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Beach Love

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Tentar limpar a mente do trabalho e dos problemas não era fácil para Miranda. Mesmo independente de férias, com suas filhas tão amadas e preciosas, ela, hora ou outra, se lembrava de alguma preocupação do trabalho ou como seu marido bêbado teria uma semana para usar sua casa sem ela, sabe-se lá de que formas nojentas.

Se bem que ela estava grata por ele não ter ido, assim, ela poderia aproveitar as férias ao lado das únicas pessoas que ela ama. Sua lindas e travessas ruivinhas. Ela se distraiu dos pensamentos invasivos ao avistar como Bobbseys brincando energeticamente, jogando areia uma na outra.

Em certo momento, Caroline e Cassidy se aproximaram da mãe, que tinha algumas futilidades, inclusive a de não se sujar de areia, elas foram se encostando e Miranda ficou desesperada. Encolheu os ombros e colou os braços no corpo para que as meninas, que estavam tão cobertas de areia que não era nem possível sabre a cor da pele delas, não a sujasse.

- Não, não, não! - Miranda disse de forma afobada. - Por favor, não encostem antes de tomar um banho. Essa areia é imunda.

- Ah, mãe! Qual a graça de vir na praia se não se sujar de areia ou tomar banho de mar? - Cassidy questionou em tom de insatisfação.

- Apreciar a paisagem e ver minhas lindas filhas brincarem felizes.

Cassidy revirou os olhos e Caroline, que sorria da esquisitice da mãe, disse:

- De qualquer forma, estamos cansadas. Vamos pra casa?

- Eu quero ficar mais um pouco, mas vocês podem ir, estou olhando daqui. - as meninas balançam a cabeça em concordância e se levantam. - Por favor, tomem um banho minucioso! - ela complementou séria e as gêmeas riram de seu desespero.

Miranda estava com um biquíni verde jade e um vestido de praia rendado por cima, que cobria seu corpo até o meio da coxa, além da visão atrapalhada dentro dos espaços da costura.

Ela contemplava a vista com tal intensidade, que acabou se perdendo naquele mar de energias. Ela estava em um transe meditativo que talvez nunca tenha estado na vida. Os pensamentos sumiram de sua mente e seu corpo relaxou totalmente. Ela não sabe quanto o tempo ficou onde o estado porque o mundo ôntico se esvaiu e ela estava completamente submersa em seu ser.

Ela conseguiu voltar à terra quando um tecido balançou majestosamente em sua frente, o movimento de ondas que ele fez por causa do vento puxou Miranda de si para a sua circunvisão.

Quando ela se deu conta de onde estava e que estava acontecendo, uma mulher com um biquíni minúsculo sacudia um pano azul cerúleo esticando no chão, para em seguida se deitar de bruços na horizontal, dando para Miranda uma visão perfeita de suas curvas.

Uma vista que Miranda jugou ser mais interessante e bela que o próprio mar. Ela não conseguiu evitar o leve rubor ao analisar o corpo da mulher, começando pelos seus pés, passando pela panturrilha torneada, seguida pelas coxas grossas e o quadril empinado, a curva das costas era um arco perfeito com a inclinação do busto da morena, os seios levemente a mostra, saindo pelo lado do biquíni de cortina. Ela estava apoiada sobre os dois cotovelos com as mãos estiradas na frente.

Toda a pele da mulher, levemente bronzeada, brilhava com o suor causado pela exposição ao sol. Ela não conseguiu evitar morder o lábio quando a morena dobrou os joelhos, com os pés cruzados quase tocando o quadril, fazendo seu bumbum empinar ainda mais.

Um vento forte balançou as ondas castanhas da mulher, em uma cena típica de Hollywood. Miranda engoliu seco e voltou a percorrer aquele corpo com os olhos várias vezes. Até que em uma das vezes, ao chegar no busto e subir para o cabelo, deu de cara com o rosto da mulher virado para ela, um olhar castanho e brilhante, uma sobrancelha arqueada e uma boca com um enorme sorriso presunçoso fizeram Miranda corar.

Pega no flagra! Foi como ela se sentiu. Miranda desviou o olhar pra qualquer coisa, mas sentiu uma certa decepção em perder uma das visões mais belas que ela já teve.

— Por que parou de olhar? Sua expressão estava tão... Interessante!

Miranda tentou ignorar o comentário com todas forças. Fingir que não viu nem ouviu aquela mulher. Mas elas estavam relativamente próximas, a praia praticamente vazia e ela tinha certeza que seu rubor a denunciava.

Ela virou a face em direção ao rosto da mulher, que sorria lindamente, e deu um leve manear de cabeça, com uma inclinação de um lado dos lábios em um sorriso quase imperceptível.

A morena não conseguiu segurar o riso inclinando a cabeça para trás. Miranda quase ficou tonta com a beleza da cena e sem perceber, lambeu o lábio inferior. Ela imaginou aquele momento em uma fotografia, digna de capa da Runway.

— Quer entrar comigo?

A morena perguntou com um sorriso amigável e piscando seus cílios enormes de forma tão única, que Miranda quase ficou hipnotizada.

— Eu não faria tal estupidez.

Miranda respondeu séria. A morena enrugou a testa em sinal de confusão e tentou compreender o que de fato Miranda quis dizer com uma afirmação tão sem sentido.

— Hum? Por que seria estupidez?

— Entrar aí e sair toda suja de areia? Não, obrigada.

— Mas qual é a graça de vir pra praia se não for pra sentir a areia nos pés ou tomar banho de mar?

Miranda quase sorriu relembrando que Cassidy dissera a mesma coisa há alguns minutos. Mas se contentou em sorrir por dentro, não daria tal intimidade pra uma mulher desconhecida.

— Contemplar essa vista maravilhosa.

