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Alguém Tem Que Ceder

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Andrea e eu estamos almoçando no deck de frente para a piscina. Estamos sentadas lado a lado e é possível sentir o perfume dela me invadindo. Estamos conversando tão amigavelmente, acho que nunca estivemos tão à vontade uma com a outra. E eu descobri mais uma coisa sobre ela. Ela consegue ser muito engraçada, e eu ri de escorrer lágrimas dos olhos, como não rio a muito tempo.

MIRANDA - Então… você e Emily são…

ANDREA - Amigas! Sou madrinha da filha dela, uma adorável e inteligente menina.

MIRANDA - Eu não soube dela desde que consegui aquele trabalho para ela com a Banana Republic.

ANDREA - Sim, ela está lá até hoje, trabalhando na Califórnia. Mas enfim, e o Dr. Julian? Você vai dar uma chance para ele?

MIRANDA - Hum… eu realmente não sei. Ele é um gentleman, mas a verdade? Acho que gosto do fato dele me fazer sentir… qual é a palavra?

ANDREA - Cortejada? Desejada? Alimentar seu ego?

MIRANDA - Sim, sim. Tudo isso… não sei, é horrível, não?

ANDREA - Eu não acho. Acho que todos nós queremos ser adorados em algum nível. É algo sobre a vaidade.

Ela sempre me entendendo.

Ela toma um gole de vinho e vira seu corpo em minha direção. Tão perto, que perco qualquer senso… estou absolutamente ferrada. E vou admitir, não é mais uma atração insana, estou apaixonada por Andrea.

ANDREA - Você gosta dessa atenção, a alimenta. Vocês se beijaram?

MIRANDA - Não, não.

ANDREA - Mas tenho certeza que ele quis.

Sorrio comprimindo os lábios e me viro para ela, estamos quase de frente agora.

MIRANDA - Bom, com certeza. Mas eu tenho essa coisa de… não sei explicar, eu não sou como vocês que…

ANDREA - Eu sei… Você precisa de algo mais.

MIRANDA - Sim.

ANDREA - Você precisa de uma conexão mais profunda…

Ela levanta sua mão e coloca uma mecha de meu cabelo para trás com os dedos, seus olhos conectados com os meus, seu polegar desenhando círculos imaginários em minha bochecha.

ANDREA - ... precisa sentir uma intensidade. É isso, você é intensa e profunda.

MIRANDA - Uhn-hum

Eu já não consigo pensar em mais nada. Deus, por que ela não me beija logo, está tão claro em meu olhar que eu quero isso.
Finalmente seu polegar desliza para meu lábio e o acaricia suavemente.

MIRANDA - Como você consegue me entender tão bem?

ANDREA - Simples. Eu vejo você.

MIRANDA - E você... gosta do que vê?

ANDREA - Oh sim! Me agrada muito.

Ela puxa meu rosto na medida em que se aproxima, e eu sinto seus lábios se unirem aos meus, um contato tão rápido e simples, faz meu corpo inteiro vibrar. Ela se afasta e me olha. Meu sorriso parece ser o consentimento que ela precisa, pois ela sorri e me beija novamente, dessa vez sinto sua língua quente roçar meus lábios, depois tentar passagem, e eu logo concedo.

Seguro seu rosto com as duas mãos e aprofundo o beijo na mesma intensidade que ela, brincando com sua língua, sentindo seu gosto divino misturado com o sabor de vinho tinto fino suave. Minha libido se descontrola, nunca me senti ferver assim com somente um beijo. Chega a ser dolorosa a forma como meu sexo se contrai de excitação. Mal percebo que aquele som, aquele gemido baixo e rouco sai de minha própria garganta.

Sua mão desce para a minha cintura, enquanto a outra segura minha nuca. A ponta de seus dedos acariciando a pele sensível. Qualquer lugar que ela toca me desperta, faz-me tremer. Sem ar, afastamos os lábios eu fecho meus olhos com a respiração ofegante.

