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Beach Love

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Deitada sobre o peito de Miranda, com uma perna descansando em seu quadril, Andrea brincava com o mamilo rijo de sua amada, passando delicadamente as pontas dos dedos. Enquanto isso, ela recebia carícias em seus cabelos e uma mão macia deslizando carinhosamente por suas costas.

Aquele momento de silêncio e ternura representava todo o conforto e pertencimento que elas tinham uma com a outra. Os corpos desnudos unidos, o suor misturado, a respiração calma e sincronizada, os feromônios dando à atmosfera um cheiro de sexo e o sabor uma da outra ainda impregnado nos lábios.

Miranda jamais imaginou ter essa conexão com alguém, ela sequer cogitava que se sentir tão intensamente satisfeita era possível. Não só a satisfação da carne, mas do âmago.

Andrea passou tanto tempo pensando apenas em crescer profissionalmente, que ela sequer pensava na possibilidade de ter uma família. Ela havia se convencido de que era impossível ter os dois, já que ela não tinha tempo nem para os amigos, como manteria uma relação com alguém? Não, não antes de se aposentar.

Mas tudo veio mais rápido do que ela esperava. Ela conheceu Miranda, e tudo o que mais queria, era ter aquela mulher ao seu lado para sempre. Pouco depois, ela já estava prestes a se mudar e ter uma família. Uma mulher divina e duas meninas travessas. Não foi o que ela previu, mas era demasiadamente melhor.

- O jantar não vai demorar para chegar, temos que levantar.

- Humm está tão bom aqui. Espero que meu pai não estrague esse dia.

- Estarei ao seu lado e você sabe que sua mãe também.

- Não sei. Ela parece outra pessoa quando meu pai está por perto.

- Não vamos especular nada, passou muito tempo desde que você falou com ele, vamos esperar e descobrir.

- Você sabe que não precisa lidar com ele, tudo bem se quiser ir...

Miranda pousou dois dedos nos lábios de Andrea, fazendo-a calar. Segurou seu rosto com as mãos e levantou para que os olhares se encontrassem.

- Você ainda não entendeu, Andrea? Quando eu digo que você é minha mulher, não é no sentido de posse. Você é minha mulher porque eu estou com você inteiramente. Somos parte uma da outra e ficarei ao seu lado em qualquer circunstância. Não existe mais eu ou você, agora somos nós.

- Céus! Eu te amo tanto.

Os lábios se encontraram e se exploraram com a delicadeza do momento. Andrea sentia um aperto desconhecido por ela, era emoção contida. A sensação se suavizou quando ela se permitiu chorar dentro do beijo.

Quando os lábios se separaram lentamente, Miranda a olhou com ternura, enxugando com os polegares a umidade que escorriam pelas bochechas rosadas de Andrea. Ela teria se preocupado, se não fosse pelo sorriso iluminado que denunciava a natureza das lágrimas.

- Me perdoe, eu jamais duvidei disso, é que eu me acostumei a ser só. É a primeira vez que tenho alguém para mim, tenho tanta sorte de ter você.

- Nós temos sorte de ter uma à
outra.

Foram interrompidas pelas campainha anunciando que o jantar havia chegado. Andrea se levantou rapidamente e vestiu um robe, correndo para a porta. Enquanto isso, Miranda se direcionou para o banheiro.

- Em?

Andrea se surpreendeu ao ver que a ruiva levava o jantar.

- Onde eu arrumo isso.

Emily respondeu impaciente, levemente constrangida pelo traje de Andrea.

- Na sala de jantar, vem comigo. Eu não sabia que você que traria.

- Miranda não confia em ninguém pra entregar coisas ou entrar em sua casa, então sou sempre eu que entrego.

- Você está bem? A última vez que eu te vi, estava desmaiada no sofá da Runway.

- Céus! Que vergonha. - disse enquanto arrumava a mesa. - O que Miranda disse?

- Humm, Ela disse "Ela vai ficar bem, vamos pra casa".

- Pelo menos não estou demitida. Pode esquecer esse episódio? Fingir que nunca aconteceu?

- Claro. - Andrea sorriu compreensiva.

- Onde ficam as peças de jantar?

- Pode deixar que eu arrumo o resto. Está tarde, vá aproveitar o fim de semana.

Emily encarou Andrea com uma ruga na testa, para ela, era impossível que alguém tão gentil estivesse com Miranda. Ela estava louca para perguntar sobre as duas, mas morria de medo da editora descobrir que ela estava bisbilhotando.

- Boa noite, Andrea.

- Boa noite, Em.

Emily revirou os olhos e saiu de lá praticamente correndo. Andrea sorriu balançando a cabeça em negação. "Que personalidade excêntrica".

Ela voltou para o quarto e Miranda já se vestia no closet. Após o banho, se vestir e terminar de montar a mesa, o relógio marcava oito horas e pontualmente a campainha foi tocada. Andrea nunca esteve tão nervosa em toda a sua vida.

- Mãe! - Roberta como sempre, abraçou a filha com toda a força. - Pai. - Richard a abraçou mais ligeiramente.

Então Miranda surgiu. Ela caminhou calma na direção deles. Uma máscara fria e neutra, como se estivesse avaliando o terreno. Ela não queria afastar suas barreiras pois não sabia como seria recebida, mas também não queria atacar precocemente.

- Olá, Roberta. - Ela acenou para a sogra, que inesperadamente a abraçou, sem qualquer reciprocidade de Miranda, esta apenas deu dois tapinhas em suas costas e a afastou. Abraços não era uma aproximação que ela tinha com qualquer um.

- Miranda, que bom rever você. - elas se olharam intensamente, como se estivessem trocando uma mensagem. Apesar de toda a simpatia, Miranda notou um certo desespero velado no olhar de Roberta.

- Boa noite, senhor Sachs. - Ela estendeu a mão para Richard, que, com uma carranca séria, pegou e sentiu ser apertado pelos dedos firmes de Miranda.

