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Beach Love

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Miranda acordou com um barulho atípico. Ela olhou para o lado e Andrea dormia serenamente. Olhou para as janelas e pensou ter visto uma silhueta na penumbra, forçou um pouco os olhos e o medo começou a tomar conta de si. A pessoa se aproximou, e ao passar pela luz da janela, ela vira Nate.

- Impossível. - Ela sussurrou em pânico.

Ele se aproximou rapidamente e ela pode ver um punhal brilhando em sua mão.

- Se eu não posso ter ela, ninguém pode.

Ele disse, antes de se aproximar mais e, antes que ela pudesse reagir, enfiou o punhal no peito de Andrea. A morena abriu os olhos assustada e começou a agonizar encarando Miranda.

Ela sequer notou Nate fugir, apenas se concentrou em sua namorada sofrendo na sua frente.

- Querida, fica calma... - Miranda começou a chorar de desespero. - Andrea, fique comigo, por favor... Eu vou chamar ajuda.

A mão de Andrea se ergueu e apertou forte o pulso de Miranda, ela estava engasgando com o próprio sangue. As lágrimas de Miranda caiam em seu rosto, ela perdeu as forças e sua mão a soltou.

- Andrea? - Ela já não se movia mais, seus olhos perderam o foco e o sangue escorria por seus lábios. - Meu amor? Não faz isso, não me deixa. Andrea? ... Eu te amo, Andrea, não pode me deixar agora. Volta pra mim.

- Miranda?

A voz suave e o toque quente em seu rosto a despertou. Ela abriu lentamente os olhos e inclinou o rosto para cima, fitando os olhos castanhos brilhantes de sua namorada. A sensação do coração de Andrea batendo em seu rosto era única.

- Desculpa te acordar, mas eu preciso levantar, estou meio presa aqui. - Andrea falou sorrindo.

Caroline ainda estava grudada nela de um lado e Miranda do outro, da mesma forma que elas dormiram.

- Hum, que horas são?

- Não faço idéia. Mas da forma que eu estou relaxada, acho que dormi bastante.

Miranda se moveu um pouco e virou Cassidy lentamente para o lado, se afastou de Andrea, que virou Caroline para longe de si. As duas levantaram e saíram do cômodo na ponta dos pés.

- Dormiu bem? - Andrea perguntou enquanto elas caminharam para a cozinha.

- Tirando o pesadelo horrível que eu tive, sim.

- Quer contar?

- Não, quero esquecer.

Andrea envolveu Miranda em seus braços e roçou seu nariz no dela, dando um carinhoso beijo de esquimó, antes de beijar seus lábios. Miranda sentiu a tensão do sonho ruim deixar seu corpo e ser tomada pelo calor do amor de Andrea.

- Bom dia. - Miranda disse sorrindo, depois que os lábios se separaram.

- Bom dia.

Elas prepararam o café da manhã e arrumaram na ilha da cozinha. As gêmeas logo surgiram lambendo os lábios quando viram a comida disposta na mesa. O estômago de Cassidy reclamou só de sentir o cheiro delicioso das panquecas. Elas comeram animadas por passarem mais um dia no apartamento, a sala de mídia era, de longe, o lugar favorito delas.

Roy havia levado algumas roupas para as meninas, como solicitado por Miranda.
Depois da primeira refeição, Andrea e Miranda começaram a preparar o almoço. Andrea queria fazer uma sobremesa decente, mas faltava alguns ingredientes, então, ela comunicou para Miranda que iria para o supermercado. Logo duas cabeleiras ruivas brotaram de repente atrás delas.

- Podemos ir? - Falou Caroline.

- Claro! - Respondeu Andrea.

- Não. - Respondeu Miranda. Uma ruga se formou na testa de Andrea e ela questionou Miranda com o olhar. - Confie em mim, essas duas em um supermercado não é uma boa ideia.

- Nós vamos nos comportar.

- Não iremos pedir nada.

Elas encararam Miranda com olhos suplicantes e Andrea riu. Ela sempre se divertia com as interações de Miranda com as gêmeas, principalmente com os diálogos silenciosos.

- Tudo bem, querida. Eu consigo lidar com os furacões Priestly.

Miranda sorriu e deu um rápido beijo nos lábios dela.

- É o seu funeral. - deu de ombros e as gêmeas comemoraram.

As três garotas de Miranda saíram e ela ficou sozinha terminando o almoço. A campainha tocou e ela foi até a porta para atender. Quando abriu, uma mulher de meia idade, cabelos castanhos escuros, lisos na altura dos ombros, olhos escuros e sobrancelhas bem marcadas, a encarava com o cenho franzido.

- Miranda Priestly? - A mulher questionou confusa.

- Sim?

- Eu... sou mãe da Andy.

Miranda deu um leve sorriso e deu espaço para a mulher entrar.

- Prazer, senhora Sachs. - Ela se aproximou e deu um beijo de lado.

- Prazer, me chame de Roberta, por favor. Minha filha está?

- Ela foi ao supermercado. Eu estou preparando o almoço, se quiser me acompanhar.

Miranda falou caminhado em direção à cozinha. Roberta ficou um tempo plantada no meio da sala, confusa com a presença de Miranda. Ela pareceu se lembrar como se anda e seguiu para cozinha.

- Perdão, - Começou Roberta. - você é a namorada de Andy?

Miranda se virou para ela com os olhos semicerrados e se aproximou lentamente. Roberta tremeu um pouco, afinal, ela sabia quem era Miranda Priestly, pelo menos a Miranda criada pela imprensa, e a mulher sabia ser intimidadora.

- Isso não é óbvio?

Miranda perguntou, já se arrependendo. Ela simplesmente tinha uma enorme dificuldade de ser complacente com o resto dos mortais, ela ainda não conhecia Roberta e afastar o muro e barreiras para uma desconhecida exigia um grande esforço.

Roberta engoliu seco. Não era a sogra que deveria intimidar a nora?

- Andy não me deu qualquer pista de quem seria.

Miranda fez um esforço sobre-humano para sorrir e se virou para o fogão.

- Você se divorciou recentemente, certo? - "péssimo começo Roberta"

- Há alguns meses. Andrea e eu começamos a namorar quando eu já estava livre, se é o que quer saber.

- Na verdade, não é isso. Mas fico feliz em saber, de qualquer forma.

Miranda olhou para ela por cima do ombro com a sobrancelha arqueada. Ela não entendia onde Roberta queria chegar.

- Você sabe onde fica a adega? - Roberta assentiu. - Poderia pegar um tinto suave?

Roberta voltou com duas taças e as serviu. Um silêncio desconfortável se instaurou até a segunda taça.

- Como foi a decisão de se divorciar?

Miranda desligou o fogão, com o almoço concluído, e se escorou com um braço na ilha, levando a taça aos lábios com a outra mão. Roberta achou os movimentos da nora simplesmente graciosos.

- Bom... eu pensava mais nas minhas filhas do que em mim mesma, quando descobri que elas simplesmente ficaram mais felizes em saber que eu me separaria do que quando souberam que iria me casar, percebi que era a escolha certa. E ele nunca me fez feliz de qualquer modo, e no último ano as coisas ficaram realmente insuportáveis.

- E você sempre namorou mulheres?