Miranda respondeu, mais para não cortar o contato com a mulher, do que para falar sobre esse assunto tão desinteressante.

— Nossa, obrigada. Aprecio o elogio.

A morena respondeu presunçosa com um grande sorriso. Miranda ficou confusa com o agradecimento e recuou um pouco a cabeça tentando entender o que a mulher quisera dizer. Alguns segundos e ela compreendeu que a mulher supôs que a visão maravilhosa se tratava dela e não do mar.

Bom, a mulher tinha razão, mas Miranda não deixou de achar presunçoso ela considerar isso. Ela resolveu não dar mais atenção àquela jovem ousada e direcionou seu olhar para o mar. Voltando à sua expressão séria e usual de novo.

Como evitou olhar, ela não notou quando a morena suspirou decepcionada, ou abaixou o olhar com claro desapontamento por Miranda simplesmente ignorá-la, ou quando ela coçou a cabeça confusa e mordeu o lábio pensativa. O corte da conexão foi sentido por ambas, mas elas ignoraram igualmente qualquer sensação de perda. Bom, pelo menos momentaneamente.

A morena não conseguiu evitar Miranda após alguns minutos esperando que ela começasse qualquer assunto ou fizesse qualquer comentário. Ela se levantou, Miranda percebeu o movimento e virou seu rosto para o lado, para não cruzar o olhar com o corpo da mulher.

A morena se aproximou e jogou um punhado de areia no corpo de Miranda, que afastou instintivamente os braços do corpo e abriu a boca em uma expressão de descrença. Ela olhou para seu corpo sujo daquela areia imunda, depois olhou para cima, fitando o rosto da jovem com um olhar de puro ódio.

— Podemos entrar agora?

A jovem pergunta com um sorriso simples e as sobrancelhas arqueadas, os braços para trás e as mãos unidas, semigirando o corpo repetidamente, como uma criança.

— Você não fez isso.

Miranda disse ainda em choque e paralisada pela atitude abominável da mulher.

— Fiz, vai fazer o que sobre isso?

A morena cruzou os braços abaixo do seio e arqueou uma sobrancelha em um olhar de desafio.

Miranda se levantou, pegou sua toalha, dobrando em seguida e se direcionou para ir embora. O dia perfeito acabara de se desfazer ali, no ato da morena, que apesar de bela por fora, por dentro, na perspectiva de Miranda, tinha uma personalidade imbecil. Ela pensou em várias formas de fazer a mulher chorar, mas simplesmente se contentou em voltar para suas filhas, tomar um banho de ácido e fingir que esse momento não existiu.

A jovem, ao perceber que Miranda ficou profundamente chateada, recuou imediatamente as provocações e foi atrás da mulher para se desculpar.

— Hey!

Ela tentou chamar a atenção de Miranda, mas foi em vão. Então ela se inclinou rapidamente segurando seu pulso, fazendo com que Miranda olhasse imediatamente para mão da jovem lhe tocando, depois olhou para seu rosto em uma expressão clara de desaprovação.

A morena soltou finalmente seu pulso e fez um olhar de arrependimento.

— Me desculpe, eu achei que seria engraçado. Não achei que falou sério sobre a areia.

Miranda não conseguiu pensar em nada para falar, na verdade ela não queria falar nada, só queria ir embora dali e esquecer toda essa situação. Mas por algum motivo, os olhos castanhos lhe mantém estática. Seu olhar é frio e faz a morena tremer, com ainda mais arrependimento.

— Você poderia me perdoar? Eu gostaria de compensar de alguma forma, podemos tomar uma água de coco...

A mulher parou de falar quando Miranda levantou a mão em um sinal de "basta". Então, Miranda se virou novamente para ir embora, mas é surpreendida novamente pelo toque indesejado segurando seu pulso.

— Deixa eu te mostrar como pode ser bom, por favor.

Miranda virou o rosto para olhar para a mulher com uma expressão confusa. Ela ainda não disse nada, em sua cabeça, falar é um sinal de intimidade, coisa que ela não quer dar para essa criança adulta.

— Se você se sente bem apreciando a vista, dentro do mar vai ser melhor ainda. É como se fundir com a água, como se você fosse uma extensão do mar. Você vai se sentir melhor, deixa eu te mostrar.

Miranda a encarou profundamente, olhou para um lado, depois para o outro, olhou para o mar e por último, voltou a olhar para morena. Há uma guerra interna entre o quão repugnante é se sujar e a curiosidade de pertencer ao mar.

Ela revirou os olhos e começou a andar de volta para onde estava, colocando a toalha dobrada próxima à da morena. Ela ficou de pé como se estivesse pronta mas a mulher parecia esperar algo. Finalmente Miranda falou.

— Desistiu?

— Você vai entrar com isso?

A morena apontou para o vestido no corpo de Miranda. Ela resistiu um pouco, mas acabou tirando, ficando apenas de biquíni. Quando o tecido passou por sua cabeça, seu olhar encontrou a morena comendo seu corpo com os olhos. Um rubor imediatamente tomou seu rosto e pescoço.

— Perdeu alguma coisa?

— O juízo, talvez.

A morena respondeu, voltando a se concentrar no rosto de Miranda, que fez um leve bico inclinado para esquerda com os lábios.

— Bom, isso é bem óbvio.

As duas seguiram para a água, mas quando Miranda sentiu seus pés molharem, ela estancou no lugar e ficou apavorada.

— Aqui está bom.

— Quê? Não, você precisa ir mais, vem!

— De jeito nenhum.

— Ah, você tem medo do mar?

Miranda lançou um olhar intimidador para morena, que não se abalou nem um pouco, como se o que ela dissesse fosse um completo absurdo.

— Uhg, não seja ridícula, eu só não quero me molhar.

