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Inflexão

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O embate de Sakura com os ANBUs foi marcado para três dias após o encontro dela, dos Sannins e de Dan com o Hokage e Danzō. Nesse meio tempo, ela recebeu sua tatuagem. Jamais imaginara tal coisa, mas agora estava oficialmente marcada como uma ANBU.

 

 

O grande dia, ensolarado e de céu limpo, havia chegado e Sakura não quis utilizar sua máscara por dois motivos: um, ela ainda estava em branco e ela ainda não possuía um codinome; e dois, ela não era acostumada com ela, então seria mais fácil se atrapalhar e acabar se prejudicando durante o confronto. Por via das dúvidas, prendeu-a na cintura como todos eles fazem quando estão fora de serviço.

 

 

Saiu cedo da casa de Mito-sama e se foi para reconhecer o campo em que lutaria, o campo número 49. A maior e mais afastada área de treinamento, ela lembrou-se de Tsunade a instruindo de que deveria começar a treinar ali, mais tarde. Aquilo foi pouco antes da guerra com Madara, mas deveria valer, mesmo que ela estivesse fazendo isso cerca de 40 anos antes.

 

 

Madara… esse nome insistia em se repetir, cada vez que vinha a mente dela. nos últimos três dias que teve somente para si, Mito a chamava de flor. A Haruno sabia o porque do apelido, Madara a chamou de flor…

 

 

Nagato disse a Mito-obaa-chan que Madara chamou Sakura de minha flor.

 

 

Ela não pensava que um Uchiha, que Madara fosse capaz de demonstrar esse nível de afeto por alguém. Era muito desconcertante imaginar aquele homem sádico que sorria enquanto tinha o Edo-Tensei do Nidaime Hokage Tobirama Senju empalado com bastões de chakra abaixo de si.

 

 

Ele lhe causava arrepios. Mas, Madara era um shinobi poderoso e terrível. Como poderia chamar alguém de flor?

 

 

Imagens dele na guerra começaram a passar, lentamente, por sua mente… Inner começou a fazer isso desde que ela acordara. Sua Interior estava estranhamente fixada na imagem do homem e isso deixava Sakura irritada porque a desconcentrava do que ela precisava fazer.

 

 

No entanto, não poderia negar de que ele era extremamente habilidoso e… Ela se perguntou se Sasuke se pareceria com ele quando estivesse mais velho… se perguntou se Sasuke seria tão imponente, forte e...

 

 

Ela balançou a cabeça enquanto observava o grande carvalho situado à lateral direita do campo. Dali ela teria uma visão privilegiada de toda a área. No alto dele poderia enxergar tudo e evitar que os dois Uchihas surgissem por suas costas ou a levassem para um lugar desfavorável para seu estilo de luta. Ela precisava de espaço, amplo espaço.

 

 

Do lado esquerdo havia rochas enormes, algumas toneladas de material duro para socar e causar estrago. A zona 49 foi realmente escolhida a dedo por sua mestre e o Hokage para que Sakura não ficasse em desvantagem ao lutar com os tais Uchihas.

 

 

A ninja tinha a certeza de que aquela luta seria mais difícil do que parecia. 8 h da manhã, eles chegaram e postaram-se à sua frente, apenas meneando a cabeça para ela, como forma de cumprimento. Ambos usavam suas máscaras, tigre e coruja.

 

 

O campo 49 tinha cerca de 8 Km de perímetro, sendo a grande maioria dele arborizada e com rochas grandes espalhadas por toda a sua extensão. A Haruno e os Uchihas estavam postados próximo à entrada, cerca de 500 metros. O carvalho estava atrás dela, longe cerca de 600 m.

 

 

Sakura começou a analisá-los, silenciosa e discretamente. Esse casal não pertencia apenas a um dos clãs mais poderosos do mundo shinobi, o Uchiha, mas era um time perfeito. Certamente que nem precisavam falar para se comunicarem. Para um esquadrão ninja como eles, um único olhar, provavelmente, bastava ou nem mesmo era necessário para que se entendessem e coordenassem um ataque de sucesso.

 

 

Os ensinamentos de Kakashi e de Chiyo-baa-sama diziam: Em uma luta com um usuário de Sharingan, se estiver estiver em dupla, um deve atacar pela retaguarda e outro frontalmente. Porém, se estiver só e não souber lutar apenas prevendo os movimentos do seu adversário ao olhar para os pés dele, fuja. Pois, nesse caso, a morte é certa.

 

 

A kunoichi não estava apenas em desvantagem por não dominar a habilidade de lutar olhando apenas para os pés de seu adversário, mas porque ela enfrentava não um mas dois shinobi Uchiha nível ANBU e com um nível arrasador de entrosamento ainda por cima.

 

 

A Haruno jamais poderia utilizar o Mokuton pois Danzō estava a avaliando e ela ainda era uma novata no estilo. Essas coisas não vinham com um manual, infelizmente. Logo ela iria para outra guerra, então liberar seu selo também não era uma opção para se proteger dos ataques que com toda a certeza a atingirão.

 

 

Ela estava totalmente ciente de que poderia perder, mas se certificaria de dar trabalho a eles.

 

 

"Vocês já sabem meu nome. Qual o seu?" Sakura quebrou o silêncio ao falar com seus adversários, que aguardavam, eretos, a chegada dos Sannins Lendários para começar a luta.

 

 

Danzō e Hiruzen já estavam ali, haviam chegado enquanto ela fazia sua análise dos seus companheiros de sparring. Sakura não sabia porque diabos sua mestra e os dois companheiros de time dela resolveram se atrasar.

