só, virou-se para o rio atrás de si e pensou ‘Espero que traga roupas de sobra da próxima vez, Hashirama. Pois não evitará conhecer os peixes do fundo desse rio’.

 

 

Ele sentiu-se satisfeito com a vingança que tramara. Então, aplicou chakra na sola de seus pés e cruzou o rio, correndo velozmente.

 

 

Era o meio da primavera e um fim de tarde ameno naquele dia. Dirigindo-se ao assentamento dos Uchiha naquela estação, Madara passava por uma cerejeira em flor, rapidamente.

 

 

O rosa brilhou no canto de seus olhos e ele parou. Ao longe, olhou do outro lado da clareira para aquela árvore. Seu coração se acalmou e se apertou inundado com a saudade de sua mãe. Uchiha Maya amava a primavera, principalmente por causa das flores de cerejeira.

 

 

Flashback on

 

 

Um vento soprou forte, fazendo as pétalas de cerejeira flutuarem pelo ar, espalhando-se suavemente por todo o chão e sobre uma mãe Uchiha e seu jovem herdeiro.

 

 

"Sabe, meu filho..."  Sentados aos pés de uma cerejeira, a mulher de longos cabelos escuros acariciou os cabelos revoltos de seu mais velho. Ele aninhava-se em seu colo e olhava ao longe seus irmãos perseguindo um ao outro. Fingiam batalhar com katanas e shurikens, entalhadas em madeira. "Nem sempre os Uchiha adoraram apenas às três grandes divindades..."

 

 

O menino desviou os olhos de seus irmãos e olhou para a mãe em curiosidade. Ela viu que conseguira capturar a atenção de seu pequeno guerreiro. Então, satisfeita, decidiu continuar.

 

 

"Nós somos um povo antigo e colecionamos lendas antigas. Nossos ancestrais celebravam o Hanami em homenagem ao nosso Pai e à sua musa. A sua primeira amada... Minha kaa-san me contava, quando eu era apenas uma menina, que ele se chamava Indra e que Indra era descendente de uma deusa. Assim, Os Uchiha são descendentes das divindades."

 

 

"Oh! – Quer dizer que somos abençoados, kaa-san?"

 

 

A matriarca, no auge dos anos de sua beleza, sorriu para a inocência de seu menino de olhos negros como a noite.

 

 

"Você com certeza é, meu pequeno Madara". Os olhos dele brilharam e um sorriso infantil se abriu. "Agora deixe-me continuar, sim?! " Ela falou, suavemente e apertando as bochechas dele. O menino voltou a recostar-se em seu abraço e ela a acariciar seus cabelos espetados e sedosos.

 

 

"Dizem que nós Uchiha somos descendentes de uma deusa e talvez, isso seja mesmo verdade. Mas, não é o mais importante em nossa história... Pelo menos não para aqueles que conheceram a paz, mesmo que por um curto período. Quando ainda podíamos morar sem nos escondermos, cultivávamos jardins para aquela que teria sido a nossa Mãe. Nossos ancestrais a veneravam como nossa protetora. No Hanani cantávamos canções que diziam que uma deusa enamorou-se de Indra e que desceu, para conhecê-lo, na frente dos mortais. Dizem que foi nessa época que a Primavera beijou a Terra do Fogo pela primeira vez... e que onde seus pés nus tocaram a terra nua, uma cerejeira nasceu e floresceu no mesmo dia".

 

 

"Isso não é possível, kaa-san! A cerejeira demora muito a crescer! " O menino falou, convencido.

 

 

"Shhhh! Você disse que me deixaria falar, amor. Ouça kaa-san, por um minuto, sim?!"

 

 

"Perdão, kaa-san! Você pode continuar, por favor".

 

 

A mãe sorriu, seu menino era muito inteligente e ansioso. Uma criança alegre e divertida... Como Maya desejava que seus meninos pudessem ficar para sempre em seus braços... ou pelo menos até seus últimos momentos.

 

 

"As canções diziam que a deusa era como nada jamais visto, lindíssimos cabelos e olhos negros como a noite, que seus lábios e as maçãs do rosto eram corados com o rosa das flores da cerejeira que ela fez nascer e que suas vestes de seda eram de um branco etéreo... Que ela se vestia como a lótus branca e possuía a sua graça e elegância no andar".

 

 

"Então, ela era bonita como a senhora".

 

 

"Hn, acho que seu pai concorda com isso". A mulher sorriu. "Indra a amou profundamente e lhe pediu a mão em casamento. As histórias contam que muitas cerejeiras se espalharam pela Terra, depois disso e que eles eram vistos abraçados debaixo delas..."

 

 

"... O casamento aconteceria em algum tempo. Mas, Indra um dia pediu a ela que esperasse para que ele pudesse assumir o lugar de seu pai, como era o direito do mais velho. Ela o compreendeu e se alegrou com ele, mas infelizmente Indra foi para a terra de seu pai reivindicar sua herança e não retornava..."

 

 

" ... A deusa, entristecendo-se, descobriu que Indra possuía um irmão e que eles estavam em guerra. Na esperança de que nosso Pai voltasse para ela logo, ela decidiu encontrá-lo e oferecer sua ajuda na guerra. Infelizmente, Indra disse que não aceitaria ajuda dela, que venceria por si mesmo e só depois se casariam. Ela viu que seu amado não era mais o mesmo... Dizem que o coração dele ainda a amava, mesmo assim a deixou ir... e, mais tarde, outro deus desceu para consolá-la..."

 

 

"... No entanto, essa divindade também a amava. Incansável, ela convenceu a deusa de que se ela ajudasse o irmão de Indra a derrotá-lo, nosso pai voltaria para casar-se com ela e deixaria suas ambições de lado. Foi assim que a nossa protetora transferiu à linhagem dos Senju a liberação de madeira. O Pai deles venceu o nosso, mas Indra foi tomado pelo ódio e rejeitou o amor dela, novamente, não se casariam enquanto ele não tomasse seu lugar de direito. Aquele outro, que também amava a deusa, então tentou convencê-la de que Indra jamais a amou de verdade... apenas a ele mesmo e suas ambições..."

 

Madara a interrompeu, aparentando uma indignação infantil muito fofa aos olhos de Maya.

 

 

"Mas, essa é uma história muito triste, kaa-san!... Porque venerávamos a deusa que deu aos Senju o que deveria ser nosso?"

 

 

"Essa é sim uma história triste, meu amor. Todavia, também é uma história de esperança e lembre-se, é nosso aquilo que é nosso... A liberação de madeira é dos Senju, nós temos o sharingan, eles não tinham nenhum limite de linhagem... e se a deusa achou que eles mereciam, então eles mereciam".

 

 

"Tudo bem, kaa-san... o sharingam é mesmo muito melhor, eu sei!"

 

 

Maya riu com a afirmação ciumenta de seu pequeno porco-espinho.

 

 

"Depende meu querido, depende de para que nós o usamos. Bom, voltando à lenda. Nós a venerávamos porque ela amou Indra até o fim. Ela o esperou até o fim... mesmo, quando o deus, que a queria, dizia que Indra jamais a amaria. As canções dizem que ela, um dia se entristecendo e cansando de viver longe de seu amado, resolveu espalhar sua essência pela Terra do Fogo..."

 

 

"... Ela creu que assim, quando uma das pétalas de cerejeira tocasse a pele de Indra, durante a primavera, ele lembraria que a amava e voltaria para que se casassem. A deusa se foi soprada pelos ventos. Ventos esses que carregavam as pétalas róseas para todos os cantos do nosso país..."

 

 

"... Um dia nosso Pai retornou, ele desistira da guerra com seu irmão e voltou procurando por sua amada, mas não a encontrou... Contava-se que por anos ele aguardou sua volta, até que se convenceu de sua ‘morte’ ao ter espalhado a sua essência em busca dele. Nesse dia, os olhos dele mudaram... o Mangekyo Sharingan. Vendo-o abatido, os moradores passaram a cultivar as cerejeiras em grande número no vilarejo em que Indra morava. O fizeram na esperança de que assim alguma das pétalas tivesse essência da deusa suficiente para acordá-la e avisá-la de que seu amor voltara para ela...."

 

 

"... As canções contam que, muito mais velho, Indra um dia achou uma bela mulher de olhos negros e cabelos negros que o lembrava dela. Ele a amou, mesmo que não fosse a deusa, então eles se casaram. Ele jamais esqueceu seu primeiro amor, mesmo assim, também amou sua nova esposa profundamente..."

 

 

"... Daí sugiram as lendas sobre o grande amor que se escondia no coração e nos olhos de nosso Pai. Mais tarde lhes nasceram filhos e filhas e ele lhes chamou Uchiha. O Uchiha cresceu abundantemente e dominou vastas extensões de terra... Indra um certo dia voltou a guerrear com seu irmão e se foi... levado, mais cedo, pelo ódio àquele que diziam se chamar Ashura, o progenitor do clã Senju..."

 

 

"... Muito depois disso, contudo, as cerejeiras debaixo das quais Indra chorou por sua musa, nunca deixaram de florescer... nos lembrando de nossa esperança... a esperança que nós mulheres Uchiha temos de que nossos maridos e filhos voltem para nós mais cedo... e que nos amem tanto quanto Indra foi capaz de amar, pois eles são seus descendentes".

 

 

A Uchiha fez uma pausa reflexiva e Madara vendo isso aproveitou a oportunidade para confortá-la.

 

 

"Eu e meus irmãos traremos oto-san para você, kaa-san. Não se preocupe!"

 

 

"Eu não queria que vocês fossem para a guerra, meu amor... Mas, que se fossem... pelo menos que eu pudesse estar ao lado de vocês, assim como a deusa queria estar ao lado de Indra..."

 

 

O pequeno Uchiha de 6 anos, ficou curioso.

 

 

"Se você quer, porque não vem conosco kaa-san? Você, têm medo?"

 

 

A mãe do garoto bufou divertida.

 

 

"Não é nada disso, querido. É verdade que muitas mulheres Uchiha tem medo da guerra, mas não vamos por muitos outros motivos. A maioria pelos quais as mulheres de outros clãs também não vão: Porque precisamos cuidar das novas gerações, protegê-las... – ‘ao menos até que sejam cruelmente arrancados de nossos braços por essa guerra interminável’ pensou. __ e ensiná-las; Porque... alguns de seus maridos não querem perdê-las ou porque alguns às subestimam. Mas, no caso das mulheres Uchiha, há ainda mais um fator que impede aquelas que querem seguir seus maridos e família nos confrontos..."

 

 

"... houve, entre os primeiros anciões Uchiha, quem interpretasse as histórias de que lhe falei, de maneira errônea. Eles é que deixaram escrito que mulheres de nosso clã não iriam a guerra para que não traíssem seus maridos, assim como a deusa traiu Indra aliando-se ao Senju. Eles não escreveram essa parte, é claro... mesmo assim, as ordens foram obedecidas. Os anciões de nossos ancestrais foram mais longe usando as lendas, mal interpretadas, para instigar o ódio aos Senju nos nossos corações... ainda mais...."

 

 

"... Acabou que, depois de algum tempo, as lendas e canções foram condenadas, bem como a lembrança da deusa que vinha com o florescer das cerejeiras. Dizem que foi por esses tempos que o Hanami quase deixou de ser comemorado e a guerra entre o Uchiha, Senju, Hyuuga e o resto do mundo começou..."

 

 

"... Tudo é história, boatos. Mas, acredita-se que desde que a fé da deusa na capacidade de mudança de Indra foi esquecida, o nosso sangue e de nossos irmãos começou a ser derramado. O Hanani continuou a ser comemorado, mas as antigas canções foram substituídas aos poucos, até que não só a deusa foi esquecida, o nome de nosso Pai e sua capacidade de amar também. Logo, o Uchiha esqueceu que poderia perdoar seus irmãos de outros clãs".

 

 

"Mas, isso foi culpa do Ashura... não foi? Ele roubou o lugar do nosso Pai, kaa-san!"

 

 

"Não, meu pequeno. Apesar de condenadas, as versões das lendas contadas pelos ancestrais da minha kaa-san dizem que a culpa do ódio ter perdurado no coração de nosso Pai foi do deus que invejou a ligação que Indra compartilhou com sua primeira amada. Outras versões das canções mencionam que ainda havia outra divindade, que possuía duas almas em um corpo, e odiava Indra e ajudou a primeira divindade a afastar as suas almas gêmeas..."

 

 

"... Indra desistiu da guerra com Ashura, por um tempo, para voltar para ela. Mas, a primeira divindade impediu que a essência dela ressurgisse. Alguns antigos achavam que ele a fez dissolver e ser jogada na roda da reencarnação... poesias trágicas terminavam mencionando que eternamente pedaços da alma dela vagariam, levados pelo vento, a procura da alma dele. Nossos ancestrais acreditavam que, se Aka Ito for real, eles ainda se encontrarão nos céus ou na Terra, no plano terreno ou nas dimensões espirituais, de onde os deuses irmãos dela pertencem".

 

 

"Aquela divindade invejosa não foi punida pelos irmãos dela, kaa-san?"

 

 

"Bom, sabia-se muito pouco sobre ele. Dizem que ela possuía uma irmã e que essa divindade se enfureceu e..."

 

 

A matriarca Uchiha foi interrompida pela forte voz de seu marido, Uchiha Tajima. O patriarca chamava seu filho mais velho em tom de repreensão.

 

 

"Madara! Venha mostrar a Izuna como se deve lançar kunais direito. Você vai amanhã para o campo de batalha com os Senju, já está mais que apto para ajudar seus irmãos a treinarem. Já és um adulto, saia de debaixo das camadas de seda do quimono de sua kaa-san!"

 

 

Inocentemente, o menino olhou sorridente para sua mãe e acenou em um pedido mudo de permissão para ir-se.  Com o coração apertado, Maya assentiu em permissão. Quando o menino já a havia dado as costas e corria para longe, ela o segurou pelo pulso e amorosamente falou:

 

 

"Não se esqueça que prometeu que voltaria para kaa-san, meu amor".

 

 

Confiante, o menino sorriu para ela.

 

 

"Eu cumpro minhas promessas kaa-san!"

 

 

 

Flashback off

 

 

Nostálgico, o Uchiha decidiu saltar em direção da única cerejeira em flor em todo o seu caminho e... a única em alguns muitos quilômetros da floresta também.

 

O jovem shinobi de 10 anos de idade, pousou sobre o maior dos galhos da árvore e quando se erguia ereto novamente, na intenção de olhar para os galhos e flores acima de si, sua cabeça colidiu com outra. Por causa do choque, instintivamente, ele não pode evitar o reflexo de fechar os olhos e levar uma das mãos ao alto da cabeça, onde fora atingido. Ao mesmo tempo, um grito infantil agudo feriu seus ouvidos.

 

 

"Aiiii!"

 

 

Madara, com isso abriu os olhos e viu apenas uma cabeleira rosa na frente deles. As mechas, da cor de doces dango, roçavam em seu nariz... ele achou que o cheiro era bom, pelo menos. Pensou algo do tipo, rapidamente. Quando iria erguer a cabeça e afastar as mechas, com aroma de cereja, de seu olfato e de seus olhos para então poder olhar para o dono dos cabelos rosados, a voz aguda retornou.

 

 

"Olha por onde anda, pirralho!"

 

 

Ele encheu-se de raiva com o apelido. Nem conseguiu se importar com o fato de descobrir que era uma menina que gritava com ele... e da mesma idade dele, pelo jeito.

 

 

"Eu não sou pirralho, sua fedelha!"

 

 

A garota bufou de raiva e desprendeu-se do galho acima dele, caiu bem na frente do herdeiro Uchiha.

 

 

"E eu não sou fedelha, sou uma guerreira." – Ela falou sem fitá-lo e dando-lhe as costas, imediatamente, como forma de desdém.

 

 

"Ah então, nesse caso, eu sou o Kami dos Shinobi!" Ele riu-se maroto, divertindo-se ainda mais ao ver os ombros da garota se tensionaram em sinal de fúria.

 

 

O Uchiha deixou de rir, quando cruzou os braços em curiosidade. Sua atenção foi chamada, mais uma vez, ao reparar que a garota se vestia finamente com sedas muito brancas para alguém que gostava de ficar pendurada em árvores no meio de uma floresta.

 

 

Ela virou-se interrompendo a análise dele. Quando os olhos esverdeados dela encontraram os escuros dele, eles se arregalaram em surpresa e ela desequilibrou-se caindo da árvore.

 

 

Ele, com os braços ainda cruzados e preso em seus pensamentos, apenas viu um borrão rosa despencar da sua frente com um grito de uma palavra entrecortada que soou algo parecido com ‘Sa - su – keeeee?”

 

 

Para orgulho dele e sorte dela (ou seria raiva?), ele a pegou no ar, antes que tocasse o chão. As sedas do vestido da pequenina rosada esvoaçaram ao redor deles durante o pouso. Ele colocou-a com cuidado no chão e percebeu que ela ficou com o rosto rosado e tentava segurar um pequeno sorriso, a julgar pelo elevar de suas bochechas e do canto de seus lábios. Ela piscou algumas vezes, então o agradeceu.

 

Madara, que não entendia nada de meninas naquela época (talvez nem depois também), ainda estava curioso e depois do acontecido, sobretudo divertido.

 

 

Olhou para a menina e a tratou como tratava seu único amigo. Com um sorriso triunfante e uma expressão de divertimento, caçoou dela:

 

 

"Guerreiros não ficam caindo de árvores como se fossem frutas maduras!"

 

 

O rosto dela ficou mais vermelho, porém por raiva e seus olhos jade se estreitaram.

 

 

"O que você quis dizer com isso?!" A garota rosnou para ele.

 

 

"Eu quis dizer o que eu quis dizer." Ele não pode evitar cruzar os braços e alargar o sorriso, ainda mais. Havia encontrado uma distração, uma mais divertida que Hashirama.

 

 

Porém, ele não esperava que ela viesse a passos muito firmes e raivosos em sua direção e com ambos os punhos levantados ameaçadoramente.

 

 

Madara descruzou os braços espantado, mas ainda divertido e dando alguns passos para trás levantou as mãos em falsa rendição.

 

 

"Calma fedelha, foi só uma advertência. Se você é guerreira deveria saber que foi muito distraída... " Não pode continuar porque, ao ver a raiva dela, gargalhou no meio do discurso.

 

 

Ela que havia parado, momentaneamente, para escutá-lo, voltou a andar furiosa na direção dele. Foi quando algo estranho aconteceu. O Uchiha sentiu um faiscar rápido e denso de chakra vindo dela, insanamente seus reflexos treinados em batalha entraram em alerta e seu sharingan se ativou.

 

 

A garota congelou, frente a ele. Seus punhos foram baixando e sua expressão mudou de raivosa para desconcertada.

 

 

"Você não deveria ter o sharingan ainda.." Ela balbuciou fracamente, como se falasse para si mesma.

 

 

Ele, que não tinha nada contra ela até o momento e ativara os olhos apenas por instinto, agora sentiu-se ameaçado com a constatação da menina.

 

 

"Como sabe sobre o sharingan?! Você é algum espião disfarçado, por acaso?" Madara agarrou o braço direito dela com força. Se fosse um espião disfarçado de criança ele sentiria falta de sua katana e armadura, pois não era tão hábil em batalha ainda. Mesmo assim, já levava a outra mão para alcançar uma de suas kunais em suas costas.

 

 

A garota pareceu nem perceber o aperto dele em seu braço, pois apenas fitava ininterrupta e desconsertadamente os olhos rubros do garoto.

 

 

Madara pensando tratar-se apenas de deslumbramento, suavizou sua apreensão. Contudo, evitou baixar a guarda perto dela, como fora ensinado, e repetiu a pergunta ainda com a mão segurando forte o braço feminino.

 

 

"Como sabe sobre o sharingan?"

 

 

Ela piscou longamente, mas não saiu de seu ‘transe’. Aquilo estava definitivamente estranho, Madara decidiu. Será que a garota estava alucinando, em algum genjutso ou algo do tipo?

 

 

"Você é um Uchiha, Sasuke..." A resposta dela veio e se interrompeu. Pareceu que a garota se perdeu dentro dela mesma enquanto o olhava nos olhos. Ele teve a sensação de que ela nem o via.

 

 

Madara ficou aturdido, seu raciocínio o mandava fazer milhares de coisas diferentes com sua recém-descoberta, provável, ameaça. Em milésimos de segundos seus pensamentos eram uma confusão, um misto de não saber se tentava ajudá-la a sair do ‘transe’ ou aproveitava e a capturava para interrogá-la.

 

 

Não precisou decidir porque ela, inexplicavelmente (a julgar pelos seus olhos que piscaram rapidamente para clarear as vistas), voltou ao normal. Ele que a encarava atônito, foi pego mais uma vez de surpresa, quando foi atingido na cabeça por um soco. Um soco  leve, mas forte o suficiente para se parecer com uma repreensão.

 

 

"Sasuke, você virou um baka, como o Naruto, agora?!"

 

 

Mas, quê!? Madara não entendia mais nada. A menina mudou radicalmente de atitude com ele e voltou a chamá-lo daquele nome. Pelo jeito era um nome, concluiu. Será que ele estava sendo confundido com outro? Outro Uchiha? Mas, ele não conhecia nenhum Sasuke... e quem era Naruto? Isso não era ingrediente de rámen?

 

 

Ele soltou definitivamente o cabo de sua kunai e levou a outra mão ao braço dela. Sacudindo-a, baixou a cabeça ao nível dos olhos dela e fitou-a atenta e firmemente.

 

 

"Ei! Acorda! Eu não sou esse tal de Sasuke... e por Kami, quem diabos é Naruto?"

 

 

A sacudida que deu na menina, pareceu surtir o efeito reverso e ela não parou de espantá-lo, mudou mais uma vez o humor ou personalidade... ele já não sabia entender do que se tratava. Apenas assustou-se quando foi agarrado em um abraço de urso junto da frase mais desconcertante que poderia ter imaginado ouvir.

 

 

"Sasuke, você voltou para mim?!"

 

 

Espantado, ele não pode responder porque sentiu que estava sendo sacudido. Não sabia como, mas percebeu que estava de olhos fechados. Quando os abriu encontrou os rostos de um Izuna e um Uchiha Yoshi muito preocupados.

 

 

"Ainda bem!" Izuna sorriu para ele, oferecendo-lhe uma das mãos para que se levantasse.

 

 

Yoshi com um olhar brilhante, fez o mesmo. "O que houve Madara-sama?"

 

 

Madara, que não sabia que estava deitado no chão aos pés da cerejeira (que nem pode contemplar pelo visto), levantou-se, olhando para todos os lados em seguida.

 

 

"O que procura, Madara-nii?"

 

 

‘Onde ela está?’ se perguntou. Não a encontrando, respondeu rapidamente ao irmão:

 

 

"Vocês a prenderam?" – recebendo apenas silêncio em resposta, ele completou. "A garota de cabelos rosa, vocês a prenderam?"

 

 

Izuna e Yoshi, a sua frente, se entreolharam encolhendo os ombros um para o outro em sinal de que não sabiam do que o mais velho falava. Izuna foi que se manifestou primeiro.

 

 

"Achamos que você dormiu e acabou caindo da cerejeira durante o sono, nii-san!"

 

 

Yoshi alargou seu sorriso ao ver Madara pasmo dando-lhes as costas para olhar para o galho em que estivera, talvez, dormindo ou brigando com uma menina rosada maluca que tinha um soco de direita bem forte para sua idade.

 

 

Vendo que Izuna não receberia resposta alguma do herdeiro, depois de um tempo, Yoshi sussurrou para Izuna “Será que os sonhos foram bons?”

 

 

Madara ouvindo aquilo, apenas se recompôs e virou-se para os mais novos. “Calem-se e vamos voltar!”

 

 

 

Tempos atuais – Durante a Segunda Guerra Shinobi – No Cemitério sob as Montanhas

 

 

 

O guerreiro, de rosto envelhecido e longos cabelos brancos, acomodava uma pequena muda de cerejeira em um vaso de madeira. Chegou-lhe mais terra às raízes e firmou-as com cuidado e olhos úmidos.

 

 

‘Você será um belo bonsai, flor’.

 

 

Chapter Text

 

 

 

Tempos atuais – Segunda Guerra Shinobi - Konohagakure no Sato

 

 

“Ah! Você finalmente acordou, minha jovem!”

 

 

“Uh, quem é a senhora?”

 

 

A senhora, divertida, sorriu radiantemente com um olhar terno para ela. Sakura deu-se conta de que ela tinha algo mais em seu olhar, como se a conhecesse...

 

 

A rosada em sua cama, piscou algumas vezes e forçou o olhar para analisar sua visitante. Fez uma análise completa. Começou reparando na forma como se vestia elegantemente e formal. Ela usava um quimono, como os que as senhoras de Damyos gostavam. Porém, seu modo de vestir não era extravagante, apenas duas cores: branco e vermelho. O corte do quimono de gola alta e as sobreposições de cores pareciam familiares. Sentiu que já vira algo assim... antigo.

 

 

As mãos cruzadas sobre as coxas, estavam bastante enrugadas, contudo delicadas. A rosada afastou o olhar para poder fitar o quadro completo da outra mulher a sua frente.

 

 

Sakura espantou-se quando o nome veio a sua mente. Tirou os olhos dos cabelos ruivos envelhecidos e fixou-se, imediatamente, no diamante roxo que ela ostentava no meio da testa.

 

 

Voltou aos cabelos ruivos, eles foram presos em dois coques. Dois coques adornados decalques com marcas de selamento.

 

 

A médica sorriu sutilmente e encontrou os olhos claros e um sorriso largo na anciã.

 

 

“Pensei que morreria antes que pudesse te conhecer, minha jovem”.

 

 

“Uh? A senhora exagera, Mito-sama...” Sakura levou uma das mãos para coçar a nuca, assim como Naruto fazia quando estava envergonhado. “... É uma honra poder conhecê-la”.

 

 

A rosada falou sentindo-se imensamente privilegiada por poder conhecer a lendária Uzumaki Mito, princesa de Uzushiogakure, Mestre em fūinjutsu, primeira jinchūriki da Nove Caudas e esposa do Shodai Hokage de Konoha.

 

 

“Os deuses sabem que não exagero... Como se sente, querida?”

 

 

“Eu estou bem melhor, só... confusa”.

 

 

“Confusa?... Por quê?”

 

 

“Eu acho... minha mente está cheia de imagens e sensações... sentimentos... estou uma confusão, conturbada... deve ser resultado dos delírios causados pela maldição... Mas, o que houve? Onde estão Nagato e Tsunade-sama? Eles estão bem?”

 

 

“Acalme-se, querida. Está tudo bem, tudo deu certo no final! Todavia, estou curiosa... sobre o que você delirava?”

 

 

Sakura franziu o cenho com isso. “Bem, em alguns momentos eram sonhos amenos, em outros eram situações tensas. Pensei ter visto meu companheiro de time, lugares conhecidos da minha infância em Konoha... porém... em outros momentos...”

 

 

A moça parou pensando em quanto era confuso tudo o que podia se lembrar de seus delírios. Mito que ouvia a tudo, com imenso interesse, a instigou a continuar. “Em outros momentos?

 

 

Sakura colocou a mão em uma das têmporas sentindo desconforto ao forçar sua mente. “Em alguns momentos... pensei ter sonhado com um antigo inimigo

 

 

“E... você sonhou com algo mais?”

 

 

“Bem... eu acho que sonhei com Konoha... do passado e coisas antes dela... minhas memórias e as de Shodai-sama devem ter entrado em conflito e meus delírios às subverteram”.

 

 

“Hn... isso é realmente interessante, você poderia me contar sobre o que exatamente sonhou?

 

 

“Sim. Mas, com todo o respeito, foram apenas delírios... o que pode haver de tão interessante nisso, Mito-sama?”

 

 

“Sou uma mulher velha, tenho muito tempo sobrando, então gostaria de me divertir ouvindo seus contos em primeira mão, minha querida... e você ainda demora a receber sua alta, de acordo com a menina Tsunade”.

 

 

A konoha-nin riu-se da motivação dela. Como não tinha nada melhor para fazer e realmente amou a companhia da lendária e gentil Uzumaki, ela decidiu contar-lhe tudo o que se lembrava. Por sorte sua mente se clareou rapidamente e a dor de cabeça cessou.

 

 

A moça contou que em boa parte dos seus sonhos ela passou vagando por uma floresta muito semelhante à de Konoha. Em alguns momentos ela sentiu-se como se tivesse voltado a sua infância, em outros... ela vagava sozinha em meio a mata à procura de Sasuke. De repente as coisas se misturavam e ela pensava ter visto Sasuke ainda menino, no entanto, as vezes não parecia com Sasuke. Pensou tê-lo visto ferido. Então, do nada, ela encontrava Madara Uchiha...

 

 

Mito não deixou de prestar extrema atenção a tudo que ela falava. Fez silêncio durante todo o discurso, todavia, ao ouvir aquele nome, os olhos dela pareceram brilhar.

 

 

“Uchiha Madara, você disse?”

 

 

“Sim, Mito-sama”.

 

 

“Me conte melhor sobre as vezes em que o viu, por favor, Sakura”.

 

 

“Eu pensei tê-lo visto, senhora... não tenho certeza de nada... além de que, acho que foram apenas dois momentos”. A verdade é que a rosada tinha vergonha de contar um dos sonhos...

 

 

“Ah, que seja!” A Uzumaki insistiu, gentilmente.

 

 

A rosada balançou a cabeça, tentando parecer descontraída, apesar de sua timidez e das bochechas vermelhas. “Tudo bem”. Sakura deu-se por vencida.

 

 

Vila da Grama – Cemitério sob as Montanhas – Ainda durante a Segunda Guerra Shinobi

 

 

Curiosamente, as mesmas lembranças rondavam a cabeça de um certo Uchiha.

 

 

 

Flashback on

(Dois anos antes da Morte de Izuna)

 

 

Nascer do Sol - Entrada do Assentamento Uchiha

 

 

"Izuna, estou saindo para caçar. Também vou aprofundar o treinamento da ave mais jovem. Não pretendo retornar até o fim da semana. Mando Yue ou Rocco com notícias".

 

 

"Boa caçada, nee-san!" – ‘aproveite, demoraremos muito a ter uma oportunidade como esta. O período de confrontos com o Senju está prestes a recomeçar’.

 

 

"Fique seguro Izuna!" Disse o jovem guerreiro, de 20 anos e longa cabeleireira negra, distanciava-se em direção a floresta.

 

 

 

Por Volta do meio-dia - rio Naka

 

 

Após um longo período de treinamento com suas aves, Madara as havia enviado para caçar seu almoço. Um tempo se passou e ele com os olhos voltados para o céu avistou o falcão menor (ainda sem nome) retornar solitário trazendo sua presa. Uma lebre de carnes fartas que ele decidiu que assaria ali mesmo a beira do Naka.

 

 

Calmamente, ele reúne os gravetos e as lenhas mais grossas. Ainda estão úmidas como o resultado de uma noite de chuvas primaveris. Rapidamente, o homem formou os selos necessários para a liberação controlada de fogo. A lenha está em chamas. Enquanto termina a retirada da pele de sua caça, ele olha mais uma vez para o céu e pensa que provavelmente terá de ir em busca de seu melhor falcão.

 

 

Sentado, ele apoia o cotovelo sobre o joelho direito, a outra perna preguiçosamente dobrada por baixo da perna arqueada. Ainda era cedo e ele já saboreava a carne assada da caça, juntamente de algumas ervas amargas.

 

 

O jovem líder Uchiha, sempre apreciou a forma como aquela carne doce adquiria um gosto perigosamente selvagem quando combinada com ervas amargosas. O amargo explodindo em sua boca, rapidamente era absorvido pela textura doce da carne da caça. Os sabores misturavam-se em um novo, mas ao mesmo tempo, se ele quisesse poderia sentir cada um individualmente. O doce sem graça fazia sentido e tornava-se desejável.

 

 

Como se quisesse ser desejável somente naquela combinação... estranha combinação, mas harmônica e sútil.

 

 

O prato descrevia o equilíbrio e a força da natureza. Saboreá-lo trazia a mesma paz de quando acampava nas florestas e durante a noite sentava-se para contemplar grandes tempestades, em completa solidão (essa era outra de suas manias aliás).  

 

 

Sua refeição acabou e ele deteve-se ali, ainda na mesma posição e desta vez não eram as imagens e sons de ventos ruidosos, relâmpagos e água rasgando a noite e banhando uma floresta que ele via. Não era mais noite na sua visão. Ele sairá de seu interior e começava a olhar para o tintilar cristalino das águas do rio, banhadas pela luz sol.

 

 

Alguns segundos imóveis, ele passou olhando para um único ponto naquele canal. Tudo muito nítido, o azul céu fluindo líquido e os raios de sol mergulhando nele como flechas. Então, veloz, uma pedra muito familiar atravessa sua visão ondulando suavemente a água com cada toque que lhe dava. Sua trajetória clavada era uma reta precisa e após vários tum tum tum a graciosa bailarina afunda subitamente.

 

 

"Você andou mesmo praticando seus lançamentos, não é?! Tenho que admitir você melhorou muito, mas ainda falta muito para que seja tão bom quanto eu! Eu sou o melhor lançador de pedras do Fogo!"

 

 

Uma nova pedra atravessa sua visão. Essa desta vez, vem da outra margem do seu rio...

 

 

Tum tum tum tum tum

 

 

A bailarina atravessa o espelho azulado, velozmente, saltando para a margem, quando então finaliza seu ato caindo a frente de seus pés.

 

 

"Hashiramaaaa! Seu exibido! " Rosna o menino de cabelos negros para o menino com um belo corte de tigela.

 

 

Hashirama sorri ainda largamente. O sorriso vira uma bela gargalhada quando este vê as feições do moreno aprofundar-se, ainda mais, em sua usual carranca. Coitado do moreno, já está virando um pimentão de tanta raiva. Que divertido ver aquelas bochechas fervendo em vermelho e os olhos negros quase saltando de seus orbes. Definitivamente um legume fervido!

 

 

As gargalhadas que o fizeram segurar o estômago de tanto rir. Finalmente cessão. Mas, o sorriso largo continua ali, junto de olhos ternos. O menino endireita-se, fitando o moreno na outra margem.

 

 

"Eu preciso ir agora. Preciso estar no campo de treino antes que Tobi venha me chamar para o jantar. Continue treinando... Até breve, Madara!" Então ele gira em seus calcanhares e inicia sua caminhada. De costas, o braço direito levantado empunha um longo aceno para aquele que ficava.

 

 

"Até Baka! – sussurra o moreno com um breve e sincero sorriso".

 

 

O adulto ali assistia a tudo saudoso, mas com expressões estoicas, como sempre. Eram cenas de um passado distante... Levantando-se de um salto, ele dá uma última olhada para o rio, um breve minuto. Então vira-se, novamente, para o seu falcão mais jovem e lhe estende o braço direito. Ao seu sinal, a ave mergulha do galho mais próximo para empoleirar-se em seu braço.

 

 

"Leve-me à Yue!"

 

 

Com o comando de seu mestre, a jovem ave irrompe agilmente em direção ao céu. Um rápido planar e seu grito, um pouco estridente, sinaliza a disposição para o início da jornada.

 

 

Saltando, precisa e velozmente, de uma árvore para a outra, o homem segue a ave de rapina. Seu destino é o pé das montanhas...

 

 

 

 

Autora off/ Madara on

 

 

 

O dia ia alto e a luz do sol muito forte, eu corri por horas. Muitas milhas depois, vi a pequena aprendiz planando em círculos, finalmente encontraria meu melhor falcão. Espero que os ferimentos não sejam tão graves, não é nada interessante perder uma ave tão hábil.

 

 

[...]

 

 

Percebi que chegamos ao pé de uma grande montanha, este não poderia ser um local mais esquecido. Exatamente no meio do nada absoluto.

 

 

O sol já havia se posto quando as árvores começaram a ficar mais escassas, então, decidi diminuir o ritmo também. Eu provavelmente encontraria Yue mais a frente. Porém, antes eu quis checar mais uma vez os arredores. Para isso expandi meu chakra, ainda não sou um bom sensor, mesmo assim, obtive uma área de abrangência invejável.

 

 

Ao fazer isso, imediatamente localizei uma fraca assinatura aproximando-se, vinha em direção ao local que Yue poderia estar. Seria o responsável por seus ferimentos? Um maldito Senju o teria derrubado? Estávamos muito longe de seu acampamento também. Mas, ainda assim não é impossível que eles patrulhem essas terras.

 

 

Com isso, decidi avançar um pouco mais rápido e estagnar nas penúltimas árvores próximas a borda da clareira que se abria a minha frente. Com a assinatura do meu chakra sempre mascarada eu não precisei me preocupar em ser visto, ali eu estava perfeitamente escondido.

 

 

Contudo, para prevenir ainda lancei um leve genjutso sharingan ao meu redor. Com tudo isso eu passaria despercebido e poderia, se necessário, atacar ou me defender com eficiência. Somente Hashirama e o patético cão de guarda albino dele poderiam me detectar ali. Já que não eram suas assinaturas, eu não me preocupei..., porém aquele chakra era intrigantemente familiar e poderoso.

 

 

[...]

 

 

Algum tempo se passou e o manto da noite já havia se desenrolado a minha volta, até que eu pudesse sentir a assinatura bem mais forte. Em breve poderia ver seu dono...

 

 

Qual não foi a minha surpresa quando um cantarolar baixinho começou e uma figura delgada apareceu na orla oposta da clareira. Constatei que o dono do chakra era feminino e barulhento. Resolvi aguardar.

 

 

Enquanto isso, eu pensava: Que tipo de pessoa sai, ao cair da noite, cantando em meio a uma floresta onde vários inimigos com certeza espreitam e podem emboscar com facilidade. Não o tipo que está sã de mente.

 

 

O ser, que eu pensei ser uma mulher, surgiu na orla da clareira, vestia-se de branco com o rosto quase completamente coberto por um capuz e se aproximava lentamente, ainda cantando. A cantoria finalmente parou, quando ela avistou Yue sangrando e estirada no chão.

 

 

Droga! Meu melhor falcão estava perdido. A mulher se dirigiu até minha ave e ajoelhou-se ao seu lado. Com o chakra direcionado aos meus ouvidos pude afinar minha audição e ouvi-la:

 

 

"Uh, você está mesmo mal, amigo. Como isso foi te acontecer?" As mãos, que até então ela mantinha apoiadas em suas coxas, agora pairavam a alguns centímetros acima do meu falcão, que definhava.

 

 

Um brilho verde envolveu suas mãos e pude sentir pequenas reverberações da energia que se dissipavam em ondas pelo ambiente. Aquele chakra era calmante e poderoso. Mesmo longe, senti quando uma cicatriz recente, em meu lado, formigou. Afastando com cuidado a armadura, direcionei o olhar para o local. Não havia mais nada lá. ‘Impressionante’.

 

 

Espantado, levantei a cabeça voltando a fitar o ser com as mãos estendidas sobre Yue. Suas mãos brilhavam forte como uma lamparina de luz verde na noite e ela permanecia imóvel. Ela estava concentrada.

 

 

Cinco minutos se passaram e não pude acreditar quando minha ave esticou as asas e ensaiou levantar-se. Um largo sorriso pareceu se desenhar nas feições da moça. Eu não tinha muita nitidez daquela distância, mas o jogo de luz e sombras me fez achar que era um sorriso. Satisfação?

 

 

Continuava a acompanhar a tudo, atônito. Tanto que nem percebi que havia me inclinado em sua direção e estava com a parte superior do corpo amostra, entre as folhas da árvore. Ainda bem pelo genjutso e ainda bem por aquele ser descuidado não olhar ao redor.

 

 

Mais dois minutos se passaram e agora a figura tinha Yue aninhada em seus braços, parecia até um bebê. Falcão folgado! Um dos braços amparava o corpo da ave, enquanto o outro, ainda tinha uma mão brilhando em verde. Ela percorreu todo o corpo da ave rapidamente com sua essência, então ouvi sua voz mais claramente.

 

 

"Pronto! Novinho em folha, meu amigo!" Disse a mulher, já levantando-se com Yue em seus braços. "Você parece estar muito longe de sua casa... Eu te levaria para seu ninho se tivesse visto algum. Mesmo assim, não seria o certo a se fazer, você precisa de repouso. Não poderia voltar a caçar tão cedo... precisa que te alimentem, garoto".

 

 

A mulher, sob o capuz, realmente tentava conversar com o falcão! Quando ela girou em seus calcanhares com Yue ainda em seus braços, tive certeza de que planejava sair dali levando-a consigo.

 

 

Decidi saltar da árvore, me revelando em consequência. Ela espantou-se ao perceber minha presença e virou-se rapidamente em minha direção. Embora rápido e preciso, o baque do meu peso pode ser ouvido e eu não estava francamente preocupado em me ocultar naquele momento. No entanto, ainda suprimia meu chakra.

 

 

A julgar pela postura corporal e a boca meio aberta, ela continuou muito espantada. Imaginei que se pudesse ver todo seu rosto, provavelmente, a veria com os olhos arregalados. Percebi que o susto passou quando ela se moveu agarrando-se mais firmemente a minha ave em seus braços.

 

 

Ela congelou, enquanto eu, já ereto após aterrissagem, marchei mais alguns metros em sua direção. Meu avanço pareceu despertá-la porque, imediatamente, a vi recuar dois passos amedrontados para trás. Sem me importar com a reação que causava nela, estendi o braço direito e chamei minha ave: “Yue, vamos!”

 

 

Meu falcão fêmea, prontamente, desaninhou-se e tomando impulso de seus braços, a vi estender suas asas e voar em minha direção. Logo estava empoleirada no braço de seu dono. Foi a vez da figura do outro lado da clareira ficar pasma.

 

 

Sem me prender a isso, comecei a olhar para Yue em busca de vestígios de ferimentos. Nada. Somente sangue seco. Ela estava cansada, mas seu corpo era como novo. Eu ainda a examinava quando a mulher começou a vazar um chakra inconstante e levemente afetado, senti que parecia raivoso e era denso, muito denso... e verde.  Eu poderia jurar que era Hashirama debaixo daquele capuz.

 

 

Ativei meu sharingan, rapidamente, para verificar se não estava olhando para um henge. Como fui rápido, e estávamos razoavelmente distantes, ela nem chegou a perceber meus olhos mudando. Tive certeza de que não era um henge, nem qualquer outro tipo de ilusão... Seria uma kunoichi do clã dele, uma parente? Uma Senju? Mas, aquela energia... havia algo em sua aura que eu não sabia explicar, não parecia humano, porém, era... agradável.

 

 

Durante meus devaneios, em nenhum momento minhas feições foram nada menos do que estoicas.

 

 

A ‘mulher’, por outro lado, mordia o lábio. Devia estar com muita raiva. Vi quando arrastou firmemente um dos pés na terra. Sim, claramente ela estava indignada. Que divertido! Eu ria internamente quando ela rompeu o silêncio:

 

 

"Mas, que diabos você pensa que está fazendo?!"

 

 

"Eu faço as perguntas aqui, criatura! Como foi que você curou meu falcão?!" Devolvi, firmemente.

 

 

"Eu não te devo respostas. Essa ave não pode voar tão cedo, não pode caçar. Ela precisa ser alimentada e ficar em repouso. Não pode capturá-la!"

 

 

"Eu não a capturei, ela me pertence e fará o que eu quiser que faça".

 

 

Aquele ser pareceu ficar com ainda mais raiva.

 

 

"Se ela te pertence, por que a deixou ficar nesse estado? Queria ela morresse?"

 

 

Calmamente, comecei a andar em direção a ela.

 

 

"Não me repetirei mais, quem faz as perguntas aqui sou eu. O que é você e como curou meu falcão?! Me responda ou terei de encontrar outro meio de fazê-la falar".

 

 

Eu terminei de me pronunciar e ela empreendeu fuga rapidamente. Sua postura e velocidade eram as mesmas de um ninja. ‘Interessante’. Decidi não a perseguir de imediato. Com Yue ainda em meu braço, lhe dei uma ordem:

 

 

"Retorne para Izuna!"

 

 

A ave obedeceu, imediatamente voando de volta para o acampamento. Ficando sozinho, mordi o polegar, toquei o chão e invoquei uma de minhas criaturas:

 

 

"Kuchiyose no Jutsu!"

 

 

Essa convocação minha também era um falcão, mas muito maior e como todas as invocações Uchiha... muito poderosa, resistente e sagaz.

 

 

"Madara-sama, é um prazer revê-lo! Em que posso servi-lo meu senhor?!"

 

 

Minhas convocações eram as poucas criaturas em que eu confiava e tinha como família além de Izuna, Yoshi e meu pai (já falecido). Talvez porque estiveram comigo desde a minha infância e, estranhamente, parecia que me compreendiam. Deve ser pelo contrato de sangue. Acho que ligava nossas almas também.

 

 

"É recíproco, Rocco. Você me parece bem! Como vai sua nova ninhada?"

 

 

"Cada vez mais fortes, senhor. Em breve poderão servir devidamente a sua linhagem, Madara-sama!"

 

 

Essa conversa de linhagem já havia virado tradição de Rocco. Eu ainda era criança quando começou. Nunca me ofendi com Rocco, ele sempre foi respeitoso e eu sabia que tinha boas intenções. Contudo, falar sobre isso não me fazia mais sentido agora do que antes.

 

 

"Hahahaha, Rocco". Ri, sem graça real. "Agradeço sua lealdade. Mas acredito que sua família não terá tanto trabalho. Não está em meus planos casar-me. Mas, sei que Izuna gerará herdeiros e ficarei satisfeito em saber que eles serão bem servidos com filhotes tão leais!" Falei, sinceramente.

 

 

"Meu senhor, é um orgulho ter sua confiança para servir os herdeiros do irmão que lhe é tão precioso. Contudo, ouso dizer que sei que Kami ainda o surpreenderá. Ele não deixará o Uchiha sem sua linhagem. És o mais forte dos Uchiha, minhas orações são para que surja alguém que possa ser sua matriarca, uma digna de seu afeto e que lhe preze. E por que não uma fêmea igualmente poderosa?"

 

 

Eu ri por um tempo e minha convocação pareceu não entender nada.

 

 

"Rocco, a mulher que você descreveu não existe. E se existisse, muito provavelmente cravaria uma kunai em meu peito antes que eu a tomasse".

 

 

Bom.... nunca pensei em uma mulher como poderosa. Para sê-lo, talvez, então deveria ser uma espécie de kunoichi...

 

 

... a visão de uma menina, de sorriso bobo e cabelo rosa, me abraçando passou rápido por minha mente.

 

 

Disparate perder tempo lembrando de fedelhas mortas que atormentam seus sonhos todas as noites. Ainda pior, se você pensar ter sentido a sensação do calor e da saudade do abraço delas.

 

 

Bom, esquecendo essa loucura de merda de sonhos e visões com meninas cor de rosa... Em meu tempo se ouviu falar de pouquíssimas kunoichi.

 

 

Mesmo em clãs guerreiros, as mulheres preferiam majoritariamente a vida doméstica e no caso do Uchiha, não fazíamos questão delas no campo de batalha, pois nos eram mais necessárias para o crescimento do clã e a manutenção da vida fora da guerra.

 

 

O conselho de anciões parece que tinha outros motivos para impedir as mulheres Uchiha de irem a guerra..., mas os motivos deles não me importavam, de qualquer forma. Sou um shinobi, os anos me tornaram um homem pragmático e aquela é minha opinião.

 

 

Os outros homens do meu clã tinham mais motivos. Elas eram preciosas porque eram amadas e os faziam sentir-se amados, por isso queriam protegê-las. Sim, meus homens eram fracos. Precisavam correr como meninos assustados para o colo delas todas as noites. Mais Uchiha nasciam com isso, então eu não reclamaria.

 

 

Eu podia contar nos dedos as kunoichi de que se tinha conhecimento em nossa época e a maioria só estava nesse negócio porque perdeu alguém que amava. Com o passar do tempo, eram apenas marionetes que adentravam o campo de batalha com mais vontade de morrer do que defender seu clã. Faz sentido, não davam uma boa dança.

 

 

Em aparência, algumas carregavam alguma beleza inicialmente. Mas rapidamente se autodestruíam em favor de parecerem com homens. Queriam negar sua natureza, masculinizar-se para parecerem desagradáveis. Algumas para não serem tomadas pelos inimigos, outras porque simplesmente foram endurecidas pelo sofrimento.

 

 

Senju Toka era uma bela exceção. Uma maldita exceção Senju, porém. Maldita, não só porque era bela, mas porque pertencia àquele clã abominável e possuía força e destreza. Era admirável.

 

 

Hashirama, uma vez, me contou que ela insistiu desde os cinco anos de idade para ser treinada em enviada para o combate. Eu, meu pai e meu irmão tivemos muito trabalho punindo nossos homens e lhes ensinando a pensar com a cabeça correta.

 

 

Embora ela tenha conquistado minha admiração ela não me atraia. Sim ela era bonita, mas eu não a considerava diferente de qualquer outro ninja no campo de batalha e a cor do cabelo dela era desinteressante... esqueçam essa parte.

 

 

Da parte dela nem é preciso falar que tenho certeza de que não havia nada além de um desejo ardente de me cortar o pescoço. Como todo Senju exceto Hashirama queria fazer, aliás.

 

 

Encerrava meu pensamento quando Rocco quebrou o longo silêncio que se instalou entre nós sem que eu percebesse:

 

 

"A vida é imprevisível, senhor. Mesmo um deus shinobi da guerra pode ter sua parcela de amor reservada. Só Kami sabe!" - ‘Essa convicção me assustou.’

 

 

Eu não soube o que responder naquele momento. Apenas lembrei do porquê o havia convocado para ali.

 

 

"Já nos distraímos o suficiente. O motivo de eu ter te chamado aqui já está distante o suficiente para que seja interessante persegui-la. Ela parece estar dirigindo-se para o rio Naka. Sua assinatura de chakra já quase não pode ser sentida. Quero que sobrevoe a região e descubra onde ela irá se refugiar. Vou me encaminhar para lá em seguida. Venha me reportar sua localização assim que tiver certeza de que ela não se moverá mais. Espere até ela sentir-se segura".

 

 

"Certo, senhor!"

 

 

Rocco era uma convocação enorme no formato de um falcão negro. O vi reduzir seu tamanho para um comum para que sua perseguição fosse ocultada. Assim ele era ainda mais proficiente em emboscadas e perseguições. Vendo-o virar-se para pegar impulso e iniciar seu trabalho eu o chamei novamente:

 

 

"Rocco!"

 

 

"Sim, meu Lorde?!" disse a ave, virando-se em minha direção novamente.

 

 

"Obrigado por sua lealdade e por suas orações". Apenas por consideração a ele agradeci.

 

 

"O senhor merece ambas, Madara-sama!" Rocco declarou gentilmente.

 

 

"Basta de sentimentalismos. Agora vá!" Firmei minha voz no comando para encerrar aquela conversa de uma vez por todas. Talvez agora ele pare de falar em casamento e linhagem toda vez que o convoco.

 

 

Vã esperança...

 

 

Parecendo satisfeito, Rocco tomou distância para o impulso e cortou os céus na direção do Naka. Eu me pus em movimento, mas não em grande velocidade, pois sabia que o ser demoraria a encontrar abrigo e que Rocco a teria sob vigilância até que eu chegasse lá.

 

 

 

 

Além do mais, quem poderia fugir de mim?

 

 

 

 

 

Madara off/Autora on

 

 

 

 

Sakura fugiu pela floresta, escondeu-se em uma caverna e não sabia que estava sendo seguida por Rocco. Muito menos sentiu quando Madara se aproximou da entrada e despediu a invocação.

 

 

De fora, o shinobi de juba negra observou que a caverna estava em completos escuridão e silêncio. Apesar da garota ter mascarado sua essência, ela não pode fazê-lo o suficiente para esconder-se de um hábil sensor como Madara.

 

 

Por outro lado, mesmo que ele não fosse um sensor capaz, havia um certo alguém, de cabelos encaracolados cinzentos, cuidando para que ela se destacasse, queimando como uma estrela massiva de chakra.  Uma estrela brilhando unicamente no céu de Uchiha Madara.

 

 

Tendo se certificado de que realmente era quem procurava, Madara juntou um feixe de galhos e organizou-os rapidamente, envolveu-os com lã (armazenada em um pergaminho de suprimentos) e com seu estilo katon incendiou o protótipo de tocha. O facho queimou iluminando com intensidade muito satisfatória o seu caminho e a entrada da caverna. Provavelmente ela o veria chegando e ele não podia evitar a satisfação em amedrontar suas presas.

 

 

Entrando na caverna, parou brevemente e pode ouvir o som de galhos quebrando, ela estava assustada. Ele sorriu com a constatação, não seria preciso muito para interrogá-la e capturá-la. Seu clã se beneficiaria imensamente com os dons de cura da ‘mulher’.

 

 

Continuou andando até iluminar o final da caverna. Parou, mais uma vez, ao observar que a figura encapuzada de sua caça estava acuada contra a parede. As chamas que ele carregava crepitavam dançando com as sombras sobre o quimono e capa impecavelmente brancos que ela trajava.

 

 

O ser vasculhava a caverna a procura de uma saída que lhe permitisse a fuga sem passar pelo ninja. O chakra dela o atingia em ondas, revolto pelo medo e apreensão. Apesar disso ainda era extremamente caloroso quando tocava sua pele... e, paradoxalmente, lhe causando uma deliciosa sensação de frescor.

 

 

Não compreendendo a razão, após ser atingido pelo chakra dela, o líder Uchiha sentiu-se incomodado por amedrontá-la.

 

 

Suspirou, ele nem tinha desmascarado o próprio chakra, que diziam ser aterrorizante... deuses, ele mal falou com ela e o ser parecia um coelho assustado.

 

 

‘Tudo bem, ... que os kami me deem paciência’ pensou, então voltou a andar estacionando a cerca de um metro dela.

 

 

Trazendo a tocha para mais perto do rosto dela, mas longe o suficiente para não a assustar falou o mais mansamente que pode.

 

 

"Descubra o rosto".

 

 

O ser tremulante, levou as mãos ao capuz afastando-o o suficiente para que ele visse seu rosto. À luz das chamas da tocha improvisada, a pele alva foi iluminada. Lábios róseos, quase carmim, ganharam as atenções dele... aparentemente, uma carne macia e docemente deleitável. 

 

 

O guerreiro demorou involuntariamente seu olhar, inspecionando com minúcias os detalhes do contorno de sua boca... a umidade banhando os lábios entreabertos lhe lembrou o néctar nas flores. Talvez seu gosto fosse tão doce quanto...

 

 

Algo dentro dele tentava fazê-lo voltar a si. No entanto, seus olhos foram hipnotizados.

 

 

Só saiu de seu transe quando ela, com as unhas, arranhou a rocha lhe fazendo sulcos em função da tamanha força que aplicou. O homem desviou o olhar da boca dela e baixando a cabeça, observou o ato. Dando-se conta disso, a kunoichi interrompeu-se e encolheu os dedos deixando a mão em punho.

 

 

Ainda olhando a mão dela, ele perguntou: __ Está com medo? - Quando nenhuma resposta veio e o silêncio quase completo pairou, ele fitou-a, novamente.

 

 

Sob a luz crepitante do fogo, os olhares se encontraram e ele sentiu como se tivesse sido arrebatado dali para sua infância. Foi como se estivesse dentro das visões que o visitavam periodicamente durante a noite. Visões que gravaram em sua mente, com perfeição, a única vez em que a viu.

 

 

Instantaneamente, seu peito se aqueceu ao lembrar do abraço dela.

 

 

Admirando aqueles magnéticos e reluzentes orbes esverdeados, ele levou a mão esquerda (não ocupada com a tocha que os iluminava) e cuidadosa e suavemente deslizou o capuz para poder ver os cabelos dela. Ela assustou-se, a julgar pela respiração acelerada e arfante. Mas, ansioso como estava, ele não pode encontrar lugar para se preocupar com isso.

 

 

Quando a seda deslizou revelando o rosa etéreo, ele quase fechou todo o espaço entre os dois.

 

 

Quase porque pouquíssimos centímetros ainda os separavam.

 

 

A moça quis afundar-se, fundir-se à rocha da caverna. Seu peito subindo e descendo ofegante, roçava contra a armadura do homem de cabelos negros.

 

 

Madara olhou para baixo rapidamente, observando a hipnotizante ondulação do peito dela e o quanto sua respiração acelerou. Subiu o olhar para encarar seus olhos verdes, novamente, e seu coração disparou com a intensidade neles.

 

 

Inadvertidamente, seu rosto se aproximou do dela e suas testas se tocaram. Ela apressou-se, ainda mais, em fugir. Sem espaço, pendeu o corpo na tentativa de escapar para os lados, mas ele obstruiu a passagem com o próprio corpo.

 

 

O Uchiha, mesmo com uma das mãos ocupadas, segurou ambos os braços dela contra a parede. Presa, Sakura o fitou com dentes cerrados.

 

 

“Onde você estava?” Madara sussurrou, a voz uma oitava abaixo do normal.

 

 

Ela virou o rosto em resposta e o ninja quis se enfurecer com a rejeição dela. Contudo, forçou-se para manter a calma.

 

 

“Você não se lembra de mim, fedelha?”

 

 

Com o apelido, ela sobressaltou-se e fitou os olhos dele, novamente. Sakura afundou-se naqueles olhos... naqueles dois ônix brilhantes... ternas gemas negras, nebulosas e faiscantes.

 

 

Ela corou percebendo seus pensamentos e a proximidade com o Uchiha.

 

 

Quis repreender-se por admirar o traçado angular, masculino e viril das mandíbulas do inimigo e por perguntar-se como seria beijar os lábios que julgou pecaminosamente atraentes.

 

 

Como se possível, as bochechas da médica ferveram, ainda mais quentes, e um arrepio cruzou, velozmente, todo o seu corpo.

 

 

Os dois permaneceram presos um ao outro, naquele momento fora do tempo... até que ela arranjou coragem e avançou para ele. Madara, agindo sincronicamente, soltou os braços dela de seu aperto e levou a mão livre para a cintura dela, na intenção de segurá-la contra si...

 

 

No entanto, errou na sua interpretação do movimento dela.  A mulher de cabelos róseos aproximou-se dele apenas para ganhar espaço e tomando impulso, desviou dele, correndo para fora da caverna.

 

 

Aturdido, o Uchiha atirou a tocha, ainda em chamas, no chão e correu atrás de seus sonhos.

 

 

‘Senju fedelha, dessa vez você não me engana’.

 

 

 

[...]

 

 

 

Sakura era veloz, mas não o suficiente. Sua sorte foi que Madara foi interceptado a certa altura do caminho.

 

 

O shinobi perseguidor, forçosamente, parou para o grupo de Izuna. O garoto, preocupado, perguntou onde ele estivera e porque seu melhor falcão retornou exasperado para o complexo do clã e sem nenhuma mensagem dele.

 

 

O ninja de revolta juba negra, não prestou atenção a nada, apenas respondeu que não havia tempo e que eles deveriam rastrear a kunoichi rosada. Izuna não soube entender do que seu irmão falava, pois ele e seus sensores não sentiam ninguém na área em quilômetros. Aparentemente, só o mais velho era capaz de sentir a tal ‘mulher’ rosada.

 

 

Impaciente, o líder de clã os deixou para voltar a persegui-la. Izuna alarmou-se vendo que seu irmão seguia na direção que, provavelmente, levaria ao assentamento dos Senju.

 

 

Nenhuma advertência o fez parar. Nem mesmo gritar em suas costas que o Senju interpretaria a presença deles em seu território como um ataque surpresa e eles não possuíam shinobi suficiente no grupo para sobreviver ilesos ao revide do inimigo.   

 

 

Izuna, consciente do perigo aos seus, mas dividido por se tratar de seu irmão, decidiu deixar Yoshi no comando de seu grupo e mandou-os de volta ordenando que colocassem o clã em alerta. Seria muito mais fácil se infiltrar no território inimigo, em menor número. Se fossem pegos, pelo menos o Uchiha não cairia junto.

 

 

Madara atravessou o território Senju rapidamente e Izuna o seguiu de perto até que chegando ao limite mais longínquo, o mais velho parou, atônito e enfurecido.

 

 

"Isso não é possível!"

 

 

Izuna pousou atrás dele.

 

 

"Você perdeu o rastro dela novamente, não foi? Vamos voltar nee-san..."

 

 

Madara não respondeu, prestando atenção nas assinaturas de chakra que se aproximavam. Repentinamente, Hashirama e Tobirama caíram ao lado deles. Poucos segundos depois, todos do clã Senju os rodearam. Feições ferozes e indignadas junto de espadas desembainhadas. Izuna, por reflexo, também desembainhou a sua katana, colocando-se a frente de Madara.

 

 

Tobirama avançou dois passos, mas foi interrompido pelo braço de Hashirama que se interpôs a sua frente.

 

 

"Nada disso é necessário, Tobi. Sem discussões".

 

 

Madara tocou o ombro de Izuna para chamar sua atenção.

 

 

"Saia da minha frente, irmão mais novo. Não preciso de sua defesa".

 

 

"Nee-san..." O jovem de 16 anos cantarolou querendo insistir.

 

 

Impaciente para discussões com Izuna, o mais velho avançou o caminho colocando-se a frente dele.

 

 

"Hashirama". Cumprimentou o outro líder como um menear de cabeça.

 

 

"Madara... você pode me explicar a razão da sua visita no avançar da noite?" O líder Senju falou com cuidado e consideração ao seu amigo.

 

 

"Eu perseguia uma kunoichi para interrogatório, a interceptei nas proximidades do Naka e ela fugiu para cá. Acho que era uma das suas".

 

 

Burburinho iniciou entre os Senju com a declaração do líder Uchiha. Ouvindo isso, Tobirama quis avançar em indignação, mas novamente foi barrado por seu anija. Hashirama então voltou a dirigir-se a Madara.

 

 

"Nenhuma de nossos kunoichi foi além das fronteiras para patrulhar hoje. O toque de recolher, em preparação para a nossa temporada de batalhas, já foi instaurado, como você já deve saber... Mas, como ela era?... Quem sabe, se não for do nosso clã, podemos ajudá-lo a localizá-la... em nome dos velhos tempos?... Em nome da nossa amizade?"

 

 

Tobirama, ao lado dele, bufou. "Você só pode estar blefando, anija!"

 

 

Hashirama ignorou o irmão e Madara fez o mesmo, continuando.

 

 

"Ela usava um quimono de gola alta e uma capa com capuz... ambos de seda branca; o capuz ocultando o rosto, quase completamente, mas quando descoberta ela possui cabelos longos róseos e olhos verdes".

 

 

Tobirama franziu o cenho com o tom dele e Hashirama abriu um sorriso conhecedor.

 

 

"Você... foi bem detalhado, amigo".  O líder Senju estava radiante com as implicações daquele fato.

 

 

Izuna, internamente, quis bater-se com a forma como o seu irmão mais velho pareceu deslumbrado ao descrever a tal kunoichi. O burburinho dos Senju, que não havia parado um minuto sequer até aquele momento, estourou a níveis incômodos com a declaração do Uchiha. Os comentários eram tanto e o espanto tamanho que Hashirama precisou fazer sinal para que seus homens se calassem.

 

 

O Uchiha respondeu à observação de seu rival Senju.

 

 

"E você não deve ler mais nada disso, Hashirama. Então, ela está aqui? Não ouse dizer que não porque ela tem o mesmo chakra verde e denso que o seu e pode curar igual a você. Analisando a aura, diria que são irmãos, se não soubesse sobre sua família... Mas, ela é uma Senju, com certeza! Não tente me enganar!"

 

 

"Tsc! Se alguém assim tivesse cruzado nosso território, eu teria sentido". – Tobirama intrometeu-se, incisiva e impacientemente. "Além do mais, nenhum Senju possui cabelo rosa!"

 

 

Madara olhou para Hashirama aguardando a confirmação dele. Para o Uchiha era só isso que valia, apesar de ele nunca admitir em voz alta. O homem de cabelos castanhos respondeu-o sinceramente.

 

 

"Tobi diz a verdade, Madara".

 

 

"Ela é uma Senju e sumiu aqui, dentro dos seus limites, o que prova que conhece o lugar... ou no mínimo foi escondida por um de vocês".

 

 

"Vejo que está muito alterado, amigo. Façamos valer uma trégua... pelo menos por 48 h, pois desejo recebê-los em minha casa. Venha, vamos falar sobre essa kunoichi... ela domina a liberação de Mokuton também? Se nossos chakras são tão semelhantes, é bem possível..."

 

 

Atrás do futuro Shodai, Tobirama, internamente, se contorcia de raiva pela oferta e atitude de seu irmão. Mas, permaneceu em silêncio, apenas aguardando o posicionamento de seus inimigos.

 

 

"Hashirama, deixe de ser idiota. Quanto mais tempo perdemos nessa conversa, mais vantagem ela ganha sobre mim... já nem a sinto mais".

 

 

"Só pode estar louco, se eu não a sinto, ninguém mais a encontrará... Tsc! Pelo visto, a maldição deles já está afetando sua sanidade e percepção". O albino não se segurou e falou como se para si mesmo, mas intencionalmente alto para que os Uchihas ouvissem.