- Boa noite, senhora Priestly.

- Me chame de Miranda.

"Por favor" Pensou Richard.

- Vocês querem jantar ou preferem beber algo antes.

- Jantar! - Roberta praticamente gritou eufórica. Miranda estava atenta aos gestos estranhos da mulher.

- Certo, vamos então.

Todos caminharam para a sala de jantar, onde Miranda e Andrea se acomodaram lado a lado, e Richard e Roberta logo na frente delas, também lado a lado. Começaram a se servir sob um clima tenso e incômodo.

- Então, pai. Você deve saber, Miranda é minha namorada.

Um suspiro pesado foi nitidamente ouvido por todos. O homem estava simplesmente irado. "Pelo jeito ele não vai facilitar." Pensou Miranda.

- E temos um comunicado para fazer. Nós vamos morar juntas.

- Você não vai.

- Eu vou. Já está decidido, me mudo amanhã.

- Você está se precipitando, Andrea. É só uma fase, não é o que você realmente quer.

A jovem jamais entenderia a capacidade do pai de invalidar qualquer decisão dela. Desde que saiu de casa, ela não pedia permissão, ela avisava. Ela não perguntava, ela impunha. Então, se ela dissesse que iria morar em Cincinnati, Ela não estava abrindo espaço para objeções, ela realmente iria. Era de se surpreender que, mesmo depois de tantos anos, ele não percebera que a filha havia tomado uma decisão e estava apenas comunicando.

- Não é uma fase, é uma relação sólida e estamos prontas para dar o próximo passo. Eu sei muito bem o que eu quero, sou uma mulher adulta.

- Quando passar, você irá conhecer alguém e ter uma relação de verdade.

- Eu não confiaria nisso. Nós nos amamos e já temos uma relação genuína.

Andrea sorri com um olhar de afrontamento.

- Jill me contou que vocês se falaram. - Roberta tenta aliviar o clima.

- Sim, vimos o pequeno Isaac, não mais tão pequeno assim.

- Sua irmã planeja ter mais filhos. Ela tem uma família de verdade. - Richard alfineta.

- E o que seria uma família de verdade, pai?

- Você sabe, um pai, uma mãe e os filhos.

- Eu discordo. Acho que uma família de verdade é aquela que tem união e amor.

- Bom, certamente não é amor quando se está a tirar proveito de alguém, certo?

- Não sei, pai. Não conheço ninguém assim.

Miranda e Roberta apenas observavam o diálogo. A diferença é que Roberta estava receosa e Miranda estava preste a enfiar o garfo na jugular de Richard.

- Tem pessoas que se aproveitam da ingenuidade alheia. Sua mãe e eu, por exemplo, nos conhecemos na faculdade, estávamos na mesma fase, isto é, idade, nível social, maturidade, tivemos a benção dos nossos pais, namoramos, casamos e tivemos filhos. Como todo casal deve ser. Essas relações modernas não passam de depravação, coisa de gente que não tem dignidade ou quer se aproveitar de pessoas jovens e inocentes como você. Uma vergonha.

Miranda apertou o garfo com força e invocou sua máscara de ataque. Andrea nunca viu tanto ódio no olhar de sua amada. "Esse verme já falou besteiras demais."

- Sabe, senhor Sachs, - Começou com sua voz glacial e suave. - realmente tem coisas dignas de vergonha e coisas que merecem nosso orgulho. Eu, particularmente, tenho orgulho de estar amando e respeitando uma mulher perfeitamente capaz de escolher por si mesma, e ela escolheu estar comigo, ao invés de estar com quem não dá a mínima para a sua felicidade. Sabe o que eu acho vergonhoso, senhor Sachs? Ser falso moralista, julgar uma mulher por se relacionar com alguém mais jovem, quando às escondidas ...

- Miranda, por favor, não. - Roberta suplicou.

- O quê? - Andrea questionou confusa, uma ruga se formando em sua testa. Enquanto Richard ficava cada vez mais vermelho de raiva.

- Você não tem o direito, isso é injúria!

- Injúria? Eu só não exponho todas as suas vergonhas, por respeito à sua esposa e filha. Eu não vou ficar calada ouvindo uma pessoa com mais sujeira do que a calçada de Manhattan invalidando minha relação com Andrea. Nós duas somos adultas, livres e independentes, diferente do que você chama de "como todo casal deve ser", não há traição, abuso ou meretrício envolvido. Mais algo a dizer, senhor Sachs?

- Andrea... - Richard abria a boca várias vezes mas não conseguia articular nada. Miranda tinha todas as armas e ele tinha apenas seu preconceito sem base.

- Este jantar está maravilhoso, filha. Você que cozinhou? - Roberta tenta novamente quebrar o clima.

O que é praticamente impossível, já que Miranda e Richard estão presos em uma corrente de ódio, Andrea está ligando os pontos do que sua namorada falou, e Roberta estava apavorada sobre o fim dessa noite.

- Não, eu comprei. Não tive tempo hoje. - respondeu séria.

- Richard? Por que não conta...

- Cala a boca, Roberta! Você está de acordo com isso? - Ele encara a esposa.

- Não há nada que discordar, Richard. Estou feliz pela felicidade da minha filha.

- Você é minha esposa, tem que me apoiar em minhas decisões.

- Não. Tenho que apoiar a felicidade daqueles com quem me importo. Eu me importo com Andrea e com Miranda. Estou orgulhosa que minha filha esteja com alguém tão bom para ela. Pelo menos ela não cometeu o mesmo erro que eu.

Andrea olha para Miranda e só nesse momento percebe que ela segurava sua mão o tempo todo. Miranda a fita com um olhar reconfortante de amor e cuidado. É nesse olhar que Andrea se apega para fugir daquele pesadelo ruim.