Miranda lançou um olhar profundo e frio para Roberta. Ela se segurou para não dizer "minha vida íntima não te interessa". Mas era a mãe de sua namorada e aparentemente estava perguntando sem maldade. Ela respirou fundo e invocou a máscara simpática.

- Não. Andrea foi a primeira... e pretendo que seja a única.

Roberta sorriu, ela iria abrir a boca para fazer mais perguntas mas Miranda levantou a mão, fazendo um gesto para ela parar. Ela massageou as têmporas e fitou Roberta novamente.

- Qual o intuito dessas perguntas? - Antes que Roberta pudesse responder, ela continuou. - Eu amo a sua filha e quero formar uma família com ela, na verdade, para mim, ela já é família. Ela me faz feliz como ninguém jamais fez e tudo que eu quero é fazê-la sempre feliz também, e até mesmo quando chorar e estiver machucada, eu quero curar ela. Isso é tudo o que importa pra mim, não meus divórcios, ou erros passados. Eu não entendo como essas coisas podem ser relevantes, quando tudo o que importa é que nos amamos, respeitamos e confiamos uma na outra.

- Humm... - Roberta piscou algumas vezes percebendo o quanto Miranda interpretou mal as intenções dela. - Na verdade não era isso que eu queria saber. O intuito de minhas perguntas não é fazer um interrogatório antiquado, minha Andy é uma mulher adulta, independente e inteligente, nunca apresentou um namorado ou namorada, se ela está com você, ela a escolheu, e eu confio que ela fez uma excelente escolha. - Miranda inclinou o corpo para trás, com uma expressão incrédula, ela não esperava ouvir isso de Roberta. - Não sei o que Andy possa ter te falado sobre mim, mas a mãe que ela conhece não tem a ver com quem eu sou. Eu deixei por muito tempo que minhas escolhas e opiniões fossem influenciadas por meu marido. Isso mudou no momento que Andy me disse estar namorando uma mulher e ele agiu da pior forma possível. Eu esperava aquela atitude dele, mas eu não poderia ser igual dessa vez, não poderia despedaçar o coração de minha menina e afastar ela de mim. Eu sei que posso ter dito que uma relação homoafetiva não era algo que eu desejasse para ela, mas hoje eu quero que ela saiba o quanto eu confio nela e estou feliz se ela estiver feliz, e sabendo de seus sentimentos por ela, eu tenho certeza que ela não poderia estar com alguém melhor.

Roberta tomou um gole do vinho, praticamente sem fôlego, ela falara tudo tão rápido que até Miranda ficou impressionada.

- Ela ficará feliz em saber disso. Eu sinto muito se pareci rude, mas minha vida pessoal não é algo que eu goste de compartilhar, principalmente se eu sentir que estão questionando minhas intenções com Andrea.

- Meu intuito não foi esse, perdão por não ser clara o suficiente. Eu fiquei nervosa porque... - Miranda a fitou com expectativa e Roberta desviou o olhar. - Você é uma mulher madura, mais próxima da minha idade, já foi casada e tem filhos, eu perguntei sobre o divórcio porque eu quero me divorciar de Richard e quis saber como foi para você.

Quando Miranda abriu a boca para falar algo, o som da porta se abrindo foi ouvido e os furacões Priestly correram como uma manada de elefantes para a cozinha.

- Olá, eu sou Caroline. - A ruivinha se apresentou.

- Cassidy. - disse apenas.

- Olá, eu sou Roberta. - Ela ofereceu um sorriso genuíno. - Se eu soubesse que havia meninas tão lindas aqui eu teria trazido presentes.

- Mãe? - Andrea surgiu cheia de sacolas e logo Miranda e Roberta foram ajudá-la.- Não sabia que chegaria tão cedo, você tem muito tempo aqui? - Ela tentou disfarçar o olhar apavorado.

- Algum tempo, como você está?

Após colocarem tudo na ilha ela finalmente abraça a filha, a deixando quase sem respirar.

- Ótima, na verdade.

- Sorvete de cookies? - Miranda pergunta com a sobrancelha arqueada tirando as coisas da sacola. - Toblerones? M&M? Achei que você só iria comprar as coisas para sobremesa. - falou irônica.

- Eu resolvi comprar umas coisas para as meninas.

- Isso quer dizer que elas fizeram chantagem emocional e você acabou cedendo.

- Nããão. - Caroline se defendeu. - A gente colocava no carrinho e ela não reclamava, então aproveitamos.

- Bobbseys! - Miranda repreendeu e Andrea sorriu.

- Ela é mais legal que a senhora no mercado, não fica dizendo que doce faz mal ou que tal coisa tem muito carboidrato. - Cassidy ousou.

- Claro, ela é uma formiga, igual a vocês.

- Bom! - Andrea interrompeu a pseudo briga. - Eu acho que vocês dispensam apresentações, certo? Todo mundo já se conheceu. Agora, eu tenho brownies para fazer, você terminou o almoço, amor?

- Sim, está no forno.

- Ótimo, então serve um vinho pra mim e libera a minha cozinha, as meninas vão me ajudar.

Miranda arqueou uma sobrancelha e sorriu com a audácia de sua namorada. Ela buscou uma taça, serviu Andrea, e foi para sala com Roberta, onde desfrutaram da terceira taça.

- Andrea sabe? - ela perguntou em tom mais baixo.

- Não, nem a irmã. Eu sequer falei com Richard. - Roberta deu um longo suspiro. - Desculpa jogar isso assim pra você, nós acabamos de nos conhecer, é que eu realmente não tenho ninguém para conversar sobre isso.

- E eu não sei se eu sou a pessoa mais adequada para opinar, mas se não te faz bem, não vale a pena.

Roberta ficou pensativa olhando para a taça enquanto Miranda se perguntava "se ela perguntou do divórcio porque quer se divorciar, por que será que ela perguntou sobre namorar mulheres?" Miranda riu por dentro ao imaginar a resposta. "Isso seria interessante".

- Eu sinto que não aproveitei a vida. Achei que era falta de tempo, mas depois que me aposentei justamente para isso, vi que era quem dormia comigo que era o problema.

- Entendo, passei por isso três vezes e só na terceira descobri o que faltava.

- E o que era?

- Sua filha. - Roberta sorriu. - Eu me sinto realmente feliz e sinto que minha vida está tomando o rumo certo agora. Ela e minhas filhas são o motivo da minha felicidade genuína.

- Eu não poderia estar mais feliz com isso. Você acha que Andy aceitaria bem?

- Sua filha é uma mulher, e apesar de ingênua em algumas coisas, ela é muito madura e compreensiva, confio que ela vai entender.

Roberta encarou a taça novamente e ficou um tempo pensativa. Miranda sabia que ela estava prestes a falar algo que não tinha certeza se deveria, era muito eficiente em ler as pessoas.

- Você... vocês pretendem ter mais filhos?

Ela perguntou, cuidando para que seu tom fosse o mais amigável possível.

- Estamos juntas faz pouco tempo, ainda não falamos sobre isso, mas é algo que eu gostaria. Não conte para ela, mas eu adoraria ter pelo menos mais dois.

Roberta riu e relaxou um pouco mais, percebendo isso, Miranda também relaxou. Ela concluiu que a sogra não seria um problema, então, resolveu baixar a guarda para facilitar uma boa relação.