 

 

"Tobi, o suficiente!" Hashirama virou-se rosnando para o mais jovem.

 

 

"Segure seu cachorro, Hashirama! Nós já estamos nos retirando. Agradeço a oferta de trégua, mas não é necessário estendê-la. Não era minha vontade afrontar você ou ao seu clã..." Madara falou sinceramente, agora que refletia, não sabia como perdera o bom senso daquela forma.

 

 

Para sua sorte Izuna não permitiu que seus soldados os seguissem... ele poderia se defender, mas nada justificava colocar seu clã em perigo à toa... sua atitude como líder foi irresponsável.

 

 

"Mas o fez". O albino rosnou, interpondo-se na conversa novamente.

 

 

Madara, não esboçou reação, apenas prosseguiu indiferente. "...Nos vemos no campo de batalha, Senju Hashirama".

 

 

Hashirama torceu suas feições, pesaroso. "Você sabe que não precisa ser assim, meu amigo".

 

 

"Saia do passado, Senju. É seu clã ou o meu. Não podemos coexistir".

 

 

"Você não pensa realmente assim, eu te conheço Madara... sonhas com a mesma paz que eu, para os nossos".

 

 

'Eu não sou mais uma criança, você deveria crescer também. Não podemos ver o que há dentro do outro. Resta, portanto, apenas uma forma de comunicação entre nós... a linguagem falada por nossas espadas quando cruzam em batalha".

 

 

Após essa última declaração, Izuna e Madara saltaram, velozmente, do meio dos Senju. Os dois Uchiha deixaram um Hashirama entristecido e um Tobirama, junto de todo um clã, curioso. O complexo ficou em polvorosa com as informações obtidas da última interação dos quatro líderes.

 

 

Depois desse acontecimento, os rumores sobre um ‘espírito’ de uma divindade rosa vagante, que atormentava os pensamentos do temido líder Uchiha Madara, começaram espalhar-se pela terra do fogo.

 

 

Os boatos só aumentaram com o passar do tempo e o somar de mais alguns episódios protagonizados por ele. É claro que um certo Uchiha Yoshi, possuía uma boca muito grande e não sabia controlá-la... além de ser muito influenciado por uma certa divindade de cabelos encaracolados cinzentos.  

 

 

Mas, essas são histórias para outro momento...

 

 

Flashback off

 

 

 

Tempos Atuais – Segunda Guerra Shinobi – Cemitério sob as Montanhas

 

 

“Madara-sama, a minha senhora acordou. Ela e o garoto estão bem”.

 

 

“Ah... obrigado, Rocco. Você pode ir agora.”

 

 

 

 

Tempos Atuais – Segunda Guerra Shinobi – Konohagakure no Sato

 

 

“Mas, eu ainda não terminei, Mito-sama!”

 

 

“Eu volto amanhã para ouvir mais, querida” A senhora terminou de fechar a porta de papel shoji e sorriu.

 

 

‘Parece que Hashirama, mesmo após a morte, não desistiu de trazer sua flor para você, Madara”

 

 

 

Chapter Text

 

 

Izuna foi ferido e fadado à morte. Quando voltava com ele a reboque, Madara pensou ter visto Sakura no caminho.  Já fazia dois anos desde a última vez que a rastreara. Como os sonhos com ela nunca pararam, mas apenas aumentaram, ele imaginou que aquilo fosse apenas sua imaginação lhe pregando peças.

 

 

[...]

 

 

"Madara-nii, pegue-os, antes que eu vá. Não conseguirei mantê-los ligados por muito tempo, você está quase cego, vai precisar deles para o clã".

 

 

Quando o irmão lhe ofereceu os olhos, alguns dias depois, ele desesperou-se e lembrou do poder que Sakura possuía.

 

 

A probabilidade de encontrá-la era quase nula. Afinal, em dois anos não foi capaz de senti-la. Ele foi impulsionado por ímpeto desconhecido, mas que sabia que vinha do fundo de sua alma, e saiu em disparada na direção do rio Naka.

 

 

Não enxergou nada do caminho, as árvores passavam como borrões por sua visão periférica. Só discerniu com clareza e nitidez o que estava a sua frente, quando divisou ao longe as águas cristalinas de seu destino.

 

 

O Uchiha não sabia como, contudo, tinha certeza de que procurava no lugar certo.

 

 

Encontrou-a observando os kois, que saltavam da água, atentamente. Parou distante dela e admirou-a, pensando não ter sido percebido.

 

 

Desta vez, o capuz de seda estava baixado, seus longos cabelos róseos caíam em cascata por sobre os ombros e nas costas alcançavam a altura dos quadris. À luz do sol do final de tarde nublado, eles brilhavam em um magnífico gradiente de tons de rosa quentes e frios, foscos e metálicos.

 

 

Sua postura, esguia e altiva, marcial e delicada. Curvas e músculos discretos. Rosto de perfil angelical e feroz.

 

 

Uma kunoichi atraente.

 

 

Ela era a deusa perfeita da batalha e Madara amava a guerra.

 

 

Como de costume, vestia-se com um quimono e capa com capuz de seda branquíssima. Agora, à luz do dia e com maior clareza, ele observou que não eram nada como os usados pela realeza da sua época. Não se tratava de vestes cerimoniais (ou formais) daquelas com inúmeras e pesadas camadas, mas sim um traje de singeleza magnífica...

 

 

Feitos como uma moldura perfeita para o seu rosto.

 

 

Madara admirou o belo quadro que ela era à luz do pôr do sol. Ela parecia feliz contemplando as águas correntes e os kois saltitantes.

 

 

Por um breve momento, aquela visão esplêndida o arrancou do desespero em que chegara ali.

 

 

Seus olhos brilharam e espontaneamente o homem pegou-se sorrindo para a beleza dela.

 

 

Como a kunoichi, que ele tinha certeza de que ela era, ao andar sobre a água ela deveria ser deveras mais bela e graciosa que o mais majestoso entre os cisnes. No entanto, possivelmente essa graça também constituísse um disfarce para algo certamente mortal.

 

 

Como um shinobi observador e estrategista, o Uchiha sabia que, geralmente, na natureza quanto mais vibrante é a cor ou mais aparentemente pequeno e inofensivo é um ser, mais perigoso ele é.

 

 

Desde cedo seu pai ensinou ele e seus irmãos a não subestimarem o desconhecido.

 

 

Repentinamente, a lembrança do que o trouxera até ali voltou com a dor em seu peito e o desespero em seu coração e alma. Seu semblante e feições se contorceram com o peso da dor e o ninja abaixou a cabeça fitando o chão de vegetação rasteira. Segurava com força a tristeza que ameaçava irromper com lágrimas em grande quantidade. A dor que o atingiu quando perdeu seus outros três irmãos, quando criança, retornou muito mais aterradora.

 

 

Madara estava perdendo Izuna. O pequeno Izuna... seu pequeno último irmão.

 

 

Quando piscou os olhos úmidos tentando se recompor, sua visão foi atraída por dois delicados pés femininos descalços e parcialmente cobertos por uma leve seda branca. Inexplicavelmente, essa imagem lhe trouxe paz e aquecendo seu coração acalmou seu desespero.

 

 

O shinobi subiu os olhos, percebendo com ânsia e apreço a figura dela, até encontrar as cristalinas írises verdes.

 

 

Eram os olhos mais lindos que já vira. Eram sublimes.

 

 

Então, os dedos de uma de suas mãos o tocaram na maçã esquerda de seu rosto. Suaves, quentes, macios e delicados.

 

 

Seus olhos foram atraídos para mão dela. Queria se certificar de que aquela sensação era real. Quando voltou para fitar os olhos dela, viu que ela não parecia estar com medo, nem em um transe esquisito como quando eram crianças.

 

 

Em alegria indescritível, ele teve certeza de que ela o tocava com... carinho.

 

 

Ele tinha obtido o afeto dela e por isso sentiu-se o homem mais privilegiado e invejado do universo.

 

 

Fascinado, piscou os olhos várias vezes e ruborizou... droga, ele sentia-se como um maldito moleque sem dentes de novo.

 

 

Por certo ela não percebeu o rubor na face dele em meio a tristeza e lágrimas não derramadas. Pois, compreensiva, ela sorriu para ele pressionando levemente o toque da mão em sua bochecha. Uma demonstração muda de conforto.

 

 

Aquilo era tão... bom.

 

 

Madara levou a mão esquerda colocando-a sobre a dela em seu rosto. O encaixe da mão maior dele sobre a menor dela era perfeito, sua mente lhe forneceu. A sensação de segurança e completude o invadiram fazendo com que fechasse os olhos na esperança de mergulhar naquele sentimento de...

 

 

Inebriado, a única palavra que lhe vinha a mente para definir o que sentia era pertencimento.

 

 

Ele pertencia ali, ao carinho dela.

 

 

Quando abriu os olhos novamente, ainda segurando a mão dela em sua bochecha, o Uchiha sorriu, corando ainda mais timidamente quando ela moveu ambas as mãos e com os polegares circundou os olhos dele secando suas lágrimas.

 

 

O ninja inspirou longamente para controlar seu interior frenético e enervado. Apaixonado, tomou coragem e segurou ambas as mãos dela nas suas.

 

 

Com o maior cuidado possível, como se ela fosse uma pétala delicada ou uma delgada bolha de sabão que poderia estourar sob a menor das perturbações, ele apertou suavemente as mãos da moça a olhando ternamente e com profundidade em seus olhos.

 

 

Suas defesas estavam no chão, então ao invés de comandar, ele apenas... pediu.

 

 

"Só você pode ajudá-lo".

 

 

Ela assentiu lentamente e sem desviar o olhar do dele, isso lhe deu a certeza de que ela faria o seu melhor.

 

 

Uchiha Madara, treinado desde a infância como um guerreiro, para liderar e ser dominante em qualquer situação, entregou todo o controle e seu coração descansou em confiança em uma mulher da qual nem sequer sabia o nome ou paradeiro.

 

 

E ainda por cima, ele a amava.

 

 

O lado lógico e geralmente o mais ativo do shinobi, pensou que estar nessa posição, isto é, dependendo de outro que não fosse ele mesmo, seria desnorteador e completamente insano.

 

 

No entanto, ao olhar para ela enquanto corriam de mãos dadas, saltando várias árvores de uma vez na floresta, ele apenas teve fé.

 

 

Só experimentara algo assim com dois seres humanos, sua mãe já falecida e seu agora rival Senju... e ele era criança ainda quando viveu essas experiências. Nem sabia mais que podia sentir algo assim com alguém.

 

 

[...]

 

 

O tempo estava nublado e o ninja percebeu que poderiam ser pegos na tempestade que se aprontava, se demorassem muito a chegar. Então comentou com ela que precisavam ir muito mais rápido.

 

 

Sakura acenou em compreensão e apressou impossivelmente seu passo. Madara se frustrou com aquilo porque nutria a esperança de poder carregá-la em seus braços com a desculpa de que ele era mais veloz. Obviamente, ele ainda era mais rápido que ela, mas pensou que seria rude afirmar isso para a kunoichi, só porque a queria mais perto de si.

 

 

Só assim para o conseguir, de outra forma, sua coragem ainda não tinha fornecido à sua fala desenvoltura suficiente para expressar seus sentimentos tão... aberta e tão... romanticamente quanto julgava que ela merecia.

 

 

Ela era uma florSua flor.

 

 

E como tal merecia tudo de seu esforço em tratá-la como uma rainha e jamais ser rude com ela como ele era com seus soldados. Ele estava feliz por ter iniciado a mais importante batalha de sua vida. Batalharia com sigo mesmo para agradá-la e mantê-la perto.

 

 

[...]

 

 

Rapidamente eles avistaram ao longe os portões do complexo e as sentinelas que os guardavam. Ele sabia que Yoshi e os soldados os esperavam a ambos.

 

 

Os guardas vendo a mulher de que tanto se falou ao longo dos anos, se espantaram. Yoshi, todavia, não esboçou reação alguma, aparentando não ter se impressionado com a aparência dela e o fato de ela ser real e, ainda por cima, aproximar-se de mãos dadas com o líder Uchiha conseguindo acompanhar a velocidade dele.

 

 

"Rápido, abram as portas! Eles estão chegando, não podemos atrasá-los! – Yoshi gritou para seus subordinados sem deixar de acompanhar atentamente o deslocamento do casal que se aproximava".

 

 

Com o soar da voz dele, os portões foram imediatamente escancarados e os comentários entre os quatro soldados começaram.

 

 

"É ela?! A kunoichi realmente existe!" O guarda 1 exclamou entusiasmado.

 

 

Outro, mais cético, ativou o sharingan procurando observar bem o sistema de chakra dela. Sendo também um bom sensor analisou a aura da moça.

 

 

"Parece que é realmente como dizem, o chakra é quase idêntico ao do líder do Senju... e há tanto nela quanto no sistema dele". O guarda 2 falou concentrado e com olhos curiosos, ainda a analisando ao longe.

 

 

Com a afirmação do companheiro, categoricamente difícil de impressionar, os guardas 3 e 4 chegaram mais próximos do muro para ver o ‘fenômeno’ com seus próprios sharingans.

 

 

"Como isso é possível? Será que o líder Senju realmente escondeu por tanto tempo uma irmã?" O guarda 3 indagou a todos com os olhos ainda presos na kunoichi rosada das lendas.

 

 

A sentinela número 4 o respondeu. "Isso não têm mais importância, o nosso líder a capturou. Agora os dons dela salvarão o irmão dele e os nossos feridos em batalha pelo clã dela. Será obrigada a trabalhar conta os seus".

 

 

Yoshi/Jashin, que estava postado mais a frente e de costas para eles, sorriu desdenhosamente com a ignorância da afirmação da última sentinela.

 

 

"‘Capturou’ não é um termo apropriado para o que vejo meus amigos. A menos que estejam se referindo ao nosso líder. Ele sim, pode-se dizer que, teve o coração capturado como a ‘caça’ da ninfa rosada... Olhem bem para o aquilo que estão vendo. Provavelmente aqueles dois fizeram o caminho todo de mãos dadas e nem se deram conta disso ainda! E se perceberam, ninguém quis se soltar..."

 

 

A divindade controlando o corpo do jovem Uchiha, no comando das sentinelas, riu escancarada e efusivamente. Pois estava satisfeito com o correr dos planos que tinha com seu mortal e sua amante. Após recompor-se, continuou contemplativo e intencionalmente escolhendo suas palavras, como sempre fizera, na frente de seus subordinados.

 

 

"... Ah o amor e suas cadeias!... Acho que algum dia essas mulheres de cabelos coloridos vão nos arrastar por aí como cães em coleiras... e o pior é que tenho certeza de que até mesmo o deus do Mal, amaria isso!"

 

 

Os guardas atrás dele se cutucaram, começando a rir alto. Então Yoshi se virou. "O que foi?"

 

 

"O senhor está apaixonado, Yoshi-san? De que cor é o cabelo dela que o deixou tão deslumbrado?" O guarda 1 o indagou, divertido.

 

 

Yoshi de dentro de si, tomou as rédeas das mãos de sua divindade. Até aquele momento, Jashin tivera liberdade e consentimento para falar o que bem intendesse. Contudo, o garoto não pensou que o deus o deixaria em tão maus lençóis.

 

 

"Não seja idiota. Sabe que não podemos gostar de ninguém de fora do clã. Não falava de meus interesses. Eu comentei da ninfa rosada do nosso líder e da tal ruiva que Uzushio quer enviar para noivar com Senju Hashirama. Dizem que ele a venera também, assim como Madara-sama à sua princesa Senju".

 

 

Os guardas se riram, internamente, do desespero de seu oficial e fingiram que criam no que ele falava.

 

 

"Tudo bem. Mas, qual você acha que deve ser a mais bonita? A ruiva fogo do Senju ou o Espírito de Cerejeira do Uchiha?"

 

 

Yoshi que havia devolvido o controle para sua divindade, bufou.

 

 

‘Ei, Jashin! Tente não me complicar com a Mayumi. Quem gosta de ruivas aqui é você. Eu amo os cabelos negros da minha noiva!’

 

 

‘Fique tranquilo, Yoshi. Por um momento, me esqueci de você. Não acontecerá mais. Contudo, eu precisava aproveitar a situação e plantar aquelas ideias nas cabeças deles...

 

 

... Fazer com que Madara seja lembrado da rosada, não só pelos meus sonhos, mas pelo mundo real a sua volta também. Me resta pouco tempo e pressinto que poderemos ter problemas de agora em diante...

 

 

... Não sei como as coisas estão indo para Yume em casa, após eu ter descido sorrateiro... Quero garantir que mesmo não podendo influenciar a mente do seu líder, as pessoas o façam em meu lugar. Assim meu trabalho no futuro se tornará menos... complicado’.

 

 

‘Está bem!... Eu entendi o seu ponto. Mas, concerte isso da cor de cabelo, por favor. A Mayumi vai me incinerar com uma bola de fogo se sequer pensar que posso estar interessado em uma ruiva..., rosada, ou qualquer outra mulher. O que eu não estou porque só tenho olhos para ela, desde que a vi!’

 

 

‘Eu não disse? O amor e a suas cadeias... Minha Yume me prendeu assim nela também! Agora só falta o Madara colocar a coleira dele também. No entanto, esse cão problemático é grande, teimoso e cada vez mais cheio de rancor’.

 

 

Yoshi assentiu concordando silenciosamente com o julgamento de seu homólogo. Jashin direcionou-se para fora novamente e respondeu o guarda.

 

 

"Considero que a mais bela cor, sempre será o breu da noite dos cabelos de minha Mayumi. Tenho absoluta certeza de que até mesmo Tsukuyomi me inveja pois ela roubou a beleza do manto negro do firmamento".

 

 

Os guardas arquearam as sobrancelhas e alargaram seus sorrisos. Aquele que o indagara, quanto a quem seria mais bela, o respondeu zombeteiramente.

 

 

"Yare, yare... não seremos nós a colocá-lo em maus lençóis com sua futura ‘carcereira’, Yoshi-san!"

 

 

Todos riram do apelido e então voltaram-se para observar o casal que passava pela entrada do complexo. Se não pudessem sentir o chakra dela e percebê-la palpável ao tato de seu líder, todos diriam que aquela figura (de vestes brancas etéreas ao luar) tratava-se realmente de um fantasma, conforme os rumores espalharam desde a infância de Madara.

 

 

[...]

 

 

Ambos já haviam adentrado o complexo quando Sakura puxou a mão de Madara e fez sinal para que ele parasse. A noite já tinha caído sobre eles e a umidade da tempestade que viria se intensificava no ar. Os dois pararam um pouco depois de passarem os portões e Sakura apontou com o queixo para os guardas Uchiha em vigia.

 

 

"Por favor, peça para que alguns deles venham conosco, Uchiha-sama".

 

 

Madara franziu a testa para o pedido. "Por quê? Eu não te farei mal, Senju. Você tem a minha palavra".

 

 

Sakura não entendeu de onde ele tirou que ela era Senju, mas se tudo aquilo que estava vivendo fosse real e não um sonho/genjutsu ou delírio, não importaria o que ele achava que ela era ou onde pertencia. Ela queria mudar o futuro... e salvar Madara do ódio e da dor.

 

 

Não admitiria, mas mesmo tendo o visto uma única vez (ou assim pensava) antes da guerra contra a Aliança, ela gostou de quem ele era. Sentiu que era uma boa pessoa e que, estranhamente, o compreendia.

 

 

Também não poderia negar que ele possuía um charme. Uma aura de atração que ela agora lutava para não orbitar em volta.

 

 

‘Deuses e essa é a primeira interação nossa’ ela pensou e como num passe de mágica Inner surgiu em sua mente e suspirou. “E espero que não seja a última”. Sakura a ignorou, lembrando-se que seu inimigo aguardava uma resposta dela.

 

 

"Eu... sei que não, senhor. Porém isso é por você Madara-sama..." Seu nome pronunciado pelos lábios dela era ... doce aos ouvidos dele, como jamais pensou que fosse possível.

 

 

"... para ter testemunha da sua boa índole e boas intenções em relação à ..."

 

 

Ela parou, pensando em como não dizer que queria testemunhas para que, se caso Izuna morresse, a fama do homem ambicioso, cruel e monstro que roubou os olhos do próprio irmão no leito de morte, não fosse atribuída novamente ao líder Uchiha. Ao menos esse fardo ele não carregaria, no que dependesse dela e isso lhe deu coragem para fornecer a desculpa que utilizou a seguir.

 

 

"... em relação à minha pessoa. Testemunhas que não levaste uma mulher de fora de seu clã para seus aposentos... sem ser casado com ela".

 

 

A médica corou com a afirmação e Madara também. Um breve momento de silêncio tímido pairou sobre ambos até que o Uchiha sorriu sutilmente e maliciosamente a respondeu.

 

 

"Esse é... um problema fácil de contornar... futuramente. Se você aceitar, é claro, flor".

 

 

As bochechas dele ferveram porque pela primeira vez a chamou de algo que não fosse fedelha. Conseguiu mostrar carinho por ela... ele não acreditou que era capaz de algo assim e agora sentia-se extremante exposto. Torceu para que ela não risse dele e sua vermelhidão no rosto.

 

 

‘Ele me propôs casamento? Foi isso mesmo?’

 

 

Sakura se sobressaltou, como se engasgasse e olhou para ele ruborizada também e foi então que se tornou consciente de que até aquele momento ainda não haviam soltado as mãos. Kami, ela nem sabia quando é que eles se tocaram primeiro. Aquilo parecia tão... normal. Tão ... bom. Era como se estivessem ligados e fossem um só. Oh deuses, que viagem, que loucura!

 

 

"Os... guar-das..., Madara-sama. Os guardas, chame os guardas, por favor!"

 

 

O Uchiha sentiu-se vitorioso com o gaguejar dela. O rubor, todavia, já havia tomado não só as maçãs do rosto dele, mas a ponta do nariz e das orelhas também. O shinobi olhou para ela com diamantes negros cintilantes e um sorriso bobo.

 

 

"Tudo bem! No entanto, você ainda precisa me ajudar a resolver essa questão de ‘honra’, pois não será a última vez que quero trazê-la para aqui. Na verdade, se você aceitar tudo isso será tão seu quanto meu... flor".

 

 

Tímido, rapidamente ele precisou desviar o olhar dela. Não sendo suficiente, não conseguiu aguardar a reação dela, então tratou de arranjar algo para ocupar-se.

 

 

"Guardas! Sigam-me! Podem desguarnecer os portões por agora. Preciso de vocês".

 

 

Em meio as palavras de ordem que trovejavam incrivelmente atraentes e dominantes nos ouvidos dela, Sakura pegou-se em um conflito interno.

 

 

‘Oh Kami, que sonho maluco!’

 

 

“Se não for um sonho... e tem tudo para não ser... você deve uma resposta ao gostosão ali... Eu já quero pensar num lugar para a grande noite e num vestido de arrasar também”.

 

 

Sakura se enfureceu com a sugestão de que ela fosse ter uma grande noite com alguém que não fosse Sasuke. Inner pelo jeito não se importava com os sentimentos e sonhos dela.

 

 

Vendo que seu exterior ficou silencioso e carrancuda, Inner resolveu se explicar pensando que o motivo da carranca era outro. “Que foi?! Se é para salvar a honra dele e a nossa, que seja divertido... e com muito luxo, querida!”

 

 

‘De vez em quando, tenho a impressão de que você não me conhece, Inner. Isso ou não liga nem um pouco para o que sinto’.

 

 

“Ou... você não sabe o que sente ainda. Isso ou você está em negação, Exterior!”

 

 

A rosada nada respondeu. Apenas odiou que talvez, apenas talvez, Inner estivesse correta.

 

 

[...]

 

 

A ninja do time 7 atravessou o complexo Uchiha, seguindo Madara, junto às cinco sentinelas. O trajeto fora um pouco longo principalmente porque a luz da lua foi totalmente encoberta e uma fina garoa caía acompanhada de ventos fortes que começavam a se abater sobre eles.

 

 

Sem dúvida alguma, algo como uma tempestade de verão se anunciava. Sakura, não sabia, mas ela possuía uma coisa a mais em comum com os Uchihas e não era só o desejo de salvar Izuna. Naquele momento, todos eles tentavam não dar ouvidos às superstições que falavam do mau agouro que temporais assim sinalizavam para os doentes.

 

 

Era enorme, foi só isso que pode contatar da casa principal Uchiha porque imediatamente, após a adentrarem, ela viu Madara desesperar-se. Nem precisava ser médica para percebê-lo, bastava ser um observador acostumado ao convívio de Uchihas. Mesmo em silêncio sepulcral e ostentando uma fachada de força e frieza por fora, ele estava à beira de despencar do precipício por dentro, se a postura e seus trejeitos indicassem algo.

 

 

Foi nítido quando o homem foi tomado pela urgência de outrora novamente, pois tornou a agarrar sua mão e, correndo, praticamente a arrastou pela casa. Velozmente, atravessaram um engawa situado ao centro da imponente e tradicional construção e estacionaram ela, Madara e os cinco sentinelas, atrás deles, a frente do primeiro quarta perpendicular ao jardim.

 

 

À abertura da porta de papel shoji, foi revelado um ambiente silencioso. Naquele quarto, uma aura melancólica e triste, características da morte, pairava. Aos fundos, numa distância de cerca de 5 metros deles, um corpo estava disposto sobre um futon e generosamente agasalhado sobre grossos cobertores.

 

 

Sakura estreitou os olhos para poder vislumbrar a aparência do Izuna que os livros de história de Konoha citaram brevemente.  Apesar das lamparinas acesas iluminarem o ambiente razoavelmente bem, enxergar com nitidez o rosto do garoto. Ele dormia com o rosto voltado para o teto. Para ela a visão era de seu perfil, quase totalmente encoberto por cabelos negros não tão curtos, a semelhança dos de Sasuke.

 

 

Naquele silêncio e clima de tristeza sem tamanho, o som da respiração dele era demoradamente entrecortado, estreitado e leve. Só essas características, infelizmente, já perfaziam um quadro respiratório sôfrego.

 

 

Izuna estava em suas últimas horas.

 

 

Madara a tirou de seus pensamentos de pesar, soltando suas mãos e levando uma para entre suas omoplatas. Não era o momento, e ela se recriminou por isso, mas ela sentiu um arrepio descer a sua espinha a partir do toque dele. Se ele sentiu o mesmo, provavelmente a sensação se perdeu na tristeza que afetava seu semblante. O shinobi a fitou com olhos negros vazios e úmidos.

 

 

"Espere aqui, eu vou acordá-lo e falar com ele. Você pode se aproximar quando eu lhe fizer sinal".

 

 

Séria, a ninja assentiu em consideração à apreensão e dor que ele deveria estar sentindo naquele momento. Tendo ele se afastado, ela lembrou-se das suas ‘testemunhas’ e saiu da frente deles e colocou-se ao lado dos soldados, observando os irmãos Uchiha.

 

 

Eles viram Madara, cuidadosamente, despertar seu irmão mais jovem com uma sacudidela. O rapaz desperto fitou o líder Uchiha com um pequeno sorriso. Embora, com certeza, estivesse sofrendo dolorosamente com muitas coisas, entre elas a dificuldade de respirar.

 

 

"Nii-san!" A voz dele era fraca e muito baixa.

 

 

"Pequeno irmão, desculpe interromper seu sono. Mas, preciso lhe falar: Eu trouxe ajuda. Eu a encontrei, ela te salvará irmãozinho". O mais velho informou tentando transmitir tanto para o outro quanto para ele, conforto e esperança... apesar do medo que o assolava.

 

 

Izuna o olhou por um breve momento e então, lentamente, virou o rosto na direção de Sakura. A fitou analisando de cima a baixo. Ninguém percebeu, mas a rosada congelou ao ver o rosto dele.

 

 

"Sasuke!" Sakura se sobressaltou em espanto e levou as mãos a boca, ao perceber que gritava próximo a um acamado.

 

 

O nome soou e Madara e os outros na sala, fora Izuna, a olharam numa espera muda de explicação do porquê ela gritava aquele nome. Ela empalideceu e todos perceberam suas pernas fraquejarem. Madara nem encontrou forças para explicar a ela que o tal ‘Sasuke’ não estava ali, apenas orou a todos os kami, que os malditos transes e visões (que pelo visto ainda aconteciam) não emergissem enquanto seu irmão precisava da ajuda dela.

 

 

Izuna, alheio a tudo, após sua análise completa, voltou a fitar os longos cabelos róseos e olhos verdes vidrados. Teria sido um sorriso radiante aquele que ele abriu não fosse por seus olhos fundo em suas órbitas, pele pálida e rosto magro e abatido.

 

 

"Você realmente existe e é tão bonita e graciosa quanto uma flor. Agora sei por que tirou o sono do meu irmão por tanto tempo. Se Madara-nii não a amasse eu a roubaria. Todavia, parece que não a poderei disputa-la com ele. Acho, talvez você seja uma das minhas últimas visões... uma bela visão".

 

 

Madara o tocou levemente no ombro. "Izuna, guarde suas forças e não fale assim. Você viverá irmão... Você viverá e poderemos disputar a mão dela... Hn? O que acha!? Ela precisará escolher um de nós dois. Mas, eu sei que eu já ganhei, ela gaguejou para falar comigo, sabia?!"

 

 

Izuna sorriu lentamente, com os olhos entrecerrados. Sakura sentiu-se envergonhada e triste pelo tom da conversa que era mergulhado em melancolia e insegurança pela vida do rapaz. Madara riu fracamente, então suas feições retornaram ao aspecto sério e ele indagou o mais jovem temendo a recusa dele à sua proposta.

 

 

 

"Então, você permite que ela cure você, pequeno garoto?"

 

 

"Não me vês como um homem nem mesmo agora, não é?!" Izuna riu fracamente, em seguida tossindo em seco. "Você pode tentar, irmão. Mas, me prometa que tirará meus olhos se não puderem me salvar... você tem que prometer".

 

 

O mais velho assentiu, infeliz. Então Izuna o autorizou. "Ela pode vir, então".

 

 

Madara ergueu o rosto, desviando o olhar dele para a direção de Sakura, e fez sinal para ela. Ela aproximou-se ansiosa, já com as mãos erguidas e brilhando em verde. Postou-se ajoelhada de frente para Madara que estava também na mesma posição. Izuna deitado no futon entre eles.

 

 

No momento em que as mãos dela pairaram sobre o corpo dele, todos os soldados (exceto Yoshi) apertaram, apreensivos, o punho de sua katanas. A ‘Senju’ era última chance do herdeiro Uchiha. Foi uma surpresa a permissão dele para ela ajuda-lo, contudo isso os deixou felizes. Pois mesmo que ela pertencesse àquele clã, ela era diferente e visivelmente fazia seu líder alguém melhor... feliz.

 

 

Eles a seguiram, lentamente, e postaram-se próximos, mas ainda em pé. Queriam acompanhar aquilo que oraram a todos os kamis para que fosse um milagre a ser operado nos próximos minutos... só assim para o garoto sobreviver na situação em que se encontrava.

 

 

Depois de alguns minutos, tanto Sakura quanto Madara mudaram para se sentar em posição de seiza dado que, pelo visto, o processo seria longo. A rosada piscou algumas vezes para espantar de sua mente o quanto o rapaz era semelhante a Sasuke. Precisava entender que não era ele ou o desespero colapsaria seu coração e seus sentidos.

 

 

Pensou que ajudaria mudar seu raciocínio de direção. Por isso, mesmo desnecessariamente, virou-se para os soldados e ordenou a eles que não se aproximassem mais. — Deem espaço para ele! – Ela disse.

 

 

Mesmo que não muito próximos, eles a obedeceram e se afastaram um pouco mais. Antes, porém, se entreolharam encolhendo os ombros. Eles percebiam nervosismo na moça.

 

 

Na mente de Yoshi as coisas estavam menos silenciosas. Um diálogo começou a se desenrolar enquanto ele observava a rosada ali.

 

 

 

‘Jashin, por que ela está aqui? Pensei que você não pudesse interferir a esse nível em nossa linha do tempo.’

 

 

“Eu não posso, não agora”.

 

 

Yoshi quis estapear a própria testa com as consequências daquele fato. ‘Então, por que deixou ela visse para cá... justo agora?’

 

 

“Não tenho como controlar em quais momentos a alma dela vem a esta época lúcida o suficiente para encará-lo e ainda por cima se compadecer dele... quando a movimentei para cá, planejei apenas que eles se encontrassem no rio e que ela, se muito lúcida, fugisse dele ou não suportasse estar nessa época por muito tempo, como das últimas vezes...

 

 

... No entanto, parece que a ligação que minha Yume teceu para ambos, agora está tão forte que a ânsia da alma da moça em confortar a alma dele é intensa a ponto de não só mantê-la lúcida, mas também para suportá-la distante de seu corpo por tempo suficiente que a permitiu chegar até aqui”.

 

 

‘Não poderia haver um momento pior para eles descobrirem a condição dela”.

 

 

“Eu tenho que concordar. Contudo, isso fortalecerá o que ambos têm entre si agora”.

 

 

Yoshi ficou confuso. “Não entendo. Pensei que isso seria pior para os seus planos!’

 

 

“De forma alguma. Como disse, isso fortalecerá o que eles têm... tornará mais... verdadeiro. É como dizem, nem tudo são rosas”.

 

 

Yoshi se escandalizou com a loucura da afirmação. ‘Kami, você só pode estar brincando. Me explique, por obséquio, de que forma uma tragédia dessas contribuirá para fortalecer o amor deles?!’

 

 

A divindade riu com a reação dele, pensou em lembra-lo de que falava com o deus do Mal, mas sua atenção era necessária na cena que veio assistir naquele momento e as perguntas do rapaz o estavam atrapalhando. “Yoshi, Madara está certo... você realmente fala demais. Depois te explicarei o que quiser. Agora, faça silêncio! Preciso prestar atenção no que se seguirá”.

 

 

‘Tudo bem.’

 

 

__ Não está funcionando. Por que não funciona? Por que a ferida não cicatriza? – A ninja médica, com as mãos pairando sobre o corpo do ferido, exclamou desesperadamente, já derramando lágrimas.

 

 

‘Sasuke, por favor!’ Inner a agarrou pelos ombros em sua paisagem mental. “Esse não é Sasuke, foco Sakura! Foco!” Sakura acenou em meio a lágrimas para ela. ‘Isso é um sonho, não é?’ Inner suspirou estressada. “Não importa, o que é. Controle-se e faça a sua parte. Onde foi que a aprendiz de Senju Tsunade, a Neo-Sannin foi parar? Não estou te reconhecendo!”

 

 

A kunoichi rosada já aplicava seu chakra, na técnica da palma mística, a quase meia hora e absolutamente nada acontecia. Todos estavam desolados. Os soldados que antes os rodeavam em curiosidade e expectativa de um milagre, agora estavam dispersos pelo quarto. Dois sentados e recostados as paredes, tinham as cabeças baixas fitando as próprias mãos.

 

 

Um outro, muito próximo a Izuna, estava em pé de costas para a cena e escorado no batente da porta contemplando o engawa da casa, pensativamente. Seus pensamentos flutuavam da tristeza de perder um com líder até como nem mesmo uma kunoichi poderosa, como líder do Senju, não consegui salvar alguém as vezes. A quarta sentinela permaneu em pé, ao lado de Yoshi e pensava em como daria tudo para não precisar estar ali, vendo mais um de seu clã morrer.

 

 

Madara, ainda de frente para Sakura, também já não olhava a cena... em suas feições assombradas, havia recuado profundamente em si mesmo e sua dor. Ele tinha as mãos em punho sobre as coxas e segurando uma porção cada uma da barra de sua blusa azulada. Os olhos do mais velho estavam úmidos com lágrimas que ele ferozmente lutava para segurar. Contudo, sentia que essa luta jamais venceria. Ele estava afundando.

 

 

"Isso não acontecerá! Eu ainda tenho isso!"

 

 

A voz rosada o arrancou de sua miséria com a fala determinada. Uma pequena luz de esperança piscou brevemente em sua escuridão e ele a encarou com um pedido mudo de ajuda.

 

 

A médica estava tão determinada que mal o fitou de volta. Ele a observou recuar as esvoaçantes mangas de seda de seu quimono na tentativa de arregaçá-los. Sem sucesso em fazê-lo ele pensou ter ouvido ela reclamar que seria bom se tivesse sua ‘aparência verdadeira’ naquele momento. Ele franziu a testa para a informação, mas deixou isso de lado, então a observou tecer uma curta sequência de selos.

 

 

Logo sentiu a energia dela quintuplicar em densidade e proporção. Aquilo era fantástico. Todavia era apenas o começo, a onda massiva de energia foi liberada e então faixas verdes e pretas emergiram do diamante no centro da testa da mulher. Ela conseguia impressioná-lo cada vez mais, não só com sua beleza, mas com sua determinação e habilidade também.

 

 

A moça era estupenda em todos os aspectos, estava fazendo tudo o que podia por seu irmão... por ele... e...

 

 

Madara nem sequer sabia o seu nome, ainda.

 

 

A esperança dele se esvaiu novamente quando ela moveu as mãos para tocar Izuna pela primeira vez. Sakura desejava estender as faixas de chakra yin para o jovem, no entanto para o completo horror de todos, suas mãos atravessaram o corpo dele.

 

 

A ninja ficou pasma. Não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Movimentou os dedos e as mãos freneticamente ao longo de toda a extensão corporal do rapaz e, para sua infelicidade e dos demais, certificou-se de que não tocara um centímetro sequer de pele. Não sentia nem mesmo a respiração dele no dorso de suas mãos.

 

 

"Eu não posso, não consigo tocá-lo! O que está acontecendo?! Não posso curá-lo se nem mesmo meu chakra toca o corpo dele!" Ela falou desesperada olhando para todos.

 

 

Madara e os outros no quarto tinham nítido em suas feições o espanto. Parecendo ter recebido alguma ideia iluminada, o mais velho agarrou as mãos dela, bruscamente, assustando-a (não intencionalmente, mas ele agia por impulso mediante a iminência da morte do irmão). Ele forçou-se para compreender aquele fenômeno e esperançosamente interrompê-lo. Como era possível que ela fosse papável para ele e vice-versa, mas Izuna fosse intangível para ela ou ela para ele?!

 

 

Quando eles se tocaram, de imediato as faixas do selo deslocaram-se para as mãos dele. A constatação veio com grande entusiasmo e a imergência o levou a instantaneamente a explicar o que tinha em mente para ela. Depois que tudo desse certo eles tentariam entender como aquilo funcionava.

 

 

Olhou profundamente nos olhos dela e falou firmemente. — Eu o tocarei onde você mandar, apenas mantenha suas mãos sobre as minhas.

 

 

Aquele comando a lembrou mais do Madara da 4ª Guerra, mas não de um jeito ruim, apenas no tom de sua voz. Não fosse o momento ela jurava que admiraria o quanto a voz grave dele era sexy... Sakura não sabia o que estava acontecendo com ela, para prestar atenção naquelas coisas e sentir vontade de sorrir com a sensação do arrepio que subiu suas costas, de novo. Nunca sentira aquilo com nenhum homem, nem como Sasuke ou Kakashi e agora sentia mais de uma vez no mesmo dia e gostou... muito.

 

 

Quando o shinobi tocou o torso de Izuna, esperou que as faixas caminhassem para o irmão que definhava, mas novamente nada aconteceu. "Eu sinto você! Eu sinto seu poder em minhas veias. Sinto seu chakra!" – A voz dele era furiosa para então tornar-se suplicante. "Kami, por quê?!"

 

 

"Irmão!" Izuna tocou a mão dele, tendo a sua atravessado a de Sakura. "Por favor, não perca mais tempo". Ele ativou seu Mangekyou Sharingan. "Pegue-os, você prometeu... para ajudar nosso clã".

 

 

Sakura as mãos de cima das de Madara e olhou para todos os soldados, que a esta altura já estavam a volta deles novamente. "Por favor, alguém traga um frasco de vidro com tampa de boa vedação, bandagens, água morna e o que tiverem de mais próximo a instrumentos cirúrgicos".

 

 

 

"Eu vou". O guarda mais conhecido de Izuna, aquele que não aguentava a tristeza de estar ali, ofereceu-se, saindo em busca dos materiais solicitados, rapidamente.

 

 

A rosada voltou-se para o líder Uchiha. "Eu não posso tocá-lo..., mas orientarei no que puder".  Falou baixinho. "Ficarei aqui... com você".

 

 

Madara não respondeu nada, nem sequer a fitou. Parecia que toda a luz que ele emanava mais cedo era apenas uma ilusão de homem. Aquele na frente dela era um assombro. Um espectro da dor e ... do ódio. Sakura não sabia como, mas o Uchiha estava muito mais horripilante naquele momento. E pensar que sentira medo dele em sua época.

 

 

No entanto, havia outro aspecto mais intenso no quadro que ele fazia. Suas microexpressões e os lábios crispados quase se contorciam em dor, tanto o rosto quanto os olhos estavam vermelhos. Ele curvou a cabeça, o queixo tocando o peito. A Kunoichi viu atrás da cortina de cabelos negros duas pesadas lágrimas correrem pelas bochechas do Uchiha. Na intenção de escondê-las, o homem rapidamente enxugou-as.

 

 

[...]

 

 

A sentinela que faltava, não demorou a retornar com o material demandado por Sakura. A médica orientou, com dor e palavras as vezes entrecortadas, os soldados a extraírem os olhos de Madara e reserva-los no frasco. Depois os acompanhou na extração dos olhos de Izuna e na inserção dos globos oculares nas órbitas do líder Uchiha.

 

 

Sakura pediu a ele que moldasse seu chakra com o máximo de partes yin possível e religasse os olhos de Izuna em si e em seguida submergisse os seus antigos na essência curativa para conservá-los. O shinobi, com o coração gelado, obedecia a tudo mecanicamente.

 

 

Yoshi havia envolvido o crânio com órbitas vazias de Izuna com bandagens revestidas de óleos e unguentos para cicatrização e contensão de hemorragias. Contudo, fora infeliz em estancar o sangue que escorria, lentamente, pelas bochechas do jovem de 18 anos.

 

 

Ser um guerreiro experiente e aterrador na guerra, não impediu que Madara deixasse de sentir-se desolado com a visão do jovem Izuna naquela situação. O sangue escorrendo o lembrava de que sua vida se esvaía junto.

 

 

Sakura, não estava muito diferente, sentia-se a beira do precipício do desespero. Somente as palavras do treinamento de Tsunade reverberando dentro de sua mente (por influência de Inner) a confortavam e impulsionavam a ser minimamente racional.

 

 

Minimamente racional era o melhor que poderia conseguir, com sorte, porque seu profissionalismo estava em frangalhos. Pois por inúmeras vezes quase agarrou o jovem em seus braços e chorou nos momentos em que sua mente se confundia e ela pensava que era Sasuke ali.

 

 

Em mais um esforço de raciocínio e habilidade geniais, Madara moldou seu chakra pela segunda vez para a forma yin e estancou com sucesso a hemorragia nas órbitas do irmão. Vendo que conseguira, desesperadamente pensou que poderia fazer o mesmo com a ferida no torso dele e curá-lo. Ele tentou por longos minutos, até que o jovem começou a despertar dos sedativos e Sakura levou as mãos sobre as de Madara e as pressionou. Ela sinalizava para que ele cessasse a sua tentativa.

 

 

"Não adiantará... não se trata de só fechar o ferimento. Ele tem uma infecção generalizada. Seria preciso, muito mais que isso para salvá-lo no estado em que se encontra. Você... quer que eu saia para poder se despedir dele? Ainda tens algumas horas".

 

 

Madara meneou a cabeça em confirmação muda e todos saíram do recinto.

 

 

Assim que Sakura e as sentinelas saíram para o engawa perceberam que chovia forte. A tempestade havia de fato começado. Eram por volta das 21 h e os ventos não cessavam. Então relâmpagos cortavam o céu e a eles se seguiam o estrondo de trovões.

 

 

O ar tornou-se gelado e ela descobriu que odiava temporais ou talvez odiasse a sensação da tristeza em todo seu âmago.

 

 

Ela e os soldados estava todos recostados a parede do lado de fora do quarto de Izuna. Ninguém conseguia dizer uma palavra, por isso permaneceram de cabeça baixa, em silêncio. Até que um Madara inexpressivo e muito veloz desponta do quarto e atravessa o engawa, como em um piscar de olhos, dirigindo-se sabe se lá para onde.

 

 

[...]

 

 

Em um lapso de memória e espaço, Sakura viu-se próxima do rio de mais cedo, novamente. Alguns metros a sua frente bem na orla das águas a silhueta de Madara em sua armadura. Tudo estava muito escuro, mas a sombra daqueles longos e revoltos cabelos dançando com os ventos tempestuosos e aquele porte marcial implacável eram inconfundíveis. A tensão, própria da raiva e revolta, em sua postura também.

 

 

Ao que parecia, ele não se importava nem um pouco com a chuva pesada que o atingia. Deveria estar totalmente submerso em dor e fúria.

 

 

Temerosa, ela o analisava e quanto mais inferia dele no meio do silêncio, mais ela se via incapaz de se aproximar. Foi assim até que ela se assustou com o movimento brusco dele. O Uchiha arqueou-se e expeliu uma rajada gigantesca de fogo que alcançou a mata do outro lado do leito do rio... que era extenso.

 

 

Sakura, que soltou um pequeno grito de susto, pensava que nem foi notada e que seria melhor deixa-lo em paz, quando uma nova rajada ainda mais forte e estrondosa veio dele. O rugir daquele fogo era aterrador e superava o barulho da chuva e dos trovões. Ela não sabia o porquê de ter a impressão de que já havia visto algo assim em algum lugar...

 

 

Mais fogo continuou vindo... e cada vez mais furiosamente. Mesmo molhada pelas águas do temporal, a floresta estava ardendo... sendo consumida pelas chamas. O ar a volta dele tornou-se cada vez mais denso e não foi em virtude do calor avassalador ou pela fumaça e fuligem nublando a noite.

 

 

Mas, sim em virtude do chakra que o Uchiha começou a liberar. Ela recordava-se de que já sentira o chakra dele em sua época. Contudo, aquilo nem se comparava à confusão, desespero, dor e à imensa quantidade de ódio que ele foi capaz de materializar naquele momento. A fúria emanava dele em ondas de poder bruto e esmagador.

 

 

Sakura estremeceu e amedrontada planejou fugir antes que pudesse ser notada. Era tarde demais, porém. Como em câmera lenta ela viu Madara virar-se para ela com os conhecidos terríveis Eternal Mangekyous Sharingans, ativos.

 

 

O Uchiha a reconheceu e suas feições não suavizaram. Talvez rapidamente seus olhos tenham brilhado, todavia, qualquer que fosse o resquício de ternura que já houve neles... foi estilhaçado pelo ódio que o tomava e encarregou-se de lembrá-lo que esperou nela para salvar Izuna.

 

 

Algo gritou, fracamente, sacudindo seu coração. Pensou que a voz dizia que a moça não tinha culpa e que ele... a amava..., que a pediu em casamento. Contudo, Madara não era mais aquele homem... ele era um vingador e aquela mulher não representava mais nada para ele.

 

 

Quando ele deu um passo a frente, ela deu um passo para traz. Sakura virou-se para correr, mas em uma velocidade inumana colidiu contra o muro que era o corpo do shinobi plantado a sua frente. Ela intentou desviá-lo, no entanto ele triscou a mão em seu pescoço levantando-a do chão.

 

 

"Você será a primeira a pagar pelo sangue do meu irmão, Senju".

 

 

Ela arregalou os olhos e ele fitou-os profundamente, impassível. No entanto, quando divisou o reflexo de suas chamas, queimando a floresta, no verde esmeralda... Madara se espantou.

 

 

Sua mente colapsou e por reflexo, de um instinto nada menos que protetor, seu braço fraquejou e sua mão cedeu. Não querendo machucá-la mais, a segurou com o outro braço e a pousou calmamente no chão. Ela encolheu-se, aos seus pés, como em uma bola.

 

 

As imagens daquele sorriso, das bochechas coradas, o som suave e melodicamente doce de sua voz, a graça e felicidade radiantes dela o atingiram. Como poderia ele, matar algo tão... bom?

 

 

 

 

“Sasuke, você voltou para mim?”

 

 

O garoto de 10 anos viu-se apertado em um caloroso abraço de urso. Nos braços da menina, com cabelos de dango, sentiu-se querido... acolhido... amado.

 

 

 

 

Aquela lembrança de infância remexeu seu interior. Então, vieram as memórias das noites pensando no seu último encontro naquela caverna e os dias em que ele remoía seus princípios e objetivos destruídos e por fim acabava decidindo que era ela a jovem que escolheria para dividir sua vida e aprender a amar. A única que, inexplicavelmente, foi capaz de despertar nele esse desejo.

 

 

No entanto, hoje, no mesmo dia em que ele conseguiu expressar um carinho que passou anos construindo unicamente para ela..., no dia em que, com tudo de si, venceu suas barreiras e revelou sua intenção de dividir seu íntimo e seu coração..., no mesmo dia em que entregou todo o controle e confiança a ela... 

 

 

Aquela mulher foi o porta-voz da morte. Lembrar das palavras dela era o mesmo que enxergar a morte. A morte que tirou tudo dele.

 

 

Mas, ela ainda era boa, pura e... inocente.

 

 

Não era ela o alvo de sua vingança. Mesmo que, estivesse associada ao pior momento de sua história.

 

 

"Saia Senju, volte para seu maldito clã e diga a todos que Uchiha Madara exigirá seu sangue, ainda hoje. Que Hashirama lute se quiser defender o cachorro dele. Pois eu o darei para meus falcões e para os lobos na floresta!"

 

 

O shinobi a observou tremer, congelada a sua frente. Só agora percebeu que ela aparentava nem mesmo ouvi-lo. Tremia e tremia de horror fintando seus Mangekyous. Seria mais um de seus transes ou apenas medo?

 

 

Tentou tocá-la e sua mão atravessou seu corpo, ele pensou estar em um genjutso, mas quando tentou liberá-lo viu que não era. Quis tocá-la novamente e de novo ela estava intangível. Oh merda, ele não deveria passar tempo demais perto dela.

 

 

Observando-a, seu interior doeu ouvindo o choro dela e vendo-a acuada... a flor, suava frio e amedrontada com medo dele.

 

 

Suas feições suavizaram e ele quebrou.

 

 

Madara era um maldito. Um maldito que perdeu tudo.

 

 

"Pare de chorar... eu não devia tê-la assustado. Eu estou indo, volte de onde veio. Seguirei meu novo caminho e você deve fugir o mais rápido possível do complexo Senju... e... encontrar um homem inteiro, um capaz de amar como se deve".

 

 

Ele pensou que a moça o ouviu porque, mesmo tremendo, ela ergueu a cabeça e olhou para ele.

 

 

"Todos merecem uma segunda chance".

 

 

Madara franziu o cenho com a frase e não teve tempo de expressar nenhuma reação porque ela simplesmente começou a desvanecer em sua frente até que se tornou completamente invisível.

 

 

‘Quem sabe, em mundo diferente, você e Izuna... talvez..., nós teríamos sido felizes, Senju’.

 

 

[...]

 

 

Ao longe, Yoshi observou Madara voltar a incendiar a mata do Naka.

 

 

‘Então, explique porque não vi absolutamente nada de bom nisso, Jashin-sama’

 

 

A divindade riu estrondosamente na paisagem mental de Yoshi. “Você está cobrando bondade do deus errado, meu caro!”

 

 

Yoshi cruzou os braços e cerrou os dentes, demonstrando não achar graça na situação.

 

 

“Você está parecendo Yume-kun, agora. Será que não posso descontrair um pouco?!”

 

 

‘Isso não piada, senhor. Perguntei a sério.’

 

 

“Okay, okay... Apesar da presença inesperada da moça aqui, de ela já demonstrar afeto por Madara a ponto de se compadecer dele e fazer tudo ao seu alcance para que o Uchiha não sucumbisse a ‘Maldição do Ódio’... considero que as coisas me sairam melhor que o planejado. Os laços entre eles foram fortalecidos”

 

 

‘Antes dessa tragédia, Madara-sama queria casar-se com ela, agora quase a matou! Onde diabos isso fortaleceu o amor deles?’

 

 

“Baixe seu tom de voz comigo, Yoshi. Se esqueceu de com quem está falando?” O garoto murchou. “Bom eu me esqueço que você é muito jovem. Ainda tem muito para viver e aprender...

 

... Enfim, o que eu quis dizer é que Madara agora está fora de si, tomado pelo ódio. Contudo, o amor que veio se construindo ao longo dos anos pela rosada não se acabou. Pelo contrário, se solidificou e quando ele puder voltar a si,  verá como ela fez tudo o que estava a seu alcance para salvar o irmão dele...

 

... Verá e que ele se cegou pelo ódio e pela dor a ponto de quase feri-la. Quando aquela coisa bicolor asquerosa começar a soprar nos ouvidos dele e todos a sua volta o condenarem inclusive ele próprio. A alma dele o lembrará que mesmo assim ela o perdoou e que não o enxergava como um monstro”.

 

 

No mundo exterior, Yoshi levou uma das mãos para coçar a cabeça. Ficou um tempo pensativo enquanto observava Madara externar sua fúria com o Katon das chamas majestosas na floresta (se é que aquela extensa mina de carvão poderia ser chamada de floresta ainda).

 

 

"Não entendi".

 

 

Jashin deu-lhe as costas e literalmente socou a própria cabeça, dentro da mente de Yoshi.  

 

 

“Oh! Amaterasu, Tsukuyomi e Susano’o devem ter vergonha de um Uchiha como você! Por todo o panteão de deuses, quanta burrice!... Como é que essa tal de Mayumi foi se apaixonar por uma ameba como você, Yoshi?!”

 

 

"Em síntese, o que Shin quis dizer foi que: O verdadeiro amor prospera na adversidade e vence o ódio, Yoshi-kun..."

 

 

A mais velha das conselheiras Uchiha, Yume, aproximou-se colocando-se ao lado do jovem oficial.

 

 

"O verdadeiro amor é capaz de vencer a própria morte".

 

 

Yoshi curvou-se para ela, em respeito. "Yume-sama, é honra conhecê-la!... Então..., a senhora é realmente o receptáculo da deusa de mesmo nome que o seu?!"

 

 

“Não Yoshi, ela só uma velha capaz de ler mentes e descobrir que eu estou ligado a você aqui na Terra. Cara, se eu pudesse eu trocava você! As vezes sua burrice é um martírio!”

 

 

‘Vai se ferrar, Jashin!’

 

 

"Meninos... não briguem. Shin, você é muito confuso as vezes...". ‘Ou melhor, na maioria delas’.  "...e o garoto é jovem ainda. Para o pouco que deixamos ele ver do jogo que jogamos é muito difícil compreender onde queremos chegar... sem falar que pouquíssimos mortais nesta época estão familiarizados com o amor sacrificial. A maioria conhece apenas o amor erótico e o fraternal... e por pouco tempo.

 

 

“Eu compreendo, amor. Me perdoe, Yoshi. Prometo ser mais paciente e não dizer que você é idiota mais... você sabe que te considero um amigo e que não queria te insultar a sério, não é?!”

 

 

‘Tudo bem, Jashin-sama. Também o considero um amigo..., mas fique sabendo que vou te mandar se ferrar toda vez que me encher, não me importa deus de que porra você seja!’

 

 

Yume começou a rir incontrolavelmente com a audácia do rapaz e raiva do amante dela. Depois de um tempo ela secou as lágrimas de seus olhos e fez sinal para que Yoshi a seguisse.

 

 

"Vamos rapazes, temos que pedir ao nosso líder que volte para casa e descanse. O corpo do jovem Izuna já foi cremado. Já são 3 h da madrugada... ainda hoje Madara-sama tem uma batalha para perder e, em alguns dias, uma aldeia para fundar!"

 

 

"O verdadeiro amor prospera na adversidade e vence o ódio... O verdadeiro amor é capaz de vencer a própria morte". Yoshi repetiu as palavras da deusa em voz alta enquanto caminhavam até seu líder. "Isso é lindo, Yume-sama!"

 

 

“É claro que é. Foi minha musa quem disse, rapaz!”

Chapter Text

 

 

Era fim de tarde e o sol ainda brilhava com força, enquanto Madara observava Konoha do alto da Montanha Hokage. O homem trajava sua tradicional armadura vermelha e nas costas carregava sua arma Gum bai. Em um pergaminho de armazenamento, estavam seladas todas as suas roupas e uma boa quantidade de dinheiro. O fundador estava deixando a sua aldeia. Estava a um passo de tornar-se o ‘Lendário Primeiro Nukenin’.

 

 

Ao longe, algumas crianças de seu clã brincavam de esconder com cívis. Próximo dali, um casal de namorados andando de mãos dadas. O rapaz lembrava Izuna. Desviou o olhar da cena.

 

 

Não muito longe dali (ele não podia ver, mas, sentia os chakras), Tobirama e Hashirama locomoviam-se junto das crianças iniciantes na recém-criada Academia. O grupo parou e então mudou para encontrar outros dois chakras.

 

 

Não demorou até que estivessem todos visíveis para ele. Hashirama corre e quando encontra Mito no caminho a abraça levantando-a do chão. Então gira com ela, o rosto dos dois está radiante de felicidade, pois Mito acabara de descobrir que estava grávida de 2 meses do primeiro filho deles.

 

 

O Senju prosperou em todos os sentidos e o Uchiha ia muito bem também. Ao menos aos seus próprios olhos.

 

 

Além do casal que vira passeando na cidade, somente crianças e idosos de seu clã podiam ser vistos pelas ruas. O restante de seus jovens guerreiros, estavam todos fazendo a guarda da vila ou em missões, provavelmente. Aqueles que não estivessem na guarda, com certeza estavam treinando ou cansados demais para aproveitarem o que eles ajudaram a construir.

 

 

Tobirama os mantinha ocupados e sob vigilância constante.

 

 

Preocupado, Madara tentara avisá-los. Mas, eles estavam cegos demais pela ‘Vontade do Fogo’. Um belo princípio que o Senju albino distorceu para incutir neles a servidão e contentamento com suas medidas de ‘segurança’ e ordem.

 

 

O Hokage abaixava as orelhas para tudo que seu cão falava. Hashirama era um tolo.

 

 

Todos já sabiam quem seria o Segundo na sucessão. O homem criou a ANBU e praticamente nenhum Uchiha foi selecionado para a organização que constitui o mais alto escalão das forças shinobi na aldeia. A justificativa? O Uchiha estaria atarefado demais sendo a força policial.

 

 

Um trabalho pífio para ninjas tão habilidosos... aos poucos seus guerreiros se acomodariam. Isso não poderia acontecer, um soldado tem que trabalhar os músculos, um soldado tem que estar em batalha. Soldados não são pastores de ovelhas.

 

 

A verdade é que o Senju mais jovem não gostava de dividir os segredos da vila e nem de ter o Uchiha em suas costas. Ele jamais confiaria em seu povo e eles pareciam não enxergar essa verdade clara e simples.

 

 

O sangue dos seus foi derramado vastamente. Izuna morreu. Madara foi submetido a humilhação, tido como um monstro (até pelo seu próprio clã o qual tentava proteger e amava) e tudo isso para que?

 

 

Para Tobirama e toda a aldeia pisarem no seu sonho de paz, o trocando por essa ‘liberdade’ controlada. Essa falsa liberdade colorida com nuances de servidão.

 

 

As guerras viriam e os jovens Uchihas derramariam mais do seu sangue, gratuitamente, nas frentes de batalha. Porém, os aclamados pelo trabalho, coragem e genialidade seriam os Senju. Tsc, já se falava na construção de um tal Parque Senju.

 

 

Aqueles que trabalhavam pela paz. O Clã do Amor... essa foi a maior mentira já contada.

 

 

Quanto mais refletia, mais o futuro nukenin se enfurecia. Ele sentia que, por suas veias, quase todo o seu sangue já tinha se convertido em ódio líquido, quando sentiu o soprar de uma brisa refrescante ao seu lado.

 

 

Madara teve a forte impressão de que havia uma presença ali. Com o canto dos olhos, fitou sua direita. Não havia nada visível lá. Mas, ao mesmo tempo parecia haver alguém. Aquela brisa pareceu soprar o calor do ódio que envolvia sua alma. Ela estava ali.

 

 

Apesar da boa sensação o guerreiro ignorou o que sentia. Sem esboçar reação alguma voltou a observar o horizonte. Seu coração não era o mesmo de anos atrás, havia endurecido. Ele não se surpreenderia se estivesse apodrecido porque ele mesmo sentia-se sem vida.

 

 

Um ou dois minutos se passaram e aquele chakra começou a roçar em seus sentidos. Com sua visão periférica, ele notou quando ela começou a tornar-se visível. Poucos segundos depois, sua imagem parecia tão real quanto a de qualquer ser humano.

 

 

Uma pequena parte, uma ínfima parte, dele ainda queria saber se ele poderia senti-la ou se agora Madara era como qualquer outro, indigno dela.

 

 

E essa parte achava que ele, com certeza, merecia isso. Nunca mais poder tocá-la.

 

 

Contudo, a maior parte dele já não conseguia se importar com esse fato.

 

 

Ou pelo menos aparentava não se importar.

 

 

Sakura apareceu, primeiro se impressionando com a vista. Discernindo o lugar, assustou-se quando e ao lado de quem estava.

 

 

"Senju". O homem a cumprimentou, sem nem ao menos olhar para ela.

 

 

Sakura não conseguia respondê-lo e congelou olhando o perfil dele com sua visão periférica. Ainda não acreditava que aquilo era real. Discretamente, analisou a aparência do ninja, ele era jovem provavelmente em torno de 25 anos de idade. Sua postura e aura, a forma como ele observava a aldeia, a armadura e o Gum bai nas costas,

 

 

 ... tudo indicava que ele estava partindo...

 

 

Isso não poderia acontecer.

 

 

"O senhor... já tomou a decisão, Uchiha-sama?"

 

 

"Sim".

 

 

A médica abaixou levemente a cabeça e seus ombros caíram. Porém, se recompôs rapidamente.

 

 

"E... essa é uma decisão... que lhe faz feliz?"

 

 

Madara cruzou os braços. "É para um bem maior".

 

 

Sakura tomou coragem e virou-se completamente para ele. "Com todo o respeito, Uchiha-sama. O senhor está assumindo um fardo que não o fará feliz, nem muito menos trará a felicidade dos outros".

 

 

"E você está se intrometendo em assuntos que não lhe dizem respeito". O fundador devolveu seco, enquanto permaneceu com seu olhar sobre Konoha.

 

 

"É a minha aldeia, ela me diz respeito". A rosada devolveu no mesmo tom.

 

 

"Sou um dos fundadores, sei o que é melhor para minha criação".

 

 

"Isso pede a opinião de Shodai-sama também. Ele concorda com suas ideias, senhor?"

 

 

"Você sabe que não".

 

 

"Ele é um homem bom, um amigo bom. Ele só quer o seu bem".

 

 

Madara pareceu suavizar um pouco em suas micro expressões. "O Hokage não pensa com o próprio cérebro mais. A visão de seu irmão, em breve suplantará nosso sonho e o ódio entre os clãs e nações insurgirá mais forte".

 

 

Sakura também suavizou e assumiu em sua voz baixa, o mesmo tom que usava com um amigo. "A sua paciência está no fim, não é?"

 

 

"Ah".

 

 

"Por Konoha, eu lhe peço que volte e tente a diplomacia".

 

 

"Não sou um diplomata, sou um guerreiro. Além do que, nem meu clã me dá mais ouvidos. Porque acha que devo gastar meu tempo e me expor à humilhação, se novamente, me negarão a credibilidade?"

 

 

“Ele está certo...” Inner soprou em seus ouvidos. ‘Cale-se!’ Sakura rosnou, mentalmente, para ela.

 

 

"Mas, o senhor não se importa realmente com o que os outros pensam, não é?!"

 

 

"Ah. Contudo, isso não é um motivo para que eu considere voltar e lhes dar uma nova chance".

 

 

‘Esse cara se acha um deus, incrível’ Sakura revirou os olhos internamente. “Ele tem o poder de um... e é incrível também...” ‘Não pedi sua opinião, Inner. Se não vai ajudar, não atrapalhe’.

 

 

"Todos merecem uma nova chance".

 

 

Madara deu-lhe as costas e começou a distanciar-se dela. "Sua lógica falha em um mundo podre".

 

 

Olhando para as costas dele, ela resmungou. "É um mundo real, pelo menos".

 

 

O homem freou seus passos ao ouvir o que a moça disse. Porém, não respondeu nada. Quis aguardar para ter certeza de que a afirmação que ela fez, foi mera coincidência.

 

 

Percebendo que o Uchiha estava estranhamente aberto para ouvi-la, a Haruno decidiu que precisava aproveitar sua oportunidade ao máximo. Sem segundas intenções, correu e postou-se na frente dele, quase invadindo o seu espaço pessoal. A ninja queria encará-lo, olho no olho, e abalar suas convicções.

 

 

"O que é preciso para convencê-lo de que vale a pena lutar por nós?"

 

 

"Não há nada aqui que valha a pena".