- Nós vamos embora querida, passaremos a noite no The Pierre. - Roberta se inclinou e com as duas mãos segurou seu rosto e a fez olhar para si. - Muitas coisas irão mudar, não deixe que ninguém abale sua felicidade. Nós nos veremos em breve.

Ela depositou um beijo na testa da filha e abraçou Miranda, que dessa vez retribuiu. Andrea ficou paralisada na mesa, enquanto Miranda seguia Richard e Roberta para a saída.

Enquanto Roberta pegava os casacos, Richard já estava a aguardando no corredor. Miranda o encarou com um ódio visível e, com uma voz baixa e severa, o chamou.

- Richard - ela se aproximou e sussurrou
- Você vai nos deixar em paz enquanto não nos aceitar e respeitar. - declarou ela, a voz ameaçadora fazendo um frio percorrer a espinha dele. - Vai parar de criar problemas para todos. Eu não medirei esforços para protegê-la de qualquer incômodo.

Miranda se afastou e logo Roberta chegou. Nada mais foi dito. Os dois sumiram dentro do elevador e Miranda voltou para Andrea, que estava no mesmo lugar, na companhia do jantar praticamente intocado.

- Vamos para casa, querida?

Ela acariciou suavemente os cabelos castanhos.

- O que você sabe sobre meu pai?

- Eu sei de tudo, meu bem.

- O que exatamente?

- Não acho que você deva saber.

- Se não me contar, eu vou descobrir sozinha.

Andrea se levantou e ficou frente a frente com Miranda. Seu olhar determinado mostrava que ela não estava blefando, afinal de contas, era jornalista, saberia como e onde procurar.

- Isso pode mudar a forma como você vê seu pai.

- Miranda, eu já o odeio. Eu o quero longe de mim, não me importo que merda ele fez, não vai piorar a forma como me sinto sobre ele. - ela já estava a aumentar o tom de voz.

- Certo, respira. Você está muito nervosa e eu entendo. Mas tenta controlar a respiração, certo?

Miranda a abraçou e Andrea deixou escapar um longo suspiro, relaxando nos braços calorosos de sua amada.

- Eu estou bem, só estou com raiva.

- Certo. Eu estou aqui para você.

- Me conta.

Miranda afastou o rosto o suficiente para olhá-la nos olhos.

- Eu vou resumir porque detalhes da desonestidade de seu pai me enojam. Enfim, basicamente adultério, inclusive com mulheres mais jovens que você e prostitutas. Ele tem outra família em Ohio mesmo, uma mulher com um filho, o menino não é seu irmão. É o suficiente?

- Minha mãe...

- Sabe. Mas ele não tem conhecimento de que ela sabe.

- Obrigada! Vamos esquecer que essa noite aconteceu?

- Como você quiser, querida. Se quiser conversar também estarei aqui, tudo vai ficar bem.

Elas selaram os lábios afetuosamente e não mais tocaram naquele assunto. Miranda sentia pela forma que tudo terminou, ela jamais desejaria que Andrea cortasse relações com o pai, mas sabia que ele só a machucava, e não permitiria isso.

Já Andrea, nunca teve uma boa relação com Richard. Ela não queria separar a família, mas ela estava tão bem em sua nova vida, que a não aceitação dele não tinha qualquer peso. Ela apenas agradecia internamente por pelo menos sua mãe ter voltado e ficado ao seu lado.

Se ela não era a filha que ele queria, ele também nunca fora o pai que ela desejou.

 

ºººººººº

 

No dia seguinte, Miranda, Cassidy e Caroline foram ajudar Andrea com a mudança. Ao empacotar as roupas, Miranda colocou mais da metade em caixas com nome de "Doação" e "Lixo".

- Quem disse que eu vou doar isso tudo?

- São horríveis, querida. Você precisa se livrar disso, vai pro lixo ou pra caridade.

- Miranda, ainda preciso de roupas para me vestir, você quer que eu ande nua?

Miranda olhou rapidamente para Andrea e um sorriso malicioso se formou em seus lábios.

- Você compra mais depois, com a minha ajuda ou de alguém da Runway, claro.

Andrea revirou os olhos e apenas aceitou. Miranda não parecia abrir espaço para discussão.

- Que coisa horrorosa é essa, Andrea? - Miranda levantou um suéter azul na ponta dos dedos com uma expressão de nojo.

- Oh, eu adoro ele. É quentinho e... - Sua voz morreu quando Miranda o lançou na caixa com nome "Lixo". Ela bufou e saiu do quarto resignada.

Andrea foi até a cozinha conferir o que os diabinhos estavam aprontando. As encontrou cercadas por várias embalagens vazias de comida.

- Quando vocês disseram que iriam cuidar da comida, não achei que significava comer tudo.

As pestinhas a encararam com um sorriso cheio de chocolate.

- Somos crianças, Andy. Não deveria confiar em nós.

- Larguem o toblerone e me ajudem a tirar a aparelhagem da sala mídia.

- Sabe, Andy... - Caroline começou. - O que você acha de pregarmos uma peça na mamãe?

Andrea imediatamente assumiu uma expressão de medo só de pensar em fazer tal ato com Miranda e as consequências que seguiriam. Ela se lembra bem do olhar mortal de Miranda quando ela jogou um punhado de areia nela, ou quando deixou que uma onda a pegasse de surpresa.

- Tipo, algo bem divertido. - Cassidy continuou, uma risada contida e maléfica escapando de seus lábios.

- Vocês querem me encrencar? Perderam o juízo? Ela nos mataria.

- Ah, deixa de ser medrosa. Ela te ama, vai te perdoar.

- Não! Nunca, jamais.

- Você é um tédio. Vou ajudar a mamãe a embalar aquilo que você chama de roupas. Vem Caro.