O almoçou correu de forma amigável. As gêmeas arrancaram risadas com seus comentários e foram várias vezes repreendidas por Miranda. Mas ela sabia que suas meninas estavam confortáveis com Andrea, e isso a enchia de uma satisfação aquecida.

Roberta foi embora no meio da tarde e quando começou a escurecer, Miranda e as meninas tiveram que se organizar para ir também. No dia seguinte teria trabalho e escola, não era prudente dormir mais uma noite lá. Isso não significa que as quatro se sentiram extremamente triste na despedida.

As gêmeas porque sentiriam falta do apartamento legal, Miranda e Andrea porque sentiriam falta uma da outra. Na frente do elevador, as duas se abraçaram apertado. Olhando de perto por uma última vez seus rostos, elas deram um beijo rápido de despedida, já que as meninas estavam presentes, elas não poderiam fazer da forma que queriam.

O elevador se fechou e Andrea voltou para o apartamento. Pouco depois, sua porta foi aberta e Miranda correu em sua direção, a puxando para um beijo longo e carinhoso.

- Eu te amo, querida.

- Eu também, meu amor.

Ela saiu novamente, escondendo os olhos marejados em seu óculos escuro. Os últimos dois dias juntas foram incríveis, talvez os melhores. O primeiro fim de semana em que as quatro estavam bem e felizes.

 

°°°°°°°°

 

Algumas semanas se passaram desde o aniversário de Miranda. Era uma quarta-feira de dezembro, a agitação da Runway típica de um fim de temporada. A edição do mês estava nas últimas fases, e como sempre, Miranda exigia que ficasse pronta antes do prazo. Além disso, a edição especial de inverno não estava a agradando.

No meio daquele caos, um anjo apareceu. Andrea carregava o almoço em uma das mãos, e sorria pelos corredores da Runway. Todo mundo encarava com admiração a mulher que dera um soco em Christian Thompson.

Quando ela entrou na antessala, Emily cresceu os olhos e agradeceu aos céus. Miranda saía de sua sala olhando para algum papel em sua mão, algo que a desagradava, pois ela estava massacrando Emily com as palavras.

A ruiva, esperta que era, arrastou Andrea e se escondeu atrás dela, para que Miranda a visse primeiro e esquecesse o sermão.

- ... isso é completamente inadmissível, é tão difícil para você fazer as coisas do jeito que eu solicitei? Eu fui bem clara ... - Ela levantou o olhar e viu Andrea sendo empurrada na sua direção.

- Querida! - Miranda disse com todo amor, imediatamente sorrindo. - Você veio!

- Sim, achei que poderíamos almoçar. Está muito ocupada?

Os olhos de Miranda brilharam, ela abraçou Andrea com ternura e seu olhar encontrou Emily sorrindo vitoriosa atrás da morena, ela a encarou como se fosse desintegrar a ruiva, que logo correu para sua mesa, para não abusar da sorte.

- Emily, não quero ser incomodada até às duas. - Disse, puxando Andrea para sua sala. Ela até esqueceu o papel em suas mãos, ou o que estava falando com a assistente.

Assim que fechou a porta, beijou sua namorada com saudade. Sentir o sabor de Andrea era um calmante natural.

- Que saudade, querida.

- Eu sei meu bem. Vamos comer, infelizmente não tenho muito tempo.

- Você tem conversado com sua mãe? - Miranda perguntou, enquanto afastava as coisas da mesa.

- Sim, ela tem me ligado todos os dias. Fala o tempo todo de você.

- Bem ou mal?

- Bem, claro. Qualquer pessoa que conheça você, tem apenas motivos para falar bem.

- Isso significa... - Miranda começou a contar nos dedos... - três pessoas, você, Caroline e Cassidy.

Andrea riu e negou com a cabeça. Ela se levantou e sentou nas coxas de Miranda, dando um beijo suave em seus lábios e acariciando seu rosto com o polegar.

- Você é maravilhosa, amor. Nunca duvide disso.

- Ah, mas eu nunca duvidei. Eu sei que sou incrível, o resto do mundo é que está errado.

- Presunçosa! - Andrea riu.

- Vá dormir lá em casa hoje.

- Não posso, amanhã tenho que sair cedo. Mas sexta eu trabalharei em casa, se você quiser eu durmo lá amanhã.

- Eu acordo cedo também, durma hoje e amanhã.

Andrea sorriu e beijou Miranda novamente.

- Eu vou dormir em casa, amor. Vou terminar um artigo e vou precisar de toda concentração, isso é impossível com suas mãos perto de mim.

Miranda não falou mais nada. Apenas abaixou o olhar enquanto Andrea saía de seu colo e voltava para sua cadeira. Elas terminaram de comer silenciosamente.

- Amor, eu tenho que ir. Nos veremos amanhã, certo?

Miranda assentiu com a cabeça, enquanto Andrea saía. Ela se perguntava se para a morena a distância era tão difícil quanto para ela. Desde que Andrea, no primeiro dia do namoro, falou sobre ir devagar, ela tentava não assustá-la com sua pressa.

Elas estavam juntas há quatro meses, mas pareciam quatro anos. Muito antes disso, Miranda sabia que queria Andrea inteiramente em sua vida. O esforço que ela fazia para não ser precipitada demais, chegava a ser doloroso. Não porque ela tinha alguma insegurança, mas por Andrea.

Ela é uma mulher jovem, em seu primeiro namoro, com uma mulher que tem uma grande bagagem. Ela compreendia a cautela de Andrea. Qualquer decisão que elas tomassem, teria que ser juntas, teria que ser bem pensada. Afinal, anunciar ao mundo um relacionamento com Miranda, mudaria a sua vida.

Mas estava doendo. A mesma que a fazia genuinamente feliz, tinha o poder de lhe causar dor, mesmo que involuntariamente. Miranda já não suportava a distância e tinha receio de agir impulsivamente.

No dia seguinte, ela saiu da Runway e buscou Andrea no trabalho. Não aguentaria esperar ela passar em casa e ir por conta própria. Assim que Roy estacionou na frente do jornal, ela começou a ficar impaciente. Um minuto e Andrea não apareceu, dois minutos e Miranda já começava a brincar com o colar, um gesto de nervosismo.

Andrea estava arrumando as coisas na bolsa para sair, quando ouviu o burburinho dos colegas e uma voz suave e conhecida atrás de si.

- Mova-se em um ritmo glacial, você sabe como isso me emociona.

Ela se virou e sorriu ao ver Miranda caminhando como uma felina em sua direção. "Céus, ela é sempre tão sexy." Miranda se aproximou e afastou uma mecha de cabelo do rosto da jovem. Ela pôde ver o olhar de pavor de seus colegas ao redor. George, que vinha caminhando distraidamente, estancou ao ver Miranda e se escondeu em alguma sala. Andrea se conteve para não rir.

- Miranda, estamos em um jornal e você está muito perto. - Andrea sussurrou com a respiração falha.

- Eu não me importo com isso, você se importa?

A jovem engoliu seco, fitando os olhos azuis ansiosos.

- Precisamos conversar sobre isso ainda.

Ela se virou e terminou de arrumar as coisas. As duas saíram sob os olhares curiosos e entraram no carro. Miranda estava silenciosa nos primeiros minutos, o que incomodou Andrea.

