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Alguém Tem Que Ceder

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MIRANDA - Fique onde está. Temos uma faca.

Ela olha confusa para faca, olha para Cassidy e só depois olha para mim. Parece que ela acabou de resolver um problema matemático.

ANDREA - Você mora aqui?

MIRANDA - Okay, vou ligar para o 911 e você não vai se mexer. Cassidy, me passe o telefone.

Estendo a mão para minha filha sem cortar o contato visual com Andrea.

ANDREA - Você não entende. Sou amiga da sua filha.

Ela solta a porta da geladeira, que se fecha sozinha e exibe seu corpo seminu, exceto por uma camiseta branca e uma calcinha box. Além disso, há um estranho volume em sua calcinha. Quando percebo que fiquei tempo demais olhando para suas partes, volto a olhar para os olhos castanhos apavorados. Cassidy reaparece e me entrega o telefone.

MIRANDA - Você está mentindo. Minha filha está na faculdade e você está drogada ou algo assim? É uma daquelas assistentes que me perseguem?

ANDREA - Honestamente, se você apenas…

Ela começa a se mover lentamente.

MIRANDA - Parada, Sachs. Minha filha luta karatê. Ela pode quebrar você ao meio.

Do outro lado da linha, a emergência me atende.

MIRANDA - Sim. Eu tenho uma intrusa em minha casa. Rua Daniels, 29, Sagaponack.

ANDREA - Estou saindo com sua filha Carol. Ela me convidou aqui para o fim de semana. Ela está em seu quarto agora, se trocando. Eu não sabia que ela era sua filha...

Ela dispara a falar assustada. Como assim minha filha saindo com uma ex-assistente? Ainda mais dessa idade?

MIRANDA - Você está saindo com minha filha?

Caroline entra na cozinha distraída, vestindo um biquíni minúsculo, ela vê Andrea, Cassidy segurando a faca e eu estou petrificada, segurando o telefone.

CAROLINE - Oh, mas que merda.

MIRANDA - Oh Deus. Eu sinto Muito. Alarme falso. Sim, não, tenho certeza. Não, ela não é uma ladra. Ela está com minha filha.

CAROLINE - Mãe, eu não tinha ideia de que você sairia neste fim de semana, você disse que tinha que trabalhar.

MIRANDA - Foi o que eu vim fazer aqui, trabalhar tranquilamente e passar um tempo com sua irmã. Lembro-me de você dizer que estava muito ocupada na faculdade.

A olho repreensivamente e com mágoa. Já que minha filha mentiu para dar atenção a um namorico ao invés de visitar a mãe.

CAROLINE - Eu disse, mas eu só… queria um tempo para curtir. Oh, droga, isso é realmente...

MIRANDA - Constrangedor.

Eu estava tão irritada, tentando não transparecer, que quando percebi, estava apertando o telefone com força em minha mão, e talvez, só talvez, o meu olhar era fulminante, porque Andrea estava com os olhos pulando para fora do rosto. Céus, ela vai continuar nua na minha casa?

Minha atenção é roubada por Caroline e Cassidy tendo uma crise de risos de brotar lágrima dos olhos.

CAROLINE - Totalmente constrangedor... mas...Você tem que admitir, meio engraçado. Você pensou que ela era uma ladra? De calcinha?

MIRANDA - Sim, bem, existe muita gente louca por aí, e eu tive minha cota de assistentes desequilibradas…

CASSIDY - Sim! Teve aquela menina que ficou completamente catatônica e precisou ser arrastada para um hospital psiquiátrico.

CAROLINE - E teve aquela maluca que ameaçou repetidamente botar fogo na nossa casa, lembra?

CASSIDY - E teve também aquela mocinha sem graça dos sapatos terrivelmente baratos que tentou denunciar a mamãe inventando alguma acusação de assédio moral.

Eu já estou perdendo a paciência, e olha que eu já não tenho nenhuma. Suspiro e resolvo interromper as rememorações divertidas das duas.

MIRANDA - Okay, já chega as duas.

CAROLINE - Sinto muito, não é muito engraçado. Eu sou uma idiota. Eu deveria ter dito a você que estava trazendo alguém.

MIRANDA - De fato. Eu teria avisado que estava vindo se você não mentisse para mim. Enfim, aqui estamos.

Olhamos para Andrea que ainda está apavorada e confusa.

MIRANDA - Olá. Está tendo um derrame ou algo assim? Se for morrer, deixe para fazer isso fora da minha casa.

ANDREA - Não. Carol… você sabia que eu fui assistente…

CAROLINE - Sabia, o tempo todo. Você não mudou nada.

