Actions

Work Header

Alguém Tem Que Ceder

Chapter Text

ANDREA

 

Passar um tempo com Miranda tem sido incrivelmente intenso. Se eu já me sentia abalada com ela sendo a Rainha de Gelo, me odiando e me hostilizando a todo momento, com sua guarda baixada então. Ela me permitiu atravessar muro, após muro de suas defesas, e o contato com a essência de Miranda queima, no bom e no mau sentido.

Eu não posso oferecer o que ela quer de um relacionamento, o que não é um problema, já que ela tem o sexy Dr. Julian representando tudo o que ela sonha. Mas eu sei que mexo com ela de alguma forma, esta tarde deixou claro para mim. De qualquer maneira, não vai acontecer. Somos erradas desde o início. Nós não somos para ser. Somos dois extremos que não se encontram.

A campainha toca e eu me levanto do sofá para atender. Era quem eu esperava, Julian. Pontual como Miranda gosta. Ele está bem vestido, parecendo exatamente como qualquer garota que sonha com um príncipe encantado esperaria. O encontro dos sonhos.

JULIAN - Ei, olha quem está atendendo a porta.

ANDREA -  E olha quem está na porta.

JULIAN - Trouxe algo para você.

Julian me entrega uma caixa de comida para viagem.

JULIAN - Um jantar saudável de nossa cafeteria.

ANDREA - Obrigada! Muito atencioso de sua parte.

MIRANDA - Olá...

Miranda aparece na sala e Julian e eu nos  viramos ao mesmo tempo para vê-la. Ela está linda, usando um vestido, provavelmente o mais sexy que eu já a vi usar. Preto, decote cavado em um V despencando abaixo dos seios, mangas três por quatro, justo, abraçando seu corpo até a altura do meio da coxa. Há algum brilho discreto no tecido. Um colar com um pingente de alguma pedra negra pousa no seu decote. Seus cabelos perfeitamente modelados, com um cacho caindo sobre a sobrancelha, lábios levemente avermelhados e um leve esfumado prateado em suas pálpebras.

Julian caminha até ela e a beija demoradamente na bochecha. Ela fica imediatamente corada me olhando e eu sinto minha respiração travar.

JULIAN - Você está linda.

MIRANDA - Obrigada. Podemos ir?

JULIAN - Deixe-me ver como Andrea está. Isso levará dois segundos. Por favor, sente-se.

Sento-me no sofá e ele senta ao meu lado, Miranda senta no sofá da frente, movendo-se graciosamente. Julian pega meu pulso e sente. Olho para frente e vejo as pernas de Miranda. Ela cruza, em um movimento digno de uma majestade e seu vestido sobe um pouco, expondo mais suas coxas.

Julian franze a testa.

ANDREA - O quê? Essa não é a cara que você quer ver seu médico fazer.

JULIAN - Seu pulso está um pouco rápido, mas talvez você  esteja apenas animada com alguma coisa.

Olho para Miranda novamente e não consigo evitar fitar suas pernas.

ANDREA - Acho que não. Não estou animada com nada.

Miranda se mexe e troca a perna, cruzando novamente, a bainha da saia ficando ainda mais alta. Céus, isso é tortura!

JULIAN - Lá vai ele de novo. Como um  carro de corrida.

ANDREA - Doc... Impossível!

Miranda se levanta, deixando a área dos meus olhos.

JULIAN - Oh, lá vamos nós, agora me sinto melhor. De volta ao normal. Deixe-me ver suas pupilas… dilatadas. O que você tem tomado?

ANDREA - Nada. Já parei todos os medicamentos.

JULIAN - Apenas descanse.

Levanto-me e olho para Miranda enquanto ela joga uma echarpe de pashmina nos ombros. A forma como ela move os braços me deixa tonta.

ANDREA - Okay, tudo bem, bom, divirta-se, não volte atrás por mim e não faça nada que eu não faria.