 

 

Mau sabia a jovem que os três tinham muitas coisas a considerar, incluindo o mapeamento da situação e a montagem de uma estratégia para lidar com um segundo perigo iminente. Algo de que o Hokage os avisara em segredo e de que a Haruno não pensava que aconteceria tão cedo.

 

 

Os dois ninjas não a responderam, a kunoichi percebeu em seus trejeitos que havia dúvidas neles, aguardavam que ela fosse específica. Talvez fosse isso mesmo, Sakura pensou. Por isso decidiu completar: "Poderiam ao menos me deixar saber quem vai me fazer sentir perseguida como um rato daqui a alguns minutos?!" Ela coçou a nuca, assim como Naruto fazia, enquanto riu.

 

 

Ela achou que essa seria uma boa forma de descontrair e quem sabe começar uma amizade com os dois. Afinal, a Haruno teria de ir para a guerra com os Sannins  e prestar apoio ao regimento de Hatake Sakumo, o que incluía o esquadrão deles também.

 

 

"Eu sou Fukurō…" A mulher de cabelos violeta disse, enquanto retirava sua katana das costas, então apontou para o homem à sua esquerda com o queixo. "E este é Tora, meu marido. É bom te conhecer, Uzumaki Sakura". Ela completou, cordialmente.

 

 

No dia retrasado, a ‘Uzumaki’ percebeu que a Uchiha tinha um timbre de voz mais grave, uma postura que irradiava força e seriedade. Agora com esse pequeno pronunciamento e seus trejeitos, foi possível perceber o quanto ela dava indicações de ser compenetrada, séria e atenta.

 

 

A mulher que se escondia sob o codinome Fukurō e a máscara de coruja, vestia uma espécie de túnica Uchiha longa na cor azul (semelhante a um vestido), bipartida nas laterais e subindo até a cintura. A veste Uchiha possuía gola alta, mas que se abria em um decote em forma de V privilegiando seios fartos ocultos sob uma espécie de rede ao estilo que Kurenai e Hinata utilizavam na época de Sakura.

 

 

Um obi vermelho amarrava a bela veste, marcando sua cintura. Abaixo a mulher usava um short spandex preto que escondia suas coxas até os joelhos, exatamente como os que a Haruno passou a gostar pouco antes da Quarta Guerra começar.

 

 

Aquela ninja de cabelos roxos ondulados e esvoaçantes, lembrava muito Mei Terumi, não só no corpo curvilíneo e voluptuoso, mas no rosto também (este último detalhe, Sakura só veria mais tarde).

 

 

Certamente, Fukurō  era alguém de personalidade forte. Talvez, muito habilidosa também. O Uchiha de cabelos encaracolados e vestes padrões ANBU, também deveria ser alguém com características semelhantes dado que ambos irradiavam uma aura de coesão e cumplicidade, além de serem casados, o que por si só demonstrou que possivelmente seriam um esquadrão ninja poderoso e que se protegia.

 

 

Estranho era Sakura nunca ter ouvido falar neles.

 

 

"Esperamos muito de você…” O homem fez uma pausa dramática, em seguida sorriu debaixo da máscara e completou divertido, mas parecendo sério para Sakura. “então... não fuja como um rato". Quando viu que os Sannins se postaram ao lado do Hokage, Tora fez o sinal para uma luta amigável com uma das mãos. Fukurō e Sakura fizeram o mesmo.

 

 

“Comecem!” O Hokage bradou com o braço direito levantado.

 

 

Instantaneamente os shinobi se dispersaram.

 

 

A shinobi Uchiha saltou para o extremo limite esquerdo do campo, onde vários arbustos cresceram alto e densos, ocultando uma depressão no solo. Duas pessoas agachadas poderiam facilmente se esconder ali.

 

 

Tão logo tomou seu lugar ajoelhada ali, a ANBU desencaixou as outras lâminas paralelas à sua primeira Katana, o punho delas era modificado para que se encaixassem. Fukurō lutava com quatro lâminas. Ela poderia abri-las à semelhança de um leque ou lançá-las e girá-las como uma shuriken.

 

 

Se ela se sentisse extasiada em uma luta, seus inimigos a veriam separar as lâminas em dois pares e ligá-las pelos punhos, fazendo assim que se tornassem uma espécie de bastão afiado em ambas as pontas. E ela os empunhava em ambas as mãos. Tudo isso porque eram ligadas por uma corrente de seu chakra azulado. Chakra também as mantinham coesas e faziam os inimigos pensarem que ela carregava uma espada comum, já que não podiam enxergar através da ilusão lançada sobre ela.

 

 

Muitos lutavam para separar as lâminas dela, mas isso era impossível porque, tal qual um marionetista, as armas retornavam para as mãos de sua dona, arruinando tudo no caminho que percorriam.

 

 

Contudo, Fukurō do estilo vento sabia, fazia e escondia muito mais que isso...

 

 

Sakura saltava algumas árvores para postar-se sobre a mais alta localizada na lateral do campo e que lhe daria a visão ampla da qual necessitava para conseguir ver seus inimigos chegando e poder ter espaço para contra atacá-los.

 

 

Enquanto isso, Tora sentou-se sobre o alto de uma rocha alta e grande. Ele apoiou a perna sobre seu joelho esquerdo e sua katana rente à ela. O shinobi realmente não estava preocupado em ser visto. Ele queria mesmo é descobrir se a tal Sakura era capaz mesmo de esmagar as rochas sobre as quais estava sentado.

 

 

O verdadeiro estilo de luta de Tora, era um mistério para os ninjas dos outros regimentos de Konoha. Mesmo, os membros do próprio regimento do qual ele fazia parte nunca o viram utilizar nada além de taijutsu e kenjutsu. Mas, assim como Fukurō, Tora era muito mais do que aparentava.