Após algum tempo, aparelhos devidamente embalados, Andrea saiu da sala de mídia e encontrou a sala de estar em completo silêncio. Ela caminhou até seu quarto e encontrou Miranda sentada no chão, cantarolando alguma música que ela não conhecia. Era tão gracioso, que ela teve que ficar ali, apreciando aquele momento sem ser notada.

Ela conseguiu entender que era francês, e céus, era sexy. Teve que se segurar para não adorar aquela deusa ali mesmo, no chão do quarto bagunçado.

- Tu es ma came, mon toxique, ma volupté suprême, mon rendez-vous chéri et mon abîme. Tu fleuris au plus doux de mon âme ... Tu es ma came. Tu es mon genre de délice, de programme. Je t'aspire, je t'expire et je me pâme . Je t'attends comme on attend la manne.

(Você é meu vício, meu produto tóxico, minha volúpia suprema, meu encontro preferido e meu abismo. Você floresce até o mais doce da minha alma ... Você é meu vício. És o meu tipo de delícia, de programa. Eu te aspiro, eu te  expiro  e desmaio. Eu te espero como se espera o maná)

- Tu es ma came. - Andrea interrompeu a cena e Miranda quase pulou de susto.

- Jesus, Andrea! Quer me matar?

A jovem se aproximou lentamente e sentou no chão, logo atrás de Miranda. Colocando um pé de cada lado do seu corpo, ela encaixou Miranda entre suas pernas e a abraçou, beijando a pele macia da nuca.

- Você está tão cheirosa. - Miranda inclinou a cabeça para dar mais acesso ao pescoço e Andrea continuou beijando e lambendo toda a extensão arrepiada. - Tão suculenta. - Ela desceu uma mão pelo abdômen de Miranda, até deslizar para dentro da calça. Alcançou o tecido da calcinha completamente molhado e quente e apertou firme com os dedos, arrancando um gemido abafado de Miranda. - Tão pronta.

- An-dre-ah... não comece o que não pode terminar... As meninas...

- Por falar nelas, onde estão?

- Não estão com você?

- Elas disseram que viriam te ajudar.

- Não apareceram aqui.

As duas mulheres pararam por um segundo, pensaram por mais um segundo e levantaram subitamente. Elas se olharam assustadas e começaram a procurar pelo apartamento. Nem sinal nas salas, piscina, cozinha, quartos, varanda... nenhum sinal na casa.

- Onde elas se meteram? - Perguntou Miranda.

- Eu vou chamar chamar a polícia.

De repente, as duas ruivas saem de dentro de uma caixa gritando e esfregam as mãos cheias de chantilly no rosto e dorso de Miranda. Em um primeiro momento ela ficou paralisada com a mão no peito, depois ela limpou a região dos olhos e conseguiu ver as gêmeas rolando de rir no chão e Andrea apavorada esperando um surto qualquer.

Andrea se aproximou e olhou dentro da caixa, havia uma lata de chantily spray. Ela pegou e mostrou para Miranda. O sorriso malicioso que as duas deram foi praticamente simultâneo. Não se sabe quem teve a ideia primeiro, apenas que ambas concordaram mentalmente.

Cada uma sentou em cima de uma ruiva, deixando elas imóveis e subitamente assustadas. A morena encheu a mão de Miranda de espuma, e esta esfregou no rosto e cabelo de Caroline. Já Andrea, vingou sua namorada espalhando uma boa quantidades em Cassidy.

Havia apenas gritos e risadas divertidas, além de muita sujeira. Quando o produto acabou, elas deitaram no chão ao lado das meninas.

- Nunca mais nos assuste assim, Bobbseys. Eu quase tive uma parada cardíaca.

- Desculpe. - Caroline virou para a mãe ofegante e a abraçou, deitando a cabeça em seu peito.

- Viu? Ela não nos matou. - Cassidy sussurrou dando uma cotovelada nada delicada na costela de Andrea.

- Aii, Ainda! - Andrea levantou toda suja e bateu duas palmas para chamar atenção. - Todo mundo pro banho, eu vou pedir o almoço.

 

°°°°°°°°

 

Após almoçar e embalar as últimas coisas, as caixas e malas do que seria levado para a mansão estavam postas no centro da sala. Não haviam muitas coisas, apenas os itens pessoais de Andrea, já que o apartamento era dos pais dela.

A noite já começava a se anunciar pelas janelas de vidro e elas já estavam prontas para ir embora quando a campainha tocou. Andrea se apressou para abrir a porta, somente para se surpreender com uma Roberta que sorria e piscava rapidamente. Ela apertou os olhos e direcionou sua atenção para a mala ao lado da mãe. "Isso não é um bom prenúncio".

- Mãe?

- Oi, querida.

Roberta entrou tranquilamente como se aparecer sem avisar no apartamento da filha com uma mala do lado fosse algo rotineiro. Sua surpresa foi encontrar Miranda, Caroline e Cassidy olhando para ela igualmente confusas.

- Eu estou atrapalhando... Ah, sua mudança! Havia me esquecido. - Ela disse quando notou as caixas. - Como vocês estão?

- Bem. - Caroline e Cassidy dizem em sincronia.

- Estamos bem. Como vai, Roberta? - Miranda se aproximou e deu um beijo de lado, se afastando rapidamente para fugir dos abraços furtivos da sogra.

- Eu gostaria de conversar com vocês duas. Podemos ir para...

- Meu quarto. - Andrea completou. - Meninas, nada de aprontar!

- Nós? Aprontar? Isso é um absurdo, Andy. - Cassidy fingiu estar ofendida com uma mão no peito.

No momento em que as mulheres estão em privacidade, a máscara tranquila de Roberta cai. Ela começou a brincar com as mãos e andar de um lado para o outro, abriu a boca várias vezes mas nada saiu. Ela simplesmente não sabia como contar para a filha.

- Por Deus, mãe! Isso é irritante.

- Roberta. - Miranda já desconfiava do que estava acontecendo. - Eu costumo arrancar o curativo de uma vez.

