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Rise of the Dragons

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Winterhall, Dragon Sea Point - Norte
S étima Lua do Ano 298 Depois da Conquista

 

O barulho de aço contra aço enchia todo o pátio, gritos de incentivo e zombaria tão altos que por pouco não superavam o do aço. No meio, dois jovens tão parecidos quanto se fossem gêmeos duelavam; era um menino e uma menina, ambos de cabelos prateados da cor da lua e olhos violeta, traços tão parecidos quanto se fossem um só. Diferenças eram poucas, e a mais visível é a pele escura do jovem; ele é alto e magro, mas forte e bem construído, ágil; os olhos são de tom escuro de violeta, da cor de índigo, que pareciam muito como se fossem azuis-escuro; a moça é pequena, magra e igualmente ágil, e havia força em seus braços magros, o músculo de quem passou a vida com uma espada na mão; os olhos são mais brilhantes e claros que o do rapaz, um tom de violeta vivido. Os dois bailavam pelo pátio, aço colidindo com aço, uma mistura da dança aquática braavosi e o estilo westerosi, sem indicação clara de quem venceria.

Era o normal nos embates de Aegon e Daenerys Targaryen, vitórias eram poucas e distantes, e os empates tão comuns quanto as brigas entre os Blackwood e os Bracken. Como em um piscar de olhos, príncipe e princesa tomaram distância juntos.

— E como vai ser?

As palavras deixaram os lábios da princesa conforme a sobrancelha direita subia, um sorriso curvando-se no canto dos lábios. O príncipe inclinou a cabeça, e sorriu, abrindo a boca para responder, mas uma voz diferente ecoou pelo pátio:

— A mãe os convoca.

O príncipe e a princesa olharam, ao mesmo tempo, na direção da voz. Quem falava era o Príncipe Viserys, irmão da princesa e tio do príncipe; Viserys partilhava semelhança com o sobrinho e irmã, mas muito menor do que entre os dois; os olhos eram de lilás claro, mas tinha o mesmo corpo alto e magro, a pele clara da irmã, e o cabelo prateado. Vestia-se com mais riqueza que os dois mais novos, em lã da cor escura e vermelha, ao passo que o príncipe e a princesa usavam couro fervido escuro. A platéia gemeu e começou a se dissipar, pois se a Rainha convocava, o embate não voltaria tão cedo. O príncipe e a princesa seguiram o outro para dentro do castelo de pedra escura, passando por longos corredores e subindo por sinuosas escadas até o solar da Rainha, que já os esperava com mais três pessoas. Uma é a irmã mais velha do príncipe, a Princesa Rhaenys, da pele cor de oliva, longos cabelos escuros com poucas mechas prateadas e olhos da cor de índigo, uma mistura de traços da Velha Valyria e do Roine; outra é o irmão mais novo do príncipe, o Príncipe Jaehaerys, quase nada parecido com os irmãos mais velhos, pois tem o cabelo preto, os olhos cinza-escuros e a pele clara como neve, o rosto longo e solene de sua mãe, Lyanna Stark, e pouquíssimos dos traços valírianos; a última é Lady Lyanna, parecidíssima com o príncipe mais jovem, do mesmo rosto solene e longo, cabelos escuros e olhos cinzentos. A Rainha era diferente totalmente dos três, parecida com os dois filhos e o segundo neto: tinha longos cabelos prateados, pele clara e seus olhos violeta era do mesmo tom dos de sua filha.

Os três sentaram-se nas cadeiras vazias e a Rainha colocou a vista um pergaminho enrolado. Todos olharam, interessados, para o pergaminho, adivinhando que era o catalizador da convocação.

— Chegou á pouco. — disse a Rainha. — De Winterfell.

Lyanna endureceu, olhos cinzentos disparando do pergaminho para a Rainha, silenciosamente perguntando se o mal abateu-se na casa de infância. A Rainha continuou:

— O Usurpador e mais de metade da corte sobe Kingsroad agora para Winterfell. — quando ninguém disse nada, prosseguiu: — Jon Arryn morreu.

Olhos arregalaram-se, e a Princesa Daenerys travou olhos com a Rainha, assentindo para si mesma.

— O Usurpador quer que Lorde Eddard seja Mão. — disse, categórica.

— Ned não aceitaria. — as palavras voaram por entre os lábios da Princesa Lyanna.

— Ah, ele aceitara. — garantiu a Princesa Rhaenys.

— Conhece o orgulho do Usurpador melhor que ninguém, Lya. — disse a Princesa Daenerys. — Não veria de bons olhos seu melhor amigo Ned, o homem que é mais irmão que os próprios irmãos, negar-lhe ser a Mão.

— Sim. — concordou Lyanna, infeliz.

— Há — disse a Rainha, e todos se voltaram para ela mais uma vez. — uma guerra vindo, e por isso, precisamos nos preparar. Quando a oportunidade se apresentar, meus jovens, iremos atacar. Para isso, precisaremos de um exército.

— Dorne e Reach. — disse Aegon. — É onde estarão nossos primeiros homens.

— Sim. — a rainha assentiu. — Tenho trocado cartas com Doran e Olenna, e chegamos a um acordo promissor. Viserys casará com a Princesa Arianne, e Rhaenys com Lorde Willas Tyrell.

O príncipe e a princesa mais velhos, assentiram, sérios. Estavam cientes por toda a vida que o momento chegaria.

— Temos que começar a nos mover. — continuou a rainha. — Jaehaerys, querido, tenho uma missão para você. Em Castle Black, na Muralha, está meu tio-avô, Aemon, e uma... coisa... deixada por Bloodraven.

— Irmã Negra? — disse Daenerys, animada.