 

 

O dia estava claro e fresco. Pássaros assobiavam cantos alegres e brisas fortes carregavam as folhas das árvores em redemoinhos pelo campo. Tora observou que Sakura estava agachada sobre o galho mais forte do grande carvalho na lateral do campo e segurava uma kunai com os dois punhos. Dali ele olhou para os arbustos onde Fukurō provavelmente deveria ter se escondido.

 

 

O campo de treinamento era uma calmaria só. Tora suspirou e deslizou a ponta dos dedos indicador e médio ao longo da lâmina de sua katana até a ponta, quando repentinamente ouviu um grito de ‘Shanarooo!’ em suas costas e teve de saltar para o chão gramado a sua frente para desviar do soco que a kunoichi rosada tentou lhe acertar.

 

 

O shinobi pousou no chão agachado e tinha sua katana segura apenas com a mão direita. Como se ela fosse uma kunai, Tora preparava um de seus golpes mais perigosos. O shinobi de cabeça e corpo meio curvados encarou Sakura postada no alto da rocha e com canto dos olhos fitou o carvalho onde ela deveria estar. Franziu o cenho quando viu a moça acenar para ele com dois dedos em forma de V e um sorriso maroto, então voltou a encarar a réplica dela sobre a rocha.

 

 

“Clone das sombras” Balbuciou para si mesmo, já examinando as habilidades da ‘Uzumaki’ e correu para ela com grande velocidade.

 

 

Sakura ao ver Tora vindo para ela, assustou-se com a velocidade do homem, agora entendeu o porquê do codinome ‘Tigre’. Ele subiu a rocha utilizando chakra para grudar os pés e em milésimos de segundos já estava a meio metro da kunoichi de cabelos róseos.

 

 

Como ninja médica Sakura foi treinada para ser rápida na esquiva e ela era ainda mais rápida do que a maioria, igualando Tsunade e Shizune já aos 16 anos, portanto, torceu o tronco o suficiente para que o ninja passasse direto por ela. O que ela não esperava era que ele levantasse sua espada no exato momento e abrisse sua garganta de fora a fora.

 

 

Tora passou, rapidamente, cortando a garganta do clone das sombras da ‘Uzumaki’, em breves segundos tanto a Sakura no carvalho quanto Fukurō, escondida entre os arbustos no final do campo, e todos os que assistiam ao spar, com exceção de Danzō, seguraram a respiração.

 

 

O clima ficou em suspense durante aqueles poucos segundos até que um ‘pof’ foi ouvido e a fumaça da dissipação do clone encobriu o topo da rocha e foi limpo com um vento forte.

 

 

“Sugiro começar a lutar de verdade, garota. Nós não somos Iwa imprestáveis”.Tora gritou para a réplica de Sakura. Então sentiu seus pés sendo agarrados e olhou, imediatamente, para as mãos que seguravam seus tornozelos.

 

 

Não teve tempo de reação, já estava enterrado até o pescoço. O ninja arregalou os olhos brevemente em espanto, nunca fora pego desprevenido. “O jutsu do clã Hatake” Ele balbuciou encarando Sakura que havia saído do solo.

 

 

A moça, com um sorriso brincalhão no rosto, retirou sua katana das costas e posicionou a ponta abaixo do queixo dele. Com isso demonstrou que tinha a vida dele em suas mãos.

 

 

Tora não se abalou, pelo contrário sorriu. "Você ao menos sabe usar isso?"

 

 

Ele zombava dela. Mas, Sakura decidiu que poderia zombar mais. Arqueou a sobrancelha e o mediu com um olhar altivo. Girou firme mais levemente a ponta metálica na pele do Uchiha.

 

 

"Não acho que tenha muito segredo, espete com a parte pontuda se quiser furar e use a parte lateral se quiser rasgar…" Ela brincou. Então, seu olhar se tornou sério. "Porém, se eu quiser decapitar alguém, o que é o objetivo desse jutsu…"

 

 

Ela segurou a espada com ambas as mãos e a girou 180 ° ao lado do corpo, calmamente, demonstrando se preparar para realmente decapitá-lo.

 

 

"....Se eu quiser decapitar alguém, como por exemplo você, basta apenas tomar impulso, assim.." Ela ampliou o movimento ainda mais.

 

 

 "... E então descer com ela, firme e rapidamente, para cortar seu pescoço, assim!"

 

 

 A Haruno começou descer a espada na direção da garganta de Tora, mas enganou a todos quando deu um giro de 180° e terminou com a espada apontada na garganta de Fukurō.

 

 

A mulher que vinha para ela, velozmente, freou bem a tempo de não ser empalada com a espada de Sakura. A Haruno havia conseguido tirá-la de seu esconderijo, não tinha dúvidas de que a Uchiha de cabelos roxos não hesitaria em proteger seu companheiro. Fukurō, por trás de sua máscara, abriu um sorriso largo, mas breve para a outra mulher. Breve porque segundos depois ela se abaixava e girava para dar uma rasteira na 'Uzumaki'.

 

 

Sakura saltou com uma pirueta para cima da rocha em que Tora estava sentado antes. A moça juntou as mãos no selo de tigre e disse "Kai" para liberar o genjutsu que atuava em seu sistema. O ambiente a sua volta ondulou e as imagens reais apareceram. Tora não estava mais enterrado no chão, mas atrás de Sakura e aos pés da grande rocha sobre a qual ela estava em pé.