 

 

A ninja indignou-se. "Somos sua família!"

 

 

"Não, vocês não são. Sua aldeia segrega o Uchiha. Sua ideologia nos enfraquece e escraviza. Quando aqueles que tentei alertar se derem conta disso, estarão fracos demais para resistir. A força e orgulho do Uchiha está sendo sugada. Tudo pelo que minha família e eu lutamos está sendo destruído. Minha opinião chafurda na lama. Então, me diga Senju: O que há aqui para mim?"

 

 

"Le-leva tempo para retomar a confiança. Mas, quando a tiver, será ouvido, Uchiha-sama".

 

 

"Ilusão esperar algo assim de um povo preconceituoso".

 

 

"Fala como se não tivesse defeitos, como se não tivesse errado também".

 

 

"Todos erramos, igualmente. Contudo, por algum motivo e mesmo antes de eu tentar alertá-los (durante o curto tempo que fui ingênuo e acreditei que as coisas dariam certo), eu sempre fui tido como menos digno de confiança do que os outros... Defeitos? Eu os tenho e são muitos, mas preconceito a ponto de excluir um clã, não é um deles. Não pode me acusar de segregação".

 

 

"É verdade, matará a todos igualmente, não?!"

 

 

O ninja não ligou para a provocação dela. "Se essa for a única forma de alcançar meu objetivo, eu o farei".

 

 

"Não sentirá remorso?"

 

 

"A única coisa que sinto é o desejo de mudar o modo como as coisas são".

 

 

Sakura estava pasma e ergueu o tom de voz. "Está insinuando que quer destruir tudo por altruísmo?" Ela franziu a testa, juntando as sobrancelhas, em clara descrença.

 

 

Madara a respondeu como se estivesse falando sobre o clima. "Eu não disse que destruiria tudo. Só este sistema. Não se constrói nada novo sobre fundações velhas".

 

 

Sakura bufou. "É o mesmo!"

 

 

"Não, não é".

 

 

"Existem outras formas de mudar como as coisas são. Podem ser difíceis... mas, pelo menos não envolvem uma guerra".

 

 

"Ah. Cite uma, então!" Ele gesticulou com uma das mãos e em seguida cruzou os braços em uma postura triunfante.

 

 

Sakura crispou os lábios enfurecida com a rápida devolutiva e a indagação dele.

 

 

Quantas maneiras de mudar a realidade existiam que não gerassem conflitos, a um curto ou longo prazo? Com certeza não muitas e ela viu-se incapaz de lembrar de uma naquele momento. No entanto, ela tinha certeza de que qualquer solução provável, deveria basear-se em um sentimento.

 

 

"Amor".

 

 

"O que disse?"

 

 

"Amor". A moça repetiu confiante. "Amor é a forma de mudar esse sistema". Ela sorriu ingenuamente.

 

 

O Uchiha abriu um sorriso desdenhoso para ela. "Amor?!" Havia descrença em sua voz, ela era muito ingênua.

 

 

Sakura cruzou os braços e cerrou os dentes, sentindo seu sangue ferver com a zombaria dele. "O que há de errado no que eu disse?"

 

 

"Esse é justamente o cerne dos conflitos..."

 

 

Ele fez uma pausa, vendo Sakura franzir a testa em confusão.

 

 

"...O ódio nasce para proteger o amor. A consequência direta disso são as guerras. Nem todos tem o que querem e enquanto existir o conceito de perdedores e vencedores, os homens serão infelizes".

 

 

"Os gananciosos serão infelizes, o senhor quer dizer. Basta aprenderem a contentar-se com o que tem e poderão ser felizes também".

 

 

"É mesmo?!" Madara arqueou uma sobrancelha para ela.

 

 

"É!" Ela falou em claro desafio e arqueando-se na direção do homem de juba negra.

 

 

"E aqueles cujos as guerras lhes tiraram tudo o que tinham, se contentarão com o que, Senju?"

 

 

Para a médica, Madara parecia sombrio, um pouco bravo, mas também triste. ‘Kami, ele é bom com as palavras. Que raciocínio profundo ele deve ter feito para chegar a essas respostas tão... desconcertantes?’

 

 

Ela precisou admitir. "Eles não podem se contentar". Desviando o olhar, respondeu em um sussurro.

 

 

"Vê?! Não há contentamento para quem teve o que lhe é mais precioso arrancado. Então, o que você acha que resta para essas pessoas, Senju?"

 

 

"Ódio e dor". As palavras dela quase nem saíam.

 

 

"Exatamente. No entanto, há ainda outra coisa que habita o coração dos que não são covardes. Qual é? Você já deve saber a resposta".

 

 

"O desejo de mudança".

 

 

"O desejo de mudança completa e definitiva. Agora, me diga, onde isso leva?"

 

 

"Às guerras". Sakura murchava a cada pergunta dele.

 

 

"E o que mais?"

 

 

"Mais ódio".

 

 

"Você entendeu".

 

 

A moça, que até aquele momento fitava o chão, ergueu o olhar para ele. Seus olhos mostravam que ele tinha vencido, ela estava desolada.

 

 

"Eu não desejo guerra. Contudo, estou ciente de que terei que guerrear para alcançar meu o objetivo. Eu conheço um meio realmente eficaz para que todos alcancem a felicidade. Um meio onde todos viverão o amor sem o ódio como consequência. A guerra é apenas um meio para o fim. Um detalhe que em breve não importará".

 

 

"Um meio terrível para lançar uma ilusão insatisfatória, Uchiha-sama".

 

 

Madara suspirou, encolhendo os ombros para a afirmação dela. "Pense o que quiser, não mudará meus planos". Deu-lhe as costas e voltou a andar. Porém, travou quando sentiu o calor de uma das mãos dela envolver seu pulso.

 

 

"Não".

 

 

Ele olhou para o céu e expirou, seus ombros caindo aparentando impaciência. "Não, o que?"

 

 

"Não vá".

 

 

O shinobi sentiu seu coração saltar com o tom dela. Ela iria pedir que ele ficasse com ela?

 

 

Ele virou o rosto minimamente para fitá-la com o canto do olho esquerdo. — Por que eu deveria ficar, kunoichi?

 

 

Sakura ficou em silencio pensando em algo que pudesse convencer aquele homem. Mas, foi rapidamente interrompida.

 

 

"Foi o que eu pensei". O ninja sacudiu a mão dela, não rudemente, soltando-se de seu calor. Ele voltou a andar abandonando-a ainda mergulhada em seus pensamentos.

 

 

O homem já tinha se afastado cerca de 6 m, quando sentiu que a moça tremeluzia o corpo, rapidamente. De imediato ela pousou a sua frente com o braço direito estendido e mão espalmando o peitoral de sua armadura.  Pernas afastadas, uma para frente a outra meio metro recuada. A postura de alguém pronto para atacar ou defender-se.

 

 

Madara arqueou uma sobrancelha com ousadia dela. Fitou-a da cabeça aos pés, detectando a determinação e a adrenalina brilhando em seus olhos esverdeados. Por um momento, o canto de seus lábios subira, sutilmente.

 

 

A kunoichi parecia uma fêmea de leopardo feroz e era tão rápida quanto.

 

 

Incontrolável, a excitação correu em suas veias, em uma velocidade alucinante. Essa sensação acabou por explodir em seu peito e em um sorriso malicioso, involuntariamente.

 

 

Viu-se tomado por pensamentos instigando o desejo de dançar com ela e, quem sabe, acabar com aquele belo rosto marrento e olhos desafiadores o encarando de sob o seu corpo.  Madara quase podia senti-la forçar os braços, esticados acima da cabeça dela, na tentativa de libertar os pulsos da mão dele.

 

 

O Uchiha, visualizou-a ofegante debaixo dele e por fim dando-se por vencida. Seu olhar convencido nublaria com o desejo. Vendo isso, Madara desceria para imediatamente provar longa e vorazmente de seus vistosos e doces lábios, como desejou fazer por anos.

 

 

A rosada o corresponderia ardentemente, provavelmente soltando-se do aperto dele para meter as mãos por entre seus cabelos revoltos e puxá-lo para ela... estimulando-o a aprofundar o beijo, ainda mais. O homem a sentiria esfregar as pernas e sorriria com a necessidade dela, então ele mudaria para acomodar-se entre elas... bem próximo ao seu calor.

 

 

Com uma kunai, ele romperia o feixo de sua capa e em seguida dividiria a seda de seu quimono de alto a baixo. A exporia nua em toda a sua glória e beleza embriagantes. Ele a observaria estremecer quando a brisa fresca tocasse sua pele macia incendiada.

 

 

Madara subiria seus olhos negros e a fitaria com o desejo profundo e obscuro ardendo em chamas cruas neles. E veria o mesmo nas esmeraldas escurecidas dela.

 

 

Então, com apenas o dedo indicador, contornaria os lábios úmidos dela. Desceria em seguida, lentamente, por seu queixo e garganta. Traçaria um caminho de fogo até o baixo ventre feminino.

 

 

Divertido, pararia para observar todos os poros daquela pele alva e delicada se abrirem e a penugem que cobre seu corpo se eriçar, respondendo avidamente ao mínimo contato dele com o corpo dela.

 

 

Veria, deslumbrado, o arrepio que a faria ondular sob seu domínio. Com certeza tomaria longos segundos absortos nesse espetáculo. Até que o som do arfar sensualmente feminino dela o despertaria de seu transe, fazendo-o rosnar com a carga de hormônios e os instintos selvagens que o excitariam deixando-o ainda mais pronto para tomá-la do que provavelmente já estaria.

 

 

Mas, esse era o antigo, jovem e ingênuo, ele imaginando cenários e encontros prováveis com a Senju inimiga.

 

 

Este Uchiha Madara não era mais um homem comum. Seus ideais suplantaram seus desejos e pulsões. A necessidade de satisfação sexual quase inexistia.

 

 

Contudo, o pouco que ainda a desejava o fez, inconscientemente, ligar seu sharingan e seus tomoes giravam lentamente... refletiam os claros momentos de excitação que as divagações em sua mente o fizeram viver.

 

 

A kunoichi, a sua frente, (para sua sorte) jamais saberia o que ele pensava que foi capaz de o fazer perder o controle sobre os próprios olhos. Todavia, ela parecia deslumbrada... e ele precisou sufocar o ímpeto de avançar e beijá-la.

 

 

"Saia da minha frente, Senju".

 

 

"Não".

 

 

"Não?!" – Ele zombou dela. "Você é muito audaciosa, colocando-se em meu caminho e me desrespeitando dessa forma... Sabe que posso reduzi-la a pó ou à cinzas?"

 

 

Os lábios dela tremeram antes de responder. "Ainda serei pó ou cinzas em seu caminho".

 

 

Madara arqueou, novamente, a sobrancelha para a ousadia da moça. A kunoichi continuou.

 

 

"Impedirei você com tudo o que eu puder. Não o deixarei partir de Konoha para perder-se na loucura".

 

 

Madara se enfureceu com a última palavra. "Saia!" Rosnou.

 

 

Ela cruzou os braços e o olhou firmemente. "Não!"

 

 

Impaciente e cansado da birra dela, ele apenas moveu-se para contorná-la. Porém, ela o acompanhou permanecendo a sua frente. Ele moveu-se, novamente, e ela fez o mesmo. Passos sincronizados, pareciam estar em uma hilária dança.

 

 

O ninja tremeluziu rapidamente para mais longe dela e a moça o copiou. Postou-se a sua frente, encarando-o, novamente. Exasperado, mas tentando não usar muita força, ele impulsionou o braço esquerdo tocando-a, brevemente, na cintura e lançou-a longe.

 

 

Com certeza, não machucaria uma ninja como ela, mas seria o bastante para lhe passar a ideia de que o Uchiha já não tinha mais paciência.

 

 

Como previu ela caiu em pé. Mas, deuses, ela tinha a postura de uma gata prestes a saltar sobre um rato... ele nunca se imaginou na posição do rato... nem pensou que se excitaria com isso...

 

 

‘Que mulher!’ Pegou-se pensando, mas rapidamente se recompôs. Suprimindo o sorriso que repuxava o canto de seus lábios, começou a andar.

 

 

"Eu disse não!" O homem ouviu-a gritar em suas costas e então sentiu o chão vibrar.

 

 

Olhou para o solo e constatou que algo sairia dali para atacá-lo. Rapidamente mudou-se de lugar, saltando a pouco mais de três metros de distância. Resolveu aguardar para ver o que sairia da terra no ponto em que estivera anteriormente. Com o canto dos olhos, observou a kunoichi correr para ele.

 

 

Sakura tomou impulso e saltou alto, caindo com a perna estendida para acertá-lo na cabeça ou nos ombros.

 

 

Um movimento daqueles fora desenhado para utilizar a força da gravidade a favor do ninja que o executasse. Dependendo do impulso e da força do usuário seria o suficiente para partir o crânio ou a clavícula do alvo. Foi arquitetado para ser letal ou, na melhor das opções, para nocautear quem quer que atingisse.

 

 

No entanto, essa kunoichi deu-lhe um toque de mestre, tornando-a ainda mais mortal. Com seu sharingan, o Uchiha viu que ela aplicou chakra em toda a extensão da perna e principalmente no pé que descia sobre ele.

 

 

Madara achou que quase sentiria pena daquele que fosse atingido por esse golpe magnífico. Divagou imaginando que seria espetacular presenciar a ninja esmagando seu oponente e a terra abaixo dele também. Se mediu corretamente, ele teve certeza de que aquele golpe facilmente dizimaria uma montanha.

 

 

Mesmo assim, ela não era rápida o suficiente para acertá-lo. Abaixo dela, Madara aguardou calmamente que ela descesse crendo que o atingiria. Quando a rosada estava a quatro metros acima dele, e se aproximando, ele saltou ao seu encontro. Agarrou firme a perna da moça na panturrilha e na canela.

 

 

Em milésimos de segundos, sorriu triunfante quando a viu arregalar os olhos e abrir a boca em espanto. Imediatamente ela, levou a outra perna para trás na tentativa de tomar impulso para chutá-lo. Mas, ele girou no ar e lançou-a, velozmente, como quem arremessa uma shuriken.

 

 

Em batalha, ele era implacável por natureza. Mesmo querendo abrandar seu contra-ataque. A força e velocidade dele somadas ao peso corporal da ninja, dariam a ela um belo impacto.

 

 

A mulher cortou o céu e só teve sua trajetória interrompida quando colidiu com um cedro. Chocou as costas contra a imponente e resistente madeira, arrancando com fúria a árvore pela raiz do chão.

 

 

A força de seu lançamento foi tamanha que o corpo da ninja e a árvore ainda rolaram alguns metros juntos. Ele aguardou que ela se levantasse e ela se levantou, desta vez realmente furiosa.

 

 

A médica olhou para ele e depois para a árvore atrás dela. Madara sorriu com a indignação dela e cruzou os braços desafiando-a a encontrar coragem para voltar para ele. Que viesse se quisesse continuar apanhando.

 

 

Percebendo a mensagem muda que seu adversário passava, Sakura tencionou todos os músculos e fechou as mãos em punho por raiva do desdém dele. Viu que com isso o sorriso do homem se alargou em clara zombaria. Agora era questão de honra para ela, impedi-lo de mexer um dedo para fora das terras da Folha. Aliás, Inner gritou que ela devia se certificar de que ele não pudesse mexer nada.

 

 

Sakura fitou-o pela última vez e então virou-se agarrando o tronco da árvore atrás de si com auxílio de chakra. Aquele tronco era grande a ponto de três pessoas não conseguirem abraçá-lo. Como uma lança gigantesca, a kunoichi arremessou-o contra o homem.

 

 

Madara que se recompôs de seu espanto, ainda tinha os braços cruzados. Seus olhos brilhavam quando ele saltou para a árvore que vinha em sua direção. Inimaginavelmente, veloz, aterrissou sobre o tronco ainda no ar e cobriu toda a extensão dele em uma corrida ninja.

 

 

Para quem acompanhasse de longe pareceria que o troncou flutuou, congelado no ar em linha reta enquanto Madara corria por cima de sua madeira. Aquela cena pareceu rodar em câmera lenta na frente de uma Sakura pasma.

 

 

A aprendiz de Tsunade, piscou longamente aturdida com o que via. Só acordou quando viu a árvore despencar da Montanha Hokage e Madara aterrizar perfeitamente alinhado e rapidamente correr em sua direção.

 

 

Pensando rápido, ela percebeu que nessa merda de situação ela estava desarmada. Para sua sorte, o Uchiha estava confiante o suficiente para não perceber o que o atingiria. Sabendo disso, ela juntou as mãos entrelaçando os dedos no único gesto que o shinobi jamais esperou ver alguém usar, além de Hashirama.

 

 

"Mokuton?!" O shinobi pronunciou em descrença enquanto franzia a testa. Mas, continuou vindo para ela.

 

 

A mulher parecia estar fazendo um esforço imenso para concentrar-se. ‘Não deve ter prática nesse estilo, ainda’ Ele pensou apreciativo enquanto agarrava seu Gum bai em suas costas.

 

 

Já estava a 5 m dela, quando ramos e galhos se enroscaram, simultaneamente, em torno de suas pernas e frearam sua corrida e o agarre de seu Fã de guerra. Espantosamente rápido, ele viu-se completamente envolvido pelas videiras que cresciam e enrolavam-se cada vez mais em torno de seu corpo.

 

 

Com o braço dominante preso ao cabo do seu leque, que nem pode tirar de suas costas, olhou o seu entorno e percebeu que estava irrevogavelmente amarrado... ou melhor, enraizado ao chão.

 

 

Contudo, sem pressa ou medo, ele deteve-se a observar os ramos. Apesar da essência materializada neles ser idêntica à de seu rival. Aquele jutso não era como o de Hashirama, fresco, rude e resistente. Aquilo era leve, suave e na falta de um termo melhor... feminino. As diferenças eram como Ying e Yang, claro e escuro, contrastantes (mas complementares), duas partes da mesma natureza.

 

 

Os galhos eram delgados e de tecitura suave, mesmo sendo madeira, pura madeira. Em toda a sua extensão existiam folhas jovens verdejantes e pequenos brotos nasciam, lentamente. O que seriam?

 

 

O Uchiha poderia soltar-se facilmente, porém, quis saber o que viria daqueles brotos. Os brotos cresceram e cresceram, até formarem botões brancos. Eram flores. Seriam como aquelas que Hashirama criava em seu jutso Mokuton Kajukai Kōrin (Liberação de Madeira: Advento de um Mundo de Árvores Florescentes)?

 

 

A escala era muito menor e aparentemente menos agressiva e selvagem. Mas se as flores funcionarem da mesma forma. Madara precisaria sair dali, pois nem mesmo seu susano’o o protegeria de seu pólen paralisante. Aquelas flores brancas e os ramos tão delicados e perfeitamente naturais, o pólen paralisante liberado seria um grand finale para um jutso belo.

 

 

Madara preparava para soltar-se, já que não esperaria para ser paralisado ou envenenado. Lendo seus trejeitos, a ninja rosada gritou para pará-lo. "Não precisa temer, não é meu objetivo matá-lo, Uchiha-sama".

 

 

Ele bufou. "Como se pudesse!"

 

 

Sakura sorriu, sutilmente, levantando o canto dos lábios. "Talvez ainda não. Pois eu não possuo domínio suficiente desse estilo, mas depois... quem sabe? De qualquer forma, espero não chegarmos a este ponto".

 

 

"Hn". Ele balbuciou, sério. "Muito bem, o que planeja com isso tudo?"

 

 

"Apenas aguarde o desabrochar delas, por favor, e não saia daí... Sei que pode sair, mas veja que não estou tentando capturá-lo realmente. Permaneça aí até que eu complete o que quero lhe mostrar. Permita-me argumentar em relação aos seus planos, mais uma vez".

 

 

Apesar de enfurecido, o ninja precisava admitir que estava curioso. "E como flores ajudarão nisso?"

 

 

"O senhor verá". Os olhos dela brilharam ao perceber a curiosidade nos dele. Ela sabia que ele não viu ameaça, mas estava interessado no que via e por isso resolveu esperar.

 

 

"Você poderia soltar pelo menos os meus braços, mulher".

 

 

"Pode quebrar os galhos se desejar, senhor".

 

 

"Não os romperei, por enquanto".

 

 

Sakura sorriu, discretamente, ele estava deslumbrado e não queria interferir no desenvolvimento do jutso dela. Sentiu-se lisonjeada por chamar atenção de um shinobi lendário como Uchiha Madara.

 

 

"Eu preciso me concentrar no jutso de florescimento agora, pois não tenho muita prática ainda. Prometo que o solto assim que terminar, Uchiha-sama".

 

 

"Ah". Ele permaneceu ali contemplativo.

 

 

‘Isso explica o esforço e a baixa velocidade de desenvolvimento das flores, ela deve ter despertado essa habilidade a pouco tempo... Ao que parece... jamais deixarei de me impressionar com essa mulher’.

 

 

Três minutos se passaram e, por meio de seu sharingan, ele acompanhava o espetáculo de vida sendo criada a sua frente como se visse as imagens em câmera lenta. Resolveu ativar seu Mangekyou Sharingan para alcançar maior nitidez e profundidade.

 

 

O que viu foi belíssimo, o chakra dela corria ordenadamente ao longo dos galhos, das folhas e para as flores. Havia uma coreografia sincronizada no processo daquela energia em fluir e materializar-se. Direcionou sua percepção para deixar de enxergar a essência dela e voltar a ver a cena natural, porém mais nítida.

 

 

A mulher fez rosas brancas desabrocharem a sua volta. As pétalas eram tão bem delineadas, aquilo tão real e esplêndido que ele duvidou de que rivalizaria com a própria Natureza com tal patamar de beleza.

 

 

Discreta e estoicamente, o guerreiro olhou das flores para a moça de cabelos róseos e começou a tentar compreender que papel aquelas rosas desempenhariam no argumento dela. Começou o raciocínio tarde porque repentinamente um aroma floral doce e muito intenso invadiu suas narinas.

 

 

Estimulado por aquele aroma, por instinto, ele inspirou longamente. Involuntariamente buscou absorver cada vez mais daquele perfume inebriante. Pegou-se de olhos fechados e não sabia a quanto tempo já estava assim. Quando percebeu a guarda baixa, abriu-os imediatamente.

 

 

Ele poderia estar sendo envolvido em um genjutso muito bem construído. Afinal aquele aroma, aquela vida... aquela suavidade não podiam ser reais. Não se recordava de já ter visto algo assim. Não, ele viu sim... Olhou diretamente para onde vira a kunoichi momentos atrás. Ela estava no mesmo lugar.

 

 

O aroma enchia suas narinas e o inundava. Ele julgou que deturparia sua percepção, então voltou a focar seu Mangekyou. Se fosse um genjutso, ele o decifraria e quebraria de imediato.

 

 

Espantou-se quando observou por todo o ar minúsculas partículas do chakra dela. A kunoichi transformou-o em pólen e essência floral. O Uchiha não podia acreditar que respirava a energia dela transformada em perfume. Estava por todo o ambiente a sua volta.

 

 

Flutuava em partículas vermelhas, ele virou a cabeça acompanhando com os olhos elas serem carregadas pelo vento na direção da aldeia. Os aldeões deveriam estar sentindo aquele aroma delicioso também. Kami, o shinobi precisava quebrar aquele transe e forçar as engrenagens de seu cérebro a trabalharem para seguir seu caminho.

 

 

Quando se voltou para a rosada descobriu-a estacionada a cerca de um metro dele. Sakura observava-o pacientemente e parecia divertida.

 

 

"Posso falar agora ou o senhor gostaria de apreciar o perfume das rosas mais um pouco, Uchiha-sama?"

 

 

Ele nada respondeu. Não admitiria que apreciou o aroma. Mas, a quem ele tentava enganar? Passara longos segundos, talvez dois minutos ou mais em transe, embriagado por aquele perfume e observando-o espalhar-se no ar e ser carregado pelo vento...

 

 

‘Será o perfume dela?’...

 

 

‘Ou será que ela gosta dele e pensou que eu também apreciaria?’  

 

 

Os pensamentos passaram como num flash. Ele sacudiu a cabeça internamente e logo a familiar nuvem negra nublou sua mente, contudo o perfume e as sensações ainda estavam presentes refrescando-o, deixando-o leve e aquecido.

 

 

"Muito bem, eu falarei, então". Ele ouviu a voz dela, do que ela falava? Ele tinha algo para responder?

 

 

Despertado de seus devaneios, o homem acenou em confirmação e nem sabia com o que poderia estar concordando. Teria que descobrir quando ela continuasse.

 

 

"Vá em frente, já que quer perder seu tempo".

 

 

Acompanhou-a levar as mãos a uma das rosas, arrancá-la dos ramos e levá-la até as próprias narinas. Ela inspirou o aroma, longamente, também. Ela fechou os olhos. Madara franziu o cenho para a expressão de apreço e felicidade no rosto dela. Por outo lado, apressou-se em gravar a imagem com seu doujutso. Carregaria aquela cena para admirá-la onde estivesse, pela eternidade literalmente.

 

 

"Amo o perfume delas". A moça abriu os olhos verdes cintilantes que o iluminaram imediatamente. "Tenho a impressão de que o senhor também se agradou do aroma delas... Estou certa, Uchiha-sama?"

 

 

Ele não respondeu.

 

 

"Eu sei que se agradou". A kunoichi levou uma das mãos as vinhas que prendiam o braço dele ao agarre do Gun bai e com chakra rompeu-as, liberando-o consequentemente. Ele se espantou levemente quando ela o segurou no antebraço e depositou a rosa na palma aberta da mão dele.

 

 

Madara ficou confuso, ela estava presenteando-o com uma flor? Era uma espécie de declaração para seduzi-lo ou algo semelhante? Revoltou-se com a ideias daquela mulher ou qualquer outra pensar que poderia manipulá-lo.

 

 

Mal sabia que estava completamente equivocado.

 

 

"Sabe, eu tinha... ou tenho, ..." A moça enrugou levemente a testa. "...uma amiga florista. Ino. Ela disse que o branco simboliza paz e pureza". Ela fez uma pausa e olhou para ele com confiança e uma alegria que parecia ingênua para ele. "O presenteio com uma rosa branca simbolizando a pureza do meu desejo de paz e daqueles que gostam do senhor, que querem o seu bem e reconquistar a sua confiança..." ‘Apesar de sermos bem poucos’. "Ela foi feita de chakra. Veja, não é bela?"

 

 

O Uchiha baixou o olhar dela para a rosa em sua mão. Desde que ela a depositou ali, ele nem sequer fez força para segurá-la decentemente. Voltou a olhar para a rosada e ela continuou.

 

 

"Ao contrário das verdadeiras, estas não têm espinhos. Fiz assim porque o Rikudou Sennin pregava o Ninshu. A doutrina do Ninshu entendia o chakra para ligar-nos uns aos outros e não para nos machucar... O senhor, não a quer segurar, eu vejo. Porém, tenho certeza de que sente a maciez e suavidade das pétalas dela, não sente?"

 

 

Ele assentiu sutil e lentamente, sem desviar os olhos dela. Era estranho ter alguém imponente como ele prestando tanta atenção em si, Sakura sentiu as pernas falsearem por um momento. Mas, sorriu ao perceber que ele estava se envolvendo apesar da relutância e da severidade em suas feições.

 

 

A ninja não segurou o impulso em suas pernas e chegou mais perto dele, os olhos e atenção dele eram magnéticos. No entanto, ela o fez sem segundas intenções. Queria ver a mudança de pensamento nele. Afinal, os olhos do Uchiha eram a janela escancarada para decifrar os sentimentos suprimidos em suas profundezas.

 

 

"Se pudesse, o senhor gostaria de estar sob o próprio genjutso?"

 

 

Sem desviar ou mesmo vacilar o olhar, Madara fez uma introspecção e descobriu que não tinha pensado sobre isso até aquele momento. Mas, não demorou a concluir que gostaria de estar sob os efeitos do Infinito Tsukuyomi também.

 

 

Ele poderia ter Izuna, seus irmãos e sua mãe de volta. Quem sabe começaria uma vida na aldeia que sonhou com Hashirama. Tobirama e Izuna seriam amigos, não inimigos e Madara encontraria...

 

 

"Sim, se eu pudesse, gostaria de viver sob o Tsukuyomi". Ele a encarou com um olhar decidido.

 

 

Sakura remoeu seu interior com a resposta dele. Então, aprofundou seu olhar no shinobi, desejava decifrar se ele era sincero no que afirmava.

 

 

Contudo, ao fazê-lo, ela não esperava encontrar convicção naquelas gemas nebulosas. Não esperou encontrar... não sabia dizer o que era aquilo. Mas era denso e aqueceu seu interior. A ninja sentiu seu rosto ferver, mas curiosamente não era timidez era... desejo, desejo de se aprofundar, de se perder naquela imensidão.

 

 

Não pode sustentar o olhar dele e desviou seus olhos parando inadvertidamente em seus lábios. Uma nova cilada. Observou-os fixamente, começou a chegar mais perto... sentia a necessidade de ligar seus lábios ao dele...

 

 

... e o fez, um encostar suave de seus lábios nos dele. Aquilo enviou uma luz forte em sua mente e ela não conseguia ver, escutar ou mesmo pensar mais nada... só que era bom.

 

 

Pena que não durou.

 

 

Com o toque, Madara imediatamente virou o rosto. Sentiu os lábios dela correrem por sua pele e parar, suavemente, em sua bochecha direita. Com o canto dos olhos viu ela sobressaltar-se com seu movimento. Todavia, ela não se afastou. O guerreiro ainda podia sentir o calor de sua proximidade e isso o enervava, enlouquecia seus sentidos e até mesmo o sangue que corria em suas veias.

 

 

A voz dela soou como uma flauta doce em seus ouvidos, tocou uma canção suave e sedutora. — Você... acha que uma ilusão superaria sentir isso que sentimos na realidade?

 

 

"Afaste-se, Senju". Ele avisou-a.

 

 

Ela baixou a voz ainda mais e sussurrou em seu ouvido. — Diga-me, trocaria isso por um genjutso, Uchiha-sama?

 

 

Ele cerrou os dentes furioso, mesmo assim manteve a calma e virou, lentamente, para fitá-la.

 

 

Ela o observou com entusiasmo e... apreensão? Desejo?

 

 

Não importava porque ele apenas disse: — Tsukuyomi.

 

 

Colocou-a numa ilusão leve, apenas retrocesso de memórias. Nada prejudicial. Rompeu os galhos e saiu do aperto de sua ‘prisão’. Olhou-a por um momento e levou a mão para acariciar a maçã daquele rosto angelical, mas freou seu movimento. Sua mão e seu braço se repuxaram e tremeram com os impulsos de ‘vá em frente’ e ‘não faça isso’ que se digladiaram pelo controle dentro de si.

 

 

A vontade de tocá-la foi mais forte, no entanto, o alerta do perigo soando alto em sua mente o fez retrair os dedos e direcionar o toque de apenas dois dedos à testa dela. Pressionou-a suave e brevemente e afastando-se, correu ambos os dedos do meio de sua testa a ponta do nariz, tocando por último os lábios volumosos e úmidos.

 

 

Contornou-os com o polegar, sentindo o quanto eram carnudos e macios. Seu polegar deslizou com facilidade sobre os lábios dela. A maciez daquela pele avermelhada e atraente contra o toque áspero do Uchiha fez com que Madara levasse tudo de si para se conter e não tomar a boca dela em um beijo desesperado e profundo. Seu interior queimou com o desejo de morder aquela carne com cuidado e lentamente.

 

 

Madara congelou naquela posição, tocando o lábio dela agora com o polegar e amparando seu queixo com os demais dedos. O desejo de beijá-la quase vencendo seu controle e sanidade. Aquela beleza divina quase colocando seus objetivos em xeque, ... novamente.

 

 

Quando se deu conta do que estava prestes a fazer, recolheu os dedos lentamente. Olhou para sua mão próxima a boca dela e decidiu que precisava baixá-la. Piscou várias vezes até espantar suas distrações e desviou o olhar da boca dela para os olhos.

 

 

Já sabendo que aqueles olhos também eram traiçoeiros, ele procurou não se aprofundar e fazer logo o que precisava. Despertou-a do genjutso. Ela piscou várias vezes parecendo estar incomodada com a luz. E realmente deveria estar, ele concluiu ao vê-la fechar os olhos com força. A rosada levou simultaneamente uma das mãos espalmando-a na própria testa.

 

 

Talvez estivesse com dor de cabeça. Ele deu de ombros para isso e virou-se para ir embora, como queria desde o início.

 

 

Ainda atordoada e sem percepção de tempo e espaço, Sakura estava confusa. Quando sentiu que a pessoa com quem sonhava se afastava, ela não sabia se ainda estava em uma ilusão ou na realidade. Ficou mais difícil com a sensação vívida do toque em sua testa... apesar da estranheza da lembrança de ser tocada no lábio também.

 

 

Com o aparente afastamento dele, a urgência surgiu. Sakura não permitiria que ele fosse embora, novamente. Mesmo que fosse um genjutso. — Sasuke, não vá! – Gritou para o vulto distante.

 

 

Ele pareceu não se importar com seu apelo, apenas continuou andando. A Haruno correu, mesmo não enxergando o caminho e o abraçou por trás. O homem congelou no caminho e ela sentiu-o enrijecer.

 

 

Era estranho, a moça pensou estar tocando metal... como se ele usasse algo como o peitoral de uma armadura... Daí então, ela sentiu que seu rosto se colava a cabelos. Sakura havia transformado uma longa e profusa cabeleira em um travesseiro. Cabelos que eram incrivelmente macios e o cheiro a lembrava de madeira e floresta úmida.

 

 

Tudo isso passou muito rápido por sua mente naqueles poucos segundos de abraço. Ela refletiu nas suas constatações até que uma coisa martelou seus sentidos: ‘Metal... armadura... cabelos longos?’ Ela arregalou os olhos. ‘Espere... Oh, Kami!’ Afastou-se soltando o homem imediatamente.

 

 

O homem virou-se para ela. Sakura via apenas um borrão vermelho e preto a sua frente. Começou a piscar com força e forçando a vista discerniu os dois orbes vermelhos borrados que eram os olhos dele. Lembrou-se da palavra Tsukuyomi e corou ao perceber que não só o tinha ‘quase beijado’, como também acabara de agarrá-lo.

 

 

Não sabia caber em si mesma de tanta vergonha... o shinobi deveria estar pensando que ela era uma louca ou uma oferecida. Pior, poderia achar que ela estava tentando seduzi-lo, jogando baixo para convencê-lo a ficar.

 

 

‘Deuses, o que há comigo?! O que farei agora? Como explicarei minhas ações?... Ele deve estar tirando conclusões péssimas de tudo isso e a culpa é toda minha!’ A discípula de Tsunade encolheu-se, murchando na frente dele.

 

 

Madara não reparou em nada do que ela parecia sentir, pois ao ouvir aquele nome sair novamente da boca dela, a lembrança da noite da morte de Izuna voltou a sua mente. Ele fechou os punhos e trincou os dentes em ódio.

 

 

Mesmo tentando se controlar, rosnou para ela: "O maldito Sasuke não está aqui, mulher. Nunca mais ouse pronunciar esse nome na minha frente! Ouviu bem?!" Ao terminar a frase ele já estava gritando.

 

 

"Me perdoe! Eu não quis confundi-lo... seu genjutso misturou tudo e mexeu com minhas memórias, Uchiha-sama!"

 

 

Madara sabia que ela falava a verdade. Inspirou brevemente e falou controlando sua voz, novamente. — Tanto faz. Apenas não cite mais esse nome na minha presença.

 

 

A essa altura, a visão de Sakura já estava muito mais nítida, nítida a ponto de ela perceber a tensão no maxilar do ninja. Por que aquela raiva toda, só por ser confundido com outra pessoa por uma vítima sofrendo os efeitos de seu genjutso sharingan? Logo o genjutso mais forte de todos, por mais que ele aparentemente tenha sido brando. Não, nada justificava essa raiva. Ele conhecia Sasuke? Impossível.

 

 

Como ele podia agir assim com ela? A médica viu claramente nos olhos negros dele a mesma... atração. Ele não poderia estar insensível ao que ambos estavam sentindo. Estava ali, a sua volta. Flutuava no ar e corria em suas veias. O desejo de se tocarem, de desvendar o interior do outro.

 

 

"Por favor, desista do Plano da Lua". ‘Merda, dane-se vou mostrar que sei de tudo’. "Você fracassará nele e muitos morrerão por nada. Podes ser diferente, ter uma vida boa ainda, ser feliz".

 

 

Madara perdeu definitivamente o último resquício de paciência que tinha com ela. Aquela familiar nuvem negra de ódio nublou completamente sua mente e ele a respondeu praticamente gritando e gesticulando amplamente, o que era bem incomum para um homem comedido, um líder e um Uchiha ainda por cima.

 

 

"Desista você!" Apontou para ela. "Quer saber, NADA me fará mais feliz do que lançar o Tsukuyomi e destruir essa ‘realidade’ de ganância e ódio patética. Para mim..." Mostrou o entorno. "... isso aqui é a verdadeira ilusão e se tiver que matar uma nação inteira ou todos os shinobi do universo para cumprir meus objetivos, eu o farei!" Fechou o punho da mão direita esmagando a rosa que ela lhe dera. Calma e friamente, jogou-a despedaçada no chão aos pés dela e cruzou os braços. Estava furioso.

 

 

"Você não sente remorso por matar tanto até hoje? Nem se souber que eliminará mais de 1/3 dos shinobi da Terra?" A voz dela saia aguda e alta, muito mais do que desejava. Ela quase tinha lágrimas de raiva nos olhos.

 

 

Madara pareceu refletir na informação. Vendo isso ela pensou ‘Talvez ele ainda tenha algum coração ou sanidade para refletir’. Decidiu forçar mais um pouco. "O senhor vai perder essa guerra! Matará milhares de inocentes por um plano falho! Morrerá arrependido".

 

 

Nada veio dele, nenhuma reação sequer. Permaneceu sombrio. O corpo dela, porém, tremia com a adrenalina. — Então?! Não sente nenhum remorso por tirar milhares de vidas desnecessariamente, Uchiha-sama?!

 

 

O Mangekyou dele girava freneticamente. Se ela prestasse atenção a isso, veria que ele estava furioso e tentando controlar-se...

 

 

"Então?!" Ela o pressionou novamente.

 

 

Ele começou a avançar para ela, seu chakra começou a vazar descontroladamente, como se estourasse uma barragem. Explodiu a atingindo como em um golpe esmagador e ela involuntariamente quase se encolheu como se lhe faltasse o ar. Não conseguia suportar a opressão daquele chakra furioso. Aquilo a lembrava da Nove Caudas... e Sakura estava a um passo de fugir dali.

 

 

Vendo o que causava nela, o homem se foçou a parar a cerca de 5 m dela. "Eu já disse que isso não faz a mínima diferença no quadro maior" Rosnou.

 

 

Ele ainda se importava, mesmo não querendo. Viu que sua energia a oprimia, ele começou a tentar acalmar-se mais uma vez. Porém, ela pressionou novamente. "Não sente nenhum remorso? Realmente, Uchiha-sama?" Ela o indagou novamente.

 

 

Onde estava a melodia doce que era a sua voz? Perdeu-se na escuridão de sua mente? E o perfume daquelas rosas, queimou-se na fúria do chakra dele? E o frescor da presença dela, sufocou-se com o medo dela? Não havia mais nada para acalmá-lo.

 

 

"Cale-se, Senju!"

 

 

"Não me calarei até que admita que sabe que está errado! Que se importa!..." A voz dela suavizou. "Que sente alguma coisa!..."

 

 

Ela começou a avançar para ele. — Nem que para isso eu precise lutar com você!

 

 

Madara não controlou sua fúria e teceu rapidamente os selos de katon e soprou nela as chamas majestosas. A kunoichi foi engolida pelas chamas, mas espantosamente as chamas não a tocaram, nem sequer as suas roupas. Ela deveria estar intangível novamente. Mesmo não sofrendo nenhum ferimento, o susto pareceu o suficiente para amedrontá-la e fazê-la tremer. Ela com certeza viu a morte naquelas chamas.

 

 

Ele deu-lhe as costas, deixando-a para afundar-se em seu terror e medo.

 

 

Já distante, ele flexionou os joelhos e preparou-se para saltar paras as árvores e partir. Mas, antes olhou para ela por cima dos ombros e falou sério e alto o suficiente para que mesmo a 10 m de distância ela o entendesse.

 

 

"Nada, eu não sinto absolutamente nada". Fitou a floresta a sua frente. ‘Sou uma casca vazia, um instrumento de mudança para a humanidade neste mundo repulsivo e apodrecido’ pensou e se foi deixando uma Sakura que transcendia entre aquela situação e a sua condição de envenenamento de seu corpo em outra época.

 

 

Ela não tremia só pelas chamas, mas porque sua mente estava atordoada devido a alma afastada de seu corpo. A imagem das chamas evocava nela o sentimento de dor aterrorizante das perdas que sofreu na sua época original quando lutava ao lado da Aliança. Foi como se estivesse sendo atacada sem defesa pelo Madara da 4ª Guerra.

 

 

Pensou que seu fim havia chegado e nem percebeu que aquelas chamas não a tocaram. Sentia-se com frio e como se estivesse, literalmente, desintegrando-se. A escuridão tomava sua visão quando ela pensou ter ouvido a voz de Madara em seu ouvido novamente.

 

 

"Adeus, minha flor".

 

 

Sakura não tinha como saber, mas a última frase foi dita por um Madara de cerca de 90 anos, quando ela estava já de volta à época da 2ª Guerra Shinobi.

 

 

 

 

Tempos atuais – Durante a Segunda Guerra Shinobi – Konohagakure no Sato

 

 

“Então você não lembra de mais nada?”

 

 

“Não. Depois disso só me lembro de acordar aqui com a luz da manhã e o gorjear dos pássaros, entrando pela janela”.

 

 

A senhora acenou em confirmação. “Hn. Você teve uns delírios um tanto... interessantes, minha jovem”.

 

 

Sakura corou.

 

 

“Ah! Está envergonhada, novamente?” A Uzumaki se riu, observando o rosado nas bochechas da tímida garota. “Não tem do que se envergonhar!”

 

 

Sakura não concordava com ela. “São coisas com as quais uma kunoichi com a missão que recebi, jamais deveria sonhar”. Ela desviou o olhar parecendo ressentir-se. “Sou uma vergonha como shinobi e... como mulher. Sou fraca”.

 

 

A ruiva levantou-se de seu lugar em sua cadeira. “Madara não teria se apaixonado por você se fosse fraca. Ele odeia fraqueza”.

 

 

A Haruno abriu a boca em forma perfeita de ‘O’ e a julgar pelo seu olhar, estava pasma. A moça piscava atônita com a afirmação da Uzumaki.

 

 

Parando ao lado da porta de papel Shoji, Mito falou. “Antes que me venha com isso... O amor não é uma fraqueza”.

 

 

Sakura se indignou. “Eu não o amo!”

 

 

Mito olhou para a manga do próprio quimono e esticando levemente o braço a alisou para alinhá-la. Enquanto o fazia, a ruiva sorriu, em diversão, arqueando as sobrancelhas. Alguns segundos depois, alisou a sua manga pela última vez deixando-a meticulosamente alinhada, então olhou para a rosada. A diversão ainda brilhando em seus olhos e repuxando o canto de seus lábios.

 

 

“Então, por que quis beijá-lo? E principalmente: Porque sua alma transcendeu 4 vezes o tempo e o espaço para encontrar a dele e porque só ele podia tocá-la e vice-versa?”

 

 

“Foram apenas delírios, Mito-sama!”

 

 

“Será?”

 

 

“A senhora fala como se essas coisas realmente tivessem acontecido”.

 

 

“Isso não importa realmente, se você não admite que está balançada, criança. O amor não é uma fraqueza. No entanto, desonestidade com sigo mesma é”.

 

 

Sakura bufou, em seguida jogando-se nos travesseiros e fitando o teto em indignação. Mito riu da reação dela e se foi deixando-a para refletir indignada.

 

 

 

 

Tempos atuais – Durante a Segunda Guerra Shinobi – Vale do Fim

 

 

Madara terminara sua meditação a um bom tempo, porém permaneceu sentado de pernas cruzadas e fitando a paisagem do Vale que criara durante a luta com seu rival. Ele estava sentado no alto da cabeça da estátua de Hashirama e fitava a própria figura esculpida.

 

 

‘De fato, a minha melhor representação. Uma rocha fria’

 

 

Olhou para a rosa branca que tinha feito crescer em suas mãos e a esmagou. Erguendo o braço, abriu o punho e deixou que o vento levasse as pétalas para longe, que as espalhasse pelo Vale do Fim.

 

 

 

Chapter Text

 

 

“Por quê viemos aqui, Mito-sama?” Sakura indagou a sua mais nova amiga, enquanto ambas caminhavam vagarosamente na direção de entrada do Parque Senju. A rosada recebera vestimentas padrões de ninjas jonnin.

 

 

 

Sakura quis engasgar-se quando dois policiais Uchiha cumprimentaram a Uzumaki com uma reverência formal e ela com um breve aceno. Ver dois membros do clã Uchiha no perímetro da vila em um passeio corriqueiro parecia tão anormal, mas isso lhe trouxe o pensamento do quanto essa normalidade deveria fazer falta a Sasuke.

 

 

 

O último Uchiha deveria ter uma infinidade de parentes que o amavam, tios, tias, avós e avôs, primos em maior quantidade ainda, mais parentes em maior ou menor grau deveriam estar sempre por perto. Segundo ela sabia, da história de Konoha, o Uchiha era um clã rico e numeroso. Provavelmente os avós de Sasuke eram agora adultos de meia idade, talvez Fugaku e Mikoto já tivessem nascido!

 

 

Como seria bom se Sasuke pudesse crescer com um lar que respirava... vida, em todos os sentidos possíveis da palavra.

 

 

A Haruno percebeu os olhares de curiosidade sobre ela. Embora fosse muito ousado para ela ter que se esconder a vista de todos, estar sob a tutela da Uzumaki e dos Sannins Lendários rendeu-lhe proteção e disfarce perfeitos para sua missão.

 

 

 

“Este lugar me traz muitas lembranças boas. Não é todos os dias que tenho a oportunidade de visitá-lo com uma boa companhia como a sua, Sakura...” Sakura sorriu com o comentário e a Uzumaki continuou. “Acredite ou não, temos muito em comum e você me lembra um pouco uma outra amiga.”

 

 

A jovem ficou curiosa. As duas pararam para sentar-se abaixo de uma cerejeira, a qual Sakura lembrava-se de ainda existir em sua época, antes do ataque de Pain à Vila. O lago e o arco da bela ponte, que o atravessava de uma ponta à outra, também evocaram nela lembranças de sua infância. Mebuki e Kizaschi a traziam ali para que ela observasse os kois e se divertisse tentando alcançar as vitórias régias flutuantes à margem.

 

 

Mito e Sakura recostaram-se no banco de madeira com ampla visão da maioria do parque. Jiraiya e Tsunade haviam chegado mais cedo para trazer Nagato, Konan e Yahiko para conhecer o Parque também. Eles podiam ser vistos correndo com outras crianças em uma mistura de cores Uzumaki, Uchiha, Yamanaka, Nara e civis também.

 

 

Aquilo estava estranhamente parecendo um dia de passeio em família para Sakura. Talvez ela devesse aproveitar, pois logo seria atirada em outra guerra. A 2ª Guerra Shinobi foi uma das mais sangrentas e longas da história das cinco nações.

 

 

O Sábios dos Sapos e Tsunade observavam a tudo de perto. Sakura notou com um sorriso sutil a proximidade dos dois no banco em que estavam sentados na outra margem do lago. O inverno havia começado e os arbustos, com azáleas já desabrochando, proviam um colorido lindo aos olhos. O parque todo estava pontilhado com vários tons de rosa, roxo e branco.

 

 

Em admiração, a Konoha-nin percorreu o olhar por todo o jardim e notou com estranhamento um declive tingido de azul atrás de uma estátua de um homem acompanhado de um lobo, ela não se lembrava da existência daquele monumento em sua época, nem na história da construção do parque.

 

 

Mito aguardava pacientemente que Sakura retornasse para ela. Quando a Haruno girou seu tronco e a fitou novamente, a senhora olhava para Jiraiya, Tsunade e as crianças na outra margem. Sakura não sabia bem em qual deles a Uzumaki de fato prestava a atenção, até que a Princesa quebrou o silêncio.

 

 

“Não posso deixar de pensar que a sua presença aqui e o que observo do outro lado do lago é uma conspiração contra a ordem natural, apesar de que parece muito com como as coisas deveriam ser se fossem lógicas”.

 

 

“Talvez, estejamos no caminho certo agora e espero que seja um bom caminho, Mito-sama. Apesar de que Jiraiya-san foi incisivo em me alertar de que minhas ações aqui podem ter mais reflexos negativos do que positivos a longo prazo e isso me assustou”

 

 

“Jiraiya está certo. Tudo está interligado e infelizmente vou soar muito como Madara agora, mas quando tiramos de um lugar para acrescentar em outro, geramos vazio. O vazio também tem consequências. Pessoas que deveriam morrer e são salvas... sua simples existência pode tirar vidas que não se perderiam caso tivessem seguido o curso natural do destino”.

 

 

“Como Madara retornando em minha época?”

 

 

“Exatamente como Madara retornando em sua época” Mito confirmou e Sakura acenou em compreensão séria. “Mas, talvez, Madara apenas estivesse seguindo o curso natural de seu propósito e as vidas que ele tirou também”.

 

 

“A implicação disso é que eu é que sou um atentado à ordem natural...”

 

 

“Você sempre foi” Mito a interrompeu.

 

 

Sakura se sobressaltou em espanto claro, ela esperava muitas coisas como resposta, menos a expressão ‘sempre foi’ dita com tanta convicção associada a ela. Como assim? Sakura estava na época deles a menos de um mês. A moça franziu levemente a testa em confusão.

 

 

“Mas, não é a única e tranquilize-se, não acho que isso seja ruim no todo. Mesmo as coisas ruins vêm acompanhadas de coisas boas!”

 

 

“Desculpe, mas isso não me conforta. Apenas me deixa com medo do que está vindo para nós”.

 

 

“Bom, isso é natural. Mas, não deve travá-la. A sensação de lividez e insegurança pelo desconhecido é, antes de tudo, apenas um instinto de autoproteção que nós shinobi aprendemos a vencer para que possamos tornar as situações a nosso favor. Pense que está reescrevendo a história e tem o rascunho original em mãos. Você não está no escuro, pelo contrário, está mais iluminada do que nós”.

 

 

“E se eu estragar tudo?”

 

 

“Não se pode ‘estragar tudo’. Há uma lei que rege a forma como as coisas acontecem, atribua isso a quem quiser, destino, deuses, Física ou chakra. As coisas acontecerão como tem que acontecer e por piores que a situação seja ainda haverá coisas boas acontecendo...”

 

 

Sakura acenou em compreensão para as palavras de Mito.

 

 

“... Nós Uzumaki somos um clã de crenças místicas, sacerdotes de inúmeros deuses. Eu, pessoalmente, acredito que você tem alguns olhos sobre si e que o quer que a esteja assistindo deseja algo melhor... para nós, pelo menos no quadro geral... e principalmente para você, minha jovem”.

 

 

Sakura não se sentiu confortada, ela preferia ser um pouco mais prática e não fazia seu tipo esperar que alguém ou algo (existindo ou não) fizesse as coisas darem certo. Na verdade, estranhou que fizesse o tipo de algum shinobi, ainda mais da Lendária Uzumaki Mito.

 

 

“Não pense que estou te enrolando e dizendo para que se apoie em uma bengala que logo quebrará. Eu realmente acredito que você está sendo protegida, Sakura. Acredito que você, especial ou não para alguma divindade, está sendo guiada e preparada para coisas grandes e melhores do que as que conhecemos”.

 

 

“Eu espero que seja assim mesmo... Acho que não suportaria o peso de estragar o futuro dos meus amigos, Mito-sama”.

 

 

“As coisas já estão um pouco melhores, não acha?!” Mito apontou para Jiraiya e Tsunade que riam acompanhados de...

 

 

Oh! Sakura ficou espantada. “Orochimaru-sama?!”

 

 

“O próprio” Mito respondeu a indagação da Haruno.

 

 

Ambas não conseguiam desviar o olhar da cena que presenciavam. Os três Sannins riam como se fossem crianças de algo que Yahiko e Konan tentavam explicar a Nagato. Os seis estavam sentados no gramado do parque fazendo uma espécie de piquenique. Orochimaru parecia outra pessoa, ele tinha um sorriso largo e vestia uma yukata de cores vivas... uma mistura de tons de roxo, vermelho e azul. O chakra era de uma aura leve e feliz.

 

 

“Inacreditável” A Haruno pronunciou aturdida.

 

 

“Muito”

 

 

No mesmo instante em que o “Muito” foi pronunciado por Mito, Sakura se assustou quando Orochimaru a fitou de longe. De onde estava sentado no gramado, uma linha reta poderia ser traçada dele até as duas mulheres, a visão de um para o outro era sem impedimentos.

 

 

Sakura previu que as feições dele logo se fechariam ao encará-la, como sempre. Porém ele... apenas a cumprimentou com um aceno leve de cabeça. Nisso todos os demais viraram para a direção delas e acenaram efusivamente para que Sakura e Mito viessem sentar-se com eles. Mito acenou delicada e elegantemente demonstrando que ainda conversariam mais um pouco.

 

 

“O que houve com ele?” A garota perguntou a mais velha.

 

 

“Não sabemos, ao certo, tudo. Mas, ao que parece ele viveu em uma dimensão paralela de tortura por alguns meses”.

 

 

“Deve ter sido como nada visto para provocar todas as mudanças que sinto, até a aura dele mudou... não é encenação, chakra não mente”.

 

 

“Chakra não mente, é verdade” Mito cantarolou reflexiva.

 

 

“Me pareceu que se referia a outra coisa. Há algo que eu precise saber, Mito-sama?”

 

 

“Humph... Muito mais, porém não sei se saberei explicar tudo. Jamais pensei que seriamos assombrados por outro fantasma...”

 

 

A garota nada respondeu por um tempo, não sabia se havia compreendido o que Mito falava. “A senhora poderia ser mais clara, por favor? Todas essas metáforas estão me confundindo, Mito-sama!”

 

 

“Hn, me desculpe. Tsunade era a única consciente quando Jiraiya chegou com Dan e seu regimento... Pelas descrições dela e o que conseguimos que Orochimaru revelasse sobre seu genjutso... não era um genjutso qualquer... era um Tsukuyomi...” Mito suspirou, juntando as mãos sobre o colo. “Era o Tsukuyomi de Uchiha Madara” Sakura arregalou os olhos, com a afirmação da Uzumaki. “’O Espectro do Clã Uchiha’ está mesmo vivo e salvou vocês... ele veio salvar você”.

 

 

“Uchiha Madara... me salvou?”

 

 

Mito meneou a cabeça em confirmação. “Quando você desmaiou criando, por instinto, um invólucro de madeira com seu estilo Mokuton para proteger a si e ao Nagato, os Iwa continuaram seus ataques. No entanto, Madara os matou a todos, a maioria incinerados, de acordo com o relatório de Dan. Essas informações são altamente confidenciais. O mundo ninja não pode desconfiar que Madara vive, ou o pânico enlouquecerá a todos. Já são tempos difíceis não vamos torná-los mais espantosos ainda com a sombra de Madara pairando sobre nós”

 

 

 “Mas, como isso é possível? Madara deve ter em torno de 90 anos agora, não deveria... Kami, assim como os outros da minha época, eu subestimei o poder desse homem. Ele deveria estar em sua caverna sendo alimentado por Gedō Mazō, não derrotando regimentos inteiros ao, literalmente, queimar seu chakra”.

 

 

“O Uchiha, assim como o Senju e o Uzumaki são clãs de notável longevidade e poder. Nossas reservas de chakra costumam ser acima dos maiores níveis da maioria. Em membros sem mistura de sangue com clãs menores ou civis, como é o caso de Madara e Hashirama e o meu também, as reservas de energia vital rivalizam com as bestas de cauda”.

 

 

“Jiraiya-san e Tsunade-sama me explicaram isso quando discutíamos sobre a construção do selo para suprimir o chakra de Nagato e esconder o Rinnegan”  

 

 

“Madara está vivo e pode estar em sua forma mais jovem, não temos como saber se utilizou um henge ou não”

 

 

“Deve ser um henge, em nossa época descobrimos que ele viveu confinado até por volta dos 120 anos e só morreu porque considerou que já havia encaminhado todos os seus planos, do contrário, acredito que por meio da estátua ele poderia ter estendido sua vida um pouco mais”.

 

 

“Jovem ou não, Madara matou todos os Iwa e quase matou Orochimaru. Minha neta nos disse que ele só não matou Orochimaru porque você intercedeu pela vida dele”

 

 

“Eu não me recordo disso...” Sakura desviou o olhar tentando lembrar-se de ter falado com Madara e intercedido por Orochimaru.

 

 

“Naturalmente que não, os efeitos do veneno e do selo sobre você foram demasiado fortes. Foi uma surpresa para mim, para Tsunade e equipe médica que você tivesse suportado tudo e ainda voltado a semiconsciência nas primeiras horas onde as cargas da toxina foram as maiores. Seu chakra irrompeu de suas bobinas em uma onda energizando todo o seu corpo. O duelo da maldição contra a sua nova energia vital foi implacável que lhe causou delírios entremeio aos episódios de maior lucidez. Mesmo assim você teria morrido se não fosse Madara. Quando a maldição encontrou seu selo yin ela começou a se alimentar dele. Quando sua energia vital acabasse, a maldição venceria porque seu selo a manteria por mais tempo ativa e a toxina sendo liberada em cargas ininterruptas. Você pode não gostar da ideia, mas deve a Madara sua vida, Sakura”

 

 

A ninja bufou “Humph, estamos quites então. Em minha época ele me empalou com um bastão de chakra, eu teria morrido se naquele dia não tivesse despertado meu selo”.

 

 

“Justo. O que pretende fazer agora?”

 

 

“Ainda não posso ir até ele, preciso de um selo para Zetsu Negro, ele é muito sagaz e poderoso... preciso me preparar para um duelo filosófico... se minhas visões são uma indicação do que me espera, preciso de coragem. Se tiver de enfrentá-lo, também não quero levar mais ninguém para a morte, então quero treinar e aperfeiçoar minhas habilidades, principalmente agora que recebi o Mokuton de Shodai-sama”

 

 

“Eu começarei os trabalhos com o selo para essa criatura negra e para a sua volta, ou melhor, ida para o futuro. Já tenho algumas ideias de como construirei o primeiro, já o segundo... o pergaminho deste ainda está em branco para mim. Estou pensando em enviar alguns ninjas às ruinas de um dos antigos templos Uzumaki em Uzushio... eu mesmo as selei, talvez lá alguma luz possa ser lançada sobre a questão da viagem no tempo. Já que não temos Minato para nos ajudar com os jutsos de Tobirama, prefiro ir pelos meus próprios métodos.”

 

 

“Eu compreendo”

 

 

Sakura virou-se para olhar para as crianças que corriam pelo parque novamente. Nagato estava muito feliz, tanto quanto os outros dois e sua shishou estava sentada conversando com Jiraiya. Orochimaru havia ido embora aparentemente.

 

 

“Nesse caso...” Mito começou a falar e Sakura fez sinal para que ela esperasse. A Uzumaki ficou curiosa e olhou na mesma direção para a qual a atenção dela voltava-se.

 

 

Sua neta e Jiraiya estavam muito mais próximos do que o normal, Tsunade tinhas os olhos alegres e Jiraiya estava efusivo como sempre, mas não conseguia segurar os sorrisos exageradamente largos e bobos que lançava para a companheira de time. Ambos sentados novamente no banco feito de madeira de cerejeira de anteriormente.

 

 

Aquela cena era de uma calma e luminosidade sem tamanho. Mito e Sakura deleitavam-se na alegria deles quando um sapo verde aparece na visão delas, ele emergiu da margem do lago com uma camélia vermelha presa no alto da sua cabeça. Saltitando, o anfíbio dirigiu-se para os dois Sannins, com um último salto estacionou nas mãos de Jiraiya que já o esperava.

 

 

As duas mulheres sorriram quando Jiraiya sacudiu a flor para livrar-se da água em excesso e depositou a camélia nas mãos de Tsunade. Ninguém precisava ouvir nada para saber que tentativas de dizer algumas palavras doces e tímidas foram feitas por ele naquele momento. Elas apenas viram Tsunade acanhar-se ao receber o presente dele. A loira deveria estar corando com aquela demonstração de afeto.

 

 

Mesmo que o sábio apenas tenha conseguido dizer “São para você” em meio a muitas pausas e algumas palavras cortadas, a cor das flores dizia o que ele não conseguia falar. Jiraiya estava mais uma vez se declarando para a Senju. No entanto, algo havia de diferente: Tsunade sorriu para ele e agradeceu a flor. Ao que pareceu, não houve o menor indício de recusa dela. Apesar de aquilo não significar que ela o correspondia, ao menos não era um não, isso arrancou de Jiraiya um suspiro aliviado e esperançoso.

 

 

A bolha de ‘quase romance’ dos dois foi quebrada quando dois ANBU caíram simultaneamente, um na frente dos Sannins e o outro na frente de Sakura e Mito. Uma mensagem seria entregue provavelmente, Sakura pensou.

 

 

O ANBU a frente delas estava apoiado sobre um dos joelhos e de cabeça curvada em respeito à Uzumaki. A Princesa fez sinal para que ele se levantasse e pediu que se pronunciasse.

 

 

“Hokage-sama ficou sabendo da boa recuperação de Uzumaki Sakura e solicita sua apresentação amanhã de manhã para receber seu relatório. Os Sannins também foram convocados” Pela voz, era uma mulher atrás da máscara.

 

 

“Hai! Estarei lá. Obrigada, ANBU-san!” Sakura o respondeu firmemente esperando que a ANBU não lhe cobrasse nenhum código ou coisa do gênero para testar seu disfarce.

 

Os olhos negros dela brilharam. “Vejo que você é forte e mais esperta do que aparenta, mal posso esperar para testá-la.” Dizendo isso, a ninja deu-lhe as costas e tremeluziu o corpo para desaparecer. Antes, porém, Sakura notou o Fã do clã Uchiha em suas costas.

 

 

Aquilo lhe causou estranhamento porque a kunoichi possuía longos cabelos de coloração roxa vibrante. Jamais imaginaria que ela fosse do mesmo clã de Sasuke. O outro ANBU, que se despedia de sua sensei e Jiraiya, também ostentava o símbolo do clã em suas costas, mas pelos cabelos encaracolados e negros nem precisaria, era inegavelmente um Uchiha.

 

 

A máscara dele trazia a representação de uma coruja albina com tomoes sharingan ao redor do delineado dos olhos, já a máscara da kunoichi que lhe trouxe a intimação era a representação de um tigre branco rajado com listras roxas. Seria ela uma Uchiha de sangue misto? Poucos segundos e aquela mulher a deixou com milhares de perguntas e uma curiosidade insanamente perturbadora. Sakura não entendia por que precisava saber mais sobre aqueles dois, aquele outro ANBU também, ele se foi para junto da mulher de cabelos roxos... talvez namorados? Amigos? A julgar pela postura imponente e sincrônica, muito habilidosos e provavelmente do mesmo esquadrão.

 

 

“Eles são da Yūrei” Mito soprou a informação como se adivinhasse os pensamentos dela.

 

 

“Nani?!”

 

 

“A unidade especial de Dan”

 

 

As palavras da senhora não diziam muito para Sakura, ela vagamente lembrava desse nome da carta do Hokage lida por Jiraiya antes deles irem para o Shikkotsu.

 

 

“Como eles viram você desde o seu desmaio e são confiáveis, Hiruzen os manteve aqui para contatar você, assim os outros ninjas, membros da ANBU ou não, terão menor chance de descobrir sobre o que aconteceu. O resto dos ninjas de Dan não faziam parte da organização, então não questionaram se você está ou não sob ordens do Hokage em uma missão especial”.

 

 

“Vocês confiam no Uchiha?!”

 

 

“Mas, é claro que sim, confiamos naqueles que demonstram ser confiáveis”

 

 

“Quando li os arquivos sigilosos com a permissão de Tsunade-sama, tive a impressão de que a aldeia era extremamente hostil com eles”

 

 

“Não tem sido fácil para Hiruzen conciliar as coisas, há hostilidade dos dois lados e sempre haverá. Mas, imagino que a situação só se tornou insuportável para eles nos últimos anos que antecederam o ataque da Nove Caudas, sendo este o marco de sua insatisfação. Tsunade me repassou tudo que você contou a ela e com base nisso, acredito que podemos dobrar nossos esforços diplomáticos para mudar as coisas entre Konoha e o Uchiha ... Hashirama se entristeceria se perdêssemos essa oportunidade ”.

 

 

“Sim, eu imagino que sim”.

