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Inflexão

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O Tsukuyomi foi lançado, toda a Aliança Shinobi estava presa à árvore e apenas os Edo-Tensei e seu time debaixo do susano'o de Sasuke não foram afetados.

 

 

Sakura viu quando a deusa emergiu, aquela luta parecia que estava perdida. Como a ninja que era, ela se esforçava para não ser tomada pelo medo.  Desejou ter a visão positiva de mundo que considerava, muitas vezes, tão ingênua em Naruto. Ingênuo, talvez... fraco não.

 

 

O corpo do ninja que assolou as nações foi expelido pela entidade, Kaguya... assim Zetsu negro a chamou. O perigo manifestado à sua frente era grande o suficiente para que qualquer shinobi experiente não desviasse sua atenção para o que acontecia em sua visão periférica.

 

 

Mas, Sakura prestou atenção, atenção demais. Pela primeira vez ela não se importava de deixar Sasuke e Naruto cuidando das coisas. Ela interviria quando sentisse ser realmente necessário.

 

 

O que estava ocorrendo no plano de fundo era algo que ela sentia que precisava ver, apesar de não saber de onde vinha esse sentimento estranho de... ‘dor’. A dor de perder alguém da família. Era assim que ela sentia-se. Estranho.

 

 

Uchiha Madara estava derrotado e seu corpo foi descartado no chão, expelido como se fosse algo desprezível. Desprezível sim, mas não no sentido de antes.

 

 

Kaguya, a deusa não o tratou dessa forma pelo mal que ele causou ou pelos métodos que utilizou. Ela o desprezou como algo imprestável e que não servia, uma excreção no sentido mais sujo e pejorativo possível.

 

 

Como alguém como Ele deveria sentir-se ao ser insultado assim? Seu ego foi completamente espezinhado.

 

 

Foi muito rápido, o Shodai Hashirama passou como num flash pelo canto de seus olhos. Ele dirigia-se ao Uchiha e ela não pode evitar o impulso, desviou os olhos da deusa, novamente, para acompanhar o Primeiro Hokage.

 

 

O homem ajoelhou-se ao lado de Madara, ambos em silêncio e dor. Com auxílio do chakras que direcionou aos seus ouvidos, Sakura pode ouvir a conversa sussurrada entre os dois.

 

 

Duas versões de Naruto e Sasuke estavam quebradas ali. Um fim tão dolorido embora terno devido à reconciliação dos antigos rivais. A ninja nunca odiou tanto ser médica, pois sentiu quando o coração de Madara parou. Então, o inimigo a frente dela investiu mais forte contra eles e sua luta começou.

 

 

Tudo parecia impossível. A cada passo, a cada conquista que pareciam ter, eles eram contra atacados pela deusa com maior força. Ainda sim, seu time estava conseguindo.

 

 

[...]

 

 

O time 7 está lutando contra Kaguya. Ela trocava de dimensões quando bem entendia. Então uma dimensão de lava e Kakashi-sensei e Sakura caíam. Algo precisava ser feito e rápido.

 

 

Kakashi a segurou firme e ambos ficaram pendurados ao corpo de Obito por um pergaminho. O material se rompia, mas a deusa os envia de volta a sua dimensão original. ‘Por quê?’ Sakura pensou.

 

 


 

“Tenho a sensação de que vamos nos arrepender de deixá-lo jogar”. Um homem de voz forte falou, depois de sentar-se com um bufo parecendo realmente arrependido.

 

 

“Eu estou curioso”. Um outro de feições pálidas revelou.

 

 

“Vocês são irresponsáveis”. A mulher, de longos cabelos ruivos, cruzou os braços exasperada.

 

 

“Até que enfim alguém mais ousado!” O ser chamejante gargalhou enquanto pensava ‘Desta vez as coisas poderão ser realmente interessantes’.

 

 

“E você? O que acha disso?” A mulher de cabelos negros e olhos perolados perguntou para aquele que estava em pé próximo ao lago.

 

 

Ela sabia que ele prestava atenção a como as coisas corriam, mesmo que não aparentasse.