A jovem tinha certeza absoluta de que Miranda morria de medo do mar, mas jamais admitiria. Ela parecia ser muito orgulhosa para isso.

— Eu estou aqui com você.

A morena ofereceu um olhar cúmplice, mas Miranda nem olhou para ela. Então, em um ato de coragem, posicionou a mão nas costas de Miranda, como um gesto de proteção. Ela imediatamente enrijeceu com o toque e encarou a jovem, como se esta tivesse lhe dado um tapa na face.

Novamente, a morena não se abalou e pressionou levemente a mão para frente, tentando fazer com que Miranda se movesse. Aos poucos ela começou a caminhar ao lado da jovem, completamente desconfortável e receosa. Mas ela não deixava transparecer, mantendo o olhar sério.

Quando a água estava em seu quadril, Miranda interrompeu a caminhada e estancou novamente.

— Acho que é o suficiente.

— Não, vamos mais um pouco. — A morena disse, percebendo uma Miranda com os olhos semicerrados a encarar. — A maré está tranquila, está tudo bem.

Ela tentou soar tranquilizadora, e aparentemente funcionou, pois Miranda começou a caminhar novamente até a água alcançar seu ombro.

— Como se sente?

— Como se tivesse areia em partes inconvenientes.

— Areia sortuda.

A morena murmurou, mas o que era para ser inaudível, Miranda escutou perfeitamente e lançou um olhar incrédulo para a jovem.

— Que comentário mais desrespeitoso.

— Oh, perdão! Eu não queria... é que... você é muito bonita.

Miranda a olhou com o cenho franzido, mas desistiu de qualquer discussão. Olhou para o horizonte e ficou apavorada com a pequena onda que vinha em sua direção. Ao perceber, a morena tratou de tentar acalmá-la.

— Hey, calma. A onda é suave, quando ela chegar, você pula comigo, certo?

A jovem segurou nas mãos de Miranda e quando a onda alcançou seus corpos e ela gritou "pula", as duas deram um leve pulinho, flutuando por um curto espaço de tempo.

Miranda desfez o contato e novamente encarou o horizonte contemplativa.

— Fecha os olhos. — a morena pediu e recebeu um olhar confuso em resposta. — Ah, confie em mim, você vai gostar. — finalmente Miranda obedeceu com seu típico bico de insatisfação. — Inspire profundamente e lentamente, um...dois... três... quatro... expire lentamente. Isso. Novamente, inspire, sinta a brisa entrar por seu nariz e preeencher seus pulmões completamente... agora solte o ar lentamente. Continue fazendo isso, nesse ritmo.

A morena aproveitou o momento para se aproximar um pouco mais de Miranda, sua voz soava bem próxima ao ouvido dela.

— Sinta o seu corpo relaxar. Sinta a areia abaixo de seus pés, correndo entre seus dedos. Deixe os ombros caírem em relaxamento. Tire a tensão do maxilar, afastando os dentes superiores dos inferiores. Tire a tensão da testa. Isso. Sinta esse relaxamento gostoso. Perceba que seu corpo flutua. Isso... Você está indo muito bem.

A morena se calou, enquanto Miranda estava em seu transe de relaxamento. Ela ficou assim por alguns minutos. A jovem aproveitou para se aproximar mais e observar os detalhes de Miranda. O perfil de seu rosto, digno de uma escultura grega, as leves e quase imperceptíveis sardas em seu pescoço, espalhadas por seu busto, a suavidade de sua pele, tão convidativa.

— Então?

Ela tocou levemente as costas de Miranda para trazê-la de volta. Miranda a olhou com uma expressão mais suave e maneou com a cabeça.

— É agradável.

Ela se limitou a dizer, sentindo o corpo completamente relaxado.

— Fica de costas.

A morena pediu, Miranda a olhou analítica antes de se virar. Então, uma onda suave bateu em suas costas de surpresa, passando por seu pescoço de forma divertida.

Sem perceber, ela sorriu com a sensação, deixando a jovem hipnotizada com tal beleza. Quando ela se virou para morena, percebendo seu olhar e que está sorrindo, instantaneamente voltou para a expressão séria de sempre.

— Me chamo, Andy... Na verdade é Andrea, mas todos me chamam de Andy.

— Hum.

Miranda se limitou a murmurar, notando uma expressão de expectativa de Andy.

— O quê?

— Você não me disse seu nome.

— Ora, você não sabe?

A morena negou, balançando a cabeça. Nesse momento Miranda entendeu o motivo de Andrea ser tão invasiva, ela não a conhece, se conhecesse, sequer se aproximaria.

— Miranda.

— Oh! Belo nome, combina com você.

A morena deu um largo sorriso, esperando retribuição. Mas ela já havia presenciado tal momento raro uma vez, dificilmente conseguiria de novo.

— Você mora aqui?

— Não, estou de férias com minhas filhas.

— Oh, você tem filhas?

— Eu não fui clara?

Tão ácida! Andrea já estava aprendendo a gostar disso em Miranda, até achava atraente.

— Onde elas estão?

— Em casa. Aquela ali.

Miranda apontou para casa de férias na beira do mar e a morena deu um largo sorriso.

— Interessante, porque eu estou exatamente na casa ao lado.

— Hum. Com o que você trabalha?

— Eu sou jornalista.

Imediatamente o corpo de Miranda enrijeceu e seu olhar foi de completo desprezo. Ela se virou e começou a andar para fora da água. Andrea não entendeu nada, mas tentou interromper. Rapidamente se posicionou na frente de Miranda para formar uma barreira.

— Hey, eu disse algo errado?

— Eu sou um furo para você?

Miranda disse séria. Só levou alguns segundos para Andrea entender o que estava acontecendo. Essa mulher devia ser uma pessoa pública para ter tantas barreiras assim, e sabendo que ela era jornalista, natural pensar que talvez só estivesse interessada em informações. Mas isso não era verdade.