 

 

“Mas, uma coisa de cada vez. Agora precisamos de uma história convincente para você, Uzumaki Sakura ”

Chapter Text

 

Após serem designados para o apoio a Dan na guerra, os Sannins aguardavam ansiosos, assim como Dan também fazia, para ver quais seriam as perguntas de Hiruzen a Sakura.

 

 

Quando ela chegou, o Hokage apenas sorriu e retirando seu cachimbo da boca disse que era um prazer conhecê-la. Era incrível como nada parecia ser capaz de surpreender Sarutobi Hiruzen e Uzumaki Mito.

 

 

Estavam os Sannins, Dan e Sakura em pé a frente da mesa de Hiruzen, ele também havia se levantado. A conversa estava no final e acima da mesa havia um conjunto completo de vestimentas ANBU, incluindo uma máscara e um katana.

 

 

Hiruzen tomou a máscara em branco nas mãos e falou solenemente para Sakura:

 

 

“Para que possamos manter a sua estadia em nossa época e sua identidade o mais sigilosas possível, permanecerás sob as minhas ordens como shinobi de nível ANBU. Mesmo que ainda não tenhas o nível de Jonnin oficialmente em sua época, eu o concedo a você pois sua reputação a precede. Cerca de uma centena de shinobi Iwa caíram sob a sua mão e você defendeu Konoha bravamente e até o fim. Não obstante vieste de uma guerra ainda mais temível do que esta e foste designada para uma missão de alto nível por mim e pelos outros hokages de nossa vila. Só estas coisas já são mais do que suficientes para me atestar que te tornastes uma kunoichi extremamente habilidosa sob os ensinamentos de Senju Tsunade. Sendo assim, bem-vinda as fileiras ANBU de Konohagakure no Sato, Uzumaki Sakura”

 

 

Assim que Sakura recebeu a máscara em mãos e a analisava, todos na sala foram despertados pela sensação do chakra que adentrava o prédio Hokage. Todos ali sabiam que muito em breve seriam arguidos com enorme desconfiança, então precisavam se preparar.

 

 

“Rápido, atrás desse armário há...” O Sarutobi apontou para um armário a sua esquerda e começou a falar, porém foi interrompido por Sakura.

 

 

A Haruno falou enquanto juntava seu novo uniforme e espada de cima da mesa do Hokage: “Não é preciso explicar para mim. O senhor quer que eu me vista na sala de pergaminhos do Nidaime, Hokage-sama?”

 

 

“Sim e quando voltar mantenha-se calada, fale apenas se eu a solicitar e apenas aquilo que eu pedir que fale. Fui claro?”

 

 

“Hai!” Sakura assentiu firmemente.

 

 

“Ótimo, não podemos subestimar a inteligência dele. Agora vá!”

 

 

A ninja arrastou o armário e divisou a parede lisa. Todos esperaram com expectativa o que viria a seguir. Para Hiruzen era um teste das habilidades e inteligência dela, para os Sannins e para Dan, uma oportunidade de finalmente vê-la em ação.

 

 

Moldando chakra de natureza suiton, ela uniu as mãos no selo de tigre e rapidamente dissipou o genjutso que escondia a entrada da sala oculta dos pergaminhos dos Hokage.

 

 

“Nem preciso dizer que nenhum de vocês viu isso...” O Sandaime falou enquanto adicionava mais conteúdo ao seu cachimbo. “É altamente confidencial.”

 

 

Tsunade cruzou os braços e revirando os olhos murmurou “Hmph! Então não deveria mostrar para qualquer um!”

 

 

Os três homens que com ela estavam parados às costas do Hokage se entreolharam em um sorriso contido. O Hokage também sorriu, enquanto observava Sakura fechar a porta atrás de si.

 

 

A Haruno trocou-se velozmente e saindo arrastou o pesado móvel para seu local anterior, com isso o genjutso de ocultação foi restaurado automaticamente. Aquele jutso foi colocado ali pelo próprio Senju Tobirama e somente Sarutobi Hiruzen e Uchiha Kagami conheciam.

 

 

Aliás, de selos Konohagakure estava repleta. Graças a confiança que Tsunade tinha em Sakura, muitos deles foram mostrados a ela. Então quando o Sandaime falou da sala de pergaminhos ela já sabia que o selo ali pertencia ao Nidaime. Ter tanto conhecimento sobre os segredos da aldeia seria muito útil a ela durante esta época e aprender com Tsunade se mostrou, novamente, uma decisão muito acertada.

 

 

Porém, havia um selo que Sakura não conhecia e esse selo guardava um segredo ou uma história muito valiosa, talvez não para a vila, mas com toda a certeza para o Senju albino. Mito forjou um selo que mantinha viva uma das maiores lembranças de Tobirama e Sakura pode desvendar o segredo escondido por ele. Tudo porque um erro no jutso de viagem no tempo dos quatro hokages a enviou para o período da Segunda Grande Guerra Shinobi e permitiu que ela visse o parque Senju tal qual ele era originalmente.

 

 

A estátua do homem acompanhado de um lobo aos pés de um declive florido de azul tinha muito mais significados do que apenas uma homenagem ao frio e calculista criador do Edo Tensei. Aquelas flores, não deveriam florescer no inverno...

 

 

Sakura já se encontrava ao lado de seus companheiros Sannins e Dan, mais precisamente entre Jiraiya e o homem de cabelos azulados, quando momentos depois o dono do chakra adentrou o escritório Hokage sem bater à porta ou dar qualquer aviso. Todos na sala, exceto o Terceiro, olharam para ele, lhe fazendo uma leve reverência.

 

 

“Danzō, a que devo sua visita? Espero não termos nenhum problema com os seus subordinados”

 

 

O homem estreitou levemente os olhos fixos em Sakura para então direcioná-los para Hiruzen que falava com ele. “Trago meus subordinados em perfeitos controle e disciplina, portanto não vejo razão para o Hokage supor que eu viria reclamar de algum deles. Pelo contrário, se comparado a postura da maioria de seus ANBU...” O conselheiro olhou rapidamente para Sakura e então para Hiruzen, novamente. “... os meus são impecáveis em disciplina, efetividade e discrição”

 

 

A kunoichi arqueou a sobrancelha por trás da máscara lisa e branca que recebera. Ela não sabia que Danzō Shimura falava dessa maneira com o Terceiro, toda essa audácia deveria ser porque eram companheiros de longa data desde que aprenderam sob os ensinamentos de Senju Tobirama. Que amizade estranha os dois tinham, sua rivalidade era claramente semelhante à de Naruto e Sasuke, mas de uma forma mais tensa e recheada de inveja por parte do líder da Ne.

 

 

“Bem dê-me a oportunidade de provar que também tenho excelentes ninjas a meu serviço. Uzumaki Sakura, por exemplo acaba de retornar de um longo tempo em Amegakure e além de excelente espiã é uma médica tão hábil quanto Tsunade. Sakura tornou-se sua aprendiz lá e inclusive despertou o Byakugō assim como sua sensei”.

 

 

“Aprendiz de Tsunade você diz... e como foi que a garota conseguiu arranjar tempo para aprender com Tsunade enquanto atuava em sua missão de espionagem?”

 

 

“Ela fez, por isso te digo que tenho excelentes ninjas a meu serviço, ela é um prodígio tal qual Dan, Sakumo e meus alunos”.

 

 

“Não pensei que escondesse tantas coisas de mim Sarutobi, não considera seu conselheiro e amigo digno de confiança?”

 

 

Danzō indagou, levemente aparentando uma falsa indignação.  Todos ali se sentiram incomodados em ouvir o que parecia o início de uma discussão entre os homens que detinham o poder sobre sua aldeia.

 

 

“Nós podemos sair, Hokage-sama?”

 

 

Dan foi direto em manifestar que não queria presenciar um duelo verbal motivado pela inveja de Danzō. Foi quando Hiruzen surpreendeu a todos abrindo um sorriso largo e afastando o cachimbo de sua boca e gargalhando.

 

 

“Ora, não se preocupe Danzō. Não escondo nada perigoso em potencial, apenas ocultei Sakura para o bem de sua missão e proteção dela e de sua família. Ninguém, exceto Mito e aqueles que você vê aqui presentes, sabe da existência e identidade dela, nem mesmo Koharu e Homura”.

 

 

O Shimura não pareceu acreditar em nada.

 

 

“Como você pode ver, não é questão de confiança é questão de cuidado extremo”. O Hokage assegurou.

 

 

“Hn, que seja. Se ela está a serviço da vila e é assim tão boa quanto você diz, certamente não se importará que marquemos um embate entre ela e um dos meus. Uma pequena escaramuza para que prove suas habilidades”. O Shimura falou com um pequeno sorriso ladino no canto de seus lábios.

 

 

“Eu já tinha algo ainda melhor em mente. O que acha de um spar entre ela e os membros da Yūrei de Dan?”

 

 

“O casal Uchiha?” Danzō arqueou uma das sobrancelhas e remexeu levemente as mãos amparadas sobre o punho em sua bengala.

 

 

O Hokage assentiu, com um sentimento velado de satisfação e triunfo. Ele sabia mesmo como capturar a atenção do conselheiro e que poderia gabar-se de seus alunos e dos frutos de seu legado, mesmo que não pudesse revelar nada sobre Sakura e a missão que a trouxe até ali.

 

“Isso será... interessante”.

Chapter Text

 

O embate de Sakura com os ANBUs foi marcado para três dias após o encontro dela, dos Sannins e de Dan com o Hokage e Danzō. Nesse meio tempo, ela recebeu sua tatuagem. Jamais imaginara tal coisa, mas agora estava oficialmente marcada como uma ANBU.

 

 

O grande dia, ensolarado e de céu limpo, havia chegado e Sakura não quis utilizar sua máscara por dois motivos: um, ela ainda estava em branco e ela ainda não possuía um codinome; e dois, ela não era acostumada com ela, então seria mais fácil se atrapalhar e acabar se prejudicando durante o confronto. Por via das dúvidas, prendeu-a na cintura como todos eles fazem quando estão fora de serviço.

 

 

Saiu cedo da casa de Mito-sama e se foi para reconhecer o campo em que lutaria, o campo número 49. A maior e mais afastada área de treinamento, ela lembrou-se de Tsunade a instruindo de que deveria começar a treinar ali, mais tarde. Aquilo foi pouco antes da guerra com Madara, mas deveria valer, mesmo que ela estivesse fazendo isso cerca de 40 anos antes.

 

 

Madara… esse nome insistia em se repetir, cada vez que vinha a mente dela. nos últimos três dias que teve somente para si, Mito a chamava de flor. A Haruno sabia o porque do apelido, Madara a chamou de flor…

 

 

Nagato disse a Mito-obaa-chan que Madara chamou Sakura de minha flor.

 

 

Ela não pensava que um Uchiha, que Madara fosse capaz de demonstrar esse nível de afeto por alguém. Era muito desconcertante imaginar aquele homem sádico que sorria enquanto tinha o Edo-Tensei do Nidaime Hokage Tobirama Senju empalado com bastões de chakra abaixo de si.

 

 

Ele lhe causava arrepios. Mas, Madara era um shinobi poderoso e terrível. Como poderia chamar alguém de flor?

 

 

Imagens dele na guerra começaram a passar, lentamente, por sua mente… Inner começou a fazer isso desde que ela acordara. Sua Interior estava estranhamente fixada na imagem do homem e isso deixava Sakura irritada porque a desconcentrava do que ela precisava fazer.

 

 

No entanto, não poderia negar de que ele era extremamente habilidoso e… Ela se perguntou se Sasuke se pareceria com ele quando estivesse mais velho… se perguntou se Sasuke seria tão imponente, forte e...

 

 

Ela balançou a cabeça enquanto observava o grande carvalho situado à lateral direita do campo. Dali ela teria uma visão privilegiada de toda a área. No alto dele poderia enxergar tudo e evitar que os dois Uchihas surgissem por suas costas ou a levassem para um lugar desfavorável para seu estilo de luta. Ela precisava de espaço, amplo espaço.

 

 

Do lado esquerdo havia rochas enormes, algumas toneladas de material duro para socar e causar estrago. A zona 49 foi realmente escolhida a dedo por sua mestre e o Hokage para que Sakura não ficasse em desvantagem ao lutar com os tais Uchihas.

 

 

A ninja tinha a certeza de que aquela luta seria mais difícil do que parecia. 8 h da manhã, eles chegaram e postaram-se à sua frente, apenas meneando a cabeça para ela, como forma de cumprimento. Ambos usavam suas máscaras, tigre e coruja.

 

 

O campo 49 tinha cerca de 8 Km de perímetro, sendo a grande maioria dele arborizada e com rochas grandes espalhadas por toda a sua extensão. A Haruno e os Uchihas estavam postados próximo à entrada, cerca de 500 metros. O carvalho estava atrás dela, longe cerca de 600 m.

 

 

Sakura começou a analisá-los, silenciosa e discretamente. Esse casal não pertencia apenas a um dos clãs mais poderosos do mundo shinobi, o Uchiha, mas era um time perfeito. Certamente que nem precisavam falar para se comunicarem. Para um esquadrão ninja como eles, um único olhar, provavelmente, bastava ou nem mesmo era necessário para que se entendessem e coordenassem um ataque de sucesso.

 

 

Os ensinamentos de Kakashi e de Chiyo-baa-sama diziam: Em uma luta com um usuário de Sharingan, se estiver estiver em dupla, um deve atacar pela retaguarda e outro frontalmente. Porém, se estiver só e não souber lutar apenas prevendo os movimentos do seu adversário ao olhar para os pés dele, fuja. Pois, nesse caso, a morte é certa.

 

 

A kunoichi não estava apenas em desvantagem por não dominar a habilidade de lutar olhando apenas para os pés de seu adversário, mas porque ela enfrentava não um mas dois shinobi Uchiha nível ANBU e com um nível arrasador de entrosamento ainda por cima.

 

 

A Haruno jamais poderia utilizar o Mokuton pois Danzō estava a avaliando e ela ainda era uma novata no estilo. Essas coisas não vinham com um manual, infelizmente. Logo ela iria para outra guerra, então liberar seu selo também não era uma opção para se proteger dos ataques que com toda a certeza a atingirão.

 

 

Ela estava totalmente ciente de que poderia perder, mas se certificaria de dar trabalho a eles.

 

 

"Vocês já sabem meu nome. Qual o seu?" Sakura quebrou o silêncio ao falar com seus adversários, que aguardavam, eretos, a chegada dos Sannins Lendários para começar a luta.

 

 

Danzō e Hiruzen já estavam ali, haviam chegado enquanto ela fazia sua análise dos seus companheiros de sparring. Sakura não sabia porque diabos sua mestra e os dois companheiros de time dela resolveram se atrasar.

 

 

Mau sabia a jovem que os três tinham muitas coisas a considerar, incluindo o mapeamento da situação e a montagem de uma estratégia para lidar com um segundo perigo iminente. Algo de que o Hokage os avisara em segredo e de que a Haruno não pensava que aconteceria tão cedo.

 

 

Os dois ninjas não a responderam, a kunoichi percebeu em seus trejeitos que havia dúvidas neles, aguardavam que ela fosse específica. Talvez fosse isso mesmo, Sakura pensou. Por isso decidiu completar: "Poderiam ao menos me deixar saber quem vai me fazer sentir perseguida como um rato daqui a alguns minutos?!" Ela coçou a nuca, assim como Naruto fazia, enquanto riu.

 

 

Ela achou que essa seria uma boa forma de descontrair e quem sabe começar uma amizade com os dois. Afinal, a Haruno teria de ir para a guerra com os Sannins  e prestar apoio ao regimento de Hatake Sakumo, o que incluía o esquadrão deles também.

 

 

"Eu sou Fukurō…" A mulher de cabelos violeta disse, enquanto retirava sua katana das costas, então apontou para o homem à sua esquerda com o queixo. "E este é Tora, meu marido. É bom te conhecer, Uzumaki Sakura". Ela completou, cordialmente.

 

 

No dia retrasado, a ‘Uzumaki’ percebeu que a Uchiha tinha um timbre de voz mais grave, uma postura que irradiava força e seriedade. Agora com esse pequeno pronunciamento e seus trejeitos, foi possível perceber o quanto ela dava indicações de ser compenetrada, séria e atenta.

 

 

A mulher que se escondia sob o codinome Fukurō e a máscara de coruja, vestia uma espécie de túnica Uchiha longa na cor azul (semelhante a um vestido), bipartida nas laterais e subindo até a cintura. A veste Uchiha possuía gola alta, mas que se abria em um decote em forma de V privilegiando seios fartos ocultos sob uma espécie de rede ao estilo que Kurenai e Hinata utilizavam na época de Sakura.

 

 

Um obi vermelho amarrava a bela veste, marcando sua cintura. Abaixo a mulher usava um short spandex preto que escondia suas coxas até os joelhos, exatamente como os que a Haruno passou a gostar pouco antes da Quarta Guerra começar.

 

 

Aquela ninja de cabelos roxos ondulados e esvoaçantes, lembrava muito Mei Terumi, não só no corpo curvilíneo e voluptuoso, mas no rosto também (este último detalhe, Sakura só veria mais tarde).

 

 

Certamente, Fukurō  era alguém de personalidade forte. Talvez, muito habilidosa também. O Uchiha de cabelos encaracolados e vestes padrões ANBU, também deveria ser alguém com características semelhantes dado que ambos irradiavam uma aura de coesão e cumplicidade, além de serem casados, o que por si só demonstrou que possivelmente seriam um esquadrão ninja poderoso e que se protegia.

 

 

Estranho era Sakura nunca ter ouvido falar neles.

 

 

"Esperamos muito de você…” O homem fez uma pausa dramática, em seguida sorriu debaixo da máscara e completou divertido, mas parecendo sério para Sakura. “então... não fuja como um rato". Quando viu que os Sannins se postaram ao lado do Hokage, Tora fez o sinal para uma luta amigável com uma das mãos. Fukurō e Sakura fizeram o mesmo.

 

 

“Comecem!” O Hokage bradou com o braço direito levantado.

 

 

Instantaneamente os shinobi se dispersaram.

 

 

A shinobi Uchiha saltou para o extremo limite esquerdo do campo, onde vários arbustos cresceram alto e densos, ocultando uma depressão no solo. Duas pessoas agachadas poderiam facilmente se esconder ali.

 

 

Tão logo tomou seu lugar ajoelhada ali, a ANBU desencaixou as outras lâminas paralelas à sua primeira Katana, o punho delas era modificado para que se encaixassem. Fukurō lutava com quatro lâminas. Ela poderia abri-las à semelhança de um leque ou lançá-las e girá-las como uma shuriken.

 

 

Se ela se sentisse extasiada em uma luta, seus inimigos a veriam separar as lâminas em dois pares e ligá-las pelos punhos, fazendo assim que se tornassem uma espécie de bastão afiado em ambas as pontas. E ela os empunhava em ambas as mãos. Tudo isso porque eram ligadas por uma corrente de seu chakra azulado. Chakra também as mantinham coesas e faziam os inimigos pensarem que ela carregava uma espada comum, já que não podiam enxergar através da ilusão lançada sobre ela.

 

 

Muitos lutavam para separar as lâminas dela, mas isso era impossível porque, tal qual um marionetista, as armas retornavam para as mãos de sua dona, arruinando tudo no caminho que percorriam.

 

 

Contudo, Fukurō do estilo vento sabia, fazia e escondia muito mais que isso...

 

 

Sakura saltava algumas árvores para postar-se sobre a mais alta localizada na lateral do campo e que lhe daria a visão ampla da qual necessitava para conseguir ver seus inimigos chegando e poder ter espaço para contra atacá-los.

 

 

Enquanto isso, Tora sentou-se sobre o alto de uma rocha alta e grande. Ele apoiou a perna sobre seu joelho esquerdo e sua katana rente à ela. O shinobi realmente não estava preocupado em ser visto. Ele queria mesmo é descobrir se a tal Sakura era capaz mesmo de esmagar as rochas sobre as quais estava sentado.

 

 

O verdadeiro estilo de luta de Tora, era um mistério para os ninjas dos outros regimentos de Konoha. Mesmo, os membros do próprio regimento do qual ele fazia parte nunca o viram utilizar nada além de taijutsu e kenjutsu. Mas, assim como Fukurō, Tora era muito mais do que aparentava.

 

 

O dia estava claro e fresco. Pássaros assobiavam cantos alegres e brisas fortes carregavam as folhas das árvores em redemoinhos pelo campo. Tora observou que Sakura estava agachada sobre o galho mais forte do grande carvalho na lateral do campo e segurava uma kunai com os dois punhos. Dali ele olhou para os arbustos onde Fukurō provavelmente deveria ter se escondido.

 

 

O campo de treinamento era uma calmaria só. Tora suspirou e deslizou a ponta dos dedos indicador e médio ao longo da lâmina de sua katana até a ponta, quando repentinamente ouviu um grito de ‘Shanarooo!’ em suas costas e teve de saltar para o chão gramado a sua frente para desviar do soco que a kunoichi rosada tentou lhe acertar.

 

 

O shinobi pousou no chão agachado e tinha sua katana segura apenas com a mão direita. Como se ela fosse uma kunai, Tora preparava um de seus golpes mais perigosos. O shinobi de cabeça e corpo meio curvados encarou Sakura postada no alto da rocha e com canto dos olhos fitou o carvalho onde ela deveria estar. Franziu o cenho quando viu a moça acenar para ele com dois dedos em forma de V e um sorriso maroto, então voltou a encarar a réplica dela sobre a rocha.

 

 

“Clone das sombras” Balbuciou para si mesmo, já examinando as habilidades da ‘Uzumaki’ e correu para ela com grande velocidade.

 

 

Sakura ao ver Tora vindo para ela, assustou-se com a velocidade do homem, agora entendeu o porquê do codinome ‘Tigre’. Ele subiu a rocha utilizando chakra para grudar os pés e em milésimos de segundos já estava a meio metro da kunoichi de cabelos róseos.

 

 

Como ninja médica Sakura foi treinada para ser rápida na esquiva e ela era ainda mais rápida do que a maioria, igualando Tsunade e Shizune já aos 16 anos, portanto, torceu o tronco o suficiente para que o ninja passasse direto por ela. O que ela não esperava era que ele levantasse sua espada no exato momento e abrisse sua garganta de fora a fora.

 

 

Tora passou, rapidamente, cortando a garganta do clone das sombras da ‘Uzumaki’, em breves segundos tanto a Sakura no carvalho quanto Fukurō, escondida entre os arbustos no final do campo, e todos os que assistiam ao spar, com exceção de Danzō, seguraram a respiração.

 

 

O clima ficou em suspense durante aqueles poucos segundos até que um ‘pof’ foi ouvido e a fumaça da dissipação do clone encobriu o topo da rocha e foi limpo com um vento forte.

 

 

“Sugiro começar a lutar de verdade, garota. Nós não somos Iwa imprestáveis”.Tora gritou para a réplica de Sakura. Então sentiu seus pés sendo agarrados e olhou, imediatamente, para as mãos que seguravam seus tornozelos.

 

 

Não teve tempo de reação, já estava enterrado até o pescoço. O ninja arregalou os olhos brevemente em espanto, nunca fora pego desprevenido. “O jutsu do clã Hatake” Ele balbuciou encarando Sakura que havia saído do solo.

 

 

A moça, com um sorriso brincalhão no rosto, retirou sua katana das costas e posicionou a ponta abaixo do queixo dele. Com isso demonstrou que tinha a vida dele em suas mãos.

 

 

Tora não se abalou, pelo contrário sorriu. "Você ao menos sabe usar isso?"

 

 

Ele zombava dela. Mas, Sakura decidiu que poderia zombar mais. Arqueou a sobrancelha e o mediu com um olhar altivo. Girou firme mais levemente a ponta metálica na pele do Uchiha.

 

 

"Não acho que tenha muito segredo, espete com a parte pontuda se quiser furar e use a parte lateral se quiser rasgar…" Ela brincou. Então, seu olhar se tornou sério. "Porém, se eu quiser decapitar alguém, o que é o objetivo desse jutsu…"

 

 

Ela segurou a espada com ambas as mãos e a girou 180 ° ao lado do corpo, calmamente, demonstrando se preparar para realmente decapitá-lo.

 

 

"....Se eu quiser decapitar alguém, como por exemplo você, basta apenas tomar impulso, assim.." Ela ampliou o movimento ainda mais.

 

 

 "... E então descer com ela, firme e rapidamente, para cortar seu pescoço, assim!"

 

 

 A Haruno começou descer a espada na direção da garganta de Tora, mas enganou a todos quando deu um giro de 180° e terminou com a espada apontada na garganta de Fukurō.

 

 

A mulher que vinha para ela, velozmente, freou bem a tempo de não ser empalada com a espada de Sakura. A Haruno havia conseguido tirá-la de seu esconderijo, não tinha dúvidas de que a Uchiha de cabelos roxos não hesitaria em proteger seu companheiro. Fukurō, por trás de sua máscara, abriu um sorriso largo, mas breve para a outra mulher. Breve porque segundos depois ela se abaixava e girava para dar uma rasteira na 'Uzumaki'.

 

 

Sakura saltou com uma pirueta para cima da rocha em que Tora estava sentado antes. A moça juntou as mãos no selo de tigre e disse "Kai" para liberar o genjutsu que atuava em seu sistema. O ambiente a sua volta ondulou e as imagens reais apareceram. Tora não estava mais enterrado no chão, mas atrás de Sakura e aos pés da grande rocha sobre a qual ela estava em pé.

 

 

A Haruno olhou para Fukurō a sua frente e viu a mulher com a mão em um selo desconhecido, franziu o cenho para isso e mirou Tora em suas costas, por cima de seus ombros ele fazia o mesmo selo. Ambos haviam retirado suas máscaras… Quando ela percebeu de que selo se tratava, imediatamente saltou, com uma pirueta, por cima das chamas que rugiram em sua direção, vindas de ambos os Uchihas.

 

 

Acima de si um falcão planava e ela o ouviu seu crocitar estridente, várias: croac croac, cuá! A ave parecia aplaudí-la. ‘Devo estar imaginando coisas’ Ela pensou com um pequeno sorriso e descendo com chakra aplicado a sua perna atingiu a enorme rocha entre os Uchihas, fazendo com que os pedregulhos se tornassem projéteis afiados.

 

 

Arremessou-os com extrema força e velocidade em todas as direções, até mesmo os que vinham na sua, ela os chutou na direção do casal. Nenhum os atingiu, contudo, a Haruno já esperava por isso, pois fez isso como uma forma de afastá-los e para que pudesse sair do meio de ambos. Ter um Uchiha em sua frente já é perigoso, mas deixá-lo estar em suas costas seria ainda pior.

 

 

Ela aterrissou já com as pernas dobradas, logo que tocou o solo despontou a correr na direção da kunoichi de cabelos roxos, se ela estivesse certa em seu palpite correria riscos para passar por ela, mas valeria a pena.

 

 

Tora veio em seu encalço rapidamente, lançando shurikens em suas costas. Sakura desviou de todas as três rajadas, mas da última que era dupla ela teve que saltar para não ser atingida. Quando o fez, perdeu a atenção por um minuto na mulher metros a frente e olhou para Tora; esse foi seu erro porque a Uchiha cuspiu uma bola de fogo pela qual Sakura pensou que não seria atingida.

 

 

Não foi, porém do meio dela irromperam quatro espadas em sua direção. As quatro passaram rasgando sua carne em ambos os braços e nas pernas também. Ela deu um grito sentindo sua pele se render e a dor ardente. As quatro espadas cravaram em árvores, perdendo-se no meio do bosque.

 

 

‘Sem essa de chorar, Haruno!’ Inner a incentivou com um grito firme em sua mente, com o punho direito fechado e levantado. “Shannaro!" Ela gritou e atingiu a terra com seu mais potente soco.

 

 

Como se fosse um terremoto, o campo estremeceu e se partiu. Foi uma devastação e o estrondo da terra de abrindo foi gigantesco. Ela pode ouvir Tsunade gritando “Minha garota!” para ela e de longe a viu dar pulinhos de alegria com as mãos ao redor da boca para ser ouvida por Sakura.

 

 

Jiraiya e Dan tinham a boca meio aberta e um olhar deslumbrado. Danzō se afundava em ruminações sobre quem ela era, a dimensão de seu poder, astúcia e os novos planos que tinha para a Haruno. Já Hiruzen tinha um sorriso fácil estampado no rosto, lembrou-a muito de Hashirama e ela não sabia porque o Shodaime lhe vinha na cabeça naquele momento.

 

 

O Hokage tinha as mãos juntas em um selo para segurar a terra de se partir além dos limites do campo. Nisso, Sakura lembrou-se que mesmo sendo o campo mais retirado, ainda assim poderia ter causado estragos sérios em Konoha, se ele, Dan e os Sannins não estivessem prontos para conter a catástrofe sísmica que ela quase causara.

 

 

Todas essas observações, ela fez em milésimos de segundo. Mas, distraiu-se, mesmo assim.

 

 

croac croac, cuá!

 

 

O grito do falcão atingiu seus ouvidos, chamando sua atenção para suas costas e foi aí que ela viu as quatro espadas vindo para sua direção, novamente. Elas eram puxadas com tamanha velocidade e força que zumbiam no ar.

 

 

Ela preparou-se para desviar delas, contudo, Tora piscou, aparecendo em suas costas e lhe desferindo uma rasteira. Sakura saltou e ele saltou junto, ambos trocaram golpes. Tora era muito habilidoso em Taijutsu (tanto quanto Lee, pareceu para a Haruno), isso seria complicado… e  ele nem tinha acionado seu sharingan ainda.

 

 

 

Os dois caíram e Sakura acabou por rolar com ele no chão. Conseguindo agarrar o colete ANBU que ele usava, a Haruno o girou no ar, arremessando-o contra uma árvore. Porém, mal ele bateu com força contra ela, o shinobi piscou o corpo e já apareceu lhe desferindo um chute direcionado a sua cabeça.

 

 

Sakura ergueu ambos os braços para proteger o crânio do impacto com o pé dele e logo que ele girou para lhe chutar, novamente, ela teve um flash de seu sonho/delírio com Madara e o viu sorrir antes de agarrar sua perna e girá-la no ar para lançá-la.

 

 

A kunoichi se espantou com a genialidade da lembrança e imitou, fielmente, os movimentos do Uchiha; segurou o tornozelo de Tora com a mão esquerda e a coxa com a direita. Obviamente, Tora fez o mesmo que ela, levou a perna esquerda mais para trás, na intenção de tomar impulso e chutá-la. Mas, urrou quando sentiu Sakura descarregar um potente choque em sua perna.

 

 

Ela o soltou e Tora caiu, apoiado na perna direita e segurando a esquerda que ela feriu. “Você poderia pegar mais leve, criança estou velho para essas coisas” Ele dramatizou como se de fato tivesse sido demais para ele. Não foi.

 

 

Nesse exato momento as espadas chegaram e ele girou desviando de uma, Sakura chutou duas em direções opostas, rapidamente. Já a terceira ela teve de se abaixar para não lhe cortar a garganta. Fukurō apareceu uns 8 metros atrás de Sakura, recebendo as espadas em dois pares em cada mão. Então veio correndo para Sakura.

 

 

Tora retirou a katana de suas costas e mesmo com uma perna comprometida se pôs em guarda, ao lado de Sakura. A Haruno admirou-se de sua postura incólume; o pé dele mal tocava o chão, mesmo assim seu equilíbrio era perfeito. Ela não entendia, pelo jeito seria necessário muito mais que isso para colocar aquele Uchiha de joelhos.

 

 

E era isso que ela faria… se Kami permitisse que eles não ligassem o seu Doujutsu.

 

 

 

Fukurō se aproximou dela e assustou-a quando abriu os braços e as espadas aparentemente flutuavam à sua frente como se fossem uma defesa. Ela continuou correndo e Sakura, se desfazendo do espanto, correu para encontrá-la, com os punhos carregados de chakra não só para ataque, mas para proteger suas mãos das lâminas.

 

 

Quando se encontraram, Fukurō girou as duas espadas da direita para atingi-la no peito e na garganta e as espada da esquerda para atingi-la no abdômen e nas pernas. Sakura se abraçou e deu um pequeno salto girando o tronco para ficar na horizontal como se deitasse no ar por alguns segundos e as quatro espadas extremamente afiadas cortaram o ar, ruidosamente, acima e abaixo dela.

 

Fukurō puxou um dos pares para suas mãos e girou o outro, longamente, fazendo com que passassem por Sakura que desviou delas novamente. O chakra dela parecia fluído como o de Sasori e aquelas espadas eram suas marionetes. Que grande problema era aquela mulher. Aquele casal era um problema.

 

 

Vendo que a ‘Uzumaki’ era muito boa em esquiva, Fukurō retornou o outro par de espadas para duas mãos e os uniu novamente. Com isso ela ficou com duas espadas duplas e veio para a mulher de cabelos rosas, ficando próxima dois metros e meio.

 

 

Ambas se encararam com um sorriso. A Haruno com os punhos levantados e a Uchiha com suas armas duplas abaixadas de cada lado do corpo. Fukurō era mais alta que Sakura e agora mostrava uma postura mais decidida e deveras… extasiada, aquecida pela batalha ela parecia eufórica quando cruzou as espadas na frente do corpo e abaixando-as, lentamente, apontou-as cruzadas para Sakura.

 

 

“Eu e você, quero medir forças com você, Yūrei”

 

 

Sakura, que antes sorria, perturbou-se, instantaneamente. Com o cenho levemente franzido, ela fitou a Uchiha em visível confusão.

 

 

“Não peça explicações, lute!”

 

 

Fukurō avançou para ela, sem dar-lhe tempo para pensar mais. Sakura segurou as quatro espadas com ambas as mãos. Se não fosse pelo chakra, ela teria tido suas mãos dilaceradas. A força da Uchiha era impressionante, lembrava sua mestre. A Haruno sustentou a investida das espadas em sua direção, mas para isso cravou os pés no solo. Não adiantou porque a outra mulher continuou empurrando com tanta força que as lâminas quase tocavam o rosto da ninja do time 7.

 

 

Aquele duelo de forças estava tão intenso que o aço samurai das armas começou a estalar e Sakura sentiu o chakra que as envolvia ondular. Então, o último e maior estalo veio e as quatro lâminas se partiram em conjunto e a força sobressalente de Fukurō empurrou os punhos das lâminas quebradas para o peito e braços de Sakura.

 

 

Foi tudo tão rápido que a garota de 16 anos apenas pode interpor as mãos na frente da garganta para não ser atingida nas artérias e os antebraços na frente do peito para proteger o coração e o que mais pudesse. Ela foi empalada com tanta força e o chakra de Fukurō era tão cortante que aquilo foi muito pior do que ser atingida por Madara na Quarta Guerra.

 

 

Sim, muito pior. Uchihas e suas manias de furá-la com armas mortais.

 

 

Fukurō vendo Sakura atravessada com os quatro pedaços de aço restantes e o sangue começando a brotar profusamente de seu colete ANBU, assustou-se. “Kami, eu não queria!” Ela se desesperou. “Tora, me ajude!” Ela gritou para o marido, visivelmente abalada.

 

 

Tora reagiu ao mesmo tempo que a dor atingiu Sakura. Os efeitos da adrenalina passaram e seu cérebro explodiu em dor e o sinal vermelho de alerta começou a bagunçar tudo.

 

 

De longe, até mesmo o Hokage, Danzō, Dan e os Sannins estavam paralisados pelo espanto. Se sobressaltaram apenas quando o grito de Sakura soou estridente. Tsunade despertou milésimos antes dos que acompanhavam e correu para acudir sua discípula.

 

 

Piscou para ali tão rápido que assustou até Tora. Fukurō, desesperada, avançou para segurar as mãos ensanguentadas da ‘Uzumaki’. Sakura sentiu suas pernas falharem e caiu ajoelhada. Tsunade chegou bem a tempo de segurá-la pela cintura para amortecer sua queda.

 

 

“O selo! Libere!” A Senju gritou para sua discípula, em suas costas enquanto a segurava.

 

 

A Haruno teve um choque com o grito abafado de Tsunade em seus ouvidos e muito rapidamente tentou processar as palavras. Liberar o selo, ela precisava liberar o selo. “Sakura!” Tsunade gritou para ela, puxando os braços dela e afastando-os de seu peito sacudiu-a.

 

 

Só então ela voltou a situar-se no ambiente e no tempo. Bem a tempo de olhar para os rostos de Fukurō e Tora e vê-los passarem de preocupados para espantados. Algo parecido com um vapor começou a subir na frente de sua visão e ela olhou para baixo. Seguiu-o até a origem em seu peito e viu que saía pelo material rompido pelas espadas.

 

 

O Sangue ainda descia, lentamente, mas ela não sentia mais a dor, parecia até que estava anestesiada. Fora a mesma sensação que tivera no dia que lutava com os Iwa, no entanto agora parecia muito, mas infinitamente mais poderosa. O chakra de Hashirama agora circulava em seu corpo, fazendo com que os cortes fossem quase que instantaneamente curados. Isso assustou os dois ninjas do sharingan…. (Sim eles acharam um motivo para ligarem seus olhos vermelhos)... dava para ver seu espanto velado, a julgar pelos olhos que se arregalaram brevemente.

 

 

Tsunade a sentou na grama e rompeu os fechos do colete ANBU que a Haruno usava, com violência. “Seu chakra daria conta de estancar o ferimento, mas precisamos tirar os fragmentos de você. Ative o selo para estancar o sangramento mais rápido, Sakura!” Ela pediu, olhando em seus olhos e segurando-a por ambos os ombros.

 

 

A Haruno que estava ainda muito desconcertada liberou seu selo e as faixas pretas, suas conhecidas companheiras, viajaram por seu corpo, desta vez brilhando em um tom de verde limão também. Era uma mistura visualmente ainda mais imponente.

 

 

‘Quanto poder ela ainda não domina?’ Perguntou-se Tora, ao analisar, friamente, o chakra da garota de cabelos rosados sentada no chão e ensanguentada a sua frente.

 

 

A Sannin médica, que estava arqueada de frente para Sakura, voltou-se e apontou para Fukurō, que estava atrás de si, segurando, sutilmente, as mãos em apreensão. “Venha e segure-a pelos ombros. Firme-a no lugar para que eu possa puxar as espadas!”

 

 

A Uchiha de cabelos roxos obedeceu prontamente. Tsunade arrancou as espadas, uma à uma do peito da de sua discípula, rapidamente, e arremessou para qualquer canto que fosse o colete dela. Finda a remoção dos fragmentos das armas, ela e os dois ANBUs viram, maravilhados, as incisões na pele da ‘Uzumaki’ se fecharem tão logo foram vistas.

 

 

Aquele poder de cura era como nada visto a décadas para a Senju e como nada jamais presenciado para o casal Uchiha ali presente.

 

 

Tsunade sorriu para Sakura e ajudou-a a levantar-se. Sua discípula sorriu de volta e meneou a cabeça em sinal de que estava bem novamente. A Senju afastou-se mais alguns passos e olhou para os dois Uchihas atrás de si, com um olhar de advertência. “Precisam prestar mais atenção à dimensão de sua força quando estão em um spar com seus companheiros,  Fukurō e Tora”

 

 

“Devidamente anotado, Tsunade-san” Tora assentiu em reconhecimento e respeito.

 

 

Tsunade olhou para a esposa dele esperando sua confirmação também. “Não costumo dizer isso... mas você tem razão, Senju...” Tsunade bufou com a graça que era ter a convencida Uchiha de cabelos roxos, admitindo que ela tinha razão em algo. “...Tratarei de forjar melhor meu aço da próxima vez”.

 

 

“Talvez seria bom não se meter em um campeonato de xixi tão cedo também, não é?!” A médica piscou para ela e deu-lhe as costas, deixando-a com olhos estreitados em razão de sua declaração audaciosa.

 

 

Fukurō virou-se para Tora, ao ouvi-lo soltar um risinho. Ela estava indignada com seu marido troçando dela também, mas não tinha o que dizer para fazê-lo cessar o divertimento às suas custas. Olhou para o céu e observou que o falcão havia ido embora, aparentemente. Então, pediu a kami paciência e mais sorte da próxima vez.

 

 

‘Mas, que lâminas amaldiçoadas… a minha diversão estava só começando… finalmente encontrei uma oponente tão digna quanto Tsunade e a velha Chiyo. Terei de esperar mais um pouco, paciência… Kami me dê paciência!’  A impetuosa mulher Uchiha pensava.

 

 

Ela postou-se ao lado do marido, a luta deles estava praticamente encerrada. Tanto Sakura (que havia desativado seu jutsu) quanto Fukurō e Tora, fizeram o sinal de reconciliação.

 

 

Porém, no momento em que Sakura deu as costas, virando-se para Danzō e Hiruzen, ela viu o concelheiro erguer a mão direita com o dedo indicador e o médio em evidência. Ao sinal do conselheiro, 20 ninjas da Ne tremeluziram o corpo e, pousando no chão, rodearam os dois Uchihas e Sakura. Isso deixou claro que sem as ordens de Danzō, nenhum dos três passaria por eles.

 

 

Novamente em guarda, Sakura e os Uchihas ficaram de costas um para o outro e formaram um círculo como se fossem um time. A tensão tomou os três shinobi de forma que a Haruno podia sentir o chakra deles nervoso e sombrio, no entanto, eles aparentavam calma.

 

 

Logo eles ocultaram suas energias de todos. Somente Sakura pode sentir a tensão neles. Para todos os outros ali o casal parecia não se importar com a óbvia ameaça à sua volta. Para quem os observava ao longe, a única coisa que mostrava que eles se importavam eram as Katanas e a postura em guarda.

 

 

A Haruno roçou o punho da mão direita contra a palma da esquerda e começou a se preparar para uma nova luta. A julgar pela severidade no olhar deles, Sakura poderia precisar recorrer ao seu selo mais uma vez.

 

 

Um silêncio estarrecedor pairou no campo, durante alguns segundos. A kunoichi de cabelos róseos, cansada e coberta de suor encarou Danzō a alguns metros a frente, ele sustentou o olhar dela, sem receios. A Haruno mudou seu olhar para Hiruzen e os Sannins postados ao lado do Hokage. Os três também estavam prontos para agir, embora discretamente mantivessem a postura de guarda alta.

 

 

Sakura viu que Hiruzen olhava para longe, concentrado parecia planejar algo, calmamente. Aquele clima de suspense estava insuportável, ela cerrou os dentes com força para dissipar o ímpeto de descarregar um soco de chakra em um deles para abrir caminho.

 

 

Quais eram as intenções do conselheiro e porque o homem a ameaçava a ela e aos dois Uchihas. Bem, a questão dele com o clã Uchiha Sakura entendia. Mas, nenhuma das indagações apreensivas dela foi capaz de responder como e se, ela foi descoberta.

 

 

Haveria outro motivo para que a kunoichi atraísse as desventuras da inimizade de Danzō? Ninguém sabia.

 

 

O coração de todos, fora os ninjas de Danzō e o próprio homem que eram frios e cruéis, batia acelerado e a adrenalina correu nervosa no sistema de todos.

 

 

Era nítida, para Sakura, a força com que Fukurō apertava o punho de sua espada e tensinava os músculos da coxa ao mesmo tempo. A tensão que emanava em ondas entre eles naquela calmaria típica antes de um ataque, foi repentinamente rompida, repentinamente, pelas palmas de Danzō.

 

 

Palmas lentas que soavam ironicamente.

 

 

Mesmo assim, foi melhor do que continuar sem ninguém se manifestar.

 

 

Finalmente Hiruzen olhou para seu 'amigo'. "Qual o motivo 'dos seus' estarem aqui, Danzō?'

 

 

"Quero eu fazer o meu próprio teste, se me permite… Hokage-sama". Respondeu sem o fitar.

 

 

"Já os viu em ação, não foi suficiente? Meus shinobis precisam repor as energias agora, não há mais o que provar."

 

 

"Quero testar o desempenho deles como um esquadrão e sob ataque inimigo…" Ele fez uma pausa, todos tinham o cenho franzido em desagrado pela ideia. Mas, quando o ancião completou a frase, o espanto ficou nítido nos olhos de todos.

 

 

" ...Em situação de perigo real."

 

 

Os três Sannins avançaram um passo à frente em resposta instintiva, mas foram parados pelo aceno do Hokage com a mão que segurava o seu cachimbo.

 

 

"Eu cuido disso" Ele sussurrou para os três, meneando a cabeça.

 

 

Jiraiya assentiu discretamente e olhou para Orochimaru e Tsunade, acenando para que recuassem com ele, por enquanto.

 

 

A afirmação do ancião não foi melhor recebida pela ninja de cabelo violeta e seu marido, eles sabiam muito bem quem ele era. O mesmo para Sakura, que estremeceu internamente, imaginando o que poderia ter sido orquestrado pela mente abominável daquele ser.

 

 

"Temos na Ne algum efetivo que precisa ser avaliado também, então pensei: 'Que melhor teste haveria do que combater contra dois Uchihas e uma med-nin usuária de Mokuton e do Byakugou?'. Nenhum outro, é claro!"

 

 

Sakura congelou. Havia sido descoberta e não sabia como.

 

 

Hiruzen estava a beira de perder a paciência com a dissimulação do Shimura, contudo, manteve a calma. Não conseguiria nada, enfrentando o Homem diretamente.

 

 

“Hoje não, Danzō. Abram caminho para que eles passem!” Hiruzen ordenou e os ninjas da Ne olharam dele para seu líder.

 

 

Danzō, relutante, assentiu com a cabeça, permitindo que eles fossem liberados. ‘Hoje não...desta vez ainda não’.

 

 

Os ANBUs Ne abriram caminho em formação de honra para que Sakura e os dois Uchiha passassem. Essa formação consistia em duas fileiras de dez ninjas de cada lado e era uma tradição na ANBU para demonstrar respeito a ninjas habilidosos após a demonstração de suas habilidades.

 

 

Sakura queria passar por último, mas Fukurō empurrou-a pelas costas, levemente, colocando-a à frente. “Você merece, apesar de não ter visto tudo o que tens e de saber tu és ainda muito jovem, fostes um páreo a altura para nós”.

 

 

A Haruno olhou por cima dos ombros para o casal atrás dela, ambos lhe sorriram. Isso a confortou e a fez sorrir também. “A propósito, eu me chamo Riaru e minha esposa Tsuyoi. É uma honra finalmente conhecê-la, Yūrei” O homem lhe cochichou para ela com conhecimento de causa, seu olhar era firme.

 

 

Fukurō reproduziu o mesmo olhar para ela, sorrindo ainda mais largamente do que Tora. Ambos quiseram demonstrar que sabiam muito mais sobre ela do que ela mesma; e conseguiram. Atônita a Haruno se pôs a andar e assim os três atravessaram o corredor de honra, indo em direção ao Hokage.

 

 

Hiruzen despediu a todos, menos a ela, dizendo que precisavam conversar. Ambos foram conversando calmamente pelas ruas de Konoha, até chegarem ao alto da torre Hokage. Sakura queria a todo custo reencontrar Riaru e Tsuyoi para perguntar porque a chamavam de Yūrei, seria este seu novo codinome na ANBU? A jovem queria escolher, não pensou que teria de utilizar um nome escolhido por terceiros.

 

 

Yūrei. Fantasma, mas porquê fantasma, Hokage-sama?” Ela o indagou quando começaram a observar Konoha dali do alto. A visão era reconfortante e ao mesmo tempo amedrontadora. Era um mundo que Sakura não conhecia mais.

 

 

“A lenda do clã Uchiha” Hiruzen disse, enquanto ajeitava seu chapéu de Hokage. “Hn, não sei porque temos que utilizar um acessório tão incômodo” Ele pensou alto, demonstrando não dar muita importância ao assunto.

 

 

A Haruno bufou. “Com todo respeito, Hokage-sama, mas porque ninguém me fala tudo o que preciso saber? Porquê me dão informações aos pedaços, me deixam confusa e quando peço para saber de tudo, são evasivos?”

 

 

“Porquê ninguém sabe ao certo o que te dizer. Teoricamente você deveria saber muito mais que nós já que perambula pelo tempo desde a Era dos Clãs em Guerra, minha jovem” Sakura virou-se totalmente para ele. Tinha os lábios entreabertos e sua face demonstrava espanto.

 

 

Hiruzen virou-se para Sakura também. “Eu sei muito pouco sobre tudo isso, somente o que Kagami me falava quando éramos mais jovens, por isso não duvidei quando recebi os informativos de Tsunade e Jiraiya. Já Mito-sama, Mito-sama sabia que você estava vindo para nós. Isso deves perguntar a ela”.

 

 

Sakura abriu a boca para falar e ele levantou a mão, sinalizando para que esperasse. “Kagami falava muito sobre a mulher que assombrou seu clã ao longo dos anos. Disse que ela era, para alguns, bom presságio e para outros sinal de desventuras. Um espírito vagante, a alma da divindade que os Uchihas adoravam nos primórdios de sua história”

 

 

A Haruno inclinou levemente a cabeça para o lado, num misto de curiosidade e estranhamento com o que ouvia. Hiruzen retirou seu famigerado cachimbo do bolso direito de seu manto Hokage e começou a reabastecê-lo, enquanto continuava.

 

 

“O consenso é que ela parecia ter alguma ligação com a linhagem de Uchiha Madara, não se sabe qual, mas isso é tido como fato porque sempre que foi vista alguma coisa em relação a ele acontecia, mesmo que ele não estivesse envolvido. Quando ele morreu, ela desapareceu. Como sua linhagem acabou, não foi mais vista. Até…”

 

 

“Até agora”. Ela completou, murmurante e com a cabeça baixa. “Como podem ter certeza de que sou eu, Hokage-sama?” Ela fitou-o, preocupada.

 

 

“E não é óbvio? Porque ele se daria ao trabalho de salvar você? Por que ele a ouviu quanto ao destino de Orochimaru? Ele demonstra apreço por você. Um shinobi tão poderoso como meu antigo sensei Hashirama-sama… Uchiha Madara não faz as coisas ao acaso”.

 

 

“Eu.. tenho pensado nele ultimamente…” A kunoichi disse com um pequeno rubor surgindo em sua face.

 

 

Hiruzen sorriu, pois presumiu a ambiguidade na frase dela, mas não era isso o que Sakura quis ensinuar. “Hn, acho que ele também tem pensado em você”. O homem disse, reflexivamente. “Veja!” Ele apontou para o céu onde um Falcão Peregrino planava, majestosamente.

 

 

Sakura levantou a cabeça bem a tempo de ver o falcão dar alguns rodopios no céu e descer velozmente em sua direção, ele trazia algo em suas costas e foi ficando maior a cada vez que se aproximava.

 

 

Quando aterrissou, possuía o tamanho de uma criança de 10 anos de idade. Era um falcão negro, ela não imaginava que existiam peregrinos com aquela cor de penas.

 

 

“Saudações, Senju-sama. Trago um presente para minha senhora”. A ave lhe deu as costas mostrando um embrulho grande de tecido amarrado com uma corda de seda vermelha, finamente trançada. Havia dois pingentes dourados do símbolo do clã Uchiha.

 

 

Sakura nem se deu ao trabalho de perguntar porque agora era chamada de Senju, sabia que só receberia mais respostas vagas. Então, ao invés de questionar a ave que pelo visto era uma invocação, apenas meneou a cabeça em negativa.

 

 

Percebendo que ela estava relutante, o falcão decidiu esclarecer. “Não é o que está pensando. Apenas abra, por favor”.

 

 

A moça aproximou-se, com um olhar que exigia dele que não a estivesse enganando. O falcão manteve a seriedade em seus olhos igualmente negros, então ela abaixou-se para desatar as fitas que envolviam o embrulho na cor branca e o prendiam no corpo da invocação.

 

 

Quando ela o abriu, encontrou nele duas coisas: uma capa de seda branca esvoaçante e levíssima, com capuz também de seda, de tamanho suficiente para envolver seu corpo por inteiro e até os pés e um grande pergaminho de aparência antiga.

 

 

“São ambos presentes meus, senhora” O falcão curvou-se, reverenciando-a formalmente. “Rocco, aos seus serviços”.

 

 

“Eu já possuo uma invocação, Rocco-sama” Ela informou, respeitosamente, pois sabia que invocações não costumavam dividir um mestre.

 

 

“Apenas, Rocco, por favor, senhora. Katsuyo-san está ciente e me considera o suficiente para aceitar dividir seu mestre comigo. Afinal, o contrato conosco é inerente a sua posição, Senju-sama”

 

 

“Do que está falando, Rocco-s… Rocco?”

 

 

“Que eu e minha família existimos para proteger a matriarca Uchiha e sua linhagem”.

 

 

Desconcertada, Sakura desenrolou o pergaminho e fitou ali a impressão sangrenta de pequeninos dedos infantis do nome do último contratante de Rocco. Tremendo internamente pelo frio que sentiu, leu em letras negras finamente desenhadas: Uchiha Madara.

 

Chapter Text

 

 

A Senju entrou logo que as crianças se foram e sentou-se ao lado de Jiraiya ao lado da cama da rosada. Sakura observou que eles não olhavam um para o outro, mas estranhamente pareciam mais próximos. O que andou acontecendo no período em que estivera desacordada e enquanto apodrecia em sua cama?

 

 

 Ela estava louca ou realmente viu Tsunade espiando-o com o canto dos olhos e ele fez o mesmo, momentos depois? “Nossa! Que será que esses dois aprontaram, hein?” Inner cantarolou inclinada por cima de seus ombros.

 

 

Jiraiya iniciou a conversa. “Sakura, meus sapos encontram as crianças e nós as trouxemos para cá para podermos aplicar o selo em Nagato e porque, obviamente, não o levaríamos para Orochimaru em Ame...” Ela acenou em compreensão e ele continuou.

 

 

 “Enquanto você estava desacordada, conversamos muito sobre a ideia que me surgiu naquele dia e, somente a liberação de cristal (que não está acessível a nenhum clã de Konoha), poderia suportar as quantidades de chakra produzidas por Nagato.”

 

 

 “Mas, vocês têm outra alternativa eu vejo.”

 

 

“Sim, diríamos que por um golpe de sorte. Ou seria... por uma queda de sorte?”. Jiraiya pareceu divertido.

 

 

Tsunade revirou os olhos e então o repreendeu, sem fitá-lo, no entanto. “Foco, Jiraiya! Ou terei que explicar a sua parte também?”. O homem, sorriu com um sorriso de canto de lábios, divertido. “Kami!” Inner gritou nos ouvidos de Sakura e então falou pausadamente. “O que - foi - isso?!” ‘Eu não sei, estou tão perdida quanto você’.

 

 

O sábio continuou. “O chakra dentro de você é a alternativa. O chakra do Shodai é único denso o suficiente para materializar-se num arranjo atômico cristalino. Isso ou teríamos que procurar um Uchiha ou Uzumaki com energias suficientes. O que está fora de questão já que ninguém mais pode saber do que estamos fazendo aqui.”

 

 

Sakura franziu a testa. “Mas eu estava sofrendo de depleção de chakra, como terei o suficiente para materializar? Ainda mais do chakra do Shodai! Minhas bobinas estariam vazias se não fosse por ele!”

 

 

Ao ouvir isso, pela primeira vez Tsunade olhou para seu companheiro de equipe e ele retornando seu olhar balbuciou levantando os ombros “Ela ainda não percebeu. Não deve ter tido tempo suficiente para diagnosticar-se até agora. Acho melhor você explicar tudo antes que eu continue, Tsuna”.

 

 

“Não conseguirei ser breve por mais que queira, mas tentarei. A explicação é realmente extensa e complexa, mas, vamos lá!” A loira massageou as têmporas e então continuou.

 

 

“Quando você chegou senti o chakra do meu avô como numa onda gigantesca. Foi muito bom, mas avassalador ao mesmo tempo. Senti outros misturados, inclusive o seu, mas todos juntos formavam uma ínfima parte de toda a energia que vinha em ondas para mim nos primeiros segundos. Tanto que logo se esgotaram, exceto pelo do meu avô. Ele continuou chegando, mas cada vez mais fracamente. Foi muito difícil segui-lo…

 

 

...Quando chegamos até você, cogitei se não teria encontrado uma outra Senju também. Como não era me surpreendi quando o chakra dele pareceu ‘diluir-se’ tão perfeitamente no seu tão logo suas correntes foram se restabelecendo. Como se não bastasse isso, você quase se matou e gastou o pouco que havia produzido. Cinco dias em coma e o chakra dele ainda parecia estar aí. Mas, não mais dele propriamente e sim completamente seu. Seu sistema o está replicando. Provavelmente, terás acesso ao Mokuton também, Sakura."

 

 

“O quê? Como pode ser isso?... Até cheguei a ter a impressão de que crescia, mas isso seria impossível. Não é? A menos que eu fosse um organismo geneticamente modificado. Vocês devem estar com a mesma impressão que eu tive. Nossas essências estão apenas misturando-se pela semelhança de natureza”.

 

 

Jiraiya balançou a cabeça em negativa. “Se fosse isso a sua suplantaria a dele em pouco tempo”. Ele tinha razão. “Hn, mas não explica como eu estaria ‘replicando’ a essência de Shodai-Sama.”

 

 

“Mutação”. Tsunade respondeu de forma simplória e a cabeça de Sakura pendeu para o lado esquerdo em estranhamento. “Sim, mas não sou uma das experiências de Orochimaru-sama, shishou”

 

 

“Não, você é uma das experiências do meu Tio-avô e sua laia”. A Senju exclamou e Jiraiya desatou a rir. A loira continuou:

 

 

“Mover uma pequena partícula através do tempo e do espaço exige uma quantidade imensurável de energia (chakra) por isso meu avô e os outros Kages abasteceram o selo com a deles. A energia dos quatro foi a força propulsora por trás da sua viagem. A sua e de meu avô foi o que a trouxe até o resto do caminho”. A Haruno, recostada em seus travesseiros, assentiu meneando a cabeça para demonstrar compreensão.

 

 

“No entanto, acreditamos que o principal papel do chakra dele foi curá-la. Claramente eles não tiveram tempo de te explicar os pormenores, mas estimamos que eles sabiam que desprotegidas suas células se desintegrariam na viagem. Contudo, o que ninguém pareceu prever é que as suas naturezas eram as mesmas.... Muito embora eu acredite que eles sabiam sim desse fato e mais, que eles fizeram as coisas acontecerem dessa forma para que você recebesse esse poder para ajudar nossa aldeia. Então, mesmo que mediante o risco corrido, eles tentaram te dar todas os trunfos possíveis para que você completasse essa missão e protege-se Konoha”

 

 

“É muita responsabilidade” Jiraiya murmurou, pensativo e Tsunade fitou-o com o canto dos olhos. Sakura teve a impressão de ter visto os cílios dela tremerem e um pequeno sorriso se ensaiar no canto de sua boca.

 

 

A Senju fitou Sakura, novamente, tentando parecer séria. Mas, acabou corando levemente quando viu sua discípula sorrir, olhando dela para Jiraiya. Tsunade não podia negar que a presença de Jiraiya passou a afetá-la muito depois de saber sobre o futuro e da interação que tiveram no Engawa nos fundos daquela residência no Shikkotsu.

 

 

Jiraiya que conseguia manter sua pose, graças a sensação de vitória que o tomava, pigarreou. Ele tinha um sorriso ladino em seu rosto e vendo isso Tsunade se remexeu, levemente, em sua almofada e, se recompondo, retomou sua explicação. “Com um diluindo-se no outro e o chakra do meu avô sendo mais denso que o seu. A cura foi feita pelo dele e o transporte ficou a carga do seu, provavelmente do chakra armazenado no seu selo.”

 

 

“Diga-me Sakura, qual chakra você liberou primeiro, o das suas bobinas ou o do seu selo?” Jiraiya a indagou.

 

 

“Eles me pediram para liberar o das bobinas primeiro... e quando liberei meu selo senti que ele estava cheio só com a essência do Primeiro, tanto é que minhas marcas saíram verdes fluorescentes”.

 

 

“Aí está a prova de que o chakra dele ‘expulsou’ o seu, tamanha a densidade que possui”. Jiraiya gesticulou com uma das mãos para ela.

 

 

“Ok, mas ainda assim. Mutação em um nível em que minhas células mudassem minha essência, me mataria.”

 

 

“Você disse bem. Mataria, se fosse qualquer outro chakra. Suas células não só produzem energias das mesmas naturezas, como também estão acostumadas a moldá-las em chakra médico. Portanto, totalmente compatíveis. Mas, você está certa. Seria preciso uma mutação e isso, nos cenários mais ideais, a mataria ou deixaria com sequelas cancerosas. Isso se a energia que você recebeu não fosse curativa e seu sistema não estivesse adaptado a autocura devido ao selo Yin. Mover-se no espaço tempo com sobrecarga energética quase a desintegrou, todavia, quando você ativou a regeneração do seu selo, suas células foram criadas no ambiente do chakra do meu avô. A mutação foi instantânea e sem sequelas. Em resumo...”

 

 

Sakura em espanto interrompeu a Senju, murmurando como se quisesse se convencer do absurdo que era aquela informação. “Em resumo sou um ser totalmente novo. Um organismo geneticamente modificado.”

 

 

“Eu prefiro o termo ‘rato de laboratório’” Jiraiya riu dela.

 

 

“Odeio concordar com esse idiota, mas você fez o papel de uma cobaia, realmente. Se eu não estivesse em um casulo por causa do maldito cão Uchiha, provavelmente bateria em todos vocês, incluindo você e meu avô, menina! Sorte sua não ter virado uma bomba humana ou um amontoado de células cancerosas ou tostadas”. Tsunade ainda estava indignada.

 

 

Sakura inspirou várias vezes tentando se aclimatar a ideia do que eles estavam discutindo. “Eu não estou conseguindo encontrar a capacidade de raciocinar agora. Vocês podem apenas me dizer o que acham que vai acontecer comigo?”

 

 

“Vamos te manter nessa cama mais um dia até que seu chakra esteja completamente reposto. A demora é justamente porque suas vias se alargaram. Faça o diagnóstico de suas redes se quiser e comprove por si mesma. Com tudo o que você tem agora o selo Yin tornou-se um mero enfeite”. Tsunade fez uma pausa. “Use-o como uma reserva se quiser, mas duvido que precisará”.

 

 

“A menos que eu o evolua”. A Haruno pensou alto.

 

 

“Você terá tempo e muito combustível para tentar” Jiraiya sorriu para ela e Tsunade meneou a cabeça em concordância. “Você provavelmente se tornará a kunoichi mais poderosa de todos os tempos, Sakura”. Tsunade afirmou com um sorriso para a Haruno.

 

 

Jiraiya levantou-se de seu assento e sorriu para a Haruno. “Viu, você se tornou um rato de laboratório poderoso e rosado. Cristalizar chakra é só questão de prática”.

 

 

[...]

 

 

Após ter feito os pingentes de selo para Nagato. Sakura, as crianças e os Sannins retornaram para Ame. Durante os dias de viagem, ela tentava fazer crescer pequenas plantinhas no chão da caverna em que estavam - próxima à cidade mercantil de Tanzaku - caminho para Konoha- com sua habilidade recém adquirida. As crianças geralmente dormiam, quando não, ficavam à volta dos adultos brincando, ou prestando atenção ao que Sakura tentava fazer.

 

 

No início nada acontecia, ela chegou a pensar que seu chakra não conseguia se replicar exatamente igual ao do Shodai. 

 

 

"Droga, pensei que pelo menos madeira lisa eu conseguiria!" Exclamou ela, inconformada. "Yamato-sensei conseguia". Sakura fechou o pergaminho com a descrição dos jutsus Mokuton de Hashirama que Mito lhe enviara. "Tentarei novamente amanhã".  Disse olhando para os clones de Jiraiya e Tsunade que estavam com ela para pernoitar junto das crianças. Naquela época eles tentavam enganar Orochimaru.

 

 

“Talvez seria mais fácil se você se concentrar mais, visualizando o quer fazer nascer”. Tsunade sugeriu para sua aprendiz.

 

 

“Hn, pode ser esse o meu erro”. Sakura disse, pensativa, com uma mão segurando o queixo. Então, juntou as mãos na mesma posição que Hashirama utilizava para seus jutsus de criação de florestas e, fechando os olhos, tentou visualizar uma pequena árvore. Ela forçou e forçou seu chakra, mas ainda assim nada acontecia.

 

 

Ao ver o esforço interminável da Haruno resultando em absolutamente nada, Jiraiya pensou em algo que talvez pudesse fazer sentido. “Tsunade, pode me explicar como é que vocês ninjas médicos sabem quais órgãos, tecidos e células precisam do seu cuidado?”

 

 

O clone de Tsunade, que estava recostado ao lado de Sakura, franziu o cenho. “Ora, pelo diagnóstico de chakra, é claro.” Jiraiya assentiu para ela sem dar maiores explicações, e ela ficou curiosa.

 

 

Enquanto isso, Sakura continuava seu esforço mental. Nem uma única partícula de terra se movimentou, nem mesmo água condensou do ar como resultado de erro nas proporções de cada elemento. Então, poderia ser que ela nem estivesse conseguindo a tal água para começo de conversa. Aquilo era frustrante.

 

 

"Desembucha, Jiraiya! O que quer com o jutsu médico?” A Sannin tirou seu companheiro de suas reflexões.