MIRANDA - Bem, isso não nos deixaria muitas opções, deixaria?

Ela sorri.

ANDREA - Me pergunto como você pensa essas réplicas tão rápido. (sussurro somente para ela) Deixe-o pagar a conta. Isso o fará se sentir mais velho.

Ela me encara chocada e bate a porta da saída na minha cara . Bom, aqui estou eu sozinha. Na casa de Miranda. Isso é inacreditável.

Passo a noite procurando algo para me ocupar. Depois de comer o jantar que Julian trouxe, me deito no sofá e resolvo ligar para alguém. Emily não atende, Carol também não.

CAROLINE - Olá, é a Caroline, não posso atender, deixe recado e ligo de volta.

ANDREA - Ei, sou eu... apenas sentada olhando suas fotos de bebê... Bom, me ligue quando puder…

Desligo o telefone e me sento.

ANDREA - Todo mundo está fora se divertindo, menos a Andy doente. Doente doente, doente, doente...

Levanto-me vertiginosamente, vou até as estantes. Vasculho em busca de algo interessante, encontro o Scrapbook de Miranda, puxo-o, abro aleatoriamente, encontro uma foto de Miranda nos anos 80, vestindo gola alta. Sorrio e caminho com o Scrapbook na mão em direção ao seu quarto.

Dentro do quarto, sobre sua mesa de trabalho, há uma tigela cheia de pedras brancas de praia. A pedra marrom que eu a dei para ela está no topo da pilha.

ANDREA - No topo da pilha…

Me arrasto para sua cama e me deito, sentindo seu cheiro doce e suave impregnado nos lençóis macios. Fico olhando suas fotos, e sinto o sono chegar. Fotos sorrindo, séria, sensuais, de biquíni. Todas de pelo menos vinte ou trinta anos atrás.

 

 

MIRANDA

 

Julian me trouxe a um romântico restaurante na beira do mar. Ele parece não se cansar de me olhar com admiração e fica difícil sustentar meu próprio olhar ao dele. Sinto meu rosto queimar, devo estar corando furiosamente agora.

MIRANDA -  Então, quando surgiu o terreno, eu agarrei e a casa foi construída em tempo recorde e...

Estou ficando ridiculamente nervosa, e isso é raro se tratando de mim. Seus olhos me queimam de tal forma, que sinto meu corpo ferver.

MIRANDA - É como se fizesse mil graus aqui. Será que o ar está ligado?

JULIAN - Sabe, dizem que os médicos se apaixonam pelas pessoas que precisam de resgate, que temos a necessidade de cuidar de alguém.

MIRANDA - Sério? Nunca ouvi isso. Julian, quantos anos você tem, tipo...

JULIAN - Trinta e três.

MIRANDA - Trinta e três. Ok, então, eu sou vinte anos mais velha que você.

JULIAN - Você está fabulosa.

Deus, de dez palavras que ele fala, nove são elogios.

MIRANDA - Sim, eu sei, mas você sabe, eu não tenho certeza para onde você queria chegar com o que estava dizendo, mas em termos de nós, você só quer ser meu amigo, certo?

JULIAN - Honestamente? Não.

MIRANDA -  Bem, então o que é que você... quer ser?

JULIAN - Acho que te envergonharia se te contasse.

MIRANDA - Fiquei com vergonha apenas de me vestir para ver você.

JULIAN - Isso pode surpreender você, mas algumas mulheres me consideram o cara. Eu nunca fui casado. Sou médico. Você não acreditaria no que isso é para algumas mulheres.

MIRANDA - Oh sim, eu acredito e isso não significa absolutamente nada para mim. Mas você não gosta de garotas da sua idade?

JULIAN - Eu saí com muitas, mas eu nunca conheci uma que eu gostasse assim e quando algo acontece com você que nunca aconteceu antes, você não precisa pelo menos descobrir o que é?

MIRANDA - Suponho, mas, veja, eu não saio em encontros ou qualquer coisa do tipo. Estou fechada para relacionamentos.