- Miranda...

- Está tudo bem. - Ela disse baixo, sem olhar para a jovem.

- Não está querida. Olhe para mim.

Miranda a ignorou. Andrea sentiu o seu peito doer. Tirou o cinto e sentou em seu colo, colocou as mãos em suas bochechas e forçou o rosto de Miranda para olhar para si, notando as lágrimas que ela tentava esconder. Ela beijou lentamente sua namorada, não suportava aquele olhar triste.

Miranda retribuiu o beijo de forma sôfrega. Ela apertou Andrea com força na cintura, a pressionando contra si. Ela queria se fundir na jovem. A beijava, abraçava, deslizava as mãos pelo corpo, penetrava seus cabelos e chorava. Era uma mistura de dor e paixão. Andrea tentava separar o beijo, mais Miranda não deixava. Quando conseguiu, a abraçou tão forte, que a editora cedeu, deitando em seu ombro.

- Eu não aguento, Andrea.

- O quê? - perguntou com medo da resposta.

- Eu quero você.

- Mas você já me tem, amor.

Miranda afastou o rosto para olhá-la nos olhos. O rosto molhado, sendo enxugado pelos dedos macios de Andrea.

- Eu quero você todos os dias. Quero chegar do trabalho e te encontrar, quero dormir e acordar com você. Quero que tomemos café da manhã e saiamos juntas para o trabalho. Quero você completamente em minha vida, quero que more comigo.

Andrea estava surpresa. Tudo o que Miranda disse, passara pela sua cabeça como um filme. Um belo filme. Miranda já estava mostrando sinais de nervoso, os olhos sem piscar se movendo rapidamente pelo rosto de Andrea, que sorriu para acalmá-la.

- Eu também quero tudo isso com você, meu amor. Mas...

- Mas? É cedo e você quer ir devagar. - Miranda falou em tom frio e impaciente, revirando os olhos.

- Não, não, calma. Eu preciso contar pro meu pai e pra minha irmã sobre nós. Posso ligar para eles hoje mesmo, a opinião deles não fará diferença, mas quero que eles saibam por mim. Precisamos conversar com as meninas sobre isso, e depois nós duas podemos planejar como faremos. Eu quero isso tanto quanto você, vamos fazer acontecer, certo?

Um sorriso foi se formando lentamente nos lábios de Miranda. A resposta dela foi tomar com sede a boca de Andrea. Saber que a morena queria morar com ela havia deixado ela estranhamente excitada, e isso refletia em suas mãos aflitas, uma passando por baixo da blusa de Andrea e apertando seu seio, outra abrindo o botão da calça.

- Quero você, aqui e agora.

- Hummmiranda. Já estamos... chegando.

- Não importa.

Miranda deslizou os dedos para dentro da calcinha de Andrea, que estava derretendo ao toque dela. O carro parou, fazendo Andrea se assustar e com muito trabalho se afastar, ainda assim, Miranda atacou ela com as mãos perigosas, puxando para si, fazendo ela gargalhar com a urgência da outra.

- Nós chegamos! - Ela fala rindo.

Assim que as duas entraram na casa, Miranda pressionou o corpo de Andrea na porta e beijou seus lábios avidamente. Ela pousou os braços no ombro da morena e envolveu seu pescoço, enquanto Andrea abraçava possessivamente suas costas.

Aquele corpo macio era o paraíso para Miranda. Ela sentia tanta saudade, que poderia fazer de tudo com Andrea, ali mesmo, no hall de entrada. Ela já estava preste a arrancar a blusa da morena quando ouviram duas vozes em sincronia.

- Eca!

Andrea se assustou e afastou Miranda rapidamente, olharam para cima e lá estavam as cabeleiras ruivas rindo das duas.

- Bobbseys. - Miranda falou como se fosse um cumprimento usual.

Arrumando a roupa com a palma das mãos, as duas subiram as escadas sob os olhares atentos e jocosos das meninas travessas. Miranda fingia que nada havia acontecido e Andrea caminhava no automático com o rosto vermelho.

- Olá, Caro... Cassidy. - Andrea falou quase sem voz, olhando para cada uma delas.

- Arrumem um quarto. - Cassidy brincou, recebendo um olhar mortal de Miranda, que a fez tremer. Logo as duas travessas correram medrosas para o quarto delas.

Quando as mulheres entraram no quarto Andrea quase teve um ataque. Colocou a mão no peito e começou a respirar com dificuldade.

- Ai meu Deus, eu esqueci que...

Foi calada pelos lábios macios de Miranda, que sem se afastar, foi tirando cada peça de roupa de Andrea.

- Estou com saudade, querida.

Miranda usou seu tom mais rouco e sensual, que ela sabia desestabilizar Andrea. Após estarem completamente nuas, deitadas na cama, ela adorou o corpo da jovem com devoção.

Beijou cada centímetro, chupou, lambeu, levou Andrea a loucura, antes de abrir suas pernas e provar o néctar que ela tanto amava. A jovem gemia o nome de sua perdição, ela não poderia pedir mais, porque Miranda já dava tudo.

Ela deu lambidas rítmicas, chupões, mordidas e estocadas frenéticas, tudo o que Andrea poderia fazer era gemer e derreter nos lábios vorazes de sua amada. E Miranda se embebeu dos sons, suor, aroma e gozo de Andrea. Quando a morena chegou em seu ápice, ela também já estava quase explodindo.

Seu íntimo reclamava, pulsava, doía. E como na primeira vez delas, Miranda não esperou, se levantou e subiu ao corpo de Andrea, se ajoelhando com sua cabeça entre as pernas. Ela segurou na cabeceira da cama e sentou nos lábios carnudos da jovem.

Andrea cravou as mãos no quadril de Miranda, a pressionando contra seu rosto. Lambeu a carne macia de forma ágil, devorou com fome, chupou com sede. Enquanto Miranda se sentia tonta e fraca de tanto desejo. Seus gritos preenchiam o quarto, só elas poderiam ouvir, somente Andrea tinha o prazer de ouvir o som maravilhoso que fazia sua namorada soltar.

Não demorou muito para Miranda estremecer e explodir de prazer, encharcando os lábios, bochechas e nariz da morena, que recebeu tudo com todo o desejo que tinha de beber cada gota de Miranda.

Ela caiu na cama e, com o corpo trêmulo, se arrastou para o lado de Andrea, a abraçando como sempre. Beijou o rosto e os lábios melados do próprio suco, se deliciando com as misturas de sabores.

- Você é tão deliciosa, Andrea. Vamos fazer isso todos os dias quando você se mudar.

Andrea riu alto, fazendo Miranda estremecer.

- Você já me convenceu, Priestly, não precisa me comprar com sexo.

- Não estou comprando. Quando vier morar aqui, vai ter que me foder todos os dias. - Miranda sussurrou em seu ouvido.

- Será um prazer. Então, já decidiu que sou eu que vou me mudar?

- Oh, desculpe presumir sem conversar. - Miranda se preveniu beijando o pescoço suado. - É que o seu apartamento não tem espaço para nós quatro. Você tem outra sugestão?

- Não. - Andrea sorriu. - Farei dessa casa meu lar.

- Vamos mudar no sábado? - Ela mordeu o lábio e a encarou ansiosa. Andrea riu, achava uma graça quando Miranda queria apressar as coisas.