 

 

A Haruno olhou para Fukurō a sua frente e viu a mulher com a mão em um selo desconhecido, franziu o cenho para isso e mirou Tora em suas costas, por cima de seus ombros ele fazia o mesmo selo. Ambos haviam retirado suas máscaras… Quando ela percebeu de que selo se tratava, imediatamente saltou, com uma pirueta, por cima das chamas que rugiram em sua direção, vindas de ambos os Uchihas.

 

 

Acima de si um falcão planava e ela o ouviu seu crocitar estridente, várias: croac croac, cuá! A ave parecia aplaudí-la. ‘Devo estar imaginando coisas’ Ela pensou com um pequeno sorriso e descendo com chakra aplicado a sua perna atingiu a enorme rocha entre os Uchihas, fazendo com que os pedregulhos se tornassem projéteis afiados.

 

 

Arremessou-os com extrema força e velocidade em todas as direções, até mesmo os que vinham na sua, ela os chutou na direção do casal. Nenhum os atingiu, contudo, a Haruno já esperava por isso, pois fez isso como uma forma de afastá-los e para que pudesse sair do meio de ambos. Ter um Uchiha em sua frente já é perigoso, mas deixá-lo estar em suas costas seria ainda pior.

 

 

Ela aterrissou já com as pernas dobradas, logo que tocou o solo despontou a correr na direção da kunoichi de cabelos roxos, se ela estivesse certa em seu palpite correria riscos para passar por ela, mas valeria a pena.

 

 

Tora veio em seu encalço rapidamente, lançando shurikens em suas costas. Sakura desviou de todas as três rajadas, mas da última que era dupla ela teve que saltar para não ser atingida. Quando o fez, perdeu a atenção por um minuto na mulher metros a frente e olhou para Tora; esse foi seu erro porque a Uchiha cuspiu uma bola de fogo pela qual Sakura pensou que não seria atingida.

 

 

Não foi, porém do meio dela irromperam quatro espadas em sua direção. As quatro passaram rasgando sua carne em ambos os braços e nas pernas também. Ela deu um grito sentindo sua pele se render e a dor ardente. As quatro espadas cravaram em árvores, perdendo-se no meio do bosque.

 

 

‘Sem essa de chorar, Haruno!’ Inner a incentivou com um grito firme em sua mente, com o punho direito fechado e levantado. “Shannaro!" Ela gritou e atingiu a terra com seu mais potente soco.

 

 

Como se fosse um terremoto, o campo estremeceu e se partiu. Foi uma devastação e o estrondo da terra de abrindo foi gigantesco. Ela pode ouvir Tsunade gritando “Minha garota!” para ela e de longe a viu dar pulinhos de alegria com as mãos ao redor da boca para ser ouvida por Sakura.

 

 

Jiraiya e Dan tinham a boca meio aberta e um olhar deslumbrado. Danzō se afundava em ruminações sobre quem ela era, a dimensão de seu poder, astúcia e os novos planos que tinha para a Haruno. Já Hiruzen tinha um sorriso fácil estampado no rosto, lembrou-a muito de Hashirama e ela não sabia porque o Shodaime lhe vinha na cabeça naquele momento.

 

 

O Hokage tinha as mãos juntas em um selo para segurar a terra de se partir além dos limites do campo. Nisso, Sakura lembrou-se que mesmo sendo o campo mais retirado, ainda assim poderia ter causado estragos sérios em Konoha, se ele, Dan e os Sannins não estivessem prontos para conter a catástrofe sísmica que ela quase causara.

 

 

Todas essas observações, ela fez em milésimos de segundo. Mas, distraiu-se, mesmo assim.

 

 

croac croac, cuá!

 

 

O grito do falcão atingiu seus ouvidos, chamando sua atenção para suas costas e foi aí que ela viu as quatro espadas vindo para sua direção, novamente. Elas eram puxadas com tamanha velocidade e força que zumbiam no ar.

 

 

Ela preparou-se para desviar delas, contudo, Tora piscou, aparecendo em suas costas e lhe desferindo uma rasteira. Sakura saltou e ele saltou junto, ambos trocaram golpes. Tora era muito habilidoso em Taijutsu (tanto quanto Lee, pareceu para a Haruno), isso seria complicado… e  ele nem tinha acionado seu sharingan ainda.

 

 

 

Os dois caíram e Sakura acabou por rolar com ele no chão. Conseguindo agarrar o colete ANBU que ele usava, a Haruno o girou no ar, arremessando-o contra uma árvore. Porém, mal ele bateu com força contra ela, o shinobi piscou o corpo e já apareceu lhe desferindo um chute direcionado a sua cabeça.

 

 

Sakura ergueu ambos os braços para proteger o crânio do impacto com o pé dele e logo que ele girou para lhe chutar, novamente, ela teve um flash de seu sonho/delírio com Madara e o viu sorrir antes de agarrar sua perna e girá-la no ar para lançá-la.

 

 

A kunoichi se espantou com a genialidade da lembrança e imitou, fielmente, os movimentos do Uchiha; segurou o tornozelo de Tora com a mão esquerda e a coxa com a direita. Obviamente, Tora fez o mesmo que ela, levou a perna esquerda mais para trás, na intenção de tomar impulso e chutá-la. Mas, urrou quando sentiu Sakura descarregar um potente choque em sua perna.

 

 

Ela o soltou e Tora caiu, apoiado na perna direita e segurando a esquerda que ela feriu. “Você poderia pegar mais leve, criança estou velho para essas coisas” Ele dramatizou como se de fato tivesse sido demais para ele. Não foi.

 

 

Nesse exato momento as espadas chegaram e ele girou desviando de uma, Sakura chutou duas em direções opostas, rapidamente. Já a terceira ela teve de se abaixar para não lhe cortar a garganta. Fukurō apareceu uns 8 metros atrás de Sakura, recebendo as espadas em dois pares em cada mão. Então veio correndo para Sakura.