Ela fitou a nora compreendendo o conselho e olhou para a filha que estava confusa.

- Eu deixei seu pai. - a neutralidade na face de Andrea a incomodava mais do que se a filha tivesse explodido. - Você não vai dizer nada?

- Hum... O que quer que eu diga? Finalmente? Parabéns? Vamos comemorar?

- Isso é sério? Você não... não está chateada?

- Ugh! Claro que não, mãe. Meu pai é um escroto. Nós duas estamos melhor sem ele.

Roberta olhou para a filha incrédula por um momento, mas logo a abraçou forte e chorou silenciosa em seu ombro. Miranda sentou na cama e ficou brincando com o pingente 'M&A' da pulseira. A reação de Andrea não foi sequer uma mínima surpresa para ela, como já havia prevenido Roberta, ela é uma mulher madura e compreensiva.

- Obrigada pelo apoio, querida. Bom, onde será seu novo endereço?

- Aqui mesmo no East Side.

- Então não ficaremos longe nunca mais. Eu pretendo ficar no apartamento, pelo menos até a divisão de bens.

- Você vai jantar conosco na mansão. Nós já estávamos de saída. - Miranda convidou.

- Eu não quero incomodar.

- Eu não perguntei, eu disse que você vai, Roberta. E se fosse incômodo eu sequer teria mencionado.

Roberta ficou surpresa pela forma que Miranda falou, mas não discutiu, até porque ela perderia.

 

°°°°°°°°

 

Após uma breve apresentação da mansão Priestly e um jantar animado, Andrea subiu com as meninas para colocá-las para dormir. Enquanto isso, Miranda e Roberta organizavam a cozinha.

- Você está bem? - perguntou Miranda.

- Aliviada. Eu tinha receio de como Andy reagiria.

- E Jill?

- Bom, ela é mais velha e meio doida, fez várias especulações - Roberta ficou vermelha e desviou o olhar, o que não passou despercebido por Miranda. - mas me apoiou completamente. Mesmo estando longe, eu sempre conversei mais com ela do que com Andy. Pela idade e por ser casada também, eu me sentia mais confortável para desabafar sobre certos assuntos. Contei a ela sobre o jantar de ontem, falei que foi a gota d'água. Não conseguiria dormir mais uma noite ao lado daquele homem.

- Uma decisão inteligente! Você tem filhas incríveis, a reação de Andrea e Jill prova isso.

- O que tem Jill e eu? - Andrea surgiu na cozinha e abraçou Miranda na cintura.

- Nada importante, querida. O que acha de ligarmos para sua irmã? Assim já falamos sobre o almoço de Natal.

- Ugh! Eu não quero você falando com ela. Ela vai me expor.

Miranda sorriu e beijou a bochecha de Andrea, acariciando em seguida com a ponta do nariz. Roberta observava a cena com um sorriso bobo e a cabeça levemente inclinada para o lado. Internamente, ela desejou ter aquilo um dia.

- Vou reformular, nós vamos ligar para sua irmã. - Miranda falou lentamente com a voz mais baixa do que o habitual, os movimentos de seus lábios eram tão salientes e sedutores que os olhos de Andrea escureceram de desejo. Ela ficou tão tonta, que se Miranda colocasse sua mão no fogo ela não sentiria queimar. Percebendo o estado de sua namorada, ela finalizou com o leve roçar da língua entre os lábios. Andrea respondeu com um involuntário gemido contido que pôde ser ouvido apenas pelo casal.

Roberta pigarreou para lembrá-las que ela ainda estava na cozinha, cortando o que quer que estivesse acontecendo. Elas finalmente se desvencilharam e partiram para o escritório.

Jill Harrison é uma mulher de 32 anos, mãe de Isaac Harrison e esposa de Kyle Harrison. Sua relação com a única irmã, Andrea, fora sempre uma parceria descontraída. Foi para ela que Andrea contou quando deu o primeiro beijo, ou a primeira vez com uma garota, até mesmo os choros incontáveis por telefone com monólogos detalhando o quanto ela era sozinha e ninguém entrava em sua vida para ficar.

Quando Andrea se afastou dos pais na faculdade, Jill assumiu um papel crucial em sua vida. Mesmo com a distância, Andrea sempre a procurava quando estava mal ou com problemas, então, Jill sabia que o afastamento dela nos últimos meses significava que a irmã estava bem.

Roberta estava na poltrona com o laptop no colo, Miranda sentada em um descanso de braço, e Andrea no outro. Elas trocavam carícias nos cabelos uma da outra por trás de Roberta, estarem próximas sem se tocarem exigiria um esforço que elas não estavam dispostas a fazer.

- Oi, família! - Jill gritou quando atendeu.

- Olá, querida! Como você está?

- Ótima, Kyle saiu com Isaac, então finalmente posso ver um filme em paz.

- Não se preocupe, Jill! Vai piorar. Minhas meninas têm onze e é a mesma situação. - Miranda disse com um sorriso jocoso.

- Ugh, não sei porque eu tive tantos filhos! Andy, você já se mudou?

- Sim, só falta arrumar minhas coisas.

- Agora falta o casamento!

- Jill, não se meta! - Andrea gruniu entre os dentes.

- Jill, queremos vocês aqui no natal, o que acha? Vocês podem passar a semana aqui.

- Oh, sim. Eu irei. Vou combinar com Kyle. Obrigada, Miranda.

- Não agradeça, somos família.

Ela olhou para o lado e percebeu que Andrea já a olhava com um sorriso aquecido no rosto. Era uma satisfação para ambas usar essa palavra "família".

- Puta merda! Parem de se olhar assim, só falta aparecer dezenas de coraçõezinhos envolta da cabeça de vocês.

- Sem inveja, Jill.

- Então, mãe, agora que você está solteira vai cair na farra, heim?