- No sábado parece ótimo.

Miranda abriu um sorriso que mostrou todos os dentes e apertou Andrea tão forte em seus braços que machucou as costelas da morena.

- Você não imagina o quanto estou feliz. - Disse com a voz aquecida.

- Agora... - Andrea acariciou o cabelo platinado, macio e cheiroso. - Vamos conversar sobre a imprensa. Eu sei que esse é seu maior problema e como é algo que eu não tenho experiência, só você pode dizer como faremos.

Miranda suspirou.

- Eu pensei em agirmos normalmente, mostrar que somos um casal e que não temos vergonha de nossa relação. Irão fazer comentários maldosos, preciso que seja forte e saiba filtrar qualquer ataque. Se alguém for invasivo, nos desrespeitar ou ferir nossos direitos, irei destruir imediatamente. Alguma questão sobre isso?

- Não, eu confio no que você propor.

- O importante é que saibam porque queremos, e não porque vazou de alguma forma como se fosse algo errado que escondemos. Você é meu amor, e quero que todos saibam disso.

Andrea sorriu. Ela se sentia sortuda em ter Miranda. Jamais imaginou construir uma vida com uma mulher tão madura, compreensiva e amável. Ela recebia todo amor de Miranda, e dava todo seu amor em troca. Isso, para ela, era tudo.

- Você é uma mulher incrível, sabia? - falou com admiração.

- Sabia. - sorriu, provocando riso em Andrea.

- E muito convencida.

- Ah, por favor, Andrea. Insegurança é algo que não tenho.

Andrea a beijou com todo carinho, mas Miranda queria mais. Logo ela já estava subindo em seu quadril e devorando seus lábios macios, lambendo e chupando seu pescoço. Andrea apenas gemia com os toques maravilhosos.

- Preciso de mais. - Miranda sussurrou em seu ouvido, antes de morder o lóbulo da orelha e voltar a beijá-la nos lábios.

- Miranda... - Andrea tentava interromper mais não conseguia. Além da força da editora, que prendia seus lábios nos dela, Miranda parecia ter algum tipo de substância entorpecente que deixava a jovem completamente rendida e incapaz de resistir. - Amor... Precisamos... Parar.

- Não. - Miranda continuava a beijando e tateando.

- As meninas... precisamos jantar... Oh céus! - Miranda brincou com o mamilo dela. - ... e ligar para minha...

- É rápido.

Miranda se inclinou um pouco e encaixou sua intimidade na de Andrea, fazendo a morena arfar. Ela começou a rebolar lentamente e distribuir beijos ardentes por seus lábios e pescoço.

- Que delicia. Você é tão... - Andrea se sentia tonta com a imagem de Miranda montada em cima dela, com movimentos ondulatórios graciosos. - Gostosaaa! Aaah.

O fogo nos olhos de Miranda era excepcional. Se no cotidiano, aquele olhar a fazia molhar a calcinha, no sexo, então, atingia um nível master de sensualidade, parecia que estava penetrando as entranhas de Andrea somente com os orbes azuis. Seria Miranda algum tipo de feiticeira sexual para causar esse efeito na jovem? Andrea pensava sobre isso!

Quando Andrea deslizou as mãos por suas costas até o quadril, a ajudando nos movimentos, ela viu uma entrega diferente em Miranda. Com uma voz manhosa e rouca, ela penetrou os ouvidos da jovem de forma arrebatadora.

- Bate.

Andrea não pensou por muito tempo, apenas depositou um tapa na nádega de Miranda, que queimou por todo o seu corpo a fazendo chegar ao clímax. Miranda gemeu alucinada e Andrea revirou os olhos de prazer. Aquele som era novo, e foi o cume para ela chegar ao ápice também.

O corpo macio e delicado de Miranda pousou sobre o dela. A respiração quente no pescoço era tão confortável e familiar, que Andrea suspirou de satisfação. Elas acariciaram uma a outra com as pontas dos dedos, em suas habituais trocas de afeto pós-sexo.

- Eu falei que seria rápido. - Miranda quebrou o silêncio com seu tom jocoso.

 

°°°°°°°°

 

- Bobbseys.

Aquele tom era conhecido. Miranda inclinava a cabeça ligeiramente para o lado, encarava as filhas com um olhar neutro e sua voz soava mais fina do que o normal. As meninas sabiam que ela daria alguma notícia ou perguntaria algo importante.

- O que você acham de Andrea se mudar para mansão?

As meninas se surpreenderam, pareciam ter sido atingidas por uma descarga elétrica. Seus olhos cresceram e se moveram de Andrea para Miranda rapidamente por várias vezes.

- Oh, Não. - Disse Cassidy. Andrea ficou tensa e Miranda imediatamente assumiu uma postura fria.

- Perdão? - Miranda semicerrou os olhos e se inclinou para frente com o antebraço apoiado na borda da mesa.

- Isso significa que perderíamos a sala de mídia? - Cassidy continuou, enquanto Caroline ainda estava paralisada. - Adoramos aqueles lugar, Andy não pode se desfazer dele.

As duas mulheres relaxaram quando entenderam que o problema não era morar com Andrea, e sim, as maravilhas que uma sala aparelhada pode proporcionar para duas crianças hiperativas.

- Suas interesseiras. Só a sala de mídia importa? - Miranda brincou.

- Por que não mudamos para lá?

- Não seja tola, Bobbsey. - Miranda bufou. - Naquele apartamento não cabe nem minhas roupas.

- Nós podemos criar uma sala de mídia aqui. - Andrea tentou barganhar. - Acredito que tenha algum cômodo livre para fazermos isso.

Miranda a fitou com surpresa, depois olhou para Cassidy que parecia animada com a ideia.

- Certamente. Vocês três podem planejar isso juntas. Que tal, Bobbseys?

- Legal! - Cassidy disse animada.

- Caroline? Tudo bem?

- Humm... Isso significa... que Andy vai ser algo como nossa mãe?

As duas mulheres se olharam sem saber o que dizer. As meninas nunca consideraram Stephen como pai, e Miranda jamais exigiu ou mencionou isso. Ela sempre sonhou com Andrea fanzendo parte da família, mas nunca pensou sobre que tipo de relacionamento ela teria com suas filhas. Então, ela esperou que a própria respondesse.

Andrea, por outro lado, não pensava muito sobre ser mãe. Sempre era abordada por seus pais, sobretudo seu pai, questionando quando se casaria e teria filhos. Ela adorava as meninas, mesmo quando ameaçavam seu relacionamento, ela as compreendia. Ser mãe nunca passou por sua cabeça, mas, nesse momento, não parecia ser um absurdo. Só havia uma questão. "Como Miranda se sentiria com isso?" Então, ela esperou que a própria respondesse.

Como ninguém respondia, as duas começaram a balbuciar tentando encontrar uma saída para que o assunto fosse discutido entre elas depois.

- Éhh, se vocês... Vocês não têm que...

- Pensar sobre isso agora.

- Tudo bem. - Caroline falou tranquilamente.

- Quando você muda?

- No sábado.

- Podemos ajudar? - Um brilho travesso surgiu no olhar malicioso de Caroline.