 

 

Tora retirou a katana de suas costas e mesmo com uma perna comprometida se pôs em guarda, ao lado de Sakura. A Haruno admirou-se de sua postura incólume; o pé dele mal tocava o chão, mesmo assim seu equilíbrio era perfeito. Ela não entendia, pelo jeito seria necessário muito mais que isso para colocar aquele Uchiha de joelhos.

 

 

E era isso que ela faria… se Kami permitisse que eles não ligassem o seu Doujutsu.

 

 

 

Fukurō se aproximou dela e assustou-a quando abriu os braços e as espadas aparentemente flutuavam à sua frente como se fossem uma defesa. Ela continuou correndo e Sakura, se desfazendo do espanto, correu para encontrá-la, com os punhos carregados de chakra não só para ataque, mas para proteger suas mãos das lâminas.

 

 

Quando se encontraram, Fukurō girou as duas espadas da direita para atingi-la no peito e na garganta e as espada da esquerda para atingi-la no abdômen e nas pernas. Sakura se abraçou e deu um pequeno salto girando o tronco para ficar na horizontal como se deitasse no ar por alguns segundos e as quatro espadas extremamente afiadas cortaram o ar, ruidosamente, acima e abaixo dela.

 

Fukurō puxou um dos pares para suas mãos e girou o outro, longamente, fazendo com que passassem por Sakura que desviou delas novamente. O chakra dela parecia fluído como o de Sasori e aquelas espadas eram suas marionetes. Que grande problema era aquela mulher. Aquele casal era um problema.

 

 

Vendo que a ‘Uzumaki’ era muito boa em esquiva, Fukurō retornou o outro par de espadas para duas mãos e os uniu novamente. Com isso ela ficou com duas espadas duplas e veio para a mulher de cabelos rosas, ficando próxima dois metros e meio.

 

 

Ambas se encararam com um sorriso. A Haruno com os punhos levantados e a Uchiha com suas armas duplas abaixadas de cada lado do corpo. Fukurō era mais alta que Sakura e agora mostrava uma postura mais decidida e deveras… extasiada, aquecida pela batalha ela parecia eufórica quando cruzou as espadas na frente do corpo e abaixando-as, lentamente, apontou-as cruzadas para Sakura.

 

 

“Eu e você, quero medir forças com você, Yūrei”

 

 

Sakura, que antes sorria, perturbou-se, instantaneamente. Com o cenho levemente franzido, ela fitou a Uchiha em visível confusão.

 

 

“Não peça explicações, lute!”

 

 

Fukurō avançou para ela, sem dar-lhe tempo para pensar mais. Sakura segurou as quatro espadas com ambas as mãos. Se não fosse pelo chakra, ela teria tido suas mãos dilaceradas. A força da Uchiha era impressionante, lembrava sua mestre. A Haruno sustentou a investida das espadas em sua direção, mas para isso cravou os pés no solo. Não adiantou porque a outra mulher continuou empurrando com tanta força que as lâminas quase tocavam o rosto da ninja do time 7.

 

 

Aquele duelo de forças estava tão intenso que o aço samurai das armas começou a estalar e Sakura sentiu o chakra que as envolvia ondular. Então, o último e maior estalo veio e as quatro lâminas se partiram em conjunto e a força sobressalente de Fukurō empurrou os punhos das lâminas quebradas para o peito e braços de Sakura.

 

 

Foi tudo tão rápido que a garota de 16 anos apenas pode interpor as mãos na frente da garganta para não ser atingida nas artérias e os antebraços na frente do peito para proteger o coração e o que mais pudesse. Ela foi empalada com tanta força e o chakra de Fukurō era tão cortante que aquilo foi muito pior do que ser atingida por Madara na Quarta Guerra.

 

 

Sim, muito pior. Uchihas e suas manias de furá-la com armas mortais.

 

 

Fukurō vendo Sakura atravessada com os quatro pedaços de aço restantes e o sangue começando a brotar profusamente de seu colete ANBU, assustou-se. “Kami, eu não queria!” Ela se desesperou. “Tora, me ajude!” Ela gritou para o marido, visivelmente abalada.

 

 

Tora reagiu ao mesmo tempo que a dor atingiu Sakura. Os efeitos da adrenalina passaram e seu cérebro explodiu em dor e o sinal vermelho de alerta começou a bagunçar tudo.

 

 

De longe, até mesmo o Hokage, Danzō, Dan e os Sannins estavam paralisados pelo espanto. Se sobressaltaram apenas quando o grito de Sakura soou estridente. Tsunade despertou milésimos antes dos que acompanhavam e correu para acudir sua discípula.

 

 

Piscou para ali tão rápido que assustou até Tora. Fukurō, desesperada, avançou para segurar as mãos ensanguentadas da ‘Uzumaki’. Sakura sentiu suas pernas falharem e caiu ajoelhada. Tsunade chegou bem a tempo de segurá-la pela cintura para amortecer sua queda.

 

 

“O selo! Libere!” A Senju gritou para sua discípula, em suas costas enquanto a segurava.

 

 

A Haruno teve um choque com o grito abafado de Tsunade em seus ouvidos e muito rapidamente tentou processar as palavras. Liberar o selo, ela precisava liberar o selo. “Sakura!” Tsunade gritou para ela, puxando os braços dela e afastando-os de seu peito sacudiu-a.

 

 

Só então ela voltou a situar-se no ambiente e no tempo. Bem a tempo de olhar para os rostos de Fukurō e Tora e vê-los passarem de preocupados para espantados. Algo parecido com um vapor começou a subir na frente de sua visão e ela olhou para baixo. Seguiu-o até a origem em seu peito e viu que saía pelo material rompido pelas espadas.