— Eu não sou esse tipo de jornalista. Eu escrevo sobre determinados assuntos e faço entrevistas concedidas. Nunca invadi a privacidade de ninguém.

— Você não é um daqueles abutres?

Miranda perguntou com uma expressão de nojo, afinal, era isso que ela sentia em relação aos que tentavam a todo custo invadir sua vida e difamá-la.

— Não! Além do mais, eu estou de férias. Não estou trabalhando e nem sei quem você é.

— Uma jornalista que não sabe quem eu sou. — Ela ri nasalado com ironia.

De repente, Andrea abriu um sorriso divertido, parecido com aqueles que suas filhas dão quando estão aprontando. Miranda semicerrou os olhos tentando entender o que havia de tão engraçado. A verdade é que uma onda mais alta estava vindo na direção delas, e Andrea se divertiu com a ideia de Miranda ser pega de surpresa, então, aguardou a tragédia.

Quando a onda passou por Miranda, cobrindo sua cabeça, ela foi tomada por tanto desespero, que agarrou o corpo da mulher à sua frente na esperança de não morrer afogada. Pensou em suas filhas, ela sequer teve a chance de se despedir.

Passado o momento, ela ouviu a forte gargalhada de Andrea, que se divertia com a mulher grudada em seu corpo. Quando deu por si, Miranda se afastou rapidamente, tentando se recompor arrumando os cabelos para trás.

— Isso não teve graça.

— Relaxe, mulher. Você é sempre tensa assim?

Apesar de brava, Miranda ficou profundamente mexida pela risada da mulher. Mas ela não se permitiria perder a compostura para sorrir.

— Está quase escurecendo, vou voltar para minhas meninas.

— Aaaah. — Andrea soou decepcionada. — Fica mais um pouco.

— Não.

Miranda respondeu secamente , começando a andar para sair da água. Andrea ficava atrás dela com uma sensação de decepção por não poder prolongar seus momentos com aquela mulher misteriosa.

— Que tal um chá na minha casa?

— Não, preciso tomar banho e tirar toda essa areia.

Já quase sem esperanças, ainda correndo atrás da mulher que acabara de alcançar sua toalha, Andrea tentou uma última vez.

— Você toma banho e depois vai lá para casa. É logo ao lado.

Miranda a encarou tentando entender o motivo de tanta insistência e encontrou uma expressão pedinte cheia de expectativa.

— Certo.

O olhar de Andy brilhou mais intensamente e ela deu um longo sorriso de satisfação. Miranda sorriu ao dar as costas e andar em direção à sua casa. Enquanto isso, Andy dava pulinhos de alegria na areia.

 

°°°°°°

 

Andrea tomou um banho quente e aromatizado, com uma mistura de óleos essenciais que deixaria qualquer um tonto. Ela se empenhou em ficar com uma aparência leve e agradável ao escolher apenas usar um batom lip, dando um tom avermelhado natural aos lábios. Ela secou os cabelos formando ondas leves nas pontas e colocou um vestido marrom confortável, na altura dos joelhos.

Mal sabia ela que Miranda estava encantada com sua aparência suada, sem nenhum tipo de cosmético e cabelos naturais molhados com água do mar. Então não era necessária nenhuma grande produção para agradá-la.

Andrea colocou a chaleira no fogo e aguardou ansiosamente a chegada de Miranda. Ela costumava se sentir sempre solitária, pois, de alguma forma, as pessoas sempre entravam na sua vida para logo sair. Então, a ideia de ter uma companhia essa noite parecia excitante. Ainda mais essa companhia sendo uma mulher estonteante, de cabelos platinados e comentários ácidos.

Quase duas horas depois da despedida na praia, Andrea ouviu leves batidas em sua porta. Com toda felicidade possível, ela abriu para encontrar uma Miranda que, nem de longe, parecia com a mulher que conhecera na praia.

Ela estava com um macacão vermelho, colado no busto e mais solto nas pernas. Alças finas deixavam o ombro completamente à mostra, além de um discreto decote. Andrea ficou sem fôlego só com a visão de seu corpo, pois seus olhos ainda nem haviam chegado no rosto, e quando chegou, havia uma mulher com uma maquiagem leve, mas bem feita, e um cabelo perfeitamente modelado, com o cacho caindo sobre a sobrancelha.

Todo o conjunto deixou Andy paralisada, e além de extremamente admirada com a beleza e elegância da mulher à sua frente, ela sentiu uma contração em seu íntimo por excitação. Ela não podia negar: Miranda lhe dava muito tesão.

— Então, você espera que eu tome o chá aqui na porta?

Andrea foi roubada de seus pensamentos impróprios pela voz suave e fria de Miranda. Uma combinação que só ela poderia fazer.

— Oh, perdão! Entre, por favor! — Andrea abriu espaço para Miranda passar e gesticulou com o braço em direção à sala.— É que eu acabei me distraindo com a 8ª maravilha do mundo.

Miranda levantou uma sobrancelha e comprimiu os lábios para não sorrir. Ela gostou do elogio, gostou até demais.

— É uma desculpa interessante.

— É apenas a verdade.

Andrea se direcionou até a cozinha e voltou com uma bandeja, que dispunha da chaleira, pires, xícaras, colheres, açúcar e adoçante, além de um recipiente com madeleines.

Ela serviu duas xícaras  e entregou uma para a mulher. Após provar o chá, Miranda deu um leve manear com a cabeça em aprovação, como se Andy fosse obrigada a entender essa comunicação silenciosa, típica de Miranda.

— Então, quanto tempo você vai ficar?