 

 

Nenhuma resposta lhe foi dada, o homem apenas deu as costas a todos e afastou-se para ainda mais longe do que já estava. Seus cabelos negros arrastavam no chão, mesmo que grande parte estivesse presa.

 

 


 

 

O impacto com o chão era iminente, mas braços firmes a encontraram e impediram que a moça caísse.

 

 

Ela apenas viu um flash de cabelo prateado e sentiu quando Senju Tobirama pousou levemente. Sakura olhou para o lado e viu Kakashi amparando o corpo de Obito em suas costas enquanto era ajudado a pousar por seu Sandaime.

 

 

No chão, eles eram aguardados por Minato que pelo semblante sentiu mais do que nunca a ausência de seus braços. Ela sabia, ele tinha um aluno ferido e outro morto e não podia abraçar nenhum.

 

 

Sakura desvencilhou-se dos braços do Nidaime e curvou levemente a cabeça em agradecimento. Então, voltou seu olhar para o pai de Naruto e seu sensei.

 

 

Minato acenou para ela em reconhecimento e em seguida para o Senju atrás dela. Ela pensou ter visto eles trocarem um olhar conhecedor.

 

 

O que eles estariam planejando?

 

 

“Precisamos voltar. Sasuke e Naruto estão sozinhos para enfrentar a deusa!” Ela gritou para Kakashi que deitava o corpo de Obito no chão. Ele acenou para ela e abria a boca para mencionar seus próximos passos quando uma voz atrás dela falou firme.

 

 

“Seu sensei vai. Seus Hokages tem uma missão para você, kunoichi”. Ela virou-se em busca do dono da voz. Era Tobirama Senju quem falava. Firme, confiante, impassível.

 

 

A shinobi entendia, estava recebendo ordens diretas de seus superiores. Mas, deixar Sasuke, Naruto e Kakashi sozinhos?

 

 

“Quem quebra as regras é lixo, é verdade. Mas, quem abandona seus amigos é pior do que lixo.” O pensamento passou num flash por sua mente.

 

 

Ela argumentaria, outro teria de cumprir a missão, se deixar seus amigos enfrentar a deusa sozinhos fosse um dos requisitos. A ninja abria a boca em resposta ao Nidaime, quando Kakashi a interrompeu.

 

 

“Eu sei o que está pensando, Sakura. Mas, ouça o que eles têm a dizer primeiro. Mais uma coisa, esta é uma grande chance de você mostrar seus talentos. Eu vou em socorro aos meninos e você abre mais uma frente de batalha onde quer que o Nidaime e o Yondaime necessitem... Você fará uma missão como se fosse um Jonnin, Sakura.”

 

 

‘Jonnin? Eu?... Ser a outra frente de batalha?... Apenas eu?...’ Seu corpo estremeceu concluindo de si que não estava preparada para tanta responsabilidade. Kakashi a olhava esperando que ela absorvesse a informação. A Haruno via que ele confiava nela.

 

 

“Sim, é muita responsabilidade, porém, eu não disse que você era minha melhor aluna por nada”. Kakashi levantou-se e sorriu acenando com a cabeça para ela, como quem dizia ‘vá!’ e ela assentiu respondendo com um firme “Certo!”.

 

 

Seu sensei baixou a cabeça olhando mais uma vez para o corpo de Obito no chão e então acenou para os Kages a sua volta e por último para ela.

 

 

Tobirama apareceu atrás dele tocando-o nos ombros e desapareceu com Kakashi. O Hokage utilizou seu jutso de transporte para devolver seu sensei para a dimensão do fogo tendo como ponto de referência sua marca Hiraishin em Sasuke.

 

 

Sakura piscava, ainda olhando para o lugar onde ambos estavam a poucos segundos, quando o Senju retornou para junto de Minato.

 

 

“Você pode levantar-se, kunoichi? Está bem fisicamente?” Tobirama perguntou. Sakura apenas meneou a cabeça em confirmação, pondo-se em pé imediatamente.

 

 

O Sandaime colocou-se ao seu lado. “Mesmo se vencêssemos esta guerra, ainda assim nós perderíamos. Pois muitas famílias foram dizimadas, em apenas dois dias”.