 

 

O Sangue ainda descia, lentamente, mas ela não sentia mais a dor, parecia até que estava anestesiada. Fora a mesma sensação que tivera no dia que lutava com os Iwa, no entanto agora parecia muito, mas infinitamente mais poderosa. O chakra de Hashirama agora circulava em seu corpo, fazendo com que os cortes fossem quase que instantaneamente curados. Isso assustou os dois ninjas do sharingan…. (Sim eles acharam um motivo para ligarem seus olhos vermelhos)... dava para ver seu espanto velado, a julgar pelos olhos que se arregalaram brevemente.

 

 

Tsunade a sentou na grama e rompeu os fechos do colete ANBU que a Haruno usava, com violência. “Seu chakra daria conta de estancar o ferimento, mas precisamos tirar os fragmentos de você. Ative o selo para estancar o sangramento mais rápido, Sakura!” Ela pediu, olhando em seus olhos e segurando-a por ambos os ombros.

 

 

A Haruno que estava ainda muito desconcertada liberou seu selo e as faixas pretas, suas conhecidas companheiras, viajaram por seu corpo, desta vez brilhando em um tom de verde limão também. Era uma mistura visualmente ainda mais imponente.

 

 

‘Quanto poder ela ainda não domina?’ Perguntou-se Tora, ao analisar, friamente, o chakra da garota de cabelos rosados sentada no chão e ensanguentada a sua frente.

 

 

A Sannin médica, que estava arqueada de frente para Sakura, voltou-se e apontou para Fukurō, que estava atrás de si, segurando, sutilmente, as mãos em apreensão. “Venha e segure-a pelos ombros. Firme-a no lugar para que eu possa puxar as espadas!”

 

 

A Uchiha de cabelos roxos obedeceu prontamente. Tsunade arrancou as espadas, uma à uma do peito da de sua discípula, rapidamente, e arremessou para qualquer canto que fosse o colete dela. Finda a remoção dos fragmentos das armas, ela e os dois ANBUs viram, maravilhados, as incisões na pele da ‘Uzumaki’ se fecharem tão logo foram vistas.

 

 

Aquele poder de cura era como nada visto a décadas para a Senju e como nada jamais presenciado para o casal Uchiha ali presente.

 

 

Tsunade sorriu para Sakura e ajudou-a a levantar-se. Sua discípula sorriu de volta e meneou a cabeça em sinal de que estava bem novamente. A Senju afastou-se mais alguns passos e olhou para os dois Uchihas atrás de si, com um olhar de advertência. “Precisam prestar mais atenção à dimensão de sua força quando estão em um spar com seus companheiros,  Fukurō e Tora”

 

 

“Devidamente anotado, Tsunade-san” Tora assentiu em reconhecimento e respeito.

 

 

Tsunade olhou para a esposa dele esperando sua confirmação também. “Não costumo dizer isso... mas você tem razão, Senju...” Tsunade bufou com a graça que era ter a convencida Uchiha de cabelos roxos, admitindo que ela tinha razão em algo. “...Tratarei de forjar melhor meu aço da próxima vez”.

 

 

“Talvez seria bom não se meter em um campeonato de xixi tão cedo também, não é?!” A médica piscou para ela e deu-lhe as costas, deixando-a com olhos estreitados em razão de sua declaração audaciosa.

 

 

Fukurō virou-se para Tora, ao ouvi-lo soltar um risinho. Ela estava indignada com seu marido troçando dela também, mas não tinha o que dizer para fazê-lo cessar o divertimento às suas custas. Olhou para o céu e observou que o falcão havia ido embora, aparentemente. Então, pediu a kami paciência e mais sorte da próxima vez.

 

 

‘Mas, que lâminas amaldiçoadas… a minha diversão estava só começando… finalmente encontrei uma oponente tão digna quanto Tsunade e a velha Chiyo. Terei de esperar mais um pouco, paciência… Kami me dê paciência!’  A impetuosa mulher Uchiha pensava.

 

 

Ela postou-se ao lado do marido, a luta deles estava praticamente encerrada. Tanto Sakura (que havia desativado seu jutsu) quanto Fukurō e Tora, fizeram o sinal de reconciliação.

 

 

Porém, no momento em que Sakura deu as costas, virando-se para Danzō e Hiruzen, ela viu o concelheiro erguer a mão direita com o dedo indicador e o médio em evidência. Ao sinal do conselheiro, 20 ninjas da Ne tremeluziram o corpo e, pousando no chão, rodearam os dois Uchihas e Sakura. Isso deixou claro que sem as ordens de Danzō, nenhum dos três passaria por eles.

 

 

Novamente em guarda, Sakura e os Uchihas ficaram de costas um para o outro e formaram um círculo como se fossem um time. A tensão tomou os três shinobi de forma que a Haruno podia sentir o chakra deles nervoso e sombrio, no entanto, eles aparentavam calma.

 

 

Logo eles ocultaram suas energias de todos. Somente Sakura pode sentir a tensão neles. Para todos os outros ali o casal parecia não se importar com a óbvia ameaça à sua volta. Para quem os observava ao longe, a única coisa que mostrava que eles se importavam eram as Katanas e a postura em guarda.

 

 

A Haruno roçou o punho da mão direita contra a palma da esquerda e começou a se preparar para uma nova luta. A julgar pela severidade no olhar deles, Sakura poderia precisar recorrer ao seu selo mais uma vez.