Andy quebrou o silêncio desconfortável entre as duas, é claro que não seria Miranda a fazer isso, já que ela não costumava dar o braço a torcer. "Ela me convidou, então ela que se esforce para tornar isso agradável." Pensou.

— Uma semana. Voltamos no próximo domingo. E você?

— Estou indo amanhã.

Por alguns segundos, Miranda deixou escapar uma expressão de decepção, mas logo controlou sua transparência. E tentou esconder a frustração por trás da xícara. Novamente, um silêncio inundou a sala, e novamente, Andy tentou rompê-lo.

— Onde você mora?

— New York.

— Oh, eu também! Sou do Upper East Side.

— Acho difícil.

Miranda usou um tom de deboche completamente novo e Andy não deixou de gravar essa nova expressão em sua cabeça.

— Por quê?

— Uma jovem com seu comportamento, não pode ser de tal bairro.

Aí estava a acidez que Andrea tanto gostava. Ao invés de simplesmente se sentir ofendida e devolver com ofensas, ela só sorriu largamente. O que deixou Miranda confusa e incomodada. Como assim ela não conseguiu irritar a jovem ainda? Será que perdeu o jeito?

— E suas filhas, quais as idades delas?

— Elas têm onze anos, são gêmeas.

— Oh, você as teve muito jovem?

Andy fez essa pergunta propositalmente para elogiar Miranda e dessa vez acertou em cheio. Miranda deu um leve sorriso, era contido, mas estava lá, os lábios levemente inclinados e as bochechas um pouco mais altas.

— Na verdade, não.

Ela se limitou a dizer sem dar qualquer vestígio de sua idade. Miranda estava claramente satisfeita com o elogio da jovem e após um olhar analítico, resolveu que seria ela a quebrar o silêncio.

— Diga-me, por que me chamou aqui?

A pergunta era sincera, Miranda pensava que, já que Andrea a convidou com tanta súplica, ela deveria querer algo mais interessante do que elogios à sua imagem. E Andrea, uma pessoa sem filtros,  deu uma resposta igualmente sincera.

— Eu te achei misteriosa, interessante, atraente e queria uma boa companhia.

Miranda inclinou um pouco a cabeça para traz, com uma expressão de surpresa. Ela não imaginou que Andy seria tão direta.

— Eu ainda não sei com o que você trabalha.

Andy tentou não fazer a mulher sair correndo dali, voltando para um assunto mais casual.

— Sou Editora-Chefe de uma revista, a Runway.

— Nunca ouvi falar.

Miranda não evitou mostrar a insatisfação com o comentário, e elevou seu típico bico.

— Percebe-se, se tivesse lido pelo menos uma vez, não se vestiria assim.

Ela alfinetou, embora não achasse tão horrível a escolha que a morena fez especialmente para ela. Dessa vez, a expressão de Andrea se entristeceu, e Miranda ficou arrependida pelo comentário, mas não faria nenhuma retratação. Apenas deu continuidade à conversa.

— Você tem algo com álcool aqui?

Andy balançou a cabeça em concordância e se levantou rapidamente levando a bandeja. Voltou com uma garrafa de conhaque em uma mão e uma garrafa de sauvignon na outra.

— Qual você prefere?

— O vinho, claro. Conhaque me lembra meu marido.

Miranda fez uma expressão de nojo ao falar do homem. Até então, Andrea não sabia que ela era casada, e o sentimento de decepção e tristeza ficou claro em seu rosto. Miranda não deixou de perceber e claro, questionou.

— O que há?

Andy recuperou a postura e voltou para o bar, deixou lá o conhaque e voltou com duas taças, as servindo em seguida. Ela não respondeu com a esperança de que Miranda não perguntasse novamente. Mas quando ela se sentou e entregou a taça para Miranda, ela estava com um olhar de "estou esperando" e Andrea sentiu como se não tivesse escolha.

— Humm... É queee... É...

— Vai levar a noite toda?

Dessa vez, a acidez de Miranda não fez Andy sorrir, só a deixou mais nervosa. Então ela resolveu contar de uma vez.

— Você é uma mulher tão linda, foi bobagem minha achar que seria solteira. Eu não deixei de pensar que definitivamente eu não teria chances, já que é casada.

Miranda ficou novamente surpresa com a sinceridade da morena, talvez alguém nunca tivesse sido tão franca assim com ela.

— Então me chamou aqui para flertar?

Ela não evitou encarar Andy com uma expressão divertida, como se tudo aquilo fosse uma piada. Isso deixou a morena profundamente constrangida, e chegou realmente a acreditar que ela deveria ser muito tola por achar que Miranda iria se interessar por ela.

— Bom... era uma ideia.

Ela tentou não mostrar tanta frustração, desviou o rosto da direção de Miranda e bebeu um pouco do vinho para fugir da situação. Quanto vinho seria necessário para isso?

— Confesso que você me intriga.

Miranda soltou, como se fosse um pensamento que havia escapado, mas ela realmente quis dizer. E quando Andrea se virou para encará-la, ela não deixou de admirar seus belos lábios e imaginar qual seria a sensação de beijá-los.

Ela nunca havia estado com uma mulher antes, mas sentia uma profunda curiosidade. E desde que vira Andrea na praia, não deixou de pensar o quão atraente ela é. Mas jamais imaginou que a jovem também pensava isso dela, e saber que era desejada a fez sentir uma contração em seu íntimo.

— Bom, você me comeu com os olhos lá na praia, igual está fazendo nesse momento olhando pros meus lábios. Não é tão intrigante assim que eu tivesse alguma esperança.

Novamente, Miranda se surpreendeu com as palavras de Andy. Realmente ela desejou se deleitar no corpo da jovem deitada naquela posição perfeita. Mas era um pensamento que ela preferia manter longe, bom, pelo menos antes de chagar na casa de Andrea.