- Claro, poderíamos fazer algo divertido enquanto embalamos minhas coisas. - O mesmo brilho travesso surgiu no olhar de Andrea. E Miranda sabia que o sábado não seria nada tranquilo.

 

°°°°°°°°

 

Trancada no escritório de Miranda, Andrea respirou fundo e discou para a irmã. Desde que viera para New York, elas apenas se falaram por telefone ou chamada de vídeo, sempre brevemente. Mas Jill estava sempre a postos para a irmã, caso precisasse desabafar e Andrea fazia muito isso. No entanto, desde que namora Miranda, se afastou inconscientemente do resto do mundo. Parecia que nada mais importava e tudo girava ao redor de sua namorada.

Fiquei me perguntando quando iria me ligar.

- Oi, Jill. Como está?

Aliaviada, se não fosse as notícias da mamãe eu acharia que você havia morrido.

- Se não fosse filha da Roberta, não parecia tanto. Vocês têm meu número e endereço, podem me visitar e ligar quando quiser.

Eu espero que você o faça. Está sempre ocupada, não quero atrapalhar.

- Ela deu a mesma desculpa. Enfim, como está Isaac?

Devorando tudo e me dando dor de cabeça. Sério, bebês de três anos precisam ser tão famintos?

Andrea sorriu, sentia falta de falar com a irmã, mas agora viria a parte mais difícil, o motivo da ligação.

- Eu preciso te contar uma coisa.

Até que enfim, Andy! Miranda Priestly? Você ficou loca? - Jill gritou.

- Você sabe?

- Claro! Mamãe me falou no dia que você as apresentou, assim que saiu de sua casa. Você não acha que ela iria guardar algo assim de mim, certo?

- O que você acha?

Acho que você perdeu o juízo. Ela é tipo... A dona de New York! - disse eufórica.

- É eu sei... isso é ruim?

Namorar com Deus? Não sei, me diga você.

Jill não poderia ver, mas Andrea sorriu brilhante. Ela sabia exatamente qual era a resposta.

- Ela é incrível e me faz feliz. Eu a amo.

Puta merda! Mamãe tinha razão. Você está caidinha garota, daqui a pouco estão casando.

- Na verdade... você é a primeira a saber que vamos morar juntas.

Aaaaaaaaah! Muita informação! Você some e já aparece casada com alguém? Bem me disseram que as lésbicas são apressadas.

- Jill, primeiro, eu não sou lésbica, bissexuais existem. Segundo, não estamos casadas ainda.

Ainda... - Jill repetiu como se estivesse emocionada. - Meu bebê cresceu, que orgulho... Garota, você vai morar com a Miranda Priestly enquanto eu tenho o Kyle. - usou desdém ao falar o nome do marido. - Estou com inveja.

- Não o deixe saber disso.

Ah, ele está aqui ouvindo.

- Jill! Não seja tão cruel.

Você já está na casa dela? Já começou a mudança?

- Eu me mudo sábado, mas estou na mansão.

Me ligue por vídeo agora, estou ligando o computador, quero conhecer ela.

- Jill...

Não quero saber. Estou esperando, tchau.

Jill desligou deixando uma Andrea ansiosa esfregando a testa. Ela sorriu ao perceber que lidava tão bem com o autoritarismo e teimosia de Miranda, porque a própria irmã era assim.

- Querida. - Ela chamou Miranda que revisava o Livro na sala. - Minha irmã quer te conhecer.

- Oh! Marque um jantar.

- Agora. Por vídeo chamada. Você acha que pode?

Miranda fitou Andrea com um olhar analítico e acenou com a cabeça. Ela percebeu o nervosismo da namorada e se levantou, a puxando para um beijo confortante.

- Está tudo bem, querida. Eu já lidei com muitas cunhadas. - disse jocosa, fazendo Andrea sorrir.

Já no escritório, Andrea abriu o laptop e ligou para a irmã. Miranda estava sentada em uma poltrona e Andrea ao seu lado sentada no descanso de braço. Jill atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando ansiosamente. E estava.

Puta merda! É verdade.

- Jill! - Andrea cresceu os olhos.

- Olá, senhora Harrison.

Por favor, me chame de Jill. Eu posso te chamar de Miranda, suponho.

- Não ouse me chamar de outra forma. - brincou.

Então, já estão planejando os bebês?

Miranda sorriu largo e Andrea quase teve uma parada cardíaca. Agradeceu pela editora não ver seu pânico.

- Ainda não, mas só depende da sua irmã.

Andy, me dê sobrinhos, logo. Céus, um bebê de vocês vai sair uma perfeição.

- Eu gostei dela. - Miranda se inclinou para Andrea. - Venha nos visitar quando tiver férias, tentarei engravidar sua irmã até lá.

Jill deu uma gargalhada jogando a cabeça para trás e Miranda achou o gesto familiar. Uma cabecinha castanha surgiu na tela e ela pegou Isaac no colo.

Olha só quem acordou.

- Esse é o seu Isaac? Parece com você... Eu adoro bebês. - A voz de Miranda saiu carregada de uma emoção que, pela primeira vez, Andrea se aqueceu com a ideia de dar um bebê para Miranda.

Diga olá para suas tias, Isaac. Essa é a Miranda.

- Oi tia Andy, Oi tia Miranda.

"Tia Miranda" a editora quase desmaiou.

- Olá, pequeno.

Miranda olhou para Andrea e a jovem pôde ver o brilho úmido no olhar de sua namorada. Ela acariciou suavemente os cabelos platinados acima da nuca, sentindo uma necessidade de demonstrar algum carinho naquele momento.

- Olá, querido. Sua mãe está te alimentando bem, heim?

Calada, Andy, você tinha essas mesmas bochechas na idade dele.

Miranda sorriu mais largo ainda, imaginando como seria Andrea pequena e rechonchuda.

- Aaah, eu adoraria uma foto dela.

Me passa teu e-mail que eu vou te mandar um álbum digital de toda a vida dela.

As duas riram divertidas e Andrea revirou os olhos. Ela já viu que essa união iria render.

- Jill, nos falamos depois, antes que você conte meus podres.

- É inevitável, Andy. Contarei tudo, uma hora ou outra.

Elas se despedem e no fim da chamada, Miranda ficou encarando o laptop como se não soubesse o que é. Um silêncio estranho se estabeleceu entre elas, até Miranda falar com uma voz suave.

- Você quer ter filhos?

Andrea escorregou do descanso da poltrona para o colo de Miranda, ficando de lado em suas coxas e laçando o pescoço com os braços. Miranda virou e a encarou intensamente, uma expressão que Andrea não conseguia decifrar.

- Nunca esteve em meus planos. - Miranda fechou os olhos. - Mas tenho pensado sobre isso. É importante para você?

- Eu sempre sonhei ter uma casa cheia. - Ela começou calmamente. - Quando me casei a primeira vez, sabia que ele não seria o cara certo. Boêmio demais. Depois do divórcio sumiu no mundo, provando que eu estava certa. Na segunda vez, eu sabia que Kevin não dava a mínima, mas comecei a achar que não tinha muito tempo para começar, então tivemos as meninas, e desde a minha gravidez o casamento só ruiu. Nos divorciamos quando as meninas tinham quatro anos. E Stephen, bom, o maior erro da minha vida. Nunca me senti segura com ele e jamais tive a mínima vontade de gerar bebês com aquele gene, eu já imaginava que não suportaria ter uma ligação com ele pelo resto da vida.