 

 

“Não há garantias sólidas de que seus amigos vencerão a deusa e o menino Uchiha carrega dor e ódio demais em seu coração. Você pode não querer pensar nisso agora, mas sabe que terão de lidar com ele mais cedo ou mais tarde e mais sangue será derramado”. O homem de cabelos prateados apontou.

 

 

“E mesmo que perdão aconteça entre vocês, não precisa ser assim. Não precisam carregar as memórias e as consequências de tanto sofrimento... tantos erros. Nós queriamos concertar o que quebramos, mas morremos antes de podermos fazê-lo. Deixamos uma missão incompleta e aqui estamos novamente sendo açoitados pela vergonha de nossos erros passados e por sobrecarregar as gerações futuras com suas consequências. Mesmo a missão que reverterá esta situação acaba por cair nos ombros dos mais jovens. Nós precisamos que você a cumpra, menina Sakura.” Hiruzen colocou uma mão em seus ombros.

 

 

“Eu aceito, seja lá o que for. Mas, porque eu? Se é algo assim tão importante quanto parece ser, porque não um dos outros Kages? Eles são infinitamente mais qualificados”.

 

 

“Ninguém se enquadra tão bem nos requisitos para essa missão quanto você, kunoichi. Na verdade, apenas o seu cabelo é um ponto negativo, devido à cor chamativa. Você poderá ter de usar um henge muitas vezes”. O Nidaime apontou com o queixo.

 

 

Por puro reflexo, Sakura passou as mãos ao longo de suas mechas “Eu entendo.”

 

 

“Não podemos mandar a princesa Tsunade por razões obvias de que ela não poderá entrar na aldeia já que seu outro eu estava fora. Duas dela provocaria desconfiança e Zetsu ficaria sabendo da comoção em Konoha. Tsunade já era muito conhecida naquela época. Ao contrário de você.” Minato completou.

 

 

“Mandar... Época?... O senhor não está sugerindo o que penso que está, está?”

 

 

“Estou. Viagem no tempo.” Minato sorriu após responder e a boca de Sakura abriu-se em formato de O.

 

 

Tobirama a tirou de seu torpor ao iniciar sua explanação com um cruzar de braços. “Esta guerra fez coisas nunca pensadas acontecerem. Uma delas é dois usuários de ninjutso espaço tempo e estudiosos das artes de selamento encontrarem-se, isso e todo o conhecimento e poder dos outros Kages ressuscitados. Pode não ser um fato muito chamativo perto de tudo o que já ocorreu e nosso trabalho nem será percebido pelos outros Shinobi. Mas, nós faremos a diferença porque você se apresentou como oportunidade. Não poderíamos mandar um kage que não fosse de Konoha. Outros Shinobi que não Tsunade e você também não resistiriam ao processo. A Uzumaki talvez, mas ela não é de confiança e suas habilidades de estratégia são questionáveis. Além de que, mesmo que as considerássemos aptas, elas estão sob o Tsukuyomi. Em suma seu selo e seu conhecimento da aldeia da folha são cruciais para a viagem e para a infiltração. Enquanto suas habilidades, força e cognição farão com que a missão seja completa”

 

 

O Sandaime ao seu lado continuou a reflexão do Segundo. “Enviaremos você a um ponto do tempo em que poderá fazer muito mais do que apenas evitar esta guerra. Haruno Sakura, você poderá mudar o destino de Sasuke e Naruto, do clã Uchiha, de Obito, Rin, Meu, de Minato e Kuchina e de Kakashi. Kakashi está intimamente ligado a tudo o que citei agora, mas há algo mais que me fez escolher este ponto no tempo em específico... Kami, como sou grato por poder fazê-lo!... Qualquer outra época antes de Obito ser recrutado serviria para salvar todos os citados, mas meus companheiros Kages me permitiram ser egoísta e você poderá voltar no mês em que Hatake Sakumo retorna de sua última missão” Sarutobi apoiou-se em seu bastão, olhando para o céu com um sorriso. “Deuses, eu jamais esqueci aquela data, tenho me culpado desde então!”