— Não, seu desejo não me intriga. — Ela se inclinou para pegar a garrafa de vinho, servindo as duas. — Mas sua sinceridade, sim.

Miranda deixou clara a admiração pela beleza de Andrea na praia, quando a olhou com tanta lascívia. Andrea deixou claro o desejo por Miranda assim que ela abriu a porta, além de algumas indiretas diretas.
O que era necessário então, para que as duas resolvessem satisfazer esse desejo?

— É, eu não tenho filtros.

— Então, você me chamou aqui para "tomar chá", — ela fez sinal de aspas com a mão, com uma expressão divertida no rosto. — e então, o que faria depois?

— Eu não sei, talvez beijar-te.

O íntimo de Miranda se contraiu só com a imagem de Andy tomando seus lábios passando por sua cabeça. Sua respiração pesou um pouco por conta da excitação e ela soltou um longo suspiro tentando aliviar a tensão.

Ela estava com tesão. Ela sonhava com aquilo há anos. Ficar com uma mulher. Mas ela era casada e uma pessoa pública. Ela não conhece essa jovem que parece ter uns parafusos a menos. Mas ela tinha tanto desejo acumulado, que só conversar com Andy sobre isso, já a deixava molhada.

— E depois, An-dre-ah?

O íntimo de Andrea pulsou ao ouvir seu nome ser pronunciado por Miranda pela primeira vez, e ela usou uma voz tão sensual e rouca, que devia a forma mais perfeita que alguém já a chamou. A expressão de Miranda era nova, tinha uma fome estampada em sua face e Andrea imaginava que ela era a comida. O olhar era intenso e penetrante. Todo o conjunto fez o corpo de Andrea aquecer de desejo.

— Eu iria te despir.

— E depois?

— Eu beijaria todo teu corpo.

— Continue.

— Eu... lamberia teus mamilos e... sua boceta. Te penetraria com a língua e dedos. Beberia cada gota de ti.

Miranda fechou os olhos, sentindo o líquido quente escorrer para sua calcinha. Ela nunca se sentira tão molhada e tão excitada antes. Ela já sabia, que não poderia sair de lá, sem fazer tudo o que desejava.

Ela deu um longo suspiro e abriu os olhos, a imagem de Andrea lambendo o lábio era demais pra ela resistir. Então ela se levantou e colocou a taça na mesinha de centro.

— Você vai embora?

Andrea perguntou, já decepcionada.

— Perdeu o juízo?

Miranda se posicionou na frente de Andrea, ainda sentada, e a levantou pela nuca. Andrea derreteu com a sensação de estar tão perto dos lábios de Miranda, sentindo o aroma requintado e a respiração quente bater em seu rosto.

— Acha que eu iria embora antes de você fazer tudo o que disse?

Saiu quase como um sussurro. Miranda colou os lábios no de Andrea sentindo o calor tomar conta de seu corpo. A morena não demorou muito para pedir passagem com a língua, e Miranda imediatamente concedeu. O dançar de suas línguas fez com que, quase instantaneamente, o íntimo delas reclamassem por atenção.

Elas estavam igualmente excitadas. Andrea levou as mãos à cintura de Miranda, apertando-a com desejo contra seu corpo. Depois deslizou as mãos para suas costas, descendo até seu quadril, deu uma leve puxada, fazendo com que o íntimo de Miranda roçasse no seu.

Miranda soltou um gemido abafado pelos lábios de Andrea. O beijo, que estava cauteloso e experimental, se tornou urgente e intenso. Fazendo com que as mulheres se apalpassem com mais frenesi e gemessem entre os lábios.

Miranda afastou o beijo, encerrando com uma puxada entre os dentes no lábio inferior de Andrea. Ela deu uns passos para trás, querendo manter uma distância da mulher. Ela estava assustada, nunca sentira tanto desejo, tanto tesão, tanta excitação. Nunca sentiu tanta vontade de devorar alguém por inteiro.

Levou as mãos ao rosto, esfregando os olhos em uma tentativa de pensar com a razão. Andrea se sentia mal com esse comportamento, ela sentia tanto desejo quanto Miranda, mas para ela era descomplicado, para Miranda era muita novidade.

Por um momento ela hesitou, por um breve momento ela pensou em ir embora. Miranda desceu as mãos do rosto e encarou a morena que a olhava com expectativa.

— Dane-se!

Era o suficiente para ela voltar a se aproximar e beijar Andrea mais violentamente ainda.

Miranda não se demorou, alcançou a bainha do vestido de Andy e deslizou para cima. Separando os lábios para a veste passar pela cabeça. Ela encarou os seios da morena, que estava sem sutiã, e quase ficou hipnotizada com tanta beleza. Se aproximou lentamente do mamilo esquerdo, segurando o seio na base com a mão, e roçou levemente os lábios no bico já rijo, sentindo a textura delicada da auréola. Depois passou a língua lentamente, movimentando para cima e para baixo, em seguida, fez movimentos circulares e por último chupou com desejo. Andy não conseguiu evitar os gemidos. Miranda repetiu todo o processo no outro seio, com calma, curtindo cada segundo daquele momento.

— Vamos para o quarto.

Andrea sussurrou com uma voz ofegante. Miranda a tomou novamente em um beijo saboroso e se afastou.

 

— Me guie.

Andrea puxou Miranda pela mão em direção a uma porta. Antes que Miranda soubesse que se tratava realmente de um quarto, ela já estava empurrando Andrea porta a dentro com beijos sedentos e descontrolados. Ela conseguiu visualizar uma cama, e foi lentamente, colada em Andrea, em direção a mesma.

Quando Andrea sentiu a madeira tocar sua perna, se deixou cair deitada na cama, se apoiando nos cotovelos. Miranda estava com muito desejo para enrolações, puxou a calcinha de Andrea com tanto afinco, que a morena não precisou nem levantar o quadril.