 

 

O clone de Jiraiya levantou-se e, saindo, lhe disse: “Espere um pouco. Já trarei a resposta”.

 

 

Sakura, que acompanhava a conversa dos dois, mesmo sem se desconcentrar das suas tarefas, parou o que fazia e abriu os olhos para ver o jovem sábio dos sapos sair da caverna a passos lentos. Ela olhou para Tsunade, como se pedisse explicação, e a mulher deu de ombros, demonstrando que não sabia o que poderia vir dali.

 

 

A jovem Haruno retornou aos seus esforços; em alguns minutos o homem retornou trazendo consigo duas mudas, uma na palma de cada mão, e ainda com uma boa quantidade de terra. O jovem de juba branca depositou-as no chão e com um graveto fez uma cova para cada uma, plantando-as em seguida.

 

 

Elas ficaram ali, uma ao lado da outra, no espaço que havia entre Jiraiya e as mulheres. Após alguns segundos, Tsunade, impaciente, se manifestou. “Bom, a paisagem melhorou consideravelmente com a exibição de seus dotes de jardinagem. Agora, por favor, pare de enrolar e diga de uma vez no que está pensando, Jiraiya”.

 

 

“Seu avô era de certa forma um ninja médico, não era Tsuna?”

 

 

“Meu avô não se especializou nas técnicas de cura, ele apenas aplicava seu chakra nas pessoas e ele fazia o resto. Não precisava moldá-lo porque sua energia era curativa, então a designação de med-nin seria incorreta, apesar de ele conseguir curar”.

 

 

“Mas, ele sabia utilizar o diagnóstico?” Jiraiya perguntou com real curiosidade.

 

 

“Sim”

 

 

Nessa altura da conversa, tanto Sakura quanto Tsunade já começavam a entender o que poderia ser a ideia de Jiraiya. Ele então apontou para ambas as mudas de plantas entre eles. “Acho que visualizar o que você quer criar seja um bom começo…” Ele fez uma pausa e então sentiu necessidade de acrescentar: “...com chakra”.

 

 

Ambas sorriram e Sakura, que vestia as roupas emprestadas de Tsunade, ajoelhou-se na frente de ambas as plantinhas. A med-nin já tinha as palmas das mãos brilhando em verde e as movimentava ao redor de cada uma, ao longo dos frágeis galhos e pequenas folhas. Percebeu, rápido, o quanto cada uma era diferente da outra e ainda assim suas células primitivamente semelhantes às humanas. Aquilo era muito belo de se observar!

 

 

“Agora que conhece a nível celular o que quer criar, tente nutri-las com sua essência para que cresçam. Entenda como elas crescem, onde a sua energia surte o efeito desejado por você, só aí volte para aprender a moldar o chakra em algo vivo. Conhecendo como elas são, você saberá o que quer criar, em que moldar sua energia; Descobrindo como nutri-las e estimulá-las saberá como manter essa vida, saberá transformar seu chakra em vida…. criar vida”. O sábio dos sapos explanou a sua ideia para uma Sakura que ficou surpresa com inteligência do raciocínio dele.

 

 

“Sakura, o que está esperando? Comece logo, quero ver essas mudas se transformarem em árvores antes do pôr do Sol ainda?!” Tsunade falou para sua discípula que ainda refletia nas palavras de Jiraiya.

 

 

“Sim, shishou!” Ela respondeu com determinação, meneando a cabeça. Então começou a aplicar sua essência nas plantas.

 

 

Foram várias tentativas, no início era energia demais e elas mirravam. Jiraiya trazia novas mudas e as plantava à sua frente, novamente, para que ela não se distraísse. Com o passar do tempo elas começaram a ficar retorcidas e o crescimento não era muito notado. A noite chegou e aquele dia se foi. Outros dois vieram e a Haruno já estava conseguindo fazer as mudas crescerem. Porém, uma mais que a outra.

 

 

“Porque a muda de cedro não quer mais responder?” Sakura perguntou no segundo dia, enquanto aplicava chakra nas mudas de árvores com uma mão voltada para cada uma.

 

 

“O cedro é uma madeira forte, talvez exija muito de você. Vá devagar, já fez um grande progresso. Por hora, tente trabalhar com materiais mais maleáveis, perderá um pouco de resistência, mas poderá compensar fazendo com que se multiplique em grande quantidade. Além disso, ganha a maleabilidade a seu favor nas lutas”.

 

 

Sakura olhou para a muda de cedro com um pouco de indignação. ‘Você não perde por esperar, logo voltamos para você! Shannaro!’ Inner exclamou, dando voz à indignação das duas, em sua paisagem mental. Sakura virou-se para a cerejeira e decidiu que investiria mais naquela espécie, afinal ela parecia responder melhor.

 

 

A Haruno viu que tomara a decisão acertada quando aplicou sua atenção e chakra apenas aquela muda. A cerejeira ainda um pouco retorcida, parecia um bonsai. A ninja forçou o quanto pode e viu que as delicadas e minúsculas flores começaram a surgir. Sakura tomou um susto quando se deu conta do que fazia e um sorriso tomou conta de seu rosto.

 

 

“Shishou! Jiraiya-sama, vejam!” Ela chamou-os, eufórica, e as três crianças vieram correndo para ela com o sábio e sua sensei logo atrás.

 

 

“Sakura-chan conseguiu!” Konan exclamou com olhos brilhantes. Jiraiya e Tsunade se curvaram para observar o pequeno bonsai de cerejeira todo florido e sorriram.

 

 

Aquela noite Sakura passou em claro, treinando com várias mudas de cerejeiras e então com rosas. As cerejeiras que já não seriam mais utilizadas, ela as plantava do lado de fora da caverna e o mesmo com as rosas. Jiraiya e Tsunade se perguntavam como as cerejeiras respondiam tão bem a energia da Haruno, aquilo era incomum. Ambos sabiam que a resposta do cedro era mais coerente, pois era normal a demora no aperfeiçoamento do jutsu.

 

 

No entanto, a cerejeira parecia responder quase que instintivamente ao chakra de Sakura.

 

 

Os sannins resolveram deixar para pensar nisso mais tarde. Então, passaram a pedir à jovem ninja que tentasse aprimorar o florescimento das espécies para utilizar o pólen e o perfume delas, tanto para veicular seu chakra curativo quanto para envenenar o ar. Aquele jutsu seria sem dúvida uma carta na manga para ela e para a Konoha.

 

 

Sakura teve enorme facilidade em trabalhar com as rosas e com todas as outras flores, conseguindo inclusive criá-las. No entanto, quando se tratava de árvores, somente as cerejeiras respondiam.

 

 

No dia em que antecedeu o ataque de Orochimaru, com a ajuda das descrições de Hashirama e as dicas dos clones dos Sannins, Sakura conseguiu fazer crescer mudas de cerejeiras e uma delas se tornou uma bela árvore no centro da caverna. A mais nova usuária do estilo Mokuton de Konoha conseguiu evitar que sua cerejeira florescesse precocemente e a fez ficar do tamanho de Konan.

 

 

Konan? A garotinha estava radiante ao lado dela, Nagato e Yahiko observavam tudo com atenção e uma enorme vontade de aprender, mas eles ainda eram mais retraídos. Os meninos tinham maior facilidade de conversa com Jiraiya e Sakura só esperava que no futuro eles não se tornassem pervertidos também.

 

 

Com as rosas, ela obteve maior sucesso na veiculação do seu chakra na forma de essência curativa, ela também podia intensificar seu perfume e se quisesse usá-lo para mascarar o veneno que faria a espécie produzir. O pólen de outras plantas naturalmente venenosas era ainda mais fácil de trabalhar.

 

 

Mas, os caules das roseiras venenosas com seus espinhos e maleabilidade seriam muito úteis já que poderiam envolver nas vítimas, prendê-las e perfurá-las com espinhos semelhantes aos senbons, se assim a ninja preferisse. Talvez um dia a kunoichi conseguisse lançá-los a grandes distâncias também? Um estoque de armas afiadas, venenosas e mortais. Aquilo seria interessante.

 

 

Poder intensificar o perfume ou escolher a cor das flores que criava não parecia uma coisa tão importante inicialmente, até ela usá-lo com Madara no que ela tempos depois custou acreditar que era realidade e não sonhos/delírios.

 

 

O que deu nela para pensar que conseguiria convencer Madara com algo tão simplório e inocente, ela não sabia. No entanto, ela sabia que não queria recorrer a ataques com ele, Sakura queria tê-lo ouvindo-a, fazer aquele ninja poderoso parar e ouvir as coisas que ela possuía para contar. A Haruno somente não esperava que estar perto dele fizesse a agir daquela forma que ela só poderia chamar de enfeitiçada.

 

 

Jashin e Yume agiam para que as coisas fossem daquela forma, que Jashin criava as situações e as ocasiões, enquanto sua amante forçava a mão sobre o destino e os sentimentos dela. A deusa não podia alterar suas vontades, mas fez o que pode para que novos sentimentos conquistassem espaço no coração da Haruno. Uma certa segunda personalidade também facilitou muito as coisas, Inner apaixonou-se muito mais facilmente, haja visto Madara possuir algo que ela amava a algumas eras.

 

 

Assim como Yume disse, em todos os tempos jamais existiu ligação mais forte. Restava apenas que o coração de Sakura se dobrasse e ela escolhesse à qual encarnação ela se entregaria.

 

 

Quando Orochimaru iniciou sua investida na madrugada daquele dia tão confuso, Sakura partiu com as crianças, imediatamente. Uma pequena muda cerejeira com galhos retorcidos permaneceu plantada no centro da caverna, ao lado da maior. Aquela muda foi retirada por Rocco, alguns dias depois. O falcão levou-a em suas garras para seu senhor, quando viu o que o falcão trazia, Madara remexeu-se em seu assento na caverna.

 

 

O homem entreabriu a boca, mas segurou-se para não rejeitar o presente. De sobre os ombros de seu senhor, Rocco no tamanho de um jovem falcão, sussurrou para o velho Uchiha de olhos vermelhos em virtude da emoção que fluía de seu velho interior:

 

 

“Eu poderia conseguir seus olhos novamente e trazer um sacrifício para seu jutsu, meu senhor. Use-o para voltar aos seus tempos áureos e começar uma nova vida com sua flor, Madara-sama”. A invocação era muito persistente, nunca deixou de ser.

 

 

“Somente isso me basta. Não colocarei meus planos em risco por sentimentos juvenis e ingênuos. Há muito que não sou mais aquele homem... Deixe-me sozinho agora. Obrigado pelo presente, Rocco”. O Uchiha falou com sua voz normalmente baixa e taciturna. Ele não demonstrou que sentiu seu coração apertar, que seu interior se aqueceu e as lágrimas insistiam em querer descer.

 

 

Madara só chorou quando criança e por seus irmãos. Mas, ver aquela moça de cabelos rosados novamente o fez lembrar dos sonhos e planos que fez quando mais jovem. O fez lembrar de quando ousou sonhar que as coisas finalmente se acertariam, que o mundo ninja teria paz… e que tanto ele quanto seu irmão poderiam se casar com boas mulheres e reconstruírem sua família na paz sonhada por ele e por Hashirama.

 

 

A Senju ainda era jovem e Madara descobriu por intermédio de Rocco que ela estranhamente viajava no tempo e possuía a missão de convencê-lo ou matá-lo. Sua flor viria para matá-lo um dia e ele morreria deliberadamente em suas mãos. Porém, se encarregaria de voltar e lançar o Tsukuyomi.

 

 

“Eu direi a Rocco para lembrá-la de o levar daqui quando eu me for e para dizer-te que tenho apreço por você…”. Ele pensou alto sobre a kunoichi, enquanto olhava para a pequena árvore em suas mãos.

 

 

Ele fez logo um pequeno vaso para acomodá-la e chegou terra às suas raízes. Ter a essência dela perto o confortava em sua solidão. Havia flores ali e ao sentir seu perfume mais lágrimas surgiram. O Uchiha, emocionado, admitiu internamente que sentia falta dela.

 

 

“Você será um belo bonsai, flor”.

 

 

Chapter Text

 

 

Anteriormente...

 

No dia em que Sakura esteve com Mito-sama visitando o parque Senju, algo diferente chamou a sua atenção. Pequenas flores azuis, milhares delas, formavam um tapete sobre um declive atrás de uma estátua. A próxima coisa a chamar sua atenção foi o monumento, era a representação de um homem ao lado de um grande lobo.

 

Durante a conversa com a gentil Uzumaki, várias vezes Sakura divagou olhando para o canto do parque onde o monumento do homem e do lobo estavam postados a frente do gigantesco tapete de flores azuladas. Eles pareciam ter alguma relação porque só vira aquelas flores ali, mas qual? Chegava a ser gritante a forma com aquele local ficou chamativo, a cor azul reinava ali e combinava com a imponência daquele que mais tarde ela descobriria ser Senju Tobirama representado na pedra.

 

Mito não demorou a perceber o olhar de curiosidade da Haruno para a direção do monumento então levantou-se e foi com ela para mostrá-lo a garota. Falar de sua velha amiga e de sua história aventureira e cheia de paixão com o Hokage mais ranzinza de todos os tempos, era uma oportunidade que quase nunca tivera.

 

Nem mesmo Hiruzen sabia de tudo, pois havia algumas coisas que as mulheres devem guardar como segredo apenas para elas e suas amigas. Aspectos da vida de uma mulher naqueles tempos que ao serem guardados eram em si um ato de compreensão e camaradagem feminina, além de não ser para o bico dos homens o que as mulheres pensam ou deixam de pensar sobre eles... muito menos o que elas falam sobre eles.

 

Agora vocês podem entender o porquê Mito nunca contou a ninguém a totalidade dos acontecimentos que envolveram sua amiga Safira e seu cunhado Senju Tobirama. Pouquíssimas mulheres de sua época tinham a mente e o espírito livres e capazes de compreender a forma como os dois arderam em paixão e viveram alguns dias muito felizes com apenas o céu e a loba Kaya como testemunhas.

 

“Venha, Sakura, eu quero te contar uma história...”

 

 

Mito finalmente, contou a Sakura uma curta história de romance, uma pela qual a Haruno apaixonou-se, imediatamente, e a deixou ao mesmo tempo sem chão ao pensar que um homem tão... frio como o Nidaime parecia ser, poderia se apaixonar intensamente por alguém.

 

Mas, a jovem médica entendeu o porquê ele se apaixonou, Safir era mesmo uma mulher admirável, uma aventureira. Ela tinha o espírito livre e isso em uma mulher era atraente para um homem de caráter forte como Tobirama. Safir era corajosa e impetuosa e isso lhe caía bem para aparência de uma mulher com seu porte físico.

 

Aquela mulher tinha um bom coração e obedecia somente a si mesma, era indiferente às leis impostas pelas sociedades tão restritivas de sua época e, novamente, isso combinava com uma mulher que andava na companhia de uma fera selvagem, um lobo de todas as coisas. Não que Kaya não fosse uma boa companhia, longe disso, mas que esse não costumava ser o animal que as pessoas escolheriam para dividirem seu espaço durante um dia frio de inverno dentro de uma caverna, quando a comida era escassa e os instintos selvagens da fera poderiam aflorar.

 

Safira era realmente especial.

 

“Eu conservo as Nemophilas florescendo para Tobirama e Kaya... é também uma homenagem para ela. Acho que assim os três estarão sempre juntos”. Após um longo silêncio, a princesa balbuciou para Sakura, sem fitá-la, enquanto olhava para as pequeninas e belas flores azuis a sua frente.

 

Mito contara à Sakura tudo o que sabia sobre a história de Safir, Tobirama e... Sora, o tesouro da dona de Kaya. A Haruno sentia-se emocionada com o que ouvira e pensava que se forçasse seus pensamentos sobre aquilo realmente derramaria algumas lágrimas, por isso resolveu direcionar o assunto para algo não tão emocional.

 

“A senhora usa um selo? Elas...” apontou para as flores com o queixo “...não deveriam florescer no inverno, Nemophilas são primaveris”.

 

“Sim, eu uso um selo. Ele deverá continuar ativo, mesmo quando eu me for...” A Uzumaki parou, franzindo o cenho como se tivesse percebido algo muito estranho. “Você deveria saber disso, meu selo não estava mais ativo em sua época, Sakura?”

 

“Na verdade, não me recordo de já ter visto Nemophilas no parque Senju ou mesmo em Konoha...” Sakura, franziu o cenho também e virou-se para encarar o perfil do monumento de Tobirama e Kaya, a sua direita. “... Na verdade, nem mesmo esta estátua existia na minha época. Eu me recordo de ser trazida aqui neste parque, quando criança, por meus pais para brincar e nunca vi nenhum dos dois, nem a estátua muito menos estas flores. Acredite, esta imensidão azul não passaria despercebida”.

 

“Isso é muito estranho, seria preciso alguém perito em Fuinjutsu para quebrar o meu jutsu, nem mesmo o Shinra-Tensei do Rinnegan o faria, pois este selo conserva as Nemophilas em uma dimensão própria para que elas jamais sejam arruinadas pelo tempo ou por qualquer intemperismo. Ele só é rompido pela equipe responsável pela jardinagem no parque para a manutenção e sei que nem eles ou qualquer outro teria interesse nessas flores. Elas só têm valor para mim”.

 

“É de fato estranho...” A Haruno então deu de ombros para toda a questão que não podia ser esclarecida e Mito fez o mesmo.

 

Apesar de que ambas notaram que essa era mais uma das discrepâncias entre as memórias de Sakura e os fatos da época em que ela estava. Apesar de parecerem apenas detalhes, havia várias coisas que não eram como Sakura se recordava de Konoha. As Nemophilas, a estátua, Safir... o ataque dos ninjas Iwa.

 

Sem falar que se Madara a conhecia a tanto tempo... e a amava, como diziam... e realmente parecia. Por que ele pareceu não a ter reconhecido quando se encontraram na Quarta Guerra?

 

Teria ela falhado em sua missão e posto tudo a perder?

 

“Talvez isso fez com que ele voltasse ainda mais afundado em ódio e decidido a acabar com a humanidade como ela é”.

 

A Haruno, rapidamente, afastou os pensamentos perturbadores sobre o Uchiha de sua cabeça e seguiu seu caminho com Mito-sama, de volta a residência da Uzumaki.

 

“Agora você tem seu álibi. Sabes toda a história até o nascimento de Yuki e Fusō. O resto podes inventar. Apenas não conte a ninguém que meus contatos em Uzushio descobriram que foram ninjas de Konoha que mataram Ise e Fusō. Isso traria confusão e a desconfiança sobre suas reais intenções para com a nossa vila. Os anciões e principalmente Danzō, pensariam que você nos espiona para inimigos”.

 

“Eu compreendo, Mito-sama”. Sakura afirmou, enquanto retirava suas sandálias shinobi para poder entrar na casa da Uzumaki.

 

“Ótimo. Por último, lembre-se de manter a calma e a compostura, independentemente do que possa ser dito ou decidido nas reuniões em que Danzō estiver presente. Ele é muito perspicaz e não podemos deixá-lo perceber seu disfarce. Também não podemos lhe deixar perceber que está pressionando os botões corretos para nos desestabilizar. Faça-o ficar no escuro quanto as suas emoções e intenções. Essa é a nossa melhor arma, minha jovem”.

 

 

[...]

 

 

Após o confronto com Fukurō e Tora, ainda sobre a torre Hokage...

 

 

Sakura havia finalmente enfrentado os Uchihas, que agora sabia se chamarem Uchiha Riaru e Uchiha Tsuyoi (vulgo Tora e Fukurō) e ela despedia-se de sua mais nova Invocação, Rocco. O falcão, repentinamente, ficou sério e se foi, depois de a reverenciar com carinho e apreciação. 

 

A Haruno devolvera a bela capa de ceda branca à bolsa em que ela viera embrulhada, juntamente do pergaminho da sua mais nova invocação. Sakura se viu radiante com a honra que seria ter Rocco e os outros falcões para apoiá-la e com todas as novas possibilidades de aprendizado e crescimento que teria agora.

 

Mesmo que uma parte dela evitasse a todo custo pensar muito se não teria sido aquele um presente de Madara. Estaria o homem realmente apaixonado por ela? Depois de tanto tempo e com tão pouco contato?

 

‘Não, impossível. Isso é apenas o que dizem, Madara não sentiu nada mais que mera atração física naquela época e me salvou agora apenas porque eu seria útil protegendo o portador de seus Rinnegan’.

 

‘Continue dizendo isso a si mesma, quem sabe se torne verdade... Não, não se tornará porque as coisas são o que são, flor”. Inner gargalhou na mente dela, mas interrompeu-se quando a voz do Sandaime soou nos ouvidos da Haruno.

 

“Continuamos nossa conversa outro dia, Sakura. Temos companhia”. Hiruzen olhou por cima dos ombros dela e Sakura entendeu que deveria sair. Ela virou-se e dirigiu-se para ir embora, já mergulhada em seus pensamentos.

 

No entanto, foi parada por Danzō que se colocou a sua frente. Ele era muito mais jovem, portanto, deveria ser um páreo mais difícil agora, mesmo assim ela sabia que se acertasse um bom soco nele, o tiraria de seu caminho facilmente. Encarando-o ela se deu conta de algo que não pensara até o momento, o Shimura não carregava faixas no corpo e ainda tinha os dois olhos intactos. Isso significava que talvez ele ainda não fosse tão perigoso e que ela chegara naquela época a tempo de fazer muita diferença.

 

“Suspeito que eu aqui seja o único não totalmente a par das novidades. Quero saber por suas palavras: Quem é você, discípula de Tsunade?” O conselheiro quebrou o silêncio que pairava entre os dois.

 

Eles estavam parados no início das escadas. Danzō se interpôs impedindo sua descida. Ela olhou para os lados, rapidamente, com o canto dos olhos. A direita havia uma parede na cor amarela e a esquerda o corrimão de metal e a vista de toda a vila.

 

“Bem, eu me chamo Uzumaki Sakura e nasci em Amegakure, meu pai era Ise de Ame e minha mãe Fusō de Uzushio”. Sakura respondeu aparentando impaciência, ao invés de nervosismo. Ela havia treinado muito com Mito para poder disfarçar suas expressões e enganar Danzō.

 

O homem a encarou com um sorriso convencido de quem mostrava saber que ela mentia. “Esse seu chakra, desmente sua descendência apenas Uzumaki, minha jovem. Você tem uma mistura com o Senju aí e por mais que tente, não pode escondê-la para sempre. Meus sensores foram capazes de descrever perfeitamente sua mistura. Na verdade, eu diria que você é mais Senju, Uzumaki mesmo só o garoto, tanto é que tens o Mokuton... aliás, por que nos privou do privilégio de ver a manifestação dessa esplêndida linhagem em ação? Eu me pergunto.”

 

“Não vi necessidade” Ela respondeu simplória, já não adiantava esconder algo de que ele claramente tinha conhecimento. “Quanto à presença de chakra Senju, seus sensores se enganaram”. Ela disse evasivamente.

 

“Humph. Não queira me fazer de bobo. O Mokuton não se manifesta fora do Senju e está entre os limites de sangue mais valiosos de Konoha, tal qual o sharingan. Além do mais, meus sensores não erram, eles são os melhores”.

 

Sakura cruzou os braços. “Entre seus sensores há algum Yamanaka ou Uzumaki?” Ela perguntou em tom sério.

 

“Não. O que isso tem a ver?”

 

“Então, não são os melhores. Eles estão errados” Sakura disse com audácia e viu os olhos do homem arderem em raiva. “Eu preciso me retirar, Danzō-sama” Ela acrescentou, deliciando-se em ver a raiva do homem, e demonstrou que queria que ele lhe desse passagem para que ela pudesse se ir dali.

 

Porém, foi com espanto que ela viu-se sendo segurada pela garganta e prensada contra a parede de madeira lisa do prédio Hokage. Hiruzen sentindo o chakra de Sakura ondular, virou-se para vê-la sendo segurada pela garganta por seu ‘amigo’.

 

O Terceiro se sobressaltou quando percebeu que o homem pressionava na jugular da jovem Haruno a adaga que o Shimura ocultava em um mecanismo da bengala que utilizava como disfarce.

 

“Ora kunoichi insolente, você certamente não recebeu a devida educação. Certamente não é Uzumaki porque se fosse aprenderia a respeitar seu líder e não mentir para um superior”.

 

“Eu exijo que a solte, Danzō!” O Hokage falou, severamente, de onde estava longe uns 200 m.

 

Danzō virou levemente a cabeça ao ouvir a voz do Sarutobi, foi então que Sakura segurou em ambos os braços dele e descarregou-lhes uma carga maciça de chakra. Ela aplicou a transformação para raiton que costumava utilizar para manobras de ressuscitação cardiorrespiratória e o conselheiro afastou-se, imediatamente, dela.

 

A intensidade do choque foi menor do que a que ela utilizou na perna de Tora, então não era mortal, mas foi o suficiente para deixar os braços do homem sem resposta muscular. Ele ficaria assim por cerca de 5 min o que bastou para que ela juntasse a bengala do chão e arremessasse para o Hokage.

 

A bengala foi até Hiruzen, rodopiando, e ele a pegou, sem deixar de encarar a Haruno, com um sorriso discreto no rosto. Percebendo que não havia se metido em grandes problemas, ela tornou-se mais confiante.

 

Então olhou para Danzō, que a encarava com ódio no olhar, e falou para o Hokage, sem desviar a atenção do Shimura.

 

“Eu aguardo as suas ordens, Hokage-sama. Até lá, voltarei para junto de Mito-sama e Tsunade-shishou. Quero lhes ser útil em algo, já que elas me abrigam em sua casa com tanta hospitalidade. Pois conheço quem verdadeiramente é meu líder e aquelas que são superiores a mim”. Sakura falou, firmemente, então olhou para o Hokage e, meneando a cabeça, se foi dali.

 

A kunoichi não se abalou com a raiva que o homem aparentava, fitou-o com audácia e imponência. As intermináveis cessões de imagens de um certo Uchiha que Inner a fez ver durante os últimos três dias somadas às memórias de Hashirama que pareciam ter se tornado as dela, pareciam surtir um efeito enorme em sua confiança.

 

Através delas Sakura sentiu como era ser um shinobi poderoso, um ninja experimentado na guerra, alguém que nascera com a responsabilidade de fundar uma nação e dirigi-la e, acima de tudo, alguém com a motivação para ultrapassar qualquer barreira pelo bem dos outros.

 

Hashirama e Madara se tornaram, assim como Naruto, Tsunade, Mito e mais tarde Tsuyoi, Riaru, Sakumo e Tobirama viriam a se tornar também, símbolos e inspiração para seu caminho Ninja. Haruno Sakura não recuaria mais diante dos inimigos.

 

Danzō forçou seus músculos e seu chakra através deles, até conseguir ter seus movimentos restaurados. Contudo, a dor em seus ossos e a dormência em sua carne ainda permaneceria por algum tempo. Mesmo assim, ele não deixaria para mais tarde para pôr seu plano mirabolante em prática.

 

O Shimura colocou-se ao lado de Hiruzen. O Hokage, estava definitivamente indignado com as ações de seu companheiro de time. “O que está havendo com você, Danzō? Não parece o homem comedido, sábio e estratégico que escolhi para ser meu conselheiro”.

 

“Aquela kunoichi me desrespeitou, logo a mim, seu superior. Se você não tivesse me distraído, Hiruzen, eu teria a ensinado seu lugar”.

 

O Hokage, soltou uma pequena lufada de ar e fitou ao longe os grandes portões de sua vila, olhou então para além, vendo o verde das árvores e o azul do céu. Aquilo funcionava para se acalmar e calma era algo pelo que ele vinha suplicando a manhã toda.

 

“Tomei uma decisão importante, Hiruzen, e vim pedir o seu apoio nela”. O Shimura interrompeu a meditação do amigo.

 

“E do que se trata, meu amigo?”

 

“Quero escolher para mim uma noiva. Alguém que seja capaz de gerar filhos fortes para Konoha e trazer o clã Shimura de volta aos seus dias áureos”.

 

“Posso saber o motivo dessa sua repentina decisão? Desde que seu pai e seu irmão faleceram você nunca mais falou sobre nenhuma mulher... não me diga que está interessado em Koharu?!” Hiruzen soltou uma gargalhada divertida, descansando os braços atrás de suas costas com as mãos juntas. Ele estava feliz por seu amigo, contudo se assustaria com o que ouviria em resposta.

 

“Ora não seja idiota. Para reestabelecer o Shimura preciso de uma esposa jovem e forte. Vim solicitar um contrato de casamento com Uzumaki Sakura”.

 

Assim que essas palavras foram pronunciadas, o crocitar estridente de Rocco foi ouvido e Hiruzen desviou o olhar de Danzō para ver o que se passava no céu. A ave dava várias voltas acima deles, o conselheiro que também parou de falar para observar a ave, franziu o cenho. Não costumava ver falcões sobrevoando Konoha, ainda mais falcões negros.

 

“Solicito uma reunião para amanhã no mais tardar às 10 h da manhã. Koharu e Homura também desejam que essa kunoichi revele suas verdadeiras origens. A verificação de sua descendência também é um dos procedimentos para que ela possa ser prometida em casamento a um líder de clã. Aguardo receber um ANBU com a sua confirmação, Saru”. Dizendo isso, Danzō deu as costas a um Hiruzen descontente e começou a retirar-se.

 

No entanto, quando o homem se aproximava para descer as escadas da Torre Hokage, Rocco despontou do céu em um voo rasante, perfurando os céus em direção a Danzō que havia esquecido da ave, pois julgara ser um falcão como outro qualquer.

 

Ledo engano, Rocco desceu tão velozmente que suas asas emitiram uma espécie de assovio ao cortarem o ar. Quando Danzō virou-se para ver o que era que se aproximava, se viu atacado pela enorme ave. As enormes e afiadas garras de Rocco afastaram os braços do homem que tentava proteger seu rosto em vão.

 

Sentindo sua carne ser perfurada pelas garras do falcão, o ninja tentou empurrar a ave para longe de si. Com isso, afastou os braços, desprotegendo o rosto, e Rocco aproveitou esse descuido para avançar e arrancar o olho esquerdo do Shimura.

 

“Argh! Maldito!” Ele urrou de dor e ódio. “Falcão maldito!” Danzō tinhas as mãos tampando o local vazio e ensanguentado, onde antes tivera seu globo ocular. A dor era excruciante.

 

Rocco agitava suas asas, mantendo-se quase que imóvel no ar, à frente do homem. A invocação tinha um olhar de desprezo quando deixou cair o orbe ensanguentado que arrancara, para livrar seu bico e se pronunciar:

 

“A ninja Uzumaki foi destinada à nobreza, pertence ao clã Uchiha e não a um clã menor e desprezível como o seu. Arrancarei seu outro olho da próxima vez que o vir!” Com essa promessa, Rocco voou, majestosamente, para longe dali.

 

Para Danzō, ouvir tal insulto foi outro golpe no ego do Shimura. Em meio a dor, ele se enfureceu ainda mais, não bastava perder seu olho esquerdo, ainda foi tratado como um homem inferior e seu clã insultado daquela forma.

 

Hiruzen acompanhou tudo, viu o falcão descendo e decidiu não interferir. Danzō merecia sua punição, seja ela qual fosse e ele agradeceu a Kami porque talvez não precisasse intervir para parar o Shimura. Era doloroso ter que enfrentar um amigo, assim como Hashirama teve de enfrentar Madara. O Sarutobi não queria pensar que talvez tivesse de chegar a esses termos com alguém próximo, mas sabia que faria. Por Konoha, ele faria.

 

“Venha, vamos para o hospital”. Ele disse, enquanto amparava o Shimura. “Ainda quer seguir em frente com essa ideia de casamento?”

 

“Argh! Nada mudou! Agora estou definitivamente certo do que quero... Argh! Vamos mais rápido. Amanhã teremos a reunião e quero estar presente”. O conselheiro respondeu, ríspido, em meio a dor.

 

O Terceiro balançou a cabeça, inconformado com a obstinação que seu companheiro tinha para tramar e pôr em prática coisas reprováveis, e se foi levando-o, rapidamente, para ser atendido no hospital de Konoha.

 

Hiruzen não demorou a enviar os ANBUS com as convocações para cada um dos envolvidos. Ele conseguiu usar o estado de Danzō para adiar a reunião por seis dias. Tempo esse que gastou tentando dissuadi-lo, porém sem sucesso.

 

Já tendo previsto que não conseguiria mudar as resoluções de seu ‘amigo’, ainda no dia do ataque de Rocco, Hiruzen lembrou-se das palavras do falcão:

 

“A ninja Uzumaki foi destinada à nobreza, pertence ao clã Uchiha e não a um clã menor e desprezível como o seu...”

 

Ele repetiu-as, ao mesmo tempo que pensava “Olhe por baixo, Sarutobi... olhe por baixo...”

 

Foi então que sua mente se iluminou. “É isso! Aquela invocação estava me dando a saída que eu não enxergava: A lei do casamento dos membros de clãs nobres!” O Hokage sorriu enquanto tinha suas mãos cruzadas em frente ao rosto.

 

O Sandaime enviou um comunicado de urgência para o regimento de Dan na fronteira com Iwa, convocando a presença dos líderes do clã Uchiha e do clã Hyuuga. Hiruzen também convocou o líder do clã Senju junto à sua mãe, Mito a matriarca do clã Senju e representante do Uzumaki.

 

Havia uma remota chance de escapatória para Sakura, porém muito remota, e dependia justamente do clã Uchiha.

Chapter Text

 

 

Sakura havia sido convocada pelos anciãos para apresentar-se formalmente, ela e sua família. No caso, Nagato. Ela não sabia sobre qual era de fato o motivo da reunião, pensava que se tratava apenas de uma forma de prestar contas aos anciãos por sua ofensa a Danzō e sanar todas as dúvidas deles quanto a sua origem. Ela saía de casa para andar um pouco pela cidade, era cedo e ela ainda não vira nenhum dos Sannins ou mesmo Mito.

 

Estava tudo muito estranho, ela ouviu Tsunade dizendo no dia anterior que partiriam no amanhecer de segunda-feira para a fronteira com Iwa. A hora de Dan estava mais próxima do que nunca. A Haruno suspirou, pensando que desta vez a história não seria a mesma. Desta vez o homem de cabelos azuis poderia viver para quem sabe, realizar o seu sonho de se tornar Hokage.

 

O inverno estava ainda ameno e naquela manhã, especialmente, parecia um dia de outono, fresco. Tsunade conseguiu vestimentas como as que Sakura gostava de utilizar: o kipao vermelho, o short spandex preto, suas sandalhas shinobi preferidas... tudo para que ela se sentisse aconchegada naquela nova Konoha.

 

Aos poucos, a saudade de casa estava dando as caras, a médica ainda não tinha tido tempo para pensar muito sobre isso, até aquele momento. Pois, tantos imprevistos e problemas aconteceram e ela agiu mecanicamente para tudo. Mas, agora ela se deu conta de que não conhecia ninguém além de Tsunade, Jiraiya e o Hokage ali. Todos os seus amigos ainda não haviam nascido...

 

“Tsc. Nem nossos pais nasceram ainda” A jovem balbuciou, recostando-se a uma parede qualquer de um lugar qualquer naquela Konoha meio deserta.

 

Em uma ou duas horas ela teria de comparecer a tal reunião para a qual os conselheiros a convocaram. Decidiu tomar um pouco do calor aconchegante do sol daquela manhã...

 

“Ao menos o sol ainda é o mesmo”. Pensou ela, com chateação.

 

“Como estarão Naruto e Sasuke? Será que eles ainda existem? Minha época ainda está lá?... Droga, será que é tão possível avançar no tempo quanto retroceder?” A mente dela começou a divagar.

 

A ninja do time 7 não se arrependia de ter assumido a missão que os Kages lhe conferiram, no entanto, não quer dizer que não sentia falta de seus companheiros. A Haruno lembrava-se de que quando Tobirama-sama e os outros lhe explicaram que talvez nunca mais pudesse regressar à sua época, ela prometeu a si mesma que tentaria o seu melhor para achar um meio de voltar, assim que cumprisse sua missão.

 

Todavia, também prometeu a si mesma que se tivesse exaurido todas as possibilidades para seu regresso, Sakura se estabeleceria na antiga Konoha e quem sabe ela e Tsunade pudessem fazer algo a mais pela saúde mental das crianças e dos shinobi. Esses eram seus planos com Ino... uma vez, as duas tocaram no assunto, rapidamente, e pareceu uma ideia nobre.

 

“Ino porca, queria que estivesse aqui para começar isso junto comigo. Acho que esse é nosso sonho, não é?... Hn... acho que estarei bem velha quando puder contar ao seu você de 12 anos que sonhamos isso juntas. Terá de ser Tsunade-sama, ao invés de você, mas ainda é o nosso sonho”.

 

Pensamentos dos mais variados cirandavam pela mente de Sakura. Kakashi-sensei, Obito, Rin, Minato, Kushina, Naruto... Tantas pessoas ganhariam uma nova chance se ela conseguisse cumprir sua missão.

 

A kunoichi soltou outro suspiro e pensou sobre seu confronto com Fukurō e Tora. ‘Aquele foi um desafio em tanto. Acho que cheguei muito perto de fazê-los ligar seus sharingan’.

 

Ela presumiu, enquanto fechava os olhos ao sentir o calor do sol acariciar sua pele. Foi nesse momento que Inner apareceu.

 

‘Quase nos ferramos! Quem ele pensa que é para ficar nos exibindo por aí?!’ Inner vociferou na mente de Sakura.  A Haruno suspirou, inconformada com sua situação. “Ele é o Hokage, Inner. Hiruzen-sama é só o homem o mais poderoso do mundo shinobi atualmente”. A ninja respondeu.

 

Inner bufou, cruzando os braços. “Danem-se esses dois velhos birutas! Porque não vão jogar shogi ao invés de nos fazer perder tempo e energia em uma luta humilhante com dois Uchihas presunçosos?!...” A projeção mental de Sakura fez uma pausa.

 

Que eles pareciam presunçosos, a médica não poderia negar.  Inner abriu um sorriso, acrescentando em seguida: ‘... E nós duas sabemos que ele não é mais o shinobi mais poderoso vivo entre nós... não é, Exterior?’ Inner a indagou com uma voz cantarolante que continha uma entonação sugestiva de malícia e provocação embutidas.

 

Sakura revirou os olhos, deixando os braços cair ao lado do corpo em sua paisagem mental, mostrando impaciência. “Ah, não me venha com essa de novo, Interior. O que há com você e essa sua fixação nesse homem?”

 

‘Madara. Esse é o nome, Sakura...” A Haruno revirou os olhos ainda fechados para a afirmação.

 

'... Ele quem nos pediu em casamento, você não esqueceu disso. Eu sei que não'.

 

“Tsc” Ela estalou a língua na boca, Inner estava a irritando muito ultimamente.

 

'Mesmo que finja que foi um delírio e se faça de desentendida, aconteceu e está aí. Você terá que lidar com isso, algum dia'.

 

‘Eu não tenho o que fazer com isso. Vai ver entendemos tudo errado. De qualquer forma, não vale a pena perder tempo com isso, já se passaram muitas décadas e ele provavelmente não se importa mais. Então eu também não me importarei, até porque não significou nada para mim’.

 

'Sei... então... por que você o beijou?'

 

‘Eu estava confusa, aquilo foi involuntário e você sabe disso”.

 

‘Mas você gostou’.

 

Sakura não concordou com a afirmação, mas também não negou, apenas deu as costas para a sua cópia bicolor.  Esta, por sua vez, deu a volta ao redor de Sakura e veio para encará-la, olhos nos olhos.

 

‘Como será quando chegarmos naquela caverna, sabendo que aquele homem queria casar-se com você? Não é mais a mesma coisa, agora você sabe que ele tem um coração batendo no peito... um coração petrificado, mas um coração... Então me diga Haruno: Como será quando tivermos que matá-lo?’

 

Sakura continuou muda, mas tornou-se pensativa. Ela já andava muito pensativa nos dias que passara no Shikkotsu por causa de sua queda. As memórias que recebeu do Shodaime Hokage Hashirama Senju foram muito tocantes. Uma infância muito dura e triste, dois garotos que vivenciaram o terror da guerra e a perda dos entes queridos mais próximos. Madara perdeu todos os seus irmãos. Então foi relegado ao desprezo por aqueles que protegia.

 

O homem voltou e tentou em vão sua forma de trazer a paz para o mundo shinobi. Ele estava errado, é claro, mas Sakura aprendeu a admirar aqueles que lutam pelo que acreditam e Madara lutou pelo que acreditava ser bom para todos. Ele pode ter sido muitas coisas, mas não egoísta.

 

‘O que fará se descobrir que ele ainda te ama?’ Inner interrompeu os pensamentos dela. ‘Terá coragem para matá-lo?’ Sakura deu as costas para sua projeção interior.

 

“Sou uma shinobi, cumpro meu dever acima de tudo. Se ele ameaçar a minha vila, então eu farei”. A impassível moça de cabelos róseos respondeu, porém não esperava ser, repentinamente, invadida pelas lembranças de Hashirama com tanta força.

 

Foi como se tivesse sido transportada dali para outra época e revivesse as lembranças do Shodaime:

 

Olhares implacáveis se enfrentavam, espada e kama colidiram e ambos os irmãos se digladiaram. Então o homem bom golpeou seu amigo. Ali seu coração se partiu.

 

“Eu vou proteger a nossa... não, a minha vila. Eu não vou perdoar quem ameace a vila. Sejam eles amigos... família... ou meus próprios filhos”. O Sol sem luz ameaçou o céu. Sem chão o jovem sonhador caminharia agora.

 

“No fim... isso levará a vila à escuridão” O corpo do único shinobi capaz de sonhar os mesmos sonhos que ele, caiu sem vida na água. O garoto sorridente que não conseguia fazer nada com alguém atrás de si, já não sorriria mais um sorriso sincero.

 

Do alto da torre Hokage, o Primeiro fitou as pessoas que aguardavam seu pronunciamento. “Konoha poderá viver sem medo, a partir de agora... vão para suas casas e vivam a paz que nosso sangue comprou com tanto custo...”  Sua voz transmitia seriedade. “A Era dos Clãs em Guerra acabou” Suas feições se tornaram duras. Ele não parecia aquele homem radiante que sempre fora.

 

“Eu Senju Hashirama...” Sakura viu-se falando junto e sentindo seu peito doer e o choro querendo invadi-la. “...matei Uchiha Madara...” As lágrimas desceram, involuntariamente, de seus olhos. “...meu amigo...” O homem baixou a cabeça para segurar as lágrimas e deu as costas ao povo de sua vila. Sakura limpou com um lenço a água que banhou seu rosto e tentou se recompor.

 

Ela olhou para os lados, tentando pensar em qualquer coisa que a distraísse da dor e da vontade de chorar. Mas, nada era capaz de tirar a dor que sentia. Ela daria tudo para poder mudar a história deles e a história de seus meninos. Infelizmente, os fundadores já não estavam ao seu alcance (Por enquanto, a autora ousa afirmar). Então ela faria o que pudesse por todos que ainda poderiam ser salvos.

 

‘Ainda acha que será capaz de matar Madara?’ Inner a indagou com contundência. “Chega, pare de repetir essa pergunta!” Sakura a alertou e Inner a olhou com pena. ‘Oh, está realmente sentindo dor, não está?’ Ela percebeu que estava sendo um pouco obstinada demais e talvez um pouco insensível também com as emoções de Sakura. “Mas que pergunta é essa, Inner? Você sabe que sim. Pare de me atazanar e de se fazer de desentendida. Tudo o que eu sinto você sente, não é?!”

 

Inner pareceu um pouco pensativa e indecisa, porém no fim meneou a cabeça em concordância. Ela não conseguia sentir tudo exatamente como Sakura, mas não era o momento para explicar isso e trazer à tona mais questões absurdas. “Okay, então assunto encerrado”. A Haruno quis dar fim àquelas conversas.

 

No entanto, sua Interior ainda não havia conseguido chegar aonde queria. ‘Você não quer pensar em Madara, não é?’ Sakura, que havia desviado os olhos dela, a fitou como se a quisesse fuzilar e Inner abriu um largo sorriso. ‘uh, uh, uh, uh, Ma-da-raaaa, ela não quer pensar no gostosão Uchiha!’ Sua cópia preta e branca começou a cantarolar em alto e bom som, em meio a risos e um gingado um tanto quanto estranho.

 

Sakura arregalou os olhos e, baixando a cabeça, levou uma mão à frente do rosto que ficou vermelho feito um pimentão. Se ela pudesse ter um botão para desligar Inner, ela faria. “Por Kami, faça-me o favor!” Inner, parou por um momento a sua dancinha e a ouviu falar.

 

“O que há com você? Essa viagem no tempo te afetou tanto assim? Nem parece mais comigo!” ‘Não vai conseguir me desviar do meu objetivo, precisamos falar sobre seus sentimentos em relação a Madara e aquelas visões, Exterior!’

 

“É oficial, eu desisto!” Sakura deu-lhe as costas e começou a andar para longe em direção ao branco em sua paisagem mental, era assim que ela voltava para o mundo real e fugia das perguntas constrangedoras cada vez mais frequentes de Inner.

 

Todavia, isso não quer dizer que ela conseguia fugir das travessuras de sua Interior. Esta última voltou a gingar e a cantarolar o nome Madara na cabeça de Sakura. Quando a Haruno fechou a porta de branco luminescente e voltou a olhar para as casas de sua vila, ela ainda pode ouvir ecoar em sua mente o belo timbre de seu inimigo.

 

“Esse é... um problema fácil de contornar... futuramente. Se você aceitar, é claro, flor.

 

Ainda recostada aquela parede qualquer em uma das ruas de Konoha, Sakura suou frio quando pode sentir o calor do toque do Uchiha. Aquele era um truque horrendo que Inner fazia com seus sentidos. Ela estremeceu com quão boa era a sensação e não pode evitar, fechou o punho para segurar aquela mão, para sentir seu toque e seu calor. Porém sentiu que o calor se foi, tentara segurar o intangível toque do seu inimigo.

 

Ela soltou o ar que havia segurado por tempo que não contara, então levantou-se e voltando para a casa de Mito, colocou suas vestes ANBU. A velha Uzumaki apareceu e ambas, junto de Nagato, foram andando, calmamente, na direção da torre Hokage.

 

“Não se esqueça, mantenha-se firme, rosto em branco, postura. Se for necessário intervirei e...” Mito fez uma pausa dramática, ela parecia prever algo ruim. “... existe um segundo assunto que será discutido nessa reunião. Eu não tive permissão de te avisar e fiquei sabendo a pouco... minha invocação pode ter ouvido errado... bem, só posso dizer que é muito sério e envolve seu futuro. Peço que mantenha a calma, independente do que acontecer encontraremos uma saída”.

 

[...]

 

Nagato e Sakura postaram-se, em pé, perante uma grande mesa entalhada em madeira, na sala de reuniões do prédio Hokage. Ela viu que o garoto se sentia intimidado com as pessoas ali, então envolveu-o em seus braços, protetora, como uma irmã faria. Naquela grande sala os clãs se reuniam formalmente, nela também eram recebidos os Kages de outras vilas ocultas para discussões de assuntos muito importantes.

 

Cada clã possuía um assento reservado para seu representante. Os clãs fundadores, Senju e Uchiha tinham seus assentos um de cada lado daquele reservado para o Hokage. Este último ficava na cabeceira, como o ente mais importante do mundo ninja. Ao lado deles vinham os assentos dos representantes das outras famílias de acordo com a ordem de adesão à vila, Hyuuga, Yamanaka, Sarutobi, Akimichi, Aburame, Inuzuka e assim por diante.

 

Os Hyuuga aceitaram juntar-se a Konoha um pouco depois dos clãs que compunham o trio InoShikaCho, na verdade vieram apenas depois que Sasuke Sarutobi aceitou a proposta de Senju Hashirama, garantindo posteriormente que o tal Uchiha Madara era um homem que queria a paz naquela época.

 

Sendo um dos clãs que se juntaram à vila mais tarde, o Hyuuga deveria ficar na parte mais afastada na lateral da mesa. Mas, devido a sua nobreza reconhecida por todos os clãs, seu assento foi colocado imediatamente ao lado do clã Senju. O clã Uzumaki teve de ficar ao lado do Uchiha já que naquela época Hyuugas e Uchihas não se relacionavam acima do necessário. E isso não mudaria até ascensão de Namikase Minato ao posto de Yondaime Hokage, quase cinco décadas depois.

 

Obviamente os Shimura passaram a reclamar desses ‘privilégios’ e honras dados aos clãs fundadores e aos tais ‘clãs nobres’. O que eles viam como privilégios era apenas honra e reconhecimento espontâneo dado por todos os outros clãs que não nutriam a mesma inveja que os Shimura tinham em seu coração.

 

Agora, no período que compreendia o final da Segunda Grande Guerra Shinobi, Hiruzen Sarutobi estava assentado como o Hokage de Konohagakure no Sato. A sua direita estava Senshi, líder do clã Uchiha e Mito representando o clã Uzumaki. A esquerda do Sandaime, Senju Tatsuo (Pai de Tsunade) e Hyuuga Iori. Eles eram os líderes das quatro grandes famílias e estavam ali para decidir sobre o pedido de Danzō.

 

“Muito bem, vamos começar para esclarecermos logo as coisas”. Disse o Hokage para todos os presentes. Homura, Koharu e Danzō encontravam-se sentados na outra ponta da mesa como os conselheiros. Sakura havia se espantado por ver que o conselheiro estava com uma espécie de tapa olho, mas logo a arguição iniciou e ela precisou prestar atenção às perguntas de Koharu.

 

“Conte-nos sobre sua família, Uzumaki Sakura. Onde estão seus pais?”

 

Sakura encarou-os firmemente. “Mortos”.

 

“Nossos registros informam que você é filha de Ise e Uzumaki Fusō. É isso mesmo?”

 

“Sim”

 

 “Explique-nos a cor de seus cabelos e a cor de seus olhos serem tão distintas das de seu suposto irmão”.

 

“Com todo respeito, conselheira-sama, é um julgamento errôneo supor que todo Uzumaki terá cabelo ruivo ou que todo ruivo será Uzumaki. Eu mesma tive um amigo Uzumaki que possuía os cabelos loiros”

 

Sakura respondeu e a conselheira assentiu, meneando a cabeça. “Fale-nos sobre seu chakra”.

 

“O que querem saber?”

 

“Sua essência, nos foi relatado que possui duas naturezas, água e terra. Sua aura é verde e, curiosamente, os relatórios de Dan sobre o confronto com os Iwa nos informam que você e o garoto sobreviveram porque refugiaram-se sob um abrigo de madeira. Você possui o Mokuton, Uzumaki Sakura?”

 

A ‘Uzumaki’ pressionou com um pouco mais de força a máscara ANBU que segurava, para manter a calma (Nagato havia se sentado). “Sim”.

 

“E como pode ser isso?” Homura perguntou, visivelmente curioso.

 

“Eu possuo uma mistura de sangue com o Senju...” Danzō sorriu, sentindo-se triunfante com a admissão da jovem sobre suas origens. Ele estava certo. Desde o início ele estava certo.

 

Senshi, Iori e Tatsuo, que não prestavam muito a atenção ao interrogatório até aquele momento, ergueram as cabeças simultaneamente para fitar a moça que falava. Ambos já haviam ouvido falar das proezas da jovem garota ANBU. Ninguém poderia deixar de se interessar por uma garota que em tão tenra idade tornou-se discípula de Senju Tsunade, despertou o lendário Byakugou e ainda por cima derrotou quase dois regimentos de ninjas Iwa.

 

Em virtude disso, ambos os líderes achavam ridícula a sessão de interrogatório a que a jovem estava sendo submetida. Eles nem sabiam por que tiveram de vir às pressas de onde estavam (guerreando por Konoha) para terem de presenciar essa jovem prestar contas a três conselheiros enxeridos.

 

Mas, agora com aquela informação a atenção de ambos foi definitivamente despertada para a reunião. A prodigiosa moça parecia esconder muitos segredos. Senshi e Iori estavam muito interessados em saber mais. Senshi, principalmente depois de saber que Sakura foi capaz de fazer frente a Fukurō e Tora em combate.

 

" ... Ise e Fusō não são meus pais biológicos.  minha mãe era irmã de Uzumaki Fusō, ela morreu jovem em meio à uma das tantas guerras que sobrevieram à Amegakure. Os pais de Nagato, meus tios, adotaram-me e eu cresci aprendendo o ofício do meu tio. Trabalhei, junto dele, como médica cuidando dos ninjas feridos em troca de dinheiro...

 

... Vivíamos bem até que homens desonestos atacaram nossa família e mataram nossos pais. Eu e Nagato tínhamos apenas um ao outro. Sabendo que a nossa terra estava condenada à fome, decidi pedir guarida aos ninjas de Konoha, fui treinada para aprender a utilizar o meu chakra e moldá-lo para a cura...

 

... Trabalhei durante alguns anos até que um dos ninjas me disse que eu poderia cuidar das unidades de elite e ganharia muito mais. Eu aceitei e fui enviada para cá, a vila natal de meu pai, para ser mais bem treinada e começar a prestar apoio à ANBU. Com o tempo me interessei pelas técnicas de combate, aprendi a lutar e ingressei em um esquadrão. O Hokage estava presente quando me graduei e, sabendo que eu era natural da Vila da Chuva, mencionou que eu poderia retornar para minha terra natal e fazer algo por ela. Assim, me tornei uma espiã à serviço da Vila da Folha".

 

"Você ainda não contou tudo. De onde vem o chakra Senju?”.

 

"Esse chakra é uma herança genética vinda do meu pai, Senju Daishi e do meu avô. Meu avô, Sora era filho do segundo Hokage, Senju Tobirama...”

 

Todos ficaram espantados, como poderia ser aquela jovem bisneta de Senju Tobirama?

 

"Impossível!"  disse Hyuuga Iori, Que se sobressaltou em sua cadeira, visivelmente espantado.

 

" Sim, essa é a verdade. Eu sou bisneta do segundo Hokage, Senju Tobirama”. Sakura afirmou, veementemente.

 

Todos ficaram atônitos, com exceção do Hokage, dos conselheiros e da velha Uzumaki Mito. Esta última estava, internamente, feliz porque seus planos e de Sakura estavam dando certo, sua história era convincente. O líder dos Uchiha ainda era cético, mesmo assim surpreendeu-se com as afirmações da jovem.

 

"E como nós não soubemos disso?" Koharu indagou.

 

"Era um segredo muito bem guardado, até os dias de hoje. Nem mesmo meu cunhado ou marido souberam disso; Tobirama nunca soube que foi pai de um belo menino de pele morena e cabelos castanhos ondulados". Uzumaki Mito respondeu a indagação da conselheira.

 

"Quem era a mãe?" o Hokage perguntou, pois também aproveitou para sanar as suas dúvidas. a velha Uzumaki nunca revelou a identidade da única mulher que seu Sensei amou. Essa não era melhor hora, mas ele sabia que jamais teria outra oportunidade melhor.

 

"Ela chamava-se Safira, assim como a pedra preciosa. Não tinha residência fixa, era livre como um pássaro e se ia com o vento de um lado para o outro, ocasionalmente visitando nossa aldeia. Numa dessas visitas nos conhecemos e nos tornamos amigas. Safir contou-me que conhecia meu cunhado...

 

... Algum tempo se passou e ela não retornou. Cinco anos depois recebi uma mensagem pedindo para que eu cuidasse de seu filho, Sora. Como ela não queria que meu cunhado soubesse da criança, eu o levei para ser criado no meu país por minha irmã...

 

... Sora cresceu e casou-se com Uzumaki Harima, a filha de um de nossos conselheiros na corte de Uzushio, e tiveram duas filhas, Fusō e Yuki. Yuki nasceu albina, assim como o avô, e casou-se também com um Senju, aqui de nossa vila. Daishi era um homem honesto e um bom shinobi, mas morreu cedo, assim como Yuki, em Amegakure, durante uma missão...

 

... Eu não soube mais nada de Sora, depois que ele se casou com Harima e ambos foram morar em Ame. Somente soube sobre Yuki e Fusō, porque Daishi mandou notícias aqui para Konoha informando de seu matrimônio. Como a matriarca do Senju e líder regente, compareci e, percebendo que a Uzumaki era albina, perguntei seu nome e seu parentesco. Era Yuki a irmã mais velha de Fusō, filha de Sora e Harima e a primeira neta de Safira e Tobirama...

 

.... Algum tempo depois soube que Daishi e Yuki tinham uma filha e ela já estava com cerca de 3 anos de idade. Depois disso, nunca mais soube nada deles. Até que, em um dia qualquer, Hiruzen comentou que uma jovem Uzumaki de Amegakure, uma órfã com 13 anos de idade, veio à Konoha alistar-se na ANBU. Esse fato não foi algo que me chamasse muito a atenção..., crianças orfãs entram para as fileiras shinobi todos os dias para poderem sobreviver...

 

... Porém, quando fui à cerimônia de graduação dela, como representante de Uzushio e matriarca do Senju, me espantei ao sentir seu chakra e ver que Sakura possuía os olhos verdes de Daishi. Uma Uzumaki de cabelos rosas...

 

... Daishi era louro, assim como Tsuna, obviamente deduzi que a mistura de seu sangue e o de Yuki poderia sim originar esse tom de vermelho diluído em seus cabelos.”

 

“Impressionante. Isso é realmente impressionante” Senshi balbuciou enquanto olhava para Sakura e analisava seus fios rosados e olhos verdes.

 

“Você se impressiona muito facilmente, Senshi” Iori falou, provocativamente.

 

Senshi não fez caso disso, preferiu ignorar as provocações de seu rival. “E o que houve com seus pais, Sakura?” O capitão da Polícia Uchiha perguntou com visível deslumbramento pela história da moça.

 

“Eles voltariam para Konoha, finalmente, era sua última missão, porém em uma emboscada minha mãe, Yuki, foi morta e Daishi, meu pai, sobreviveu tempo suficiente apenas para me entregar nos braços de Ise oji-san”.

 

“Eu sinto muito por sua história tão trágica. Você sem dúvida conhece a dor”. O Uchiha disse, sendo condescendente com a história da jovem a sua frente.

 

Tudo o que ele mais desejava é que seu primogênito, Fugaku não viesse a sofrer a mesma dor que aquela jovem de cabelos rosados. Mas ainda não sabia o que fazer. Parar a guerra parecia algo impossível, talvez os rebeldes de seu clã estivessem corretos... talvez Uchiha Madara estivesse certo.

 

 Senshi deixou seus ombros caírem por um momento, ele estava inconformado em não conseguir fazer nada para dar um futuro melhor as próximas gerações de seu clã, para seu filho. Seus pensamentos foram interrompidos por uma pergunta ríspida:

 

"Essa tal de Safir ao menos pertencia a um clã? Como não ficamos sabendo nada sobre ela?" Era Danzō que abria a boca dentro daquela sala, pela primeira vez.

 

Mito queimava em raiva, por dentro, mas como a princesa que era, manteve a compostura. “Safir, como ela dizia, pertencia à água e ao céu. Ela não tinha clã, não que eu saiba”.

 

“Água, céu, que grande perda de tempo! Isso não passa de um eufemismo para não dizer que essa mulher era uma andarilha qualquer que provavelmente deitou-se com Tobirama-sama apenas para roubar sua linhagem. Provavelmente venderia a criança para nossos inimigos e eles a usariam contra nossa vila, por isso ela nunca contou a ele sobre o tal Sora. Ela não passava de uma...”.

 

“Cale-se! Quanta audácia! Esqueceu de com quem está falando? Tobirama teria vergonha de você agora, Danzō. Não posso imaginar o quanto ele deve se arrepender de ter sido seu sensei. Não ouse mais ofender a memória da minha amiga, fui clara?!”

 

Danzō apertou as mãos no punho de sua bengala e cerrando os dentes, assentiu com a cabeça baixa. Ele ainda devia respeito a Uzumaki Mito. Ela era mais velha que todos ali, uma princesa e além de tudo esposa do Shodai Hokage e matriarca do clã Senju.

 

“Agora que as questões quanto a origem e descendência de Uzumaki Sakura foram esclarecidas. Vamos tratar logo do motivo dessa reunião ter sido convocada. Alguma objeção?” O Hokage indagou e os líderes ali presentes menearam a cabeça em negativa. “Pois bem, Danzō veio até mim para solicitar a mão de Sakura em casamento...”

 

Ao ouvir isso, Sakura, que estava ainda em pé ao lado do Hokage na cabeceira da mesa, sentiu suas pernas falsearem, seus olhos se arregalaram e ela quase sufocou com a própria saliva. ‘Eu não posso ter ouvido o que acho que ouvi. Diz para mim que foi loucura da minha cabeça, Exterior!’. Inner estava tão atônita e descrente quanto Sakura.

 

Silêncio se fez na sala, pois até mesmo Iori e Senshi estavam pasmos e, diga-se de passagem, indignados. Como um homem daquela idade ousava querer tomar em casamento uma moça cerca de 22 anos mais jovem do que ele?!

 

“Perdão, Hokage-sama, o que o senhor acabou de dizer?” Sakura perguntou com sua voz saindo quase como um miado de gato de tão fina. Ela estava completamente esmorecida.

 

Na outra ponta da mesa, Danzō sorria vitorioso, conseguiria as duas coisas que mais queria, a tutela de Nagato e a mão de Sakura em casamento. Ela lhe geraria uma prole de excelência e finalmente seu clã tomaria o lugar de honra a que pertencia. Como um bônus, ele ainda poderia pedir a Orochimaru que a utilizasse em experimentos, talvez as células dela fossem ainda mais compatíveis com seu sistema do que as de Hashirama?!

 

O Hokage apenas respondeu, mecanicamente, a pergunta da garota. “Danzō pediu sua mão em casamento, Sakura. Estamos aqui para discutir essa questão e foi por isso que o conselho lhe arguiu quanto a suas origens e descendência”. Sakura fechou a boca que havia aberto sem perceber, em virtude do espanto.

 

“Você pode tomar um assento” Hiruzen, mostrou para ela uma das tantas cadeiras a volta da grande mesa retangular de madeira. Ele também não gostava nada da ideia, mas felizmente Rocco havia conseguido dar uma alternativa para adiar a iminência do cumprimento daquele disparate proposto por seu conselheiro.

 

“A grande maioria dos líderes dos clãs com direito a voto em nossa aldeia estão na frente de batalha e seria muito arriscado removê-los de lá, pois nossos shinobi ficariam sem seus cabeças. Então, para não chamar todos e desfalcar nossas fileiras, convoquei apenas os líderes dos quatro maiores clãs para discutirmos a proposta de Danzō”.

 

Tanto Senshi quanto Iori e Tatsuo, esperavam poder intervir a favor da garota de cabelos rosados. Então, ajeitaram-se em suas cadeiras, com empolgação velada. Totalmente o oposto de Danzō, que visivelmente demonstrava-se descontente, justamente porque:

 

“Sendo Sakura uma Uzumaki e, ainda mais agora sabendo que ela pertence a linhagem de Tobirama-sama, não posso conceder sua mão para quem quer que seja, sem que todos os clãs estejam cientes e concordem; principalmente os representantes dos clãs fundadores e nobres...” O Sarutobi falou enquanto fitava Senshi, Mito, Tatsuo e Iori.

 

Os quatro estavam apreensivos para poderem votar a favor de Sakura e livrarem-na do desprazer de um casamento arranjado com o Shimura. Contudo, voltaram a ficar pasmos, quando entenderam o que seria necessário para isso:

 

“Vocês representantes tem o direito de tomar a mão dela em casamento para si ou seus filhos, assim que ela completar a maioridade. Como as quatro famílias nobres, vocês têm prioridade sobre clãs menores. Se não desejarem tomar a mão dela para si ou sua linhagem, Danzō como conselheiro recebe esse direito em seguida e por último todos os outros clãs, caso ele não a tome”. O Sarutobi explicou, com um tom sugestivo e da maneira mais clara e apelativa que foi dignamente possível para sua posição.

 

Em outras palavras, ele sugeriu que se nenhum Senju, Uchiha, Uzumaki ou Hyuuga das famílias principais aceitasse casar-se com Sakura, então a sorte dela estaria relegada a Danzō e com isso sua infelicidade também.

 

‘Mas que merda é essa?! Nós não vamos nos casar com esse saco de ossos de 5 mil anos! Shanaroo!’ Inner gritou dentro da mente da Haruno que meramente mantinha-se estática em seu lugar.

 

Sakura estava sem reação, simplesmente não conseguia acreditar que estavam decidindo com quem ela se casaria. Ela não podia acreditar que corria o risco de ser forçada a um casamento arranjado com o asqueroso Shimura.

 

‘Diga alguma coisa, Exterior! Mito-sama tem que nos ajudar!’ Inner sacudia a Haruno tendo ambas as mãos em seus ombros. ‘Eu fujo antes que qualquer coisa possa acontecer, Inner. Não serei forçada a nada. Tenho uma missão para cumprir e não será esse homem desprezível que me impedirá. Tranquilize-se”. A moça disse, apaziguadora, para sua projeção interior, na intenção de acalmá-la.