 

 

‘Sim, claro. Kakashi-sensei está diretamente ligado a todos nós e se podemos, por que não lhe dar seu pai? Quem sabe eu não esteja chegando em uma época em que poderei ajudar mais gente?! Preciso pensar em quem mais pode ser afetado... Salvar a todos?’ Todos esses pensamentos passaram por ela rapidamente. Inner estava igualmente emocionada.

 

 

“Vocês estão me dando a oportunidade de ser o shinobi que salva sua família, minha família a de Sasuke-kun e a de Kakashi-sensei... Eu jamais pensei em tantos destinos nas minhas mãos!... Isso é... eu não sei descrever...” os olhos de Sakura encheram-se de água e ela os reverenciou a meio corpo. “É uma grande honra. Eu sou grata!”

 

 

“E nós em nome de toda a Aliança, mesmo que eles não venham a saber o que você fez caso a missão seja completa... Podemos começar?!” Minato sorriu quebrando a tensão.  

 

 

“Sarutobi-sensei, por favor. Infunda seu chakra no selo que Nidaime-sama está desenhando e grave a data na palma da mão da menina Sakura, esta é a referência temporal... Como a Princesa Tsunade, é a única de nós que pertenceu aquela época e está viva, então precisamos utilizar seu sangue como referência física. Sensei, por favor, colete o sangue dela no casulo e espalhe-o sobre a data na palma da menina. Tobirama-sama, por favor, coloque o selo de ligação no ombro dela.”

 

 

Sakura sentiu seu ombro queimar. O selo aos seus pés e a data em suas mãos brilharam vermelhos.

 

 

“O selo está desenhado e as referências fixadas. Agora, precisamos esclarecer a etapa mais difícil dessa missão. Mais uma que mostra o porquê de você e não outro ninja ter sido solicitado”. O Nidaime falou e Sakura ficou curiosa com o aparente agravamento em seu tom. Ela não gostou da tensão nele.

 

 

“Que seria?” Ela indagou-os olhando para Minato, percebeu que o Yondaime pareceu enrijecer.

 

 

“Você deve encontrar Madara no cemitério sob as montanhas e eliminá-lo”. Senju Tobirama comandou.

 

 

“No entanto, eu gostaria de te pedir que você tentasse dissuadi-lo de seus planos” Sakura ouviu a voz tristemente baixa do Shodai Hokage em suas costas e sentiu quando seu chakra verde e poderoso roçou o seu ao passar ao seu lado dirigindo-se para o lado de seu irmão albino.

 

 

“Anija, você não deve pedir isso à kunoichi, não quando é de Madara que estamos falando”. O irmão mais novo atirou para o Shodai com os dentes cerrados.

 

 

“Você quer dizer que preciso ganhar sua confiança e tentar dissuadi-lo? Eu precisarei ser muito convincente e mesmo que ele acredite em mim, quem garante que desistirá? Ele pode apenas mudar o curso de suas ações e tramar algo pior e desta vez com o conhecimento do futuro ao seu dispor” Sakura se engasgou com o pensamento de dar essa arma ao homem.

 

 

“Eu estou dizendo, esqueça isso, anija... Você, apenas mate-o! Tente ser silenciosa e discreta, mas se não puder e pensar que poderá pôr tudo a perder, mobilize as forças Anbu, o Flash Amarelo e aqueles a quem chamam de Sábio dos Sapos e Presa Branca. Madara deve morrer!” Tobirama falava alto, seu olhar parecia kunais apontadas para ela. Ela entendeu de onde sua shishou aprendeu a ser assustadora.

 

 

Hashirama pareceu ter sua determinação renovada e ela viu na autoridade que exalava dele o porquê de ele ter sido o Primeiro Hokage. “Absolutamente não! Ele merece uma chance. Você viu, ele acaba de se arrepender de seus caminhos. A menina Sakura mostrará a ele. Tenho certeza de que isso será o suficiente. Madara saberá que ainda o considero amigo”. Apesar de um shinobi temível, o seu bom coração lhe traía. Foi o que pareceu para a ninja.