MIRANDA - Isso é insano!

Abro meus olhos e ela está sorrindo de lado.

ANDREA - Seus lábios são tão macios.

Ela me beija repetidamente e serve nossas taças de vinho. Sinto-me uma adolescente, apaixonada e acesa pelo seu primeiro amor.

ANDREA - Você quer caminhar um pouco?

MIRANDA - Sim! Claro.

Depois de tomarmos nosso vinho, nos levantamos de nossas cadeiras e começamos nossa caminhada, de mãos dadas, balançando no espaço entre nós. Hora ou outra me abaixo para pegar algumas pedras bonitas, apenas as marrons, enquanto conversamos bobagens.

MIRANDA - Acho que deveríamos entrar, veja o céu!

Aponto para as nuvens negras que se aproximam.

ANDREA - Acho que deveríamos dar um mergulho.

Sorrio negando com a cabeça.

MIRANDA - Está fora de sua mente se acha que eu vou entrar no mar com o céu prestes a desabar.

Ela sorri de lado e de surpresa me pega no colo e me joga sobre seu ombro.

MIRANDA - Isso não tem graça, ponha-me no chão, Andrea. Oh!

Ela corre na direção do mar e não consigo evitar, começo a rir, de desespero e diversão. Ela entra na água gelada comigo em seu ombro e em certa altura me põe de pé, sorrindo travessa.

MIRANDA - Você caiu e bateu com essa linda cabecinha?

ANDREA - Na verdade, sim.

Ela aponta para o corte na testa e só então me dou conta do que eu disse. Começamos a rir.

MIRANDA - Olha só! Relâmpagos, não quero morrer queimada, ficaria toda deformada, minhas filhas teriam que ir no necrotério reconhecer meu corpo e o enterro teria que ser com o caixão fecha…

Ela me cala com seus lábios, me beijando deliciosamente. Abraço seu pescoço enquanto ela abraça minhas costas, segurando-me firme contra ela. As ondas quebram em nosso corpo, o mar ficando cada vez mais agitado.

ANDREA - Se eu soubesse que a única forma de te calar séria com um beijo, teria feito muito antes.

De repente, uma chuva torrencial. Ela pede para me pegar no colo mas eu recuso imediatamente. Isso só poderia terminar com nós duas caindo no chão e alguns ossos quebrados.

ANDREA - Vamos lá! Ninguém vai ver.

Oh, Deus!  O que essa menina me faz fazer. Rindo, ela me ergue do chão e eu abraço seu pescoço, então ela me carrega para fora do mar, até a escadaria do fundo da minha casa.

MIRANDA - Ajude-me a fechar as portas e janelas.

Entramos na casa, molhadas com as roupas coladas ao corpo, fechamos rapidamente todas as portas e janelas. Raios crepitam no céu e as luzes da casa apagam-se.

ANDREA - E agora?

MIRANDA - Vamos espalhar velas.

Ela me ajuda a acender e colocar velas por toda a casa, acendemos também a lareira, deixando o clima aconchegante e romântico.

Quando me viro, Andrea está olhando intensamente para mim, fico nervosa apenas com a possibilidade do que possa acontecer e eu nunca fiquei nervosa com alguém antes.

MIRANDA - Eu acho que… devemos nos trocar.

Viro-me de costas saindo da sala mas sou surpreendida pela mão de Andrea que segura meu pulso e me puxa contra seu corpo. Sinto meu corpo amolecer, se ela não estivesse me segurando tão firme, certamente eu cairia. Ela me olha intensamente antes de beijar meus lábios, e fazer-me derreter em seus braços. Céus! Ela tem uma coisa que me deixa completamente rendida. Ninguém nunca me fez sentir assim, estou absurdamente ferrada.

Ela desce os beijos para o meu pescoço, e eu solto gemidos baixos de prazer. Uma coisa é certa, não estou molhada apenas pela água nesse momento.