 

Inner suspirou, nervosamente, e voltou-se para observar a continuação da reunião.

 

“Eu não possuo filhos homens... Sinto muito, Sakura” Verdadeiramente pesaroso, Senju Tatsuo pediu desculpas a Haruno por não poder ajudá-la quanto a Danzō.

 

“Eu não possuo outro filho... Mas, eu acho que você já sabe disso... Sinto muito, querida”. Mito falou para ela com um olhar sereno. Ambas sabiam que encontrariam alguma saída.

 

Apesar disso... a situação de Sakura caminhava para um completo desastre, se ela tivesse que fugir de Konoha, enquanto perseguida ou pior, se tivesse que enfrentar Danzō tão cedo.  Certamente que ele era um problema que a Haruno teria que resolver também, mas não agora, elas esperavam.

 

Um confronto com ele, nesse momento, poderia ser mal compreendido e colocá-la na posição de nukenin, uma procurada por todos os grandes ninjas da época em sua aldeia. Sem falar que Nagato não poderia cair nas mãos de Danzō em hipótese alguma, jamais.

 

“Eu estou noivo e nós Hyuuga, pelas tradições não podemos misturar nosso sangue com outros clãs..., embora esteja certo de que lutaria para tê-la como nora, se eu possuísse filhos”. Iori com seus olhos perolados iluminados, abriu um sorriso sutil para a jovem que ele percebeu ser, além de bela, gentil.

 

Com a resposta do Hyuuga dada, só restava um líder pronunciar-se. Se Senshi não reclamasse a mão dela, a Uzumaki seria prometida a Danzō para quando completasse a maioridade. Todos olharam para Senshi, em apreensão. O conselheiro já cantava vitória, pois previu que o outro líder também não poderia vir em socorro da ‘Uzumaki’ e seu irmão.

 

“Eu já sou casado e possuo um filho, porém ele é ainda bem jovem, Fugaku tem apenas 12 anos. Sinto muito não poder ajudar, Sakura”. O Uchiha olhou para ela com seus orbes negros, mostrando realmente se ressentir de não poder ajudá-la. Muito embora, como um Uchiha, ele sempre parecesse frio.

 

“Eu compreendo, Uchiha-sama”. A moça de cabelos róseos respondeu, suavemente.

 

Internamente, Inner amaldiçoava a má sorte que as perseguia e Sakura estava apenas desolada com a ideia de ter que desfazer todos os seus planos, fugir e correr o risco de deixar com que tudo que deu errado na história de Konoha voltasse a ocorrer. Ao menos Madara ainda estava dentro de suas possibilidades, porém deixar que Dan, o clã Uchiha, Sakumo e tantos outros perecessem era impensável. Kami precisava ajudá-la.

 

“Sakura herdou o byakugou, pode manter-se jovem para casar-se com Fugaku assim que ele completar a idade necessária, Senshi-san” Mito, que tinha as mãos cruzadas na frente de seu ventre, girou o tronco para falar com o Uchiha sentado à sua esquerda.

 

Tendo ficado de costas para os anciãos na parte mais distante da mesa, Mito viu a surpresa na face de Senshi em decorrência de sua sugestão. Vendo que ele parecia não compreender sua real intenção, a velha Uzumaki sussurrou para o Uchiha: “Apenas para ganhar tempo”. Ela piscou para ele.

 

Senshi quis soltar uma grande gargalhada quando compreendeu o plano dela e Hiruzen também sorriu. A sagacidade da velha Uzumaki era tão lendária quanto suas habilidades no Fūinjutsu. “Ora, se é assim... está feito então! Eu Uchiha Senshi, líder do clã Uchiha reivindico a mão de Uzumaki Sakura em compromisso para meu filho, Uchiha Fugaku, meu primogênito e herdeiro!”

 

Mito abriu um sorriso radiante para ele e para Hiruzen, Tatsuo e Iori também pareciam felizes. O Hokage então fitou seu ‘amigo’ e os outros conselheiros assentados do outro lado da mesa. Koharu e Homura não pareciam realmente se importar com o novo rumo das coisas, Danzō, por outro lado, chamejava fogo em seus olhos. Tinha os dentes cerrados e ambas as mãos apertando fortemente a extensão do cabo de sua bengala. O Sarutobi suspeitou que o Shimura estava prestes a quebrá-la quando então o ouviu falar:

 

“Saru, isto não é justo. Eu também desejo a mão dela. Pode ser que o garoto cresça e não a queira, se for assim a terei perdido em vão”.

 

Hokage-sama, Danzō. Aqui eu sou seu líder, não seu companheiro de time. Em segundo lugar, essa é uma possibilidade com a qual terás de se acostumar, é a lei na aldeia. O clã Uchiha não só é um clã nobre, como também é um dos fundadores ao lado do Senju, portanto, o direito a mão de Sakura lhes pertence se quiserem. Se Fugaku crescer e a rejeitar, ela será livre porque já estará maior de idade, então não caberá mais a mim agir como seu responsável, o pai da aldeia...” Hiruzen levantou-se de seu assento e com ele todos os demais.

 

“... Sendo assim, em decorrência da descendência Senju-Uzumaki a tutela de Sakura e Nagato permanece sob a guarda de Uzumaki Mito até que ela alcance a maioridade e possa casar-se com Uchiha Fugaku ou, se ele não o desejar, tornar-se uma mulher independente como a kunoichi que é. Cabendo à ela, por hora e conforme exige a lei, apenas um dever em relação ao clã Uchiha: comparecer ao jantar oficial oferecido pelo clã que a reivindicou para ser apresentada ao possível futuro marido, quando este tiver alcançado a idade para o cortejo”.

 

O Hokage deu as costas a todos e, dirigindo-se à Sakura com um sorriso, lhe falou em voz baixa:

 

“Vá para a guerra, minha jovem, Konoha precisa de uma kunoichi médica com as suas habilidades no campo de batalha e não parindo filhos para homens loucos”.

 

Chapter Text

 

A viagem em direção ao front de batalha não poderia ter sido mais descontraída do que do lado de Jiraya, o restante dos Sannins, de Dan e da Yūrei. O Lendário Tarado não se esqueceu de sua proposta de pararem em uma fonte termal para se distraírem um pouco. Afinal eles mereciam comemorar a vitória frente à Amegakure e o reconhecimento de seu esquadrão como os Sannins Lendários de Konoha.

 

Tsunade não quis saber de banho comunitário, isso era previsível, Sakura pensou. Outra coisa previsível era que Jiraiya não resistiria a tentar dar uma olhadinha na Senju nua. Essa segunda previsão não poderia ter sido mais falha.

 

Algo acontecia no coração daqueles dois, estavam cheios de novos sentimentos, nenhum deles era como antes e o momento refletia isso. Tanto é, que Dan não deixou de observar a mudança, ou melhor, a incerteza de Tsunade quanto ao que sentia por ele.

 

A Loira nunca foi uma mulher indecisa, jamais, então vê-la desviar os olhos quando ele a olhava profundamente e não sentir a entrega de sempre em seus beijos o incomodou. Tsunade beijava seus lábios como se estivesse pensando em algo longe deles. Ainda eram apaixonados, mas havia outra pessoa ocupando os pensamentos da Senju, fazendo seu coração palpitar também.

 

“Jiraiya-san”. Dan cumprimentou o homem de cabelos brancos que entrava na água perto dele. Havia respeito entre eles, não eram amigos e isso se tornou ainda mais difícil de acontecer depois que a médica e ele se aproximaram.

 

Homens são assim.

 

O homem de cabelos brancos, retorcidos em um coque samurai, acenou com um menear de cabeça para o outro, de cabelos azulados. “Não achei que apreciasse a temperatura e as delícias das águas termais, Dan-san.”

 

Dan achou graça na ambiguidade da frase, Jiraiya era mesmo um ninja bem-humorado. “Bem, a temperatura das águas é muito agradável. Já as delícias, elas não me chamam atenção depois que conheci, Tsuna”. Disse, sincero.

 

“Eu o compreendo”. ‘A mim também não... Não mais.’. Jiraiya concluiu, mentalmente. Nos últimos dias experimentara um verdadeiro oásis na presença de Tsunade, pois jamais esperaria receber seus sorrisos ternos, no lugar de seus socos.

 

Outros homens poderiam criticá-lo por deslumbrar-se com tão pouco, mas Jiraiya sabia o que significava. Tsunade estava sentindo aquilo também, ela poderia estar se apaixonando!

 

Isso era incrível!

 

Dan, estava recostado à beirada do tanque termal com água morna até o abdômen, tinha ambos os braços abertos e apoiados nas beiradas. Quando percebeu que Jiraiya guardava para si reflexões sobre Tsuna, o jōnin entendeu que suas observações estavam corretas. A relação dela com Jiraiya estava se tornando mais romântica.

 

Ele se incomodou com isso profundamente, já amava Tsunade então não queria perdê-la. Contudo, ela tinha o direito de decidir, direito de amar outra pessoa.

 

“Eu percebi a aproximação de vocês, quero dizer que respeitarei a vontade da Tsuna. Então peço que faça o mesmo, caso ela me escolha”.

 

“Não precisa pedir, é o que sempre fiz. Você sabe disso, Dan”.

 

Dan notou a retirada do ‘san’, Jiraiya mantinha o respeito por ele, mas o tratava como um igual, dois homens competindo pelo coração da mesma mulher. Mesmo perdendo, o sábio tinha certeza de que Dan era um homem digno e que faria Tsunade feliz caso ela o escolhesse.

 

Nenhuma palavra mais foi trocada entre eles. Não era necessário pois aquela batalha não seria decidida por força, habilidade em ninjutsu ou por qualquer coisa que dissessem ou fizessem. O coração daquela mulher forte e geniosa não era do tipo que se deslumbrava com disputas de território. Tsunade exigia verdadeira afeição, ela era demais para ser objeto de uma disputa em que o ego masculino estivesse envolvido.

 

O homem que conquistasse seu coração deveria ser totalmente devoto ao bem e à vontade dela.

 

Então, o agraciado dependeria do destino, do favorecimento de Kami e do coração da Senju.

 

-0-

 

Do outro lado da parede que dividia a casa de banho, a dita mulher estava de molho, ao lado de Sakura. O vapor subia, passando pela pele ruborizada das duas kunoichi e dissipando-se pelo ambiente. Havia um silêncio confortável entre as ambas.

 

Com o passar dos dias, Sakura e Tsunade tornaram-se muito amigas. A cumplicidade entre as duas mulheres já era a mesma da época da qual a Haruno veio. Ambas riam juntas, foram ao mercado escolher roupas, discutiram sobre avanços médicos, sobre a ideia da clínica para tratamento psiquiátrico para vítimas da guerra órfãos ou adultos, falavam sobre suas famílias, sobre as mudanças em Konoha e sobre o futuro.

 

As conversas eram sempre amenas e com o passar do tempo Sakura havia conseguido animar sua mestra de tal forma que Tsunade estava leve, muito otimista e sorria frequentemente. A Senju parecia mais jovial do que nunca, a dor desaparecera quase que completamente e seu irmão Nawaki era lembrado com amor e saudade. A Godaime não estava mais amargurada, ela estava feliz... e apaixonada.

 

Tsunade acordou Sakura do estado de relaxamento em que se encontrava de olhos fechados. A Haruno imediatamente prestou a atenção em sua sensei.

 

“Eu percebi que ensinei tudo o que sabia para você, menina. Acho que saber disso e de todo o meu futuro me fez perceber que posso fazer ainda mais. Decidi que quero aperfeiçoar minhas habilidades. Eu poderia ter salvado Dan se tivesse a sua capacidade de transferência do poder do selo, não quero que isso se repita. Então me mostre como evoluir o selo, por favor. Você aceitaria, Sakura?”

 

Sakura ficou pasma durante alguns segundos, até seus lábios estavam entreabertos, não conseguia acreditar no que ouvia. “Shishou, jamais!”. Exclamou, alarmada.

 

“O que está dizendo? Não aceita me ensinar?... Eu entendo que é um jutso importante, uma carta na manga e que você pode querer guardá-lo. Mas, eu te garanto não quero roubar seu mérito, preciso dele apenas para salvar Dan... usarei somente em casos de emergência, eu te garanto, Sakura”.

 

A moça ficou ainda mais alarmada. “Não! Não é isso, a senhora tem todo o direito e razão de querer evoluir seu selo. Mas, não fale como se eu fosse superior à senhora, Tsunade-sama, isso é errado!”

 

“Ora, deixe disso, garota! Eu reconheço a sua habilidade, por isso pedi que me ensinasse. Apenas me diga que aceita, é só o que quero ouvir!”

 

“Mas, sensei...”

 

“Sakura!”. Tsunade rosnou para ela. “Sou mais jovem, mas não mais paciente.”

 

A garota bufou, isso era verdade. “Tudo bem se nada mudar em nossa relação discípula e aluna. A senhora continua sendo minha Shishou”.

 

“Está bem, mas já somos mais que isso, somos amigas, garota”.

 

O coração de Sakura se aqueceu com o que ouviu. “Amigas, eu gosto disso, Shishou, obrigada”.

 

Tsunade sorriu não só pelo que pensou, mas orgulhosa por ser parte do que fez a Haruno ser quem é. Aquela garota tinha um potencial enorme e uma humildade ainda maior.

 

“Ainda este ano podes conseguir cumprir boa parte da sua missão, Sakumo e Dan estão ao seu alcance agora e o clã Uchiha não muito longe também. Veremos todos no front.”

 

“Sim, eu estou ansiosa, terei de lidar com todos ao mesmo tempo... não esperava por isso. O plano original era um de cada vez... mas fico feliz por essa mudança, se não fosse assim, não poderia ajudar a senhora a salvar Dan”.

 

“Hnnn”. A Senju confirmou. Ela e Sakura já tinham os olhos fechados, aproveitavam o relaxamento das águas aquecidas. “E o que você planeja fazer depois?”. A loira atirou, de repente.

 

A Haruno abriu os olhos, fitando a Senju novamente. “Depois?”. Papagueou.

 

“É. Depois que tudo em Konoha estiver resolvido”.

 

Sakura sentiu um arrepio em seu interior, um arrepio gélido. Ficou desconfortável pelo que vinha depois. “Eu não tenho outra saída, tenho?”. Indagou, tendo consciência de que sua shishou sabia muito bem do que ela falava.

 

Não tinha como não saber. O fantasma de Madara pairava sempre quando a missão de Sakura era o assunto.

 

“Não, não mesmo. Fugir dos nossos medos nunca é uma boa opção, isso os torna mais fortes”.

 

A ninja de cabelos rosados, moveu-se na água, deu as costas para sua mentora. Não queria que Tsunade visse seu rosto franzido em preocupação, ela mordia os lábios, nervosamente, pois sentia sua alma congelar. Estava aterrorizada com a ideia de ter que encontrar Uchiha Madara em seu covil, e este milagrosamente jovem e ainda mais sombrio.

 

Repetia em sua mente que ele não poderia estar jovem, mas... e se estivesse mesmo? Jamais o derrotaria.

 

E se... se Madara... e se Madara a quisesse?

 

Aquilo era loucura.

 

Sakura desejou mais do que nunca que Naruto e Sasuke estivessem ali com ela, que fossem os três juntos para enfrentar o monstro. O time sete contra o mal, como sempre foi.

 

“Eu tenho certeza de que não treinei uma covarde, Haruno Sakura!”. A voz firme de Tsunade soou meio raivosa, atrás dela, arrancando-a de sua insegurança.

 

“Não, sensei! A senhora não treinou.”

 

“Então, aplume-se! Madara é um ninja muito forte, mas um ser humano como qualquer outro, ainda pode ser convencido. Além do mais, ele não mata por prazer”.

 

‘Ah ele mata sim, pode acreditar’. A Haruno pensou, enquanto deixava o silêncio pairar.

 

Tsunade estava curiosa, muito curiosa. “O que pretende fazer agora que tem certeza de que não estava delirando?”

 

“Eu não farei nada com isso. Um ninja não pode se envolver sentimentalmente com sua missão, especialmente uma med-nin. Essa foi uma das suas primeiras lições que me passou, shishou”.

 

A Senju soltou uma lufada de ar, balançando uma mecha de cabelo loiro que se soltou de seu coque e caiu na frente dos seus olhos. ‘Essa menina é mais escorregadia do que Katsuyu’. Riu-se.

 

“Bem se vê que você foi minha discípula”.

 

Sakura arqueou uma sobrancelha para o comentário, mas deixou passar. “Shishou, Hashirama-sama mencionou sobre Katsuyu me treinar nas artes do senjutsu”.

 

“E?”

 

“Eu gostaria de aprender. A senhora permite?”

 

“É claro, um shinobi precisa sempre aperfeiçoar suas habilidades”.

 

“Eu sou grata, muito obrigada, Tsunade-sama. A senhora não se arrependerá de depositar sua confiança em mim”.

 

“Eu tenho certeza de que não”. Tsunade sorriu para ela e aproveitou o momento rapidamente para perguntar o que sua curiosidade não a permitia esquecer. “Você veio com esse discurso de ‘um ninja não deve se envolver sentimentalmente’, usou minhas palavras contra mim, mas nós duas sabemos que não é assim tão fácil, Sakura. Se você nega isso com tanta veemência, tudo me leva a crer que já se envolveu e eu estou curiosa com o quanto. Pode falar, menina, eu não a julgarei!”

 

“A senhora e Mito-sama não pretendem deixar isso ir, não é?”.

 

A Senju abriu um sorriso vitorioso para ela. “Não mesmo”.

 

Sakura bufou. “Eu fiquei balançada, realmente fiquei. Ele me lembrou Sasuke e existia algo que me fazia querer... ficar perto. Eu francamente não sei descrever e muito menos entendo o porquê, mas isso me assusta...  Madara o tempo todo na minha mente me assusta”. Ela estava chateada e um pouco confusa.

 

Sua mestra ergueu a perna, esticando-a para agitar a água e vê-la escorregar de sua pele. Estava muito relaxada, foi bom ter ouvido Jiraiya. “E há mais algum sentimento?... Atração, por exemplo?”. Inquiriu, como quem não quer nada.

 

“Nani?!” A Haruno teve um sobressalto.

 

A mais velha riu da reação de sua jovem discípula. Tão transparente. Ela quase podia ouvir o coração de Sakura acelerado, a jovem aparentemente havia esquecido de que Tsunade não gostava de rodeios, era direta. Isso nunca mudaria, não importa quantos anos se passassem.

 

“Você entendeu”. Respondeu, simplória.

 

É, Sakura entendeu sim. Demorou um pouco a se recompor, mas no final respondeu sinceramente: “Eu não diria que sinto isso por ele. Não sei o que é, mas não é isso!” Foi categórica. “Além do mais, deixei uma pessoa em minha época, eu planejo... revê-lo”.

 

Revê-lo era uma metáfora, Sakura planejava voltar para Sasuke. Ela queria e mesmo que não pudesse voltar, ainda desejaria isso com todas as suas forças. ‘Shanaroo! O amor vencerá!’. Inner se manifestou agitando o punho, como antigamente. As coisas teriam voltado ao normal?

 

‘Ei, o que houve com o Uchiha gostosão?’. Não resistiu a cutucar Inner.

 

O sorriso de sua Interior diminuiu um pouco e ela não soube o que responder por alguns segundos. ‘Ele ainda está aqui, Exterior’. Balbuciou, baixinho, algum tempo depois. Ela estava confusa e Sakura percebeu.

 

‘Não fique triste. É normal, algum dia esse deslumbramento começa a passar e percebemos o quanto fomos bobas, Inner’. Explicou.

 

Tsunade interrompeu sua conversa interna. “Para o seu bem é melhor mesmo. Sentir algo por homens como Uchiha Madara é a forma mais rápida de se arrepender. Eu não quero te ver sofrendo, ele não é o tipo de homem que o amor muda, não mais, Sakura.”

 

Aquilo soou como advertência sim, mas foi também uma reflexão. Uchiha Madara não teria mais possibilidade de redenção?

 

Pensar que Madara estava perdido a entristeceu. Sakura queria salvá-lo, poderiam chamá-la de ingênua, mas ela não desejava ver o Uchiha morrer amargurado. E pior, não suportava a ideia de ter que ser ela mesmo a fazer seu coração parar dessa vez.

 

“Eu gosto da ideia de você se tornando uma sábia. Precisa ser forte, mesmo um Madara envelhecido pode ser um oponente duro e aquela entidade que o acompanha certamente não é fraca. Quanto mais forte você for, melhor. Mesmo assim te acompanharemos, já decidimos isso com Jiraiya, Orochimaru, Dan e Sakumo”.

 

“Sakumo? Mas, como?”

 

“A Yūrei já retornou a resposta dele. Não me pergunte como... as vezes penso que Tora e Fukurō conseguem viajar no tempo!”. A loira disse, parecendo meio encabulada, ao mesmo tempo que divertida.

 

Sakura riu da afirmação de sua mestra. “Bom, eu precisarei estar sozinha para que ele confie em mim. Madara-sama dificilmente se abriria comigo, quanto mais com vocês junto, shishou”.

 

A Senju arqueou a sobrancelha. “Madara-sama?”

 

Sakura ruborizou. “Ele é um dos fundadores, merece o mesmo respeito que Shodai-sama”. Tentou explicar, rapidamente, em meio ao seu nervosismo. Deu-se conta de que tanto respeito era quase um exagero.

 

Sua mestra não engoliu a desculpa (e a garota percebeu isso), mesmo assim preferiu não forçar mais explicações da Haruno. “Quando esta guerra tiver acabado e o problema com Dan, Sakumo e o clã Uchiha tiver sido resolvido, convoque Katsuyu e siga para seu retiro no Shikkotsu, nós cuidaremos de Nagato e dos três órfãos”.

 

“Hai.”

 

“Aproveite para colocar seus pensamentos no lugar e entender o que terá que fazer, no que está se metendo. É importante você entender que na caverna não encontrará o Madara das suas visões. Naquela caverna, você encontrará o homem que matou seus amigos e dizimou quase toda a Aliança Shinobi. Sakura, ele não hesitará em te matar se pensar que você representa um perigo para o Plano da Lua”. A Senju a advertiu, fechando novamente os olhos em seguida.

 

Sentiu-se no dever de situar sua discípula, era necessário. Sakura era uma jovem inexperiente que achava que poderia enfrentar um urso com mãos e pés atados. No tempo de Hashirama, palavras bonitas e boas intenções não surtiram efeito com Madara quando ele decidiu atacar Konoha com a Nove-Caudas. Seu avô não conseguiu e eles eram amigos, então não seria essa moça a fazê-lo agora, um século depois.

 

Sakura queria perguntar à Tsunade sobre Jiraiya e Dan, mas perdeu totalmente a motivação para isso. Sua sensei lhe deu um golpe duro como sempre fez e para seu bem.

 

Depois de um tempo reflexiva, a jovem falou decidida:

 

“Eu serei a mais forte, Tsunade-sama. Aprenderei o senjutsu com Katsuyu-sama e voltarei do Shikkotsurin mais madura. Prometo não falhar na minha missão”.

 

“O que quer Madara possa sentir por você, se é que ainda sente, não o impedirá. Evite que qualquer sentimento por ele crie raízes em você. Mesmo meu avô, que era melhor amigo dele, poderia ter que matá-lo de novo, você não é diferente. Eu peço que tente ao máximo proteger o seu coração. Quero o seu bem e por isso te aviso: se eu perceber que você poderá se dar mal com isso, não te deixarei entrar naquela caverna, nem que eu tenha que ir em seu lugar. Quanto a ficar sozinha com ele... assim será, mas ficaremos perto e você nos reportará tudo”.

 

 “Falando assim até parece que não confia em mim”. Sakura, cruzou os braços dentro da água quente.

 

“Eu confio em você, mas não a deixaremos sozinha. Agora me diga se entendeu o meu aviso e que fará o seu máximo para não se deixar enganar pelas memórias do meu avô, me diga que entenderá que aquele Madara não existe mais. Prometa isso, Sakura”. Tsunade olhava em seus olhos com firmeza.

 

“Eu prometo, shishou”. A jovem afirmou, sincera.

 

A expressão da Senju, tornou-se terna. “Você entende que é para o seu bem?”.

 

“Hai!”

 

Com a confirmação enérgica de sua discípula, Tsunade ficou mais tranquila.

 

-0-

 

O grupo passou dois dias nas termas, afinal não poderiam se dar ao luxo de aproveitar mais que isso. Se demorassem um pouco mais para chegar ao front, Hiruzen mandaria Emma para puxá-los pelos cabelos dali e Kami sabe o quanto aquele macaco poderia se tornar um problema quando ficava bravo.

 

Por isso logo despontavam próximo do assentamento da legião norte na fronteira com Iwagakure. Do outro lado de um grande rio que cortava um terreno acidentado, era possível enxergar a floresta que escondia os Konoha-nin. O sol já se punha quando eles chegaram.

 

Os Sannins foram recebidos com as tradicionais honras dos guerreiros, obviamente que Tsunade aceitou logo brindar a melhor garrafa de saquê com Jiraiya e Sakura. Até mesmo Orochimaru e Dan quiseram brindar com eles. Outros ninjas logo juntaram-se às comemorações que se estenderam até as 21 h. Não poderiam tardar mais, pois precisavam muito estar descansados para as batalhas do dia seguinte.

 

A Haruno bebeu pouco, já que preferia mesmo era água naquela noite. Também decidiu dormir antes para poder acordar mais cedo e preparar pílulas de soldado. Em uma guerra, elas seriam imprescindíveis. Acordou muito antes do Sol nascer e andava pelo acampamento na direção da parte mais afastada do rio.

 

Ainda estava meio escuro, mas o símbolo pintado na parte de fora de cada uma das tendas era inconfundível - o fã de guerra do clã Uchiha estava ali orgulhosamente gravado. Havia pelo menos uma centena deles naquela parte do acampamento. Separados.

 

Ela havia quase atravessado tudo quando dois ninjas aterrissaram perto dela, um a sua frente e outro em suas costas, ambos eram Uchiha, claramente. O da frente usava uma espécie de gorro em sua cabeça e algumas mechas de seus cabelos, pouco mais compridos que os de Sasuke, pendiam meio desorganizados a frente de seu rosto. Ele trajava uma túnica clássica do clã, lembrava muito a que Madara usava no dia da morte de Izuna. Essa memória a distraiu por um segundo.

 

O outro vestia-se da mesma forma, porém tinha os cabelos puxados para trás em uma trança bem presa ao couro cabeludo. Era uma trança samurai e pelo comprimento que ostentava seu dono era um guerreiro muito habilidoso.

 

“Não tem permissão para andar aqui”. O ninja à sua frente informou, curto e grosso.

 

“Eu não pensei que precisava, apenas quero tomar um banho na parte mais privada do rio”.

 

“Porque precisa de tantos pergaminhos de armazenamento?”.

 

“Minhas roupas estão aqui e alguns são para armazenar as ervas que eu puder encontrar”.

 

“Ervas? Explique.”

 

“Sou médica, quero ver o que esta terra oferece. Os venenos que atingirão vocês podem vir daqui e a cura também”.

 

“Você é a discípula da Senju?”

 

“Sim, sou discípula de Tsunade-sama”. ‘Senju? Quem ele pensa que é para falar dessa forma da minha shishou?’. Sakura, perguntou-se.

 

“Deveria estar acompanhada, são tempos complicados para kunoichi sair sozinha, Sakura-san”. O soldado, que estava em suas costas, informou com um olhar risonho para ela, logo se colocando ao lado do companheiro. Ele era cortês, enquanto o outro era do grupo de membros mais desconfiado do clã, os mais soturnos também.

 

“Posso acompanhá-la?”

 

“Que? Não!”. Sakura se espantou.

 

Ambos os homens riram, é claro que ela entenderia errado e isso era divertido. “Uh, acalme-se, Uzumaki-san. Guardarei o perímetro do rio enquanto a senhorita se banha, mas de longe e então lhe acompanho na coleta das ervas. De acordo?”

 

Sakura estreitou os olhos para ele e arqueando-se, levemente com ambas as mãos na cintura, ameaçou-o. “Se eu sequer pensar que me espiou... Tente qualquer coisa e eu quebro todos os seus dentes, Uchiha-san!”. A expressão da mulher ‘Uzumaki’ era aterrorizante, os homens contariam a seus companheiros de clã, mais tarde.

 

Somente Madara-sama para apaixonar-se por uma Uzumaki maluca como aquela...

 

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Aquele dia amanheceu e com ele veio um dejejum rápido e uma dispersão mais rápida ainda. Sakura mau viu Hatake Sakumo de longe. Ela esperava tanto conhecer o pai de Kakashi que sentiu uma grande saudade de seu sensei ao simplesmente enxergar o tantō pendurado em suas costas e aqueles cabelos cinzentos presos em um rabo de cavalo.

 

Sakumo e Kakashi-sensei eram extremamente parecidos, possuíam a mesma agilidade, a silhueta, os movimentos... Até a forma como o Hatake mais velho se apoiava de pernas cruzadas ou se agachava sobre os galhos das árvores - quando faziam paradas para reagrupar os esquadrões ninja – era parecida.

 

Sakura, os Sannins, Dan, a Yūrei alguns ninjas do Aburame e o trio InoShikaCho eram a vanguarda da legião, aquele foi um movimento de deslocamento. O esquadrão alfa vinha logo em seguida com dois membros Hyuuga e um Uchiha. Então todas as divisões compostas por Hyuugas, depois as divisões compostas por Uchihas e por último bravo e delta que eram compostos por uma mistura Hyuugas e Uchihas.

 

Era a melhor organização para uma legião tão grande e ao mesmo tempo tão problemática. Os esquadrões alfa, bravo, delta e a Yūrei eram os únicos em que Uchihas e Hyuugas aceitaram trabalhar juntos. Essa façanha quem conseguiu foi Dan com a ajuda daquele que recentemente tornou-se pai de Minato Namikaze. O restante da legião se constituía de duas divisões, uma do clã Hyuuga e uma do clã Uchiha. Eram como água e óleo, não se misturavam, e isso era um grande problema militar.

 

Rapidamente Sakura e os Sannins perceberam que era essa a questão diplomática mencionada por Hiruzen em suas cartas. Iori e Senshi – líderes do Hyuuga e do Uchiha – francamente, não se esforçavam tanto para que os membros de suas famílias colaborassem.

 

Os poucos ninjas de clãs menores como o Akimichi, Aburame, Sarutobi e Nara também não eram capazes de ajudar na coesão da legião. Nos dias que se seguiram, a Haruno entendeu por que Dan poderia morrer em breve; ele e seus esquadrões ficavam na vanguarda, recebiam o impacto da batalha, enquanto os outros eram mais poupados.

 

O jōnin não duraria muito, algo precisava desesperadamente ser feito.

 

Tsunade prestava atenção ao que sua discípula dizia e trabalhava com esmero para evoluir seu selo, no entanto ainda não obtivera sucesso. Ainda era cedo, apenas uma semana se passara, mas ela estava muito apreensiva. A necessidade poderia vir a qualquer momento. Sakura fazia o seu máximo para acalmá-la, mesmo estando ela apreensiva também.

 

Naquela primeira semana, dois dias de confrontos pesados ocorreram, mas com poucas baixas. Suas pílulas de comida foram uma novidade muito apreciada e seu trabalho médico ao lado de Tsunade ainda mais. A ‘Uzumaki’ ganhava fama e aos poucos passava a ser mais aceita.

 

Houve pouquíssimas oportunidades de conversar com Fukurō e Tora, os dois Uchihas estavam sempre muito empenhados, muito requisitados tiveram que se ausentar para levar importantes informações para outras legiões. Contudo, na terceira semana a neve começou a cair e as batalhas tornaram-se mais ocasionais. Uma trégua muda naquela guerra sangrenta marcou o dia de Sakura no front com Iwagakure.

 

Ela suspirou, passando o braço sobre a testa suada, enquanto mexia a mistura de um potente veneno fabricado com o aconitum (sumo de uma planta venenosa) para revestir suas senbons e kunais. Alguns se perguntavam de onde a kunoichi conseguira a flor perene durante o inverno - obviamente ela não lhes deixou vê-las surgindo de seu jutsu Mokuton. Ninguém saberia de suas habilidades a não ser que fosse em caso de emergência.

 

Orochimaru, estranhamente, observava-a embeber suas armas no veneno. Ele parecia muito interessado. Aliás, o homem se desculpou com ela no dia anterior. Foi mesmo espantoso, a serpente pareceu sincera e simpática.

 

“Posso convidá-lo a vir junto da próxima vez em que eu for coletar mais ervas, Orochimaru-sama”. Sakura falou para ele, sorrindo enquanto o observava com o canto dos olhos.

 

O Sannin ergueu levemente as sobrancelhas, não esperava a oferta simpática da moça. Pensou que seria muito mais difícil conquistar sua confiança. “Não precisa o fazer somente por cordialidade, Sakura-san”.

 

“Não se trata de cordialidade, é uma oferta de amizade e confiança, apenas aceite. Aposto que está sendo difícil se adaptar a essa nova fase em sua vida”.

 

“Está, realmente”.

 

“Então é isso, somos amigos de agora em diante. Está bem para o senhor, Oruchimaru-sama?”

 

 “É claro, Sakura-san, desde que troque o sama por san”.

 

“É claro”. Sakura sorriu, voltando a trabalhar o veneno em suas armas, desta vez com Orochimaru ao seu lado lhe ajudando. Ela até compartilhou sua receita com ele e o ajudou a revestir suas armas com o veneno também.

 

Conversas aleatórias e amenas surgiram e a Haruno descobriu que o Sannin poderia ser uma pessoa agradável, embora mais lacônico e observador. Orochimaru era o tipo ideal de sensei para Sasuke, ela não teve dúvida.

 

Aquele dia se foi sem intercorrências, ela e Tsunade acompanharam os treinamentos das divisões e prestaram apoio aos ninjas que se recuperavam na tenda médica. No final da noite, Fukurō apareceu, chamando-as para reunirem-se junto a todos à beira de uma fogueira. Estava na hora de finalmente conhecer Hatake Sakumo e saber quais os próximos passos de Konoha na batalha. Se a Haruno bem se lembrava, o fim da guerra poderia estar próximo (cerca de um ano) e seria sangrento.

 

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Todos estavam de acordo que Dan e seus esquadrões não ficariam sozinhos na vanguarda. Mas havia um problema, Hyuugas e Uchihas queriam cada um o apoio de ao menos uma das duas médicas e isso significava tirá-las da linha de frente (isto é, de perto de Dan) para colocá-las na retaguarda dos clãs.

 

“Senshi, Iori, conto com vocês para dissuadirem seus membros. Não posso separar Tsunade e Sakura, não agora.” Era a primeira vez que Sakura ouvia a voz do pai de Kakashi, o via de perto e, deuses, como eram parecidos.

 

“Nossos clãs podem oferecer a proteção que elas precisam, sabemos do valor que tem um médico”. Iori, respondeu, convencido de que Sakumo não poderia contradizê-lo.

 

Sakura viu nos olhos castanhos de Sakumo, que ele já não estava com muita paciência para tolerar as exigências dos mimados líderes dos clãs nobres. Mesmo assim, o Hatake manteve a calma que a fazia lembrar tanto de seu sensei despreocupado.

 

“Eu posso lhes ceder Sakura, temporariamente, com uma condição.”

 

“Qual?”. Ambos os líderes indagaram juntos, seu interesse evidente nas habilidades da médica para seus clãs.

 

“Que ela possa ajudar ambos e que vocês trabalhem unidos enquanto ela lhes prestar auxílio. É uma ótima proposta, o que acham?”. O Hatake indagou.

 

“Não, precisamos de uma médica inteira, não metade. Dê-nos, Tsunade também e Sakura poderá ficar com os Uchiha então”. Iori contrapropôs.

 

Tsunade, de braços cruzados a frente do peitoral de sua armadura, revirou os olhos, não acreditava que em qualquer futuro maluco aceitaria ser Hokage e ter que negociar com homens que pensavam ‘carregar o rei na barriga’. Mimados, era isso que eles eram.

 

Sakura não estava muito diferente de sua mestra. Muito embora estivesse feliz por ser útil como médica, a Haruno não queria de forma alguma correr o risco de não estar perto quando Tsunade e Dan precisassem dela. Além disso, até aquele momento não precisou usar nenhuma de suas habilidades de luta.

 

Sentia falta de rasgar a terra com seus socos cheios de chakra, da adrenalina de enfrentar centenas de inimigos de uma vez só e subjugá-los com o Mokuton que ela cada vez mais aperfeiçoava. A ninja do time sete percebeu que gostava muito da sensação de poder, de estar à frente e não apenas às costas dos grandes shinobi. Queria ter sua parcela de vitória pessoal e a adrenalina correndo em suas veias tinha um bom gosto.

 

‘Nós também dançamos, Shanaroo!’. Inner exclamou, triunfante e Sakura riu da expressão, disfarçando a lembrança que provocou nela.

 

Quem sabe ao final de seu treinamento ela desse uma boa dança a Madara...

 

Enfim, voltando à reunião, Sakumo não conseguiu convencer Senshi e Iori com relação ao posicionamento das médicas. Com muita paciência, pensava em outra possibilidade. Afinal, ceder Sakura e Tsunade – uma para cada clã – não era o verdadeiro problema; elas poderiam chegar até Dan rapidamente. A questão é que assim o Uchiha e o Hyuuga continuariam apartados.

 

“Cederei a Yūrei para a proteção da médica e apoio a ambos os clãs. É minha última oferta. Não aceitem e retiro tudo, nesse caso, a ninja participa do ataque na vanguarda”.

 

“Hatake-san, você não pode tomar essa decisão sem o nosso conselho”.

 

“Eu posso e vou. Última chance”. Afirmou, enquanto cruzava seus braços e segurava seu queixo com a mão direita. Sakumo prendia um sorriso de canto que insistia em irromper. Ninguém recusaria a Yūrei.

 

“Feito!”. Senshi declarou, antes mesmo que Iori pudesse processar o assunto.

 

O Uchiha queria Fukurō e Tora por perto. Não estava fácil manter os amotinados seguidores de Madara obedientes. E aquele casal fazia isso muito bem, apesar de as vezes provocarem mais desentendimentos entre seu clã e os Hyuuga. Mas, era melhor brigar com os de fora do que a discórdia em sua própria casa. O que eram algumas complicações com o clã de Iori em face da diversão e apoio que Fukurō e Tora lhe traziam?

 

Os ditos Anbus ouviam as discussões, em silêncio. As únicas coisas que queriam saber é quando Sakumo deixaria Sakura com eles e quando poderiam entrar de fato na batalha. Fukurō mesmo estava cansada de ‘bancar’ a mensageira. “E quanto aos novos componentes do nosso esquadrão? Estamos desfalcados, Hatake-sama”. A mulher, de cabelos violeta, chamou atenção para si.

 

Tora amava ouvi-la naquele tom inquisitivo, ela ficava extremamente atraente quando exigia alguma coisa. Seu próprio timbre de voz era mais agravado e imponente. Ainda bem que aquela mulher era dele, pois não resistiria muito tempo sem invadir a tenda dela para tomar seus lábios e fazê-la sua. Casou-se com ela para isso mesmo, para poder estar perto o tempo todo e admirá-la lutando. Amar era pouco para o que sentia por aquela atrevida kunoichi de cabelos roxos.

 

“Sakura-san”. O Presa-Branca finalmente dirigiu a palavra à jovem médica, que estava sentada perto dos Sannins (do outro lado da fogueira). Ela gostou do timbre de voz dele, o homem tinha uma voz mais aveludada que a de seu sensei.

 

“Hatake-sama”. Cumprimentou-o com uma reverência leve.

 

“O lugar de Namikaze-san espera para ser preenchido. Aceitaria?”

 

Os olhos da ninja brilharam, por outro lado perguntou-se como ficaria o tal Namikaze. “Agradeço a confiança, senhor!”. Aceitou mesmo assim.

 

“Ótimo”. Acenou com a cabeça para ela. Seus olhos castanhos, contentes, desviaram para Dan, do seu lado direito. “Eu vou com os Sannins na vanguarda, você segue no comando da Yūrei. Ajude-os a treinar Sakura-san em suas técnicas especiais de rastreamento e combate”.

 

“Hai!” Dan respondeu, prontamente.

 

Saber que de agora em diante seria parte de uma nova equipe causou em Sakura uma sensação muito estranha – de alguma forma ela sabia que sempre se sentiria uma forasteira. Ela não era da Yūrei de Dan, Haruno Sakura era do Time Kakashi.

 

Porém, ficou feliz por ter sido designada para o time de Dan, afinal ela precisava prestar apoio a ele e a todos que estavam em sua divisão no fatídico dia de sua morte. Fukurō e Tora pareciam ninjas honrados e de paz, também pareciam gentis. A Haruno torceu para que suas impressões estivessem corretas, assim seria menos difícil adaptar-se.

 

A única coisa da qual ela não se agradou é que ficaria longe de Tsunade, Jiraiya e Orochimaru durante a batalha. Pois, o novo posicionamento estratégico exigia a Yūrei entre os Hyuuga e Uchiha e isso não dizia respeito apenas ao deslocamento e batalhas, mas também ao seu acampamento. Teria que montar sua tenda entre as duas divisões.

 

‘Cercada por Uchihas e Hyuugas... já sinto minha cabeça doer’. Pensou, desligando-se por um instante das discussões.  Ela torcia para que os Uchihas fossem mais como aquele que a guardava quando precisava coletar plantas, pois se fosse como o outro de cabelos desgrenhados, ela enlouqueceria. Sakura queria muito o socar para diminuir um pouco sua arrogância.

 

‘Ele não é muito diferente de Sasuke e dele... apenas não dá sua confiança gratuitamente’. Inner lhe forneceu. Sakura sabia que essa era um traço muito forte nos membros desse clã, a julgar por aqueles que ela conheceu e por sua história, mas aquele Uchiha era implicante.

 

Isso a fez se perguntar do porquê Riaru (Tora) e Tsuyoi (Fukurō) a acolheram tão facilmente, uma vez que é certo que Sakumo e Dan haviam falado sobre ela antes de lhe convidarem para compor o esquadrão no lugar do tal Namikaze.

 

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Após o término daquela reunião. Sakura trocou breves palavras com Fukurō, agradecendo por terem a aceitado. Ela aproveitou a oportunidade para perguntar sobre quem era o membro que se ausentou, afinal o clã Namikase era quase um mistério na época da qual viera.

 

“Namikaze-san recebeu o direito de voltar para casa para cuidar de sua Tsuma (esposa), ela está para dar a luz em breve”. Tsuyoi, informou.

 

“E quanto ao restante de seu clã?”

 

“O que tem eles?”

 

“Eles?”

 

“Sim, o Namikaze. O que quer saber deles?”

 

Isso estava estranho. A pergunta óbvia era: “Quantos são?”

 

“Ah!” Tsuyoi riu. “São um clã pequeno, cerca de 30 pessoas, todos ninjas”.

 

“E onde estão?”

 

“Fazem parte da legião Sul agora. Os Namikaze são muito versáteis e extremamente rápidos. Como Konoha sofre com ataques de ninjas sem linhagem sanguínea por lá, os Namikaze foram enviados porque aqui cada Uchiha e Hyuuga é necessário. A legião sul é uma legião de contenção, enquanto a nossa é de avanço, por isso sofremos tantas baixas e precisamos ser os mais fortes”.

 

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Em Konoha, Mito fazia visitas periódicas ao parque Senju para levar Nagato, Konan e Yahico passearem. Em breve os garotos poderiam ingressar na Academia e ter a possibilidade de aprender em segurança. Ainda estava longe de ser como Hashirama queria, mas Konoha tinha mais possibilidades de cuidar de suas crianças do que antigamente.

 

Porém não eram as guerras que a preocupavam naquele momento...

 

Sentada no banco abaixo da árvore de cerejeira na praça, a Uzumaki observava as crianças correndo pelo parque Senju, já entardecia e a luz amarela-avermelhada do Sol beijava as águas do lago com peixes koi saltitantes. Muitas árvores perderam suas folhas por causa da neve, mas as nemóphilas de Safir continuavam intactas, sempre azuis e delicadas. A neve ao redor de Tobirama e Kaya era muito apropriada.

 

Seus pensamentos viajavam longe no tempo, sentia falta de Hashirama, Tobirama, Safir e de Touka. Todos se foram. Ela foi tirada de suas lembranças deles quando o azul tomou conta de sua visão, vários tons de azul na verdade.

 

“Outra vez no passado?”.

 

“Yume-sama?”. Mito reconheceu a voz aveludada e profunda da deusa. Olhava para ela com admiração e surpresa. Fez uma reverência, o mais formal que pode em sua idade. Era a primeira vez que a via em sua aparência real.

 

“Dispenso o honorífico, apenas Yume. Somos amigas afinal de contas, não é?”. A Mulher que trajava o mesmo vestido de sedas azuis esvoaçantes de sempre, olhou para o lugar vazio ao lado da outra ruiva. “Posso me assentar com você para aproveitar o final desta bela tarde?”

 

“É claro! É uma honra.” Respondeu, cordialmente.

 

“Obrigada!”. A Deusa lhe sorriu.

 

“Está na hora?”

 

“Não, ainda não. Só mais um pouco”.

 

“Ela é muito curiosa e merece saber a verdade. Já começou a perceber as diferenças”.

 

“Sim, eu sei. Mas não é disso que vim falar”.

 

Mito permaneceu em silêncio, atenta ao que a deusa diria. “Desci, oculta de Yoru. Não tem sido fácil enganar os olhos dela e de Yami...”. Yume suspirou. “Ainda bem que Mirai foi convencida. Parece realmente que Jashin acertou seu palpite desta vez. Mirai não pode confundir Yoru por muito tempo. Então posso demorar muito para descer novamente”.

 

“Eu compreendo. Então, diga... À que veio, senhora?”

 

“Você tem se abstido de falar o que instruí. A mortal precisa saber mais de Madara. Se não o fizer, encontrarei outros para fazê-lo”. Informou. Ela não estava sendo rude, apenas era muito tarde para parar seus planos com Jashin.

 

“Somos realmente amigas?”

 

“Eu não preciso mentir”.

 

“Eu não vejo sentido em colocar mais na cabeça dessa jovem. O que ela viu é muito mais importante do que as histórias que temos sobre Madara. Se interagir com ele não foi capaz de convencê-la, ouvir sobre faria?” Indagou, fazendo uma pequena pausa. Yume não a respondeu pois mantinha sua opinião.

 

Vendo isso, Mito resolveu continuar: “Além do mais, o que vocês têm feito em relação ao Uchiha? Amolecer o coração da garota para mandá-la para ser quebrada pela indiferença dele é cruel. Não o farei”. A Velha Uzumaki pontuou, firmemente.

 

Yume cruzou as pernas e os braços, recostando-se em seu lugar, enquanto exibia feições de desagrado. “Madara e Yoru são realmente difíceis de dobrar...”. Ela fez uma pausa pensativa, então decidiu revelar. “Indra não está tão acessível quanto Haru”.

 

“Não são palavras que conquistam um coração, Yume-sama, são ações, reciprocidade”.

 

“É o que temos para hoje. Precisamos ser cuidadosos e com a garota jovem como está não podemos fazer muito”.

 

“Se nada podem fazer agora, de que adianta povoar a cabeça dela com essas informações?”

 

“Yoru está desconfiada. Ela tem o próximo movimento... a vi estudando o tabuleiro, uma peça em especial”.

 

“Eu não tenho muito o que fazer com isso, preciso saber de mais. Se eu sou a única do lado dessa garota, eu a defenderei. Mesmo que atraia até mesmo a sua ira”.

 

Yume bufou. “É estupidez, você sabe disso. Posso conseguir o que precisamos com outro mortal. De nada adianta nos enfrentar”.

 

“Meu clã a tem como protetora. Cultuamos a tua sabedoria e justiça.  Então, por que me faz ver coisas que a desaprovam?”

 

“Porque não sou a bondade. Eu sou o destino, o tempo, a vida, a morte, as consequências. Vocês seres humanos tem uma grande tendência a adorarem qualquer coisa. Isso os afasta daquele que é perfeito”.

 

“Eu não compreendo”. Mito confessou, humildemente.

 

“Compreenderá quando Ele quiser que compreenda. Ele é como o vento”.

 

Conformada, Mito retomou o assunto da Haruno, “Essa peça... é aquele pelo qual ela chamava?”. Yume anuiu com um aceno de cabeça, enquanto observava os peixes koi saltarem.

 

“Sim. Não é preciso muito para guiá-lo até ela.... Essas encarnações são como aquelas carpas”. Assinalou, apontando o queixo para os peixes.

 

“Ambos persistentes em seus objetivos, mesmo que os anos se passem”. Mito concluiu o que a deusa provavelmente pensava.

 

“O que disse?”. A deusa perguntou, após um pequeno sobressalto.

 

“Que eles são persistentes. Esses Uchihas parecem incansáveis quando se prendem a algo, era o que Tobirama-san diria”.

 

“Não, não isso. A frase, repita a frase toda, a de antes”.

 

Mito piscou algumas vezes, então enunciou o pensamento novamente “Ambos persistentes em seus objetivos, mesmo que os anos se passem”.

 

“...Mesmo que os anos se passem...” Yume rolou as palavras por sua língua. “É isso”.

 

“O que planeja fazer, senhora?”

 

“Eu manipularei a realidade... Um segundo oculto dos olhos de Yoru e terei o coração da Haruno seguro. Mesmo que divindade amargurada traga a outra encarnação”.

 

“A senhora parece crer firmemente que a jovem escolherá Madara, por qual razão?”

 

“Sakura é o receptáculo do meu irmão e Madara é o atual de Yoru. Não é só Haru quem se volta para Madara. Mas o outro deus do qual Sakura é o recipiente, Nahato. Nahato ama Yoru. Isso torna a ligação de Sakura muito mais intensa com Madara, é apenas questão de colocá-los em sintonia e as faíscas se tornaram incêndio.”

 

“É por isso que a senhora desconfia de que ela pode trazer o outro?”

 

“Não tenho certeza se ela percebeu, mas é o que eu faria se fosse ela. Trazer o garoto pode colocar todo o nosso plano a perder. É uma competição desleal, Madara está velho. Seria um xeque-mate...” Yume, fez uma pausa, devido a seriedade do que falava, enquanto tinha um olhar penetrante nos olhos de Mito. Ela precisava convencer a astuta princesa de Uzushio.

 

“Caso Sakura não esteja devidamente preparada e a interação com o outro ocorra, certamente perderemos. Nossos planos estarão acabados, vocês mortais e nós também. Não importa se os daqui ou os de lá, todos morrem assim...” Ela estalou os dedos. “Em um estalar de dedos”. A deusa ruiva suspirou. “O que estou falando é sério, Mito”.

 

“Eu compreendo a gravidade...” A princesa ruiva começou, mas tremeu um pouco sua voz, somente por tentar imaginar quantas milhares de vidas poderiam ser afetadas pelo capricho de uma deusa. “Eu compreendo. Porém, Madara não compartilha dos mesmos sentimentos por Sakura... e... eu me nego a jogar com as emoções dessa garota por um objetivo egoísta, mesmo que seja humanidade em troca”.

 

“Isso não é um jogo, estamos criando o cenário, Sakura e Madara se movem sozinhos... bem eu, Jashin e meus amigos damos alguns empurrãozinhos, mas nada seria possível se o coração deles não quisesse. Por isso quero apressar a interação da jovem com Madara e Yoru quer trazer a outra encarnação. Será o coração de Sakura que decidirá mediante às condições a que é submetido. Em outras palavras, não tocamos em seu livre-arbítrio”.

 

“E quanto ao Aka Ito?”

 

“Ele é puramente a expressão do desejo da alma da jovem e atualmente se divide em dois. O que queremos é que a divisão suma, a do lado do mais jovem, é claro”.

 

“Eu aceito, mas só direi o que querem se eu tiver certeza de que existe ao menos um resquício de paixão em Madara por essa jovem. Se esforcem por isso, eu lhes peço.”

 

“Eu e meus aliados faremos o possível”. Yume levantou-se e começou a andar em direção ao lago. Em poucos segundos seus pés já tocavam as águas. “Até breve, Uzumaki Mito!” A mulher despediu-se com um aceno, enquanto virava-se para ela.

 

“O que farão?” Mito tentou obter mais alguma informação sobre os próximos passos da deusa.

 

“...Mesmo que os anos se passem...” A divindade cantarolou as palavras de Mito, então completou: “Os dias se passarão para Madara e Sakura e eles se encontrarão exatamente no meio. Não é brilhante?! Eu tinha certeza de que valeria a pena conversar com você, obrigada, amiga. Até mais!” Sorridente, Yume desapareceu de onde estava bem no meio do lago.

 

“Mas como?” Já sozinha, a velha Uzumaki se perguntou.

 

“Segure essa ansiedade, logo você saberá!” Yume soprou em sua mente.

Chapter Text

 

“Aqui, aqui e aqui” Sakumo apontou três vales entre as grandes montanhas escarpadas de Iwagakure no Sato. “Não sabemos com certeza em qual destes estão, por isso atacamos os três em simultâneo, precisamente ao mesmo tempo.”

 

“Obviamente o verdadeiro forte deverá estar mais protegido.” Dan comentou.

 

“Eles previram que analisaríamos isso também, todos os locais possuem exatamente o mesmo número de sentinelas, soldados e até a mesma estrutura.” Fukurō, informou alguns dos dados que obtivera no dia anterior ao visitar os locais visados como uma espiã solitária.

 

“Devem ser clones, só colocariam shinobi a mais no local em que os pergaminhos estiverem realmente. Existe alguém entre vocês Uchiha ou Hyuuga capaz de diferenciar clones com seu jutsu ocular?” Jiraya perguntou, enquanto tinha os braços cruzados e a mão direita segurando seu queixo.

 

Iori, prontamente meneou a cabeça em negativa, ao mesmo tempo que sentia raiva porque em seu clã tal coisa jamais foi possível e nem mesmo a sua linhagem principal era capaz de alcançar esse feito. Mas, principalmente porque no clã de seu arquirrival, isso era uma habilidade facilmente alcançada, mesmo que não por meio do sharingan.

 

Uchihas, sempre a prodigiosa Joia de Konoha. Ele revirou os olhos mentalmente.

 

Tora ergueu os ombros, falando, preguiçosamente. “Atualmente não temos ninguém tão hábil em fazê-lo, mas consigo ter uma boa noção de quem podem ser os clones se eu me esforçar no jutsu que meu pai me deixou.”

 

“Porém nada como os shinobi que o inspiraram.” Tsuyoi observou e seu marido meneou a cabeça em confirmação.

 

“Se há chance de sucesso, por mínima que seja, pode ser uma boa ideia tentar. Terá de ser rápido, Tora” Sakumo o advertiu, cobrando extrema seriedade do pacato Uchiha.

 

Tora sorriu, adorava oportunidades de saltar com seu Mangekyō, não era sempre que usava essa habilidade.

 

“Posso saber em quem o pai de Riaru-san se inspirou para desenvolver um jutsu que diferencie clones, Tsuyoi-san?” Sakura cochichou no ouvido da mulher.

 

“Nosso progenitor, Uchiha Madara, é claro.”

 

Sakura franziu o cenho para o aparente elogio ao seu inimigo. Tsuyoi e Riaru seriam parte do grupo que apoiava as ideologias distorcidas de Madara?

 

“Bem, o plano será o seguinte: Invadimos em três grupos e ao mesmo tempo. Tora fará o percurso de um local ao outro - antes que ataquemos - para nos ajudar a ter ideia de qual lugar é de fato o verdadeiro. Descrição é a chave dessa missão, por isso vamos apenas nós os cabeças e aqueles que possuem as técnicas mais discretas. Sakura-san, você irá apenas sobre a prerrogativa de que conterá sua vontade de abalar a terra...” Sakumo a avisou. “Aqueles que estiverem nos locais falsos, devem entrar e sair sem deixar mortos, não podem ser percebidos. Contudo, se forem não deixem ninguém escapar ou o alarme soará. Entendido?”

 

“Hai!” Todos confirmaram, meneando a cabeça para Sakumo, que os encarava.

 

“Assim como podemos ter esquadrões falsos, também podemos ter pergaminhos falsos e pior: armadilhas e bombas neles. Por isso vocês Uchiha e Hyuuga terão uma nova organização nos esquadrões alfa, bravo e delta. Os membros dos outros clãs (Nara, Sarutobi, Yamanaka e Akimichi) serão substituídos por mais um shinobi proficiente no uso do Byakugan ou Sharingan. E quando digo proficientes, digo os melhores.” Sakumo terminou a frase olhando, sugestivamente, para Iori.

 

“Não há situação em que permitirei minha noiva perto de Uchihas.” Iori informou, desafiador, olhando de soslaio para uma das sentinelas do clã mencionado.

 

Isso fez com que uma veia saltasse na testa do Uchiha de cabelos desgrenhados (aquele que foi grosseiro com Sakura em seu primeiro dia no acampamento).  O dito homem apertou o cabo de sua katana, tentando controlar a raiva; sabia que Iori tinha certos ciúmes dele, além do óbvio desdém por sua pessoa e seu clã.

 

“Acalme-se, não precisamos de mais desentendimentos.” Tora, sussurrou para o dito guarda, que estava ao seu lado, afinal eram amigos.

 

O Hatake continuou a reunião, explicando que havia três pergaminhos que guardavam, um: preciosas informações sobre as linhagens de sangue e jutsus dos clãs de Konoha; dois: informações sobre as linhagens de sangue e jutsus de todas as outras nações; e três, o mais importante: o Pergaminho do Selo, sim aquele pergaminho que continha todos os jutsus do Nidaime Hokage, de Senju Hashirama e os selos de Uzumaki Mito.

 

Sakura na hora lembrou-se que foi esse o pergaminho que Naruto roubou - na tentativa de tornar-se genin - aconselhado por Mizuki-sensei. Até mesmo o selo do ceifeiro usado pelo Yondaime Namikaze Minato estava lá. Sem contar o jutsu multiclones das sombras e outros tantos que poderiam ser armas poderosíssimas na guerra contra Konoha e as outras nações ninja.

 

Recuperar esses três pergaminhos era imprescindível para Konoha.

 

O futuro pai de Kakashi terminou instruindo que aqueles esquadrões que encontrassem os lugares falsos deveriam se dirigir para o forte verdadeiro, tão logo pudessem, para ajudar a recuperar os pergaminhos. Tora ficaria encarregado de transportá-los e Sakura ficou curiosa em como ele seria capaz de tal prodígio.

 

 

 

 

 

Seu treinamento começou com os ensinamentos sobre rastreio avançado, isto é, a nível ANBU. Para ela (que era sensível a genjutsu) seria deveras uma ótima oportunidade de sobressair-se. Fukurō percebendo essa habilidade na ‘Uzumaki’, ofereceu-lhe treinamento adequado. Com Tora, ela passou a aprofundar sua capacidade de infiltração veloz e silenciosa. Sakura tornava-se uma kunoichi cada vez mais letal.

 

Com o passar dos dias no front e o contato com os membros da Yūrei, aproximou-se mais do Kato e fez amizade com ele. Ansiosa como era por se superar e como uma ávida estudiosa da história de Konoha, a ninja do time 7 logo pediu ao shinobi que a ensinasse.

 

Com o passar do tempo e por protegerem um a retaguarda do outro no mesmo esquadrão, a confiança do ninja de cabelos azuis aumentou cada vez mais, a ponto dele lhe confidenciar seus receios em relação ao maior envolvimento de Tsunade com Jiraiya. Sakura foi a mais sincera que pode (sem ser intrusiva em assuntos que não lhe diziam respeito), com isso tornou-se ainda mais admirada pelo Kato.

 

Mesmo assim, a jovem médica jamais imaginou que Dan lhe proporia, minutos após a reunião estratégica que acabara de ocorrer, que ela tentasse aprender com ele o seu Reika no Jutsu (Técnica de Transformação em Espírito). O ninja não queria que seu conhecimento se perdesse, mesmo que morresse, queria que seu legado continuasse. Obviamente, ela ficou lisonjeada e aceitou. Seu treinamento se iniciaria em breve!

 

 

 

 

 

Na noite que antecedia a missão, Sakura refletia no quanto Fukurō e Tora pareciam aguardar que algo viesse dela. Mas, o que seria? Pareciam saber coisas sobre sua pessoa que ela mesma desconhecia e isso era incomodo, ainda mais porque eles estavam lacônicos quando a Haruno tinha certeza de que eram falantes.

 

Deitada em seu futon e encarando o teto de sua barraca, a ninja não demorou a adormecer. Caiu nos braços do sono suavemente e flutuou no ar indo para o nada, até que sua mente começou a se materializar em um cenário desconhecido. O mesmo ocorrendo com Madara em sua caverna no Cemitério sob as Montanhas, com exceção de que ele sim conhecia muito bem aquele cenário. Ele viveu aquilo. O shinobi não dormia tão bem desde a época da fundação de Konoha, onde teve um curto ano de Paz.

 

 

 

 

 

Madara sonhou estar em seu passado, ele conhecia aquele lugar, era seu quarto. Havia sido um dia exaustivo, planejar toda uma vila não era tarefa fácil. Hashirama também falava muito e toda aquela empolgação dele o desviava muito do foco as vezes – quer dizer, na maior parte do tempo. Por outro lado, ainda havia Tobirama, conviver no mesmo ambiente com o homem que matou seu irmão, ainda o enfurecia.

 

Depois havia ainda os conselheiros de seu clã, ele estava prestes a depor todos aqueles anciões desocupados... por último, vieram com a ideia de eleger uma noiva para ele.

 

“Hmph” Bufou. ‘Como seu eu precisasse de casamento ou linhagem para ser um bom líder’. Refletiu.

 

Outro pensamento surgiu, mas a voz era baixinha e ele não queria que se elevasse, pois o que ela dizia era dolorido. ‘Izuna é quem deveria continuar a nossa linhagem..., mas agora não poderá.’

 

Virou-se em seu futon, encarando a porta de papel shoji de seu quarto, nela a luz das poucas velas em seu quarto trepidava. A imagem da dança do fogo o fez se perguntar com o que sonharia hoje. Seria com o dia em que encontrou a garota de cabelos rosados pela primeira vez? Com o dia em que a encurralou naquela caverna e quase a beijou? Sorriu. Ou com o dia em que falou de casar-se com ela e ambos coraram, que foi o mesmo dia em que saltaram as árvores como os ninjas que eram fazendo todo o caminho de mãos dadas? Seus olhos brilharam.

 

Apesar de amar a visão dela corando, preferia que não fosse esse o sonho que sonharia, pois no dia em que essas coisas aconteceram Izuna foi tirado dele.

 

Afastando essa lembrança, Madara pediu internamente para sonhar com o dia em que quase a beijou e talvez ir além no mundo dos sonhos para sentir os lábios de mel dela. Mesmo não demonstrando, ele queria muito tê-la. Assim como as lendas em seu clã passaram a dizer, o destino de ambos estava ligado por kami.

 

Não poderia haver nada mais apropriado para o exímio shinobi que ele era do que ter seu Aka Ito enlaçado com uma kunoichi semelhante a ela. Seriam sem dúvida o casal mais poderoso do país do Fogo, quiçá do planeta todo. Seu coração se encheu de orgulho ao imaginar-se mostrando-a a todos como sua matriarca.

 

Por todo lado e em toda Konoha até mesmo as crianças cochichavam umas para as outras quando ele passava: “Será que a Yūrei está invisível atrás dele?” Pasmem, algumas o vigiavam - seguindo de longe seus passos - esperando ver se o espírito apareceria em algum momento. Cada vez que pensava nisso, o Uchiha tinha vontade de rir, ela não era um espírito.

 

O Uchiha queria que em algum dia desses a Senju aparecesse, mesmo que fosse ‘espiritualmente’ bastaria.

 

A vontade de conhecê-la, estar perto, havia atingido níveis impensáveis para ele e pensar era o que mais fazia atualmente; pois estava tendo muito tempo a noite e não havia mais uma guerra para vencer. A possibilidade de uma paz duradoura conquistada por ele e por Hashirama o fez imaginar que talvez fosse o momento para pensar em linhagem...

 

A pouco mais de três anos isso era uma ideia absolutamente ingênua e louca para o Uchiha – pensamentos assim ainda o rondavam. Mas, Rocco poderia estar certo, ele merecia recomeçar uma família... viver só a vida toda seria... solitário. Hashirama casaria em menos de um mês, Madara sorriu com o pensamento, o Senju abobalhado caía de amores pela Uzumaki.

 

Seu coração palpitou, ele também gostaria de saber com seria ter alguém, tê-la.

 

Virou-se novamente, e de novo, vindo a fitar os olhos em sua porta de papel. O sono não queria vir. Ansiava que chegasse logo, seus sonhos com ela não haviam cessado por um momento sequer e passaram a ser a coisa mais próxima que tinha de carinho... por mais estranho que parecesse, até mesmo o soco da garota soava aconchegante.

 

Repentinamente, um pequeno ranger de madeira dentro de sua casa chamou-lhe a atenção. Mas, como? Não sentia chakra a quase meia milha de distância de seus portões... ‘selo’. Madara estreitou os olhos para a astúcia ingênua de seu invasor (ou invasores). Sorriu em seguida, a tempos não se envolvia em uma dança com inimigos, obviamente sentira falta disso.