 

 

“Você está dando uma chance de ele obter êxito e subjugar a todos. Destruir tudo pelo que se morreu aqui”. O Senju mais jovem falou baixo e então silenciou inconformado.

 

 

Minato caminhou em sua direção e olhou no fundo de seus olhos. “Se Kuchina estivesse aqui ela apenas diria para você seguir seu coração. Faça isso, menina Sakura. Quanto a como fará, você terá tempo para decidir, uma vez que estamos te mandando muito antes de Obito ser recrutado. Pense sobre e procure-me junto a Sarutobi-sensei, nós a ajudaremos com a estratégia e a apoiaremos com nossos ninjas, caso for necessário. Como este selo em suas costas está baseado em minha marca de teletransporte apenas queime seu chakra tocando-o e virei até você. Me explique tudo. Eu provavelmente a levarei ao Sandaime e lá você deve pedir por um Yamanaka para que possamos ver e ouvir tudo o que aqui se passou. Então, te ajudaremos.”

 

 

“Entendido”

 

 

“Mais uma coisa. Aquela aberração negra, você não deve se aproximar dela levianamente. Somente vá de encontro a Madara depois que tivermos criado um selo para ela. Infelizmente não tivemos tempo para criar tal selo agora. Todavia, os caminhos para isso estão nos manuscritos do Nidaime. Mencione para o meu Eu naquela época que devemos recorrer aos pergaminhos que mencionei e basear nosso trabalho no selo da Nove Caudas essa é a forma mais rápida.” Sakura assentiu e ele continuou.

 

 

“A outra seria você conseguir o Rinnegan, mas só considere isso se o selo não funcionar.” Minato se afastou dela voltando para o lado de Tobirama e Hashirama. “Você tem alguma pergunta?”.

 

 

A médica pareceu pensar um pouco. “Como eu volto?”

 

 

'Muito sagaz...' Minato pensou.

 

 

“Essa é outra questão que, devido ao tempo escasso, não conseguimos solucionar como queríamos. Este selo é apenas de ida. Mas, o Shodai sugeriu que seu contrato com a invocação de Tsunade poderá ajudá-la. Chame-a aqui para verificarmos essa possibilidade.” Ele respondeu.

 

 

Sakura não perdeu tempo e logo uma pequena parte de Lady Katsuyu aparecia entre eles, com um pequeno pof.

 

 

“Sakura-sama, Hokages-samas... o que posso fazer por vocês?” A lesma os reverenciou formalmente. Mas, foi Hashirama quem deu um passo à frente e respondeu à invocação antes de Sakura.

 

 

“Katsuyu-san” Ele acenou com um sorriso para a lesma. Seus orbes negros do Edo-Tensei mostravam um calor fraterno.

 

 

“Shodai-sama, menino Hashi você se tornou um grande homem. Sentimos muito a sua morte. Mesmo que nessa situação, é bom revê-lo. O que posso fazer para lhe servir?” Katsuyu falou carinhosamente.

 

 

“Eu me lembro que o tempo na floresta era diferente. Uma outra dimensão ao que parece. Você podia me invocar e invocou Mito uma vez. Você pode levar quem quiser para lá e quando quiser. Então eu pergunto, se a menina Sakura voltar no tempo ela perde o contrato com você? E independentemente de como ela chegar lá você pode invocá-la através do tempo?”

 

 

“Sobre a validade do contrato nem mesmo eu sei. Nunca tive um mestre que voltou no tempo. Mesmo se tentássemos comparar, a sua situação de morte não seria a mesma. Você pode me invocar agora se quiser, menino. O Edo-Tensei permite, mas a questão de volta no tempo é obscura para mim. Se posso teorizar, imagino que como o sangue dela é o mesmo independente da época para onde ela for deslocada, o contrato que temos na floresta continuará valendo porque não se deslocou. No entanto, também nunca me desloquei no tempo, então pode ser que eu não consiga regressar à floresta ou que haja duas de mim, dois contratos (uma assinado e outro não), que ela perca a assinatura no contrato existente aqui e eu e/ou a outra não a reconheça como mestre; que Tsunade não lhe deixe assinar o contrato novamente... Muitas coisas podem ocorrer.” A pequena fração de Katsuyu murchou e Hashirama pareceu desanimar também.