 

 

Um silêncio estarrecedor pairou no campo, durante alguns segundos. A kunoichi de cabelos róseos, cansada e coberta de suor encarou Danzō a alguns metros a frente, ele sustentou o olhar dela, sem receios. A Haruno mudou seu olhar para Hiruzen e os Sannins postados ao lado do Hokage. Os três também estavam prontos para agir, embora discretamente mantivessem a postura de guarda alta.

 

 

Sakura viu que Hiruzen olhava para longe, concentrado parecia planejar algo, calmamente. Aquele clima de suspense estava insuportável, ela cerrou os dentes com força para dissipar o ímpeto de descarregar um soco de chakra em um deles para abrir caminho.

 

 

Quais eram as intenções do conselheiro e porque o homem a ameaçava a ela e aos dois Uchihas. Bem, a questão dele com o clã Uchiha Sakura entendia. Mas, nenhuma das indagações apreensivas dela foi capaz de responder como e se, ela foi descoberta.

 

 

Haveria outro motivo para que a kunoichi atraísse as desventuras da inimizade de Danzō? Ninguém sabia.

 

 

O coração de todos, fora os ninjas de Danzō e o próprio homem que eram frios e cruéis, batia acelerado e a adrenalina correu nervosa no sistema de todos.

 

 

Era nítida, para Sakura, a força com que Fukurō apertava o punho de sua espada e tensinava os músculos da coxa ao mesmo tempo. A tensão que emanava em ondas entre eles naquela calmaria típica antes de um ataque, foi repentinamente rompida, repentinamente, pelas palmas de Danzō.

 

 

Palmas lentas que soavam ironicamente.

 

 

Mesmo assim, foi melhor do que continuar sem ninguém se manifestar.

 

 

Finalmente Hiruzen olhou para seu 'amigo'. "Qual o motivo 'dos seus' estarem aqui, Danzō?'

 

 

"Quero eu fazer o meu próprio teste, se me permite… Hokage-sama". Respondeu sem o fitar.

 

 

"Já os viu em ação, não foi suficiente? Meus shinobis precisam repor as energias agora, não há mais o que provar."

 

 

"Quero testar o desempenho deles como um esquadrão e sob ataque inimigo…" Ele fez uma pausa, todos tinham o cenho franzido em desagrado pela ideia. Mas, quando o ancião completou a frase, o espanto ficou nítido nos olhos de todos.

 

 

" ...Em situação de perigo real."

 

 

Os três Sannins avançaram um passo à frente em resposta instintiva, mas foram parados pelo aceno do Hokage com a mão que segurava o seu cachimbo.

 

 

"Eu cuido disso" Ele sussurrou para os três, meneando a cabeça.

 

 

Jiraiya assentiu discretamente e olhou para Orochimaru e Tsunade, acenando para que recuassem com ele, por enquanto.

 

 

A afirmação do ancião não foi melhor recebida pela ninja de cabelo violeta e seu marido, eles sabiam muito bem quem ele era. O mesmo para Sakura, que estremeceu internamente, imaginando o que poderia ter sido orquestrado pela mente abominável daquele ser.

 

 

"Temos na Ne algum efetivo que precisa ser avaliado também, então pensei: 'Que melhor teste haveria do que combater contra dois Uchihas e uma med-nin usuária de Mokuton e do Byakugou?'. Nenhum outro, é claro!"

 

 

Sakura congelou. Havia sido descoberta e não sabia como.

 

 

Hiruzen estava a beira de perder a paciência com a dissimulação do Shimura, contudo, manteve a calma. Não conseguiria nada, enfrentando o Homem diretamente.

 

 

“Hoje não, Danzō. Abram caminho para que eles passem!” Hiruzen ordenou e os ninjas da Ne olharam dele para seu líder.

 

 

Danzō, relutante, assentiu com a cabeça, permitindo que eles fossem liberados. ‘Hoje não...desta vez ainda não’.

 

 

Os ANBUs Ne abriram caminho em formação de honra para que Sakura e os dois Uchiha passassem. Essa formação consistia em duas fileiras de dez ninjas de cada lado e era uma tradição na ANBU para demonstrar respeito a ninjas habilidosos após a demonstração de suas habilidades.

 

 

Sakura queria passar por último, mas Fukurō empurrou-a pelas costas, levemente, colocando-a à frente. “Você merece, apesar de não ter visto tudo o que tens e de saber tu és ainda muito jovem, fostes um páreo a altura para nós”.

 

 

A Haruno olhou por cima dos ombros para o casal atrás dela, ambos lhe sorriram. Isso a confortou e a fez sorrir também. “A propósito, eu me chamo Riaru e minha esposa Tsuyoi. É uma honra finalmente conhecê-la, Yūrei” O homem lhe cochichou para ela com conhecimento de causa, seu olhar era firme.

 

 

Fukurō reproduziu o mesmo olhar para ela, sorrindo ainda mais largamente do que Tora. Ambos quiseram demonstrar que sabiam muito mais sobre ela do que ela mesma; e conseguiram. Atônita a Haruno se pôs a andar e assim os três atravessaram o corredor de honra, indo em direção ao Hokage.

 

 

Hiruzen despediu a todos, menos a ela, dizendo que precisavam conversar. Ambos foram conversando calmamente pelas ruas de Konoha, até chegarem ao alto da torre Hokage. Sakura queria a todo custo reencontrar Riaru e Tsuyoi para perguntar porque a chamavam de Yūrei, seria este seu novo codinome na ANBU? A jovem queria escolher, não pensou que teria de utilizar um nome escolhido por terceiros.

 

 

Yūrei. Fantasma, mas porquê fantasma, Hokage-sama?” Ela o indagou quando começaram a observar Konoha dali do alto. A visão era reconfortante e ao mesmo tempo amedrontadora. Era um mundo que Sakura não conhecia mais.