 

Levantou-se e, calmamente, agarrou sua katana, dentro de casa não poderia usar seu leque e nenhum ninja que não fosse Hashirama valeria a pena mesmo. Deslizou a porta somente o necessário para passar e dirigiu-se à passos despreocupados pela enorme casa principal Uchiha.

 

O corredor que dava acesso aos tantos quartos vazios era igualmente extenso e ele viu três sombras virarem a esquina e começar a andar por ele, escondeu-se num dos quartos, queria saber o que três penetras queriam em sua casa. Provavelmente um ataque noturno... Bufou. Pensaram que poderiam matá-lo durante seu sono?

 

Quanta audácia em um gesto temerário.

 

As sombras passaram por ele sem nem sequer desconfiarem de sua presença, mesmo que mau tenha tido o trabalho de mascarar o chakra. Seus tomoes sangraram e Madara acompanhou seus invasores andarem, sorrateiros, até sua porta. Uma das sombras era mais esguia e de menor estatura que as outras, as quais o lembravam muito de...

 

‘Velhos intrometidos, passaram dos limites’. Trincou os dentes, mesmo assim decidiu esperar para ver o que aconteceria... já previa.

 

A porta de seu quarto foi deslizada, silenciosamente, e a figura delgada foi empurrada para dentro. Os velhos passaram por ele, andando mais rápido desta vez. Quando estavam para virar o corredor, o líder Uchiha piscou, aparecendo em suas costas.

 

Viu quando ambos se arrepiaram. O medo deles era delicioso.

 

“Amanhã de manhã, todos vocês.” Falou, encolerizado.

 

Amedrontados, viraram-se, imediatamente ajoelhando-se, testas tocando o chão que ele pisava. “Uchiha-sama, por favor, não nos julgue mal, é um presente escolhido, uma joia entre todas, desta vez o agradará! Não nos puna, os Senju já trataram de dar continuidade a linhagem sanguínea deles. Não podemos ignorar a urgência de fazê-lo também, não lhe restam mais irmãos...”

 

“Calem-se!” O Mangekyō-sharingan girando furiosamente.

 

Os homens, bateram as testas mais uma vez no chão, começaram a tremer. Madara deu-lhes as costas. “É a última vez que se intrometem na minha vida pessoal, saiam.” Enunciou, categórico. Sua postura, tom de voz e a forma como falou baixo. Os fizeram perceber que seu líder estava irredutível.

 

As coisas só piorariam quando ele descobrisse tudo que armaram. Ao pensarem nisso, ambos os anciões se arrependeram profundamente. Agora o mal já estava feito e teriam que arcar com as consequências. A única coisa que poderiam fazer era pedir a todos os kami que Madara caísse na tentação, que fosse enganado por seus artifícios, assim não teria saída.

 

O líder do clã andou para seu quarto, com os ombros tensionados. Parou no corredor escuro, segurando sua katana, enquanto olhava para a silhueta feminina no interior de seu quarto perfeitamente delineada pela luz fulgurante das velas.

 

Sabia que era uma mulher, os seios eram óbvios, apesar de pequenos (médios, na verdade), pela estrutura delgada e a baixa estatura. Além do mais o aroma de flores de cerejeira não mentia. Quanto às roupas, parecia usar uma espécie de capa com capuz. Ah como queria que fosse mesmo ela...

 

Afastou esse pensamento, adentrando seu quarto. Percebeu-a estremecer, não a julgava, todos tinham medo dele. À luz do fogo relampejante o rosa cálido, das longas madeixas lisas, foi iluminado. Seu coração se contraiu. Eles não poderiam tê-la achado, poderiam?

 

A mulher ainda estava de costas, apesar do medo gritante em sua postura corporal e pele arrepiada, ela não se moveu sequer um centímetro. Madara a olhou por um momento, então supondo que não deveria deixar se iludir por algo que certamente não passava de algum subterfúgio, dirigiu-se para guardar sua espada – na verdade, não se importou de deixá-la descansar sobre um móvel qualquer sobre o qual havia uma das lanternas acesas.

 

Tendo se livrado da arma, andou até a mulher, passando por suas costas – isso intensificou os arrepios nela... olhou para isso de soslaio, seu sharingan (de volta aos tomoes mais simples) girando um pouco mais rápido, seguia o ritmo de seu coração.

 

Já com os braços cruzados, postou-se a frente dela. O rosto era incrivelmente parecido, alguém acessou a memória de seus guardas para poder reproduzir isso. Ele contraiu suas mãos em punho. Aqueles patéticos achavam que poderiam enganá-lo.

 

“Lance o henge.” Ordenou, sua voz baixa.

 

A kunoichi estalou os olhos, não pensava que seria descoberta tão rápido. Mas bem, era seu líder afinal. Deixou cair a ilusão que foi forçada a usar, os cabelos saíram do rosa para o negro, rapidamente, a capa e todo o resto do figurino de seda branca também desapareceram. Internamente, Madara ficou levemente decepcionado por estar certo, não era a Senju, mas outra mulher Uchiha.

 

“Volte para sua casa.” Ordenou, dando-lhe às costas.

 

A mulher queria muito ir-se imediatamente, porém, se fosse...

 

Ela permaneceu no lugar. “Não me ouviu?” Madara lhe perguntou, sem virar-se.

 

“Se eu for, sem que tenha feito o que preciso, haverá consequências duras.” Curvou a cabeça, atemorizada.

 

O líder se compadeceu, ameaçaram-na. “O que aqueles velhos decrépitos lhe disseram?” Ainda não a olhava.

 

“Por favor, eu não temo pela minha vida, mas por quem eu amo. Por favor, eu farei o que quiser, Madara-sama, mas não me deixe voltar intacta.”

 

O Uchiha virou-se para ela, indignação em sua mente ao mesmo tempo que admiração também. “Você ama mais o outro do que a sua dignidade, mais que sua virtude, mais que sua vida?”

 

A kunoichi Uchiha balançou a cabeça em anuência em meio às lágrimas que inundaram seu rosto, ela não suportou e foi aos pés dele, chorando e implorando. “Por favor, apenas faça! Apenas faça!”

 

Madara suspirou, a tensão em seus ombros indo embora e dando lugar à pena. “Levante-se, nada disso será necessário.” Abaixou-se para tocá-la nos braços, ela recuou, fazendo-o pensar que era por medo.

 

Vendo isso, o Uchiha crispou os lábios, retornando à sua postura ereta. “Apenas vá.” Seus olhos voltaram ao ônix característico.

 

Ela continuou abaixada, mas ergueu o olhar para ele. “Mas eles punirão a mim e aquele a quem gosto, caso eu não cumpra suas exigências.”

 

“Sou seu líder, não sou?”

 

Ela agitou a cabeça avidamente em confirmação.

 

“Então, o que está esperando?”

 

“Há um selo em minhas costas, um selo Uzumaki. Se eu sair desse quarto antes do amanhecer, Reira morre.”

 

Reira. Madara ficou com raiva, ainda queriam matar um de seus melhores guardas. Quanta ousadia. “Me deixe ver.”

 

A mulher afastou-se ainda mais, rastejando no chão, enquanto meneava a cabeça em negação. “Se o seu chakra tocar o selo em quantidades anormais, será como se estivesse tentando desarmá-lo, isso o aciona também e nesse caso nós dois morremos.”

 

O sangue de Madara quis ferver. Ele apenas queria deitar-se e sonhar naquela noite. Será que não teria paz? Ainda refletia, quando observou a mulher lançar o henge, novamente. Que bela imagem foi, seus olhos escureceram e as pupilas dilataram-se. Sem querer, reativou seus olhos vermelhos.

 

“Por quê lançou o henge novamente?” A inquiriu, queria chatear-se por isso, mas ao mesmo tempo que desejava não ser obedecido.

 

“Não fui eu, é o selo. Não posso tirar o henge por muito tempo. Assim é quase impossível saber qual é a verdadeira aparência, esta ou a minha realmente. O objetivo era...”

 

“Me confundir.” Madara completou, ela anuiu. “Tolos, conhecem tão pouco do Mangekyō e ainda assim acharam que teriam sucesso em enganar meu poder ocular. Eu a conheço, você jamais conseguiria...” Sua mente estalou ao pensar no final da frase e ele tornou-se agudamente reflexivo.

 

Vendo seu líder quase em transe a ponto de um vinco formar-se em sua testa, a mulher ficou curiosa, contudo, não ousou interromper. Aproveitou apenas para enxugar o rosto ainda molhado das lágrimas passadas.

 

“Levante-se.” Ordenou, enquanto seus olhos voltavam ao preto e pareceu novamente centrado. A mulher o fez e o Uchiha admirou-a na ilusão. “Deite-se.”

 

Ela estremeceu, teria ele mudado de ideia?

 

“Tsc.” Madara estalou a língua no céu da boca, cruzando os braços para ela, odiava fraqueza.

 

Ver Madara naquela postura e, ainda pior, fuzilando-a com os olhos fez com que a kunoichi andasse apressadamente para o futon atrás dele e se deitasse. Naquele momento ela preparava-se para fazer o que veio para fazer. Odiava isso, mas faria para que ela e seu amado sobrevivessem.

 

Reprimia-se, mas não se abalaria; afinal, kunoichi estavam preparadas, poderiam cair nas mãos do inimigo a qualquer momento e sofrer violação ou terem de deitar-se com seus inimigos em armadilhas. Porém, ela jamais deixaria de amaldiçoar todos os Kami por ter que se deitar com um homem que não a amava e ainda por cima, o terrificante líder de seu clã.

 

Viu-o dar a volta no futon, calmamente, fechou os olhos com força. Retiro o que disse, ela não estava nem um pouco preparada, percebeu. Sentiu-o acomodar-se ao seu lado e puxar suas cobertas sobre eles. Nesse momento, tudo escureceu e ela viu-se flutuando no nada. Ficaria assim por várias horas. Por influência de Mirai, sua alma flutuou longe e seu corpo também.

 

 

 

 

 

Sakura acordou de seu arrebatamento, – não havia termo melhor para descrever o que lhe ocorreu ao adormecer – quando abriu os olhos, enxergou as luzes tremulantes de velas, um quarto a meia luz e percebeu-se deitada no centro dele em um futon. Estava coberta, franziu o cenho, fez menção de se virar, então sentiu uma movimentação atrás de si; seu corpo gelou, sobressaltando-se em seguida.

 

“Não se mova.” Ouviu uma voz masculina rouca, abafada e aquecida, sussurrando em seu ouvido. Percebeu que não poderia mover-se mesmo que quisesse, estava paralisada e não sabia por quê.

 

“O que, o que está fazendo?” Tensa, perguntou ao desconhecido atras de si.

 

Kami, teria ela sido dopada e sequestrada? Seu acampamento foi atacado? Era agora uma prisioneira de guerra? Tantas possibilidades giraram por sua mente em questão de milésimos de segundo e em todas elas, via-se prestes a ser tomada pelo inimigo. ‘Maldito!’ Desejou mover-se, tentou mover-se com tudo o que podia, mas nada acontecia. Era seu corpo, mas ao mesmo tempo não...

 

Então, sentiu-se totalmente aterrorizada quando ele se moveu. O terror, porém, durou muito pouco e de imediato foi substituído por uma sensação aquecida e calorosa, estava sendo abraçada e sentiu-se inesperadamente confortável, alentada, fora abraçada como se pertencesse e fosse desejada ali.

 

“Não te farei nenhum mal, kunoichi.” Aquela voz mexeu algo em seu interior, seu peito explodiu em arrepios. Sentiu-se sendo puxada para mais perto do tórax largo e firme, então o outro braço se moveu, colocando-se debaixo de sua cabeça para, para ampará-la?

 

O desconhecido estava sendo... gentil? Apenas seu tórax encostou nela. Ele estava sendo respeitoso?

 

Quase ficou impressionada, mas enraiveceu quando se lembrou que estavam tentando subjugá-la, que havia sido possivelmente dopada e sequestrada e agora estava prestes a... ela não sabia mais o que o estranho faria, todavia não gostou de pensar nas segundas intenções que ele provavelmente tinha.

 

Ainda paralisada, indagou. “O que quer?” Suas palavras escorrendo como ácido por entre seus dentes cerrados.

 

A resposta veio e seu coração vacilou, reconhecendo aquela voz pujante, viril e desejosa.

 

“Apenas me aqueça”.

 

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A resposta veio e seu coração vacilou, reconhecendo aquela voz pujante, viril e desejosa.

 

“Apenas me aqueça”.

 

Foi abraçada com maior intensidade. Estremeceu internamente e sua pele arrepiou na nuca. Ele a olhou, ao senti-la se retrair em seus braços junto do arrepio. Achou de fato muito inusitada a reação dela, pois não parecia medo. O que era?

 

Deixou passar, recostando sua cabeça confortavelmente no travesseiro macio que dividiam, aninhou-a mais em seus braços. O calor era incomparável e não havia nada como ter alguém perto de seu coração, a sensação de ter alguém para proteger. Sorriu, caindo no sono.

 

(Em seu sonho o velho Madara, no Cemitério sob às Montanhas, também sorriu.)

 

O homem demorara pouco para adormecer, mesmo assim pareceu uma eternidade para Sakura, que foi fisgada por dezenas de perguntas e temores em seu coração. Estava atônita, ficou assim até que sentiu o respirar leve e aquecido dele em sua pele.

 

Madara ressonava sereno abraçado a ela. Seu coração latejou aquecido, foi quando a paralisia (estranhamente) cessou. Mesmo com liberdade de movimentos, Sakura permaneceu imóvel naquele futon, tentou entender o que estava acontecendo. Se era um sonho, seria o sonho mais vívido que teve.

 

A garota franziu o cenho, estava tendo visões de novo? Não, isto era ainda mais realista, não estava com a mente confusa. Não, ela sentia e sabia muito bem o que estava acontecendo. Ainda assim, de todas as coisas, jamais pensou que seria possível acordar nos braços de Uchiha Madara.

 

Teria ele a sequestrado? Essa era então a prova de que estava jovem, de que de alguma forma poderia estar mais forte e isso era ainda pior para Konoha. Eles tinham um problema sem dúvidas gigantesco, no entanto, de tudo isso a pergunta que mais martelava em sua cabeça era: ‘Por que eu?’

 

Naquele quarto iluminado apenas por algumas lanternas, Sakura tinha os olhos alargados, não dormiria, jamais. Era impossível fazer isso nos braços de seu inimigo. Muito embora, não sentisse nenhum resquício de perigo, apenas conforto.

 

Quis olhar para ele, quis ver que era mesmo quem pensou ser, então começou a virar-se dentro do abraço dele. Mesmo reprimindo-se internamente por isso, a vontade era mais forte e ela virou-se com cuidado para não o acordar.

 

Observou então um rosto plácido, descansado. A pele clara, os longos cílios escuros e grossos, os lábios cheios, a profusa mecha de cabelos pretos lisos descansando sobre a lateral do rosto masculino angulado marcadamente jovem e viril.

 

“Lindo” Balbuciou com um suspiro, tornando-se imediatamente rubra pelo elogio que escapou de seus lábios.

 

Madara abriu os olhos.

 

Foi tão lento que ela viu as obsidianas negras aparecerem como o nascer de uma estrela cintilante no céu noturno. A luz relampejante das velas o iluminava, dando-lhe uma aparência etérea e Madara a fitou com intensidade. A moça estava deslumbrada, ele viu, mas não podia perder muito tempo com isso, precisava se certificar urgentemente de que aquilo que sentia era mesmo real.

 

Seus olhos rapidamente sangraram para o Mangekyō Sharingan, dilatando ao perceber que estava certo. “É mesmo você.” Concluiu, com admiração e Sakura – ainda enrubescida – desviou os olhos dele ao ouvir a voz de barítono. Pensou em desvencilhar-se, mas não o fez... ao mesmo tempo que queria, não quis... e repreendeu-se por isso. “Eu procurei por você, Senju, sempre procuro.” Ele aumentou seu aperto sobre ela. “Não te deixarei fugir mais. Fique, seja minha.”

 

As palavras dele eram como lanças rasgando sua estabilidade e seus sentimentos. Calavam fundo dentro de seu coração como estrelas caindo, uma chuva de estrelas caindo dentro do seu peito e causando um rebuliço de sentimentos arrasadores, fervilhantes, insuportavelmente eufóricos e ansiosos.

 

O que era isso? O que a atingia com tamanha intensidade a ponto de a arrepiar e fazer seu corpo todo lívido?

 

De dentro dos braços do líder Uchiha, Sakura moveu os dedos da mão empurrando o peito dele com as pontas – uma fraca tentativa de afastá-lo com tudo aquilo que o homem causava dentro de si. As explosões de relâmpagos e a chuva incandescente de sentimentos em puro êxtase cabalmente agradáveis a estavam fazendo sentir como se quisesse abraçá-lo.

 

Vendo algo que interpretou como incerteza, Madara a puxou para si. Como queria isso!

 

“Fique, fique comigo, estou sozinho. Desde que meu irmão se foi, não tenho mais ninguém. Mas, não é pela solidão, não é só por isso, eu realmente a quero, você é a única que eu sempre quis.” Ele beijou sua testa, bem em cima do selo Yin.

 

Sentir levemente aqueles lábios dele tocando-a fez com que ela paralisasse e ruborizara-se, vermelha e quente como uma pimenta. Baixou os olhos e acabou sorrindo, nunca havia sido beijada por um homem.

 

Porém... não devia, ele é Uchiha Madara, afinal! Inner saltava alegre dentro dela.

 

A jovem Haruno começava a descer de sua timidez e tomar consciência de que não deveria sentir o que estava sentindo, quando percebeu o homem afastar-se levemente e acariciá-la com sua mão grande e mais áspera. Acariciou-a na bochecha e sorriu para ela. “Me desculpe por persegui-la aquele dia em que te encontrei na caverna, por ter sido brusco e ter te assustado. Eu não me controlo quando vejo você, não sei explicar...” Ele fez uma pausa, ruborizando também e lhe sorriu com olhos ternos. “Apenas prometa que ficará, não fuja mais de mim, Yūrei.”

 

Sakura arregalou os olhos, era mesmo verdade, ela era Yūrei.

 

“Prometa, eu quero ouvir você prometer... por favor.”

 

Ele pediaUchiha Madara pedia por favor? Jamais pensou que tal coisa fosse possível.

 

“Madara-sama...” Começou.

 

“Madara, apenas Madara.”

 

“Madara-sama, eu tenho enorme respeito por você, mas é apenas isso, eu não...” Ela sentiu que mentia, ela sentia algo sim por ele. “...sinto o mesmo por você.” Ignorou tudo o que doeu dentro de si para dizer o que a razão mandava declarar. “Me desculpe, preciso ser sincera não quero que alimente sentimentos que não posso corresponder.” Baixou os olhos momentaneamente, então voltou a fitá-lo esperando sua reação.

 

Madara pareceu não se afetar, tentou não parecer, mas sentiu-se levemente desapontado. Todavia, seus olhos brilharam novamente. Se ela o conhecesse talvez visse que não era o monstro que todos falavam. Se ela o aceitasse, Madara lutaria para não parecer rude.

 

“Eu sei o que pensa de mim, o que todos pensam, reconheço que pareci rude ao caçá-la como uma lebre aquele dia, mas eu lhe dou certeza de que não será assim, eu farei tudo para protegê-la, lhe darei o quiser, te amarei até que você aprenda a me amar e depois.” Acariciou-a na bochecha novamente. “Apenas fique, fique ao meu lado... comigo.” Colou a testa a dela.

 

Sakura sem saber como agir, foi apenas pelo instinto, seguia aquela coisa que a fazia sentir-se ligada a ele e entender seus sentimentos. Madara parecia carecer dela e ela... ela sentiu-se tão entregue em seus braços, muito embora não soubesse o que sentia de verdade, o que era. Não sabia de onde tomou coragem a ponto de subir os braços pelo peitoral dele e, afastando-se levemente com o peito arfante, segurou ambos os lados do rosto do temido Uchiha, dizendo: “Eu fico”.

 

 

 

 

Sakura despertou de seu sonho com a imagem dele sorrindo para ela enquanto possuía os olhos fechados por ter as mãos femininas segurando seu rosto ternamente.

 

A Haruno fitou o teto de sua tenda no meio daquela noite iluminada pela lua cheia. A lua parecia muito mais iluminada e radiante quando ela saiu de sua barraca e sentiu a brisa gelada do vento noturno naquela madrugada de neve.

 

O velho Madara despertou de seu sono na caverna com as imagens da sua primeira e única paixão esmaecendo e voltando a ser um espírito em seus braços, logo após ter dito “Eu fico.”

 

“Ela queria ficar. Ela não tinha dito isso. Nada disso havia acontecido.” Refletiu em voz alta. Seria possível que ela tivesse visitado seus sonhos em forma de espírito? Perguntou-se se existiria tal jutsu e se era algum tipo de Kekkei Genkai. Outra pergunta ainda mais importante pairou por sua mente: “Ela fez isso agora? Foi intencional? E o que quer?”

 

Sentado em sua cama, o velho refletia, verdadeiramente surpreendido. “Ela prometeu ficar.”

 

Um minuto depois, uma figura conhecida insurgiu do chão perto de sua cama retirando-o de seus pensamentos. “Quem prometeu ficar, Madara-sama?” O abobalhado zetsu branco indagou.

 

“Não é da sua conta.”

 

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Não poderia haver algo mais impossível de se imaginar do que o próprio espírito. Não, Sakura chegou rapidamente à essa conclusão. A dias treinava com Dan.

 

Ela mal entendia o fato de que havia uma alma e esta era diferente do espírito. “Argh!” Ela lamuriou-se, colocando a mão na frente de seu rosto e então o esfregando.

 

De que cor era? Tinha uma cor? Deveria ser... palpável? O quanto? Parecia impossível algo existir e não ter massa, volume, não ser matéria. Como imaginar algo nessas condições e pior, as ditas coisas, além de serem muito parecidas, estavam escondidas... dentro dela. “Outro absurdo!” Exclamou exasperada.

 

Dessa vez todos os Uchihas próximos a ela, levantaram a cabeça, descaradamente divertidos com o estresse da médica Uzumaki. Sakura, reprimiu-se por chamar ainda mais atenção para si. Mais do que já estava chamando ao encontrar-se sentada em posição de lótus no chão nu e, pior, suada e no meio de todas as pessoas que transitavam por ali; no meio de todos os Uchiha de Konoha.

 

Fechou os olhos, tentando se concentrar. Uma farsa. Como poderia? A não mais que três metros a frente dela, Tora descascava um pêssego viçoso, corado, brilhante. Lambeu os lábios, sem querer, o aroma chegava às suas narinas em ondas, provocava não só seu olfato, mas seu estômago e a sua mente; falava do quanto aquela bendita fruta devia estar doce, era o melhor ponto de maduro, perfeito.

 

“Que droga! Assim não dá!” Ela sobressaltou-se, abrindo os olhos de supetão e batendo ambas as mãos sobre os joelhos.

 

O homem Uchiha soltou risinho sarcástico e continuou saboreando a fruta, desta vez ainda mais lentamente. “Quando acabar seu treinamento, a estação das frustas adocicadas e tenras como essa...” Fez uma pausa, lambendo o suco que escorria pelos lábios. “... já terá passado, Sakura-chan.” Era um sádico nas horas vagas.

 

Ah, ela lembrou-se de seu sensei, Hatake Kakashi era um debochador de marca maior, mas talvez não chegasse aos pés do adorável Tora. Como Tsuyoi gostava dele, isso ela jamais entenderia, pois estava a um passo de socar todos aqueles pêssegos goela abaixo no Uchiha.

 

Todos não, precisa deixar alguns para si, afinal não provava nada doce a mais de um mês. A missão de recuperação aos pergaminhos fora adiada por informações que Fukurō trouxe. Os Iwa haviam se movimentado e eles precisaram enfrentá-los no campo de batalha nesse mês que passou.

 

Contudo, hoje seria o dia em que tentariam recuperar aqueles objetos e a Haruno não sabia como conseguiria fazer isso se sua mente não pensava em outra coisa a não ser açúcar ou qualquer outro semelhante.

 

“Será mesmo que precisa comer esses pêssegos aqui, Riaru-san?” Indagou com irritação, cruzando os braços em seguida, continuava sentada no chão, encarando o homem – futuro defunto caso continuasse.

 

“Mas é claro, é minha folga e gosto de me divertir o máximo que posso. Então pensei: O que haverá de mais divertido do que me deliciar com meus preciosos pêssegos enquanto apoio você em seu treinamento, Sakura-chan?”

 

Sakura bufou. “Você é o Uchiha mais irritante da face da Terra.”

 

“Você só conhece cinco de nós, não é suficiente para nos avaliar adequadamente.”

 

Ele estava certo, ela não conhecia muitos deles e seria injusto julgá-los levando em conta apenas cinco deles. Espera... cinco? Como ele sabia que ela conhecia cinco Uchihas? Conhecer ali implicava de fato saber quem e como são, Riaru não falava de algo apenas de vista. Para ser mais clara, Sakura conhecia: Sasuke, Obito, Tsuyoi, o irritante a sua frente e Madara.

 

Riaru deveria dizer que ela não poderia julgar os Uchihas sendo que apenas conhecia três. Ele não deveria saber sobre Madara e Obito e ela tem certeza de que ninguém contou sobre a guerra apenas sobre ela ser de outro tempo. Os Sannins, Dan e Sakumo deram sua palavra de que eles eram confiáveis.

 

“Você tem razão, Riaru-san, conhecer apenas três de vocês não é o suficiente para mensurar o quanto seu clã é irritante.” Cutucou, em seguida fechou os olhos novamente, enquanto segurava ao máximo a respiração para não sentir tanto do aroma adocicado dos pêssegos que o homem comia.

 

Riaru sorriu para ela, estava na hora de começar a colocar as cartas na mesa. Deu mais uma boa mordida na fruta que segurava, então levantou-se andando calmamente até parar na frente da garota de olhos fechados. Arqueou-se até ficar cara a cara, numa distância respeitosa, é claro.

 

Cinco, Sakura-chan, você conheceu mais dois de nós e eles são irritantes a seu modo também. Muito embora, um deles lhe faça ter pensamentos que condena por ser incrivelmente ingênua.”

 

Sakura abriu os olhos, queimando em raiva. “Como ousa?! Você não sabe de nada! Nada!”

 

“Provou que sei. Do que eu estou falando, Haruno Sakura? De quem eu estou falando? Vamos, diga o nome!” Divertido, cantarolou na frente do rosto dela.

 

Sakura crispou os lábios e cruzou os braços. A vontade de exigir do homem de onde ele havia tirado aquilo era enorme. Por outro lado, Riaru poderia apenas estar jogando com ela, fingindo saber o que não sabia e ela estava quase caindo em sua cilada. Queria confrontá-lo, porém não sabia como.

 

“Hn” Riaru riu dela, então sussurrou. “Uchiha Madara foi um homem como eu e qualquer outro. Ele tem sentimentos, se você quer saber. Nosso clã é irritante sim, não nego, mas você deve saber uma coisa sobre nós...” Ficando ereto novamente deu-lhe as costas, começando a andar.

 

Sakura pensou que ele não terminaria o pensamento, já se mexia para levantar-se e exigir dele tudo o que sabia, quando ouviu-o falar em voz firme e reflexiva:

 

“Quando um Uchiha ama, é para sempre e você ainda é amada. Irritantemente amada! Acredite, ele fez de tudo para esquecê-la. Eu também faria.”

 

Sakura sentiu suas pernas vacilarem, ficando sem forças para se levantar, então desistiu de tomar impulso para se levantar. Parecia que cada perna sua pesava uma tonelada, não conseguia se mover. Estava atônita. Olhou para as costas do ninja que vestido como um jōnin comum, se afastava. O viu parar e olhá-la por cima dos ombros.

 

“E se quer saber, o sonho foi real e é apenas o primeiro. Fique ciente de que tudo o que se passar está realmente acontecendo e terá impacto nesta dimensão. Então não brinque com os sentimentos dele. Sei que é jovem, mas está na hora de abandonar sua infantilidade, está lidando com um Uchiha irritante como você gosta de nos chamar, porém, dos maiores guerreiros de todos os tempos. Não é o tipo de homem com os quais você pode jogar com os sentimentos e sair ilesa.”

 

A boca de Sakura se abriu, uma mosca poderia entrar e sair dali a vontade que ela não seria capaz de espantá-la. “Kami, o que foi isso?!” Perguntou-se, algum tempo depois.

 

Mesmo não querendo pensar no que estava se passando em seus sonhos e com ela em si, Sakura não conseguia evitar ruminar tudo o que acontecia e o que lhe causava. Cada vez que ouvia o nome Madara, sentia como se aquele nome reverberasse em seu interior, se sentia como um sino onde o badalar ressoava o metal estremecendo-a.

 

Era como estar apaixonada de novo.

 

Interrompeu seu malfadado treinamento. A meditação diária e incessante acompanhada da privação de comidas apetitosas, incluindo não só qualquer coisa doce, mas inclusive carnes e derivados, a estava deixando ansiosa, histérica e quase desesperada. Prova disso, era o seu humor temperamental e irritadiço semelhante à um vulcão prestes a explodir cuspindo lava e cinza.

 

Andou pelo acampamento, observando os shinobi começando a reunir-se cada qual em seus esquadrões, estava na hora de avançar. Ela e os esquadrões de Dan se moveriam junto, mas iriam ainda mais para o interior para sua missão, junto de Sakumo.

 

 

 

 

 

Na missão para a recuperação dos pergaminhos muitos ninjas ficaram feridos e só não morreram poque ela esteve lá para prestar atendimento médico e para ajudar a conter a emboscada que sofreram. Alguns não acreditavam que a aprendiz de Tsunade daria conta, queriam a Senju e não a ‘Uzumaki’, mas Sakumo não mudou de opinião e a levou. Algumas coisas nos planos foram mudadas, os Sannins ficaram para proteger o acampamento e ela, Sakumo, a Yūrei e os esquadrões alfa, bravo, delta e o apoio (três times com Hyuugas e Uchihas misturados) foram sozinhos.

 

Seu poder de ataque diminuiu consideravelmente, mas viram que foi melhor assim. Afinal, os três fortes eram falsos e dois ninjas acabaram sendo capturados e submetidos a tortura. Ambos Hyuuga. Para piorar ainda mais, a noiva do líder do clã era um deles. Iori ficou possesso quando a viu paralisada e ferida.

 

E isso não foi o pior, o companheiro de esquadrão dela teve os olhos roubados, ambos. Foi tão torturado que quase contou a localização do acampamento. Heiwa (aquela que viria a ser a avó de Hinata no futuro) viu-se forçada a usar o poder do selo da gaiola para que ele não revelasse sobre o ataque aos outros dois fortes e com isso causasse não só a morte de ambos, mas a dos esquadrões envolvidos na operação. Isso incluía Sakura, Sakumo, Dan e seus times, todos morreriam, sem dúvida.

 

A mulher de olhos perolados, causou tanta dor a ele que o homem perdeu os sentidos. Sem os olhos e com uma hemorragia interna, nem Sakura se via capaz de tirá-lo do coma ou mesmo salvá-lo.

 

Quando Tora transportou a todos com seu jutsu ocular para o forte principal durante a missão, a primeira coisa que Sakura notou foi sem dúvida o Hyuuga desfalecido nos braços de Heiwa e o sentinela Uchiha com a cabeça apoiada também no ombro da Hyuuga. Hisaki com seus cabelos desgrenhados de sempre, estava quase desacordado, fora ferido gravemente.

 

Heiwa Hyuuga, e o dois companheiros mais os esquadrões alfa, delta e os de apoio foram os únicos a serem descobertos e a se envolver em um duro confronto com os Iwa. Na verdade, foram emboscados antes mesmo de entrarem no forte. Não sabiam como, mas foram pegos. A Hyuuga e seu time foram cercados e capturados.

 

Enquanto o embate de delta e alfa contra o inimigo acontecia. Heiwa, seu familiar e o sentinela Uchiha eram torturados. O Uchiha foi o mais difícil, mesmo torturado a ponto de suar sangue, não abriu a boca. Heiwa estava quase a este ponto também, quando os Iwa viram que dela não conseguiriam nada igualmente.

 

Se divertiriam torturando-a mais um pouco se seus dois amigos não tivessem se sentido no maldito dever de protegê-la. Revelaram que ela era noiva do líder do clã, foi o bastante para os inimigos resguardá-la, afinal valeria muito em uma possível negociação. Aplicaram nela uma substância paralisante, teria de assistir o sofrimento de seus companheiros, que se tornou pior não só porque agora ela não poderia ser tocada, mas porque perceberam o quanto eles eram valiosos para a mulher.

 

Um era seu irmão e o outro, o outro era seu amor de infância. Juntos os três eram o time 8. Os olhos de seu irmão foram arrancados, ele já havia revelado a localização do acampamento. Deuses, uma legião inteira seria emboscada sem defesa em breve.

 

A dor e os gritos dele eram excruciantes, em cima daquela mesa. A sela era ampla, o sangue de seus companheiros de time e o seu próprio, pintava o chão aos seus pés e enlameava aquela mesa.

 

Hisaki, o Uchiha, suava tentando controlar os espasmos em todo o corpo. A dor em sua perna direita, que fora quebrada, era enorme; por todos os lados em seus membros inferiores, no tórax nu e nos braços, havia lacerações. Ele era uma visão horrível com isso, mas ainda pior com o sangue escorrendo pelos cantos da boca e o corte profundo que fizeram no lado esquerdo de seu rosto.

 

“Depois que tirarmos tudo que esse aqui sabe, será a sua vez, Uchiha. Vou pegar meus sharingan. É bom que você tenha algo interessante aí. Ouvi dizer que os menos imprestáveis de vocês eram capazes de usar até um avatar nas lutas. Se não tiver ao menos isso, jogarei essas porcarias fora.”

 

Outro homem riu-se do que seu amigo dizia. “Idiota, não ouviu dizer que poucos são capazes de despertar o tal poder e que, ainda assim, o tal Uchiha incompetente perdeu para o Primeiro Hokage deles?”

 

“Konoha é mesmo uma aldeia em declínio. Vamos tomar todos esses olhos perolados e vermelhos para nós. Se vocês não são capazes de usá-los, nós saberemos.”

 

Heiwa viu Hisaki ouvir cada uma das ofensas, sem manifestar nenhuma reação. Ela queria poder olhá-lo nos olhos, ter certeza de que não tinha medo. Porém, eles foram vendados. Em meio a todo o desespero por seu irmão e por Hisaki, ela não sabia mais o que fazer. Não tinha forças para se levantar, não daria conta dos seis Iwa torturadores e das duas sentinelas no lado de fora do quarto. Se o alarme soasse mais viriam.

 

O forte estava entupido de ninjas de alto nível, parecia que seu ataque havia sido previsto.... e ela desconfiava que foi. Havia um traidor na legião norte. Seu irmão gritou ainda mais quando seguraram suas mãos e as unhas nelas começaram a ser puxadas. Ela fechou os olhos para não ver a cena, eram tantos gritos e tanto desespero e aflição que ela estava quase sufocando.

 

Precisava tomar uma decisão, sabia que em breve não haveria saída. Sem dúvida morreriam, porém não entregariam seus irmãos de Konoha.

 

Quando o Hyuuga gritou ainda mais abatido e então em meio a dor exclamou “Eu digo! Eu digo!”, ela teve certeza de era a pessoa mais odiável da Terra, teria de usar o selo amaldiçoado de seu clã. O selo que ela odiava com todas as suas forças.

 

Quando os Iwa soltaram as mãos dele, dizendo “Estamos ouvindo”, Heiwa afundou em dor. Com extremo esforço juntou as mãos, concentrando-se, em meio as lágrimas e disse “liberar”. As convulsões começaram, os gritos terríveis aumentaram ainda mais e o Hyuuga sacudiu-se sobre a mesa até desfalecer.

 

Nem mesmo os seis Iwa juntos foram capazes de segurá-lo na mesa ou parar o que sobrevinha ao homem. Quando ele desfaleceu, os ninjas (todos pasmos) finalmente puderam se aproximar. Tinham os lábios crispados, raiva por não conseguirem saber o que sua vítima queria dizer.

 

Aproximaram-se e, tirando a bandana da testa dele, viram o selo da gaiola demarcado em verde. “O que significa isto?” Um deles externou a dúvida de todos. Ninguém sabia dizer, então olharam para Heiwa e Hisaki quase desmaiados contra as paredes. Um deles, o que parecia o líder, andou rapidamente até o Uchiha e levantando-o pelo aperto em seu pescoço, sacudiu-o. “O que significa aquela porcaria na testa dele? Foi isso que o impediu de falar?!”

 

De olhos vendados, Hisaki cuspiu o sangue de sua boca na cara do homem e sorriu em seguida. “Ora seu maldito. Não vai falar é?! Está bem...” Jogou-o no chão com força. Hisaki não conseguiu segurar o grito de dor pelo impacto de sua perna quebrada contra o chão. “Veremos se essa vadia, nos conta tudo o que queremos saber. Ela vai cooperar bem, ah se vai! Vou ir tão fundo na sua namoradinha que ela vai chorar de dor e bem na sua frente!”

 

Heiwa, em meio a tristeza, teve um choque com a declaração de seu inimigo. Arqueado a meio corpo e com as mãos espalmadas contra o chão, Hisaki trincou os dentes com ódio.

 

“Ah agora você demonstra alguma reação. Ódio, estou vendo. Eu deveria ter pensado nisso antes. Mas, nunca é tarde. Vou compartilhar ela com os meus subordinados, não vemos mulheres a dias aqui, tenho certeza de que estão famintos, assim como eu. Não é companheiros?!” O homem riu-se, malicia e maldade em sua voz. Deu uma última olhada para o Uchiha impotente no chão, em seguida dando-lhe as costas para andar na direção da Hyuuga.

 

Quando sentiu que ele se virou e começaria a andar, Hisaki reuniu tudo de si e de supetão arrancou a katana de seu inimigo da bainha e atravessou-a em suas costas. A ponta da lâmina saiu pelo ventre do líder e este caiu contra o chão. Foi tudo tão rápido que todos, inclusive Heiwa, ficaram pasmos.

 

No meio daquele silêncio estapafúrdio, Hisaki moveu-se ao arrasto e, tateando o corpo do inimigo com as mãos, arrancou a espada do corpo do Iwa. Esforçou-se até conseguir chegar ao lado de Heiwa. Com força e determinação enorme, grunhiu, encostando-se à parede ao lado dela. Ajeitou-se, com os dentes trincados pela dor, deixando a espada ereta com a ponta no chão. Amparou-se na lâmina e arrancando a venda de seus olhos, sangrou-os do preto para o vermelho, três tomoes.

 

“Sou o melhor espadachim do clã Uchiha. Qualquer um que quiser tentar algo contra aquela que eu amo, morrerá. A defenderei até o fim.” Disse, sem encará-los, olhava para o nada, na direção da parede.

 

Estava disposto a morrer se isso significava salvar Heiwa.

 

Logo os homens despertaram de seu espanto, vindo imediatamente para eles. Hisaki não conseguia ficar em pé, contudo atravessou dois deles no estômago. No entanto, os três que sobraram eram extremamente hábeis, Hisaki apena acertou-lhes superficialmente, então foi perfurado no lado direito do peito.

 

Heiwa quis gritar, mas não conseguia. Tentou se mover, no entanto, cada membro seu pesava milhares de toneladas. Foi definitivamente incapacitada.

 

Graças à proximidade do homem que o perfurou, Hisaki conseguiu perfurá-lo no coração. Restavam dois e eles atacaram ao mesmo tempo. Com seu sharingan ele percebeu que aquele do lado esquerdo perfurou Heiwa. Isso causou-lhe tamanha dor que seus olhos mudaram imediatamente e uma aura escura avermelhada surgiu a volta deles.

 

Era de chakra, contudo não era exatamente imaterial, na verdade parecia sólida. E realmente era, tanto que os dois inimigos restantes foram repelidos e não conseguiam atravessá-la nem mesmo com golpes de suas lâminas. Estas que, diga-se de passagem, acabaram quebrando.

 

Havia um tórax humanoide a volta do casal.

 

Heiwa arregalou os olhos em espanto quando um dos braços daquele ser avermelhado arremessou ambos os Iwa contra a parede com um grande tapa. Seus corpos caíram já desacordados com a força do impacto. Porém o susto dela não parou por aí, pois o ser adquiriu o resto do tronco, uma cabeça e pernas. Em seguida levantava-se levando-a e Hisaki dentro de si.

 

Olhou para seu amigo e seus olhos sangravam, mesmo assim ele ostentava um sorriso orgulhoso e triunfante, feliz. “Eu posso ser um inútil, mas até mesmo um Uchiha inútil ainda é capaz de dar a vida para proteger quem ama. Hoje eles conhecerão o lendário poder dos Uchiha”.

 

Quando a criatura ficou totalmente em pé, o teto daquela casa foi completamente destruído. “Meu irmão!” Heiwa conseguiu falar. Hisaki, meneou a cabeça. “Eu jamais esqueceria dele.” Então uma grande mão vermelha juntou, com cuidado, o corpo do ninja desfalecido de cima daquela mesa ensanguentada.

 

Começaram a mover-se para fora dali em meio a uma área escondida na mata, foram em direção as luzes onde provavelmente ficava o forte e perceberam que era realmente ali, pois havia lutas acontecendo. Infelizmente, os Konoha-nin estavam encurralados. Não durou muito, o monstro carmesim avançou para eles colocou os inimigos em debandada.

 

Porém, as forças e o chakra de Hisaki estavam no fim. Seu susano’o foi desmanchando, deixando-o junto de Heiwa e o irmão desfalecido dela no chão frente aos companheiros da aldeia. Quando viram que seu inimigo gigante, se desfez e os ninjas da Folha estavam enfraquecidos novamente, os Iwa readquiriram sua arrogância, avançando na direção deles mais uma vez.

 

Os cinco esquadrões do Fogo já não tinham mais chakra e estavam muito feridos, viram a morte vindo sobre eles com toda a sua fúria, restando-lhes apenas pedir a Kami que seus familiares pudessem ao menos desfrutar da paz que morriam para conquistar. Quatro ou cinco conseguiram ficar de pé na tentativa de defender os amigos que estavam estirados no chão, enfrentariam o que pudessem até seu último suspiro.

 

Quando não mais que dez metros os separam de sua morte, o ar tremula a sua frente, a realidade parece se distorcer e uma fenda no espaço-tempo se abre cuspindo Tora, a ninja Uzumaki aprendiz de Tsunade, Sakumo, Dan e seus esquadrões. Os shinobi caem daquele rasgo dimensional já postando-se na defesa à frente dos companheiros moribundos.

 

Sakumo retirou rapidamente seu tantō das costas, Dan preparou seu Reika no Jutso, o trio InoShikaCho também a postos e todos os outros shinobi Hyuuga e Uchiha vindos com eles também se colocaram em prontidão para parar o avanço dos mais de cento e cinquenta Iwa que vinham em fúria. Foi quando, surpreendentemente, a kunoichi Uzumaki teceu o selo de cobra, exclamando:

 

“Mokuton: Kajukai Kōrin!”

 

O espanto foi coletivo (Exceto pela Yūrei e por Sakumo), ninguém de Konoha jamais esperava ouvir a palavra Mokuton de volta, achavam inclusive que a habilidade não passava de uma lenda. Mas, não. Ali nasciam, diante de seus olhos, grossos troncos e galhos de árvores; flores enormes apareciam em forma de botões prestes a desabrocharem para certamente expelirem seu pólen venenoso.

 

“Não é possível, esse é... é o jutsu do grande Primeiro Hokage!” O jovem Chōza Akimichi, falou para seus companheiros Yamanaka Inoichi e Nara Shikaku. Os jovens ao lado de Dan, observaram a Uzumaki fazer nascer uma floresta naquela clareira. Viram os Iwa começarem a correr desesperados de volta para o interior do forte e serem atacados por grandes galhos que os prenderam suspensos do chão.

 

Cerca de sessenta deles conseguiram saltar por entre os galhos robustos e ferozes, desviando um após o outro. Não vendo saída resolveram gerar em conjunto uma armadura de rocha pura, Sakura viu naquele imenso soldado de pedra, uma estrutura que apesar de assustadora, era nada mais que um invólucro, pois não teria coordenação suficiente para uma batalha com ninjas velozes.

 

Aquela era uma técnica de defesa para aqueles que estavam em seu interior e talvez para desmoronar bunkers de guerra, mas não algo para o combate corpo a corpo. Olhou para o trio de Hyuuga Heiwa e do Uchiha implicante, os três muito feridos precisavam de sua ajuda, à beira da morte, assim como todos os outros esquadrões com eles.

 

Tortura, aquilo era desprezível, seu sangue ferveu por isso não conseguiu evitar interferir. Não quis correr o risco de ter nenhum ferido a mais, os pararia capturando a todos. Teve certeza de que agora o mundo poderia saber que havia outra usuária do estilo Mokuton e mostraria a todos que ela estava pronta a dar tudo por Konoha, pelos seus, assim como prometeu a Hashirama, a seus amigos e a si mesma.

 

Sem se distrair, ela direcionou mais galhos em direção ao tórax do gigante de pedra, a madeira investiu com força incrível. Porém, aquilo era uma rocha de cerca de uma dezena de metros de espessura, precisaria de desperdiçar chakra e tempo para perfurá-la, não era necessário. “Meu taijutsu é muito mais eficaz.” Pensou.

 

Então, estacionou o crescimento de sua floresta e os galhos perfurantes. Deixando os Iwa suspensos, investiu com seus punhos revestidos de chakra contra a rocha.

 

Saltou e desferiu o primeiro soco contra o tórax do soldado, pela primeira vez a criatura foi sacudida, uma enorme rachadura surgiu exatamente a partir do ponto em que seu punho se chocou com a superfície. Ninguém conseguia acreditar no que via, a pequena kunoichi de cabelos róseos caiu ao chão e então subiu em um de seus galhos, elevando-se na altura do gigante, que não tinha velocidade suficiente para atingi-la com suas mãos.

 

Os galhos moveram-se rapidamente enrolando-se em torno dos braços da criatura e de seus pés, estava completamente imobilizada. A Uzumaki saltou mais uma vez, desferindo um último potente soco contra a rocha, fazendo-a esmigalhar-se completamente.

 

Pedaços enormes voaram para várias direções e os Iwa dentro foram arremessados ao chão. Tão logo caíam, já se ajoelhavam tendo as mãos em rendição. Os shinobi de Iwagakure estavam extremamente amedrontados com a força que os punhos daquela pequena mulher demonstraram. Sua última e melhor defesa foi literalmente estilhaçada por dois socos dela. O que poderiam fazer num combate corpo a corpo?

 

Não havia saída, renderam-se todos.

 

“Se prometerem colaborar, não vou suspendê-los como fiz com os outros.” Sakura disse, olhando para ninguém em especial do grupo ajoelhado em meio aos destroços daquilo que havia sido sua fortaleza de pedra.

 

Todos menearam a cabeça, afoitamente, em meio ao receio de enfurecer a Konoha-nin. “Muito bem.” Sakura deu-lhes um aceno de cabeça e virou-se, saltando em seguida para Sakumo. “Obrigada por me deixar vir e lutar, Hatake-sama!” Agradeceu, vibrante.

 

Sakumo sorriu, sutilmente, para ela. “Foi a minha melhor escolha até agora. Agora, veja o que pode fazer pelos nossos feridos, Sakura-san.”

 

A médica assentiu, rapidamente saltando para os ninjas que haviam sido torturados, eles eram o caso mais grave. Para sua infelicidade, o irmão de Heiwa, ficaria cego, mas ela pensou que conseguiu estabilizar sua situação. Heiwa, ela conseguiu parar o sangramento, fechar a perfuração em seu ombro, mas ainda não sabia como cessar a paralisia.

 

O resto dos shinobi ela curaria aos poucos, no entanto, havia ainda Hisaki.

 

O Uchiha era aparentemente o caso mais grave que tinha em mãos. Sua perna e corpo dilacerados eram o de menos perto do ferimento em seu abdômen. Suas mãos brilharam em verde e a médica começou imediatamente a cura com sua técnica da palma mística.

 

Heiwa, apesar de tudo o que passou, acompanhava com olhos aflitos tudo o que Sakura fazia. O homem que amava estava à beira da morte, já desmaiado. Repentinamente seu irmão começou a ter convulsões ao seu lado, convulsões terríveis.

 

“Tragam-no para mais perto de mim!” Sakura pediu para Iori e mais dois Hyuugas que estavam perto de Heiwa e de seu gêmeo.

 

O homem foi trazido com dificuldade para a médica, dada a forma com que se contorcia. Sakura deixou uma das mãos sobre Hisaki para curá-lo e rapidamente passou a outra pelo crânio do Hyuuga cego fazendo seu diagnóstico. Seu cérebro estava em colapso. A jovem médica estremeceu, nunca tivera oportunidade de examinar aquela área quando danificada recentemente.

 

Apenas teve contato com dois cérebros de membros pertencentes aquele clã e foi muito rapidamente. Estudar um cérebro Hyuuga era mais fácil que estudar seus olhos, ainda assim era muito raro. De qualquer forma, ela sabia o que estava acontecendo ali, ou melhor, o que havia ocorrido.

 

“Eu sinto muito.” Balbuciou, com os olhos tristes para Heiwa. Os olhos da Hyuuga se encheram de lágrimas. Paralisada, ela chorou apertada nos braços de Iori, seu noivo.

 

Sakura usou suas habilidades para parar as convulsões no homem, fazendo com que desfalecesse novamente. Estava oficialmente em estado vegetativo. “São as consequências do seu maldito selo!” A Uzumaki exclamou furiosa para Iori. O homem baixou a cabeça envergonhado, apertando sua noiva nos braços.

 

As pessoas a volta buscavam não fazer nenhum barulho, a maioria se ocupou de ajudar com os Iwa que precisavam ser interrogados e com os feridos dando-lhes os primeiros socorros básicos. Porém, alguns acompanhavam de perto a atuação da Uzumaki que agora já era chamada de Lendária Neo-sannin.

 

Sakura voltou todos os seus cuidados para o seu amigo irritante, em meio a apreensão ela torceu para dar tempo de ajudá-lo, o Uchiha era uma boa pessoa apesar de não muito sociável. Conseguiu estancar as inúmeras hemorragias e passou para fechar as perfurações em seu abdômen e estômago quando ele recobrou parcialmente a consciência.

 

Os olhos negros a fitaram entreabertos dos lábios do homem, ela ouviu algo que a desconcertou: “Me deixe ir.”

 

“Nani?!” Perguntou, sem cessar o processo de cura, nem por um segundo.

 

“Me deixe ir.” Os lábios esbranquiçados pronunciaram com voz melancolicamente baixa.

 

Sakura franziu o cenho e bufou, nervosamente. “Não mesmo. Você está delirando, eu sei o que é, é efeito da pressão da tortura. Você viverá, Uchiha-san.”

 

“Não discuta comigo Senju, já cumpri o meu papel, está na minha hora, me deixe ir em paz. Paz, é só o que eu quero, junto da minha família.”

 

“Seu clã precisa de você.”

 

“Meu clã ficará bem, eles sempre ficam e além do mais, agora temos nossa protetora de volta. Quero rever minha família no outro plano, me deixe ir.”

 

Sakura deu-lhe um olhar profundo, era a primeira vez que um paciente lhe pedia para desistir do salvamento e ele era jovem ainda por cima. Tsunade lhe falou disso quando a ensinava em sua época original, as vezes as pessoas não queriam ser ressuscitadas, ser salvas. Às vezes, elas apenas queriam ir. Ela sempre soube que não estaria pronta para acatar esse tipo de pedido, muito embora fosse um direito do paciente.

 

“Você, você não está lúcido... Não, não pode tomar uma decisão dessas agora. Me deixe terminar meu tratamento.” Ela tentou ao máximo não tremer na resposta, mas falhou. Limpou os olhos que começaram a querer lacrimejar. Mal o conhecia, mas não queria perder a vida do Uchiha.

 

“Eu estou consciente, você e eu sabemos disso.”

 

“Droga! Você pode ser salvo, viver uma vida plena daqui para diante...” O fluxo de chakra nas mãos dela falhou por um momento, estava nervosa com o que ele exigia dela. “Não me peça para fazer isso, Uchiha-san. Por favor.”

 

“É isto ou terei de praticar o adeus dos samurais. Mas não quero morrer como um samurai, quero morrer como um ninja, como um Uchiha. Lutei minha batalha, deixe-me morrer dignamente. Apenas, antes eu gostaria de lhe dar um presente, deixarei meus olhos para você...” Sakura e todos os que o ouviam, abriram a boca em um perfeito “O”

 

Sakura suspirou. ‘Certamente está delirando.’ Pensou. O que faria?

 

“Seu juramento, você precisa respeitar a minha decisão.”

 

“Não!” Heiwa, chorava, apertando os braços de Iori. “Hisaki, você também não. Por favor.” Os movimentos das mãos dela começavam a voltar junto com a articulação da sua fala.  O Hyuuga a segurava firme. “Ele delira, não ouça, Sakura-san. Não ouça.” Heiwa implorou para Sakura.

 

A Uzumaki, que ainda não cessara o processo de cura, olhou para o Uchiha, profundamente e viu que ele estava decidido e lúcido. Então olhou para os demais a volta e suspirou, interrompendo o fluxo do chakra, que emanava verde de suas mãos. “Você está estável.” Disse para ele, virando-se então para um dos Hyuugas ao lado de Heiwa e Iori. “Pode, por favor, chamar Sakumo-san e pedir a Tora que busque o líder do clã Uchiha?”

 

O homem de olhos perolados assentiu solene para ela e logo trazia Sakumo. Tora não demorou a aparecer com Senshi. Iori queria retirar Heiwa para longe, mas ela recusou-se a sair dali. Então ele fez algo que surpreendeu a todos, trouxe-a para perto de Hisaki e juntou as mãos de ambos no colo dela. A mulher continuou em seus braços, enquanto apertava as mãos de Hisaki e chorava silenciosamente.

 

Sakumo e Senshi fizeram algumas perguntas a Hisaki, o clima todo ali era melancólico. Quando perguntado por Senshi sobre o verdadeiro motivo de oferecer seus olhos a Sakura, o homem respondeu:

 

“Pouco antes de eu despertá-los, a deusa me apareceu e contou o que aconteceria, tudo o que passaríamos e ela fez meu sharingan evoluir. A deusa Yume me ofereceu a oportunidade de morrer de uma forma mais digna, de salvar muitos que morreriam e aquela que eu amo. A única condição era de que antes de morrer eu oferecesse meus olhos à Uzumaki-san. Ela disse que na linha do tempo original, eu morreria como um coadjuvante, que meu nome jamais seria lembrado, mas que se o fizesse, poderia ser lembrado como um herói e ainda poder rever as almas dos meus familiares no limbo... ela garantiu que reencarnarei junto com eles e que quando a minha amada morrer, poderemos nascer juntos e livres para viver o que não vivemos agora.”

 

Afastando-se dali por um momento, Sakumo e Senshi trocaram um olhar e passaram a discutir a questão até perceberem que não haviam como negar os pedidos de Hisaki e nem o convencer do contrário, por mais que não conseguissem acreditar na história sobre a deusa e todo o resto.

 

A alguns metros do lugar, Sakura prestava atendimento a outros ninjas, torcendo silenciosamente para que os líderes fizessem o Uchiha desistir de sua decisão, muito embora ela soubesse que isso não aconteceria.

 

Quando foi chamada novamente, Sakumo parou a frente dela com uma aura que irradiava a seriedade e tristeza do momento.

 

“Você veio de uma guerra em que perdeu muitos camaradas, aqui já perdeu outros. Porém, sei que essa é a primeira vez que alguém lhe pede para ir. Queria poder dizer que será a última, mas como líder, como alguém mais maduro que você e, talvez um amigo, preciso ser sincero: essas situações costumam acontecer e quase sempre não podemos fazer nada. Não importa qual a razão o esteja levando a isso, temos que respeitar, Sakura-san. Hisaki já tomou sua decisão.”

 

Sakura olhou para o chão de neve aos seus pés, respingos de sangue ainda podiam ser vistos iluminados pelo clarão das fogueiras a volta na clareira. Praticamente deixou seu corpo cair contra a grande rocha atrás de si.

 

“Fui treinada para esse momento, eu fui, mas... nunca pensei que ele chegaria. Sempre temi que um camarada me pedisse isso.” Fez uma pausa, dolorida. “Deuses, ele está bem, não está à beira da morte. Pode ter uma vida perfeitamente saudável! Então, por quê?! Isso é... eu não sei o que é, eu só não quero ter que fazer isso. Não quero que ninguém faça. Quero que ele viva.”

 

Senshi se aproximou de ambos, parando de braços cruzados frente a Haruno e ao lado de Sakumo. “Você aceitará o presente?”

 

“Não, deve haver alguém que possa recebê-los, pertence a um Uchiha.”

 

“Pertence a você. Hisaki não tem mais ninguém de sua família, por isso eu aceitei a prerrogativa dele. Se fosse outra pessoa não permitiria, mas como é você nosso clã não se oporá. Sendo ou não a Yūrei das lendas, muitos confiam em você, então aceitarão que os receba; desde que prometa proteger os segredos que descobrir e fazer bom uso dos olhos.”

 

Sakura não encontrava palavras, não sabia o que fazer. Os olhos eram o de menos, o que mais a atormentava era ter de deixar Hisaki partir. “Deem-me até o amanhecer.” Pediu, afastando-se de Sakumo e Senshi para cuidar dos outros feridos. Faltavam exatamente duas horas para a aurora.

 

Atendeu a todos os feridos, ninguém se perdeu naquela madrugada graças a ela. Tsunade estaria orgulhosa de si, pois completamente sozinha conseguiu cuidar de todos. Quando o raiar do dia veio, aproximou-se de onde não queria estar.

 

Olhou para o líder do clã Hyuuga, ele passara a noite em claro vigiando sua noiva e Hisaki. A paralisia de Heiwa havia passado, a kunoichi adormecera de exaustão e tristeza nos braços do noivo e com a mão de Hisaki apertada na sua.

 

“Como ela passou as últimas horas?” Sakura perguntou em um sussurro para Iori.

 

“Chorou até dormir.”

 

“Eu acho que é melhor ela não estar perto quando acontecer.”

 

“Eu não sairei de perto dele. Ninguém me tirará daqui.” A mulher respondeu, tendo acordado de seu sono leve e entristecido. “Vocês não podem me privar de estar ao lado dele em seus últimos momentos.”

 

A Uzumaki baixou os olhos, anuindo silenciosamente e Iori arrumou os cabelos negros de Heiwa tirando-os da frente do rosto da mulher. Tendo recuperado boa parte de suas forças, ela se sentou arqueando-se em seguida para ouvir o coração de Hisaki batendo em seu peito. Apertou a mão dele, inconscientemente, enquanto deitava o rosto em seu peito.

 

Hisaki acordou de seu sono inconsciente, observando os cabelos negros sobre o rosto já molhado por lagrimas, acariciou-a. “Por favor, não chore. Não quero partir vendo sua tristeza. Hn? Diz que vai ser feliz, prometa para mim que vai ser feliz até nos encontrarmos em outra vida.”

 

Heiwa não olhou para ele, pelo contrário, espremeu os olhos com força, pressionando a face contra o peito machucado do homem. Hisaki grunhiu baixo com a dor, mas ainda a acariciou, tentando confortá-la. “É o que eu quero. Não resta mais nada para mim aqui. Te esperarei do outro lado. Apenas, não se esqueça de viver uma vida longa aqui, hn?”

 

Ela não esboçou reação. “Heiwa, por favor, não seja teimosa.” Ele sorriu, tentando tirá-la da tristeza, por mais que soubesse que era a causa de tudo.

 

A Hyuuga abriu os olhos perolados tão semelhantes as pérolas de fato e ainda mais brilhantes pelas lágrimas. Mudos, eles pediam que ele desistisse de sua decisão.

 

“Prometa que vai viver bem, hime.” Limpou as lágrimas dela.

 

Heiwa anuiu, doloridamente, e o Uchiha sorriu com um levantar sutil dos cantos dos lábios. “É isso que eu precisava. Queria partir sabendo que você está em segurança.” Virou a cabeça, olhando na direção de Iori. “Cuide dela, faça-a feliz. Eu a deixo em suas mãos, Iori-sama.”

 

Iori olhou para ele com consternação. “Eu prometo.”

 

“É hora de você ir, hime. Estou de saída.” Hisaki afagou as costas dela, as lágrimas da Hyuuga irromperam com mais força. Iori precisou quase arrastá-la dali, pois ela não queria deixá-lo. Entrou em tamanho desespero que Sakura precisou intervir e desacordá-la.

 

A esta altura, a Uzumaki também tinha lágrimas em seus olhos. Quando se aproximou de Hisaki, olhou-o com profundidade. “Eu preciso perguntar. É isto mesmo que quer?”

 

Hisaki ativou seus olhos, mudando os para o Mangekyō Sharingan e assentiu, sem palavras e aparentando não ter mudado de ideia nem mesmo pela dor visível de ver Heiwa sofrendo. “Que assim seja.” Sakura aproximou-se, já estendendo um pergaminho e invocando dele todos os seus materiais médicos.

 

Senshi e Sakumo aproximaram-se para acompanhar a extração dos olhos e isto foi rápido. Sakura fez todo o procedimento o mais profissional possível, limpou-o e guardou os olhos conservados em chakra. “Fique com eles. São seus, tem de ficar com eles. Só você.” Hisaki disse para ela, após o final do procedimento.

 

“Eu entendi.” A médica balbuciou, com desgosto por ter de fazer aquilo. “Ainda há tempo.” Informou, estava prestes a implorar.

 

“Por favor, não insista mais, já tomei minha decisão. Apenas faça ser indolor.”

 

“Indolor. Você quer que seja indolor. E a dor que causou em sua companheira de esquadrão como farei para que ela não sinta? É mesmo fácil para você tomar essa decisão e não pensar em quem ficará?!” A Uzumaki se exaltou ao lado do homem que tinha panos sobre as órbitas vazias. Ela jogou um rolo de gaze para longe dali. Estava furiosa e desolada ao mesmo tempo.

 

“Sakura, pare!” Sakumo a segurou pelos braços, fazendo-a se levantar e sair de perto do Uchiha. “Controle-se, não há mais o que fazer.”

 

“Eu sei. Eu sei.” Ela colocou as mãos enluvadas na testa. “Mas, não quer dizer que não odeio tudo isso, ser forçada a... a... eu nem consigo dizer isso.” Ela saiu de dentro da tenda. Arfava buscando o ar como se estivesse à beira de um colapso.

 

Sakumo seguiu atrás dela. “Se não vai conseguir, chamarei Tsunade-san.” Ele informou. “Entendo que seja demais para você, ainda é muito jovem para o horror da guerra.”

 

“Ele precisava de acompanhamento médico, não de apoio nessa loucura.”

 

“Ele está lúcido. Chamarei Tsunade, você não está pronta.” O homem passou por ela. “Desculpe deixar que se envolvesse nisso. Eu deveria saber que era demais para você. Me desculpe.” Disse baixo, sentia-se mesmo muito mal por submetê-la a isso.

 

“Não.” Sakura balbuciou, olhando para as costas do Hatake. “Minha mestra não deve ser exposta a isso. Eu, vou fazer. Eu farei isso.” Disse, tentando parecer firme.

 

“Sakura-san, você não é obrigada. Não a forçarei a isso. Acredite, eu entendo.”

 

“Eu agradeço a compreensão. Mas alguém tem que fazer, não é? Que seja a segunda melhor médica daqui. Não quero que seja minha shishou, ela tem acreditado na vida ultimamente, sorrido, quero que continue assim.”

 

“Também quero que você continue assim, Sakura.” O Hatake a olhou por cima dos ombros e tensionou afastar-se novamente.

 

Dessa vez Sakura teve certeza da profundidade nas palavras do Hatake, mas não quis pensar nisso. Não era o momento. “Eu continuarei, não tem que se preocupar comigo, Sakumo-san. Isso faz parte do caminho que escolhi. Preciso amadurecer.” Deu as costas para o homem e adentrou a tenda, deixando-o sozinho.

 

“Você é a kunoichi mais madura que conheci.” O líder balbuciou.

 

Algum tempo depois, Sakumo adentrou a tenda e observou Sakura dando tudo de si para controlar seu emocional e proceder com tudo profissionalmente. Fukurō e Tora vieram para se despedir e o outro sentinela que era seu companheiro na guarda também, depois Senshi e então Iori. Sakura, sentou-se atrás de Hisaki, colocando ambas as mãos em suas têmporas.

 

“Por favor.” Ela balbuciou, uma última vez.

 

“Adeus, Sakura-san. Foi bom tê-la conhecido. Contarei a minha família que vi a lenda.” O homem respondeu com um pequeno sorriso. Sakura derrubou duas pesadas lágrimas, então enviou um impulso de chakra para o cérebro do Uchiha, desacordando-o.