JULIAN - Oh, vamos, você deve ter centenas de pretendentes.

MIRANDA - Sim, de fato. Mas os homens da minha idade, os que conheci... bem, não sou uma pessoa tão normal e eles gostam mesmo de normal, além disso, procuram uma conquista para exibir e eu não quero ser uma espécie de troféu.

JULIAN - Homens da sua idade podem ser realmente estúpidos, você já pensou nisso?

MIRANDA - Sim, eu penso. O tempo inteiro. Mas é isso, as pessoas não me querem para o amor, querem o desafio de sair comigo.

Ele segura em minha mão por cima da mesa e pela primeira vez desvia o olhar do meu para nossas mãos unidas.

JULIAN - Há algo radicalmente errado com a ideia de que ninguém te ama.

Ele beija a minha mão, meu antebraço. Uau. Beija no meio do meu ombro, depois meu pescoço, onde ele aplica vários beijos lentos e quentes que fazem meu corpo arrepiar. Faz tanto tempo que ninguém me toca assim.

JULIAN - Eu sabia que você tinha um cheiro divino.

Ele se afasta minimamente para me olhar, seu rosto tão perto do meu.

MIRANDA - É só... perfume...

JULIAN - Quanto custa o perfume com esse cheiro?

MIRANDA - Eu não sei. Comprei na Channel.

JULIAN - Miranda, você é incrivelmente sexy.

MIRANDA - Bom, isso eu sei.

Ele sorri, o maior e mais lindo sorriso que ele já deu e não consigo evitar lamber meus lábios. Céus! Isso é loucura! Eu só posso estar perdendo o juízo ou algo assim.

Fizemos a viagem de volta em silêncio, Julian me olhava eventualmente e sorria. Quando chegamos em casa, ele abriu a porta do carro para mim.

MIRANDA - Então…

JULIAN - Obrigada pela companhia, você é absolutamente esplêndida.

Sorrio, soltando um suspiro nervoso. Meu coração acelera quando ele se aproxima e desliza a mão por minha cintura, me puxando lentamente para ele. Minhas mãos seguram em seu ombro enquanto seu rosto vem ao meu. Céus, eu estou derretendo como uma adolescente apaixonada. Eu não sou adolescente, nem estou apaixonada.

Assim que seus lábios chegam perto, desvio meu rosto e o abraço. Preciso ser forte, lembrar-me que estou fechada para isso.

MIRANDA - Muito cedo.

Sussurro em seu ouvido e afasto-me lentamente, sorrindo. Ele também sorri, um pouco corado.

MIRANDA - Boa noite, Julian.

JULIAN - Boa noite, Miranda.

Caminho até a porta sem olhar para trás e entro dentro de casa. Solto um longo suspiro trêmulo e ouço seu carro se afastar. O que estou fazendo? Sinto uma estranha necessidade de chorar, mas sufoco isso dentro de mim. Tiro meus sapatos e caminho para meu quarto. Minha surpresa é encontrar Andrea dormindo em minha cama, com um álbum de fotos sobre o peito. Em outro dia, eu ficaria irritada, mas agora, acho adorável. A estranha angústia de mais cedo se esvai e eu sorrio.

Depois de tomar banho e vestir minha camisola, deito-me ao seu lado. O movimento do colchão a acorda e ela pula da cama com um olhar assustado, eu apenas sorrio de seu desespero. Um pouco desorientada, ela endireita as cobertas do lado que ela bagunçou e me encara.

MIRANDA - Está tudo bem.

A tranquilizo.

ANDREA - Você se divertiu?

MIRANDA - Foi interessante. Então... boa noite, Andrea.

ANDREA - Boa noite, Miranda.

Ela sorri timidamente e sai do quarto. Ela parece mais reservada do que o normal.

Que seja, pego meu celular e começo a verificar as centenas de e-mails e mensagens que recebi. Cassidy me ligou enquanto estava fora, então decido retornar.