Roberta ficou vermelha, mesmo atrás dela, Miranda percebeu pelo rubor da nuca. De todas as quatro, Miranda era a mais observadora, ela vinha juntando os pontos desde que conhecera Roberta, e nada passa despercebido pela editora.

- Não seja palhaça, Jill. - Falou Andrea, revirando os olhos.

- Ué, ela não é de ferro.

- Eca! A vida sexual dela não é de nossa conta! Vamos mudar de assunto.

- Você é tão careta, Andrea.

- Isso ela não é. - Soltou Miranda sem querer. Os três olhares se voltaram para ela com uma ruga na testa. Ela apenas limpou a garganta e fingiu que nada aconteceu, uma arte que ela dominava. - Jill, aguardamos você em duas semanas.

- Estaremos aí!

- Tchau, filha!

- beijos, maninha!

- Tchau, beijos!

Após a ligação, elas tomaram vinho na sala de estar e apreciaram uma conversa descontraída. No final, as pessoas importantes para Andrea a estavam apoiando e fazendo parte de sua felicidade, assim como as pessoas importantes para Miranda.

Andrea já cochilava com a cabeça deitada no colo de Miranda, enquanto esta ainda conversava com Roberta.

- Como você consegue ter tanto autocontrole? - Perguntou Roberta. - Eu não consigo lidar com nada sem surtar antes.

- Eu controlo tudo, faz parte do meu trabalho, acho que o autocontrole vem em conjunto.

- Você se defendeu tão bem com Richard, manteve a calma, mesmo ouvindo aquelas ofensas, enquanto eu só sabia entrar em desespero.

- Nunca vá para uma batalha sem estar armada. É só o que posso dizer. E... Andrea prefere que esse episódio não seja mencionado.

- Entendo.

- No entanto, se quiser conversar sobre isso ou qualquer coisa, podemos marcar algo.

- Seria ótimo, me lembrarei disso. Obrigada, Miranda.

Miranda fitou a sogra com um olhar de reconhecimento. Foi esse o exato momento que ela percebera que Roberta seria mais do que a mãe de sua amada, com quem ela teria que ser agradável. Ela percebera que para além da palavra, do meramente dito, elas eram realmente família, e contariam uma com a outra caso necessário. Uma relação de confiança começava a se formar ali e Miranda não confiava em qualquer um.

Com muito custo, ela conseguiu acordar Andrea e levá-la para o quarto. Do mesmo jeito que a jovem estava, se lançou na cama e dormiu. O cansaço do dia cobrou às duas mulheres uma longa noite de descanso.

 

°°°°°°°°

 

Miranda acordou pouco antes de Andrea, e um grande sorriso se formou em seus lábios, reflexo da quantidade de emoções explodindo em seu cerne, assim que abriu os olhos. Era a primeira vez que ela acordava ao lado de Andrea e nenhuma das duas iria embora depois, ambas estavam em casa, no quarto que era delas. "A primeira de infinitas vezes." Miranda pensou com o sorriso de satisfação crescendo ainda mais.

O sorriso sumiu e deu lugar a uma pincelada molhada de língua nos lábios, seguida de uma leve mordida. Os olhos de Miranda escureceram de desejo fitando o emaranhado de cabelos castanhos espalhados pelas costas nuas de Andrea, tendo o corpo coberto por um fino lençol branco apenas do quadril para baixo.

As roupas nos pés da cama denunciava que ela havia se despido durante a noite e nem se deu ao trabalho de levantar e vestir uma camisola. Uma tentação para Miranda, que não se controlaria vendo aquela quantidade de pele exposta.

Andrea sentiu um calor em sua coluna e, sem abrir os olhos, reconheceu os seios quentes de Miranda roçar suas costas. Os cabelos foram afastados por dedos delicados causando um arrepio precoce em sua nuca. Ela sorriu ao sentir os lábios macios sugar levemente seu pescoço, deixando rastros molhados.

Uma mão quente e suave deslizava por sua pele até alcançar seu ventre e pressionar seu corpo contra o de Miranda. Ela se virou lentamente, encontrando os olhos azuis cheios de desejo, e envolveu os braços no pescoço de Miranda.

- Bom dia, amor. - Andrea disse com sua leve rouquidão matinal.

Miranda uniu seus lábios nos de Andrea, aprofundando um beijo lento e intenso. Sua língua explorando cada centímetro da boca quente de sua amada que gemeu quando sentiu sua língua ser sugada com lascívia. Lentamente, Miranda afastou os lábios e olhou com um sorriso malicioso para Andrea.

- Agora sim, bom dia! - A editora pontuou.

- Que maneira gostosa de acordar. Algum motivo especial?

- Preciso de um motivo para ser afetuosa com a minha mulher?

- Você não sabe que dia é hoje, sabe?

Pelo tom de Andrea, Miranda não controlou a pontada de receio que surgiu dentro de si. Ela não deixou transparecer, deu um selinho demorado com o intuito de ganhar tempo e tentar lembrar. "Que dia é hoje? Aniversário? Não, é em fevereiro. Não é feriado, também não tínhamos nada planejado. Que dia é hoje? Estamos em dezembro e... Será? Se eu estiver errada..."

- Faz seis meses que nos conhecemos. - arriscou com a voz firme.

- Você não se lembrava não é? - Andrea sorriu jocosa.

- Não. - Miranda escondeu o rosto na curva do pescoço da morena. - Datas não são o meu forte.

- E como você chegou a conclusão tão rápido?

- Eu sou boa em unir informações e analisar possibilidades. - Deu de ombros.

- Não precisamos comemorar. Nosso aniversário de namoro é só em dois meses e... - Foi subitamente calada pelos lábios saborosos que tirava sua lucidez.

- Precisamos. O que acha de almoçarmos fora e depois passamos em um hotel... e eu dou o seu presente?

A voz baixa e rouca juntamente com o tom sugestivo foi o suficiente para Andrea concordar com qualquer proposta. Ela beijou os lábios rosados até perderem o fôlego e respondeu:

- Eu acho perfeito!