 

Em seguida, espalmou as mãos sobre seu coração e envolvendo-o com chakra, forçou-o a parar. Foi a segunda vez que sentiu um coração cessar os batimentos e era de um Uchiha também.

 

 

 

 

Ao ter certeza de que havia cumprido seu doloroso papel, a kunoichi saiu da tenda e pôs-se em uma corrida ninja para cerca de dois quilômetros distante do forte que sua aldeia havia tomado

 

Sentou-se no alto de uma árvore e chorou. Chorou até que suas lágrimas se esgotaram. Algum tempo depois, cerca de três horas mais ou menos. O Hatake sentou-se ao seu lado no galho daquela enorme árvore.

 

Ambos permaneceram em silêncio, até que ele falou. “Meu filho deve ter tido orgulho de ser seu sensei.”

 

“Há, ele teve, mas não tanto quanto de ser sensei dos meus companheiros. Eles eram ninjas esplêndidos.” Respondeu, limpando o rosto e realinhando-se.

 

“Você tem certeza de que deseja continuar? Posso te mandar para o serviço do Hokage em Konoha. Uma ANBU nesse posto, dificilmente passará por isso.”

 

“Eu estou bem, Hatake-san.”

 

“Eu gostaria que me chamasse apenas de Sakumo, quando estivéssemos a sós. Poderia fazer isso?”

 

Sakura se sentiu envergonhada e desviou o olhar dele para o chão, observando como os arbustos aos pés da árvore estavam secos. Mesmo já tendo conversado muitas vezes com ele, ainda não se sentia bem em ter essa liberdade. “Eu acho melhor não. Hatake-san está bom para mim.”

 

Sakumo sorriu um sorriso de canto de lábios para ela. “Quantos anos tem, Sakura?”

 

“17 anos.”

 

“Completou a pouco tempo, não é? Tornar-se uma mulher no campo de batalha não deve ser algo que a sua geração pensou, eu imagino.”

 

Sakura franziu o cenho para as expressões que ele utilizou. “De fato, somos habituados a vida ninja, mas não tínhamos guerra a pelo menos trinta anos. Não pensávamos em guerra até a quarta.”

 

“E você perdeu alguém importante nessa guerra?”

 

“Amigos, alguns amigos e muitos companheiros da aldeia e das nações aliadas.”

 

“Entendo. Mas, ninguém tão próximo, como alguém da família, por exemplo?”

 

“Não, felizmente não.”

 

“Fico feliz por você.”

 

Sakura anuiu, observando os arredores na mata.

 

“Você usará os olhos?”

 

“Não. Eu não pensei muito sobre isso, mas acho que me sentirei culpada. De qualquer forma acho que não fui feita para isso. Não é qualquer um que consegue usar o sharingan. Seu filho foi único de que se tem notícia, tinha enormes dificuldades e ele tinha apenas um. Imagina o que seria ter dois, ainda mais uma ninja como eu.”

 

“O que quer dizer?”

 

“Eu não seria capaz, de qualquer forma.”

 

“Você se provou muito mais capaz de coisas inimagináveis. Ontem usou um jutsu do Shodai Senju Hashirama. Aquele é sem dúvida um feito incrível, digno do Deus dos Shinobi e você o executou com maestria.”

 

“Hmph, estou longe disso. Minha natureza não é tão diversificada e não é tão viva e selvagem quanto a dele. Estou mais para uma leiga.”

 

“Uma leiga incrível, basta praticar.”

 

“Obrigada pela dose de motivação matinal, Hatake-san.”

 

“Eu gostaria de te perguntar duas coisas.”

 

“Estou ouvindo, espero poder responder.”

 

“Você pode, não sei se quererá responder. Saiba apenas que minhas intenções são as melhores e que são sinceras.”

 

Sakura arqueou, levemente, as sobrancelhas. “Bem, vá em frente. Jamais o julgaria mal.”

 

“Me acha muito velho?”

 

“Muito velho? Que pergunta é essa, Hatake-san?!” Sakura riu pela primeira vez no dia, fazendo o Hatake sorrir também.

 

“Apenas responda, Sakura. Pode ser sincera.”

 

Sakura sentiu-se um pouco tímida, não queria ser vista analisando alguém ainda mais pela própria pessoa que analisaria. “Bem, eu nunca pensei sobre isso. Sei lá. Você não parece ter mais de trinta.” Disse, um tanto quanto envergonhada.

 

Mas, falou um número muito mais alto do que pensava. Para ela o Hatake parecia muito mais jovem. Apenas não quis mostrar que havia pensado muito sobre o assunto antes.

 

“Ah, não. Eu não devo aparentar tanto assim. Sério?”

 

Sakura fingiu pensar, pendendo a cabeça para direita. “Bom, olhando melhor agora, uns 28.”

 

“Nossa, dois anos a menos. Devo comemorar?” Ambos riram juntos. “Não, sério, eu tenho 25, sou oito anos mais velho que você.”

 

“Realmente cheguei cedo demais.”

 

“Ainda bem.” O homem balbuciou para si mesmo, com um sorriso.

 

“O que foi?”

 

“Nada.”

 

“Hn.” Sakura achou melhor não insistir, aquilo estava estranho. “E quanto a outra pergunta?”

 

O Hatake remexeu-se em seu lugar na árvore, então virou-se a meio tronco para ela. Olhou-a por um tempo, quando abriu a boca pareceu decidir que lhe faria a segunda pergunta, entretanto, fechou-a e sua expressão demonstrou ter mudado de ideia. “Você não usa a sua espada, ainda não se sente segura em manuseá-la?”

 

Apesar de muito curiosa quanto ao que ele lhe perguntaria se não tivesse mudado de ideia, deixou passar e resolveu não pressionar o Hatake. “Fukurō-san prometeu me ensinar assim que eu terminar meu treinamento com Dan-san, o Reika no jutsu exige muita concentração e muito do meu corpo.”

 

“Se aceitar, eu gostaria de treiná-la.”

 

Os olhos de Sakura brilharam radiantes e ela se sobressaltou agitando o punho em um soco no ar. “Shannaro! Eu vou adorar isso!”

 

Sakumo riu da reação da garota, além de bela Sakura era mesmo agradável.

 

Segundos depois, a moça corou envergonhada por ter deixado sua Inner externar sua euforia. “Desculpe, não tenho tido muito controle do meu emocional ultimamente.”

 

“Não há problema com isso. Eu sei dos efeitos colaterais do seu treinamento com Dan. Mas, já que tocamos nesse assunto, gostaria de pedir que não se arrisque sozinha. Me preocupei com você.”

 

“Eu posso me cuidar e cuidar de vocês também, estou apta a lutar na linha de frente, Hatake-sama.”

 

“Eu sei que está, mas não somos invulneráveis, vamos ficar juntos, Sakura.”

 

Ela permaneceu reflexiva. Por fim, entendeu que ele tinha razão ela estava não só se colocando em risco como também afetando a coesão na batalha. “Eu compreendo, me perdoe pela imprudência, Hatake-sama”.

 

Ele bufou. “Voltou a me chamar de sama, Sakura?!”

 

“Uh, me desculpe... Hatake-san.”

 

Sakumo riu uma risada aquecida, em seguida saltou da árvore para o chão. “Está tudo bem, só não repita. Vamos indo, temos muito o que fazer hoje, nossos prisioneiros serão transportados a tarde, mas antes vamos ver o que mais podemos tirar deles.”

 

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Sakura realmente não conseguiu supor o que Sakumo quase lhe propôs, era muito jovem e não possuía perspicácia tal que a permitisse detectar as intenções ocultas do homem naquele dia. Porém, as coisas foram mudando com o passar do tempo, pois a proximidade com ele aumentou cada vez mais em razão do treinamento com lâminas.

O homem mudou de ideia, começou a lhe ensinar quase que imediatamente, fazia o que estava ao seu alcance para estar próximo da Haruno.

Fukurō e Tora se incomodaram visivelmente com isso, mesmo sendo amigos do Hatake. Eles tinham seus motivos, aguardaram por tanto tempo o cumprimento da promessa dos deuses para seu clã e Sakumo estava se tornando um empecilho que não poderia ser removido já que era seu amigo. Teriam de deixar as coisas acontecerem enquanto não encontrassem uma forma de afastar o dito cujo da companheira de esquadrão deles.

O treinamento de Sakura com Dan estava quase no ponto culminante, isto é, onde ela de fato poderia executar o Reika no Jutsu. A moça, que havia recém completado dezessete anos, estava incrivelmente exposta. Se antes as suas emoções já podiam ser lidas com facilidade, agora ainda mais. Elas se jogavam na cara de qualquer um por perto.

Sakura demonstrava euforia demais com coisas bobas, como por exemplo, quando chegava a hora do banho ou quando ganhava um dos pêssegos fora de época de Tora; e raiva com coisas ainda mais bobas, como quando alguém lhe pedia para fazer nascer madeira para lenha. Para todos tornou-se divertido ver ela raivosa ao dizer:

“Como se eu fosse literalmente queimar meu chakra. Argh! Estão loucos!” A moça exclamava, sem se dar conta de que o acampamento todo podia ouvir já que eram ninjas habilidosos. Assim, raivosamente hilária, ela se ia para o interior da mata e derrubava de um soco só uma grande árvore e a trazia arrastada até o meio da área descampada em cujo redor ficavam todas as tendas da legião Norte.

Nisso, os olhos de todos estavam sempre acompanhando a moça que tentava incendiar a grande tora de carvalho, geralmente sem sucesso. Como sempre Tora se aproximava para fazer isso por ela. Mas, naquele dia seria diferente, pois, Sakura estava cansada de deixar Tora se exibir como o Uchiha metido que era. Hoje ela mostraria ao seu amigo engraçadinho que também aprendia coisas sozinha e se superava até onde não nasceu para se destacar.

“Hoje não, Riaru-san. Minha vez.” Ela se colocou de costas para ele e à sua frente. O homem segurava o selo de Tigre em ambas as mãos, pronto para executar o jutsu, quando ela o interrompeu.

Curioso, se colocou ao lado dela, querendo ver melhor o que a kunoichi preparou. “Pois bem, mostre o que tem para nós, Sakura-chan”. Repousou uma das mãos na cintura, atento ao perfil da moça ao seu lado.

Nesse momento, Uchihas, Hyuugas, os Sannins, Dan, as equipes mistas de outros clãs e Sakumo fizeram total silêncio. Sakura sentiu um breve arrepio percorrer todo o seu corpo. Sem querer, havia chamado a atenção de ninjas muito exigentes e habilidosos. Por que prestavam atenção a algo tão banal quanto sua disputa boba com Tora? Era apenas uma brincadeira interna sua e de Tora, os outros shinobi não deveriam ter coisas mais importantes para fazer?

De todo o jeito, agora não poderia voltar, teria de tentar executar o jutsu que vinha preparando para ganhar de Tora. ‘Droga! Se soubesse que tanta gente pararia para ver isso, teria treinado mais e algo melhor.’ “Interior, acalme-se, querida. Você conseguirá, basta apenas se concentrar. Eu te ajudarei a moldar a energia. Junte todo o chakra que puder e sopre junto com o ar dos seus pulmões. Vamos conseguir, você verá!”

Sakura estranhou muito a mudança em Inner, nunca a viu falar de forma tão formal, comedida e gentil. Até a voz dela parecia diferente, mais melódica e solene. A Haruno balançou a cabeça para espantar os pensamentos, precisava se concentrar ou o vexame seria ainda maior.

Bufou, internamente, ela era mesmo uma piada, tentara executar aquilo durante apenas dois dias e não conseguia mais que chamas instáveis e pequenas. Por puro azar, fadou-se a passar vergonha na frente da legião inteira. Quis bater-se, mas freou o instinto, novamente: já era demais para um dia só, não precisava parecer uma maluca.

Seu nervosismo estava imenso, suas mãos quase tremiam quando, moldando seu chakra verde híbrido dela e do Shodai, teceu os selos repassados em sua cabeça nos intensos últimos dois dias: Cobra → Carneiro → Macaco → Javali → Cavalo → Tigre.

Bem, conseguira moldar o chakra (ao menos achou que sim) agora apenas tentou acalmar sua mente para o que viria a seguir e parece que deu certo.

Quando parou no selo de Tigre, exclamou: “Katon: Gōkakyū no Jutsu! (Estilo Fogo: Técnica da Grande Bola de Fogo!)” Então soprou todo o ar e chakra que havia reunido.

Quase não conseguia acreditar que, mesmo prematuramente e leiga, teve coragem de executar uma técnica Uchiha de Katon e, ainda mais, na frente dos membros do famigerado clã. ‘Onde eu estava com a cabeça para ter essa ideia brilhante?’ Insegura, desejou ter desistido antes de meter-se nessa situação. Contudo, já era tarde demais.

Seus olhos se arregalaram ao ver a intensidade e o volume de chamas que expeliu em direção à arvore. Aquilo de forma alguma era uma bola, parecia uma onda de fogo. Sem querer, enviou fogo para além, queimando as barracas dos Hyuugas (eles ficaram enfurecidos, mas no momento preocuparam-se em conter as chamas, sem sucesso porém).

Quando viu que as chamas foram fortes demais, a Haruno parou colocando a mão a frente da boca.

“Eu consegui?” Não podia acreditar no que via, porém a euforia durou pouco quando percebeu o que fez e a dimensão do que fez. “Oh, kami. Droga, eu consegui.”

Estava enrascada.

“Rápido!” Iori gritou, ele e muitos de seu clã produziam água com sua técnica de suiton na tentativa de apagar as chamas que a ‘Uzumaki’ desastrada enviara contra suas barracas.

“Sakura, domina alguma técnica de grande porte de suiton?” Fukurō veio correndo até ela.

“É a minha natureza primária, mas não.”

“Como não? É impossível usar o Mokuton sem isso, tem que saber!” A mulher de cabelos encaracolados exigiu dela, enquanto tinha uma mão no punho de sua katana, que estava pendura ao lado de sua cintura. “Isso é sério, estamos enrascados!”

“Me ensina, me ensina rápido, eu posso tentar!” A Haruno pediu, já desesperada. Ao olhar por cima dos ombros de Fukurō, a movimentação dos Sannins, correndo para ajudar, chamou sua atenção. Ela causou um problema e precisava resolvê-lo, não podia deixar que outros o fizessem, pois sua frágil credibilidade entre os grandes ninjas estava em risco.

“Bem, tente se concentrar, molde seu chakra em suiton. Consegue? Depois encha o peito com ar e chakra, então cuspa, como fez com o fogo. Aliás, como fez isso?! Deixa para lá, o fogo, tem que apagar, rápido! Vamos!” A mulher gesticulou para ela a seguir. Andaram alguns passos e a Uchiha colocou-se em suas costas, com ambas as mãos sobre os ombros da Haruno para lhe falar em seu ouvido esquerdo.

Apontou para a confusão de Hyuugas tentando apagar as chamas. A Haruno olhou para aquilo e tremeu. Fukurō sentiu isso e pressionou as mãos nos ombros da Haruno para confortá-la. “Acalme-se e concentre-se. Pode fazer isso por mim? Dará certo, você verá, Yūrei”.

Ao ouvir o apelido novamente após tanto tempo, Sakura olhou para a mulher ao seu lado e acenou. Yūrei, aquele nome tinha um peso que sobrevinha a ela sempre que era chamada assim. Só não entendia bem o porquê de sentir isso, sentir que podia mais. Ao lembrar-se de que pensavam que ela era uma lenda, Sakura adquiriu confiança novamente, ela podia fazer isso, bastava se acalmar.

“Eu posso.”

Sim, você pode. Molde o chakra e encha o peito, misturando-o com ar.”

“Sem selos?”

“Sem selos, não há tempo para isso. Você pode, concentre-se.” A mulher apertou seus ombros para lhe transferir confiança.

“Eu posso.” A Haruno balbuciou, inspirando o ar e tentando se acalmar. Nessa hora a meditação que Dan lhe ensinou veio a calhar, pois foi útil em acalmá-la.

“Não quero te pressionar, mas eu preciso dizer: Está queimando, Sakura-chan.”  Tora comentou, achando graça dos Hyuugas que corriam com baldes de água, tentavam usar jutsus diversos para aniquilar as chamas que a Haruno provocou.

De onde o homem surgiu? A Haruno perguntou-se brevemente, em meio ao caos que aquele cenário à sua frente se tornou.

Aquilo era diversão da melhor. Riaru sorriu e os outros Uchihas da Legião Norte não estavam diferentes.

“Deixe-a se concentrar, querido.” Fukurō disse a ele. “É um momento importante.” A mulher olhou de seu marido para Sakura. “Pronta, Haruno Sakura?”

A kunoichi encheu o peito o mais que pode, até suas bochechas incharam e anuiu, com um único aceno de cabeça, de forma confiante. Decisão em seus olhos verdes, afastou bem os pés.

“Ótimo, agora dê um banho neles para nós vermos.” A mulher falou, com um sorriso largo e, logo após apertar os ombros da moça, afastou-se para lhe dar espaço e executar o show que se seguiu.

Dito e feito. Sakura arqueou-se um pouco e expeliu, com toda a força que foi capaz de reunir, uma enorme quantidade de chakra líquido; um jato poderoso e maciço de água atingiu em cheio o lado oposto do acampamento. Fukurō riu, cruzando os braços e Tora baixou a cabeça com um sorriso sutil, enfiando as mãos nos bolsos. Não houve um Uchiha que não olhasse para a cena divertido.

Quando a ‘Uzumaki’ terminou, todos os Hyuugas estavam ensopados e não só eles, Sakumo e os Sannins também. Os últimos começaram a rir, achando graça de todos enlameados como se fossem crianças, já os Hyuugas...

Iori veio andando a passos raivosos em direção da Haruno e ela pensou que ouviria uma bronca, mas foi com Fukurō que ele veio acertar seus pontos. “Isso foi ideia sua, não é Tsuyoi?!”

“Vocês não estavam reclamando que estavam muito longe da água? Trouxemos o rio até vocês!” Fukurō (Tsuyoi) respondeu, sorrindo em seguida, ainda de braços cruzados.

“Me perdoe, Iori-sama. Eu aprendi o jutsu agora, estava desesperada para apagar as chamas... que também não queria ter causado...” Sakura olhou em súplica para o líder Hyuuga.

“Está tudo bem, Sakura-san, só tome mais cuidado da próxima vez e com essa mulher maluca também, ela é péssima influência para você.” O líder respondeu, com consideração para a Uzumaki. Algo nela dizia a ele que deveria tratá-la não só com respeito e consideração, mas com gratidão, apenas não sabia pelo que.

Isso seria respondido um dia, mesmo que este Iori não soubesse o que Sakura faria ou fará por seu clã no futuro ou no passado.

De toda forma, Iori sentia que devia à Sakura.

“Veja bem como fala com a minha esposa, Iori.” Riaru para o líder Hyuuga. Sua preguiça usual no falar, sempre presente, mas adquirindo uma perigosa nuance de aviso.

“Acalme-se, Riaru-san, eu não busco brigas. Mas, tenho o direito de me revoltar, estamos ensopados e claramente, você...” Apontou para Tsuyoi. “...fez isso propositalmente.”

A mulher encolheu os ombros. “Foi uma feliz coincidência Sakura conseguir executar essa técnica de primeira. Mas, me desculpe, eu deveria saber que isso aconteceria, ela é um prodígio afinal de contas. Farei o meu possível para que não ocorra mais. Da próxima vez, deixo vocês sapecarem.” Tsuyoi deu de ombros para ele.

“Ora sua insolente!” Iori quis avançar para a mulher de cabelos roxos e Sakura atravessou-se entre eles impedindo-o. Tora também já havia se colocado na frente de sua esposa para protegê-la.

“Eu não preciso de proteção, Iori nem é um desafio.” Tsuyoi bufou nas costas de seu marido. O homem olhou de cima dos ombros para ela. “É um instinto, você sabe, não me reprima por querer te proteger.” Balbuciou para ela. “Farei isso até o fim, meu amor.”

Os olhos negros de Fukurō brilharam, se apaixonava por ele todo o dia.

“Iori-sama, por favor, o erro foi todo meu. Desconsidere o acontecido ou me puna.” Sakura o informou. O homem a encarou, admirando sua coragem. “Mas, não culpe meus companheiros.”

“Eu não faria nada demais. Ainda sou um homem justo.” Bufou, franzindo o cenho ao refletir nas palavras da kunoichi Uzumaki. “Seus companheiros? Você é uma médica, está no esquadrão deles por conveniência. Considera os Uchihas tão confiáveis a ponto de os ter em suas costas?” Iori estava realmente interessado.

“É claro, são meu time e o Uchiha é tão ou mais digno de confiança que qualquer clã em nossa Vila. Para não dizer, mais que qualquer clã. Tenho certeza de que fariam qualquer coisa por nossa vila, os vejo arriscar a vida por Konoha todos os dias.” A ‘Uzumaki’ declarou.

Iori segurou um sorriso, mas seus olhos perolados denunciavam contentamento e admiração. Era o que precisavam, um ponto em comum, um elo. Sakura traria a paz, seu coração sentiu isso. “Muito bem. Eu peço desculpas a você Tsuyoi e a todos os Uchihas... Faço isso como líder, em nome do meu clã. Espero poder ver o que Sakura vê em vocês... irmãos.” Declarou, em tom ameno, para todos os Uchiha, que presenciavam a cena e tinham - unanimemente - espanto em suas feições.

Ninguém sabia o que dizer ao certo, Sakura olhou para traz, vendo até mesmo Tora impressionado. Iori pareceu aguardar uma resposta, ela olhou para trás, procurando Senshi e lembrou-se de que o líder e alguns guardas desceram para banhar-se no rio. Ou seja, ninguém estava ali para receber a oferta velada de trégua entre os clãs.

A Haruno não perderia isso, foi assim que se sentiu impulsionada a oferecer a mão para Iori. O Hyuuga prontamente a apertou, selando com uma palavra o acordo. “Paz?!”

“Paz!” Sakura falou, confiante e firme. Todos os Uchihas sentiram-se incrivelmente estranhos e nostálgicos, além de pasmos pela Uzumaki conseguir arrancar do líder Hyuuga turrão um acordo de trégua, a promessa de paz e confiança.

“Paz!” Sakura falou, mais alto, com olhos alegres e sorrindo, soltou as mãos de Iori para olhar para o clã Uchiha. “Paz, clã!” Ela mesmo estranhou-se por falar assim, mas a alegria a inundava, sabia que eram as memórias de Hashirama a afetando com todo aquele entusiasmo e habilidade de liderança extrovertida.

“Paz!” Alguns membros começaram a repetir e aos poucos a palavra se tornou um coro e sorrisos invadiam a todos. Até mesmo os Hyuugas, mais comedidos, atrás de Iori foram tomados por aquela euforia estranha que inundou o ambiente e começaram a movimentar-se e cumprimentar os Uchihas com apertos de mãos ou reverências divertidas. Todos tinham uma palavra nos lábios: Paz.

Do alto de uma árvore, o casal inusitado de divindades - Yume e Jashin - sorriam, observando toda a cena.

No chão, um pouco à frente da dita árvore (que era mais precisamente um grande carvalho), Sakumo, Dan, os Sannins e os outros esquadrões mistos observavam a tudo, espantados. Tsunade e Jiraiya estavam muito próximos, o Sannin com uma das mãos sobre os ombros da Senju. Ambos muito curiosos. “Isso não pode ser verdade, me diga que é um genjutsu, Jiraiya.” Atônita, Tsunade olhou para o homem, bem mais alto que ela, e de cabelos brancos espetados.

“Não é, de alguma forma Sakura conseguiu dobrar o coração de Iori e parece que conquistou o suficiente da confiança dos Uchiha a ponto de persuadi-los à paz.” Jiraiya tinha um sorriso de contentamento ao ver a cena dos muitos membros dos clãs rivais selando a trégua.

Sakura ainda teria um caminho longo a trilhar para conquistar os amotinados do clã Uchiha, visto que eles ainda pareciam resistentes apesar de aceitar a trégua, mas com o passar do tempo a jovem médica ‘Uzumaki’ teve um grande avanço: ganhou a confiança da maioria e com seu carisma desarmava até mesmo os mais carrancudos semelhantes à Iori e o falecido Hisaki.

Certamente os amigos e os que a mandaram para a época atual estariam orgulhosos dela, se a vissem, e algo dizia a Jiraiya que os deuses também.

 

 

 

Sakumo era um caso intrigante, quando Sakura desmaiou ao testar pela primeira vez a expansão de seu espírito para além de seu corpo, o Hatake correu para segurá-la em seus braços antes mesmo de Dan perceber que ela cairia. O Kato a conhecia bem e a muito mais tempo, porém, nem de longe era tão observador quanto o preocupado Sakumo, que voou do lugar onde estava sentado fingindo estar distraído enquanto observava o progresso de Sakura.

Era natural que o jutsu a enfraquecesse muito fisicamente, seria assim até que ela conseguisse o domínio completo da técnica, até que separasse por inteiro seu espírito do próprio corpo e alma. No entanto, o cansaço dela aparentava ainda maior e Dan tentou teorizar sobre os motivos disso, sem sucesso todas as vezes.

Até que...

Sakura caiu desmaiada nos braços do Hatake e, por um brevíssimo momento, em um piscar de olhos, Dan pensou ter visto uma figura feminina em pé ao lado de Sakura. Uma mulher de longos cabelos negros, delgada e curvilínea. Ela olhou ao redor, meio atordoada como se tivesse acordado de um pesado sono. Vestia algo parecido com um kimono todo branco.

Durou pouco, quando a figura de olhos negros fitou Dan e ele franziu a testa já preparando-se para indagar do que se tratava aquilo, a mulher desapareceu e Sakura balbuciou algumas perguntas para Sakumo, algo como: “O que aconteceu?”

“Você desmaiou. Acho melhor descansar, Sakura”. O homem a colocou em pé, amparando-a em seus ombros. “Vou te levar ao acampamento de volta.”

“Fukurō-san” Sakura chamou a mulher.

“Aqui.” Tsuyoi piscou de onde estava para perto dela, rapidamente. “Eu te levo, Sakura-san”. A Uchiha mais velha agradeceu-se internamente por Sakura não querer dar trabalho aos seus líderes, pois sem saber acabou evitando rumores sobre sua reputação em virtude da época. Ser vista com Sakumo a sós não era de bom tom.

E Fukurō não queria ver Sakura se aproximando de Sakumo. A Haruno sempre seria de seu patriarca. Como uma fiel seguidora, Tsuyoi cuidaria para que Sakura entendesse isso.

 

 

 

“Sabe, Sakura. Eu gostaria de ouvir sobre sua época. Poderia nos contar?” Fukurō iniciou uma conversa com Sakura, a beira da fogueira, durante a noite. Era o momento do jantar, nessas horas o clima era sempre aconchegante com todos reunidos e desta vez os Hyuugas misturaram-se aos Uchihas para o jantar.

A primavera se iniciava.

Muitos peixes assavam e a carne de três javalis também tostava no fogo aos cuidados de dois Uchihas e dois Hyuugas mais animados. É claro que o extremamente jovem Chōza Akimichi comandava a preparação de tudo, com deleite. Os Sannins conversavam animadamente com Dan e Sakumo, do outro lado da imensa fogueira.

Fukurō falava alto e Sakura pediu a todos os Kami para que a mulher não tivesse sido ouvida. Sinalizou discretamente para que ela aproximasse e pediu: “Podemos falar sobre isso mais tarde, quando as pessoas estiverem mais dispersas?”

Tsuyoi anuiu para a Haruno, tendo em mente que aquele assunto era melhor ser deixado para mais tarde. “Hn, sim, é verdade. Será melhor mesmo.” A bela mulher vestia um confortável yukata Uchiha azul claro, que fazia par com sandálias ninja e destacava a cor de seus cabelos.

Após um ano, Sakura e a Yūrei estavam muito mais íntimos, tanto que a ninja do Time 7 se sentiu confortável para perguntar algo que queria muito saber. “A cor de seus cabelos é natural, Tsuyoi-san?”

A mulher havia se sentado ao lado do marido, em cima de um pequeno tronco de árvore que era feito exatamente para acomodar duas pessoas. Tsuyoi já degustava alguns peixes que roubava do prato de Tora, quando fitou Sakura com uma expressão que era um misto de saudade e grata felicidade.

“Essa é uma das poucas coisas que tenho para lembrar de minha mãe, Sakura. Então, sim, são naturais assim como o rosa das cerejeiras nos seus.”

Sakura sentiu-se emocionada, levemente, com o clima criado pela saudade visível nos olhos ternos de sua amiga Uchiha. No entanto, a imagem de uma mulher lhe veio à mente; alguém sobre a qual a Haruno encontrou muito pouco quando foi à biblioteca de Konoha há um ano ao passar pela vila para deixar os órfãos com Mito.

“E quem era a sua mãe?”

“Uchiha Naori...” Tsuyoi pausou sua fala, quando viu Sakura arregalar os olhos e abrir um pouco a boca, a menina parecia impressionada. “Você já ouviu falar dela?” Indagou, com estranhamento.

“É claro, como poderia não ter ouvido? A criadora do Izanami! Uchiha Naori foi uma kunoichi poderosa em seu tempo!” Sakura respondeu com admiração, sua voz sempre baixa. Mesmo assim, nesse momento, um silêncio mortal pairou sobre todos os Uchiha a volta.

Sakura gelou quando observou o espanto de Tsuyoi e Tora e então quando ouviu um Uchiha dos mais carrancudos sussurrar para seu companheiro de esquadrão: “Isso é inadmissível, onde a garota ouviu isso?” O homem que ouviu o sussurro deu de ombros, assim como outros ninjas Uchihas também faziam para seus companheiros.

Ninguém entendia como uma informação valiosa como saiu das paredes do clã.

“Como sabe sobre esse jutsu, Sakura?” Tsuyoi perguntou.

Sakura desviou os olhos dela para olhar para um grupo de membros do Uchiha, que se aproximava. Pareciam bravos. “Eu...” Começou a responder, porém freou-se, não deveria ter cometido esse deslize. Uma kunoichi a sua semelhança, jovem e de fora não deveria ter informações tão importantes sobre a linhagem sanguínea deles.

Os ninjas e kunoichi daquele grande grupo pareciam ainda mais irritadiços, principalmente quando aquele, que provavelmente era o líder deles, cruzou os braços, estreitando os olhos em sua direção. O homem era mais velho e sua postura era claramente ameaçadora.

“Nós também queremos saber de onde foi que você roubou esse conhecimento. É isso que você é, uma ladra trapaceira?” A voz do senhor de cerca de 60 anos fazia um conjunto ainda mais intimidante com a postura dele.

“Eu não sou nada disso... senhor. Eu...” A ninja de cabelos róseos precisava pensar em que diria e, principalmente, acalmar-se. Maldita hora para um conflito surgir, logo quando suas emoções brotavam livremente.

“É o que então? Não está sendo convincente. Se o obteve informações sobre nosso kekkei genkai por meios ilícitos, certamente é uma ladra.”

Fukurō e Tora levantaram-se e Sakura também, os três ficaram frente a frente com o grupo. Tora cruzou os braços com um suspiro meio entediado. “É melhor se explicar, Sakura-chan. Esse aqui não saíra daqui enquanto não se convencer.” Informou sua companheira de esquadrão em voz baixa para que apenas ela pudesse ouvir.

“Eu pesquisei sobre ela a um ano atrás na biblioteca.”

“Acha que sou idiota? Que acreditarei nisso? Esse tipo de informação não se encontra na biblioteca!”

Sakura se perguntou por que aquele senhor parecia odiá-la, mesmo uma informação tão importante não deveria provocar tanta fúria! “Eu... eu li nos pergaminhos, tenho acesso a essas informações. Sou uma ANBU a serviço do Hokage, da proteção pessoal dele.”

O homem ergueu, levemente as duas sobrancelhas, descruzando os braços. Pareceu acreditar nela, assim como os outros Uchihas que mostravam mais curiosidade. No entanto, Sakura sabia que o perigo ainda não havia passado.

‘Ah, como odeio mentir! Isso vai se tornando uma bola de neve cada vez maior! Daqui a pouco serei esmagada por ela.’ Crispou os lábios, querendo colocar a mão em frente o rosto, refletindo. Por um pouco não o fez, entrou nessa enrascada, teria de sair dela.

“Eu não sou outra coisa senão muito curiosa e sim, aprendo qualquer jutsu que estiver ao alcance da minha capacidade. Ainda não atingi todo o meu potencial, Uchiha-san” Falou, parecendo desafiadora. ‘Sou aluna do ninja copiador afinal de contas.’ Completou, mentalmente, tendo um flash de Naruto afirmando um ‘‘ttebayo!’ fervoroso e isso a fez sorrir levemente na presença de todos.

Alguns atrás do homem sorriram com a postura e a resposta da kunoichi, mas disfarçaram.  Os olhos do senhor se estreitaram ainda mais por um tempo, contudo voltaram ao normal quando ele cruzou os braços, novamente. “Então você é parte deles.” O homem concluiu, olhando para ela com decepção.

“O que quer dizer?” Sakura indagou-o.

“Pensa o mesmo que o Hokage anterior?” Respondeu-a com outra pergunta.

Imediatamente, Sakura soube do que se tratava e balançou em suas pernas devido ao incomodo, não poderia de forma alguma ser associada ao Hokage anterior, não enquanto as pessoas tivessem uma ideia errada sobre ele, principalmente quando essas pessoas fossem membros do clã Uchiha.

“Depende do que significa para você ‘pensar o mesmo que o Hokage anterior’, Uchiha-san. Se estiver falando sobre a parte em que o senhor Segundo menciona em seus relatórios que ninguém é capaz de amar como um Uchiha e que o amor nele é tão intenso que se torna sua maldição. Devo dizer que existe uma interpretação desse pensamento com a qual concordo.”

“E qual é?” Ele indagou-a esperando ver nela o mesmo preconceito.

“Ninguém ama como o Uchiha e o amor é uma maldição sim, mas no sentido em que não podemos nos livrar dele e que ele é capaz de nos arruinar, muito embora nada seja tão sublime, maravilhoso e mais honroso.”

A declaração inesperada da kunoichi, de belos olhos verdes e cabelo de cerejeira, deixou todos os Uchihas do grupo e o restante dos presentes perplexos e deslumbrados. Bem, pelo menos aqueles que já a apoiavam e seguiam silenciosamente como se fosse uma divindade, esses sorriam em aprovação e os que vieram interrogá-la, agora não podiam esconder a admiração, bem como o sentimento de acolhimento.

Poucos de fora do clã recebiam bem o Uchiha. Em geral todos tinham preconceito, repúdio ou medo, mas nada como admiração.

“Se todos fossem como você...” O senhor balbuciou, descruzando os braços e então, por algo semelhante a vergonha, interrompeu-se. “Me desculpe.” Pediu, simplório, todavia sincero.

A Haruno andou até o grupo, calmamente, olhando-os com profundidade e carinho. “Não desanime, muitos serão até melhores.” Sakura falou, fitando os olhos dele e em seguida os dos homens e mulheres que o seguiam.

Nesse momento, sentiu-se encorajada a aproveitar a oportunidade. Havia uma mulher Uchiha especialmente atenta à ao que a Haruno dizia, a moça alcançou as mãos dela e afagou-as levemente, sorrindo com ternura. “Eu pertenço a um clã de sacerdotes, nunca segui os caminhos, fui criada no meio da guerra em Ame”. Contou a história que tinha para si, ensaiada inúmeras vezes com Mito.

“Sou descendente de dois Senju e de uma Uzumaki... aprendi a interpretar sonhos...” Mentiu para não dizer: Vim do futuro. “E acreditem, vocês serão aceitos, Uchiha-san, vocês apenas precisam acreditar que queremos o seu bem também, a maioria de nós pelo menos...” Sakura soltou as mãos da mulher e, após acenar para ela com um sorriso, afastou-se com alguns passos para trás. Então virou-se, voltando para o lado de Fukurō e Tora.

“Algum problema?” Tsunade aproximava-se com os outros e indagou sua pupila. Aqueles Uchihas teriam problemas se se metessem com Sakura.

“Não, Tsunade-sama. Eu apenas falava do quanto o clã Uchiha é importante para a vila e como desejo sinceramente que possam se sentir mais acolhidos em nossa Vila.” Sakura, vestida em um Qipao vermelho a moda dos que gostava, olhou da Senju para o grupo novamente. “Sem vocês Konoha não existiria. Obrigado, Uchihas-samas.” A moça agradeceu-os com uma reverência formal e sincera.

Todos os presentes foram atingidos, novamente, pelo respeito, gentileza e cuidado que vinham da médica Uzumaki.

“Tão jovem e ainda sim, sábia. Você teria sido uma boa matriarca, minha querida.” O homem demonstrou total abrandamento e simpatia por Sakura.

A jovem pareceu desconcertada. “Nani?”

O velho homem sorriu para ela e lhe deu as costas, afastando-se em seguida com o seu grupo. Deixou um ar ameno pairando. Sakura suspirou em seguida, caminhando para seu lugar onde estava sentada antes, mas Tsunade a chamou para que viesse junto de Tsuyoi e Tora para festejarem ela, Sakumo, Dan e os outros dois Sannins.

Por acaso, a Haruno acabou sentada ao lado de Sakumo, o homem perguntou-lhe se já estava mais descansada do mal-estar provocado pelo treinamento com Dan mais cedo. Sakura respondeu afirmativamente, voltando a conversar aleatoriedades com os outros ninjas companheiros.

“Agora que eu sei quem foi sua mãe, quem foi seu pai, Tsuyoi-san? Naori-sama chegou a casar-se com aquele pelo qual criara o jutsu?”

“Oh, eu não cheguei a saber quem foi meu pai, Sakura. Esse, aliás é um dos motivos pelo qual quase fui negada pelo meu clã. Não sou Uchiha por parte de pai.

“Seu clã sempre foi rigoroso com essas coisas de linhagem, não é? Assim como os Hyuugas.”

“Sim.”

“Não quero ser inconveniente, podemos falar sobre outra coisa se quiser.” A moça foi sincera.

“Ah, deixa disso. Não é. Fatos são fatos, felizmente as coisas têm melhorado no nosso clã, mesmo que à passos de tartaruga.”

“Como foi aceita no clã se eles eram assim tão rigorosos?”

“Fui criada como uma Uchiha e dentro dos domínios de nosso clã, apesar de não ser aceita como uma. Felizmente não eram todos que me excluíam, foram mais os membros mais antigos, as famílias dos conselheiros, principalmente. O irônico é que é justo o mais velho deles que me acolheu, Yoshi-sama é um bom bondoso.”

Sakura sorriu para isso e Fukurō continuou. “Eu apenas pude ser aceita no clã quando me casei com Riaru. Muitos acharam por muito tempo que eu o fiz apenas para ser aceita, mas não é disso que se tratava. Nós crescemos sabendo que fomos feitos um para o outro. Eu apenas dei trabalho para ele...” Riu-se. “No entanto, meu marido foi o único capaz de me compreender, afinal sabia bem pelo que eu passei, ao menos a parte de não ter os pais. Namoramos desde então, e nos casamos há três anos.”

“É mesmo? Então você também não teve os pais, Riaru-san?” Curvada, com o rosto entre as mãos, que se apoiavam sobre os joelhos, Sakura indagou o homem que prestava atenção à conversa de sua esposa com a Haruno e paralelamente ao que Jiraiya e Orochimaru falavam.

“Eu os tive por um tempo, cheguei a conhecê-los, ao contrário de Tsuyoi. Meu pai, Uchiha Kagami, me viu crescer, até os dez anos completos, foi quando em uma missão ele foi dado como desaparecido. Com minha mãe aconteceu o mesmo. Yoshi-sama me levou para sua casa, ele é meu bisavô. Foi assim que conheci Tsuyoi, mais precisamente quando ela jogou rolinhos de sushi em mim porque eu disse que estavam estranhos.”

“Você disse que o peixe parecia podre, seu idiota.” A Uchiha bufou, bebendo de um gole só todo o saquê de seu copo. Tsunade, sentada ao lado do casal Uchiha, riu alto e encheu o copo da mulher novamente e, olhando para Sakura, ofereceu encher o dela também.

A jovem aceitou alegremente, olhando de soslaio para o perfil do namorado da Senju e pedindo a Kami que Dan não a impedisse de aproveitar aquela noite. O homem notou isso e sorriu, balbuciando “apenas por hoje” para a médica.

Ainda dividindo o banco com Sakura, Sakumo riu-se da moça e ela ruborizou. “O que foi? Eu mereço aproveitar um pouco, tenho trabalhado duro!”

Divertido, o homem levantou as mãos em rendição. “Eu não disse nada, Sakura...-san” Quase esqueceu do sufixo e esse detalhe não foi perdido pelos demais.

“Tsc” Fukurō estalou a língua, audivelmente, descontente com a visível intimidade do Hatake com Sakura. “Sakura, será que eu posso falar com você a sós? É assunto feminino.” A mulher decidiu agir imediatamente.

“Ah não, Sakura vai beber hoje, eu e ela vamos competir para ver quem tem a maior resistência, Jiraiya e Orochimaru estarão competindo também e Dan aceitou ser nosso arbitro, não é Dan?” A Senju o olhou, felicidade estampada em seu sorriso de lábios rosados.

“Porque logo eu tenho que ficar sem beber?” O homem estava indignado, porém brincava.

“Porque você e Sakumo são os caras corretos da legião. Sem vocês seriamos um bando de bêbados.” Jiraiya ergueu um copo de saquê, que de tão cheio derramava a bebida na relva a seus pés. “Kampai!”

“Kampai!” Todos brindaram e a volta do grupo muitos outros ninjas brindavam também.

Ao redor do terreno, esquadrões de ninjas atentos e habilidosos, guardavam os arredores do acampamento. Em breve se moveriam mais para o interior, ultrapassando definitivamente a fronteira com Iwa, estavam em clara vantagem, mas nem por isso ficariam desatentos.

Descontente, Tsuyoi teve de deixar os assuntos que queria tratar com Sakura para mais tarde e terminou a noite brindando com os companheiros. Ao tardar da meia-noite – um horário extremamente avançado para ninjas que não estavam de plantão permanecerem acordados em épocas de guerra – todos recolheram-se.

Todos, menos Sakura, que antes de adentrar sua tenda, olhou para o brilho da lua cheia e lembrou-se de seu sonho com Madara. Pareceu tão vívido que a moça tinha certeza de que jamais seria capaz de o esquecer. Tendo um largo xale sobre seus ombros, olhou para o céu azul escuro da noite iluminada, perguntou-se como estaria o ninja.

Ela tardava em sua missão.

E pensar que quanto mais tempo se passava, mais Madara ficava longe de ser alcançado...

 “Que diferença faz? Ele já era inalcançável na época do Shodai, alguns dias a mais não são nada.” Pronunciou, tentando se convencer de que não havia urgência em vê-lo.

Seu coração acelerava cada vez que pensava nisso. Sentia que estava incrivelmente errada, algo queria que ela saltasse pela floresta e o encontrasse. Nem que para isso tivesse de correr durante dias.

Pousou a mão sobre o peito (no local sob o qual ficava o coração) fechando-a em punho, como se com isso pudesse acalmar a sensação desesperada de urgência que a afligia quando se negava a ir até ele. “Parece que essa coisa ficou mais forte com o treinamento de Dan-san.” Refletiu, em voz alta, enquanto fitava a lua.

“Por sorte cheguei a tempo de encontrá-la acordada.” A voz masculina e aveludada soou atrás de si. Ela virou-se imediatamente, surpreendendo-se com madeixas de cor prateadas tão luminosas quanto a lua que admirou momentos antes.

“Hatake-san.” A ninja corou, levemente, por estar em suas roupas de descanso, torcendo para que nada estivesse muito a mostra. Ajeitou o xale sobre o busto, ocultando a pele nua de sua clavícula, enquanto o homem parou perto dela.

Sakura andou alguns passos para afastar-se dali, afinal não seria bom que vissem um homem, mesmo o líder, próximo a entrada de sua tenda. Sakumo, perspicaz como era, notou tudo na Haruno. Impressionava-se cada vez mais com o quanto a moça era discreta e inteligente, tudo isso além de bela e poderosa.

Estava difícil segurar-se e não dizer o que queria dizer realmente. ‘Mais um ano, apenas mais um ano’ Refletiu e então observou a lua com ela por longos minutos.

“Algum motivo para ter perdido o sono, Hatake-san?”

“Eu não costumo precisar de muitas horas. Gosto de respirar o ar noturno. Mas, confesso que só estou aqui por causa de você...” O homem repreendeu-se internamente pelo deslize. “Quer dizer, porque vim dizer boa noite quando a vi acordada...” O homem olhou para ela, de relance então voltou a fitar a lua, firmando a voz. “Eu fazia a ronda noturna, antes de ir para descansar, então quando a vi, quis desejar boa noite.”

“Meu Kami, você só pode estar brincando, não é?! Acha que me engana?” A Haruno virou-se para ele com as mãos na cintura, a voz parecia diferente, mas não ao mesmo tempo.

Sakumo ergueu as sobrancelhas, espantado.

“Ah, kami, me desculpe por isso, Sakumo-san.” Sakura falou, tendo as mãos sobre a boca, em seguida dando-lhe as costas e balbuciando algo como: “Kami, droga, droga.”

O homem recuperou-se do seu espanto e riu-se do quanto a situação foi engraçada: Ele querendo contornar o deslize de dizer-lhe que estava ali por ela e Sakura com sua manifestação espiritual extrovertida. Ela as vezes parecia duas.

Sakumo franziu o cenho quando isso lhe veio à mente, Sakura tinha efeitos colaterais muito mais estranhos do treinamento do Reika no Jutsu, realmente parecia ter uma segunda personalidade.

Se fosse o caso, ela sabia de suas intenções?

 

 

A festa e bebida será sempre inimiga dos guerreiros tanto quanto é amiga nas horas em que tentam esquecer o horror da guerra sangrenta. Após o ocorrido com Hisaki haviam se passado quatro semanas e a retribuição de uma Iwa raivosa veio, silenciosa e sorrateiramente.

Sakura estava distraída demais, após repreender Inner por se referir a Hatake-san daquela forma insultuosa, depois tentando descobrir o que ela queria dizer e, então, fixando-se no brilho cálido da lua que a lembrava do quanto estava sendo teimosa... as coisas estavam se resolvendo com o clã Uchiha, em seu roteiro faltava apenas Sakumo, Dan... e...

Sakumo, ao seu lado, perguntava-se se era o momento de falar com a kunoichi já que a moça parecia ter notado suas intenções e ser receptiva. A felicidade o fez relaxar os ombros, tomando ar em um suspiro para, em seguida, virar-se para lhe falar.

No entanto, quando moveu a cabeça para olhá-la, viu o exato momento em que a jugular dela foi atingida por uma espécie de dardo. Sakura arregalou os olhos e, instantaneamente, levou a mão ao pescoço, retirando o dardo. Sakumo colocou-se em guarda rápido e Sakura também, contudo, a kunoichi perdeu os sentidos ao seu lado. Eles nunca viram nada com o efeito tão veloz, nem mesmo a médica.

O Hatake só orava aos Kamis para que a substância inoculada nela não fosse perigosa. Olhando para todos os lados, não conseguiu avistar nada, nem uma única brisa passava pelo acampamento mortalmente silencioso naquela noite.

Assim como fizera de manhã, Sakumo a amparou prontamente em seus braços. “Invasão! Todos a postos!” Gritou, sendo em seguida atingido na jugular também. O ninja a arrastou para trás de sua barraca e desmaiou junto com a jovem. Na borda da inconsciência, ambos ouviam o escândalo a sua volta.

Bombas de papel, correria, aço de kunais e katanas se chocando, gritos de ordens... fogo crepitando. A legião Norte de Konoha estava sob ataque.

Chapter Text

 

Seus olhos, entreabertos, encararam logo uma parede e chão cinzentos. Ela estava se sentindo sonolenta e seus músculos e membros pareciam moles. Quando suas pálpebras se soltaram e pode fitar o redor, percebeu três pessoas no mesmo ambiente que ela. Apenas Sakumo estava acordado, Heiwa, ainda desmaiada, aparentava que levaria horas para recuperar a consciência.

“Está ferido, Hatake-san?”

Encostado na parede à frente de Heiwa (que estava do lado esquerdo de Sakura), o Hatake esboçou um pequeno sorriso no canto de seus lábios. “Estou bem, Sakura-san, acordei antes de você. Por que não verifica seu estado antes de pensar nos outros?”

“É inevitável, acho que vem com ser médica.” Respondeu, pausadamente.

“Se tivéssemos mais médicos, Konoha com certeza não perderia tantos dos seus.”

“Isso é exatamente pelo que Tsunade-sama lutou após a morte de Nawaki e Dan. E eu concordo, como vocês podem deixar isso sem atenção?”

“Treinar médicos durante uma guerra, é um feito quase impossível. Você está há um ano conosco, já deveria ter percebido isso, Sakura.”

Sakura apenas desviou o olhar, não gostou dos flashs de tanto sangue derramado em missões anteriores. Aquilo era um inferno que não tinha fim. “Onde será que estamos?” Mudou de assunto.

O homem, suspirou profundamente, de forma enfadonha. “Na torre do Tsuchikage, cercados por toda uma Iwagakure obstinada em tirar Konoha do mapa.”

“Tsc.” Sakura estalou a língua em sua boca. “Que ótimo.”

“Tem passado tempo demais com os Uchiha, Sakura, está ficando rabugenta também.”

Ela riu. “Eles são legais. Tora e Tsuyoi, principalmente.”

“Hmph, esses dois são uma peça. Eu os invejo.”

“Por quê?”

Sakumo a olhou fixamente, então desviou os olhos. Seu olhar castanho, magnético e gentil retornou para ela fixo nos seus para a responder, quando a moça repetiu a pergunta. “Porquê Tora encontrou uma mulher digna, que o acompanha, apoia... além disso, é maravilhosa e extraordinária.”

Sakura ficou impressionada com o que veio do Hatake, ouvi-lo falar assim de Tsuyoi foi, sem dúvida, admirável. A Haruno quis que falassem dela assim. Nessa sensação, fez silêncio, porém, sustentou o olhar dele. Sentia-se bem em estar com o Hatake, antes achava que era porque ele a lembrava de seu sensei. No entanto, há algum tempo percebia olhares dele para ela, longos olhares aquecidos e gentis.

Não sabia muito sobre namorar, ela cresceu vidrada em Sasuke ou lendo livros sobre jutsus, cujo único objetivo era torná-la mais forte e então provar para o Uchiha que era melhor que qualquer outra kunoichi, que o merecia. Depois que ele se foi, seu objetivo era se tornar forte para trazê-lo de volta e provar a si mesma que era boa em algo, que poderia ser a melhor médica que o mundo já viu.  

Como shinobi, era notável, mas na área sentimental, sentiu-se leiga. Mesmo assim, estava muito crente de que seu líder a via de forma diferente e que ela sentia algo bom em retornar seu olhar. O que aconteceria se não desviasse mais os olhos quando ele a fitava, como por exemplo: agora?

O momento naquela conexão confortável e romântica - bem, isso era como a jovem e alegre Yamanaka Ino definiria, se estivesse ali para dizer algo sobre a situação - se prolongou ao ponto de Sakura ruborizar e Sakumo festejar a vitória, internamente.

‘Mas que momento para retribuir meu olhar, logo quando estamos dopados e exaustos.’ O homem refletiu, ao mesmo tempo em que se atentava aos passos dos inimigos, que naquele momento se dirigiam para a cela em que ele e as duas kunoichi estavam. Heiwa, por sinal, ainda desacordada.

Dois ninjas empurraram a pesada porta de aço, único acesso à cela toda de pedra e a única saída também. Eles vestiam o uniforme típico do país: calças e blusas vermelhas com coletes jōnin na cor marrom; os lenços em suas cabeças também eram vermelhos e as bandanas não deixavam dúvida, o Hatake e Sakura, estavam de fato nas mãos de Iwagakure no Sato (Vila da Pedra).

Os dois homens aproximaram-se, trazendo cada um uma bandeja com seringas. Sem poder oferecer nenhuma resistência, Sakura e Sakumo receberam a sua segunda dose da substância desconhecida. O único detalhe que Sakura conseguiu captar foi que o líquido era de cor escura, mais nada, e isso era o que era, nada. Estavam renovando o efeito para que os três ninjas não fossem um perigo.

O ninja mais alto ficou ereto na frente de Sakura, olhando para ela de cima, enquanto a moça estava no chão. “Demorará uma hora até que possa surtir efeito novamente, essa é mais lenta, terão tempo para comer. Mas, se tentarem qualquer gracinha, aplicamos a original e deixaremos vocês sem comer por mais três dias.”

“E ela, porque não acordou?” Sakumo indagou, olhando para as costas dele.

O homem andou, junto do outro, para a porta e ambos pararam na frente delas, segurando as bandejas, agora vazias. “Sua amiga Hyuuga mereceu, antes de ser imobilizada, ela matou três dos nossos. Além disso, sabemos que foi culpa dela o plano do forte ter dado errado, por culpa dela perdemos todos lá.” O ninja alto respondeu, dando as costas e saindo da cela.

O outro, que permaneceu, era mais jovem (cerca de 25 anos), vestia a mesma roupa e era mais baixo e debochado. “Ela levou uma boa surra, só manteve os olhos porque nosso líder não permitiu que os tirássemos.” Parou para receber uma bandeja com duas vasilhas contendo uma espécie de caldo, as quais ele deixou, uma para Sakumo e outra para Sakura.

“E nada de torcer o nariz, seus malditos. Por sua culpa a comida tem estado e escassa por aqui e não daríamos nada melhor do que essa lavagem para vocês.” Ele atirou para Sakura, quando a viu franzir a testa para a sua vasilha.

“E como vamos comer, se estamos sem movimentos?” A Haruno exigiu, ríspida.

“Ora, não pensa que pode me enganar, não sou um dos idiotas da sua vila. Você já pode se mover, kunoichi... se é que deveria ser chamada assim. E lamba bem os restos, não verá comida antes do amanhecer.” Sorriu em escarnio e trancou a porta de ferro, causando o típico eco metálico.

Os Konoha-nin ficaram a sós novamente. “Você pode se mover?” Lentamente, Sakumo alcançou a tigela que lhe pertencia, bebendo todo o conteúdo de um gole só.

Sakura torceu as feições em nojo e olhou para a sua. “Não.”

A voz do Iwa debochado surgiu gritada através da espessa porta de aço. “Eu esqueci, você também recebeu dose dupla, desgraçada!” A isso seguiram-se as risadas dele e de outros ninjas.

A moça revirou os olhos, murmurando. “Esperem até eu estar livre dessa merda de selo.”

“Para isso teremos que sair da cela, não é apenas o selo nas algemas em nossos pés e a substâncias que nos enfraquecem”. Ele fez uma pausa, olhando para o teto. A Haruno acompanhou a direção e viu as etiquetas acima das cabeças deles, uma para cada um. “As etiquetas.” Sakumo desceu o olhar para ela, novamente. “Estou surpreso, é a primeira vez que a vejo falando da mesma forma que os soldados.” Riu-se.

“Isso me torna menos feminina? Sinto desapontá-lo.” Disse, sarcástica.

“Ah, você pode ser sarcástica também?!” O homem riu, enquanto se aproximava, arrastando-se até onde as algemas em seus pés o permitiam. “Consegue ao menos tombar o corpo na minha direção?”

“Não é necessário, Hatake-san, me alimentarei amanhã.”

“Não se sabe, então não discuta, precisa estar forte para quando fomos fugir daqui. Agora empurre a tigela com os pés até aqui.” Ele foi firme, tentando ocultar a ansiedade que tinha em antecipação ao que viria a seguir.

Sabendo que com o Hatake discutir era perda de tempo, a Haruno fez um esforço enorme, conseguindo empurrar a tigela para ele e, em seguida, cair de lado no chão. Após isso, Sakumo, alcançou a gola de seu traje de descanso, uma fina yukata coberta com um xale. O xale ocultava a abertura pela qual sua clavícula e a pele acima de seu busto poderiam ser vistas, se por qualquer movimento o tecido fosse removido.

“Puxe meus braços ou nada feito.” Ela o informou.

“Não se preocupe, não vou olhar, tem a minha palavra.”

“Isso não está em discussão.”

“Muito bem, Uchiha Sakura.” Enquanto arrastava o corpo dela para si, o homem brincou, sem saber o que suas palavras causaram na moça, que paralisou com os olhos arregalados.

“O que foi? Alguma dor?”

Ela piscou algumas vezes, saindo de seus pensamentos. “Não, estou bem. O que está fazendo?!” Apressou-se exaltada, quando sentiu-se ser quase abraçada pelos braços masculinos.

“Desculpe, não me entenda mal, mas ainda não tenho resistência para mantê-la sentada e nem conseguirei lhe dar o conteúdo da sopa com você deitada.” O homem tentou manter o corpo dela o mais longe possível de seu tórax, para sua sorte (ou nem tanto) a jaqueta jōnin padrão que usava constituía uma grossa barreira entre eles.

Mesmo assim, o calor dele a envolveu e Sakura ruborizou em seus braços. Ela baixou a cabeça para que seus cabelos ocultassem o vermelho nas maçãs de seu rosto. Sakumo a olhava de cima, divertido, não precisava ver, sabia que a garota estava constrangida, ela era tão linda.

“Ei, erga a cabeça para que eu possa te dar a comida.” Falou, demonstrando cuidado, havia ternura deixando sua voz ainda mais aveludada e atraente.

Envergonhada, ela o fez, enquanto torcia para que o rubor tivesse enfraquecido e não chamasse a atenção do Hatake. “O rosa nas suas bochechas é muito bonito, combina com seu cabelo.” Ouviu-o comentar, casualmente.

Seu coração acelerou, não sabia o que dizer.

Pelo visto não precisava, a tigela foi trazida a seus lábios, tocando-os, lentamente e ela bebeu tudo de forma contínua e ininterrupta. Era melhor o gosto horrendo daquela lavagem do que ter que pensar em como agir naquela situação. Desejou que acabasse, afinal temia se passar por ingênua.

Quando terminou, agradeceu e tentou se mover para voltar, mesmo que ainda sem forças. “Quer mesmo voltar para lá?” O Hatake arriscou, graça em sua voz.

Envergonhada, Sakura encolheu levemente os ombros. Pelo visto, Sakumo era direto em tudo e bem ousado também.

“Te devolvo, se você quiser, mas se escolher ficar, prometo ser respeitoso.”

A jovem foi inundada por dúvida. O calor dele e aquela coisa boa entre eles a puxava para os braços de Sakumo, entretanto, algo dentro dela queria de toda forma afastá-la do homem, como se ao ficar ali estivesse errando.

Seria seu sentimento por Sasuke?

“Descanse” O homem de cabelos cinzas afastou seus cabelos, com um toque cuidadoso da ponta de seus dedos, colocando-os atrás de sua orelha.

“Porque não o afasta, Exterior?!” Inner apareceu, irritada e de braços cruzados, atrás de si, em sua paisagem mental. ‘Eu não tenho certeza se quero isso.’ A sua cópia preta e branca arregalou os olhos e emudeceu, em seguida, deu-lhe as costas e desapareceu.

Sakumo sorriu quando a moça amoleceu em seus braços. O Hatake pensava em formas de saírem dali, mas não apenas nisso, em sua cabeça brotaram planos para um futuro - aparentemente não mais tão distante - com a jovem. Enquanto isso, Sakura fechou os olhos e, após algum tempo sentindo o confortável calor à sua volta, entregou-se gratamente ao sono.

 

 

 

Lábios grossos pressionaram-se em sua testa, bem acima de onde ficava seu selo. Com ternura, eles ficaram ali durante longos segundos, então ela tomou ciência das mãos masculinas firmes apertando suavemente os lados de seu braço.

“Bom dia, flor.”

Aquele apelido fez Sakura abrir os olhos, imediatamente, encarando írises negras como o breu. Nelas um piscar fulgurante sobre a superfície transparente, que refletia sua própria imagem. Sakura enxergou-se no cristal escuro como o céu noturno e estremeceu na frente de Madara, envolta agora no calor dele.

A presença de Madara emanava um calor mais convidativo e ardoroso. Ali, sentiu-se quente como se estivesse a volta de uma fogueira nos dias de frio.

“Eu não entendo”. Balbuciou, confusa e de coração descompassado.

“O que não entende?” A testa dele tocou a sua, as pontas dos narizes roçaram, os olhos bem perto e hipnotizados, em seus lábios um sorriso sutil brincava, repuxando os cantos.

“Estou sonhando, de novo.” Ela concluiu, desviando o olhar, como se ele não estivesse de fato ali.

O belo líder Uchiha, cujos cabelos revoltos e espetados desabavam sobre seus ombros, movimentou a cabeça, roçando seus narizes novamente, enquanto apoia-se em seu braço direito e elevava-se sobre ela. Em consequência, a conexão de seus olhos se restabeleceu, desta vez com os dela assustados e em evidência pela cor carmim que suas bochechas adquiriram.

A racionalidade falou, baixinho, para que saísse de perto do rosto dele, fugisse da cama, porém...

Kami, ele era lindo. Sua longa e densa cabeleira caiu em cascata ao redor de ambos. O dia havia amanhecido e a luz fugaz do sol entrava pela janela, que Sakura percebeu em sua visão periférica, iluminando a pele branca em contraste das madeixas negras. A moça sentiu a timidez em um misto de alegria brincar dentro dela, formigando seu rosto, em seguida seu peito e então, então estava com um sorriso, envergonhada.

“É um sonho para mim.” A voz rouca e baixa, arranhou na garganta masculina, em conclusão solene. “Obrigado por ficar. Pela primeira vez em muito tempo, não me sinto vazio.”

Os olhos dele ficaram vermelhos, com os característicos e deslumbrantes mangekyō sharingan ativados. Aquilo a atordoou, momentaneamente.

“Eu...” A Haruno não pode concluir o que começava a dizer, porque o Uchiha moveu-se, aproximando seus lábios, lentamente, até que se tocaram. Seus olhos alargaram, ao sentir a boca dele contra a sua.

Os lábios grossos e macios moveram-se, devagar, durante alguns segundos, como em um passeio de reconhecimento. Ela não sabia o que fazer, enquanto seu coração batia euforicamente, quase furando seu peito, pensou em afastá-lo e suas mãos tocaram o tórax dele sobre as vestes. No entanto, Madara aprofundou o beijo, como se tivesse se tornado sedento, ela sentiu a língua dele dançando na parte interna de seus lábios.

O que ele queria?

Caramba, isso estava tão bom que a distraiu, a hipnotizou de tal forma que as mãos dela acariciaram-no, sentindo seu peitoral firme debaixo da roupa.

O que ela estava fazendo?

Sentiu seu lábio inferior ser capturado pelos dentes dele com cuidado, o homem de ombros largos e presença imponente, se deleitou sorvendo-o com doçura. Então, Madara inspirou com força, aquecendo o ar entre eles, ao mesmo tempo que ela – com a respiração entrecortada - sentiu a mão grossa e precisa passando por baixo de sua nuca e a trazendo para mais perto ainda. Foi quando ele conseguiu invadir a barreira de seus dentes e tocá-la tão intimamente.

Era este o precipício da sanidade e o auge de um desejo que ela não sabia, até então, que possuía. Foi como se estivesse conectada perfeitamente a ele e sua alma. Como se fossem um e estivessem presos numa redoma de ternura e apego insaciável.

A boca do Uchiha era sua fonte e a dela a dele. No mover de lábios macios, molhados, deleitosos e sedentos, estavam enfim completos.

 

 

“Gostou?” Ouviu a voz aquecida e doce. Sua visão, ainda muito embaçada, se forçou para poder focar e, então, viu-o sorrir, de sua posição anterior, deitado ao seu lado. Porém, desta vez, acariciando seu rosto, com carinho e apreço.

Madara desceu as carícias pela maçã de sua face até seus lábios; ali, sentiu o polegar dele a tocando de forma desejosa. Tinha certeza disso, a julgar pelo olhar enamorado do Uchiha sobre si. Viu-o umedecer os próprios lábios, enquanto a acariciava e chegava mais perto.

“Você não tem ideia do quanto desejo tomá-los para mim.” Os olhos vermelhos dele, voltando ao preto movimentavam-se freneticamente, encarando os seus com admiração e ânsia.

“Então, faça.” Deu sua permissão, ela quis muito isso de novo.

“Eu quero muito, flor. Mas, vou fazer tudo correto, quero preservar tudo para nosso momento juntos. Tudo pela primeira vez e no tempo certo, para que então você seja minha e eu, seu. Para que eu te faça a mulher mais feliz da Terra e você me faça o homem mais invejado de todos os tempos...”

Ele roçou, seus narizes e, então beijou seu selo Yin, longamente. Ao fim, amparou sua cabeça contra seu peito e apertou-a em seus braços. “Com essa ilusão, quis apenas demonstrar o quanto te desejo, o quanto tenho esperado você. Como anseio te recompensar, quando ficar comigo. Então, até que isso aconteça...”

Segurou atrás de sua nuca, trazendo-a para olhar novamente em seus olhos verdes apaixonantes.

 

“Até que isso aconteça, flor, guarde seu beijo para mim.”