— Irmã Negra. — concordou a rainha, um pequeno sorriso nascendo nos cantos de seus lábios. — Você irá pegar Irmã Negra e então irá direto para Winterfell, fique lá com seus primos, onde esperará.

— Sim, senhora. — assentiu o príncipe.

— Daenerys, Aegon, tenho planos diferentes para os dois. — a rainha prosseguiu: — Os dois irão para Bloodstone, onde se reunirão com nossos aliados de Crownlands, Stormlands e, claro, o tio Dareon.

— Mais alguma coisa? — indaga Lady Lyanna.

— Isso é tudo, minha querida. — responde a rainha.

Winterhall parecia deslocado em meio ao azul do Mar do Poente e do céu, do verde da grama e da Wolfswood abaixo, uma enormidade escura. Fora feita nos primeiros anos depois da Guerra do Usurpador, enquanto os Targaryen estavam em Bloodstone com o Príncipe Daeron Targaryen; foi a mais de dez anos desde que deixaram Bloodstone para Winterhall, quando os jovens Targaryen eram ainda crianças, e Viserys um jovem de mais de dez Dias de Nome. Com o tempo, passaram a ver Winterhall como casa; era mais fácil para os príncipes e princesas mais jovens, mas Viserys ainda tinha lembranças vividas da Fortaleza Vermelha e Dragonstone, e desejava ardentemente o dia em que retornariam para os assentos da Casa Targaryen; o dia que reconquistariam o reino. Enquanto o dia não chegava, Winterhall permanecia casa: segura e quente.

Os quatro mais jovens estavam no topo do penhasco que dava ao Mar do Poente, deitados na grama amena e olhando para o céu azul sem nuvens. Era um dia bonito no Norte. Mas mais que o céu, os quatro jovens príncipes e princesas olhavam para seus maiores companheiros: os dragões. Eram três, nascidos quando estavam em Dragonstone depois do Saque de Porto Real; Daenerys era um bebê de quase dois Dias de Nome quando, uma noite, sem querer, começou um incêndio no quarto de Rhaegar; os três ovos de dragão do príncipe estavam no quarto e foram pegos no meio do fogo, e três dos criados que entraram para apagar o fogo morreram nas chamas. Depois de extensa pesquisa, a Rainha Rhaella decretou que, inadvertidamente, Daenerys resolveu o problema que a Casa Targaryen enfrentava desde o reinado de Aegon, o Veneno do Dragão: como trazer os dragões de volta. Ironicamente, estava bem na frente deles: fogo e sangue. Naquela noite, a bebê Daenerys fez um sacrifício de fogo e sangue, e deles nasceram três dragões. Descobriram também que Daenerys é totalmente imune ao fogo.

Dois dos três dragões se ligaram á Daenerys e Aegon e, quando chegaram á Bloodstone e encontraram-se com Lyanna e Jaehaerys, o terceiro se ligou ao jovem príncipe. E quando tiveram idade suficiente, todos tornaram-se os primeiros cavaleiros de dragão desde a Dança.

— Não é irônico que o tio Oberyn tenha aleijado meu futuro marido?

Comentou Rhaenys, secamente. Daenerys, deitada no ombro do sobrinho mais velho, soltou uma alta risada, e Jaehaerys disse:

— Ele nem a corrompeu ainda e o tio Oberyn já o puniu.

— Todos nós sabemos que, se alguém entre Lorde Willas e Rhaenys for corrompido, é Lorde Willas. — riu Aegon.

— Você é ridículo. — declarou Rhaenys, categoricamente.

— Estou me sentindo á deriva. — comentou Jaehaerys, quando o silêncio se abateu. — Quer dizer, Viserys vai casar com Arianne, e Rhaenys com Lorde Willas, e Aegon e Daenerys obviamente vão se casar, é claro, e eu...

— Bem, você tem Stormfyre. — disse Daenerys, seriamente.

— Você é muito bonito. — disse a princesa mais velha, rindo do comentário da tia. — E será o irmão mais novo do Rei, há de arrumar uma boa senhora para me dar sobrinhos.

— Talvez uma filha de Lorde Lucerys? — sugeriu Aegon, seus dedos longos passando pelos fios prateados da tia. — Valíriana, e muito bonita, pelo que sei. E Lorde Lucerys tem sido nosso maior apoiador desde a Guerra do Usurpador.

— Talvez. — assentiu o mais jovem.

No céu acima, Darkfyre e Stormfyre começaram a brigar amigavelmente - ou tão amigável quanto dois dragões crescidos poderiam brigar - e girar acima do mar, um belo redemoinho de preto e vermelho-sangue. Darkfyre é o maior dos dragões, o Terror Negro renascido, de escamas tão negras quanto a hora do lobo, chifres e espinhas vermelhas feito sangue e os olhos fumegantes como poças de fogo; é a montaria de Daenerys, e o líder dos cinco dragões. Stormfyre, a montaria de Jaehaerys, não é tão grande ou feroz quanto Darkfyre, mas é, ainda sim, um dragão cheio de fúria, da cor de jade e com olhos de bronze; olhos de Vermithor, dizia o príncipe, com freqüência. Darkfyre e Stormfyre frequentemente brigavam, um resultado de suas naturezas voláteis compartilhadas.

— Um dragão em Darkfyre. — anunciou Aegon.

— Eu não apostaria contra Darkfyre. — disse Rhaenys. — Nem mesmo se for Stormfyre na disputa.

Jaehaerys não teve como argumentar, dado que os dois dragões caíram no mar e Darkfyre saiu primeiro, voando triunfante até o irmão que assistia. Daenerys riu, olhando arrogante para o sobrinho.