MIRANDA - Eu ainda… ainda acho que… devemos nos trocar… ou vamos pegar um resfriado.

Ela beija novamente meus lábios e me solta. É estranho, sinto-me como se ela tivesse tirado uma parte de mim quando nossos corpos se distanciam.

Subo para meu quarto e tomo um longo banho, sorrindo feito uma boba. Visto minha camisola, jogo o robe por cima e seco meus cabelos no espelho. Vendo meu reflexo, sinto-me um tanto patética. O que estou fazendo? O que Andrea quer comigo? Isso é insano!

Quando volto para a sala, encontro vários edredons esticados no chão e travesseiros, de frente para a lareira. Andrea está sentada sobre eles, encostada no sofá. Há chá posto na mesa de centro, que foi movida para o lado.

Ela veste uma calça jogger de algodão cinza, e uma camiseta branca colada em seu corpo, seus cabelos estão presos em um coque alto e ela sorri quando me vê.

ANDREA - Vem, deixa eu te aquecer.

Lambo os lábios instintivamente e me aproximo, ela dá tapinhas no chão, no espaço entre suas pernas para que eu me sente ali, assim eu faço, encostando as costas em seu peito. Ela me abraça com seus braços quentes e aquece minhas mãos com as suas.

MIRANDA - Você está realmente quentinha.

Cantarolo de prazer com a sensação de seu calor me aquecendo.

ANDREA - Estou aqui há alguns minutos.

Ela se inclina e me entrega uma xícara com chá, pegando uma segunda para si.

MIRANDA - Você sabe que eu prefiro café.

ANDREA - Bom, eu coloquei limão e mel, acho que ajuda a afastar um possível resfriado.

MIRANDA - Você pensa em tudo.

Depois do chá, ela começa a beijar minha nuca e pescoço, suas mãos apertando meu corpo. Eu estou ofegante e suando, meu corpo está fervendo com o toque dela. Uma de suas mãos sobem para meu seio, enquanto a outra desce para o centro entre minhas pernas, ela aperta as duas ao mesmo tempo e eu solto um gemido sôfrego, a afastando instintivamente.

ANDREA - Perdão, eu achei que você queria…

MIRANDA - O que estamos fazendo?

Viro-me, ficando de frente para ela.

ANDREA - Tipo, agora?

MIRANDA - Tipo nós, o que é isso de fato?

ANDREA - Duas pessoas seguindo seus desejos?

MIRANDA - Você me deseja?

Ela solta um riso nasal.

ANDREA - Sério? Deixa eu te mostrar o quanto eu te desejo.

Ela pega a minha mão e desliza lentamente pela sua coxa, dando tempo para que eu afaste, mas eu não o faço. Então ela pousa a minha mão em seu membro ereto, por cima da calça.

MIRANDA - Jesus!

Ela está dura como uma rocha.

ANDREA - Tem muitos nomes, mas Jesus não é um deles.

Ela sussurra e sobe minha mão pelo seu abdômen até chegar em seu seio. Olho em seus olhos completamente bêbada de tesão. Ela sorri de lado quando meu olhar corre para seus lindos lábios. Eu quero tanto esses lábios. Eu estou sedenta por Andrea.

ANDREA - Se você quer me beijar, é só fazer… quando quiser.

Ela sabe de tudo.

Aproximo-me novamente dela e abraço seu pescoço, tomo sua boca em um beijo lascivo e descontrolado. Monto em seu colo lambendo, mordendo e chupando seus lábios. Os gemidos dela me deixam ainda mais louca de desejo.

Ficamos aos beijos por minutos, ora doces, ora libidinosos, ora curtos e castos, ora longos e cheios de luxúria.

O único som que ouvimos é o do crepitar da lenha na lareira e a chuva grossa que bate nas janelas enquanto lá fora tudo escurece anunciando a chegada da noite.

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Próximo  capítulo:

ANDREA - Miranda, você está fervendo. Não resista, apenas relaxe e me deixe cuidar de você.

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