 

°°°°°°°°

 

Após o café da manhã em família, Andrea e Miranda pediram para Roberta ficar com as gêmeas durante o dia, ela concordou prontamente, mas as ruivinhas não deixariam de protestar.

- Queremos ir.

- É, por que não nos leva?

- Bobbseys, Andrea e eu vamos comemorar algo nosso. Prometo que estaremos aqui no início da noite.

- Nós sempre passamos os domingos juntas. Não é justo. - Caroline fez birra.

- Nós também gostamos de sair, vocês nunca levam a gente. Só temos ido da mansão para o apartamento, também queremos almoçar fora.

- Vamos fazer assim, - Andrea interviu. - vocês ficam hoje, e no próximo sábado vocês escolhem para onde iremos.

- Sério? - Cassidy gritou com entusiasmo.

- Não! - Miranda franziu o lábio olhando para Andrea, e seu usual bico de descontentamento se formou levemente para esquerda. Ela achou absolutamente sexy. - Eu não concordei com isso. Tem noção do que é dar direito de escolha para essas duas? - Ela perguntou como se a resposta fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Então, vou reformular. No próximo sábado, buscaremos um consenso sobre o nosso passeio, que tal?

Com um leve manear de cabeça como resposta, Miranda se fez entendida por Andrea. Ela aprovaria. As gêmeas fingiram pensar e no final acabaram concordando. "Andrea tem muito o que aprender sobre essas duas, ou vai acabar comendo na mão delas." Miranda pensou, contendo o sorriso.

Nesse dia, Miranda levou Andrea até a garagem, apresentando a ela o seu amado conversível. Os olhos dela brilharam e o queixo caiu de excitação. Ela não demorou para deslizar a mão em volta do carro e pular por cima da porta, arrancando um revirar de olhos de Miranda.

- Eu sempre quis andar em um desses. Podemos fazer uma viagem nele? Colocaremos música alta e eu vou cantar com o vento balançando meu cabelo e com óculos escuros, e você pode...

- Por Deus, Andrea. Você fala demais.

- Podemos?

- Você já me pediu algo que eu não lhe dei?

Andrea sorriu e deu um rápido beijo nos lábios de Miranda.

- Eu sou a mulher mais sortuda do mundo! - Gritou com os braços pra cima.

- Ah, sim. Você é.

Miranda ligou o carro e dirigiu para o restaurante em que tudo começou. Há quatro meses atrás, Andrea implorou para a editora uma chance de conversar, e foi durante um almoço nesse restaurante que elas se entenderam e decidiram começar uma relação.

- Gostei da escolha, principalmente por me lembrar um certo acontecimento no toilette. - Andrea sussurrou, enquanto se acomodavam na mesa. Miranda respondeu com um contido sorriso de lado.

Após fazerem os pedidos, elas conversaram sobre seus trabalhos, família e passado. Andrea falou sobre sua relação com a irmã e Miranda falou minimamente sobre suas origens.

- Sabe, eu tenho um presente pra você. - Começou Miranda falando suavemente. - Eu estava esperando o momento certo, acho que hoje é perfeito.

- Você vai me dar agora?

- Não. - Ela acariciou a mão de Andrea por cima da mesa com as pontas dos dedos. - Quando chegarmos ao hotel.

- Eu também tenho algo para você. É simples, mas eu lembrei de você quando vi. - Miranda deu um leve sorriso notando o nervosismo da namorada.

- Querida, relaxe e me dê de uma vez!

Andrea procurou a caixinha na bolsa e quando ela colocou em cima da mesa o coração da editora acelerou. Miranda engoliu seco e aguardou nervosa a caixa ser aberta lentamente na sua frente, apenas para exibir um par de brincos com com uma pedra cada.

- Eu lembrei de seus olhos quando vi, - Miranda ficou paralisada olhando para os brincos e para Andrea repetidamente. - O tom é muito parecido, mas obviamente seus olhos são mais bonitos - Andrea bufou. - e até brilham muito mais. Não acredito que alguma pedra faça jus a eles.

Certamente não era o que Miranda esperava.

O silêncio agonizante de Miranda já estava fazendo Andrea entrar em desespero. "Ela não gostou? É simples demais? Falei alguma besteira? Céus, ela está tendo um derrame? Me mataria se eu perguntasse isso?"

- Por favor, diga alguma coisa.

Quando Miranda se pôs de pé, os olhos de Andrea a acompanhou ansiosa pelo que viria. Ela foi suavemente puxada para ficar de pé e teve sua cintura laçada pelos braços delicados da editora.

Miranda brincou com o nariz de Andrea, roçando levemente o seu. Os lábios se aproximaram, até que a distância entre eles fosse zero, aquele beijo passava tanto carinho e amor que Andrea sabia que estava tudo bem.

- Eu amei, querida. É perfeito, obrigada.

O sorriso de Andrea poderia iluminar facilmente todo o restaurante. Elas não se importavam com as pessoas olhando ao redor, naquele momento, apenas as duas existiam.

- Sabe, eu acho que nos deveríamos repetir o que fizemos no toilette aquele dia, assim eu posso mostrar o quanto eu estou grata.

Miranda mal terminou de falar e já estava sendo puxada por Andrea. Elas trancaram a porta depois de verificaram que estavam sozinhas. Andrea viu Miranda se aproximar da pia e trocar os brincos que ela estava antes, pelo novo que acabara de ganhar. Ela ficou orgulhosa de si pela escolha, era realmente perfeito.

- Parece que estou olhando para quatro pedras preciosas brilhando no reflexo, - Andrea disse, arrancando um sorriso de Miranda. - mas na verdade há apenas duas preciosidades aqui, os olhos de minha amada.