- Você casou sabendo que iria acabar?

Questionou com o cenho franzido.

- De certo modo. - Deu de ombros. - Enfim, eu já havia tirado esse desejo da cabeça, afinal, na minha idade é muito arriscado. Mas você veio e o desejo se acendeu novamente. Chega a ser irônico ser a única pessoa com quem eu senti segurança.

- Eu não estou dizendo que nunca teremos, só que não é o momento. Podemos conversar sobre isso futuramente?

- Claro. - ela acariciou o rosto de Andrea e a beijou ternamente. - Eu só estou desabafando, nunca contei para ninguém, não se sinta pressionada sobre isso, eu não quero impor a maternidade sobre você, tem que ser algo de seu total desejo, certo? - assentiu com a cabeça. - Se nunca acontecer, não tem problema. Eu já sou inteiramente feliz ao seu lado.

Miranda sorriu tentando passar para Andrea que estava tudo bem, Andrea respondeu com um sorriso aquecido e a abraçou, mas, para esconder sua preocupação. Ela sabia que era importante para Miranda, no primeiro dia de namoro, ela havia mencionado o desejo de ter um menino e, estranhamente, aquilo não saía de seus pensamentos.

Ela começara a se imaginar sendo mãe, mas ainda tinha muitas inseguranças sobre isso e não queria dar falsas esperanças para Miranda. Naquela noite, ela começou a planejar mentalmente os passos seguintes, assim, em um futuro próximo, ela voltaria a discutir sobre o assunto com a namorada.

- Acho que está tarde, vou deixar para ligar para meus pais amanhã.

- Por que não os chama para jantar?

- Meu pai? Aqui? Não acho uma boa ideia. Com a reação dele só de mencionar namorar uma mulher... Não quero as meninas envolvidas em uma confusão caso ele surte.

- E se você fizer no apartamento? Nós saímos da Runway e vamos direto pra lá.

- Como assim "nós saímos da Runway"?

- Esqueci de falar, quero que passe o dia comigo na Runway amanhã. Você disse que trabalharia em casa, pode fazer isso na minha sala.

- Miranda... você vai acabar enjoando de mim.

- Impossível enjoar de um vício, querida.

Andrea sorriu, balançando a cabeça em negação e a beijou. Não demorou muito para Miranda começar a tatear seu corpo, apertar seus seios e beijar seu pescoço.

- Miranda, você é insaciável. - Andrea falou se rendendo às carícias.

- Tenho tesão de uma vida, An-dre-ah. Agora tira a roupa e deita da mesa.

 

°°°°°°°

 

Na sexta-feira, após o café da manhã, Miranda e Andrea partiram para o Elias-Clarke. Ao descer do carro, a editora entrelaçou os dedos nos da jovem e de mãos dadas, entraram no prédio. É claro que isso chamou a atenção de todos que passavam e antes mesmo de sair do elevador no 17º andar, Emily já sabia que Andrea a acompanhava. Toda vez que Miranda estava chegando, Roy, motorista dela, mandava mensagem para Emily.

Andrea se admirou ao cruzar os corredores - ainda sentindo a mão macia segurando carinhosamente a sua - e as pessoas simplesmente desaparecerem para não cruzar com Miranda. Ela riu internamente dos olhares apavorados e toda aquela exasperação. Ao olhar para o lado, viu sua namorada doce e amável com uma máscara fria e indiferente. Ela não poderia acreditar que era a mesma mulher que a fez gritar de prazer no escritório no dia anterior.

- Miranda... - Emily surgiu apressada em sua sala.

- Chame Nigel imediatamente, desmarque meu almoço com Irv hoje e remarque para segunda, faça uma reserva no Pastis para uma hora, quero todos prontos para a reunião em trinta minutos, providencie um estoque de pulseiras Hermes rose, meus lenços estão acabando e você é incapaz de conseguir mais. Onde está meu café? Você já chamou Nigel?

- Farei imediatamente. Ela já está chegando com seu café.

Miranda revirou os olhos e fez sinal com a mão para ela se retirar.

- Emily? Não quero ser incomodada por absolutamente ninguém. - A ruiva assentiu. - Temos meia hora. - Ela falou suavemente para Andrea, que já estava confortável no sofá.

A jovem deu dois tapinhas ao seu lado, sinalizando para Miranda sentar, e assim ela o fez. Logo elas estavam aos beijos frenéticos, mantendo as mãos nas costas e pescoço para não perder o controle e acabar arrancando as vestes uma da outra.

Miranda ouviu a porta sendo aberta e antes que alguém entrasse, se separou do beijo e arrumou ligeiramente o cabelo. Ouviu uma voz desesperada dizer "não entra aí" mas já era tarde. A segunda assistente entrou e colocou o café na mesa, sequer notou Miranda até se virar e dar de cara com o olhar mortal da editora. Andrea apenas xicoteava a cabeça olhando para as duas.

- O que é isso? - Perguntou pausadamente.

- Ééh... Se-seu café.

- E o que você acha que eu vou fazer com 'um' café? Dividir?

Só então a pobre alma olhou para Andrea como quem pedisse socorro. Emily já havia contado do dia que usara a morena misteriosa para se livrar de uma bronca.

Andrea pousou delicadamente a mão quente na coxa macia de Miranda e a editora a olhou com um sorriso amável, mas logo mudou de volta para a assistente e pareceu que iria desintegrar a loira.

- O que você está esperando?

- Eu vou buscar outro. - A mulher falou quase chorando e correu para a porta, mas foi interrompida pela voz fria e suave.

- Emily? Você perguntou qual o café que ela deseja?

- Não.

- Pode ser igual o dela.

Andrea falou, tentando livrar a segunda assistente de ficar mais tempo ali. A mulher correu como se a vida dela dependesse disso. E dependia. Com a expressão mais suave, ela olhou novamente para sua Andrea.

- Desculpe por isso, querida. Estou cercada de incompetentes.

- Não tinha como ela saber que eu estava aqui.

- É o trabalho dela, ela tem que antecipar tudo. Se for para se mover em um ritmo glacial, eu mesma faria.

Andrea sorriu, sabendo que não adiantaria discutir sobre isso.

- Eu pensei em fazer um almoço de natal. Poderíamos chamar sua mãe e sua irmã, o que acha?

- Seria incrível, toda a família junta. - Andrea suspirou sorrindo.

- Você chamou seus pais para o jantar?

- Sim. Mandei por mensagem e minha mãe confirmou que iriam. Você tem certeza que quer enfrentar Richard Sachs? - Miranda gargalhou e até mesmo Emily se assustou com o som nunca ouvido por ela.

- Minha doce Andrea, eu sou conhecida por fazer homens adultos chorarem. Eu vou saber lidar com um machista, faço isso a vida toda. Sem contar que seremos a maioria, três mulheres fortes comandando o jantar.

A morena sorriu com o tom ameaçador ao mesmo tempo amável de Miranda. Ela adorava essas misturas de humor improváveis. Certamente, sua namorada era alguém para ser estudado.

Alguns minutos depois, a 'nova Emily' entrou com o café e entregou para Andrea, o de Miranda permanecia intocado. Em uma tentativa de bajular a chefe, ela pegou o café em cima da mesa e levou até Miranda.