 

 

“A lenda do clã Uchiha” Hiruzen disse, enquanto ajeitava seu chapéu de Hokage. “Hn, não sei porque temos que utilizar um acessório tão incômodo” Ele pensou alto, demonstrando não dar muita importância ao assunto.

 

 

A Haruno bufou. “Com todo respeito, Hokage-sama, mas porque ninguém me fala tudo o que preciso saber? Porquê me dão informações aos pedaços, me deixam confusa e quando peço para saber de tudo, são evasivos?”

 

 

“Porquê ninguém sabe ao certo o que te dizer. Teoricamente você deveria saber muito mais que nós já que perambula pelo tempo desde a Era dos Clãs em Guerra, minha jovem” Sakura virou-se totalmente para ele. Tinha os lábios entreabertos e sua face demonstrava espanto.

 

 

Hiruzen virou-se para Sakura também. “Eu sei muito pouco sobre tudo isso, somente o que Kagami me falava quando éramos mais jovens, por isso não duvidei quando recebi os informativos de Tsunade e Jiraiya. Já Mito-sama, Mito-sama sabia que você estava vindo para nós. Isso deves perguntar a ela”.

 

 

Sakura abriu a boca para falar e ele levantou a mão, sinalizando para que esperasse. “Kagami falava muito sobre a mulher que assombrou seu clã ao longo dos anos. Disse que ela era, para alguns, bom presságio e para outros sinal de desventuras. Um espírito vagante, a alma da divindade que os Uchihas adoravam nos primórdios de sua história”

 

 

A Haruno inclinou levemente a cabeça para o lado, num misto de curiosidade e estranhamento com o que ouvia. Hiruzen retirou seu famigerado cachimbo do bolso direito de seu manto Hokage e começou a reabastecê-lo, enquanto continuava.

 

 

“O consenso é que ela parecia ter alguma ligação com a linhagem de Uchiha Madara, não se sabe qual, mas isso é tido como fato porque sempre que foi vista alguma coisa em relação a ele acontecia, mesmo que ele não estivesse envolvido. Quando ele morreu, ela desapareceu. Como sua linhagem acabou, não foi mais vista. Até…”

 

 

“Até agora”. Ela completou, murmurante e com a cabeça baixa. “Como podem ter certeza de que sou eu, Hokage-sama?” Ela fitou-o, preocupada.

 

 

“E não é óbvio? Porque ele se daria ao trabalho de salvar você? Por que ele a ouviu quanto ao destino de Orochimaru? Ele demonstra apreço por você. Um shinobi tão poderoso como meu antigo sensei Hashirama-sama… Uchiha Madara não faz as coisas ao acaso”.

 

 

“Eu.. tenho pensado nele ultimamente…” A kunoichi disse com um pequeno rubor surgindo em sua face.

 

 

Hiruzen sorriu, pois presumiu a ambiguidade na frase dela, mas não era isso o que Sakura quis ensinuar. “Hn, acho que ele também tem pensado em você”. O homem disse, reflexivamente. “Veja!” Ele apontou para o céu onde um Falcão Peregrino planava, majestosamente.

 

 

Sakura levantou a cabeça bem a tempo de ver o falcão dar alguns rodopios no céu e descer velozmente em sua direção, ele trazia algo em suas costas e foi ficando maior a cada vez que se aproximava.

 

 

Quando aterrissou, possuía o tamanho de uma criança de 10 anos de idade. Era um falcão negro, ela não imaginava que existiam peregrinos com aquela cor de penas.

 

 

“Saudações, Senju-sama. Trago um presente para minha senhora”. A ave lhe deu as costas mostrando um embrulho grande de tecido amarrado com uma corda de seda vermelha, finamente trançada. Havia dois pingentes dourados do símbolo do clã Uchiha.

 

 

Sakura nem se deu ao trabalho de perguntar porque agora era chamada de Senju, sabia que só receberia mais respostas vagas. Então, ao invés de questionar a ave que pelo visto era uma invocação, apenas meneou a cabeça em negativa.

 

 

Percebendo que ela estava relutante, o falcão decidiu esclarecer. “Não é o que está pensando. Apenas abra, por favor”.

 

 

A moça aproximou-se, com um olhar que exigia dele que não a estivesse enganando. O falcão manteve a seriedade em seus olhos igualmente negros, então ela abaixou-se para desatar as fitas que envolviam o embrulho na cor branca e o prendiam no corpo da invocação.

 

 

Quando ela o abriu, encontrou nele duas coisas: uma capa de seda branca esvoaçante e levíssima, com capuz também de seda, de tamanho suficiente para envolver seu corpo por inteiro e até os pés e um grande pergaminho de aparência antiga.

 

 

“São ambos presentes meus, senhora” O falcão curvou-se, reverenciando-a formalmente. “Rocco, aos seus serviços”.

 

 

“Eu já possuo uma invocação, Rocco-sama” Ela informou, respeitosamente, pois sabia que invocações não costumavam dividir um mestre.

 

 

“Apenas, Rocco, por favor, senhora. Katsuyo-san está ciente e me considera o suficiente para aceitar dividir seu mestre comigo. Afinal, o contrato conosco é inerente a sua posição, Senju-sama”

 

 

“Do que está falando, Rocco-s… Rocco?”

 

 

“Que eu e minha família existimos para proteger a matriarca Uchiha e sua linhagem”.

 

 

Desconcertada, Sakura desenrolou o pergaminho e fitou ali a impressão sangrenta de pequeninos dedos infantis do nome do último contratante de Rocco. Tremendo internamente pelo frio que sentiu, leu em letras negras finamente desenhadas: Uchiha Madara.