 

 

Todavia, o Nidaime não se abalou e veio logo com uma sugestão e uma opinião claras e muito diretas. “Quando sua missão estiver completa, você e o Yondaime terão de trabalhar num jutso para voltar caso a invocação não possa ajudá-la. Ou você precisará viver numa outra época...” Ele fez uma pequena pausa.

 

 

Senju Tobirama não era mesmo um homem de rodeios e parecia colocar a missão acima dos próprios sentimentos. Mesmo assim, Sakura teve a impressão de que ele se importava com ela mais do que o normal. Ela queria saber por quê.

 

 

A Haruno refletiu sobre isso muito rapidamente e voltou sua atenção para ele quando viu que o Nidaime continuava seu raciocínio, provando que ela estava mesmo certa em suas impressões sobre o shinobi.

 

 

“A Konoha de antes poderá não lhe parecer mais sua casa porque seus amigos não estarão mais lá, pelo menos não os mesmos ou na forma que os conhece. Por mais que não queiramos que assim fosse, precisamos lhe dizer que salvar a todos e concertar nossos erros pode tirar tudo o que você ainda tem e mudar tudo o que teve. Você terá de começar do zero. Possivelmente já se considerando velha demais para poder amar quem ama. Esta pode ser uma missão que tornará você uma espécie de mártir por Konoha, Sakura”.

 

 

A médica se surpreendeu com as palavras do Hokage que ela mais admirava. Ela não pensou que ele notou sua afeição por Sasuke.

 

 

Eles perceberam que Sakura havia baixado a cabeça durante o discurso. Parecia reflexiva e triste com o entendimento das implicações caso não fosse possível voltar para sua época.

 

 

Tobirama, mesmo enquanto falava, e os outros Hokages amaldiçoavam-se internamente pelo que estavam tendo de propor a jovem e delicada flor rosada a sua frente.

 

 

Eles entenderiam se ela escolhesse viver e amar aqui nessa época. Já haviam tirado muito dela, não poderiam pedir que sacrificasse seu coração, sua identidade e sua existência também.

 

 

Era isso... um ser sem o que lhe construiu perderia sua identidade não perderia?

 

 

Ela seria feliz vendo a felicidade dos outros mesmo que a Konoha antiga não lhe trouxesse um novo amor ou novos amigos?

 

 

Os kages queriam desistir, mas não podiam. Doía-lhes o coração pensar naquela jovem sofrendo. Principalmente o de Hashirama, ele já preparava-se para ordenar aos outros que pensassem em outra solução.

 

 

Talvez ele, como Edo-Tensei, pudesse voltar e cuidar de Madara.... Ele pensou em falar isso, mas Sakura ergueu a cabeça novamente e os fitou com um brilho de esperança e fogo no olhar.

 

 

“Serei como vocês, então?...  Terei a honra de ser um Kage por minha vila?! Eu quero ver assim, se vocês me permitirem”.

 

 

Hashirama ficou espantado com as palavras da menina, por dentro seu coração se aqueceu e ele se alegrou.

 

 

Ele olhou para seu irmão e para o Yondaime. O Flash Amarelo sorriu abaixando a cabeça com um “Ahh” e o Nidaime sorriu largamente.

 

 

O irmão mais velho Senju não se lembrava de ver Tobirama tão orgulhoso de alguém antes. Seu irmão mais jovem parecia olhar para a menina como a irmã mais nova que nunca tiveram.

 

 

“Hiruzen, você infundiu nessa criança a mais crepitante Vontade do Fogo, não é? Essa folha pequena arde como uma floresta incendiada no verão. Os deuses me abençoaram por poder ver isso!... Nunca pensei que te agradeceria, Tobi, por ter inventado esse jutso de reanimação”. O Primeiro falou e seu irmão, que antes sorria, logo voltou seu rosto para ele, como quem dizia ‘Anija!’.