Miranda tomou seus lábios com voracidade, deixando a jovem completamente tonta. Mas os planos de Andrea eram outros. Da última vez que estiveram ali, Miranda a fez derreter em seus dedos.

Reunindo toda a força e resistência que ela poderia ter sobre a mulher devoradora a sua frente, ela virou Miranda e a empurrou contra o mármore da pia, podendo ver claramente a expressão de surpresa através do espelho, sendo transfigurada em luxuria.

O tesão de Miranda se multiplicou, ao perceber Andrea levantando seu vestido até a cintura, e brincando com o tecido se sua calcinha, enquanto que, com a mão livre, ela pressionava seu dorso contra o mármore gelado, fazendo com que Miranda ficasse empinada para ela.

A minúscula calcinha de tule preta, permitia a livre visão de sua pele por baixo. A editora estava tão molhada, que quando Andrea passou os dedos provocativos por seu centro, ela sentiu a umidade minar pelo tecido.

Miranda se contorcia para não gemer. Ela sabia que Andrea queria ter total controle dessa vez, mas ela não pretendia colaborar tanto.

- Que calcinha é essa, Priestly?

Perguntou com a voz rouca e autoritária, fazendo Miranda tremer. Ela não conseguiria manter a postura por muito tempo. Encostou a testa no mármore para esconder o quanto ela estava entregue.

- Responde! - Andrea aplicou um tapa em sua delicada nádega.

- É... pra você. - A voz da editora quase não saía. Até que ela sentiu Andrea puxar seus cabelos, fazendo-a levantar a cabeça, Miranda estava cara a cara com seu reflexo, vendo todo o seu desejo transparente.

- Eu quero que você olhe enquanto eu te fodo. - Ainda com a mão nos macios cabelos de Miranda, ela começou a estimular o ponto mais sensível por cima do tecido, observando a mulher perder o controle.

- Por favor, Andrea... - Miranda implorou. - Não me torture.

- O que você quer, amor. Diga, o que quer que eu faça?

- Quero que... entre.

- Não com essas palavras, Priestly. Você consegue ser mais devassa que isso, hum?

- Me foda de uma vez, Andrea. Enfia a porra dos seus dedos aí.

- Em que lugar, amor?

- Na minha... na minha boceta.

Miranda percebeu pelo reflexo quando Andrea fechou os olhos mordendo os lábios. Ouvir Miranda Priestly falando palavras chulas fez seu íntimo latejar.

Andrea recobrou a consciência e afastou a pequena calcinha para o lado. Miranda empinou um pouco mais, dando a ela a visão perfeita da vulva inchada e brilhante. Ela penetrou lentamente dois dedos, escorregando pelo interior molhado e quente, observando Miranda revirar os olhos de prazer.

Ela movimentou lentamente os dedos, entrando e saindo, sem pressa. Aquilo estava sendo quase tão prazeroso pra ela, quanto para Miranda. Ela tirou os olhos do espelho, e fitou seus dedos entrando e saindo daquele sexo lindo e requintado, mordendo o lábio para conter a tentação do que faria a seguir.

- Sabe, Priestly... - Ela parou o movimento. - Você me pediu uma coisa há algum tempo, você lembra?

- Sim. - A voz de Miranda saiu rouca e falha. Ela estava na beira do ápice.

- Eu fiquei esperando que você o fizesse. - Ela removeu os dedos lentamente e penetrou o polegar. Miranda ansiava sem saber o que viria a seguir.

Penetrando novamente os dois dedos e lá deixando parados, ela encostou o polegar lubrificado em seu ânus, provocando uma contração violenta na editora.

-  Você quer que eu te foda aqui?

- Faça de uma vez, e me deixe gozar.

Andrea sorriu maliciosa e penetrou o polegar lentamente, arrancando o primeiro gemido que Miranda não conseguira conter. Ela começou a movimentar os dedos em seu sexo, sem qualquer delicadeza, entrando e saindo freneticamente enquanto as pernas de Miranda tremiam. Ela soltou os cabelos platinados e segurou a cintura da editora para ajuda no equilíbrio. Miranda abaixou a cabeça e apertou o mármore com força enquanto o orgasmo iminente começara a se anunciar, ela gemia em alto em bom som, rouca e suave, inundando os ouvidos de Andrea.

- Olhe para o espelho, querida. Quero que você veja o quão gostosa você é gozando, quero que veja o quão entregue você é a mim. - Com muito esforço, Miranda fitou seu reflexo suado, a franja caindo sobre o rosto, o rubor nas bochechas e pescoço e os olhos cheios de desejo. - Goze para mim, Miranda. Mostre o quanto é minha... minha putinha dominada.

Miranda chegou ao ápice gritando o nome de sua amada. Ela não poderia negar, depois do que vira no espelho, que fora completamente tomada pela jovem, de corpo e alma. Perdendo a sustentação das pernas, ela se deixou cair lentamente por cima de Andrea, que a abraçando forte, abaixou e sentou no chão.

Agora ela poderia aplicar beijos carinhosos na testa suada de sua amada, deitada em seu peito com os olhos fechados. A respiração pesada e os lábios entreabertos denunciavam o êxtase e a exaustão da editora.

- Não vá dormir aqui, heim.

Miranda sorriu e abriu os olhos, encontrando os castanhos quentes sobre ela.

- Por que você não fez isso antes?

- Porque você dificilmente me deixa assumir o controle!? Ou Por que você tem mãos nervosas e me deixa completamente rendida aos seus toques!? Por que é quase sempre do seu jeito?

- Hey! Está brigando comigo? - Miranda disse, fazendo seu usual bico com um olhar magoado. Andrea não resistiu e beijou aquele biquinho que dava tanto tesão para ela.

- Claro que não, amor. Desde quando você é tão sentimental?

- Você fez isso comigo.

- Levanta. Vamos terminar de almoçar, pra irmos logo pro hotel, lá eu vou te mostrar o quanto é bom me deixar no controle.