CASSIDY - Mãe, está tudo bem?

MIRANDA - Claro, Bobbsey. Por quê?

CASSIDY - Apenas fiquei preocupada, liguei e mandei várias mensagens.

MIRANDA - Eu estava apenas em um encontro.

CASSIDY - Oh Deus! Você em um encontro? Vivi para isso. Não me diga que é com quem estou pensando.

MIRANDA - Se você está pensando no Dr. Julian, então sim.

CASSIDY - WOOOOOW! Ele beija bem? Tem jeito de bom de beijo.

MIRANDA - Não sei. E não vou falar sobre isso com minha filha.

CASSIDY - Okay, arrasadora de corações, aproveite aquele corpinho lindo.

MIRANDA - Cassidy! Você tinha algo interessante para falar?

CASSIDY - Não, apenas queria saber como estão as coisas com a sua adorável hóspede.

MIRANDA - Bom, ainda não nos matamos.

CASSIDY - Okay, mantenha-se assim. Vou dormir, beijos, mãe.

MIRANDA - Beijos, Bobbsey.

Alguns momentos depois, meu celular vibra. É uma mensagem de Andrea.

O q vc está fazendo?

Sorrio mesmo sem saber o motivo e respondo:

Oi. Trabalhando. O que você está fazendo?

Ela responde:

Assistindo comercial de vendas da Polishop.

Solto uma baixa risada e Andrea acrescenta:

Então seu encontro foi um encontro?

Respondo:

Acho que sim…

Ela envia:

Eu falei! Vc está com fome?

Surpresa e confusa, eu respondo:

Acabei de jantar.

Ela responde:

Sim, mas mulheres como vc nunca comem o suficiente em encontros .

Novamente rio. Como ela sabe de tudo!
Será que… bom, já comemos juntas antes, não teria nada demais.

Apenas envio:

Na verdade, estou com um pouco de fome, mas estou de camisola.

Ela responde:

Eu tbm. Festa do pijama?

Olho para a tela mordendo o lábio, ponderando. Proposta tentadora, Andrea.

Envio:

Saio em cinco minutos.

Corro para o banheiro e me olho no espelho. Estou sem qualquer maquiagem, mas Andrea já me viu assim antes, por que estou preocupada com isso? Passo rapidamente a escova em meus cabelos, os alinhando para trás. Olho para minha camisola de seda preta, um pouco curta demais, decotada demais… Jogo um robe curto por cima e amarro na cintura.

Entramos na sala ao mesmo tempo, por corredores opostos e ficamos apenas paradas nos olhando. Já que ela queima meu corpo com seus olhos, tomo a liberdade de fazer o mesmo. Andrea está com uma camisola parecida com a minha, exceto pelo tom perolado e ela não teve o cuidado de jogar nenhum robe por cima. Ou seja: quente. Muito quente.

ANDREA - Nós estamos fofas...

MIRANDA - Isso é bastante incomum para mim. Não estou acostumada a ter hóspedes dormindo aqui.

ANDREA - Eu também.

MIRANDA - Sério? Com sua vida social?

ANDREA - Minha querida, você está confundindo sexo com sono. Dormir é algo que prefiro fazer sozinha.

MIRANDA - Okay, bom saber.

Bom saber? Que merda deu em mim para falar algo assim?

MIRANDA - Então, do que você está com fome?

Ela sorri, um pouco… maliciosa. Aaah Andrea!

ANDREA- Quais são minhas opções? Quer dizer, eu sei que você acha que não tenho bom gosto, mas...

Já na cozinha, vasculho a geladeira.

MIRANDA - Oh, Deus, que  diferença faz o que eu penso. Não consigo imaginar o que você pensa de mim. Okay, então... Massa, sobras de coq au vin, sanduíche de peru ou queijo grelhado.

ANDREA - Panquecas.