 

 

“Vamos a isso então, Hokages-samas?” Ela os indagou, sorrindo.

 

 

Todos voltaram a concentrar-se e o Yondaime falou. “Shodai-sama transferirá seu chakra para preencher o selo e estabilizar as reservas normais de Sakura”. Minato fez uma pausa e continuou desta vez advertindo Sakura. “Assim que você sentir que está transbordando acima do que conseguirá suportar libere seu selo Yin e suas reservas ao mesmo tempo. Tente envolver seu corpo com um manto de chakra vindo de suas reservas. Essa será uma proteção extra. Nos avise quando sentir que poderá exercer a liberação, assim nós daremos início a nossa parte. E mantenha a liberação controlada desse chakra ao máximo sem falhar pelo maior tempo possível menina”.

 

 

Hashirama aproximou-se dela tocando seu ombro. Imediatamente ela o olhou nos olhos e tratou de falar sobre a ideia que vinha tendo. “Antes de iniciarmos a etapa final... Shodai-sama, o senhor me permite olhar para suas memórias para ver o momento de sua despedida com o Uchiha para que eu tenha algo mais consistente para mostrar?”

 

 

Hashirama e todos os hokages pareceram espantados com as palavras dela. Silêncio se fez no campo de batalha dormente pelo Tsukuyomi até que o Shodai saiu de seu espanto. “Como você pretende fazer isso menina? Você não é Uchiha ou Yamanaka.”

 

 

Sakura sorriu. “Eu sei um truque ou dois. Sou civil, não nasci num clã com habilidades sobre a mente, mas sou de uma linhagem de mercadores. Yamanaka Ino a atual chefe de seu clã fez os exames chunnin ao mesmo tempo que eu. Nossa missão era roubar informações naquela etapa. Qualquer outra pessoa teria sido roubada por ela, mas minha Inner a enxotou de minha mente facilmente. Porém eu também precisava ajudar meus companheiros de time então barganhei com ela, minhas respostas em troca dela me ensinar o jutso de transferência de mente”.

 

 

Todos os hokages riram. “Engenhosa, eu percebi!” Tobirama comentou e dirigiu-se para amparar seu irmão já sabendo como o trabalho dos Yamanaka funcionava. “Uh..., faça então!” Hashirama respondeu.

 

 

Sakura meneou a cabeça e executou os selos ensinados por Ino, Hashirama caiu sendo amparado por seu irmão enquanto a ninja foi amparada pelo Sandaime.

 

 

Ela passeou com um pouco de dificuldade nas memórias de Hashirama e mesmo não sendo seu objetivo ela viu dois meninos jogando pedras em um rio. Conversas alegres e tristes, ela podia sentir. Depois eles crescidos batalhando. Dor. Então um outro parecido com Sasuke à beira da morte sendo amparado por um jovem Madara. Dor. Depois um aperto de mãos e uma vila formada. Esperança. Por último Hashirama em algum lugar dentro da água chorando bêbado sua esposa o tirando dali e então ele matando seu melhor amigo. Dor e desamparo.

 

 

A ninja balançou a cabeça mentalmente, ela precisava focar na última conversa dos dois de momentos atrás. Onde tudo foi abandonado e Madara arrependeu-se.

 

 

As imagens e os sentimentos a invadiram como um soco e suas lágrimas surgiram sem permissão quando ela voltou ao seu corpo. Tristeza, dor, desamparo, alegria e saudade. Tudo ao mesmo tempo apertando sua garganta e seu coração.

 

 

“Você sabe o que eu sei, você sente o que eu sinto e embora este corpo não me permita chorar, você chora no meu lugar. Procure compreender Madara e você será bem sucedida, menina flor”. Hashirama tocou seu braço novamente e começou a lhe infundir seu chakra.

 

 

“Eu tentarei, por vocês dois, Hashirama-sama”. A médica sorriu limpando as lágrimas de seus olhos. Hashirama fez que sim com a cabeça e olhou para Katsuyu.