— Abre para mim.

Miranda disse com a voz rouca, ainda em pé, de frente para Andrea.

— Não! Você não acha que está muito vestida?

Miranda realmente queria ter o controle da situação, já que ela controlava tudo. Ela estava louca para ver o que a morena escondia no meio das pernas, e essa demora a estava matando.

Ela se inclinou por cima do corpo de Andrea e deu mais um beijo demorado, separou os lábios e encarou os olhos brilhantes da morena.

— Eu nunca fiz isso... com uma mulher.

— Tudo bem, nós podemos ir devagar.

Miranda soltou um riso levemente audível e isso deixou Andrea ainda mais excitada.

— Eu não quero ir devagar. Eu tenho cara que gosta devagar?

Andrea gemeu em resposta, só de imaginar Miranda indo rápido nela.

— Eu quero que você tire minha roupa.

Andrea não pensou duas vezes, quando Miranda se levantou, ela fez o mesmo em seguida. Se aproximou o bastante de Miranda para sentir sua respiração contra seu rosto, e desceu a primeira alça do macacão. Ela depositou beijos em seu ombro, dando leves passadas com a língua.

Os pelos de Miranda se arrepiaram e ela sentiu o calor aumentar em seu íntimo. Ela desceu a outra alça e depositou mais beijos molhados. Desceu lentamente o topo do macacão, expondo os seios de Miranda, deslizou a veste devagar, garantindo que a ponta dos dedos roçasse nas curvas de seu corpo.

Com Miranda só de calcinha, Andrea deu um passo para trás para visualizar o corpo estonteante da mulher. Ela deu um longo suspiro de admiração.

— Uau!

Foi a única coisa que ela conseguiu proferir.

— Eu sei, eu sei!

Miranda disse com um sorriso presunçoso seguido de uma mordida no lábio inferior. Andrea não deixou de sorrir também com o convencimento da mulher.

— Então, você pretende fazer tudo à distância?

Miranda alfinetou com a demora de Andrea de se mover para fazer qualquer coisa. A morena estava simplesmente em choque.

Andrea deu um largo sorriso antes de atacar os lábios de Miranda. Ela deslizava a mão por todo seu corpo apertando cada extensão de pele que ela alcançava. Miranda separou o beijo, empurrou Andrea de volta, ela queria se deleitar daquele corpinho que ela quase babou ao ver na praia.

Andrea deslizou pelo colchão e abriu as pernas exibindo sua intimidade por completo, ela se sentiu pulsar ao ver o olhar de satisfação de Miranda. Aquela sobrancelha levantada era tudo para Andy.

Miranda não se demorou, subiu na cama e foi para cima do corpo de Andrea, ficando com o quadril entre suas pernas.

Ela nunca havia feito nada parecido. Jamais dera prazer para uma mulher. Mas ela seguia seu próprio desejo. Quando ela chupou divinamente os mamilos de Andrea, ela o fez por desejar fazer aquilo. Quando ela deu beijos e lambidas em sua barriga, ela desejava fazer aquilo. Quando ela encarou o sexo inchado e levemente avermelhado, brilhando pela lubrificação do tesão, ela desejava fazer o que iria fazer. Ela deseja com todas as forças provar aquela mulher.

Movida pelo desejo, ela fez. Aproximou a língua do sexo de Andrea, e deu uma longa e demorada lambida. Ela deu uma rápida saboreada e se odiou por nunca ter feito aquilo antes. Era simplesmente o néctar dos deuses. Ela queria mais, e mais, e mais. Então, buscou direto da fonte. Penetrou a língua no centro de Andrea, entrando e saindo repetidamente.

A morena gemia e rebolava instintivamente na boca de Miranda. Ela apertou os lençóis tentando aliviar a tensão, olhou para Miranda e vibrou com os olhos azuis a observando enlouquecer em sua boca. Ela jamais vira alguém ficar tão perfeitamente sensual entre suas pernas.

Miranda subiu a língua para o clitóris de Andrea, que deu um gemido mais alto com a mudança. Ela fez movimentos circulares e foi intensificando na medida em que Andrea gemia mais alto.

— Miranda... Que delícia... Sua boca.

Andrea tentou falar entre os gemidos.

— Me fode, Miranda... com os dedos.

Miranda posicionou dois dedos na entrada de Andrea, e penetrou lentamente, para em seguida, começar a  bombar freneticamente, fundo e forte. Ela esperou Andrea dizer como gostava, mas pelos gritos, sim, gritos, ela estava indo perfeitamente bem.

— Isso, Mirandaaaa! Assim... Aaaah!

Andy parecia sentir satisfação em gemer o nome de Miranda a todo momento. Miranda com certeza sentia tesão ao ouvir seu nome sendo pronunciado com tanto desejo. Ela aumentou a velocidade das estocadas e enrijeceu a língua.

Andrea revirava os olhos e já não conseguia falar nada que fizesse sentido. Seu corpo começou a tremer e seus gemidos ficaram mais longos. Miranda sentiu o interior de Andrea apertar seus dedos, enquanto os espasmos fazia Andrea contrair todo o corpo com a chegada do ápice. Miranda só parou, quando a morena deixou seu corpo cair na cama.

Ela diminuiu o movimento gradativamente, deslizando seus dedos vagarosamente para fora. Andrea gemeu com a perda, e tremia cada vez que Miranda beijava carinhosamente seu sexo, sugando cada gota daquele néctar maravilhoso. Ela simplesmente não queria parar, não queria tirar a boca de lá. Queria ficar ali, sugando Andrea para sempre.

Andrea cravou os dedos nos cabelos de Miranda e a puxou para cima. A contragosto, Miranda subiu pelo corpo de Andrea tomando seus lábios em seguida. A combinação era perfeita: o sabor do vinho, o gosto de suas bocas e o gozo de Andrea.