ANDREA - E por que fingiu não me conhecer?

CAROLINE - Eu queria zoar, você teria saído correndo se soubesse.

ANDREA - Com toda certeza!

MIRANDA - Seria a coisa sensata a se fazer.

A olho ameaçadoramente e Caroline se aproxima dela a abraçando pela cintura e me lançando um olhar de súplica. Agora essa, tenho que ser gentil?

CAROLINE - Sim. Desculpe a todas pelo constrangimento… Cassy, você deve se lembrar, mas apresentarei mesmo assim, essa é minha amiga, Andy.

CASSIDY - Amiga? Uhn-hum. Claro que me lembro, a garota da escada.

CAROLINE - E da máscara de palhaço.

CASSIDY - E do detergente no chão.

Novamente elas começam a rir e rememorar as travessuras da infância, pela primeira vez, vejo Andrea sorrir. Um belo e largo sorriso.

ANDREA - Parece que mesmo com tantos anos, vocês ainda pregam peças em mim.

CAROLINE - Enfim, nós apenas agimos totalmente no impulso do momento, pensamos em sair da cidade por alguns dias.

Essa menina ainda está nua na minha cozinha e parece não se incomodar com isso. Apesar de seu corpo ser absurdamente lindo, pernas torneadas, seios grandes, clavícula saliente, lábios carnudos, aquele volume atraente em suas calças… Vou fingir que não vi nada. Tapei meus olhos com uma mão.

MIRANDA - Bobbsey, Andrea tem um roupão ou algo assim?

ANDREA - Olha, eu não quero atrapalhar o momento de vocês e depois de todo esse desastre, eu acho melhor ir embora. Vou deixar vocês curtirem seu fim de semana…

MIRANDA - Ótimo!

Tiro minha mão e ela ainda está lá, desvio o olhar para Caroline que implora com os olhos para que eu  não a deixe ir. Ela gesticula um "por favor" mudo com os os lábios.

Inferno!

MIRANDA - Não, não farei minha filha mudar seus planos. Cassidy e eu vamos para casa em New York. Fizemos uma grande caminhada na praia, vamos almoçar na cidade. Vocês duas ficam. Andrea, peço desculpas pela quase prisão e quase facada.

Digo a contragosto, não querendo deixar minha menina com ela.

ANDREA - Não, você foi impressionante. Muito forte, destemida… atraente.

Ela praticamente sussurra a última palavra. Que diabos isso quer dizer? É um elogio?

MIRANDA - Como assim?

Ninguém mais está incomodada com o fato de que ela está nua?

ANDREA - Se eu encontrasse uma estranha de calcinha na minha cozinha, eu sairia correndo. Vejo que você continua imponente e… ativa.

Ela olha para todo meu corpo como se estivesse me despindo, sinto meu rosto queimar. Eu já odeio essa garota, e ela mal voltou para minha vida. Espero que saia logo.

MIRANDA - Sim. Okay. Tanto faz...

Digo irritada. Caroline esconde o rosto nas mãos totalmente envergonhada. É com esse tipo de mulher que ela anda saindo? Ativa? Que diabos ela quer dizer com isso?

ANDREA - Tudo bem então ... Definitivamente vou pegar a estrada. Até mais, foi sensacional rever vocês.

Ela olha para Caroline e sorri.

ANDREA - Linda, me ligue.

De onde ela tirou essa coragem? Onde está a faca de mais cedo?

CASSIDY - Espere. Não vamos ser tão dramáticas aqui. O que somos nós, quatro adolescentes? Somos todas pessoas sofisticadas. Por que não podemos ficar todas no fim de semana? Mamãe tem trabalho a fazer. Tenho trabalhos da faculdade. Vocês vão fazer... o que quer que seja e se quisermos ficar juntas, ficaremos juntas. Se não o quisermos, não o faremos, essa casa é enorme. Não há razão para qualquer uma de nós desistir deste fim de semana espetacular.

Cassidy, sempre inconveniente. Ela sempre tem algo irritante para falar.

CAROLINE - Seriamente. Eu dou conta disso.

CASSIDY - Eu posso totalmente lidar com isso.

Todas as três olham para mim com expectativa.

Inferno!

MIRANDA - Hum, bem, eu... posso "tentar" lidar com isso...

Todas nós olhamos agora para Andrea. Ela olha para Caroline, que sorri sedutoramente, por mais difícil que seja assumir isso. Ela olha para Cassidy, que está com um leve sorriso maléfico, nada de novo. Então olha para mim, que mando mensagens mentais para ela ir embora.

ANDREA - Okay, vou vestir alguma coisa apresentável.

Inferno!