MIRANDA - Não estava nas opções, mas se é o que deseja... Realizarei. Amoras?

ANDREA - Você já sentiu falta de ser casada? Aposto que você foi ótima nisso.

Ela se encosta no balcão e eu tiro os ingredientes para o preparo das panquecas.

MIRANDA - Às vezes eu sinto falta. À noite... Mas não tanto mais. Você iria dizer  algo interessante?

ANDREA - Você disse que não pode imaginar o que penso de você.

MIRANDA - Oh, certo, mas você não tem que responder isso.

ANDREA - Okay.

MIRANDA - Quer dizer, eu não me importo com o que pensam de mim, mas se você tivesse uma opinião, eu ficaria curiosa, mas...

ANDREA - Você vai me dizer primeiro por que você só sente falta de estar casada à noite?

MIRANDA - Ahh, porque o telefone não toca tanto à noite, fico sozinha à noite, e demorei um pouco para me acostumar a dormir sozinha. Mas eu peguei o jeito. Você tem que dormir no meio da cama. Não é absolutamente saudável ter um lado quando ninguém tem o outro.

Eu começo a misturar a massa.

ANDREA - Okay, agora estou convencida de que o que penso de você é certo.

A olho com as sobrancelhas erguidas, esperando que ela continue.

ANDREA - Você é uma torre de força.

MIRANDA - Urgh… que horror.

ANDREA - Tente não avaliar minha resposta.

MIRANDA - Eu só não entendo.

ANDREA - Você é como um puro-sangue em um mundo de vira-latas. Não, você sabe o que é, você é como um grande retrato sobre uma lareira. Palavras foram inventadas para descrever mulheres como você.

Tenho até medo do que ela vai dizer.

MIRANDA - Que palavras?

Ela se aproxima ficando exatamente ao meu lado.

ANDREA - Impossível  e... inalcançável.

MIRANDA - Então você acha que sou desumana.

ANDREA - Não. Eu acho você formidável.

MIRANDA - Mas fria e distante. Como se estivesse congelada em alguma pintura…

ANDREA - De modo nenhum. Eu acho que sua força define você.

Deus! Lá vem ela sendo sensível de novo. Eu não aguento.

ANDREA - Mas é emocionante quando seus muros estão baixos e você não está isolada em si. Essa, eu acredito, é a sua combinação vencedora. Um combo matador, na verdade.

MIRANDA - ...Portanto, não consigo decidir  se você me odeia ou se talvez seja a única pessoa que me entende.

Ela sorri suave e minha respiração para quando ela afasta a mecha do meu cabelo que escorregou sobre meus olhos. Ela acaricia atrás da minha orelha com a pontas dos dedos e para com a palma da mão em meu rosto.

ANDREA - Eu não te odeio.

A distância entre nós parece cada vez menor. Eu a quero tanto. Ela está brincando comigo? Isso é real? Estou sentindo essa intensidade sozinha?

O momento é quebrado quando ouvimos a porta da frente abrir e a aproximação dos saltos altos. Andrea se afasta um pouco de mim.

MIRANDA - Olá?

Caroline chega na cozinha com um vestido de festa impressionante, valorizando seu belo corpo jovial, segurando uma sacola da Zabars.

CAROLINE - Serviço de quarto!

MIRANDA - O que você está fazendo aqui a esta hora?

Pelo jeito, a realidade acabou de passar pela porta. Eu jamais irei competir com minha própria filha. E por mais que isso doa, preciso isolar essa intensidade em algum canto dentro de mim e esquecer qualquer inclinação que possa ter remotamente passado por minha mente. Isso é tudo.

________

Próximo capítulo:

Ela olha para mim e depois para Andy, eu apenas observo ela sair um tanto desconcertada e então meu olhar se volta para Andy, seus olhos brilhando, seguindo minha mãe para fora da porta.  Esse sentimento tão claro que vejo no rosto dela, eu nunca vi quando ela olha para mim.