 

 

“Katsuyu-San se tudo der certo e ela conseguir convocá-la, peço que a ensine nas artes do Senjutso e revele a ela nosso projeto interrompido. Tenho certeza de que ela está apta a utilizar e defender nosso segredo”.

 

 

“Menino Hashi... ele .... isso o senhor acha que...” Katsuyu surpreendeu-se não sabendo o que dizer.

 

 

“Não importa para quem ela utilizará o conhecimento. O objetivo é que ela se fortaleça sirva à Konoha com meu legado. E se ela julgar que mais alguém deve ser beneficiado... Meu coração se alegra com a perspectiva de que esse alguém se tornou digno também”. Hashirama respondeu Katsuyu, sabendo que devido a seu estado a kunoichi não teria a compreensão do que ele estava falando.

 

 

Tobirama, um pouco mais afastado e atrás dele, não gostou nada do que seu irmão pareceu tramar... se ele entendeu bem.

 

 

Todavia, o Nidaime sabia que não adiantava discutir a esta altura. O plano não era de todo ruim, a rosada merecia ficar mais forte. Restava-lhe apenas torcer para que ela não fosse enredada pelas artimanhas daquele homem abominável.

 

 

Alguns minutos se passaram, Sakura sentia-se tomada por aquele chakra gigantesco e refrescante. Seu selo estava repleto e acendia em verde luminescente.

 

 

Ela sentiu seus caminhos de chakra pulsarem freneticamente. Em breve ela não poderia suportar mais. Estava chegando a hora.

 

 

A ninja viu quando os outros hokages se postaram a sua volta um em cada kanji elemental (Água, fogo, Vento) ela estava postada no raio bem ao centro este selo era baseado em raiton então?

 

 

Ela não sabia dizer fuiinjutsu nunca foi algo que ela teve tempo hábil para explorar, apesar de querer.

 

 

Terra provavelmente iria ser preenchido pelo Shodai. O Terceiro estava em fogo, o Nidaime em Água (óbvio ela pensou) e o Flash Amarelo em Vento ‘Então é daí que veio a afinidade de Naruto por Futton’.

 

 

“Temos 30 segundos para que eu comece a transbordar e mais 10 para que meu sistema colapse antes da liberação, Hokages-samas!” Sakura gritou não podendo mais controlar-se com tanto poder girando em sua cabeça.

 

 

Eles acenaram com a cabeça e colocaram suas mãos em posição.

 

 

Seu controle de chakra se provou ser muito interessante com a menção feita por ela, Minato pensou e então concentrou-se ao máximo já que precisaria executar aquela etapa sem a ajuda dos selos.

 

 

Assim como o Rasengan, esse seria um jutso sem selos e de alta complexidade. Ele não teria outra chance para acertar. Um disparo apenas, se o Yondaime errasse a kunoichi literalmente explodiria.

 

 

Os 30 segundos chegaram e 5 do pré-colapso passaram quando ela sentiu Hashirama afastar-se dela e seu fluxo de chakra para ela ser interrompido. “Libere seu selo!” ele gritou para ela.

 

 

Sakura teceu os sinais de mão necessários e as linhas pretas surgiram de sua testa imediatamente esmaecendo para o verde fluorescente.

 

 

Ela ouviu quando Tobirama deu o sinal para que os seus companheiros o seguissem nos selos. O chão acendeu verde com chakra que transbordante dela e rompeu-se com a força. O Selo, contudo, permaneceu intacto e projetou-se flutuando e girando a sua volta. Foi quase mítico Sakura poderia dizer.

 

 

Os últimos segundos pré-colapso vieram e tudo a sua volta escureceu, suas costas e a palma de suas mãos queimavam, uma forte tempestade de chakra a açoitava, o selo a sua volta girando freneticamente.

 

 

Então, uma voz do nada gritou para ela.

 

 

Era a voz do Shodai. “A velocidade em que o selo gira é a sua base. Mantenha seu fluxo de chakra de forma que o selo gire assim até o fim de sua viagem. Você poderá desmaiar, mas mantenha até onde puder!...

 

... Boa sorte, menina flor!