- Eu não quero isso. Está frio.

Sequer se deu o trabalho de olhar para a loira amedrontada, que saiu da sala levando o café e indo comprar outro.

Miranda deu um beijo rápido com o intuito de se levantar, mas Andrea jogou seu corpo em cima do dela e tomou seus lábios ferozmente, mas a editora conseguiu fugir fazendo um esforço sobre-humano.

- Querida, eu tenho uma reunião e você tem um artigo para concluir.

- Mas... Você me deixou com tesão. - Andrea fez manhã.

- Mais tarde. - Miranda piscou e saiu da sala, Andrea sorriu ao ouvir a voz da editora falando com Emily.

- Eu não solicitei Nigel imediatamente?

- Você disse que não queria ser interrompida por...

- Dispenso os detalhes da sua incompetência.

 

°°°°°°°°

 

Após uma manhã vendo Miranda Priestly em ação, Andrea pôde dizer que se divertiu bastante, a não ser quando sentia pena de algum mortal, em alguns momentos, ela achava que sua adorável namorada exagerava um pouquinho, mas não se meteria em seu trabalho.

Depois de almoçarem juntas no Pastis, elas voltaram para Runway, onde Miranda teria uma tarde inteira de reuniões. Andrea terminou o artigo e se sentiu entediada ao perceber que Miranda iria demorar e ela não tinha nada para fazer. Resolveu observar outra pessoa. A ruiva nervosa.

- Olá.

Emily levantou a cabeça e encarou os olhos castanhos brilhantes. Ela forçou um sorriso simples e esperou a morena que estava inclinada sobre sua mesa se manifestar.

- Eu sou a Andy. - Andrea estendeu a mão.

- Emily. - A ruiva pegou ligeiramente na mão de Andrea.

- Então, Em. O que você faz?

- Emily! - Corrigiu. - Eu organizo a agenda dela e a acompanho em eventos importantes. - Falou com certo orgulho que Andrea não entendeu de onde vinha.

- Eu não vi você no aniversário dela.

Emily endureceu a expressão e parecia fuzilar Andrea só com o olhar.

- Eu não fui convidada, apenas ajudei a organizar. - Falou entre os dentes.

- Hum... e a loira? Ela se chama Emily também?

- Não. É Claire, mas Miranda nunca lembra os nomes e elas são demitidas antes que isso seja possível.

- Hum...

- Você... - Emily tentou se controlar mas o rosto simpático de Andrea a estimulou a continuar. - Como você consegue deixar ela tão calma?

Andrea deu uma gargalhada alta e ficou extremamente vermelha. Emily deu um sobressalto com a reação da morena. Até que Andrea encarou as botas, deu um sorriso malicioso e mordeu o lábio, imaginando as coisas que ela fazia para deixar Miranda calma.

- Digamos que... eu sou encantadora.

Emily revirou os olhos e bufou.

- Você poderia vir mais vezes. Ela estava calma essa manhã, facilitaria meu trabalho.

- Calma? É assim que ela é calma?

- Você não imagina como ela é normalmente. Exceto quando você vem.

Andrea se sentiu imensamente satisfeita em saber que sua presença fazia tão bem para Miranda, e, de quebra, salvava a vida de seus funcionários.

Miranda finalmente apareceu e sorriu genuinamente ao ver Andrea na antessala. Ele caminhou direto para o lado da namorada, o dia ao lado dela havia sido muito menos estressante.

Emily encarava a interação perplexa. As duas estavam bem na frente de sua mesa, sem sequer lembrar da existência dela. Miranda acariciou o ombro de Andrea e lambeu ligeiramente o lábio olhando para os lábios na jovem.

- Eu vou terminar mais algumas coisas e podemos ir. Você conseguiu terminar seu artigo?

- Sim. Há algum tempo. Mas Em me fez companhia.

- Ela foi gentil? - a ruiva engoliu seco, o tom carinhoso era carregado por uma ameaça velada contra ela.

- Oh, sim! Muito agradável.

"Pobre de quem não seja."

- O que acha de encomendarmos o jantar? Assim teremos um tempo antes dos Sachs chegarem.

- Me parece ótimo. - Andrea usou um tom carregado de desejo e mordeu o lábio. A editora quase a agarrou ali mesmo.

- Emily. - começou sem desviar o olhos de Andrea. - Encomende um jantar para quatro, deve ser entregue às sete e meia no apartamento.

Miranda se aproximou um pouco mais e beijou lentamente a bochecha de Andrea, com um leve roçar da língua que a fez arrepiar.

- Não demoro, querida.

Andrea sorria como uma boba, acompanhando com o olhar a editora entrar em sua sala, ela ofereceu uma atenção especial ao quadril bem desenhado na saia tulipa.

Ela voltou a olhar para Emily que já a encarava como se uma cabeça monstruosa estivesse brotando do pescoço dela.

- Quê?

- Sério, o que você faz?

- Não vai querer saber.

- Andy! - A voz de Nigel soou entrando na antessala. - Desculpa não vir te ver antes.

- Me perguntei se não viria. - se abraçaram demoradamente.

- Temos que marcar outra noite daquela, eu nem me lembro como cheguei em casa.

- Miranda te ajudou a entrar em um táxi e deu o endereço pro motorista.

- Deus salve a rainha! Aliás, obrigada por deixá-la tão doce. - Sussurrou.

Andrea riu, não queria imaginar como era Miranda já que o que ela viu aparentemente era uma versão doce. Para ela, doce mesmo era a Miranda que ela tinha em casa, mais precisamente na cama. Emily continuava atônita, sem entender bulhufas.

- E Paris, heim? Animada? - Andrea franziu o cenho.

- Paris? O que tem Paris?

- Seu enxerido fofoqueiro.

A voz de Miranda soou atrás deles e todos se inclinaram para olhá-la. Ela caminhou para o lado de Andrea e passou o braço por suas costas, apertando suavemente sua cintura, sem desviar o olhar assassinos de Nigel.

- Era para ser uma surpresa. - Disse entre os dentes, depois olhou para Andrea sorrindo - Meu bem, eu iria fazer um jantar especial e chamar você para ir a Paris comigo, na Fashion Week ano que vem. Mas Nigel - Ela olhou para o amigo com um olhar mortal. - estragou tudo.

- Desculpe, Mira. Eu não sabia?

- Céus! Estou com náuseas... - ela massageou a têmpora fechando os olhos. - do que você me chamou?

- Miranda. - Nigel disse com cautela. - Sinto muito, Mi-ran-da. Achei que já havia dito a ela.

- Certo! - Andrea resolveu salvar o novo amigo. Ela ficou de frente para Miranda e descansou os dois braços em seu ombro, os rostos em uma distância nada segura. Miranda ficou tonta olhando para os lábios suculentos tão perto dela. - Eu vou adorar ir a Paris com você. Não importa como você convide, tudo que você faz é especial. Obrigada. - Ela depositou um beijo casto e demorado em seus lábios, que fez as pernas de Miranda tremular.

O momento de carinho foi interrompido por um barulho alto e assustador. Os três procuraram na direção do som, para encontrar Emily desmaiada no chão atrás de sua mesa.

Parece que ver Miranda sendo beijada foi demais para a cabecinha histérica dela.