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Better Than World

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Better Than World

 

Se eu sou um herói ou um vilão, depende apenas da sua opinião.

- Izuku Midoriya -

 

Eu estaria mentindo se dissesse que não sei como me tornei o que sou agora.

Estaria mentindo se afirmasse que isso sempre foi o meu sonho.

No entanto, eu já menti tanto nesses poucos anos... O que seria mais uma mentira nessa vida?

Se você quer a verdade, aqui vai...

Eu não quis ser isso, sou uma vitima da sociedade; se segui nesse caminho foi por culpa de cada pessoa que cruzou minha vida; por que todos, sem exceção, transformaram meu inocente sonho num pesadelo; se agora sou o demônio que assombra o mundo, só posso nomear isso como carma.

E agora, enquanto olho os heróis e jovens heróis em formação, eu apenas sinto desagrado, nojo. A repugnância vem do interior cada vez que olho para aquele homem... O Símbolo da Paz, quanta ironia pensar que uma vez admirei tal homem, tal odiosidade, tal farsa.

Hipócrita. Isso é o que ele é!

“Todos podem ser heróis!” tal afirmação o fez único entre os heróis, o mais admirado, o mais corajoso. O mais falso. Ainda me lembro vivamente, agora enquanto ele me encara horrorizado, das palavras que ele pronunciou, que destruíram minha realidade e meus sonhos. Palavras que me destruíram em pedaços miseráveis e me jogaram na vala mais funda e escura dessa sociedade imunda e podre.

É incrível pensar que, quando se esta no pior, tudo o que pode acontecer em seguida é melhorar; infelizmente não fui abençoado com tal fortuna e o poço no qual fui jogado se tornou mais fundo a cada dia em que ouvia aqueles risos malditos, aquelas afirmações dolorosamente verdadeiras, as surras eram apenas um bônus que eu recebia do meu suposto melhor amigo.

Esse mesmo amigo que agora me olhava horrorizado, chutando e gritando calunias; berrando seus pulmões enquanto o seguravam, enquanto viam as lagrimas que ele deixava cair; por que eu vi ele se arrepender, das sombras, enquanto vagueei solitariamente, sofridamente, eu o vi chorar e se lamentar, se arrepender. Mas não existe remédio para o arrependimento, e nem as melhores rezas podem curar os pecados já deferidos.

Eu não fui um santo, mas tentei o meu melhor pela minha família, por quem eu amava; no fim tudo isso me levou ao agora. Podre. Destruído. Destituído de um proposito puro. A muito tempo parei de crer no coração que pulsava em meu peito; não sinto mais o sangue correr em minhas veias, nem o sabor dos alimentos que ingiro. Cada pedaço da minha alma que se fragmento levou um pouco de mim para a escuridão tornando meu mundo o preto no branco... Talvez mais preto que branco.

A ironia da minha existência foi ver que inimigos – Heróis e Vilões – se aliaram contra mim, a suposta paz que antes existiu nunca pareceu tão próxima, e ao mesmo tempo tão distante; heróis e vilões trabalhando lado a lado por um bem – ou seria mal? – maior, por que o que os uniu, o que eles tinham em comum, era minha inimizade.

Eu, Izuku Midoriya, sem peculiaridade, inútil, Deku, a pequena parte de uma pequena porcentagem; o maior mau que o mundo já presenciou. Talvez ninguém nunca antes tivesse pensado que poderia ser eu o vilão entre vilões; talvez aquela monumental parcela da população mundial que empunha suas preciosas peculiaridades nunca tenha cogitado a mínima possibilidade de que aqueles que por anos foram reprimidos e considerados inúteis se tornariam não apenas vilões, mas o verdadeiro mal que tira o sono dos vivos e estremece as ossadas mortas em seus túmulos.

Antes eu quis apenas cuidar e proteger pessoas, desejava o melhor para todos, o bem para triunfar. Eu queria ser um grande herói, mas tive tudo negado por um simples e patético detalhe. Eu poderia ter entrado para a Liga dos Vilões, fui ate convidado na verdade, mas pelo que compreendi deles não havia futuro para suas ambições. Eu sabia, no fundo, se eu não poderia ser um grande herói, talvez eu pudesse ser um grande vilão. Um vilão tão horrivelmente poderoso que faria todos se unirem para me obstruírem, no caminho dessa ambição eu percebi algo que nunca havia passado por minha cabeça e eu o fiz quando, mesmo começando os meus atos de vilania, salvei uma criança que estava sendo intimidada. Uma criança pequena e bonita, uma menina de olhos verdes e cabelos carmim. Uma menina esquecida pelos pais e abandonada pela sociedade por ser uma sem-peculiaridade. Eu era um vilão, mas nos olhos dela, me tornei um herói. E ali pude perceber uma verdade irrevogável.

Ser Herói e ser Vilão são apenas rótulos.

O Bem e o Mau são pontos de vista.

Eu sou um vilão horrendo e cruel, para eles, para aquela cruel e gorda porcentagem de pessoas peculiares; mas eu também sou um herói valente e batalhador para aqueles oprimidos e injustiçados que não podem se encaixar neste mundo cruel.

Gostaria de pensar que realizei meu sonho de infância, mas seria muita ingenuidade da minha parte.

 

Fim