Ela nem percebeu que o beijo demorou demais, apreciando cada segundo daquele momento.

É claro que Andrea desejava tanto Miranda, quanto Miranda desejava Andrea. Então ela não se demorou muito pra começar, no meio do beijo, a descer a calcinha de Miranda.

Miranda se afastou e se levantou rapidamente para tirar a calcinha, voltando novamente para cima de Andrea. Entre os beijos que elas pareciam não conseguir interromper, Andrea deslizou a mão entre seus corpos, alcançando o sexo de Miranda. Ela passou dois dedos entre a fenda, sentindo a umidade exagerada e Miranda gemer em sua boca.

Ela estimulou o clitóris de Miranda enquanto elas se beijavam. O calor do corpo, o suor e os gemidos tornavam tudo bastante excitantes para Miranda. Que já anunciava a proximidade do orgasmo. Andy interrompeu as carícias e tentou separar os lábios de Miranda, que parecia não querer largar a boca da morena de jeito nenhum.

— Senta na minha boca.

Andy sussurrou quando conseguiu algum espaço para mover os lábios. Miranda afastou um pouco para encarar os olhos castanhos e cogitou um pouco. Ela não lembrava de já ter feito isso em algum momento.

Ela se levantou e se manteve posicionada de joelhos, com o rosto de Andrea entre suas pernas. Ela se abriu em pouco mais, deixando seu sexo ao alcance dos lábios de Andrea, que imediatamente começou a devora-lo faminta. Miranda gemeu de uma forma que surpreendeu ela mesma. Aquela língua, aqueles lábios, aquela posição. Simplesmente perfeito.

Era sua nova posição favorita.

Andrea lambeu, chupou, mordiscou, penetrou Miranda com tanta lascívia, tanta sede, tanta fome que Miranda teve que se apoiar na cabeceira para não deixar seu corpo cair. Ela rebolava na boca de Andrea, embora sem conseguir se atentar aos movimentos, pois a delícia daquele momento não a deixava pensar em nada, apenas no prazer único que estava sentindo.

— Oh, céus! ... Isso é... delicioso.

Ela estava trêmula e próxima do ápice. Já não conseguia mais movimentar o quadril, apenas sentir os espasmos chegando.

— Isso... Estou quase... Aaah An-dre-ah!

Ela gemeu alto como nunca, enquanto seu corpo vibrava com o gozo, suas costas se inclinavam de forma involuntária e suas pernas tremiam copiosamente. Ela caiu para o lado antes que Andrea parasse. A morena não se deu por satisfeita, se posicionou frente ao íntimo de Miranda e chupou tudo que tinha direito.

Em seguida, subiu em seu corpo e beijou seus lábios. Agora era vinho, bocas e gozos. A mistura estava ainda melhor e elas passaram longos minutos assim, sem conseguir desgrudar uma da outra.

— Então?

Andy perguntou com expectativa. Miranda nunca havia ficado com uma mulher, ela queria saber se foi bom o suficiente com ela.

— Então.

— Você gostou?

— Que pergunta estúpida, Andrea. Não é óbvio?

Andrea não esperava que, depois da intimidade que elas haviam compartilhado, Miranda continuaria ácida. Mal sabia ela, que sua acidez era tão natural quanto os olhos azuis.

— Bom, eu gostaria de ouvir você falar o quão bem eu fui.

Miranda não evitou sorrir largo para Andrea, que ficou completamente iluminada com aquele novo sorriso. Era o mais lindo que ela já havia visto, era raro e era para ela.

— Certo, foi ótimo, uma delícia, maravilhoso, esplêndido, perfeito, o melhor.

Miranda disse em tom de brincadeira. Andrea riu alto com o escárnio de Miranda.

— Você também foi perfeita, Miranda.

Ela disse com um tom sério. Andrea havia amado essa noite, Miranda também. Mas ambas sabiam que seria a última. Provavelmente elas nunca mais se veriam. Miranda era casada, uma pessoa pública e tudo mais. Aquela noite era tudo que elas tinham.

— Você já cansou?

Miranda perguntou para Andrea com um tom desafiador e uma sobrancelha arqueada.

— De jeito nenhum.

Elas voltaram a se beijar copiosamente, com todo o desejo de antes e passaram a noite toda fazendo tudo o que tinham direito uma com a outra.

Miranda acordou maravilhosamente dolorida. Olhou em volta e Andrea não estava. Ela se lembrou que Andrea iria embora hoje,  mas imaginou que ainda não teria ido, pois obviamente, Miranda estava em sua casa.

Ela levantou suspirando pela noite mais satisfatório de sua vida, vestiu só o macacão, pois a calcinha sabe-se lá onde está.

Ela saiu do quarto penteando os cabelos com os dedos, Andrea não estava na sala, nem na cozinha, nem em canto nenhum da casa. Ela se sentou frustrada no sofá e notou um papel com seu nome e uma chave em cima.

Ela pegou o bilhete deixado por Andrea para ela e leu.

Miranda

Essa noite foi toda maravilhosa, e você não foi nada além de perfeita.  Eu gostaria muito de repetir qualquer dia. Estou levando comigo sua calcinha, te devolvo quando você devolver minha chave. Por favor, tranque a casa. Abaixo, deixo meu endereço.

Te vejo em breve, linda .

Miranda riu ao terminar de ler, pegou a chave prateada e girou nos dedos pensativa. Ela tinha decisões importantes para tomar, mas agora não. Agora ela iria curtir uma semana com suas lindas filhas.

 

Summer loving had me a blast / Summer loving happened so fast / I met a girl crazy for me / Met a girl cute as can be / Summer days drifting away / To , oh, oh, the summer nigh